quarta-feira, abril 13, 2016

Nós, os atrasadinhos


Os "atrasadinhos" do PS aplaudindo Tino de Rãs que gozava comas quotas de Guterres

Há em Portugal um verdadeiro complexo de inferioridade em relação ao norte da Europa, resultado de se associar o subdesenvolvimento ao sul, considerando-se que existe uma espécie de compatibilidade entre a cultura dos povos da Europa do Sul como os valores que levam ao desenvolvimento. Os do norte são rigorosos e nós uns bandalhos, os do norte estudam e nós baldamo-nos, os do norte são trabalhadores e nós uns gandulos.

Não admira que muitos governantes antes de decidirem questionem sempre o que fazem os evoluídos, como se o nosso baixo nível intelectual nos impedisse de adoptar as melhores soluções. Daí a considerar-se que tudo o que se faz lá fora é o bom e tudo o que fazemos por cá é a versão má da realidade. O que nos vales ainda são as descobertas, senão seria um país com um profundo complexo de inferioridade.

O mais grave é que este discurso miserável se transformou numa instituição e nos últimos anos houve mesmo um artista que chegou a primeiro-ministro que usou uma conversa com um finlandês idiota para humilhar o país, convencido de que essa humilação dava jeito para forçar os portugueses a concordaem com as suas ideias extremistas.
  
Nos últimos anos o país foi humilhado por uma senhora Merkel que nos considerava uns malandros e a falta de orgulho chegou ao ponto de o ministro das Finanças Alemão ter convidado o desconhecido Gaspar a pulicar no site do seu ministério um artigozeco que ninguém leu. Para receberem a Maria Luís ate promoveram um seminário encenado, para que as televisões mostrassem aos seus concidadãos atrasadinhos que ela até já falava em seminários na Alemanha.

Quando pensava que já tinha passado esta moda dos atrasadinhos eis que é António Guterres que para promover a sua imagem de político modernaço usou-nos como um povo de atrasadinhos. Preocupado porque há quem queira uma mulher no cargo de secretário-geral da ONU, António Guterres achou que devia fazer prova do seu empenho na igualdade. Poderia ter lembrado que criou um ministério da igualdade, onde colocou a sua amiga Maria de Belém como ministra.

Mas não, decidiu dar um ar da sai graça e lembrou que ele, o corajoso candidato a secretário-geral da ONU, quando era líder do PS tinha introduzido as quotas nas listas de candiodatos a deputados do seu partido. Como não podia deixar de ser, foi um grande feito seu pois tratava-se de “algo que na altura não era fácil na Europa do Sul”. Era o António Guterres contra os atrasadinhos do seu país, desta vez contra os atrasadinhos do seu partido.
  
Quem se deve estará a rir é o Tino de Rãs que ficou famoso quando em pleno congresso lembrou António Guterres que se esse tivesse sido o critério seguido na escolha do secretário-geral ele não estava ali. Não estava ali e agora não estaria em Nova Iorque à custa dos nossos impostos a chamar-nos atrasadinhos como se isso o transformasse num adiantadinho!


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