quarta-feira, novembro 04, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Calvão da Silva

Ser Jumento do Dia por dois dias seguidos sendo membro de um governo com um contrato de duas semanas é obra, só mesmo aluém que só ia virtudes em Ricardo Salgado é que conseguiria tal distinção. Num dia foi pregar o Evangelho para o Algarve, no outro fica-se a saber que desde pequenino que tem o sonho de passar revista às tropas em parada. É uma pena que este governo vá cair ainda antes de se levantar pois este ministro prometia tempos ainda mais divertidos do que os de Pedro Santana Lopes.

«Conhecer as capacidades operacionais da GNR e da PSP e visitar os respetivos quartéis-generais. É o objetivo do ministro da Administração Interna, Calvão da Silva, o qual, apesar de estar a prazo muito curto no governo, deu ordens para que estas forças de segurança lhe preparassem uma cerimónia oficial de boas vindas. E tem que ser ainda esta semana, antes do governo cair.

No comando-geral da GNR e na direção nacional da PSP a vontade do ministro foi recebida com um irónico "apreço" e os preparativos já começaram. "Nunca nenhum ministro nos visitou tão depressa, depois da tomada de posse", confirmou ao DN fonte de uma das instituições. As datas estão a ser acertadas entre gabinetes.» [DN]

 Golpismo parlamentar?

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A raiva esta levando a maralha do Observador ao desespero e falta de lucidez, até já falam de guerra civil e agora designam uma maioria parlamentar como "golpismo parlamentar". Compreende-se, depois da sensação de trabalho feito o Observador acabou por ser um fiasco do pessoal do Compromisso Portugal.

«Vivemos há um mês no país dos cenários. Subitamente, tudo se tornou possível. Pela primeira vez, a democracia portuguesa pode ser governada por quem perdeu as eleições. Para chegarem ao poder, os derrotados de 4 de Outubro prestaram-se à mais extraordinária ginástica: António Costa esqueceu o seu precioso plano Centeno, o BE rifou a  intransigente oposição ao Tratado Orçamental, e o PCP pôs no sótão a sua implacável campanha contra o euro – em conjunto, renegaram todas as propostas e bandeiras com que pediram votos e convenceram os eleitores. Quem votou no PS porque era um “partido do centro”, vê-o agora a perfilhar as bolas que o BE e o PCP lhe atiram; quem votou no BE e no PCP porque eram “contra tudo”, vê-os agora a aceitar tudo. O poder corrompe, e o poder de uma maioria parlamentar forjada no desespero e no cinismo da derrota, corrompe muito mais. » [Observador]

É uma pena que o Rui Ramos não repare que o inventor dos cenários foi Cavaco Silva e que não foi só a esquerda que mudou de posições, o Portas que acusava Costa de tentar salvar-se ofereceu-lhe o seu lugar de número dois na coligação e Passos que dizia que era o que faltava ter de governar com o PS aparece agora com um programa de governo onde foi buscar medidas ao programa do PS, as mesmas medidas que exigiu que fossem avaliadas pela Teodora Cardoso.

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Não se percebe tanta preocupação com um governo do PS e muito menos os que interpretam os votos dos eleitores do PS, sejam os comentadores e dirigentes da direita ou mesmo o pessoal do Assis, afinal o próprio PSD está elaborando um programa inspirado no programa do PS, mais um pouco e iam perguntar à Catarina Martins e ao Jerónimo de Sousa  que tinham acordado com António Costa para acrescentarem ao programa.

 O mundo está roto

Vai reunir à volta de leitão assado todos os que se queixam de não ter seguro

 Sócrates vai à terra de Passos Coelho

Anda, anda e ainda vai dar uma conferência em Boliqueime ou mesmo em Mação.
  
 Desta vez o PSD não atribuiu a culpa à autarquia

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Se o autarca fosse o António Costa....
  
      
 Professor Calvão, o novo ídolo das audiências
   
«As prédicas semanais dos professores de Direito são como a natureza, têm horror ao vazio. Parte um de Lisboa para uma viagem que pretende ser de cinco anos e logo lhe rouba o lugar um professor de Coimbra, já em viagem por dez dias. Falemos deste, Calvão da Silva, menos conhecido e mais afoito. Não faz comentários em estúdio, vai para as ruas encharcadas. Fala para todas as câmaras, não só as da TVI mas também a de Albufeira. O novo comunicador de cátedra continua a falar de política mas com estilo mais canónico. Não fala ao domingo, dia santo, mas à segunda. Ontem, no Algarve, foi o primeiro programa, com recordes de share. Só se falou do que ele falou. O agora ídolo das audiências disse que o governo "entregou-se a Deus e Deus com certeza lhe reserva um lugar adequado". A linguagem é sibilina mas, como ele falava em Boliqueime, percebeu-se que Cavaco reserva um lugar para Passos, talvez num governo de gestão. Professor Calvão, como já é conhecido, falou ainda na oposição de esquerda, que ameaça encharcar o país: "A fúria demoníaca, embora os ingleses digam um ato de Deus, an act of God..." Esta alusão ao Partido Trabalhista mostra que não se vão descurar as questões internacionais. De notar ainda que o professor Calvão, sempre sibilino, referiu um nome: "Seguro." Dirigindo-se "a quem não tem Seguro", aconselhou: "É bom reservar sempre um bocadinho para no futuro ter Seguro." Ele próprio, porém, só tem contrato até para a semana.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 A reunião do leitão assado
   
«Os opositores de António Costa, apesar de estarem em minoria nos órgãos do partido e no próprio grupo parlamentar, acreditam que “representam metade do eleitorado do PS”. “Metade do eleitorado socialista está assustado com a deriva que o partido está a seguir e isto que nós estamos a fazer comparado com o que os apoiantes do actual secretário-geral fizeram à anterior direcção não é nada”, afirma fonte socialista, agitando com o risco de o PS guinar completamente à esquerda. “O partido corre o risco da 'pasokização' e 'syrização'. Há aqui uma deriva à esquerda e isso é muito perigoso”, adverte a mesma fonte, considerando que o partido “deve ter uma reserva, evitando pôr as fichas todas em António Costa” numa próxima disputa da liderança.



A realização deste encontro está a deixar o aparelho do partido nervoso. A mobilização está a ser grande e são esperados militantes de todo o país. A organização conta com a presença de aproximadamente duas centenas de pessoas, entre militantes de base, ex-dirigentes do partido e presidentes de câmara. Poucos deputados devem marcar presença. Eurico Brilhante Dias, que integrou o secretariado nacional do anterior secretário-geral, António José Seguro, deverá ser um dos poucos deputados a deslocar-se à Mealhada, o mesmo acontecendo com os líderes das distritais do partido, até porque alguns deles foram eleitos deputados.» [Público]
   
Parecer:

Depois de ter ficado famoso porque no meio de um desaguisado em Felgueiras terem tentado dar-lhe um par de galhetas e agora que estava confortavelmente emigrado em Estrasburgo com direito a aluns abonos pela comunicação social portuguesa eis que Francisco Assis decidiu "descer o elevador" e promover uma almoçarada de leitã na Mealada, uma quebra na tradição tuga pois o habitual nestas circunstâncias costuma ser o lombo assado. Temos portanto um Assis promovido a Assis dos Leitões, enfim, com o devido respeito pelos seus acompanhantes que, como é óbvio, não são responsáveis pelo apelido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»
  
 Este procurador é um descobridor maior do que o Colombo
   
«Antes de receber a carta rogatória das autoridades brasileiras a solicitar ajuda na investigação do caso Lava Jato, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) já tinha detetado movimentos suspeitos superiores a dois milhões de euros entre diversas sociedades offshore relacionados com o caso que está a abalar o Brasil. Estão em causa, ao que o Observador apurou, os crimes de corrupção ativa, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. No centro do circuito financeiro detetado estará o Grupo Odebrecht.

Tudo terá começado com a Operação Monte Branco. Diversos responsáveis da Bento Pedroso Construções (empresa detida pelo Grupo Odebrecht desde 1988 e que mudou o nome em 2013 para Odebrecht Portugal) foram identificados como clientes da rede de lavagem de dinheiro que está na origem daquele processo Estão indiciados pelos crimes de fraude fiscal e de branqueamento de capitais por terem recebido somas muito significativas a partir de contas bancárias localizadas em paraísos fiscais utilizados de forma corrente, segundo o DCIAP, pelo Grupo Odebercht, fixados em Antígua e Barracuda, no mar das Caraíbas.» [Observador]
   
Parecer:

O homem já descobriu mais operações de corrupção no Caso marquês do que o MP em toda a sua história. O homem merece uma estátua em Lisboa, como merece que se diga "grande leão" talvez pudesse substituir o leão do Marquês de Pombal, em Lisboa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a proposta e pergunte-se ao Bruno de Carvalho se o quer para exibir antes dos jogos de Alvalade enquanto o senhor não puder ser instalado na rotunda.»

   
   
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terça-feira, novembro 03, 2015

O lóbi da vaca



Aquilo a que temos assistido desde que uma organização da OMS disse o que já toda a gente sabia, que há uma relação entre o consumo de carnes vermelhas e uma elevada incidência do cancro colo-rectal, mostra bem como os poderes instituídos usam de todos os meios para manipular a opinião pública, pouco se importando que dessa manipulação resultem mais mortos e custos crescentes para o SNS, enre o lucro e a saúde pública optam pelo primeiro.
  
As mesmas boas almas que nos diziam que tínhamos de ser castigados por ter consumido demais, que asseguram que o SNS é insustentável, aparecem agora em defesa da indústria da vaca, usando as mesmas estratégias de comunicação e a mesma linha de argumentação que no passado foi utilizada pelo lóbi das bebidas alcoólicas, ou, pior ainda, pela indústria do tabaco. Também no consumo do tabaco os maiores amigos do consumidor é a indústria que produz um produto de grande qualidade, com grande controlo e o problema está nos produtos de contrabando ou nos excessos. Um bom charuto não faz mal a ninguém, argumento ainda onde repetido de forma criminosa por um jornalista escritor que fez a apologia do consumo das carnes vermelhas no programa Prós e Contras, da RTP.
  
A jornalista Fátima Ferreira decidiu usar o seu programa como se o cancro fosse matéria para prós e contras, convidou um painel de técnicos para explicar as conclusões da OMS e na ausência de técnicos capazes de defender o indefensável, convidou algumas personalidades que responderam à evidência com banalidades, piadolas e referências ao salpicão da avozinha de Trás-os-Montes. Enfim, durante a tarde um ministro que mais parecia um pregador evangelista exibia a sua origem transmontana como prova das virtudes da pobreza, à tarde um jornalista exibia o salpicão da avó como prova de que os que se preocupam com a saúde dos povos são uns exagerados, tal como no álcool ou no tabaco o perigo não está nas substâncias que se consomem, mas sim nos excessos.
  
A escolha de João David Nunes para contradizer os estudos e fazer a defesa da vaca foi mesmo apropriada, o homem é o símbolo nacional da vida saudável e como se sabe e um expert em nutrição. Márcio Alves Candoso fez a apologia do consumo moderado de tudo, colocando a culpa nos exageros, chegando a exibir como condenável o exagero na defesa da vida e de comportamentos saudáveis. Nem um, nem outro têm conhecimentos de saúde ou de nutricionismo que os habilitem a influenciar a opinião pública num campo em que está em causa a saúde de muitos portugueses. Mas a RTP escolheu-os de forma cirúrgica para desautorizar a opinião de médicos e responsáveis pela defesa da saúde dos portugueses.
  
A forma leviana como a RTP e muitas forças se movimentaram nos últimos dias em defesa de uma indústria que sobrevive à custa de fundos públicos e de elevados custos para a saúde, para o ambiente e para as contas públicas diz muito sobre a falta de honestidade de muitas entidades públicas. Fazem com a saúde, o mesmo que têm feito com a político ou noutros domínios da sociedade, manipulam em defesa de interesses, servem quem melhor lhes paga.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



   Fotos dos visitantes do Jumento


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Timor (Dafne)
  
 Jumento do dia
    
Calvão da Silva, ministro a prazo da Administração Interna

Foi em Boliqueime que cheguei a ficar triste pela queda anunciada deste governo, por momento cheguei a pensar que o ainda ministro da Administração Interna fosse um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus ou mesmo o sacristão da igreja local. Há muitos anos que não via um governante tão dedicado a Deus, fazendo inveja a uma Assunção Cristas que diz ter-se inspirado em Jesus Cristo.

Para o ainda ministro o falecido entregou-se a um Deus que de vez em quando nos sujeita a provações. Calvão da Silva garantiu que estaria ali nem que só fosse ministro por um dia, ainda que nada tivesse para dar a não ser o raspanete às vítimas do temporal por não terem seguro.

O ministro sabia do percurso de vítima da vítima, conhecia-lhe a idade, referia-se à esposa pelo nome Fátima, explicou que o senhor entregou-se a Deus e garantiu que Deus lhe reserva um lugar adequado. garantiu que a família está determinada em continuar. EM relação às vítimas do temporal que viram os negócios destruídos disse que essa gente precisa de uma ajuda imediata e essa ajuda é a sua presença de solidariedade humana, porque a sua palavra é um lenitivo para a dor. Concluiu sabiamente que a fúria da natureza não foi nossa amiga, que Deus nem sempre é amigo, também acha que de vez em quando nos dá uns momentos de provação, ainda que de seguida tenha esclarecido as causas dos estragos em Albufeira, esta localidade foi vítima de uma  fúria demoníaca, ainda que de acordo com o ministro os ingleses digam (disam, disse ele) que é um acto de Deus, an act of god, ainda que nós tenhamos de traduzir isto de outra maneira, o que se compreende, bons cristãos como o ministro não confundem a bondade de Deus com actos que pela sua maldade só podem ser atribuídos ao diabo.

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O país ficou a saber que perdeu uma pessoa que veio de Trás-os-montes, que sabe o que é ser pobre e vir do pobre, um atributo que, como se sabe, é comum a todos os transmontanos, o único povo do mundo que não tem ricos, digamos que a seguir aos judeus, o segundo povo eleito do Senhor. Foi assim que o ministro respondeu a alguém que lhe disse que nem toda a gente tem dinheiro para seguros.

Se todos os ministros fossem como estes eu até apoiava o de Bolqueine que para mal dos nossos pecados não desapareceu na sua tentativa desastrada de dividir o grupo parlamentar do PS. Com ministros divertidos como estes os mercados ficariam tão flelizes e divertidos que até nos deixavam de cobrar juros.

Não se sabe se o governo vai declarar os estragos de Albufeira como calamidade pública, neste momento a única coisa certa é que o seu membro que o governo mandou ao Algarve é mesmo uma calamidade pública, tendo em conta que o homem começou por ir a Bolqueime podemos mesmo dizer que estamos perante o azar dos Silvas.

O momento hilariante deste ministro que me deixa pena por o ver partir em breve pode ser visto nas gravações da TVI 24, precisamente às 17h00.

PS: Como era de esperar a comunicação social escondeu os disparates desta pobre alma com tiques de extremismo religioso.
 
 Senilidade política
 
Ir para a Bulgária sugerir que na UE há países mais exemplares do que outros e esse é o caso de Portugal é uma saloiada que só evidencia a senilidade política, a pequenez ruralista de um Cavaco Silva sem estatura política para o exercício do cargo de presidente. Dizer que Portugal vai cumprir com as suas obrigações internacionais roça o pacóvio, parece que em Portugal se vive uma situação revolucionária e é Cavaco que assegura a ordem. Sejamos honestos, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins estão bem acima de Cavaco Silva no plano da ética política, pelo menos o PCP e o BE nunca inventaram falsas escutas a Belém em p+lena campanha eleitoral.
 
 Já há culpado para as cheias de Albufeira

A CMTV já identificou o culpado pelas cheias de Albufeira, para grande surpresa nossa o culpado foi nem mais, nem menos que José Sócrates, era ele o secretário de Estado do Ambiente quando foi aprovado o POLIS daquela localidade. Agora é só uma questão de tempo para que o mais famoso inspector dos impostos identifique todas as empresas envolvidas no programa e estabelecer relações entre estas e familiares, amigos, conhecidos e vizinhos de José Sócrates, para que o procurador Teixeira deduza acusação devidamente apoiada pelo super juiz de Mação. É uma questão de tempo para que Sócrates tenha mais uma acusação às costas.

 Opiniões hilariantes

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A desilusão está levando muito boa gente da direita, principalmente os mais militantes da causa, a um estado de quase loucura. Neste artigo Helena Matos esquece que a sua direita não conseguiu eleger um governo e dirige-se em tom ameaçador a Marcelo como se este perdesse as presidenciais sem os votos dessa direita vitoriosa.

Vai levar tempo até que a raiva deixe algumas personagens voltar a ter lucidez.

 Mas não estava preparando o programa do governo?

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 Desaparecido em Boliqueime

Os familiares e amigos da vítima das cheias em Boliqueime mas tenho de confessar que quando ouvi na comunicação social que tinha havido um desaparecido naquela conhecida vila algarvia senti um pequeno sobressalto de alegria,

      
 Grande coisa fez ele apesar dele
   
«Peter, o garoto holandês, meteu o dedo na racha do dique e aguentou até que o viessem substituir - e salvou aldeia. É o típico herói, que sabe o que faz, quanto aquilo lhe pode custar, e faz. Günter Schabowski não foi um herói. Ele fez muito, o que fez mudou a História para melhor, mas não sabia o que fazia quando o fez. O que fez Schabowski? O contrário de Peter: rebentou um dique. Em 1989, esboroava-se o mundo soviético, o de um sistema antilibertário ilustrado pelo Muro de Berlim. O governo da Alemanha comunista ia cedendo aos tempos, ainda iludido de que seriam só um, dois passos atrás, para vir a retomar o controlo sobre a liberdade do povo. Na noite de 9 de novembro, os comunistas foram obrigados a continuar a ceder e prometeram mais umas medidas: que os postos entre as duas Alemanhas iriam permitir a passagem livre dos alemães. Quem deu a conhecer essa decisão foi o porta-voz do governo e do partido, Günter Schabowski. Um jornalista perguntou: "Quando?" Schabowski deu uma resposta displicente: "Tanto quanto eu sei, isto entra em vigor... agora, imediatamente." E, invadido logo nessa noite, o Muro caiu. Parece que há descobertas que se fazem de forma fortuita. A esse acaso bendito alguns chamam serendipity. Günter Schabowski morreu ontem e nem o respeito que se deve aos mortos nos permite considerá-lo um grande homem. Mas por causa da sua serendipity aconteceu coisa grande. Às vezes, pessoas menores entram na História.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Cá se fazem, cá se pagam?
     
«“Marcelo não pode estar a hostilizar os seus para estar de bem com os outros”. É desta forma que um membro do Governo de Passos Coelho reage à campanha do candidato à Presidência da República. E não parece ser o único desagradado com a estratégia.

O problema está, segundo o jornal i, no facto de Marcelo Rebelo de Sousa estar mais preocupado em agradar ao eleitorado centrista, pondo de lado a Direita que o apoia.  "Não precisa de atirar panos molhados à cara dos seus apoiantes naturais", faz sobressair a mesma fonte.

Marcelo sabe que a sua vitória está dependente do eleitorado centrista e é nele que está a centrar a sua atenção. Prova disso é o facto de afirmar que prefere um governo “PS com garantias de estabilidade à existência de governos de seis meses, oito meses ou de um ano”. Mais, já fez saber que caso seja eleito não irá dissolver a Assembleia da República independentemente das forças políticas que estiverem no poder.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Este pessoal do Passos Coelho está tão desesperado que se esquece de quando gozaram com o Marcelo chamando-lhe cata-vento.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Ainda estão em estado de negação
   
«Luís Marques Mendes acredita que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas têm de começar a pensar com urgência a estratégia que vão montar quando estiverem na oposição e, nesse sentido, criticou o que considera ser o desacerto de PSD e CDS. “Têm andado aos bonés” desde as eleições, resumiu. O antigo líder social-democrata falou ainda sobre a possível aliança de esquerda: António Costa está sob uma “enorme pressão” e “refém do Bloco e PCP“, “Catarina Martins está muito feliz” e “Jerónimo de Sousa muito contrariado“.


No seu habitual espaço de comentário na SIC, Marques Mendes defendeu que PSD e CDS têm de decidir rapidamente várias questões: se o Governo for derrubado e ficarem na oposição, “vão estar na mesma coligados ou vai cada um para o seu lado”? Passos Coelho e Paulo Portas farão parte do Conselho de Estado? Como vão votar as leis que chegarem de um eventual Governo liderado por António Costa? Para o comentador, sociais-democratas e centristas já deveriam ter afinado a estratégia ou correm o risco de transformarem a estadia na oposição num “pesadelo“.» [Observador]
   
Parecer:

Isto de tomarem posse próximo do dia das bruxas lava-os a pensar que são mortos-vivos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se»

 As dúvidas de Cavaco
   
«"Portugal é um país respeitado pelos países da União Europeia, precisamente porque é um país que assume os compromissos que estão sobre a mesa no quadro europeu aos mais variados níveis. Isso não vai mudar, é o meu convencimento", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas no Palácio de Belém, numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo búlgaro, que iniciou hoje uma visita de Estado de dois dias a Portugal.

Questionado sobre as suas afirmações em junho, quando visitou a Bulgária, acerca da situação de instabilidade que se vivia na Grécia, Cavaco Silva insistiu que assumir os compromissos é fundamental para a credibilidade do país no plano internacional, para a confiança dos investidores e dos mercados e, consequentemente, para o reforço do investimento em Portugal.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

No desespero perante a derrota parlamentar da direita Cavaco tudo fez para lançar dúvidas em relação a Portugal na esperança de entidades estrangeiras lhe darem a ajuda que os cidadãos lhe recusaram nas eleições. Agora diz que Portugal vai cumprir os compromissos europeus como se alguma vez tivessem existido dúvidas ou como se isso se devesse à sua intervenção.

Ainda por cima tem estas intervenções que reduzem o país a um país de irresponsáveis perante um presidente estrangeiro. Cavaco acha que Portugal nasceu quando ele chegou a primeiro-ministro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Tenha-se paciência com o pobre senhor.»

 Vem aí uma invasão de búlgaros
   
«"Queremos fazer ainda mais, é possível desenvolver parcerias em várias áreas", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo búlgaro, que iniciou hoje uma visita de Estado de dois dias a Portugal.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Quando um presidente não sabe o que dizer sugere a aposta no turismo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 A despedida de um incompetente que não deixa saudades
   
«Poiares Maduro não acredita num governo à esquerda, que não seja mais do que um “mero acordo para chegar ao poder “, e acena com o medo da “instabilidade”. Em entrevista ao Diário de Notícias esta segunda-feira, o ex-ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, que entrou no Governo de Passos Coelho em 2013, depois da demissão de Miguel Relvas, diz ainda ter “alguma esperança” de que haja um “assomo de responsabilidade no PS” que permita viabilizar o Governo PSD/CDS na Assembleia da República.

“Eu gostaria de pensar que os agentes políticos portugueses – e o PS em particular tem aí uma responsabilidade especial – não colocariam em causa este governo, gerando uma situação de instabilidade no país, desde que não tivessem uma outra alternativa que fosse pelo menos tão estável e coesa como esta que o governo oferece. E não vejo nenhuma perspetiva”, começa por dizer, descartando a possibilidade de uma coligação à esquerda poder garantir a estabilidade governativa necessária a médio ou longo prazo. “Não vejo possibilidade de uma coligação entre o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista ser alguma coisa mais do que um mero acordo para chegar ao poder”, diz.» [Observador]
   
Parecer:

Pobre Poiares tanta habilitação para ser bem pior do que o Relvas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Deseje-se uma boa viagem ao ministro na suia ida para Florença.»

   
   
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segunda-feira, novembro 02, 2015

O derrotados esquecidos

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Fala-se muito dos vencedores e dos derrotados nas últimas eleições, um processo eleitoral pois, como é sabido, os derrotados estavam convencidos de que tinham sido os vencedores. Mas os derrotados que mais sofrem são aqueles que mais ignoramos, os derrotados esquecidos, e a alguns dos quais prestamos aqui a merecida homenagem:

Maria Luís Albuquerque

Este licenciada em economia por uma escola modesta e em cujo passado pouco mais há a acrescentar que uns negócios duvidosos com swaps foi promovida a grande celebridade, quem ouvia Passos dizer que só a deixava ir para comissária europeia se ela ficasse a mandar em quase tudo em Bruxelas podia pensar que estaríamos perante uma séria candidata a um Nboel da Economia. Quem se safou foi o Moedinhas, abichou um tacho que lhe permite enriquecer, enquanto a ex-ministra se arrisca a ter de pagar o balúrdio que pediu à CGD para construir casa com o seu modesto ordenado do Estado. E nem se pode queixar pois Passos Coelho andou a dizer que os funcionários públicos são uns sortudos e ainda por cima vai poder beneficiar da generosidade de António Costa em relação ao seu vencimento.

Pessoal da justiça

Costuma-se dizer que há um tempo da justiça e outro da política mas o facto é que no caso da Operação Marquês o tempo da justiça tem sido alinhado quase ao dia com o tempo da política. Não se ode dizer que o pessoal da justiça é politicamente empenhado e tenha montado um golpe de Estado, usando os processos judiciais para manipular opiniões, recorrendo de forma ostensiva à violação sistemática do segredo de justiça. Mas na justiça como na política o que parece é e nesse sentido deve haver na justiça quem neste momento deverá estar espumando de raiva. Talvez por isso já há jornais que sugiram que em vez de tramarem o Sócrates no tribunal vão tentar tramá-lo no fisco. O facto é que depois das eleições surgiram sinais de divisão entre a equipa maravilha, com o inspector do fisco a sugerir que alguém andava a fazer de garganta funda.

Deputado anónimos

Há um grupo de deputados dos grandes partidos que só costuma tomar o seu assento parlamentar quando os que os antecedem na lista de eleitos integram o governo, muitos deles ficam no desemprego se o seu partido não formar governo. Alguns deputados do PSD terão festejado antecipadamente as suas garantias de emprego, agora preparam-se ara fazer as malas para dar lugar ao Aguiar-Branco e outros, que regressarão às suas cadeiras parlamentares.

Paulo Núncio
  
Se o PSD se tivesse mantido no governo o reembolso da sobretaxa teria sido o golpe político perfeito, o Núncio Fiscoólico dos extremistas radicais do CDS teria sido um dos obreiros da vitória e iria recolher agora os frutos num escritório de advogados onde contaria com a simpatia de uma boa parte dos dirigentes que nomeou no fisco. Mas teve azar, o golpe não serviu de nada e por mais truques que invente mais tarde ou mais cedo o país ficará a perceber que foi vítima de um cambalacho fiscal montado por um rapazola sem grandes escrúpulos.
  
Jornalistas, directores das televisões e dos jornais

Não admira que a comunicação social seja um dos espaços onde mais se vê gente a espumar de raiva com a possibilidade de Costa formar governo, foram os primeiros a reunir com Passos Coelho há quatro anos, beneficiaram de um governo que os protegeu da crise e tudo fizeram para manipular os portugueses. Quando pensaram que tudo tinha corrido bem eis que a vida política deu a cambalhota mais inesperada e uma vitória transforma-se numa derrota que pode vr a ter custos elevados para alguns patrões da imprensa que agora tem um governo que não lhes deve favores.

Joana Amaral Dias

A conhecida comentadora de futebol e política da CMTV fez aquilo a que o povo chama dar o corpo ao manifesto para ganhar um lugar de deputado. O país ficou a conhecer-lhe os pormenores mas m mesmo assim ai ter de se manter com as gorjetas da CMTV onde pode teorizar sobre o que não sabe e sobre o que pensa que sabe.

Compromisso Portugal

O pessoal do Compromisso Portugal decidiu lançar o seu Tea Party, contrataram o José Manuel Fernandes e durante meses lanaram ódio contra o PS no Observador. De nada lhes valeu, perderam.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Catarina Martins

Depois da famosa manifestação da CGTP para celebrar o chumbo do governo das férias é a vez de Catarina Martins chamar a si todo o protagonismo de um acordo que viabilize um governo do PS. Parece que os ganhos no curto prazo se sobrepõem á seriedade negocial. Quando seria de esperar algum recato eis que a líder do BE aparece a dar entrevistas, seguindo as pisadas de Jerónimo de Sousa, tudo isto enquanto a direita sugere que um acordo na esquerda está difícil de alcançar.

«Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, garante que o haverá acordo à esquerda para apresentar no dia em que for votada a moção de rejeição do programa do governo PSD-CDS» [DN]

 Constatação

Nunca se viu um governo tão tranquilo a elaborar o seu programa, enquanto o presidente calça as suas pantufas para ver o boletim meteorológico ao mesmo tempo que a dona Maria lhe remenda as meias.

 A tradição

Segundo a tradição a lógica do bloco central que todos condenavam até há dias atrás os altos cargos do Estado era atribuídos a personalidades do PS e da direita à margem das mais elementares regras da democracia. Os partidos que tinham mais votos escolhiam o presidente do parlamento, se o PS tinha a CGD a direita ficava com o BdP. Era uma lógica que presidia toda a sociedade e deste as grandes fundações privadas às vagas de administradores não executivos dos bancos e das grandes empresas obedeciam a estas leis a que nenhum português foi chamado a votar.
 
Cavaco foi mais longe e tentou impor esta regra não escrita da democracia portuguesa à composição do parlamento, inventando argumentos  ridículos para poder excluir portugueses e partidos da democracia. Há muito que pelos mais diversos motivos os portugueses odeiam este bloco central corrupto que se instalou na sociedade portuguesa, transformando a político num jogo de interesses. Todos sabem que alguns do que se engalfinham no parlamento vão depois jantar para dividir tachos e cunhas.
 
Se esta tradição morreu com a escolha de Ferro Rodrigues o país só ganhou pois nenhum país se desenvolve quando a corrupção de valores ganha a forma de lei, instalando-se na sociedade uma omerta que todos devemos respeitar.

      
 O argumento antidemocrático
   
«O Ministério Público acusa um tal de Peter Boone de manipulação de mercado. Suspeita-se de que o cavalheiro terá dado uma opinião sobre as finanças públicas portuguesas com o objetivo escondido de ganhar umas centenas de milhares de euros: o comentário terá provocado um aumento da taxa de juro da dívida portuguesa, e essa subida ter-lhe-á rendido a tal bela maquia.

O Sr. Boone é alguém respeitado na sua atividade, professor em Harvard e com um blogue no site do The New York Times, a sua opinião conta. Claro que o artigo que escreveu não foi decisivo para a espiral que levou os juros da nossa dívida para níveis impensáveis, ilógicos, para patamares que nos ponham ao lado de países absolutamente miseráveis. Como também não deve ter sido apenas por causa de um mui douto artigo que agora as nossas taxas são das melhores do mundo civilizado.

Esta história do Peter Boone é mais uma peça dum puzzle diabólico, em que a única boa notícia é sabermos que as autoridades começam a perceber que alguma coisa está profundamente errada na relação entre os chamados mercados, quem os controla, o que move os seus operadores e quem sofre as consequências das suas ações: nós. Melhor, finalmente estamos a perceber como comunidade que há poderes superiores à nossa vontade, às nossas deliberações e que demasiadas vezes a sua lógica não tem que ver com o bem comum, mas apenas com a ganância de meia dúzia de indivíduos. Que há gente que pode manipular o mercado, e que para ganhar meia dúzia de tostões não hesita em mandar para a miséria países inteiros.

Diz que é o mercado. Não, não é mercado nenhum. Os mercados têm - ou deviam ter - regras, modos de funcionamento transparentes e têm sempre e em todos os casos de ser supervisionados pelo poder político, aquele que, numa democracia, é designado pelo povo. Um mercado que não funciona de forma transparente, um mercado de que não percebemos a lógica, que tem comportamentos sistematicamente irracionais pode ter muitos nomes, mas não o nome de mercado.

Um exemplo? Nada de substancial mudou na nossa economia, desde esse artigo do Boone. As nossas taxas de emprego são até mais baixas, o nosso endividamento maior, o volume das nossas exportações depende muito de produtos de baixo valor acrescentado, de termos perdido meio milhão de jovens, de não ter existido uma reforma digna desse nome nos últimos cinco ano, as nossas finanças públicas continuam na corda bamba. Mas, agora, as nossas taxas de juro são das melhores deste mundo e do outro. Diz que é da confiança. Agora há confiança a dar com um pau. Não se sabe muito bem do que se fala quando se fala nessa confiança. Não nos nossos dados macroeconómicos fundamentais. Confiança, pronto.

Bem sabemos que um dos fenómenos perniciosos (entre muitos benéficos) da globalização foi a vitória do poder económico sobre o político: o económico é mesmo global, o político permaneceu local (o Edmund Burke continua a ter razão) e sobretudo por isso incapaz de o domar por muitas tentativas realizadas de criar entidades transnacionais ou de espaços mais ou menos politicamente integrados.

Talvez pouco possamos fazer como comunidade - e pequena - contra essa realidade, mas há armadilhas em que não podemos cair, tentações que temos de evitar. Ter, por exemplo, a noção de que no momento em que utilizamos os "mercados" como arma de arremesso político estamos a deixar que um Boone qualquer valha mais do que o nosso voto. Estarmos perfeitamente conscientes que o argumento "ai os mercados que não querem ver este ou aquele no poder" é antidemocrático, que é um insulto à nossa capacidade de decidir o futuro.

Não há outra forma de o dizer, quem dá estes argumentos para suportar uma posição política está a atuar contra a democracia, está a apelar a uma verdadeira ditadura, tão forte e tão efetiva como uma que nos impeça de votar.

Já aqui escrevi que me preocupam vários pontos dos programas do BE e do PCP. Aspetos ideológicos, ideias de que discordo frontalmente e que acredito podem ser muito más para o país. Mas preocupo-me infinitamente mais quando vejo e ouço gente que me habituei a respeitar, alguns com que partilho convicções, a lutar contra um possível governo que junte PS, BE e PCP utilizando o argumento de que os mercados nos penalizarão por causa disso. Não me perturba que alguns empresários pouco esclarecidos deem entrevistas a falar dos sacrossantos mercados. Como me deixa quase indiferente que jornais de extrema-direita não façam outra coisa que não seja aterrorizar as pessoas com um milésimo de ponto na subida dos juros - ficam até bem à vista os propósitos. Agora, ver homens e mulheres que me habituei a respeitar, altos dirigentes de partidos estruturantes da nossa democracia, a terem esse discurso, é aterrador. É que uma coisa é lutar por aquilo em que se acredita dentro do respeito pelos valores democráticos, outra é esquecer esses valores.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.

      
 MP recorre ao truque fiscal
   
«A Operação Marquês poderá trazer diversas consequências fiscais e, a José Sócrates, deverão ser exigidos 17,5 milhões de euros, segundo o Jornal de Notícias, a título de impostos por rendimentos não declarados entre 2010 e 2011. Feitas as contas a juros compensatórios, a dívida poderá mesmo chegar aos 19 milhões de euros.

Tendo em conta a investigação, estes valores surgem com uma alegada correção no IRS do ex-líder socialista sobre uma fortuna superior de 23,3 milhões que, segundo a acusação, estão na Suíça em nome de Carlos Santos Silva.

Segundo o Jornal de Notícias, o Fisco também inclui uma penalização de 50% relativamente ao imposto que seria cobrado normalmente. Trata-se do Regime Excecional de Regularização Tributária (RERT) de 2010, ironicamente aprovado num Governo de Sócrates. » [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Ainda não provou nada mas já querem cobrar IRS, depois vão acusar de fraude por ainda não ter pag, é a vantagem de uma investigação policial ser conduzida por um investigador do fisco. Isto só prova que o MP não confia nos tribunais e prefere a justiça feita por uma entidade administrativa quie pode ser ou se deixa se instrumentalizada por procuradores.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

domingo, novembro 01, 2015

Semanada

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Imagens que já são história

Esta foi uma das emanas políticas mais hilariantes da democracia portuguesa, um primeiro-ministro forma um governo convidando ministros para um mês e que discursa afirmando que tem um mandato para quatro anos, um presidente que se recusa a dar posse a um governo de esquerda mas discursa na posse do governo de direita já falando para o futuro governo de esquerda. 
  
Pela primeira vez em democracia o presidente do parlamento foi eleito de forma transparente e democrática, sem acordo de bastidores, sem candidatos já eleitos. Só é pena que personalidades como António Barreto que apostaram tudo numa divisão do PS se tenham esquecido de elogiar os deputados que em vez de terem votado em Negrão em obediência a tradições, optaram por escolher quem entenderam que devia presidir ao parlamento. Depois de perceber que não tinha condições para governar a direita ainda sonhou controlar a presidência do parlamento e com isso perturbar os trabalhos parlamentares.
  
Assunção Cristas deu uma entrevista ao Observador dizendo que seguiu o exemplo de Jesus Cristo ao meter-se na política tendo de se dar com gente menos recomendável. Com a sua saída do governo a senhora tem agora muito tempo para as suas missas e para continuar a dar-se com gente menos recomendável, da política ou de fora da política.
  
Assis vai reunir a direita do PS porque discorda de um governo do seu partido viabilizado pelo parlamento. Agora ficamos a aguardar onde é que vai meter-se para ver se leva duas galhetas e ganha a notoriedade que as suas qualidades políticas não lhe permitem alcançar.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Francisco Assis

É um mau começo para um candidato á liderança do PS ser o grande animador da alma de uma direita desejosa de ver o PS ao lado de políticas extremistas como a desvalorização fiscal que insiste em implementar. Nunca se viu Francisco Assis aprontar qualquer alternativa à direita, mas agora parece que está confundindo o António Costa com a Fátima Felgueiras, a autarca que permitiu a Assis tornar-se num herói graças a uma galheta mal dada, um herói que se esqueceu de pedir desculpa à autarca depois de os tribunais a terem declarado inocente.

«Francisco Assis, que não tem poupado críticas ao governo de esquerda que está a ser negociado por António Costa, revelou ao jornal Expresso que irá, nas próximas semanas, reunir-se “com militantes de várias zonas do país que discordam do rumo que está a ser seguido” pela atual liderança partidária. 

O eurodeputado, que sempre se mostrou avesso a um governo PS com o apoio do Bloco de Esquerda e PCP, diz que “ficará então claro que há uma corrente crítica e alternativa” dentro do partido – liderada por ele. As correntes dentro dos partidos, quando oficializadas, pretendem juntar pessoas com proximidade ideológica e programática, dando corpo a correntes de pensamento de onde podem sair, depois, alternativas de poder. » [Observador]

      
 O casamento é difícil, mas podem ter a certeza de que o divórcio é muitíssimo mais difícil
   
«A esquerda portuguesa prepara-se para um casamento, ou, se se quiser, para uma união de facto. Terá os seus votos de noivado no momento em que derrubar o Governo PSD-CDS e casará no dia em que um Governo do PS, com participação ou apoio do BE e do PCP, for empossado pelo Presidente e vir o seu programa aprovado pela Assembleia. O casamento poderá ter muitas fórmulas, ter ou não “papel passado”, diferentes regimes de bens, ser um casamento de necessidade com mais ou menos “amor”, juntarão ou não os “trapinhos”, mas, seja qual for a fórmula, vão selar o seu destino.

O casamento não se faz em momentos amáveis, após uma longa coabitação ou namoro, mas faz-se em circunstâncias dramáticas, com muitos a prepararem-se para deitar pedras em vez de confetis, e, queira-se ou não, contra muitos que não o desejam, e que pensam que ele não vai resultar. Mesmo nos melhores amigos dos esposos, há muito mais prudência e reserva do que confiança pura e simples. É um casamento de alto risco e tem muita coisa que o pode levar a correr mal. Mas há uma coisa que os esposos devem ter clara na sua cabeça, escrita em letras de fogo, tatuada nas mãos e nos braços, para que estejam sempre a ver, é que o divórcio será muito mais gravoso e penoso.

Há várias coisas de que todos os que abraçam esta solução de um Governo de esquerda devem saber, uma das quais é que nada contribuirá mais a favor da legitimidade da solução encontrada do que se cumprir a legislatura inteira. E, se há coisa que este Governo precisa é de um acrescento de legitimidade política, visto que legitimidade formal, tem-na. E isso só vem de governar razoavelmente, onde o óptimo é inimigo do bom, e se o fizer com durabilidade, provocará um ponto sem retorno na vida política portuguesa. Até lá, as fragilidades serão enormes e exigem de quem é parte desta solução que se atenha ao essencial, sem hesitações.

Se o esquecerem, garantem para muitas décadas que a direita governe Portugal, não de forma amável e delicodoce, como esteve neste ano eleitoral (e está agora a pensar que nos engana com Ministérios da Cultura), mas de forma vingativa e agressiva. A direita que se vai levantar das cinzas de um Governo de esquerda, caia ele pelo PS, pelo BE ou pelo PCP, falará a mesma linguagem que hoje usam Nuno Melo, Paulo Rangel e os articulistas do Observador. E, por trás dela, em formação regular e militar, estarão os anónimos comentadores, genuínos e avençados, que pululam nas redes sociais, que espumam de fúria e falam numa linguagem que torna o pior do PREC num conjunto de amabilidades. Estes anos de crise do “ajustamento” alimentaram todos os monstros e deram-lhes uma sustentação em fortes interesses, que eles sabem muito bem quanto é perigoso o que se está a passar para a hegemonia assente no autoritarismo do “não há alternativa”. De um lado sabe-se, espero que do outro também se saiba.

Qualquer queda do Governo, em particular se os motivos dessa queda estão na desunião, antes de ter tido tempo necessário para mostrar que é uma melhor solução para as pessoas e para o país do que a continuidade dos “mesmos”, penalizará fortemente toda a esquerda e não só PS, mas também o PCP e o BE. O rasto de azedume e o atirar mútuo de culpas e recriminações irão durar muitos anos e bloquearão a repetição da experiência.

É por isso que é vital compreender que esta alternativa exige uma enorme firmeza e capacidade de separar o essencial do secundário. Não se está a jogar a feijões, isto é tudo muito a sério, demasiado a sério, para ser apenas um devaneio ideológico e experimental de homenzinhos e mulherzinhas, mas é para homens e mulheres a sério. Ou então mais vale irem para a casa medíocre do Portugal submisso onde as hierarquias do poder e do dinheiro fazem o que querem, para além da lei e da ética.

Portanto, se entram numa solução deste tipo, têm que dar, neste caso ao PS, alguma margem de manobra para fazer o equilibrismo financeiro que é necessário para cumprir, sem qualquer zelo, o Tratado Orçamental, antes de haver alguma negociação que o modere. Isto exige compreender que não é a mesma coisa ser um Governo PS a fazê-lo nestas circunstâncias graves do que ser um Governo da coligação PSD-CDS. Nem para o bem, nem para o mal. Quando os salários e as pensões forem recuperados, como aliás a coligação também disse que ia fazer, para quem vê o que recebe no fim do mês aumentar, faz toda a diferença saber se isso vem de um Governo de esquerda, que lhe dirá que o faz porque isso é a reposição de um direito que foi sonegado, e que é bom para economia, ou da coligação PSD-CDS, que lhe dirá (se o fizer) que isso se deve à justeza da sua política económica e quererá dessa eventual devolução justificar outros cortes de salários ou pensões e, mais grave ainda, o corte de direitos económicos, sociais e políticos, para prosseguir a mesma política de desigualdade social. Insisto, faz toda a diferença e as pessoas sabem isso.» [Público]
   
Autor:

Pacheco Pereira.

      
 Zangam-se as comadres
   
«Paulo Silva, inspetor que lidera a equipa das Finanças que investiga em conjunto com o Ministério Público a Operação Marquês, pôs o lugar à disposição em abril na sequência de alegadas fugas de informação do processo. Segundo soube o DN, o responsável do fisco, numa informação remetida ao procurador Rosário Teixeira, no dia 29 desse mês, frisou que era fácil investigar e detetar eventuais responsáveis, já que só ele, o procurador e o juiz Carlos Alexandre tinham contacto com o processo.

Nesse documento, Paulo Silva terá solicitado que lhe fosse aberta uma investigação, de forma a dissipar as eventuais dúvidas que sobre si recaíssem. Perante tal depoimento, Carlos Alexandre, em despacho, fez questão de deixar claro que partilha as preocupações de Paulo Silva por este ter referido que apenas poderiam existir três responsáveis pelas tais fugas e também solicitou que a sua atuação fosse investigada para se verificar se ele fora ou não um dos responsáveis.» [DN]
   
Parecer:

Pela vez um inspector do fisco ganha protagonismo, será que o MP anda a reboque de um inspector do fisco e de um juiz ex-inspector do fisco?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»
  
 Imbecil António
   
«Poucas horas após a tomada de posse do governo da coligação, o porta-voz do PSD fazia um aviso claro e sonoro aos socialistas: "Se o PS se casar com o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda é para a vida!"

Em entrevista à TSF, Marco António Costa afirmou que se o novo governo vier a ser derrubado - o que deverá mesmo acontecer, dadas as moções de rejeição anunciadas pela oposição - PSD e CDS não poderão "pactuar" com um executivo do PS.

"Todos temos a noção de que se vier a ocorrer uma circunstância de ser derrubado um governo legitimamente escolhido pelos portugueses em eleições livres e democráticas e for investido ilegítimo democraticamente porque não venceu as eleições não é possível nós pactuarmos ou alimentarmos um governo nessas circunstâncias", disse.» [DN]
   
Parecer:

Este rapazola anda desesperado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Marquito o que vai fazer com o Passos cair.» 
  

sábado, outubro 31, 2015

Entrevista a uim eleitor do PS

Jornalista: Então o meu amigo votou no PS?
Eleitor: claro.
J: E leu o programa do PS?
E: Não, votei porque gosto do António Costa.
J: Queria o Costa para primeiro-ministro?
E: Não, eu sou como o Assis, acho que o Costa era candidato a líder da oposição.
J: Líder da oposição? Mas não votou no programa do PS.
E: Claro que não, se eu votei no Costa para que ele fosse líder da oposição não valia a pena ler o programa, ele nãop fez um programa de líder da oposição?
J: Então votou no PS para quê?
E: Nas últimas eleições o Portas pedia para votarem nele porque ele ia ser o amaciador e o Passos o Skip…
J: E depois esqueceu-se.
E: Pois é, e eu achei que esse era o papel do António Costa.
J: Então não está desiludido com a derrota de Costa?
E: Antes pelo contrário, sempre desejei que fosse o Passos a governar.
J: Mas não fazia mais sentido ter votado no PaF?
E: Não votei no PaF por causa da República, Paulo Portas é monárquico e antes de ser do euro tem de ser republicano ser quer ser governo!
J: Então concorda com o programa do PaF?
E: Não.
J: Não?
E: É por isso que votei no PS, assim Passos Coelho vai fazer um programa sabendo que nem todos os que o queriam no governo gostam do seu programa. É por isso que todos o queremos no governo mas nem todos queremos o programa.
J: E os do PCP?
E: Esses gostam do programa do PS mas são contra a união bancária.
J: Mas você não queria ver um governo do PS?
E: Não, eu voto no PS, voto desde os 18, mas o que eu acho mesmo natural é que seja a direita a governar. É como nos sumos, eu gosto de Sumol mas acho que o que é natural ´+e mais o Compal.
J: O senhor é amigo do Ângelo Correia ou do Pires de Lima?
E: porquê?
J: Eles dizem que todos os seus amigos votaram PS por quererem o PSD a governar, é como senhor.
E: Tem graça que eu acho que conheço o Pires de Lima de qualquer lado, mas como prefiro a Sagres não me lembro bem de onde.
J: Então não só os amigos de Pires de Lima que votarem PS a querem a direita a governar…

E: Não, todos os que eu conheço que votaram no PS fizeram-no como eu, estavam convencidos de que o Costa não queria governar e deixava o lugar ara o Passos Coelho.