segunda-feira, abril 11, 2016

As Panamá tretas



Até agora os Panamá Papers têm sido pouco mais do que as Panamá Tretas, como era de esperar o grupo Impresa está usando o privilegio de ter tido acesso aos documentos para melhor as suas audiências e vender mais jornais. Para que o pagode mantenha o interesse atiram-se uns nomes já queimados ou a arraia miúda da emigração aos cães, ao mesmo tempo que se estimula a curiosidade usando a imagem dos “ex-ministros”, usando a imagem da classe política corrupta, uma estratégia muito ao gosto dos nossos sacerdotes impolutos da comunicação social.
  
Como era de esperar o primeiro nome a saltar foi o de Ricardo Salgado, um velho inimigo do jornal Expresso desde os tempos em que ameaçou este semanário se insistisse em envolver o grupo BES no caso Mensalão. Na ocasião Pinto Balsemão fez mais uma das suas afirmações de independência, o certo é que o assunto não voltou às primeiras páginas do Expresso e o grupo Impresa voltou a contar com as receitas do orçamento publicitário do BES. Agora que Ricardo Salgado caiu em desgraça seria uma desilusão se nas pesquisas e varrimentos doa base de dados o nome do DDT não fosse o o primeiro a ser denunciado.

Não estarei muito longe da verdade se disser que os primeiros nomes a ser ‘rocurados, além do de Ricardo Salgado, foram os de José Sócrates e de todos os que lhe estão associados nas supostas investigações do caso Marquês, os de ex-ministros como Miguel Relvas, Miguel Macedo e outros. Duvido que ex-ministro comentadores da SIC ou gente próxima de Passos Coelho tenha sido alvo de curiosidade mórbida.
  
Aliás, um dos aspectos mais interessantes nas posições dos jornalistas envolvidos no vasculhamento do caso Fonseca é a preocupação em sugerir que os negócios podem se legais, aliás, depois de tanta sugestão de legalidade haverão muitos português que já começarão a pensar que os bandidos e corruptos optam pela Caixa Geral de Depósitos, em vez de recorrerem às off shores. Quem recorre s off shore são os financeiros com apetência para o desporto, para manterem o seu dinheiro em forma levam-no a fazer uma corrida até ao Panamá e dali para mais umas voltas pelas grandes pistas mundiais do atletismo financeiros.
  
Os Panamá Papers depressa se vão transformar nas Panamá Tretas, depois de termos andado a comprar o jornal Expresso em dose dupla o processo vai acabar abafado como já sucedeu com muitos outros. Em Portugal só políticos caídos em desgraça ou odiados pela direita, banqueiros falidos, patos-bravos e empresas sem orçamento publicitário é que são vítimas da comunicação social. Basta ver o que se passou com muitas outras listas, como a recente lista Lagarde, para se perceber que neste país quem tem orçamento publicitário ou capacidade financeira para levar jornalistas e outros ao Gambrinos é que se lixa.
  
PS; se no fim deste espectáculo mediático estiver enganado prometo pedir desculpa ao Balsemão e ao director de informação da TVI.


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