sexta-feira, abril 01, 2016

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Paulo Rangel

Paulo Rangel, que desta vez preferiu o conforto de Estrasburgo a disputar a liderança do PSD com Passos Coelho, acaba de reconhecer num artigo que escreveu para o jornal Público que o problema do PSD foi mesmo de digestão. Isto é, Passos Coelho podia ter andado com melhor cara se tivesse tomado pastilhas Rennie.

«O congresso do PSD em Espinho, este fim de semana, é uma oportunidade para o partido iniciar um novo ciclo – marcado por uma “oposição mais agressiva” a António Costa – que já poderia ter começado após as Presidenciais. A opinião é de Paulo Rangel, que, em entrevista ao Público, diz que o partido tem necessidade de uma “agenda reformista” e de “aparecer com mais rostos” que “poupem o próprio líder a uma intervenção quase diária”.


“Depois do processo eleitoral, houve um período de adaptação a um novo ciclo político cujo processo foi bastante crispado e tenso. A partir do momento em que está tudo digerido — e penso que o ciclo final foi a eleição do Presidente da República —, o partido já teve tempo de se adaptar e devíamos já estar num postura mais interventiva e agressiva, uma oposição mais forte em vários domínios”, afirma Paulo Rangel.» [Observador]

 Pergunta desonesta

«Imaginemos que até hoje nada se sabia do processo envolvendo José Sócrates, para além dos crimes de que é suspeito: corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal. O segredo de justiça teria sido rigorosamente preservado; o Ministério Público, como é seu hábito, emitiria somente comunicados obscuros em português gongórico; e o ex-primeiro-ministro andaria entretido a fazer digressões pelas televisões e auditórios do país, queixando-se de perseguições, cabalas e urdiduras, e indignando-se perante a terrível infâmia a que estava a ser sujeito. Pergunta: enquanto participantes num espaço público, nós estaríamos mais mal ou mais bem servidos com tão cumpridora ignorância?

A resposta é óbvia. Embora haja um problema evidente com o segredo de justiça em Portugal, a ter de escolher entre um sistema com fugas e um sistema opaco, eu escolho o sistema com fugas. Quem defende o segredo de justiça de forma absoluta, como acontece com tantos ex-admiradores de José Sócrates, está a desvalorizar a importância de todos nós sermos agentes activos no debate democrático. Esta ideia de que divulgar as gravações dos inquéritos judiciais não é mais do que voyeurismo ou populismo denuncia uma visão profundamente passiva da cidadania, que apenas atribui a cada um de nós e à comunicação social o triste dever de aguardar pacientemente que o poder judicial faça o seu caminho, sem vigilância nem escrutínio. Ora, os vários poderes numa sociedade democrática não são apenas complementares – eles são conflituantes. E é por isso que em nome do interesse público é tantas vezes admitida à comunicação social a quebra do segredo de justiça.» [Público]

Para justificar o injustificável este defensor de julgamentos fora dos tribunais e de acordo com as regras decididas pelos polícias João Miguel Tavares faz uma pergunta desonesta, tentando justificar as violações do segredo de justiça como uma resposta legítima ao comportamento de Sócrates. O articulista do Público sabe que está a manipular, as violações do segredo de justiça começaram desde o início do processo, ainda Sócrates estava preso, aliás, já nessa altura o articulista tomava posições próprias de quem acha que em defesa das suas opiniões e ódios podem ser ignoradas as regras do estado de direito.

Não são as intervenções de Sócrates que deram lugar às intervenções de Sócrates, isso é uma mentira que serve de pressuposto ao raciocínio desonesto de João Miguel Tavares. O articulista tem todo o direito de pensar o que bem entender e de escrever o que lhe dá na gana, mas convinha que respeitasse a verdade e a inteligência dos seus leitores.

 Erdowie, Erdowo, Erdogan


  
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