sexta-feira, julho 20, 2018

MANHAS E BABOSEIRAS


Alguns partidos têm vindo a desenvolver truques para alimentaram o seu próprio argumentário político, fazem propostas no parlamento sabendo que não serão ou não podem ser aceites par depois usarem isso como acusação grave contra o governo.

O primeiro partido a recorrer a este estratagema de autoalimentação do seu próprio cardápio político acusatório foi a Assunção Cristas, faz propostas orçamentais inviáveis para depois vir dizer que o governo não lhe aceita uma única ideia. O PCP e o BE, que nestas coisas parece aprender depressa, têm vindo a usar esta estratégia.

A última rasteira montada foi a proposta de eliminar as portagens da Via do Infante e a rápida requalificação da EN125. Obviamente nada disto se resolve desta forma e o objetivo do PCP não era resolver problemas mas sim conseguirem um voto negativo para depois irem para o Algarve mostrar como resolviam os problemas de uma penada, mas o governo não deixa.

Isto não é política séria, são truques e manhas de gente que tem pouco respeito pela inteligência dos portugueses. Se os problemas do país fossem resolvidos de uma penada, como votos da treta no parlamento que bom que era. Fazia-se uma sessão parlamentar sem hora de encerramento e de uma única vez resolviam-se os problemas, até se aprovava a criação de uma praia na Messejana e outra na Amareleja.

O truque funciona, faz-se a proposta, um qualquer deputado Sá corre para os jornais e depois centenas de militantes entopem o Facebook com a denúncia dos que não querem o progresso. Como isto é um imenso Portugal dos pequeninos, os militantes locais já estão a montar ratoeiras idênticas nas assembleias municipais.

O debate político no país é cada vez menos sério e em vez de servir para resolver os problemas das populações servem para o Jerónimo, a Catarina Martins ou a Cristas terem antena para dizerem umas baboseiras eleitoralistas.

quinta-feira, julho 19, 2018

NÃO HÁ DINHEIRO

Quem quer saber qual o argumentário da direita vai ao Observador e lê os artigos dos ideólogos da extrema-direita chique, o prato da época é sugerir que não há dinheiro. Primeiro vinha o diabo, depois que havia austeridade, agora sugerem que não há dinheiro.

Confesso que começo a ter pouca paciência e a começar a ter vontade de chamar os bois pelos nomes. Mas há algum idiota que julgue que a não ser no tempo do Cavaco Silva, quando choviam ecus em Portugal, alguma vez houve fartura de dinheiro em Portugal? Que me recorde a única pessoa que tentou alegrar os portugueses anunciando a fartura foi uma rapariga que reparou na recuperação económica pelo aumento das filas de trânsito e que a determinada altura informou o país de que tinha os cofres cheios.

Quando um governo é mais rigoroso em termos orçamentais e reduz o défice tem necessariamente que ser mais rigoroso. É hipocrisia vir dizer que não há dinheiro ou, como outros que se dizem mais à esquerda, culpar a falta de meios nos hospitais porque um país paga o que deve. Isto chega a ser ridículo, aqueles que defendem que o Estado deve pedir emprestado para investir naquelas que arvoram como suas causas, acham que esse aumento da despesa deve ser financiado pelo não pagamento de dívidas que foram feitas com o mesmo objetivo. Sejamos sérios.

Quer a extrema-direita chique, quer a esquerda conservadora estão a perder o tino, produzindo argumentos que só merecem uma gargalhada.

quarta-feira, julho 18, 2018

SER DESONESTO


«As redes sociais (sempre as redes sociais) inflamaram-se quando alguém partilhou uma imagem do deputado comunista António Filipe na sala de espera de um hospital privado. Como é costume, indignaram-se mal. O problema não é um comunista ir a uma instituição privada, até porque ele terá seguramente acordos com a ADSE, o sistema de saúde dos funcionários do Estado. O problema é apenas uma pequena parte dos portugueses – esses que beneficiam da ADSE – terem aquilo de que António Filipe poderia estar a tirar partido: escolherem o médico a que vão. Os demais ou têm dinheiro para o pagar, ou estão condenados ao SNS.» [Observador]

José Manuel Fernandes, um conhecido ideólogo da direita que adquiriu os valores éticos na escola do Voz do Povo começa um dos seus artigos no Observador com um parágrafo que só pode ter uma leitura, falta de honestidade. Como é que o JMF sabe que um deputado do PCP só pode estar numa sala de espera de um hospital privado, com base numa fotografia tirada de forma insidiosa? Quem lhe garante que o deputado aguarda uma consulta? Quem lhe disse que o deputado é ou não beneficiário da ADSE? Porque acha que o deputado não pode ter um seguro de saúde.

A extrema-direita não se perde de amores pela honestidade intelectual, prefere a insinuação e a manipulação, algo que não é muito grave pois os seus admiradores pensam da mesma forma e darão por verdadeiras as suas insinuações. Como é comunista não devia estar num hosspital privado, mas como é um burguês consegue lá estar graças à ADSE que é paga pelos pobres que vão ao SNS. É esta a insinuação porca que este ideólogo pretende passar aos mais imbecis ou aos que são voluntariamente imbecis.

Outra insinuação que só revela falta de honestidade é o chorrilho de asneiras que o JMF diz da ADSE, com base em pressupostos que ele sabe serem falsos. Estará esta pobre criatura esquecida do que se disse e escreveu sobre o aumento das comparticipações dos funcionários que aderiram à ADSE? Desconhece esta criatura que foi notícia na comunicação social que a ADSE tinha um balanço positivo? Ignora este senhor que quando um cidadão beneficiário de um sistema privado de saúde, que paga do seu bolso, seja a ADSE ou um seguro de saúde, na prática alivia o SNS dos custos dos seus tratamentos?

É óbvio que este ideólogo de uma certa extrema-direita chique, que dá ares de grande categoria intelectual, sabe disto e muito mais. Mas acima de tudo sabem usar a mentira, a insinuação e a manipulação.

terça-feira, julho 17, 2018

JOÃO SEMEDO


Não gostava especialmente dele mas admirada a sua coerência, sempre defendeu as suas ideias de forma tenaz e austera, sem espetáculo, sem se aproveitar dos momentos de cada agenda. Não trabalhava para likes ou selfies, defendia o seu programa e em especial o seu SNS, fê-lo até ao fim, mesmo quando sabia que seria a última coisa para a qual tinha forças.

Não sou dado a funerais e obituários, não costumo evocar falecidos, deixando a tarefa a amigos e companheiros. Mas neste caso abro uma exceção, porque o homem que morreu merece a homenagem que os honestos merecem, dedicou-se às suas causas, algumas delas eram nossas, outras não, mas pelo a pensar no bem público.

No mesmo jornal onde onde dou de caras com a notícia da sua morte ficou a saber que os que ajudaram Oliveira e Costa a empurrar o país para o primeiro buraco que foi o lodaçal da nossa crise financeira, ganham mais do que um Presidente da República e para ganharem mais de 12.000€ apenas têm que fazer nada, isto é, são pagos para gozar com os portugueses e, em especial, com os mais pobres, aqueles de quem Passos Coelho dizia que tinham cometido o pecado da gula, algo que pessoas como o Vítor Bento se apressaram a dar forma de teoria económica.

São dois países diferentes, o país onde se debate ideias e se luta pelo bem comum, independentemente de se ser da direita ou da esquerda e o país da fussanguice do enriquecimento fácil do Porshe Cayenne para mostrar à vizinhança, da casa na Quinta do Lago, do fato do Rosa & Teixeira ou das festas nas praias algarvias.

Hoje, mais uma vez como sucede quase sempre neste país, ganharam os segundos.