quarta-feira, abril 07, 2021

PORREIRISMO DESCONFINADOR

Desta vez o primeiro-ministro e o Presidente da República não tiveram a infeliz ideia de irem para a praia, com um a comer maças na Caparica e o outro a mergulhar na Ericeira. Também não se lembraram de fazer uma romaria a um espetáculo no Campo Pequeno. 

É um grande progresso em relação ao que sucedeu na primeira vaga. Mas não seria má ideia mostrarem aos senhores das esplanadas e aos que acham que a pandemia é uma treta e não respeitam normas, que as regras são para cumprir. A ideia de que as regras só se aplicam quando as coisas dão para o torto é meio caminho andado para mais uma desgraça. 

A maioria dos portugueses cumprem as regras, cabe ao governo mandar aplicar a alei para que os outros também cumpra, E talvez não fosse má ideia adotar regras mais duras para os proprietários das esplanadas que fazem vista grossa aos clientes bandalhos, para que daqui a uns tempos não venham com movimentos de pão e água.

quinta-feira, abril 01, 2021

DESAFIO


Parece que é oficial, António Costa recuou na ideia de mandar os diplomas para o Tribunal Constitucional e desafiou Marcelo rebelo de Sousa para um combate de MMA a realizar-se no Ringue do Clube de Excursionistas do Bairro do Rego.
Se António Costa ganhar o Marcelo passa a respeitar e a fazer respeitar a Constituição como estava combinado desde que esta entrou em vigor. Se perder, Marcelo Rebelo de Sousa pode presidir respeitando apenas o Código da Estada, estando ainda autorizado a não respeitar as regras da velocidade, do respeito pelos traços contínuo e ainda as regras de circulação nas rotundas.

MAUS TEMPOS PARA A CONSTITUIÇÃO



Ao dizer que é o direito que serve a política e não a política que serve o direito, o Presidente da República está dizendo que é legítimo que seja ignorada a Constituição da República se ele gostar da medida política. Este argumento tanto pode servir para justificar as medidas que ele entendeu deixar passar, como para viabilizar um qualquer golpe de estado.

Até aqui tínhamos uma Constituição com regras conhecidas e um Tribunal Constitucional, agora tens um Presidente da República que em vez de cumprir e fazer cumprir a Constituição, chamam a si o poder de decidir quando é que o “direito serve a política” passando a ter o poder de ignorar a Constituição.

Deixamos de ter um Presidente que está obrigado a cumprir e fazer cumprir a Constituição, tal como jurou quando tomou posse. Agora temos um Presidente que se sente acima da Constituição e acha que tem poderes para decidir que leis devem ou não estar sujeitas à Constituição.

Mas também não foi o único a transforma r a Constituição numa espécie de “penico” do regime. O PCP que costuma achar que é um mais fiel interprete da Constituição, defendeu algo parecido, que as medidas correspondiam ao cumprimento da Constituição e por isso pouco importa que a lei seja inconstitucional. Os fins justificam os meios e tal como Deus escreve direito por linhas tortas, o PCP aplica a Constituição através de leis inconstitucionais.

Enfim, ao menos ainda todos respeitamos o Código da Estrada.

quinta-feira, fevereiro 11, 2021

O DISCURSO

Se votei no candidato Marcelo confiante em que era o que melhor defenderia a democracia, não me arrependi. No seu primeiro discurso importante depois das eleições Marcelo rebelo de Sousa disse o que eu esperava ouvir de um presidente fiel à Constituição e valores democráticos que defendo. 

Os candidatos a salvadores foram dispensados, o que precisamos não é de vacinas contra a democracia mas sim de vacina contra a covid-19. Goste-se ou não de Marcelo, a verdade é que arrumou com os apelos a esquemas duvidosos. Era o que eu esperava dele e por isso não me desiludiu. 

Depois da intervenção do primeiro-ministro, o Presidente da República fez o que um líder de uma república democrática deve fazer, ser fiel á Constituição, assumir-se como representante de todos e ser solidário com o Governo. 

PS: sobre a senhora bastonária não me pronuncio, é uma pessoas menor que conheço de vista do Sem Espinhas, na Praia do Cabeço, onde terá comido muito bem por conta dos seus colegas. Sobre ela e sobre as personagens com quem anda pró aquelas bandas só tenho a dizer que às vezes a minha praia preferida é mal frequentada.

segunda-feira, fevereiro 08, 2021

UMA GRANDE CAMPANHA DE VACINAÇÃO



 

Vacinar milhões de pessoas com vacinas que são transportadas e conservadas com recurso a temperaturas negativas extremas, vacinar lares, pessoal médico e grupos prioritários ao mesmo tempo que o país luta contra uma terceira vaga imparável, mobilizar os recursos humanos dos centros de saúde para a vacinação quando estes centros têm de compensar a incapacidade por parte dos hospitais de responder a muitas situações. 

Fazer tudo isto hierarquizando os cidadãos, sabendo-se que as bases de dados não estavam preparadas para esta tarefa, que os recursos administrativos na saúde são escassos, que muitos doentes de risco são “desconhecidos” no SNS por não terem médico de família, analisar todos os pedidos vindo de cidadãos considerados nos grupos prioritários que não estão registados nos centros de saúde. 

Fazer tudo isto, ajustando as prioridades redefinidas para acorrer a grupos inicialmente esquecidos, num ambiente se suspeição e com gente como a Ordem dos Médicos a promover petições depois de terem feito as suas propostas. Decidir sobe a atribuição da vacina a milhares de cidadãos idosos ou com morbilidades, sabendo que ao mais pequeno engano pode ocorrer uma denúncia e um pequeno descuido conduz à suspeição e ao risco de enfrentar uma acusação por parte do MP. 

Nos dias que passam não deve ser fácil trabalhar na saúde, num dia o pessoal dos centros de saúde e dos hospitais são heróis, no outro são vilões porque um médico de medicina interna com 70 anos foi vacinado “indevidamente” porque alguém se enganou na ficha e escreveu que era cirurgião, um escândalo que levou a uma heroica demissão do senhor das vacinas. 

Fazer tudo isto trabalhando horas a fio por um país que os tem tratado tão mal, que com o Paulo Macedo como ministro iam sendo reduzidos financeiramente a domésticas. Gente que não cobra as horas extraordinárias que faz num contexto de guerra, que recebem ordenados miseráveis, com médicos especialistas que ganham menos do que muitas empregadas domésticas bem sucedidas. 

É verdade que vimos muitas situações oportunistas, desde bois sem escrúpulos a senhores misericordiosos sem limites no oportunismo. Mas é importante que estes velhacos não nos façam esquecer o esforço feito por muitos milhares de pessoas do SNS, que a troco de quase nada e muitas vezes a vacinarem outras pessoas quando os próprios não foram vacinados e mesmo assim não deixam de mostrar um sorriso no rosto. 

É verdade que somos um país cheios de velhacos, que à primeira oportunidade vão para o CHEGA ou outra coisa qualquer falar mal do país, mas também é verdade que são muitos mais os que estão dando o seu melhor por uma campanha de vacinação que nunca poderia ser exemplar, mas que apesar da falta de recursos e dos oportunistas do costume, não fica atrás de nenhum país.

quinta-feira, fevereiro 04, 2021

JUMENTO DO DIA

 


   
Francisco George

A gestão de Francisco George à frente da Cruz Vermelha está para o Hospital da Cruz Vermelha como a filoxera esteve para as vinhas do douro, a situação chegou a um ponto em que a gestão do hospital foi entregue à Santa Casa. Mandaria o bom senso que este senhor tivesse algum pudor em relação a tudo o que se relacione com aquela unidade hospitalar. 

Mas não, o homem parece ter alguma pedra no sapato e à primeira oportunidade atacou. Fê-lo de forma pouco digna, pondo em causa a honorabilidade dos seus responsáveis, invocando informadores pessoais par dizer que houve vários casos de vacinas indevidamente dadas a quem não tinha direito a ela. Sobre isso esperemos que a auditoria do ministério da Saúde esclareça e vamos ver se o senhor se retrata se vier a provar-se que os seus bufos são tão incompetentes como ele foi na gestão daquele hospital. 

Tudo isto é muito ridículo e miserável, o médico que foi vacinado é um internista com 70 anos, um médico com uma especialidade preciosa nos tempos que correm, com tanta falta de gente com habilitações para trabalhar em unidades de cuidados intensivos. Neste caso há uma violação das regras, mas também há incompetência de quem as redigiu, como se explica que um internista com 70 anos não possa ser vacinado e nos lares das misericórdia só os gatos é que não são vacinados, porque só os cães é que têm sido contagiados? 

Por fim, sugiro que seja atribuída ao Francisco George, depois deste senhor se gabar de não ter sido vacinado apesar de lhe terem oferecido tal possibilidade só posso sugerir que seja promovido a herói, não só por se ter recusado, mas por não dizer quem são os seus amigos que ele não denunciam e andam a oferecer vacinas a quem não tem direito a elas.


[tsf]