sábado, janeiro 06, 2018

AS DIRETAS DO PS E AS ELEIÇÕES NO PSD

O PS escolheu o seu líder abrindo o direito de voto aos seus simpatizantes, o PSD optou por limitar a escolha aos inscritos no partido. Se no PS os candidatos tentaram mobilizar os simpatizantes da sua área, a verdade é que muitos simpatizantes se dirigiram às mesas de voto por sua própria iniciativa. No PSD o processo está limitado à “arregimentação” de militantes pelos caciques que apoiam cada um dos candidatos, ganha aquel que conseguir pagar a quota de mais militantes adormecidos ou que conseguiu inscrever mais novos militantes dentro do prazo estatutário. Quando Santana Lopes pediu mais tempo por partir atrasado estava mais preocupado com a possibilidade de pagar mais quotas ou inscrever mais falsos militantes.

Os modelos de eleição geram processos muito diferentes quer nos truques, nas motivações dos eleitores e nos temas dos debates. Há ainda um outro aspeto importante, no PSD quem ainda manda no aparelho, são as lideranças locais e distritais eleitas no tempo de Passos, têm um peso determinante na escolha do próximo líder. Isso explica as manifestações de vassalagem dos dois candidatos em relação a Passos Coelho e, no caso de Rui Rio, até à Maria Luís Albuquerque. 

A prazo a situação é ainda mais ridícula, teremos um novo líder mas as estruturas controladas por Passos Coelho escolherão a maioria dos candidatos a deputados nas próximas legislativas. Antes disso será a máquina de Passos Coelho a escolher a maioria dos delegados ao próximo congresso. EM vez de um congresso para projetar o próximo líder e mostrar no que ele é melhor e diferente do antecessor, teremos uma romaria de homenagem a Passos Coelho.

O modelo de escolha no PSD leva a que os candidatos em vez de explicarem porque serão melhores do que o líder caído devido aos maus resultados eleitorais, digladiam-se tentando demonstrar que são mais próximos e se identificam com o líder que eles próprios ajudaram a expulsar, um porque sempre criticou, o outro porque lhe tirou o tapete nas autárquicas de Lisboa.

Os militantes e simpatizantes do PS escolheram o líder que consideraram ter o melhor projeto para o país ou com o qual se identificavam mais. No PSD os candidatos debatem quem é que no passado foi mais fiel ao PSD, ganha aquele que nunca apareceu em iniciativas que não fossem do líder do PSD, aparecer ao lado de um militar que ajudou a fazer o 25 de Abril e que depois mais se bateu pela democracia é equivalente a parecer ao lado de um traficante de droga, só porque esse militar ousou criticar uma personagem como Passos Coelho.

As diretas no PS nem sempre foram um modelo de virtudes, os ataques pessoais dirigidos durante a campanha, com alguns apoiantes de Seguro e o próprio Seguro a fazer insinuações, não poupando mesmo os autarcas. No PSD os candidatos tentam dar lições de cortesia, mas a verdade é que o debate entre os dois apenas serviu para escolher o que tinha mais jeito para dar golpes baixos. O mais incrível é que alguns dos comentadores mais sérios do país consideraram Santana um grande vencedor só porque é mais sujo nos ataques. Triste sorte a de um partido cujo líder se afirma desta forma.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Rui Rio

Quem conhece Pedro Santana Lopes lembra-se das insinuações obre a possível homossexualidade do adversário a que recorreu quando foi candidato a primeiro-ministro, pensar que alguém melhora com a idade é ingenuidade, Santana Lopes é aquilo que sempre foi, ainda que mais velho, mais decadente e mais ridículo.

Rui Rio devia ter apostado em conquistar o país, passando por cima das rasteiras do adversário. Não o fez e cometeu um erro, nem conquistou o PSD, nem convenceu o país.

«Um dia depois do duelo televisivo em que Pedro Santana Lopes jogou ao ataque e obrigou Rui Rio a ficar à defesa, o ex-autarca do Porto admite que “não gostou” do debate, que foi alvo de ataques com “mentiras e meias verdades” e que já o tinham “avisado” sobre a estratégia do antigo primeiro-ministro. Em entrevista ao PÚBLICO/Rádio Renascença, que será divulgada na próxima segunda-feira, Rui Rio reconhece que os debates têm “muito de fait-divers” e diz que também sabe fazer “truques”.

O primeiro debate televisivo, esta quinta-feira à noite na RTP, revelou muitos pontos de concordância entre os dois candidatos à liderança do PSD em áreas programáticas, mas também intensa uma troca de acusações sobre o passado. Quer o passado de Santana Lopes como primeiro-ministro – experiência que “correu mal, muito mal” – quer também o de Rui Rio como convidado de iniciativas ligadas à esquerda ou a sua actuação como antigo vice-presidente do PSD. Quando entraram em diálogo – num tratamento informal por ‘tu’ - o ex-autarca do Porto mostrou não conseguir responder assertivamente às farpas lançadas pelo adversário. “Eu não gostei do debate. E se eu tenho entrado na mesma táctica que entrou o meu adversário, qual seria a imagem que o PSD tinha dado ao país?”, questionou o candidato, considerando que houve uma “série de ataques pessoais, uns mentiras, outros meias verdades, outros verdades”. Sentiu que estava num duelo semelhante ao que aconteceu entre António Costa e António José Seguro na disputa interna do PS em Setembro de 2014. “Isso entristece-me porque eu fui para ali debater os problemas do país, do PSD”, lamentou.» [Público]

 Interrogações que me atormentam a alma

Se o governo de António Costa é uma Geringonça que alcunha teríamos de pôr a um governo do agora velho e decadente Santana Lopes?

 Quem ganhou com o debate foi o Costa

O debate foi deprimente, sem elevação, sem qualidade, sem ideias, com truques pouco dignificantes. Mostrar uma foto e Rui Rio ao lado de Vasco Lourenço pode conquistar o apoio de velhinhos da ANP disfarçados de social-democratas, mas não conquista um único voto à esquerda da extrema-direita. Este tipo de gestos imbecis, muito ao estilo de Pedro Santana Lopes, revelam o estado de decadência a que chegou o agora candidato à liderança do PSD, o candidato que teve direito a baptismo gastronómico dado e abençoado por Marcelo rebelo de Sousa.

Rui Rio e Santana Lopes deram uma péssima imagem de si próprios, e quanto mais tentavam conquistar as simpatias dos militantes do PSD mais ressabiados por não estarem no governo, perderam muitos votos ao centro. Uma boa parte da audiência não era constituída por cidadãos comuns interessados em perceber se a nova liderança do PSD poderia ser uma alternativa ao governo.

Saíram desiludidos, quanto mais se esforçaram por conquistar o voto dos militantes do PSD mais perderam fora do PSD. O grande vencedor dentro do PSD poderá ter sido Santana porque tem mais jeito para golpes baixos, mas no país quem ganhou foi que mais esteve presente no debate, António Costa.

sexta-feira, janeiro 05, 2018

QUE VIVA SANTANA, O LOPES

Ainda que não tenha nada que ver com o assunto, já que não sou nem sócio nem devoto da agremiação, confesso que tenho um fraquinho pelo Pedro Santana Lopes e torço para que consiga pagar as quotas a mais militantes adormecidos e ganhe as eleições para a liderança do PSD. Esta escolha poderia ser maldosa, por ser aquela que na opinião de muitos mais poderá prejudicar aquele partido. Mas confesso que os motivos não são esses.

Antes de mais acho que Pedro Santana Lopes representa melhor aquilo que com muita ligeireza intelectual poderemos designar por ideologia do PSD, um partido da direita mas errático no posicionamento, que se une apenas para conseguir o poder. Santana não é grande coisa como político, falhou como empresário, foi um desastre como primeiro-ministro, mas como fez questão de um dia dizer num outdoor, sabemos o que é e quem é, ainda que nunca se saiba o que vai dizer, pensar ou ser no dia seguinte.

Mas a minha preferência com Santana Lopes nada tem que ver com preferências ideológicas ou qualquer preocupação com o futuro do PSD e muito menos com o seu posicionamento político. Simplesmente acho que o país ficará mais divertido com a presença diária de Pedro Santana Lopes. É como se a revista à portuguesa fosse desenterrada e voltasse a estar na moda, Santana na liderança do PSD é como se a Florbela Queiroz voltasse a encher os teatros para fazer rir o povo.

Na economia temos o Centeno, para governar o Costa, para os dramas nacionais, missas, velórios e sopas dos pobres podemos contar sempre com Marcelo, faltava alguém para alegrar um pouco o país. Se em cima disto tudo os militantes escolherem o Rui Rio este país fica meio macambúzio, o melhor é fugir. Com Santana temos festas e festarolas a toda a hora, até o Presidente vai ter de ceder alguns dos seus muitos tempos de antenas diários para que o país possa ouvir as últimas do Santana.

Estou ansioso por ver o Santana no telejornal da noite fazer suas as palavras que Marcelo proferiu durante a tarde, vai ser divertido ver como Marcelo reage a este político papagaio que imita tudo o que ele diz. Até aqui Santana é o político dos afetos como Marcelo, quer descentralizar como Marcelo, quer preocupar-.se com o interior como Marcelo e até quer reinventar o país como Marcelo. Enfim, um dia destes o Santana engana-se e vai dormir a Cascais.

É quase certo que o PSD vai perder as próximas eleições, se mesmo com todas as desgraças que ocorreram em 2017, mais os jeitinhos que de vez em quando o Presidente fez na tentativa de ajudar a direita, como o próprio reconhece, e o PSD desce nas sondagens dificilmente consegue recuperar. Enfim, já que o diabo não veio só mesmo se Cristo vier ajudar Santana, o mesmo Cristo a que ele se colou quando não tinha Marcelo para lhe dar colo, quem não se recorda das chagas provocadas pelas setas nas costas ou da criança que Herodes tentou matar na incubadora?

Com Santana o país é mais divertido, depois dos últimos dois anos de Passos dira que se Santana ganhar o PSD sentiremos uma lufada de ar fresco, não só fresco como com uma alta concentração de gás hilariante, para o país rir à gargalhada.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Interrogações que me atormentam a alma

A partir de agora o Presidente da República vai vetar todas as leis que tenham consequências em processos fiscais do passado, mesmo as que visem esclarecer essas situações? O Presidente seguirá o critério que adoptou para os partidos em relação a todos os contribuintes?

Mas também pagava para saber quem sãop os advogados da BRISA ou para tentar operceber se quando estão em causa pequenos contribuintes e há opiniões contraditórias o fisco opta pela que favorece os contribuintes.

 Benfica - Sporting

Até foi um bom jogo de andebol.

 Financiamento dos partidos

O Presidente decidiu que deveria decidir sobre o financiamento dos partidos seria o futuro líder do PSD.

      
 A manada desceu à cidade
   
«Não nos deixemos influenciar pelo grupo patibular escoltado por robocops de capacete e viseira, pela rua pública aos gritos ou, mais assustador, marchando em silêncio. Na luz molhada do fim da tarde parecia o fascismo de botas cardadas conquistando a cidade. Parecia, mas era só uma manada. Uma manada pendular, de um para outro estádio da Segunda Circular, segundo o calendário desportivo. Desportivo, ofende tanto dizer isso... Tanto quanto dizer da manada que é do futebol. Ela desmente a tradição daquelas cores defrontando-se, que já foram de Espírito Santo e Peyroteo, cada um em nome do vermelho ou do verde, e da elegância de Jordão que fez sonhar, à vez, os fãs dos dois clubes. Como pode aquela manada reclamar-se do flash que é o Gelson ou, se o percurso fosse inverso, do saber fazer do Jonas? Como podem os brutos usurpar, dos artistas, a atenção? Ontem, uma escola fechou mais cedo por ser vizinha da Luz e outra, também por jogo, perto do estádio do Boavista. A miúdos de uma e de outra abrir-se--iam os olhos de deslumbre se vissem passar um jogador, mas tiveram de recolher a casa por causa do tropel da manada. As televisões foram interrogar uma diretora e foi constrangida que ela disse não querer expor os seus alunos ao perigo... Pois nem assim se foi perguntar aos da manada se não tinham vergonha, nem à polícia o despropósito de guardarem chantagistas. Nem ao sr. Vieira e ao sr. Carvalho se pediram explicações pelo repetido absurdo. Enfim, as manadas existem e ocuparam a cidade. E muita sorte têm as escolas por, ao fechar, não serem acusadas de causar danos psicológicos às botas cardadas ou cascos ou lá o que é.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Continua o empréstimo forçado e sem juros
   
«Primeiro a boa notícia: o salário líquido da grande maioria dos contribuintes vai aumentar já este mês. Depois, a má notícia: a subida do salário líquido vai ser bem menor do que poderia ser, porque o Estado vai reter muito mais imposto do que devia ao longo de 2018. 

As conclusões são da consultora PwC que, a pedido do Negócios, fez várias simulações para rendimentos que são abrangidos pelos dois escalões que foram desdobrados. Nas várias simulações efectuadas, a PwC constata que o reembolso devido ao contribuinte em 2019 aumentará face ao do ano anterior, o que significa que apenas uma parte do efeito da redução do IRS anual é reflectida no imposto que é retido mensalmente pelo Estado. 

"Sendo o rendimento constante e não havendo variações nas deduções à colecta, a redução do imposto anual deveria reflectir-se integralmente na retenção na fonte de IRS mensal, o que resultaria num reembolso a pagar aos contribuintes igual ao do ano anterior. Não é isso que acontece. Nos casos simulados, o reembolso é sempre significativamente superior", explica Ana Duarte, especialista em IRS da PwC.» [Negócios]
   
Parecer:

A Passos Coelho não bastaram os cortes de salários e pensões e o aumento brutal do IRS, ainda recorreu às tabelas de retenção na fonte para que aqueles que já estavam empobrecidos ainda fossem forçados a emprestar dinheiro ao Estado sem juros. Infelizmente as tabelas não retomaram a normalidade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se o ministro das Finanças sobre este abuso.»
  
 E quem controla a PJ
   
«A Polícia Judiciária (PJ) está a adquirir um sistema que lhe vai permitir fazer a "aquisição remota de prova digital" em "terminais de comunicações móveis". O sistema pode ser demasiado hermético descrito nestes termos; trocando por miúdos, está em causa a aquisição de um sistema informático com ferramentas que permitem fazer a recolha de dados dentro de telemóveis (em especial smartphones) à distância, apurou o Negócios junto de fonte policial.

Essa recolha de dados será feita cumprindo os "procedimentos legais", garantiu a mesma fonte (presumindo-se que isso signifique que apenas mediante autorização de um juiz), e permitirá tirar partido da miríade de dados que existem dentro dos equipamentos móveis de suspeitos da prática de crimes, através dos quais é feita a generalidade das comunicações (quer telefónicas quer através de aplicações móveis).

O despacho do Governo que autoriza a repartição de encargos com o sistema em 2017, 2018 e 2019 foi publicado hoje em Diário da República. O Executivo deu luz verde para uma despesa máxima de 2,95 milhões de euros com o referido "sistema de aquisição remota de prova digital em terminais de comunicações móveis", já incluindo o IVA. Este sistema será financiado em 30% por fundos europeus.» [Negócios]
   
Parecer:

Como é óbvio todas as "escutas" que constam nos processos terão de ter sido autorizadas por um juíz, mas com estes meios, ao contrário do que sucedia com as telecomunicações telefónicas, as escutas podem ser feitas sem que passem pela intervenção das empresas de telecomunicações, isto é, basta a um agente da PJ carregar num botão e acede logo à informação, podendo investigar primeiro e pedir autorização depois.

Aliás, seria interessante tornar público os meios de que dispõem as muitas polícias para aceder aos dados e às telecomunicações sem terem de recorrer à intermediação de qualquer operador.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao DN da PJ quais os mecanismos internos que impedirão os abusos e à ministra da Justiça, que tutela a PJ, que medidas para proteger o cidadão adoptou.»

 Mortos sem direito a afetos
   
«Mais de 500 pessoas morreram no ano passado nas estradas portuguesas, segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), que indicam também um aumento dos acidentes rodoviários e dos feridos graves em relação a 2016.

De acordo com os números disponibilizados no site da ANSR, que contabilizam a última semana de 2017 e têm dados acumulados de todo o ano, morreram nas estradas portuguesas 509 pessoas, mais 64 do que em 2016 (12,5%).

Foram registados 130.157 acidentes nas estradas (127.210 em 2016) e 2.181 feridos graves (2.102).

Os dados da ANSR, que se referem a Portugal continental e são ainda provisórios, indicam que dos acidentes resultaram no ano passado 41.591 feridos ligeiros, contra os 39.121 registados no ano anterior.» [Expresso]
   
Parecer:

São mortos anónimos sem quaisquer direitos e desprezados por não darem lugar a missas celebradas por bispos com anel de rubi. Não se entende como os incêndios deram lugar a tantos discursos e prioridades nacionais e mais de 500 ssejam ignorados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 Era de esperar
   
«O turismo tem criado milhares de empregos, mas o ritmo de crescimento que o setor tem registado leva os empresários da restauração e do alojamento turístico a prever que sejam necessários 40 mil novos trabalhadores. Mas a oferta é escassa e as empresas debatem-se com dificuldades em encontrar mão-de-obra. A Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) estima que cerca de metade das empresas da restauração tenham falta de pessoal e avisa que esta situação está a travar novos investimentos.

Faltam empregados de mesa, empregados de bar, copeiros, ajudantes de cozinha, empregados de quarto. A escassez, segundo a secretária-geral da AHRESP, Ana Jacinto, sente-se sobretudo nas profissões de nível intermédio e mais baixo. "A nota que os empresários nos passam é que têm negócios para abrir e que não o fazem porque não têm recursos humanos suficientes", afirmou ao DN/ Dinheiro Vivo Ana Jacinto. O setor, refere, precisa "urgentemente de mão-de-obra, mesmo que menos qualificada".» [DN]
   
Parecer:

É um problema que já se sente em diversos setores e tende a agravar-se.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se o ministro da Economia sobre medidas e soluções.»

 E a gripe ainda está no princípio
   
«Há dois dias, pelo menos, que cerca de 80 doentes são hospitalizados em macas no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Os internamentos provisórios devem-se à falta de camas nas enfermarias dos vários serviços de medicina, para onde são encaminhadas a maioria das pessoas admitidas na Urgência e que carecem de cuidados especializados. Ao Expresso, a administração do hospital não nega a sobrelotação mas garante que todos os hospitalizados em macas estão sob observação de médico e de enfermeiro.

O gabinete de comunicação do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN), que integra o Santa Maria, explica que "no Serviço de Urgência, o CHLN tem como princípio que o doente permaneça apenas o tempo estritamente necessário para a sua estabilização, o que acontece normalmente por um período inferior a 24 horas". Nos casos em que a situação clínica impede a alta, os doentes são internados e "nos serviços de Medicina, por vezes, aguardam vaga para cama, o que acontece, por norma, entre 24 a 48 horas, ficando sempre sob a responsabilidade de um médico e de um enfermeiro durante todo o internamento". Ou seja, "é este procedimento que justifica a existência das chamadas 'macas', o que não interfere no processo assistencial que este centro hospitalar presta".

A administração do Santa Maria acrescenta ainda que os congestionamentos não têm prejudicado "a procura dos serviços, que continua a crescer". Aliás, a eleição deste hospital como unidade assistencial por muitos doentes é apontada como um dos factores da sobrelotação. A gripe é outra das causas, embora a epidemia esteja apenas no início e só seja esperado um grande aumento do número de casos dentro de duas semanas, como será explicado na tarde desta quinta-feira pelos peritos da Direção Geral da Saúde.» [Expresso]
   
Parecer:

Começa a ser rotina.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pelo pior»

 As IPSS estão na moda
   
«Polícia Judiciária está a realizar buscas na Fundação “O Século” esta quinta-feira, na sede da instituição em São Pedro do Estoril, confirmou o Expresso.

De acordo com fonte próxima da investigação, a operação policial está relacionada com alegados crimes de peculato e de abuso de poder.

Segundo o "Correio da Manhã", existem suspeitas de que os dirigentes da IPSS terão usado cartões de crédito da instituição para pagar despesas pessoais, como jantares e viagens e também a contratação abusiva de familiares dos dirigentes para cargos naquela fundação de apoio a crianças.» [Expresso]
   
Parecer:

De repente descobre-se um mundo novo onde se pensava haver só voluntarismo e amor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»

 Pela primeira vez concordo com o Amorim
   
«O deputado do PSD Carlos Abreu Amorim abandonou o grupo de trabalho sobre a eutanásia, no Parlamento, porque "os grupos de trabalho morreram" com a polémica em torno da lei de financiamento dos partidos. 

"Os grupos de trabalho morreram. Deixaram de existir a partir do momento em que são tidos como grupos secretos, de conspiração", afirmou Abreu Amorim aos jornalistas, momentos depois de ter comunicado a sua decisão aos deputados da comissão de Assuntos Constitucionais. 

A decisão de Abreu Amorim segue-se à polémica em torno da lei de financiamento dos partidos políticos e ao grupo de trabalho em que foram negociadas alterações pela maioria dos partidos, vetadas pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na terça-feira. 


Carlos Abreu Amorim disse que deixa o grupo de trabalho da eutanásia e recusa a integrar novos grupos "até ao final da legislatura", em 2019. » [Negócios]
   
Parecer:

A polémica do financiamento dos partidos foi um nojo populista.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

quinta-feira, janeiro 04, 2018

509

Morreram mais de 509 portugueses nas estradas, muitos por culpa própria, alguns por excesso de álcool, outros por causa das condições das estradas, provavelmente até porque a ação policial está mais virada para a receita fácil das multas do que para combater a sinistralidade. 

Morreram um ou dois de cada vez, hás vezes mais um ou outro, sem grande alarido, sem direito a missas coletivas, sem a presença de bispos e arcebispos, sem associações de vítimas, muito simplesmente foram morrendo, como se tivessem gripe ou com se fossem mortos pelos maridos. Morreram e à medida que uns iam morrendo os outros iam sendo esquecidos.

São mortos que não contam, não se sabe se eram do interior ou do litoral, se eram culpados ou apenas vítimas, se o Estado foi ou não responsável, morrem e “prontsh”, venham mais. Desde o dia 1 continuaram a morrer a bom ritmo, o emigrante que se despistou, os jovens que bateram na berma na saída da autoestrada, a jovem que iam de motorizada, todos os dias têm morrido, continuam a morrer a bom ritmo e tranquilamente.

Há aqui qualquer coisa de errado, em 2017 morreram 579 portugueses sem direito a um abraço, a uma selfie, a um ar sofrido, a um beijo no anel do arcebispo, a uma única lágrima anónima. Morreram mais 56 do que em 2017, diria que os que foram vítimas deste aumento estatístico são mais do que “um Pedrógão”, mas mesmo assim ninguém se preocupa. 

A estes poderíamos acrescentar outros que são ignorados, por exemplo, em 2017 morreram 115 trabalhadores, não sei se abnegados e sacrificados, simplesmente morreram em acidentes de trabalho, em muitos casos por culpa dos patrões e muito provavelmente da inércia de quem devia fiscalizar. 

E ainda faltam muitas vítimas de que pouco se fala, desde as vítimas de violência doméstica aos que morrem na fila da lista de espera para a cirurgia, o que não falta em Portugal são vítimas. Mas há as que levam os arcebispos a rezar missas e as que são ignoradas pela televisão, pelo cardeal e pelos que ainda há meses atrás inventavam suicídios e falsas vítimas.

Enfim, são vítimas que morrerm duas vezes, a primeira vítimas de acidentes, homicídios ou desleixo coletivo, a segunda vez foram vítimas do esquecimento e do desprezo.


UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Hugo Soares, líder temporário do grupo parlamentar do PPD

Passos Coelho acaba de ser promovido a "banana", senta-se no parlamento, discursa nas jornadas parlamentares mas já não é ninguém no PSD. Pior do que isso, Hugo Soares acha que o parlamento deve parar até que escolham alguém para liderar o partido.

«O líder parlamentar do PSD respondeu esta manhã ao veto presidencial ao diploma que altera o financiamento partidário para dizer que o seu partido “não tem pressa absolutamente nenhuma em tomar nenhuma decisão em cima do veto do Presidente da República”. No dia 19 de dezembro, os partidos alteraram a agenda de votações do último plenário antes das férias de Natal para incluir a votação das alterações à lei do financiamento “tendo em conta a urgência da sua aprovação”, segundo a súmula da reunião da conferência de líderes onde isso ficou assente.

Mas agora, 15 dias depois, o PSD — que foi um dos partidos, a par do PS, PCP, BE e Verdes, que aprovou as mudanças — garante já não ter urgência em mexer na mesma lei até porque está em vias de escolher um novo líder. E tanto Rui Rio como Pedro Santana Lopes criticaram o processo que envolveu as alterações à lei e também o conteúdo do diploma que Marcelo Rebelo de Sousa acabou por vetar na noite desta terça-feira.

Aguardaremos com toda a naturalidade e tranquilidade a eleição de uma nova liderança do PSD para discutir estes processo e se houver vontade e entendimento, alterar a lei”

“O PSD está em processo de escolha da nova liderança, por isso, o grupo parlamentar do PSD com toda a naturalidade e tranquilidade esperará que seja eleita uma nova comissão política para poder dar as instruções devidas ao grupo parlamentar”, detalhou Hugo Soares numa conferência de imprensa na Assembleia da República.» [Observador]

 Expedientes presidenciais

É evidente que Marcelo joga com o tempo para adiar uma decisão sobre o financiamento dos partidos para depois da escolha do novo líder do PD, provavelmente o seu eleito. Para isso sugeriu que a lei fosse ao TC quando o próprio Marcelo não o fez. Não é bonito para a democracia ver um Presidente da República recorrer a expedientes para atrasar processos. Um Presidente da República não deve recorrer a expedientes destes no exercício das suas funções.

      
 O Síndroma do PEC IV
   
«A ideia foi do Presidente da República, mas mesmo assim não saberá com antecedência a que acordo chegaram os parceiros da área da justiça a quem pediu um pacto para o sector. Juízes, procuradores, advogados, funcionários judiciais e solicitadores reúnem-se em Tróia quinta e sexta-feira para fecharem negociações que duram há 15 meses. Não convidaram, porém, Marcelo Rebelo de Sousa para o encontro.

Alguns destes parceiros deveriam ter sido recebidos no Palácio de Belém a 28 de Dezembro, não fosse o chefe de Estado ter sido internado no hospital para uma operação de emergência. “Não lhe iríamos fazer um convite formal, mas iríamos pô-lo à vontade, dizendo-lhe que, apesar de estarmos num encontro de trabalho, e não numa conferência ou noutro acto solene, teríamos muito gosto em tê-lo lá”, explica o secretário-geral da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, João Paulo Raposo. O adiamento destas audiências, que ainda não foram remarcadas, fez com que nem isso tivesse sido dito a Marcelo. O Presidente será informado das conclusões nos dias a seguir ao encontro.» [Público]
   
Parecer:

Parece que o país vive uma nova doença que se poderia chamar de síndroma do PEC IV, o PEC que deixou Cavaco Silva muito ofendidinho porque não teve conhecimento prévio do mesmo, como se tal fosse da sua competência. Agora parece ser quase um escândalo nacional, em relação a tudo o que se passa no país os nossos jornalistas começam por querer saber se Marcelo foi previamnte avisado, como se Marcelo fosse o nosso Big Brother presidencial.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 No melhor pano cai a nódoa
   
O Presidente da República está “surpreendido e chocado” com a notícia de que um padre seu conhecido de longa data está foi constituído arguido num caso de desaparecimento de arte sacra.

Desaparecimento de arte sacra põe Judiciária atrás de padre
“Tendo sabido hoje do processo, estou surpreendido e chocado. Não esperava isto de uma pessoa que conhecia há tanto tempo das paróquias de Cascais e Carcavelos e não corresponde à ideia que tinha dele”, disse o chefe de Estado ao PÚBLICO.

Ainda em Dezembro, Marcelo Rebelo de Sousa esteve presente no lançamento de um livro de homilias do padre António Teixeira para o qual escreveu um prefácio onde fala do perfil espiritual do pároco.«» [Público]
   
Parecer:

Parece que o Presidente tem um problema com alguns dos seus velhos amigos de Cascais, sejam padres ou banqueiros.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Há limites
   
«As escolas estão a cortar no aquecimento para conseguir pagar contas, porque o Governo ainda não transferiu as verbas orçamentais de 2017, avança a edição desta quarta-feira do Diário de Notícias. Os diretores afirmam que as contas de eletricidade não deixam margem para fazer face a outras despesas, como o material necessário para as aulas.

Manuel António Pereira, diretor do agrupamento de escolas de Cinfães e presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares, falou ao Diário de Notícias das “gravíssimas limitações financeiras” que as escolas estão a passar, admitindo que muitas escolas do interior do país estão a passar por grandes dificuldades.» [Observador]
   
Parecer:

Esta situação deve ser investigada com rigor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se o ministro da Educação.»

quarta-feira, janeiro 03, 2018

PARTIDOS EXEMPLARES

É uma vergonha, queriam dar isenção de IVA aos partidos para, como se queixava Jorge Ferreira na SIC Notícias, podem concorrer com as empresas honestas. Está-se mesmo a ver, um dia destes o futuro líder do PSD ainda se lembrava de transformar a sede da São Caetano à Lapa, numa alojamento local com o futuro líder , que nem terá o ordenado do Parlamento, a trabalhar para os turistas, com a vantagem de não fazer descontos para a Segurança Social.

Imaginem comer um Hambúrger na sede do PS no Rato, celebrar um casamento tipo Las Vegas numa capela alugada na São Caetano à Lapa, dar uns chutos com marijuana para uso terapêutico na sede do Bloco ou ir a uma casa de alterne com proletárias do sexo na Soeiro Pereira Gomes. Que pouca vergonha, andam os empresários honestos a trabalhar que nem uns desalmados para conseguirem suportar o aumento do ordenado mínimo, pagando tudo quanto é imposto e vinham os paridos e davam-lhes cabo do negócio com concorrência desleal!

Não senhor fazer política é dar ao badalo e para isso basta um megafone, os croquetes da Festa do Avante, o lombo assado da Festa do Ponta e as confissões à Cristas é que estão isentas de IVA, tudo o resto deve pagar imposto. Partidos bons são partidos sem dinheiro, tesos que nem um carapau! Esses sim, são partidos honestos, e se não tiverem políticos ainda melhor.

Não precisam de dinheiro, podem muito bem fazer campanha como fez o agora Presidente da República que não fez cartazes, não gastou dinheiro e até dispensou o Passos Coelho para poupar nos almoços. Isso sim, é um político a sério e é assim que deviam ser todos, políticos poupadinhos e generosos e generosos em beijinhos e abraços, que ainda são baratos. O Costa, o Jerónimo, o Passos e a Catarina deviam fazer como fez Marcelo quando liderou o PSD, meteu dinheiro do seu bolso e quando se foi embora levou o dinheiro, deixou a conta bancária quase a zeros e ainda aumentou as secretárias para tramar o sucessor. O coitado do Barroso, vice-presidido pelo Santana, dizia que o país estava de tanga, mas teve de aguentar um PSD que estava de fio dental. Como se viu isso não o impediu de ser primeiro-ministro, apoiar a invasão no Iraque, ir para presidente da Comissão e acabar com um tacho na Goldman! Partidos tesos também ganham eleições.

Sigam o exemplo do Marcelo que sempre foi muito poupadinho, ouçam o Jorge Ferreira, sigam o exemplo da Cristas, informem-se junto do Paulo, e exijam partidos tesos, políticos que ganhem o ordenado mínimo, líderes partidários que paguem as despesas dos partidos com dinheiro dos seus bolsos. É por isso que concordo com o veto do Presidente. Uma democracia precisa de partidos falidos, de políticos competentes, dedicados e sem dinheiro para comer, gente que se dedica à vida pública a título de voluntariado. Concordo com o veto do Presidente.

É preciso reinventar os partidos, tornar os partidos exemplos de caridade, manifestações de francicanismo, escolas de afetos, exemplos de pobreza, próximos do povo abenegado e que trabalha longe das cidades pecaminosas.



UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Grupo Parlamentar do PS

Perguntar aos condóminos o que podemos fazer com a nossa casa, mas apenas no caso de a queremos alugar a estrangeiros, é uma daquelas ideias populistas que só podem dar maus resultados. Se tivermos três apartamentos num prédio de 7 frações estamos condenados a fazer apenas o que os outros condóminos autorizarem, mesmo que os restantes apartamentos estejam alugados a rebanhos de estudantes, que fazem mais festas e barulho do que a maioria de turistas.

A seguir vamos exigir que seja a reunião de condóminos a autorizar o aluguer de apartamentos sempre que esse aluguer seja feito a cidadãos que pelas suas religiões ou culturas tenham hábitos que incomodem os vizinhos?

É mais do que óbvio que esta democracia representativa vai dar maus resultados, o Grupo parlamentar do PS está a incentivar a clandestinidade.

«O grupo parlamentar do PS vai levar a debate, na próxima sexta-feira, o projeto de lei que impõe a autorização prévia da assembleia de condóminos para que uma fração de um prédio possa ser transformada em alojamento local. A proposta, subscrita por dois vice-presidentes da bancada, causou polémica entre os socialistas - a começar pelo primeiro-ministro, António Costa, que ao que apurou o DN fez saber do seu desacordo à direção do grupo parlamentar. Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, manifestou-se publicamente contra. Mas os deputados avançam mesmo com o texto, juntando o seu projeto aos do Bloco de Esquerda, PCP e CDS, que serão discutidos no parlamento no final desta semana, por agendamento dos bloquistas. Nem as críticas públicas nem as privadas demoveram a bancada liderada por Carlos César: na sexta-feira, no último dia em que os prazos parlamentares o permitiam, o PS agendou o projeto.

E as críticas não foram suaves. "Fui contra e sou contra. Essa proposta é um erro. Não resolve o problema, introduz conflitualidade e tem um pendor de injustiça social grande", afirmou Medina, depois de a proposta ter sido entregue no parlamento, em maio. Do Porto também se fizeram ouvir críticas, nomeadamente de Manuel Pizarro, então candidato autárquico socialista.

Pelo caminho ficou a hipótese, que chegou a ser ponderada, de o próprio governo avançar nesta matéria. De acordo com fonte do executivo não haverá nenhuma proposta oriunda do governo sobre alojamento local.» [DN]

 Interrogações que me atormentam

Se a intenção de Marcelo era vetar a lei porque razão sugeriu que fosse António Costa a mandar a lei do financiamento dos partidos para o tribunal Constitucional? Ainda bem que nem, toda a gente recorre aos tribunais como truque, senão os processos judiciais em vez de dez anos passavam a tardar vinte.

 Interrogações que me atormentam

Se a reinvenção é um termo usado na moção de Santana estamos perante uma mera coincidência entre a moção e o discurso de Marcelo, ambos usaram um termo usado num qualquer almoço entre os dois enquanto reflectiam sobre o país ou um dos dois copiou o termo do outro, Marcelo leu a moção antes do discurso ou Santana leu o discurso e foi "completar" a moção?

 Os palpites de Mário Centeno

A crer no discurso do Presidente os acontecimentos económicos de 2017 ou resultaram de bruxaria ou foram mero acaso, se foram bruxaria o bruxo responsável pelo bruxedo foi Passos Coelho, se foi mero acaso este deve-se igualmente ao presidente do PSD, agora em fase de finados e à beira da extrema unção partidária. Uma coisa é certa, Mário Centeno nada fez e essa foi a sua qualidade do ministro das Finanças, ao nada fazer deixou tudo como estava feito.

Digamos que Centeno teve um mero palpite, ninguém poderia adivinhar que a política de passos teria tanto sucesso, com disse Marcelo, ninguém ca´dentro nem lá fora, estávamos no domínio do imprevisível pelo que em matéria de adivinhações económicas os portugueses e os estrangeiros eram uma espécie de Teodora Cardoso, que desde há seis anos que não acerta uma.

      
  Marcelo encomenda, Santana faz
   
«Pedro Santana Lopes juntou-se a uma das ideias fortes da mensagem de Ano Novo do Presidente da República e sublinhou a necessidade de “reinventar” o país. A palavra, assumiu o próprio esta manhã na formalização da candidatura à liderança do PSD, é utilizada na sua moção em que manifesta apoio a Marcelo Rebelo de Sousa nas próximas presidenciais, caso venha a ser candidato, como escreveu o PÚBLICO no passado sábado.

Depois de entregar 2525 assinaturas, Santana Lopes, em declarações aos jornalistas, justifica o seu apoio a uma eventual recandidatura presidencial de Marcelo (as eleições só acontecem em 2021) por representar “um caso excepcional de magistratura de suprema do país, não só na popularidade mas de entendimento político”. As presidenciais estão previstas para 2021, mas o ex-primeiro-ministro considera que o “próximo congresso [do PSD], em 2020, já está em cima” dessas eleições.

Santana Lopes assumiu que recupera na sua moção e no seu discurso a palavra “reinventar” utilizada por Marcelo Rebelo de Sousa esta segunda-feira. É uma “coincidência”, diz, mas também uma “convergência” na ideia de que é preciso “reinventar o Estado, a organização social, a vida em comunidade dos portugueses” como forma de sair do “círculo vicioso” dos últimos anos reflectido não só nos incêndios deste ano mas também da “bancarrota” de 2010.» [Público]
   
Parecer:

Esta colagem de Santana a Marcelo começa a ser a anedota do ano.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

terça-feira, janeiro 02, 2018

2018, O ANO DA REINVENÇÃO NACIONAL

Estavam os portugueses tranquilamente a trocar mensagens de WhatsApp de fim de ano, desde os desejos de um ano tão forte como a gordinha ao carro que disparava com a garrafa de espumante aberta à meia-noite, quando receberam do Dr. Eduardo Barroso a grande notícia de 2017, a única boa notícia ouvida no país desde o malogrado dia 16 de junho, o ano em que o ano transato devia ter expirado, a boa nova que ressoava na comunicação social nas últimas horas de 2017 não podia ser melhor, os intestinos do Professor Macelo voltavam a trabalhar normalmente.

O primeiro dia do ano de 2018 confirmou a boa nova dada pelo médico, Marcelo estava em forma no que respeita às suas funções intestinais. A leitura da mensagem fazia lembrar alguém a ler um dazibao nenhuma rua da Pequim dos tempos da Revolução Cultural. A não ser que alguma dor no remendo intestinal lhe desse aquele ar sofrido de um presidente abraçado a uma velhinha, parecia que o presidente fazia um esforço para ler as letras pequenas dos velhos livros do Lusíadas. Mas como não escolhemos presidentes pelo seu jeito para declamar poesia, o que importa é que os seus intestinos estavam a intestinar bem a e a bom ritmo.

Isso ficou evidente quando declarou que "ninguém imaginaria há dois anos poder partilhar tão rápida e convincente mudança, sem dúvida iniciada no ciclo político anterior, mas confirmada e acentuada neste, que tão grandes apreensões e desconfianças havia suscitado cá dentro e lá fora.". Isto é, há dois anos ninguém conseguiria imaginar o sucesso das políticas que iriam ser adotadas pelo Centeno, aquilo a que se designou por reversões e que levaram alguém anunciar a vinda do diabo. Mas passados esses dois anos é óbvio que tudo nasceu no ciclo político anterior e que o atual ciclo só teve o mérito de não estragar o que tinha sido feito.

Essa de ser impossível prever o que iria suceder na economia em consequência de uma política económica adotada por um governo, para depois ser mais do que óbvio que o que sucedeu resultou dessa política é uma forma de começar 2018 com muito bom sentido de humor.  Curiosamente, já no que se refere à capacidade de resposta de um país a uma grande calamidade como os incêndios é coisa que se resolve na hora, não resulta de mais do que meia legislatura.

Outra ideia muito interessante é a de que há uma maioria silenciosa de gente abenegada mas que conta pouco nas eleições, gente que por ser do interior sog«fre muito e trabalha ainda mais e que por isso é mais do que o dos que vivem no pecado das cidades do litoral, verdadeiras Sodomas e Gomorras dos tempos modernos, onde se ganham as eleições e se despreza os desejos do verdadeiro povo, minoritário mas genuíno, honesto e trabalhador. É para impedir as consequências dessa subversão que é a democracia, que há quem ouça os desejos dessa maioria qualificada, desejos que não são os dessa entidade mítica que é o povo. Mas só alguém com um ouvido especial consegue ouvir a” palavra de ordem que vem do povo, deste povo mais sofrido, do mais sacrificado e abnegado”.


Enfim, 2018 promete e graças aos cuidados médicos do Dr. Eduardo Barroso vamos mesmo conseguir reinventar o país. Aliás, até parece que Portugal tem o primeiro caso de cirurgia em que em vez de se separarem siameses se junta irmãos a fim de serem siameses, ontem Marcelo dizia que 2018 era o ano da reinvenção do país, o Presidente pode estar descansado o seu siamês dos almoços vai fazer-lhe a vontade, Santana Lopes acabou de anunciar que é ele que vai reinventar o país. Mas que grande reinvenção.

segunda-feira, janeiro 01, 2018

2018

O Ano Novo não podia ter começado da melhor forma, diria mesmo que a forma como começa vai tem muito de simbólico, o Dr. Eduardo Barroso deu alta a Marcelo rebelo de Sousa e tranquilizou o país, os intestinos do Presidente já funcionam, isto é, podemos estar tranquilos do que aquilo que ainda foi comido em 2017 será tranquilamente defecado no maravilhoso ano de 2018.

Portanto poderemos estar tranquilos, os intestinos presidenciais estão devidamente costurados e aptos a desempenhar a sua importante função. Aliás, ao ritmo a que as promulgações foram feitas no agora Palácio Curry Cabral ficou óbvio que não seriam os intestinos presidenciais a impedir o curso da realidade. Se alguma dúvida houvesse, os traques dados pelo Expresso e pelo Sol a propósito da decisão presidencial de vetar o diploma do financiamento dos partidos, eram a prova de que tudo corria bem no ciclo produtivo da presidência.

Mas vamos ver como é que os intestinos reagem a quando tiverem que digerir o novo presidente do PSD, será que se dão melhor com comida pesada como é o Santana Lopes ou com as tripas do Porto, reagirão com prisão de ventre ou com caganeira na hora de digerir as trapalhadas do Santana ou as propostas de um 25 de Abril feitas por Rui Rio?

É bom que o aparelho digestivo do Presidente esteja a funcionar bem porque a dieta que vai ter de suportar em 2018 não é das de mais fácil digestão. Será que Marcelo vai chamar Centeno a Belém e dizer-lhe quais devem ser as prioridades governamentais em matéria de xona Euro para a próxima década? No caso de alguma zanga europeia Lobo Xavier irá a Belém para mostrar discretamente os sms trocados por Mário Centeno com a senhora Merkel?

Quais serão as novas prioridades nacionais a divulgar por Marcelo e quando serão divulgadas? Ninguém sabe se resultarão de um momento de grande inspiração intelectual como a que o Presidente teve quando estabeleceu como grande prioridade nacional reduzir a dívida ou se serão casuísticas, em consequência de um qualquer desastre ou calamidade nacional?

De uma coisa podemos estar tranquilos, o Dr. Eduardo Barroso assegurou-nos que os intestinos do Presidente já estão a funcionar como deve ser e a bom ritmo, não poderíamos ter entrado em 2018 de melhor forma, o país entra no Ano Novo com o pé direito, nunca os puns dos foguetes lançados à meia noite tiveram uma carga simbólica tão grande como os deste ano, a boa nova fez-se ouvir por todos e como nas festas de aldeia terão sido encerrados os fogos com um grande “pum” de um morteiro.

Para terminar aqui fica um grande obrigado ao Dr. Eduardo Barroso, diria mesmo que é um obrigado de toda a Nação ao médico do Curry Cabral, por ter posto os intestinos o Senhor Presidente a funcionar como deve ser.



PS: Parece que por causa dos puns comemorativos um cachalote encalhou em Monte Gordo,  a paria que viu Centeno crescer, o mesmo Centeno que também se terá desorientado com os puns comemorativos e encalhou na Lili Caneças, no Estoril.