quarta-feira, novembro 24, 2021

PATACOADAS


A ministra da Saúde tem toda. Razão, se os médicos do SNS fossem tão resilientes como o ministro Eduardo Cabrita, formar-se-iam filas de médicos à entrada da Caixa Geral de Aposentações a exigir que a idade limite para se trabalhar no Estado passasse a ser de 90 anos.

Quando as coisas correram bem e os profissionais de saúde deram o seu melhor a ministra desdobrou-se em homenagens, mas agora que não pode proibir os médicos de saírem do Estado recorrendo aos poderes o Estado de Emergência e é confrontada com uma realidade que nos obriga a questionar a competência dos responsáveis políticos pela saúde, a ministra comete uma asneira colossal.

Sugerir que um profissional que muda de emprego saindo do Estado é pouco resiliente, o que linguagem comum quer dizer que são cobardes é algo que não se esperaria de alguém com responsabilidades políticas.

Agora sabemos que o modelo de profissional e de político é o resiliente Eduardo Cabrita, para não referir alguns ministros que deveriam criar uma AMA, Associação dos Ministros Anónimos. É o caso, por exemplo, da ministra da Saúde, desde que nos primeiros dias da pandemia que declarou que a pandemia seria um bom negócio para Portugal, porque iríamos exportar muitos suínos para a China, que esta senhora nunca mais foi vista.

Com patacoadas destas o PS arrisca-se a ter uma grande surpresa nas próximas eleições legislativas.

sexta-feira, novembro 12, 2021

PAULO RANGEL

 


Há políticos de que gosto e políticos de que não gosto, Rangel está numa categoria diferente, não passou nos psicotécnicos para ser avaliado como politico. Desde que esta criatura apareceu na política, uma espécie de almondega vinha do CDS, nunca consegui levá-lo a sério.

Felizmente o homem tem-se em maior conta do que a que resulta da minha avaliação e nunca desistiu de chegar ao topo da vida política. Por isso, chegada a hora e empurrado por aqueles que sabem que não é o momento apropriado para o assalto ao poder, vulgo pote, decidiu avançar. 

É um daqueles ciclistas que fogem do pelotão ms ninguém leva a sério, Rangel sente-se neste papel e encetou a sua fuga, apostou num golpe de sorte. Melhor, em dois golpes de sorte, já que se conseguir descolar de Rio ainda terá de ultrapassar Costa, que já vai a meio da montanha.

Em tempos alguém que conhecia bem um dos mais vaidosos ministros de Cavaco Silva, contou-me que o homem fazia belos discursos com base em artigos de revistas estrangeiras, de onde ia retirando ideias, dados e citações. Quando ouço Rangel discursar imagino-o, na note anterior, a folhear revistas estrangeiras, documentos do Parlamento Europeu e livros de notas, de lápis enfiado na orelha.

Por mais que este canário cante irei sempre desconfiar que debaixo da gaiola está um gravador. 

quinta-feira, novembro 11, 2021

NOTAS BREVES, OU NEM TANTO...


 


Apesar da pouca vontade de comentar a nossa vida politica, não resisto à tentação de fazer alguns comentários ao que vou vendo por aí.

Antes de mais, valeria a pena recuperar o velho aviso das televisões: “Pedimos desculpa por esta interrupção, o programa segue dentro de momentos”. Aplica-se a muito do que temos visto estes dias.

Foi do que me lembrei quando vi a CGTP fazer uma espera ao ministro da Economia, recuperando o estilo sindical do incansável Mário Nogueira, de quem todos temos saudades. Mal o PCP decidiu atirar para a sucata uma geringonça que há muito estava desengonçada, que recuámos um bom par de anos. Nada mudou, o PCP volta a ter a maioria absoluta nas ruas, para usar a expressão em tempos inventada por Jerónimo de Sousa.

No domínio da saúde também poderíamos usar o aviso, com a partida do vice-almirante assistimos ao regresso em força das libelinhas, besouros e outros bichos com que a diretora-geral de Saúde se gosta de embelezar quando vais às televisões. O problema é que não foram só as libelinhas a aparecerem com o frio, foi também a quinta vaga, a confusão nas vacinas.

Ali para os lados da tropa as coisas estão a ficar divertidas , parece que um negócio de contrabando de diamantes de sangue feito graças aos controlos ineficazes ou mesmo ausentes nas chegadas de aviões militares. O exército português é notícia à escala mundial e, por cá, desde políticos a militares, todos concordam que a tropa saiu prestigiada!

Bem, depois de termos inventado heroínas porque Portugal é dos países do mundo onde a pandemia matou mais gente por 100.000 habitantes, ainda alguém se vai lembrar de propor uma condecoração para o ex-sargento pois graças ao seu contrabando ficámos bem vistos.

Para acabar, dou conta de uma dúvida que me tem assaltado. Se das eleições legislativas resultar um cenário parlamentar idêntico ao atual, o que vai acontecer? Costa vai apresentar o orçamento B? Jerónimo de Sousa vai dizer a CGTP para deixar de chamar nomes aos ministros e aceita uma reparação da geringonça? A Catarina Martins vai exigir que a Mariana Mortágua seja ministra das Finanças como previu o eterno Louçã, o nosso cardeal do trotskismo?

Desconfio que tudo ficará na mesma, ou Jerónimo ceita a geringonça, ou o PS descobre que o PSD de Rio é mais próximo do OS do que este do PCP, ou o inimitável Marcelo dissolve outra vez o paramento e pede desculpa por mais esta interrupção.

Livres do Passos Coelho, da troika e com ageringonça atirada para o caixote dos aparelhos avariados, no super mais próximo, regressámos ao Portugal do costume.





terça-feira, outubro 26, 2021

ESPECTÁCULO TRISTE

Às vezes fico com a impressão de que para muitos dos nossos dirigentes partidários os comportamentos partidários são muito semelhantes aos dos especuladores na bolsa. Não há nada que se observe na bolsa que não se encontre no comportamento e decisões dos nossos políticos.

Diria mesmo que a política é ainda um pouco pior do que o jogo da bolsa, já que aos comportamentos típicos d bolsa se junta os dos jogos, com batota, bluffs e outras jogadas, que nada têm que ver com o interesse do país.

Estarão preocupados com o país ou o que os move é o número de dirigentes que empregam no Parlamento? Infelizmente parece que a última coisa com que se preocupam é com “os pobres”, em nome dos quais todos falam. Lamentavelmente, acabam por fazer o jogo da extrema-direita.

É difícil ter paciência com negociadores que desde o primeiro momento estão fazendo bluff e por mais contrapartidas que lhes sejam dadas, sabem que no fim vão recusar qualquer acordo. O cinismo é tanto, que ainda vão dizer que as boas medidas foram as que exigiram e lhes foram concedidas, antes de abandonarem as negociações.

Estes debates orçamentais começam a roçar o vergonhoso e ver o principal instrumento de política económica de um Estado ser tratado desta forma não dignifica nem o primeiro-ministro, nem os líderes da esquerda conservadora. Correm um sério risco de perceberem isso no caso de se realizarem eleições antecipadas.

sexta-feira, outubro 15, 2021

SÍNDROMA DO BX

A elite do PSD sofre daquilo a que poderíamos designar pela síndrome do Citroen BX. Desde que Cavaco deu a golpada em Balsemão e esteve 10 anos a dar cabo do futuro deste país, que no OS todos jogam na lógica do assalto ao poder no momento mais apropriado.

A segunda vítima deste tipo de golpada foi Marcelo Rebelo de Sousa, que agora na qualidade de presidente deve recordar-se bem do que o Durão Barroso lhe fez. Acusado de aproximação a Paulo Porta Marcelo foi despachado pelo famoso Cherne quando já cheirava a poder. Depois foi o que se viu, juntou-se ao CDS, Paulo Portas comprou os submarinos e acabaram por ficarem muito felizes para o resto das suas vidas.

Parece que Rui Rio vai ser a terceira vítima desta síndroma, O Moedas destapou a garrafinha do cheiro a palha e foi o que se viu, o PSD entrou em excitação e até já contam com eleições antecipadas e uma vitória da direita, certamente com o Ventura a fazer de Paulo Portas.

Já houve um tempo em que o Passos Coelho e os seus falavam em refundação do PSD e até convidou o Balsemão para liderar o processo. Mas com a crise das dívidas soberanas aprendeu que para chegar à manjedoura deste país nem sequer é necessário programa, basta dar o golpe no momento certo.

quinta-feira, outubro 14, 2021

CEGUINHOS OU IDIOTAS?




O OE é o mais importante instrumento de política económica. Não se esgotando nele a estratégia de um governo num horizonte de médio/longo prazo, é sem margem para dúvidas, o documento onde um país pode perceber o que pretende um governo.

O que pretende o governo e os partidos ou deputados que ocasionalmente o apoiam para o futuro do país?

Infelizmente, a primeira imagem que a Geringonça e as várias soluções políticas mais ou menos desengonçadas nos têm dado é de uma ausência de visão de futuro, as negociações orçamentais são condicionadas pela lógica deste tipo de negociações, a uma perspetiva imediata.

O PCP quer mostrar aos seus eleitores umas “reconquistas de Abril”, para justificar uma coisa que parece ser-lhe muito difícil, viabilizar um governo que governe à esquerda ou, para ser preciso, menos à direita do que sucederia comum governo PSD ou PSD/CDS/CHEGA.

O BE só aceita apoiar um OE se provar que graças ao voto dos seus deputados manda mais no OS do que o PCP e que graças a ele se conseguem grandes conquista. No ano passado a linha vermelha era o Novo Banco, num ano a linha vermelha desapareceu do seu debate político.

Em cinco orçamentos ainda não se viu um que mostrasse o que se pretende pra o país, todos os anos o OE é condicionado por um ritual exibicionista por parte dos pequenos partidos da esquerda conservadora. 

Enfim, cheira-me que esta estratégia ridícula por parte dos líderes da esquerda vai acabar por parir o pior governo de direita da história de Portugal.