quarta-feira, janeiro 28, 2015

O Robin dos Bosques da Saúde

Ao longo de três anos Paulo Macedo, o brilhante e competentíssimo ministro da Saúde, teceu uma imagem de si próprio que levou muito boa gente a considera-lo uma mago da gestão, o único ministro competente deste governo, o homem que até era consultado sobre questões do ministério das Finanças, chegou mesmo a ser apontado como um possível ministro das Finanças, até já havia quem sussurrasse o seu nome para suceder a Passos Coelho.
  
A ideia que Paulo Macedo conseguiu fazer passar com muitas intervenções cirúrgicas na comunicação social, uma especialidade que adquiriu na ex-DGCI, a imagem de um ministro que tinha salvo o Serviço Nacional de Saúde, apesar das imposições da troika. Ainda há poucos dias o seu adjunto dizia numa entrevista à TVI24 que não só tinham salvo o SNS como o tinham melhorado! Contando com amizades de peso dentro do PS e com a influência da presença da obra de Deus na política portuguesa Macedo passou a imagem do homem competente que tinha poupado o SNS à maleficência da troika porque fez de Robin dos Bosques, tirou aos ricos e deu aos pobres.
  
A imagem que se o ministro conseguiu fazer passar foi a de que com muito menos recursos foi possível manter e melhorar a qualidade do SNS. Ao contrário dos seus antecessores ele enfrentou os interesses do sector, prosseguiu com as reformas de Correia de Campos (ainda ontem Augusto Santos Silva elogiava as reformas de Paulo Macedo, ilibando-os de quaisquer responsabilidades técnicas. Para Augusto Santos Silva Paulo Macedo foi competente e apenas tem a responsabilidade política. Quanto à causa de tanta competência ou às consequências da responsabilidades políticas por tanto morto nada disse.
  
Será que eliminar camas no Hospital Garcia da Horta é a mesma coisa que as parturientes de Elvas irem ser melhor tratadas em hospitais modernos do que continuarem a ter os partos em serviços ultrapassados? O ministro da Educação, outra figuraça deste governo, ainda teve a coragem de fechar escolas primárias cuja existência não fazia sentido, mas não me recordo de Paulo Macedo ter dado a cara sobre o que quer que fosse. Paulo Macedo tem feito na Saúde o que já tinha feito na ex-DGCI, aproveitou os processos em curso e geriu a propaganda em favor da sua imagem.
  
Uma das imagens que Paulo Macedo tem feito passar é a do combate aos interesses instalados nos medicamentos, enfrentando as farmacêuticas e combatendo a fraude. Acontece que nada isto é novo, foram governos anteriores que lançaram os genéricos e que implementaram a sua utilização e quanto a algumas investigações judiciais é mais do que óbvio que os primeiros casos começaram a ser investigados ainda o Paulo Macedo estava no BCP.
  
A segunda grande mentira da propaganda pessoal de Paulo Macedo é que fez mais ou, pelo menos o mesmo, com muitos menos recursos, com menos meios financeiros e com menos recursos humanos. Quanto aos meios financeiros um dia serão feitas as contas todas, a começar pelo impacto das medidas adoptadas no âmbito da ADSE que claramente favoreceram o sector privado, desviando muitos utentes do SNS. Mas recordemos alguns números de que Paulo Macedo não fala.
  
Em relação ao seu antecessor Paulo Macedo beneficiou de um corte de mais de 20% nas despesas salariais, um corte que não se traduziu em perda de qualidade pois os valores deontológicos dos médicos e enfermeiros não é pura propaganda como sucede com a mítica competência de Paulo Macedo. Paulo Macedo também beneficiou do maior aumento de recursos humanos a custo zero de que há memória não só no SNS como em todo o mundo. Além de beneficiar de cortes brutais nas despesas salariais Paulo Macedo ainda conseguiu aumentar o horário de trabalho de todo o pessoal em uma hora por dia. Se o SNS conta com 28.000 médicos basta fazer uma regra de três simples para se saber que o aumento de uma hora diária de trabalho sem qualquer compensação financeira se traduziu em mais 4.000 médicos, para não referir o impacto em pessoal de enfermagem e em pessoal auxiliar.
  
No centro de reabilitação onde estive um mês em 2013 estão a fechar camas, limitando o número de doentes do sul do país à reabilitação física. Aqui não se morre, não se tem direito às primeiras páginas dos jornais ou às aberturas dos telejornais, fica-se acamado e sofre-se em silêncio. O problema é que o abuso foi longe e começam a morrer portugueses nas urgências. É evidente que sempre se morreu nas urgências, mas nunca, nem mesmo num passado mais longínquo se morreu abandonado como um cão nas urgências portuguesas. Deixemo-nos de tretas e de acusações à troika que, como se sabe, tem as costas largas e paga por todas as sacanices desta gente, se isto acontece deve-se às opções de gestão e basta ver a administração do Garcia da Horta dizer que se vai resolver facilmente o problema com mais uma ou duas contratações para se ver que Paulo Macedo e os seus gestores ultrapassaram a linha que separa o poupar do abandonar.
  
Bastava observar com atenção as manobras do Paulo Macedo e as desculpas que tem vindo a dar para se perceber que há mais, muito mais do que responsabilidades políticas, aliás, às responsabilidades enquanto gestor de um sistema revela-se alguém que num dia diz uma coisa e no outro já diz outra. Começou por atribuir as culpas às empresas que não colocaram os médicos, depois o problema foi da gripe, a seguir houve um aumento inusitado dos internamentos, como se todas as enfermarias tivessem sido transformadas em enfermarias de pneumologia, agora a culpa é da falta de médicos, e o secretário de Estado Adjunto até já tentou fazer surf nos ataques à Ordem dos Médicos e na sua responsabilidade pelos entraves no acesso à profissão. A culpa é de tudo e de todos menos do brilhante, gestor digno de um Nobel, do competentíssimo Paulo Macedo.
  
Agora só falta acabar com o misto do Robin dos Bosques pois quem está a morrer nas urgências não são nem os donos das farmacêuticas nem das farmácias, são os pobres facilmente são transformados em estatísticas para que de uma forma manhosa se diga que é normal terem morrido 700 pessoas nas urgências, escondendo que o que não é normal é terem morrido quase uma dezena abandonados como se fossem cães. A verdade é que ao lado do SNS floresce um sector privado alimentado por uma classe média que foge do SNS gerido pelo competente Paulo Macedo.
  
Paulo Macedo lembra a velha anedota do compadre que aos poucos habituou o burro a passar sem comer e que ficou muito surpreendido porque quando o bicho já passavam sem ser alimentado morreu inesperadamente de fome.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Alameda Afonso Henriques, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Paulo Macedo, incompetente ministro da Saúde

Para Paulo Macedo a situação as urgência já foi culpa da empresa que não colocou os médicos, depois foi culpa da falta de médicos, depois desculpou-se com a gripe, agora é do número de internamentos. Uma coisa é certa, a culpa não é nem da sua política, nem de um ministro incompetente que foi incapaz de medir as consequência do que fez.

«Para Paulo Macedo, a situação que se vive em muitas urgências hospitalares está relacionado com "um aumento de internamentos sem paralelo"

O ministro da Saúde disse hoje, no Porto, que a situação no Hospital Garcia de Orta, Almada, deverá ficar resolvida nos próximos dias, nomeadamente, no que se refere aos casos sociais internados e aos doentes com indicação para cuidados continuados.

Sete chefes da equipa do serviço de urgência do Garcia de Orta apresentaram na segunda-feira demissão, justificando a decisão com a degradação das condições de trabalho e também com a excessiva lotação de doentes internados.

"Uma primeira questão que temos de resolver no Garcia de Orta diz respeito a resolver os casos sociais, ou seja as pessoas que não têm indicação clínica para estar a ocupar camas, e um segundo aspeto é resolver o caso dos doentes que têm indicação clínica para cuidados continuados e não para permanecerem nos hospitais", afirmou Paulo Macedo, no final de uma visita ao Hospital de São João, no Porto.» [DN]

 Passos Coelho e a austeridade


Sempre que ouço Passos Coelho a defender a austeridade imagio-o a gritar para a senhora Merkel, "ponha, ponha, ponha!" tal como gritava o João no programa "Agora ou nunca".

   
 A ministra que dá entrevistas mal
   
«Perguntou-lhe o Expresso: "Fala ao telemóvel com tranquilidade?" Respondeu Paula Teixeira da Cruz: "Falo como se fosse para um gravador." Pareceu-me mais uma tecnoexcluída. Lembrei-me dum igual, Salgado Zenha, que disse que metia gasolina no radiador. O país riu muito, e bem precisávamos (estávamos nas vésperas do Verão Quente). Zenha deve ter rido também, e podia. Não ficou com a honra do cargo beliscada: ele era ministro da Justiça e não deixa de se ser um digno governante se o carro cair em pane com o depósito seco. Mas o caso de PTC, também ministra da Justiça, é diferente. Ela foi para a entrevista do Expresso com dossiers, manuseou-os e citou-os. Mas quando chegou à questão de as conversas telefónicas serem escutadas nos processos jurídicos, ela resvalou para o indecente. O jornal perguntou: "Ouve barulhos esquisitos ao telefone?" Ela respondeu: "Há tantos barulhos esquisitos na vida." Depois, aconteceram a pergunta e a resposta já referidas no começo da crónica. Quer dizer, das duas vezes PTC foi curta, em tamanho e moral, como uma piadola. Isso, quando há escutas extraídas de processos em segredo de justiça - à guarda de magistrados e só deles - que vêm sendo publicadas! A ministra em vez de zelar pela honra do seu ministério, desdenha dela. Goza com o escândalo que acontece na importante casa que lhe confiámos. Senhora ministra, que tal dar entrevistas como se fosse para um gravador?» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.


 A ministra que dá entrevistas mal
   
«Perguntou-lhe o Expresso: "Fala ao telemóvel com tranquilidade?" Respondeu Paula Teixeira da Cruz: "Falo como se fosse para um gravador." Pareceu-me mais uma tecnoexcluída. Lembrei-me dum igual, Salgado Zenha, que disse que metia gasolina no radiador. O país riu muito, e bem precisávamos (estávamos nas vésperas do Verão Quente). Zenha deve ter rido também, e podia. Não ficou com a honra do cargo beliscada: ele era ministro da Justiça e não deixa de se ser um digno governante se o carro cair em pane com o depósito seco. Mas o caso de PTC, também ministra da Justiça, é diferente. Ela foi para a entrevista do Expresso com dossiers, manuseou-os e citou-os. Mas quando chegou à questão de as conversas telefónicas serem escutadas nos processos jurídicos, ela resvalou para o indecente. O jornal perguntou: "Ouve barulhos esquisitos ao telefone?" Ela respondeu: "Há tantos barulhos esquisitos na vida." Depois, aconteceram a pergunta e a resposta já referidas no começo da crónica. Quer dizer, das duas vezes PTC foi curta, em tamanho e moral, como uma piadola. Isso, quando há escutas extraídas de processos em segredo de justiça - à guarda de magistrados e só deles - que vêm sendo publicadas! A ministra em vez de zelar pela honra do seu ministério, desdenha dela. Goza com o escândalo que acontece na importante casa que lhe confiámos. Senhora ministra, que tal dar entrevistas como se fosse para um gravador?» []
   
Parecer:

Ferreira Fernandes.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «D»

 De cómico a oportunista
   
«O ministro da Economia considerou hoje que o crescimento do turismo em Portugal nos últimos anos se deve, entre outros factores, a uma promoção "mais orientada para os resultados dos promotores" e "menos para a vaidade dos políticos".

"Seguimos uma política de promoção menos orientada para a vaidade dos políticos e mais para os resultados dos promotores. No passado, Portugal gastou dezenas de milhões de euros por ano a promover Portugal como um destino turístico baseado em conceitos estratosféricos ou em eventos", disse António Pires de Lima num painel/debate do Fórum Global de Turismo de Madrid, que decorre hoje na capital espanhola.» [i]
   
Parecer:

A tendência no sector do turismo vem de muito antes de o senhor das cervejas ser ministro e tem amis que ver com outros factores do que com qualquer política governamental. O ministro anda agora a fazer colagens à realidade quando isso lhe convém.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o senhor bugiar.»

   
   
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terça-feira, janeiro 27, 2015

Austeridade versus crescimento?

O debate da política económica está centrado naquilo que cada grupo defende ser a única solução, de um lado estão os defensores daquilo a que se tornou comum designar por “austeridade”, do outro estão os que defendem o aumento da despesa como meio de estimular o crescimento. Os primeiros acreditam que espoliando os pobre e a classe média transferindo os recursos para os mais ricos promovem o crescimento e que salários baixos estimularão o emprego. Os segundo acreditam que salários mais altos e mais consumo estimulam a procura, daí resultando o crescimento.
  
O crescimento defendido pelos primeiros resulta essencialmente da exportação de produtos sem grande valor acrescentado, produzidos em sectores de mão de obra intensiva. Daí a desvalorização da importância do ensino e das universidades, a sugestão aos mais qualificados que emigrem e a redução do Estado Social aos mínimos suportados por um modelo económico e social que gera poucos recursos, para além de se considerarem estes recursos como sendo mal empregues quando investido em pobres.
  
O crescimento defendido pelos segundos é estimulado pelo consumo, gerando desequilíbrios externos e sem haver garantias de que haja investimento em sectores produtivos. É o modelo adoptado nas últimas décadas, com a economia a gerar grupos que apostam no consumo, ao mesmo tempo que a as empresas industriais deslocalizaram as suas instalações. O país tem muitas empresas como a Sonae ou o Pingo Doce que estão especializadas em consumo, e cada vez menos empresas industriais.
  
Duvido que a solução da economia portuguesa esteja entre estas duas alternativas, os primeiros disfarçam um Estado gastador e ineficiente atrás de cortes salariais e perdas contínuas por parte dos funcionários públicos para estimular um crescimento que produz pouca riqueza e que apenas subsiste graças ao aumento das diferenças sociais. O crescimento resultante das políticas dos segundo não geram equilíbrios internos, não asseguram um crescimento sustentado e torna o país muito vulnerável ao impacto das crises internacionais, como sucedeu em 2008.
  
Um país sem recursos naturais, a não ser o (muito líricos) recursos do mar não sobrevive se não for austero e isso significa gastar de forma eficiente e de forma criteriosa. Aquilo a que designam em Portugal por austeridade não passou de incompetência, o Estado continua a gastar mal mas essa realidade é iludida com cortes de vencimentos e aumentos brutais da carga fiscal, disfarçada por um suposto sucesso no combate à evasão fiscal.
  
O problema não está entre austeridade e crescimento, está entre competência e incompetência, entre canalhice e justiça social, entre despesismo fácil e rigor. Portugal não precisa desta austeridade cega, maldosa e incompetente, mas não tem recursos que permitam ao Estado não ser austero, competente e muito criterioso nas suas escolhas. A austeridade não é ser rigoroso, austero, criterioso e inteligente e nem todo o crescimento gera equilíbrios, criação de bom emprego, investimento e justiça social.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Estendal na Graça, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Mota Soares, ilusionista

Este governo começa a parecer um circo, já tinha um contorcionista chamado Paulo Portas, depois veio um palhaço fazer de bobo do parlamento, agora tem um ilusionista que vai conseguir que Portugal atinja o pelno emprego sem ter sido feito um único investimento ou criado um único emprego.

«Desempregados entre os 18 e 29 anos, com escolaridade a partir do 9.º ano, podem candidatar-se a apoios do Instituto do Emprego e Formação Profissional. A medida Emprego Jovem Ativo, que se insere no programa Garantia Jovem, destina-se a jovens inscritos como desempregados nos serviços do IEFP que tenham a escolaridade mínima equivalente ao 9.º ano ou sejam detentores de uma habilitação académica ao nível da licenciatura ou superior, segundo informação do instituto.
  
O Emprego Jovem Ativo consiste no desenvolvimento de uma experiência prática em contexto de trabalho por jovens em situação de desfavorecimento face ao mercado de trabalho, conjuntamente com jovens mais qualificados.» [DN]

 Hoje sou curdo

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É muitio fácil tirar a tarde e dizer que "je sui qualquer coisa" num passeio por Paris ou numa selfie colectiva no recato de uma redacção de um jornal de Lisboa. O difícil é dizer que sou curdo em Mosul ou em Kobani. Mas houve quem o dissesse e a cidade curda na fronteira com a Turquia que estava sob ataque do Estado Islâmico desde Setembro parece ter sido libertada pelo curdos.

 Os gregos já podem dormir tranquilos por terem votado Syriza

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 O voto que chegou tarde?

É óbvia a intenção de muitos gregos que votaram Syriza, uma ameaça reestruturação da dívida grega sem o acordo dos credores pode resultar em condições mais favoráveis para a Grécia e até mesmo em mais um perdão de dívida. O problema reside na possibilidade de os credores disserem não.

Neste caso o governo grego fica com uma mão cheia de nada e a Grécia arrisca-se a ter de abandonar o euro e as consequências financeiras e políticas são incalculáveis, quer em consequência do impacto financeiro de uma tal solução, quer pelos aspectos de geo-estratégia político-militar que uma tal decisão pode arrastar.

Estará a Alemanha disposta a esticar a corda até à rotura? Terá a extrema-esquerda grega condições para uma rotura sabendo que não tem soluções e que o povo grego não lhe deu mandato para sair do Euro?

Nos próximos dias iremos ouvir muita gente voltar a um debate que já é velho, tem a Europa condições financeiras para deixar cair a Grécia, ficando imune a consequências financeiras? Se a resposta for sim o voto oportunista dos gregos pode ter chegado tarde e as eleições gregas poderão ter conduzido a Grécia para um buraco sem saída.
  
 Nós não somos como os gregos

Na Grécia o novo primeiro-ministro toma posse menos de 24 horas depois das eleições. Por cá Cavaco admitiu espera prolongada até que os partidos cedessem às suas pressões.


 Desenrasquem-se
   
«Começam as reações dos líderes europeus, que confirmam aquilo que as capas dos jornais desta segunda-feira já antecipavam: uma luta entre Alexis Tsipras e a Europa. Angela Merkel, Banco Central Europeu e FMI já fizeram saber que não vai haver margem de manobra para uma renegociação da dívida grega.

O Governo alemão parte em defesa dos seus contribuintes, defendendo que não pode haver redução da dívida para a Grécia. “Os contribuintes alemães são responsáveis por uma grande parte da ajuda financeira dada à Grécia”, disse o porta-voz do Governo de Merkel para os assuntos orçamentais, acrescentando que não irá deixar “o peso desse risco” em cima dos ombros dos alemães.

As reações sucedem-se. Também o Banco Central Europeu apontou o dedo no mesmo sentido. É “impossível para o BCE” aceitar uma reestruturação dos títulos de dívida grega na sua posse, disse Benoît Coeuré, membro francês do conselho executivo do BCE. E Christine Lagarde, presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), embora perentória a fechar a porta a uma renegociação, diz que a Grécia “não pode ter tratamento especial”.» [Observador]
   
Parecer:

É assim que começam todas as negociações, resta saber até onde cada um quer arriscar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 A maldição socrática
   
«O português The Lisbon MBA Internacional subiu 16 posições no ranking do Financial Times e é agora o 36º melhor do mundo e o 13º melhor da Europa. Iniciativa conjunta de duas universidades portuguesas – da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica (Católica-Lisbon School of Business and Economics) e da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa (Nova School of Business and Economics) – em parceria com o norte-americano MIT Sloan School of Management é o único MBA português a fazer parte dos 100 melhores.

Devido ao aumento salarial dos alunos do The Lisbon MBA, o programa português foi considerado o terceiro melhor do mundo, e o melhor da Europa, no que diz respeito ao retorno de investimento. Quando o assunto é a experiência internacional, é o segundo melhor a nível global.

“Estamos muito satisfeitos com esta classificação. O facto de estarmos na 36ª posição e de figurarmos no ‘ranking’ pelo terceiro ano consecutivo, como um dos melhores do mundo, é uma prova de que o The Lisbon MBA é, de facto, um programa de classe mundial”, disse Anabela Possidónio, diretora executiva do The Lisbon MBA.» [Observador]
   
Parecer:

O Observador fala deste MBA como se sempre tivesse existindo, escondendo que foi um projecto de José Sócrates.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se cópia da notícia para Évora.»

 Jardim sem imunidade e sem dinheiro do Estado
   
«É a segunda vez, num total de 12 reuniões até agora convocadas pelo actual Presidente da República (PR), que o Conselho de Estado se pronuncia sobre a dissolução da Assembleia Legislativa da Madeira.

É também a despedida de um dos mais antigos membros, Alberto João Jardim, que integra este órgão de consulta do PR por inerência das funções de presidente do governo regional. Deixará este cargo logo após a posse do novo executivo resultante das eleições regionais que provavelmente serão antecipadas para 29 de Março.

Depois de ter auscultados os oito partidos representados no parlamento regional, na sequência da exoneração do chefe do executivo madeirense, Cavaco Silva consulta esta tarde o Conselho de Estado ao qual compete pronunciar-se, obrigatória mas não vinculativamente, sobre a dissolução da Assembleia da República e das Assembleias Legislativas das regiões autónomas. Este assunto constou da convocatória de um dos seis conselhos realizadas no primeiro mandato, a 2 de Março de 2007, quando os conselheiros deram parecer favorável por unanimidade à dissolução do parlamento madeirense, na sequência da demissão de Jardim em protesto contra a nova lei de finanças regionais, aprovada pelo governo de Sócrates para travar o descalabro das contas públicas da Madeira.» [Público]
   
Parecer:

Vamos ter um Jardim mais cauteloso com a forma como fala e como ouve pois já não pode dizer tudo o que lhe vem à cabeça pois não conta com o dinheiro do Estado para pagar a sua defesa nos tribunais, nem pode perseguir todos os que o criticam com processos judiciais que terá de pagar do seu bolso.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Sindicalista famoso
   
«"Já tínhamos tido a promessa de que a Direção-Geral dos Serviços Prisionais iria transferir" para Évora "um ou dois guardas no início de janeiro", mas "o que acontece é que hoje é dia 26 e não há perspetiva de colocarem lá guardas", disse.

Segundo Jorge Alves, "infelizmente, foi mais uma promessa que a Direção-Geral não cumpriu".

O presidente do sindicato que representa os guardas prisionais falava à agência Lusa na sequência da visita que uma delegação sindical efetuou hoje à prisão de Évora, onde o ex-primeiro-ministro José Sócrates se encontra em prisão preventiva.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O Mário Nogueira que se cuide pois à conta de José Sócrates este Jorge Alves ainda vai ser mais famoso do que a Gina Lolobrigida, o homem não perde uma oportunidade para aparecer na comunicação social e todos os dias tem uma ideia nova. Enfim, somos um país com gente muito pequenina.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  

   
   
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segunda-feira, janeiro 26, 2015

Syrrisos eleitorais

O mínimo que se pode dizer da noite eleitoral na Grécia é que andamos todos um bocado parvos, só isso explica o facto de o país ter parado por causa de uma das muitas eleições gregas, bem como o chorrilho de asneiras que ouvimos de todas as partes, dos jornalistas aos comentadores, dos partidos do governo ao partidos da oposição.
  
O que aconteceu na Grécia foi uma vitória eleitoral de um cesto de partidos com as causas mais diversos unidos em torno da reestruturação da dívida e do fim da austeridade. Pela forma como muita gente reagiu até parece que toda a Europa delegou no eleitorado grego, mais precisamente nos pouco mais de 60% de eleitores gregos todas  as decisões quanto ao futuro das políticas económicas da União Europeia.
  
Os resultados eleitorais foram um bom sinal para a Europa do Norte e obriga a uma reflexão em torno das consequências políticas de uma Europa que deixa de ser consensual para estar condicionada à geoestratégia da Alemanha e de alguns dos seus aliados do norte e do centro da Europa. Até agora a Alemanha tinha contado com governantes germanófilos nos países do sul em dificuldades financeiros, agora terá de se confrontar com uma nova realidade e dizer até onde está disposta a ir na imposição das suas teses a toda a zona do Euro.
  
A Alemanha percebeu e até a direita portuguesa parece ter acusado o golpe, que os povos também têm orgulho e a estratégia humilhante de gente como Passos Coelho, que passou por desprezar o seu próprio povo acusando-o dos piores defeitos para iludir as responsabilidades de um mau modelo de sistema monetários que favoreceu alguns países, pode ter como consequência a eleição de governos radicais. Agora o projecto europeu não está em risco apenas porque a Alemanha parece querer transformar a EU no seu IV Reich, também está em risco porque as ambições alemãs despertam forças políticas e feridas adormecidas.

Pensar que a Grécia encontrou a solução para serem outros a pagarem a sua dívida é uma ilusão, os gregos podem votar para escolher os seu governo e as suas políticas, não podem votar para impor aos outros países a solução que lhes é mais cómoda. É óbvio que hoje a dívida grega é a mesma de ontem com mais alguns trocos devido aos juros e que o Estado grego não dispõe de recursos para alterar significativamente a sua política. 
  
Mais ridículo ainda é ver alguém por cá dizer com ar muito sério que o Syrisa estudou muito bem as soluções e que estas são igualmente aplicáveis a Portugal. Apetece perguntar à senhora do BE qual dos dois países não conhece, a Grécia ou Portugal. Comparar os problemas e soluções da Grécia com os de Portugal é a mesma coisa que comparar o rabo com as calças. É tão ridículo dizer como Passos que não como como os gregos, como dizer que o podemos ser, ainda que a versão de Passos vinda de um governante exceda tudo aquilo a que a dignidade exige.
  
Depois dos sorrisos de uma noite eleitoral em que o Syriza venceu as eleições a Europa tem o mesmo nó cego para resolver, como promover o crescimento com recursos escassos, com problemas estruturais por resolver e sem provocar uma crise financeira internacional de consequências imprevisíveis e provavelmente mais graves do que as que resultam da recessão. Ao contrário do que defende gente como Passos Coelho a solução da Europa não passa por condenar países como Portugal ou a Grécia com argumentos dignos de uma extrema-direita ideológica que adora culpar e condenar povos, passa necessariamente por soluções equilibradas que ajudem países como a Grécia e Portugal a saírem de um buraco que é hoje bem maior do que era há três anos.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Flor do Parque da Bela Vista, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Daniel Bessa

Daniel Bessa diz que não consegue olhar para a PT sem ver a fotografia de Sócrates. Das duas uma, ou precisa de um oftalmologista ou de uma consulta de psiquiatria, isto porque ainda não há a especialista de estupidacia. Confesso que já não tenho paciência para esta personagem que se tornou conhecida graças a uma passagem por um governo do PS:

«o dia D para a Europa e para a PT Portugal, 22 de janeiro, o Observador entrevistou Daniel Bessa, ministro da Economia no primeiro Governo liderado por António Guterres, e diretor geral da COTEC Portugal, à margem da conferência que a AESE – Escola de Direção e Negócios, organizou para debater a economia europeia e o impacto nas empresas portuguesas. Ao Observador, o também professor de Economia explicou que o plano de compra de dívida pública do Banco Central Europeu pode não ser suficiente para fazer a economia crescer e que é preciso resolver o problema de confiança que se instalou nas empresas europeias. E adianta, ainda, que sendo “se calhar politicamente incorreto”, não consegue deixar de olhar para os chineses “com simpatia”.

Sobre a PT Portugal – à hora a que decorreu a entrevista ainda não era oficial a venda à Altice – o ex-ministro de Guterres afirmou que não é capaz de olhar para o estado em que a PT se encontra atualmente “sem ver a fotografia do engenheiro Sócrates e do Dr. Ricardo Salgado”. E que “o que não tem remédio, remediado está”. Investimento estrangeiro é preciso, mas será “sempre de pequena envergadura” e a única forma de fazer com que a economia portuguesa cresça sustentadamente é exportar e empregar pessoas nessas atividades exportadoras. Quanto à Grécia, se calhar o melhor é entrar em “reparação” fora do euro, avançou Daniel Bessa. “No que se refere a nós, cada um sabe de si”, concluiu.» [Observador]


 E quem deixa entrar os telemóveis nas cadeiras
   
«O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) voltou hoje a reivindicar novas regras para reforçar o controlo das visitas nos estabelecimentos prisionais e impedir que os reclusos tenham acesso a telemóveis.

O Jornal de Notícias noticia hoje que "dezenas de reclusos tiram fotos no interior das cadeias, usando telemóveis, que exibem nas redes sociais" e que os aparelhos "são vendidos entre 200 e 300 euros", apesar de proibidos nos estabelecimentos prisionais.

O presidente do SNCGP, Jorge Alves, referiu à agência Lusa que "é lamentável" que reclusos tenham telemóveis nas cadeias e salientou a insistência junto da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e do Ministério da Justiça, para "uma nova regulamentação".» [DN]
   
Parecer:

Este sindicato, que aprece pensar que é um órgão da Direcção-Geral da Reinserção e Serviços prisionais, esqueceu-se de dizer quem é que deixa entrar os aparelhos nas cadeiras.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Até tu Pedro?
   
«Santana Lopes é já nome incontornável quando se fala de presidenciais. Porém, o antigo autarca e chefe de Governo, diz que não está em campanha. Segundo o Público deste domingo, o provedor da Santa Casa da Misericórdia aceita “perfeitamente” que Paulo Portas e Passos Coelho não tenham ainda marcado no calendário político um acordo de coligação quanto à corrida a Belém, mas deixa um aviso ao Executivo.

Num momento em que a recuperação económica é tema de agenda, Santana lembra que quem governa deve optar por tomar decisões que “não levem outra vez a ouvir as mesmas conversas e os mesmos discursos, a dizer que temos outra vez de apertar o cinto e calcorrear estradas de dificuldades”, lembrou em Penedono, em Viseu, onde inaugurou uma loja de turismo.

Certo é que, na agenda de ontem, nesta pequena localidade, o antigo governante deixou já uma mensagem para o interior do país, falando na necessidade de apostas que aproximem litoral e interior.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Já nem o Santana Lopes aguenta o discurso da austeridade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

   
   
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