quinta-feira, abril 28, 2016

Mariana Mortágua, Líder da oposição

É suposto o governo governar e a oposição procurar discutir as suas decisões apresentando alternativas. Se o critério para definir o que é ser oposição for este teremos de concluir que quem lidera a oposição em Portugal é a Mariana Mortágua. Outro critério poderá ser o da visibilidade pois a comunicação social comportar-se-á como os espectadores de um jogo de ténis, olham alternadamente para o primeiro-ministro e para o líder da oposição, neste caso também não restarão dúvidas de que a Mariana Mortágua é mesmo a líder da oposição, a seguir ao primeiro-ministro e ao Presidente da República é o político (ai que me vão chamar nomes por causa dessa coisa do género) que mais está presente nas primeiras páginas.
  
Passos Coelho andou quase seis meses armado em primeiro-ministro no exílio, no congresso prometeu ser activo e agora parece o “falecido primeiro-ministro”. Homem que estuda Salazar sabe certamente do conselho que certo dia o ditador fez a um jovem político ambicioso, se queres subir na política, sugeriu-lhe, faz de morto. Desde que abandonou a pantominice do primeiro-ministro derrubado por um golpe de estado conduzido pelo capitão Costa, Passos Coelho anda a fazer de morto. Ainda se empertigou com as 35 medidas para financiar as empresas, mas como ninguém lhe prestou grande atenção terá concluído que o melhor era seguir.
  
Passos Coelho adoptou a posse de um monarca, está acima dos assuntos menores e o seu papel limita-se a escolher quem fala no parlamento e por aquilo que se vaio ouvindo fica-se com a impressão que cada um diz o que lhe apetece. Normalmente é o Montenegro a usar a sua cassete cheia de baboseiras e quando se pode mais originalidade varia-se a escolha, se o tema é 25 de Abril ouvimos um discurso horrível da Paula, se é preciso fazer frente ao Centeno escolhe-se essa grande economista de nome Maria Luís.
  
A verdade é que o PSD nada diz que mereça a pena ouvir e fica-se com a impressão de que afastado um segundo resgate e não tendo havido uma alteração da notação da DBRS Passos Coelho aposta numa calamidade natural que provoque uma crise. Até lá vai-se arrastando no cargo, pelo menos até terminar o segundo mandato.
  
Na Presidência da República está o homem com quem o grande estratega decidiu gozar apelidando-o de forma pouco frontal de catavento, no governo a gerigonça parece ter vindo para ficar, em Bruxelas o tema das preocupações deixou de ser a dívida soberana e o défice e discutem-se critérios de avaliação dos mesmos e nem mesmo o ministro das Finanças Alemão aparece a dizer uma das suas alarvidades. 
  
Quem faz as críticas, quem marca a agenda com declarações, quem faz propostas nos mais diversos domínios é quem lidera a oposição e não é Passos Coelho, é a Mariana Mortágua.

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