quinta-feira, janeiro 17, 2019

PRENDERAM O ROBIN DOS BOSQUES DA JUSTIÇA


Andamos há muitos meses a assistir a uma novela que poderia chamar-se “O Robin dos Bosques da Justiça portuguesa”, um assaltante justiceiro muito original já que enquanto o inglês era o inimigo número um do Xerife de Nottingham, o nosso Robinzinho parecia ser muito apreciado pela justiça.

Nalgumas estações de televisão, onde muitos advogados optam por acompanhar os processos já que dá mais trabalho ir aos departamentos da justiça. Principalmente quando ainda estão em segredo de justiça, o Robin dos computadores era muito apreciado. Muitos jornalistas deste país não se cansavam de justificar a impunidade do seu Robin, já que graças a ele se podia apanhar tudo o que era criminoso.

Já que em democracia há limites aos poderes policiais e estes são condicionados e controlados para evitar abusos, dava muito jeito haver alguém que não respeitasse quaisquer regras ou direitos constitucionais, obtendo provas que depois caberia à justiça ir verificar. Foi assim que foram abertos vários inquéritos, com base nos quais se promoveu a técnica do arrastão, daí resultando mais processos.

Na hora de justificar a ineficácia nas supostas tentativa de acabar com a carreira criminosa do Robin os nossos xerifes justificavam que entrar em computadores alheios era um crime menor. Mas parece que, afinal, há crimes maiores e lá prenderam o rapazola. Enfim, coincidência ou não parece que a invasão da PMLJ levou ao fim da carreira do mariola.

terça-feira, janeiro 15, 2019

MAS QUE GRANDES OPOSITORES!



Quem ouviu as críticas de Montenegro a Rui Rio a propósito da forma como o atual líder do PSD faz oposição ao governo de António Costa, não pode deixar de se lembrar que o atual líder do PSD foi eleito em meados de janeiro de 2017 e a sua direção foi escolhida no congresso realizado um mês depois. Isto significa que até Fevereiro de 2018 o líder do PSD foi Passos Coelho e durante mais de um ano, Monetenegro só abandonou o parlamento em fevereiro de 2018, tendo sido líder parlamentar do PSD durante até julho de 2017.

MAS qual foi o estilo de oposição de Passos Coelho com Montenegro e Hugo Soares como líderes parlamentares do PSD? Foram muito aguerridos, fizeram propostas, discutiram as soluções do Governo?

A resposta e as imagens que ficam desse período é a do trio maravilha rir até às lágrimas, numa sessão encenada para desvalorizar Mário Centeno na sua ida ao Parlamento, a recusa em debater o OE 2016 e a encenação da reunião das cortes de Albergaria-a-Velha onde foi apresentado o OE 2017 de uma espécie de governo no exílio e a invenção de vários mortos e feridos devido a suicídios e tentativas de suicídio durante os incêndios de Pedrógão Grande.

Quando as hostes do PSD estavam preocupadas com a ausência de oposição da liderança de Passos Coelho o agora destemido Montenegro não ficou nervoso e muito menos empertigado, bastou-lhe a promessa de que o diabo chegaria no mês de agosto., Só que o diabo não apareceu e o diabrete do Montenegro, que entretanto tinha abandonado a liderança parlamentar um mês antes da viagem agendada pelo mafarrico, ficou calado.

Montenegro, Hugo Soares, Paula Teixeira da Cruz, Luís Montenegro e muitos outros que agora estão preocupados com o PSD, andaram um ano a divertir-se contando que o diabo viesse, a oposição que fizeram foi apostar na desgraça do país, pelo que consideraram que o melhor era esperar pela vinda do belzebu que os levaria ao poder ao colo da Troika. Enfim, esta gente não vale mesmo nada e ainda bem que o país se livrou deles, agora é a vez do QUE resta do PSD liberto da extrema-direita chique acabar com o processo de higienização iniciado nas legislativas de 2015.

Por fim, vale a pena lembrar que Montenegro era contra as diretas, parece que mudou de opinião:

“Creio que o PSD não precisa de legitimar as suas lideranças por essa via. Não há no panorama político e partidário português essa tradição e a experiência que houve no Partido Socialista foi um perfeito fracasso”

segunda-feira, janeiro 14, 2019

OS COLETES LARANJAS SAÍRAM À RUA

Depois do fracasso da manifestação da extrema-direita rasca que foram ao Marquês com coletes amarelos, foi a vez da extrema-direita chique se manifestar com os seus coletes laranja, só que sendo gente mais fina em vez de terem escolhido a rua optaram por se manifestar na São Caetano à Lapa e no Palácio de Belém.

A verdade é que o líder dos coletes laranjas só não ficou a falar sozinho porque o Marcelo achou que um pedido de audiência do advogado das autarquias de Espinho e Vagos merecia prioridade, merecendo o líder dos coletes laranja um tratamento protocolar ao nível do líder do maior partido da oposição.

Não sabemos o que o colete laranja a Marcelo, sabemos apenas o que com ares de galo-da-Índia disse aos portugueses que não fizeram zapping por distração ou porque tiveram pachorra para o ouvir. O que a pobre personagem veio dizer corresponde a um dito popular muito conhecido, que quem não chora não mama. Montenegro veio chorar porque há muita gente da extrema-direita chique de Passos Coelho que anda a passar mal.

Nunca imaginaram que Costa conseguiria aquilo a que julgando ser uma brincadeira designara de geringonça, os que não tinha lugar parlamentar ficaram a ver navios, até o pobre Passos Coelho teve de desenrascar a dar umas aulinhas a título de favor, porque desta vez nem o Ângelo Correia se chegou à frente. Com as eleições europeias à porta era a ocasião para se manifestarem, até porque num cenário de uma maioria absoluta do PS ficarão condenados a ter de mudar de ramo.

Tal com a manifestação dos amarelos a dos laranjas foi um falhanço, não têm ideias, não têm projeto, apenas querem derrubar quem está no governo ou no PSD.

sexta-feira, janeiro 11, 2019

UM MONTE DE CACA

Enquanto Passos Coelho permaneceu na liderança do PSD este partido foi caindo nas sondagens, o ex-líder, tal como o Montenegro e montes de apoiantes da liderança da extrema chique, andou um ano a aguardar a vinda do diabo. O diabo não veio e de forma cobarde os apoiantes de Passos Coelho preferiram retirar-se.

Fosse qual fosse o resultado eleitoral da liderança de Rui Rio seria sempre desastroso para um PSD cujos militantes se habituaram às mordomias do poder. A seguir às legislativas a extrema-direita chique estaria de regresso para derrubar Rui Rio. Um governo minoritário ou uma nova geringonça seria sempre um governo vulnerável e havia a esperança de regressarem ao poder segundo a fórmula habitual do PSD desde Durão Barroso, em situação de crise política e com a ajuda da esquerda conservadora.

Mas um cenário de maioria absoluta do PS deitaria por terra todas as esperanças, mais cinco anos de estabilidade política, de relações normais e cooperantes entre órgãos institucionais seriam um desastre, até porque em Portugal o crescimento económico e a estabilidade andam de mãos dadas, seriam demais para esta geração. Por este andar Passos Coelho ainda chega a reitor sem ter a oportunidade de voltar ao governo.

É necessário impedir uma maioria absoluta do PS a qualquer custo e é isso que obrigou Montenegro a sair do conforto da sua toca, ele sabe que é um morto vivo da política portuguesa que será devidamente cremado no dia em que o PS tiver uma maioria absoluta. A sua decisão de tentar derrubar Rui Rio nada tem que ver com os interesses do país ou do PSD, é o desespero de quem vê na instabilidade política e na desgraça coletiva a única forma de ter valor.

Compreende-se o desespero, esta gente da extrema-direita fina não passa de um monte de caca e precisam do acesso ao poder para viverem à custa do dinheiro dos contribuintes. Estamos perante um verdadeiro monte de desespero.

segunda-feira, janeiro 07, 2019

AGORA É FÁCIL


Quem ouve os políticos e economistas da direita fica com a sensação de que os seus governos foram modelos de rigor e equilíbrio orçamental. Há uns meses atrás foi o Rui Rio que defendeu excedentes orçamentais, desde então umas décimas de défice é estar muito aquém do desejável. A última voz a defender excedentes orçamentais como algo de absolutamente normal foi a do diretor da escola de gestão da Universidade Católica.

É bom lembrar que Passos Coelho fez o que fez e nunca conseguiu cumprir as metas orçamentais. A ideia de que terá cumprido as metas em 2015 é falsa pois fê-lo à custa de artimanhas que deveriam ter conduzido à vinda do diabo em 2016, já que promoveu uma antecipação brutal de receitas fiscais de 2016, designadamente, através da retenção dos reembolsos do IVA e da adoção de taxas elevadas de retenção de IRS.

Mas Passos Coelho não é um caso único de falhanço nas contas públicas, Manuela Ferreira Leite cometeu o mesmo pecado com Cavaco Silva e com Durão Barroso. Com Cavaco o governo foi obrigado a pagar vencimentos com títulos do Tesouro e a preparar um mega despedimento de funcionários que não chegou a ser concretizado. Com Durão Barroso a então ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite vendeu muitas dívidas fiscais quem eram incobráveis, obrigando o governo que a sucedeu a substituir dívida má por dívida boa, isto é, a então ministra sacou receitas futuras para ajeitar as suas contas e mesmo assim deixou o país à beira da crise financeira.

Pela forma como agora falam fica-se com a ideia de que os bons em contas públicas são eles e o mau é o Mário Centeno. Não só conseguiriam ter excedentes, como promoveriam o investimento público, dariam tudo o que os enfermeiros querem, financiariam o SNS, construiriam todas as alas pediátricas, aumentariam os rendimentos.

Nada mais fácil, faziam tudo isso e ainda sobrava dinheiro.

sexta-feira, janeiro 04, 2019

VAI UMA APOSTINHA?

Não vou ter sorte nenhuma, mas deixo aqui uma aposta para os amigos: querem apostar como nenhum dos nossos santos padroeiros do combate à corrupção, a começar no líder do sindicato que tinha patrocínios do BES à ex-Procuradora-Geral vão fazer qualquer comentário sobre a sentença dos vistos gold?

Vão esquecer-se dos muitos comentários que fizeram sobre tudo e mais alguma coisa, mas agora, se algum jornalista lhes quiser tirar uma opinião vão dizer que não comentam sentenças. 

O que terá a ex-Procuradora-Geral a dizer do processo de difamação e destruição da carreira a que foi sujeito o ex-director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras? O que dirá a ex-Procuradora-geral da forma abrupta como acabou a carreira de alguém agora que ainda não digeriu não ter chegado aos 7º anos como Procuradora-Geral? O que acharão essas santidades da prisão preventiva a que o homem foi sujeito?

O mais cínico disto tudo é que esta gente, que certamente dorme descansada todos os dias, ainda terão a distinta lata de argumentarem que ao ser ilibado Jarmela Palos e Miguel Macedo fez-se justiça. Mas será feita justiça em relação aos que gastaram centenas de milhares de euros e que destruíram a vida de dois altos quadros da política e do Estado. Quem vai reparar a imagem de um país corrupto que este e outros processos promovem, talvez para que um dia destes tenhamos um qualquer Bolsonaro de Mação no poder?

Não apostem porque vão perder, nenhum dos responsáveis da nossa justiça, essa justiça que gasta os recursos a destruir pessoas, vai dar a cara, desta vez a ex-Procuradora de Lisboa vai dar entrevistas, a ex-Procuradora-Geral não vai festejar a sentença com champanhe e o sindicalista não convocará os jornalistas para desancar nos partidos. Ficarão todos caladinhos.


PS: Só mais uma apostinha:

Alguém quer apostar em como o Marques Mendes vai passar por esta sentença como raposa por vinha vindimada?

quarta-feira, janeiro 02, 2019

OS NOSSOS BOLSONARISTAS

A melhor forma de fazer eleger um qualquer Bolsonaro, pouco importando se é cabo ou capitão, é difamando a democracia e os seus políticos, algo a que assistimos diariamente no nosso país. E na liderança dos que difamam a democracia são os que usam a justiça para meter o país a ferro e fogo, com o objetivo de se promoverem a nossos heróis e forçar o país a adotar os governos que querem fazer eleger.

Vimos isso no Brasil com o juiz Moro a destruir políticos, ajudando a extrema-direita para depois se fazer escolher a si próprio como ministro todo poderoso. Não deixa de ser curioso como nos últimos anos temos assistido a laços cada vez mais íntimos entre algumas personagens da nossa justiça e gente da justiça brasileira. Aliás, os nossos não se têm cansado de elogiar os mecanismos de investigação e de condenação adotados pela justiça portuguesa, propondo a sua adoção em Portugal.

Todos os dias recebemos mensagens falando mal dos nossos políticos, apresentando-os como parasitas, ricos e corruptos. É comum a ideia de que a nossa classe política é constituída por políticos e corruptos, todos eles ganhando muito mais na política do que ganhariam nas suas profissões. A verdade é que os casos de corrupção em 40 anos de democracia são muito eduzidos se comparados com as dezenas de milhares de cidadãos que participaram ativamente na vida política, desde o modesto membro de uma Assembleia da República aos Presidentes da República.

Quem promove esta imagem dos políticos? A resposta é óbvia e basta ler os jornais dos últimos meses para percebermos que no topo da hierarquia do Estado só Marcelo Rebelo de Sousa se escapou à máquina trituradora dos processos judiciais difamatórios. Antes de se primeiro-ministro, António Costa foi alvo de supostas investigações por causa de uma casa. O seu ministro mais importante e presidente do Eurogrupo esteve sob ameaça da justiça e viu o seu gabinete invadido por polícias e magistrados, o presidente da principal autarquia do país também foi alvo de uma suspeita envolvendo a compra de uma casa.

Se recuarmos no tempo lemos dezenas de notícias de processos abertos para investigar políticos, chegando o processo difamatório ao ponto de uma associação de juízes ter recolhido os dados dos cartões VISA na condição de cidadãos para verificarem se podiam tramar alguns governante, o que fizeram em relação a dois porque supostamente terão comprados livros ou revistas. Qual era o objetivo da associação de juízes, combater a corrupção ou difamar a classe política?

A ideia de que a democracia está sendo destruída nas redes sociais com a participação de gente sem formação é mentira, quem mais tem contribuído para destruir a democracia é gente que está entre os funcionários que mais ganham em cuja formação o Estado mais investiu. Aliás, quem mais ajudou o Bolsonaro a chegar ao poder não foram os grupos no WhatsApp, mas sim o juiz moro que descredibilizou os candidatos que importava descredibilizar. Lá como cá é gente manipuladora, ambiciosa e com poder que está ajudando a extrema-direita. Lá como cá são os que deviam ser os primeiros a defender a democracia que parece que tudo fazem para a destruir.