quinta-feira, setembro 24, 2020

UM DESPORTO DE EMOÇÕES

Ao ouvir o secretário de Estado Adjunto e da Saúde justificar os estádios vazios  dizendo que o futebol é um desporto de emoções só podemos sentir vontade de rir, de mistura com alguma pena pelo senhor. Parece que o governante descobriu que há uma relação entre o contágio do vírus e as emoções.

Isto é, há desportos que emocionam ou que são apreciados por pessoas que se emocionam e por isso não podem ter assistência. Outros desportos não geram emoções ou são preferidos por pessoas que sabem conter as suas emoções, pelo que pode haver assistentes nas bancadas. Portanto as decisões do ministério da Saúde passam a assentar numa nova máquina, depois termos inventado a famosa geringonça, agora temos um emocionómetro.

Isto começa a parecer um país de doidos, de um lado temos gente que ignora os riscos de uma segunda vaga que conduza a um confinamento e à ruína do país e de todas as SAD desportivas, do outro, temos um governante que diz que as decisões das autoridades de saúde são adotadas em função das emoções dos cidadãos.

Ficamos a aguardar quais os desportos que emocionam e quais os que não mexem com as emoções. Visto de outra perspetiva teremos que considerar que mais do que as diferenças entre desportos, o que está em causa é a diferença entre adeptos. Parece que o pessoal fino do Estoril consegue ver uma final de ténis atirar perdigotos a esvoaçar sobre o green, enquanto com o pessoal da bola aquilo até parece uma largada de pombos.

Segundo esta lógica também poderemos pensar que há cerimónias religiosas ou religiões que emocionam mais do que outras, bem como dizer que os crentes das diversas religiões apresentarão resultados diferentes se forem testados no emocionómetro.

Enfim, começo a pensar que este país está cheio de palermas que insistem em não perceber que uma coisa é ser governante é medir o que se diz. Além de um emocionómetro parece que também andamos a precisar de um palermómetro.

terça-feira, setembro 22, 2020

NÃO SÃO FASCISTAS, SÃO IDIOTAS

Confesso que não entendo a gloriosa batalha antifascista que anda por aí a propósito de um tal André Ventura, um rapaz que depois de ter tentado usar o SLB para subir rapidamente na vida social, acabou por ir parar a Loures pelas mãos de Passos Coelho e daí a líder de um bando de imbecis, que viram na sua notoriedade na CMTV a oportunidade de reaparecerem na vida política.

André Ventura é fascista? Considero-o demasiado idiota para ser o que quer seja, André Ventura é um complexado que seria tudo o que fosse necessário para dar nas vistas. Não tem qualquer consistência ideológica, defende ideias de forma errática, hoje é racista, ontem detestava ciganos, agora persegue funcionários públicos. Não tem uma ideia própria, não tem uma ideia nova, anda nos caixotes do lixo em busca de ideias que tenham unido mais de meia dúzia de imbecis.

Em 10.000.000 de portugueses há um pouco de tudo, até há quem defenda os ideais do fascismo ou do comunismo, até é provável que circunstancialmente estejam a apoiar este rapazola ambicioso e com fracos recursos políticos. Mas promover André Ventura a grande líder fascista ou da extrema-direita é dar-lhe uma importância que não tem.

O rapaz não tem qualquer consistência ideológica, anda a ler o Correio da Manhã de ontem na barbearia do outro lado da rua, enquanto ajeita a popinha para saber qual a grande posição política de mais logo. Dar-lhe um estatuto que não tem nem merece é dar-lhe importância e é assim que o André Ventura tem crescido. Se é o inimigo público da esquerda é porque é bom e assim tem mais apoiantes fanáticos.

O rapaz tinha ambições, até avisou que se o PSD não se metesse na linha candidatar-se-ia à sua presidência e graças a um líder fraco daquele partido e a gente com a enfermeira da Praia do Cabeço até começa a ganhar o estatuto que nunca imaginou ter. Serão fascistas? Não desta vez vou elogiar os fascistas, estes Andrés e demais amigos física ou intelectualmente zipados não passam de idiotas.

segunda-feira, setembro 21, 2020

O DESMORONAR DE UM GRANDE PARTIDO

 O PSD era um dos grandes partidos da democracia, um partido que foi governo por várias vezes, que conquistou duas maiorias absolutas, que governou várias vezes em coligação com o CDS, que foi dirigido por homens de grande dimensão. Ainda que o seu nome não passe de uma contrafação política, o PSD sempre foi um partido do centro direita.

Rui Rio deu a primeira facada no património ideológico no seu partido, ao declarar que estaria disposto a dialogar com o Chega se mudassem um pouco a pintura da fachada o líder do PSD revelou uma falta de dimensão assustadora, mostrou que para chegar ao poder está disposto a tudo.

Abura vemos a enfermeira Ana Rita Cavaco sair da letargia para ir a Beja dar um beijinho ao André Ventura. Quanto ao beijinho apenas espero que lhe tenha transmitido alguma caganeira. O mais grave é a mistura de beijinhos com o é a forma como justifica o gesto

“O André foi meu colega no conselho nacional do PSD, onde eu já não estou e ele também já não está. Acho muito importante as pessoas terem atividade política, da mesma forma que a defendo para os enfermeiros”

Afinal não era apenas amizade, estava ali porque o André era do conselho nacional e porque acha bem que o extremista da treta tenha atividade. Vai ali porque quem deixa o PSD para passar a defender a xenofobia, a pena de morte, a castração e outras coisas merece o elogio. Isto é, são aqueles gloriosos combates do André Ventura a atividade político que merece uma ida a Évora para elogiar com a sua presença.

Será apenas a enfermeira do conselho nacional do PSD a mandar beijinhos ao André Ventura e a estar feliz pela sua atividade política? Provavelmente serão mais do que pensamos, mas têm um sentido do politicamente correto que a senhora não tem. Na vida política portuguesa há muito feijão fradinho e aqui a membro da comissão nacional do partido até merece um elogio por se dar ao trabalho de ir tão longe para ficarmos a saber em que estado está este PSD.

terça-feira, setembro 15, 2020

AS PRESIDENCIAIS DO POPULISMO

As próximas eleições presidências serão as mais pobres e desinteressantes da história da democracia portuguesa e pela forma pouco digna como o líder do PS anunciou que ele tinha decidido que o PS não teria candidato, é a primeira vez que umas eleições se decidem entre propostas populistas. A única candidatura com um programa assente em pensamento político consistente e não errático é a do PCP.

Marcelo não pensa, diz o que quer que os outros esperam que ele diga. É um pensamento ao sabor das águas da conveniência eleitoral e como todos os populistas diz o que acha que os seus eleitores gostam que ele diga.

Depois temos o Chega da direita e o Chega da esquerda. Um quer capaz os pedófilos quando a notícia é sobre pedófilos, quer dar poderes à polícia quando há conflitos com ciganos ou quer correr com africanos quando se fala de racismo, defende o que a sua clientela imbecil acha que deve ser defendido.

O Chega da esquerda é mais elegante mas não deixa de abraçar causas em função da gestão da imagem e a pensar mais em likes do que no país. Agora até defende que se possa invadir tudo através da eletrónicas desde que seja por uma causa boa, entendendo-se que é uma boa causa todas as que a Ana Gomes defende a pensar na sua boa imagem junto dos eleitores. Dantes a PIDE invadia tudo o que bem entendesse, agora a deputada defende o mesmo.

DO lado do BE temos do mesmo, basta ler os cartazes com que encheram o país defendendo que empresas que têm lucros não podem despedir, uma frase bonita que sabe bem no ouvido, mas que em matéria de populismo oportunista está ao nível de outros.

É uma pena que os líderes do PS e do PSD tenham optado por deixar o palco ao populismo, deixando que as presidências venham a ser decididas sem discutir o país com um mínimo de seriedade. Enfim, um dia destes peço a nacionalidade espanhola por opção, direito por ser filho de espanhola e neto de uma mulher que foi refugiada e indocumentada no meio das serras algarvias desde 1938 a 1976 e em vez de defender os ideias da república espanhola que me pariram ainda dou comigo em filipista.

Quando discutirem o peso dos extremos não se esqueçam dos irresponsáveis que foram.

domingo, setembro 06, 2020

DEIXE UMA JANELINHA ABERTA MERETÍSSIMO

Imagino que o meritíssimo Carlos é um  juiz tão modesto que nem em Lisboa, nem na sua casa de férias terá muito para roubar. Mas como juiz terá certamente muita coisa que não merecendo ser escondido, não deixará de ter a sua graça.

Tal como o Rui Pinto também gostaria de ver as piadas que manda aos amigos pelo WhatsApp, pagava para saber se ele está mortinho por mandar o Costa para Évora, senão mesmo o próprio Marcelo. Quem não gosta de saber o que consta nas mensagens de e-mail ou de WhatsApp do supre magistrado que aterroriza meia classe política e é o modelo de virtudes de tudo o que está à direita do Rio e até de uma ex-eurodeputada do PS que descobriu as delícias populistas do eleitoralismo fácil e oportunista.

Por isso aqui fica um pedido ao juiz Carlos Alexandre, que nos dê as passwords e a chave da casa, porque sendo pessoa honesta e humilde nada terá a esconder quer de curiosos, quer de ladrões. Se não se importou de ver a sua correspondência vioada pelo Rui Pinto, também não se importará que lhe façamos uma visitinha.

Mas é bom sabermos que há meritíssimos generosos capazes de perdoar, a partir de agora se alguém assaltar uma casa onde nada há para roubar, se profanar o cadáver lde alguém que por estar nesse estado não pode morrer, quem violar correspondência da treta, quem roubar e levar ouro falso, toda essa gente será perdoada pelos meritíssimos generosos como o nosso supre Carlos.

sábado, setembro 05, 2020

QUEREM VER QUE FASCISTA SOU EU?

Ouvi dizer que ilustres personalidades vão testemunhar num julgamento de um tal Rui Pinto, ao que parece testemunhará um diretor da PJ, uma ilustre ex-deputada do PE e eventual candidata a candidata presidencial, um grande líder trotskista e mais algumas pessoas que não conheço nem me parece que deva ter interesse em conhecer. Se gente tão ilustre, defensora por estatuto político ou profissional da legalidade e dos princípios constitucionais, fico com a sensação de que desde que os plenários foram encerrados que não terá havido um julgamento político como o desse tal Rui, que pelo que dizem está entre os maiores defensores da democracia, desde que os capitães de Abril tiraram o país dessa letargia de ditadura e cobardia coletiva.

Mas há aqui qualquer coisa de errado. Acabámos com a ditadura para que os direitos constitucionais fossem respeitados, para que não existissem juízes armados em polícias e polícias armados em juízes, para que não nos violassem a privacidade e sem quaisquer regras.

Somos uma democracia e temos um estado de direito, os polícias não podem investigar qualquer cidadão só porque não gosta, desconfia dele ou é detestado por questões pessoais. Há regras para a investigação, não se investiga por investigar confundindo indícios sólidos com opiniões, ódios ou desconfianças pessoais. Não se investiga um escritório de advogados porque não gosto ou desconfio do patrão, não se invade a privacidade de um clube só porque soou do outro e quero destruir o rival.

Mas fico surpreendido quando vejo uma deputada em quem votei, um líder trotskista e um diretor nacional da PJ a testemunharem a favor de alguém que fez tudo isso, fico ainda mais surpreendido ao saber que os meus valores são considerados inimigos da sociedade em favor de alguém que defende que em vez de um estado de direito devemos estar sujeitos aos seus poderes ilimitados. Afinal o democrata e o defensor dos valores da democracia, é o Rui Pinto, que parece que tem um certificado assinado pela deputada, pelo grande líder e pelo diretor da PJ.

Esperem lá, mas se um perigosos assassino matar um político de que eu não gosto deve ser defendido por deputados e polícias que são a favor da pena de morte. E ainda vão concluir que com o homicídio o país ficou melhor e ainda poupou em burocracias judiciais?

Esperem lá, se um qualquer carteiro vigarista abrir toda a correspondência em busca de cheques de velhinhos e no meio das cartas encontrar uma carta com uma encomenda de droga deve ser protegido e ter direito a casa do estado porque é um herói no combate ao tráfico de droga.

Bem, parece que terei de me demitir de democrata. Se um diretor da PJ testemunha em favor da violação das regras mais elementares da democracia porque considera que os poderes absolutos dos antigos agentes da PIDE se justificam no combate ao crime. Se um líder proletário e uma ilustre deputada europeia do partido fundado por Mário Soares concordam com essa teses.

Enfim, o errado estou eu e terei de reformular os conceitos de democrata e passar a ser um refinado filho da puta. Talvez chegue a Presidente da República ou a governador do BP colocado no cargo por uma qualquer nova geringonça desengonçada. Tudo isto faz-me lembrar a anedota do compadre que foi apanhado no bordel a meio de uma rusga; uma era manicure, a outra cabeleireira e o pobre compadre exclamou “querem ver que a puta sou eu?” É assim que eu me sinto, no meio de um bordel.

O ERRO

Por mais que se tente transformar o debate em torno da realização da Festa do Avante numa gloriosa batalha entre fascistas e democratas, a realização deste evento foi um erro. Aliás, esta estratégia defensiva do PCP, tentando silenciar qualquer crítica sugerindo que se é fascista ou que ainda se acredita que os comunistas comem crianças é um segundo erro. Dois erros de uma linha dura bem mais ortodoxa do que a dos tempos de Álvaro Cunhal e Carlos Carvalhas, que não tem conseguido impedir a queda eleitoral do partido.

Um erro porque se é verdade que a extrema-direita dos que se curam do tabagismo olhando para o André Ventura, também é verdade que a generalidade das pessoas não entendeu este gesto do PCP e depois de tanto sofrimento humano e um rastro de desgraça económica se organizem festas com esta dimensão. É lógico que os profissionais de saúde, os que não foram aos funerais de parentes e amigos, os que adiaram casamento, os que deixaram de acompanhar as suas cerimónias religiosas, os que viram as empresas ficarem falidas, os que ficaram fartos de olhar para as paredes e muitos outros terão pensado porquê o PCP optou por não dar o exemplo?

Como se entender que a poucos dias da festa Mário Nogueira, um dos mais destacados e conhecidos militantes do PCP, tenha a uma semana da Festa do Avante e a duas semanas da abertura do ano escolar, abrir o debate em torno da abertura das escolas, sugerindo que ia fazer queixas contra o governo por não estar a garantir condições de segurança. Isto é, uma boa parte das pessoas deixaram de debater a Festa do Avante para ficar preocupada com as escolas. Uma manobra de mestre, mas que poderia levar muita gente a perguntar ao Mário Nogueira se neste contexto não estava preocupado que uma semana antes da abertura da escola ainda se rezasse pela vinda de magotes de ingleses ou que se realizassem festas com mais de uma dezena de milhares de pessoas.

A Festa do Avante não foi uma greve dos metalúrgicos, o debate de uma moção de censura ou a aprovação do programa de um governo, para que fosse transformada numa grande batalha política, com comunistas, democratas, pequenos e micro empresários e intelectuais progressistas de um lado e a direita do outro. Foi uma festa e foi assim que a maioria dos portugueses a viram.

Veremos no futuro próximo e depois de milhões de críticas, piadas e mensagens nas redes sociais o que é que Jerónimo de Sousa ganhou com a sua teimosia e total ausência de bom senso.

quarta-feira, setembro 02, 2020

BEM-VINDO AO DEBATE MÁRIO NOGUEIRA

Agora que o bastonário dos médicos é a vítima dos comentários mais assanhados por parte dos defensores do governo, já quase nos tínhamos esquecido de uma outra besta negra que nem a Geringonça ajudou a conseguir o perdão, o famigerado Mário Nogueira. Tenho de confessar que fiquei surpreendido quando o voltei a ver nas televisões, temos andado tão ocupados com outras bestas negras que e já nos tínhamos esquecido dele.

E o que é que o homem veio dizer a quinze dias da abertura do ano escolar e a meio do animado debate da Festa do Avante? Que se queixou a instituições internacionais porque o governo organizou o ano escolar sem o devido cuidado. Isto é, deixem lá de se preocupar com a Festa do Avante, onde vamos cantar a Carvalhesa como se cada um estivesse no topo de um marco geodésico, preocupem-se antes com a escolas onde os alunos vão matar os professores atirando-lhes perdigotos cheios de covid.

O ideal era duplicar instalações escolares e professores, fo5rmando e construindo edifícios à velocidade com que os chineses construíram o hospital covid de Wuhan. Além disso todos os que têm tensão arterial acima dos 13 deviam ser dispensados de dar aulas por serem cidadãos de risco. Mas como nada disto foi feito o Mário Nogueira foi queixar-se a instituições internacionais.

Esqueçam os ingleses que todos desejamos que venham enchera as praias de covid, se é que já não estão, esqueçam a Festa do Avante onde vão controlar a lotação com bandeiras vermelhas, à semelhança do que a Agência Portuguesa do Ambiente fez nas praias, até porque coi que não falta na Atalaia são mesmo bandeiras vermelhas.

Mas quem deve estar contente com tudo isto é o bastonário dos médicos, agora o Nogueira quer que em vez de falarmos da Festa do Avante falemos das escolas e a seguir vai ser o Pedro Proença a pedir que deixemos de falar nas escolas porque se há praia, festa e touros não se entende que não haja futebol.

terça-feira, setembro 01, 2020

VÍRUS IMPERIALISTAS NÃO MATAM COMUNISTAS

Se ainda restassem dúvidas a notícia no New York Times é a prova de que há uma conspiração do capitalismo contra a realização da grande jornada de luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores e das conquistas de Abril.

Num momento em que o capitalismo recorre à pandemia para destruir os direitos dos trabalhadores e promover mais uma vaga de despedimentos, ninguém esperava que os trabalhadores se calassem n 1.º d Maio ou, absurdo dos absurdos, não se realizasse a Festa do Avante, o maior evento do género à escala mundial.

A prova da importância de cada míni que for bebida na Festa, de cada Carvalhesa que cantarmos, de cada gaivota que voa, voa por cima da nossa imaginação está na posição dos imperialistas norte-americanos que elegeram, o PCP como seu inimigo. Já não são os mísseis da Coreia do Norte ou o a luz do socialismo que ilumina Miami todas as noites, o grande inimigo do imperialismo somos nós, a notícia do New York Times é a prova de como um golo de uma míni, de preferência Sagres, faz mais estragos do que uma rajada de AK47.

O Trump até decidiu fazer a convenção sem comício na esperança de assim travar a luta dos trabalhadores portugueses, mas enganam-se porque vírus imperialista não mata um comunista português. Pode matar o Biden, o Trump e até mesmo a Nossa Senhora de Fátima, mas os vírus imperialistas não matam comunistas.

E nem que a Graça Freitas deixe de ser loura a Festa do Avante, uma gloriosa jornada sem a qual os trabalhadores portugueses regressariam ao capitalismo dos tempos da Revolução Industrial, realizar-se-á até à eternidade no primeiro fim de semana de Setembro.

sábado, agosto 29, 2020

VOTA NOUTRO … PRESIDENTE

Marcelo enfrentou ontem um dos maiores testes da sua vida e digo da sua vida intelectual pois mais do que o político foi o professor e comentador que foi confrontado por uma mulher que lhe perguntou aquilo que todos os pobres portugueses dizem em surdina, se alguém sem problemas consegue viver com 300 euros mensais.

Antes de mais é bom dizer que alguma esquerda queque considera este tipo de perguntas como sendo o estilo Chega, mas a verdade é que os mesmos que fazem estas perguntas aos políticos de agora sempre as fizeram e os que ficam incomodados com elas porque é o seu partido que está no governo, estão fazendo um grande favor ao Chega. Se qualquer desabafo de alguém que tem dificuldades é sinal do Chega, estamos muito mal, uma boa parte dos portugueses são pobres.

Este é um debate interessante que fica para outro dia, porque o aburguesamento dos militantes do PSD e do PS estão deixando a maioria do eleitorado a outros. Marcelo revelou precisamente essa incapacidade de responder a uma pergunta tantas vezes feita e que todos nós, os que se escaparam à pobreza deveriam fazer. Confesso que já fiz muitas vezes as contas, para perceber como vive um casal e um filho que tenha de viver com o ordenado mínimo.  

Marcelo está habituado a falar para ser ouvido, a opinar para que os outros saibam, a mandar recados e recadinhos, a usar o seu estatuto presidencial para distribuir raspanetes e conselhos a toda a gente, desde o primeiro-ministro ao sem abrigo. Como professor tem meio século de um estatuto em que era ele a fazer as perguntas, como comentador sempre contou com jornalistas a quem cabia fazerem as perguntas combinadas e sorrirem para dar ares de quem ouvia grande coisa.

Mas esse Marcelo foi incapaz de responder à pergunta para a qual qualquer político de um país com os nossos níveis de pobreza deve estar preparado e ter a resposta na ponta da língua. Mas Marcelo não foi apenas incapaz de responder, de uma penada mostrou duas das suas facetas, que a sua relação com a pobreza está muito marcada pela perspetiva caritativa dos mais ricos e que numa situação política se importa pouco com os princípios.

Responder a uma pergunta destas dizendo a uma cidadã que vá apelar às pessoas que votem noutro partido para o governo é uma resposta bem mais ao estilo Chega do que a pergunta-lhe que lhe foi feita.

sexta-feira, agosto 28, 2020

UM PULINHO NO PLANATO?

Não sei se a decisão dos ingleses de nos deixarem fazer parte do seu corredor turístico teve como efeito estranho um pulo repentino nos casos de covid-19, mas a verdade é que de um dia para o outros os novos casos passaram de pouco mais de cem para os 400.

Há três dias a ministra da Saúde dava uma verdadeira cambalhota quando os casos passaram para a casa dos trezentos. Justificava a ministra que o pulinho estatístico poderia estar associado ao atraso na comunicação de casos. Mas pouco depois parece que a boca lhe fugiu para a verdade, dizia que com esta pandemia as grandes conquistas de um dia poderiam ser rapidamente perdidas.

Passados dois dias os casos continuam a aumentar e já vão na casa dos 400, com o governo a anunciar que a partir do dia 15 do próximo mês o país entraria em Estado de contingência, bem como o regresso das reuniões dos cientistas.

Não é preciso ser epidemiologista para se perceber que surgem novos focos de contaminação a um ritmo quase diário, quando não é o lar são os restaurantes do Carvalhal ou da Comporta. Todos sabemos como nalguns concelho do Algarve parece ter sido decretado o estado de bandalhice, com as autoridades a fechar os olhos aos horários dos bares ou os autarcas a dar ordens para não controlar o número de pessoas que entram nos mercados municipais.

Veremos se estamos apenas perante um pulinho no planalto ou se já estamos a praticar escalada. Esperemos que governo e oposição se deixem de olhar para a pandemia como uma espécie de sondagem eleitoral.

terça-feira, agosto 25, 2020

OS GAJOS

Parece que os gajos serão uns médicos de Reguengos de Monsaraz. Não conheço esses gajos, aliás, não conheço nenhum gajo de Reguengos de Monsaraz e arredores, não conheço o gajo da CM nem o gajo de Évora que quando é tratado pelo nome nos remete para o imaginário gastronómico.

Mas parece que os gajos têm duas facetas, numa nada se pode dizer porque o MPO está a investigar e o relatório da IG das Atividades em Saúde, mandado a Reguengos à última da hora ainda não está a ser redigido, ainda que seja a alegria de alguns militantes mais assanhados, que mal souberam da iniciativa logo asseguraram que agora é que os gajos iam ver como são elas.

Portanto, inquéritos e segredos de justiça à parte, parece que os gajos foram cobardes, não sabemos quem o garantiu, se o gajo de Évora, o gajo de Reguengos ou a gaja do alfinete de peito com a libelinha azul. Não há dúvida, centenas de militantes assanhados dão a cobardia por definitiva e até o gajo da Saúde deu a entender nas catequeses diárias a seguir ao almoço, que o gajo da Ordem dos Médicos se tinha esquecido da sua responsabilidade disciplinar, isto é, foi a Reguengos e não abriu nenhum processo disciplinar a nenhum gajo.

Não sei quem são os gajos, não sei se são competentes ou não, se a família merece respeito ou não, só sei que os gajos foram cobardes, quem o disse foi o gajo em quem votei e portanto são gajos sem direito a defesa, primeiro acusa-se e depois logo se vê o que dizem as conclusões dos relatórios.

domingo, agosto 23, 2020

ALGUMAS EVIDÊNCIAS SOBRE O CASOI DE REGUENGOS DE MONSARAZ

Independentemente das avaliações políticas ou partidárias em torno desta segunda Batalha das Laranjas que se trava em torno de Reguengos de Monsaraz há indícios claros que apontam para algumas conclusões ou dúvidas que importa esclarecer:

Algo correu mal em Reguengos

As mortes no lar de Reguengos de Monsaraz não serão apenas mais 18 mortes num lar, como parecia até a Ordem dos Médicos tomado posição, ainda que para António Costa e muitos militantes do PS tenha metido o bedelho onde não era chamado. Até ali era mais um lar, a crer pelas declarações do autarca todos teriam feito o que deviam fazer a começar por ele próprio.

Mas ainda antes de a OM ter lá ido meter o bedelho já algo de diferente tinha acontecido, pela primeira vez toda uma delegação governamental formada pelo secretário de Estado da Saúde, pelo secretário de Estado da Defesa na qualidade coordenado do combate à pandemia na região do Alentejo e a diretora-geral da Saúde. Nunca tinham visitado qualquer região e muito menos por causa de um lar, desta vez foram ao Alentejo e tranquilizaram o país, tudo estava a ser bem feito. Afinal não estava.

Há doentes cuja morte pode ter sido ter tido outras causas

O covid-19 tem as costas largas e basta uma análise positiva para que a causa de morte tenha sido essa doença. Mas há famílias a queixarem-se das condições do lar. Como as condições do lar eram de tal forma anormais que 80% dos utentes foram contaminados, muitos deles já depois de ter havido tempo para evitar a contaminação. Quando o autarca anunciou a retirada dos utentes já quase todos eram portadores do vírus. Enfim, a covid-19 tem as costas largas.

O lar não tinha condições

Não se tratava de um lar clandestino, era um lar de uma Santa Casa  que não estava fazendo uma boa ação. Trata-se de uma atividade financiada com subsídios da Segurança Social e os montantes desses subsídios são determinados de forma contemplarem os custos decorrentes das exigências locais.

Pelo que vários entidades têm comentado há fortes indícios de que o lar além de não ter condições poupava muito em custos de pessoal.

O inquérito da IGS é tardio

É estranho que depois de várias semanas e quando há muito que era óbvio que algo estava mal no plano médico naquele lar, só agora a ministra da Saúde se tenha decidido a mandar a IGS de saúde averiguar. Antes disso já tínhamos ouvido o secretário e Estado da Saúde declarar uma semana antes que não comentava Reguengos de Monsaraz por estar em investigação pelo MP.

Um inquérito do MP não impede um inquérito da IGS e vice-versa, mas esta não parece ser a prática habitual dos nossos governos, pelo que se estranha que assim seja, de forma tão tardia, depois de uma delegação governamental ter ido há muitas semanas ao Alentejo.

Pouca importa se esta ou aquela entidade pode ou não investigar um lar da Santa Casa, a verdade é que se trata de um problema de saúde que envolve atos médicos que também não são da competência da Segurança Social, pelo que não faz sentido opor a um relatório da OM um outro relatório da Segurança Social. O lógico é que logo que ocorreram problemas e havia indícios de que algo tinha corrido mal a IGS devia ter sido enviada. Agora são favas depois de almoço, serve para a comunicação social e pouco mais.

Conclusão:

Estão em causa 18 mortos.

Está em causa uma IPSS que por ter esse estatuto pode e deve ser auditada pelo Estado. Neste caso importa saber se essa IPSS utilizou os fundos que recebeu do Estado aos fins que eram destinados.

Seria bom que PS e PSD se deixasse de guerras partidárias porque o que se passou em Reguengos de Monsaraz é demasiado sério para se transforme numa batalha das laranjas ou mesmo numa tomatada. Tenham juízo porque há regras que por não terem sido devidamente cumpridas podem ter ocorrido mortes.

quinta-feira, agosto 20, 2020

NÃO DOU PARA ESSE PEDITÓRIO

A ministra do Emprego disse uma patetice porque e uma patetice responder-se com alguma sobranceria que não leu um relatório da Ordem dos Médicos, como se tudo o que dali viesse devesse estar condenado a ir diretamente para o lixo. A ministra falava em nome do Estado, não era a militante que falava era a ministra. Se o relatório era incómodo respondia simplesmente que respeitava a justiça e estando a decorrer um inquérito do MP não faria comentários.

Fora necessários vários dias e uma mega campanha de limpeza de imagem para corrigir uma patetice, porque com tantos surtos de covid-19 nos lares é óbvio que a ministra do Emprego teve o seu momento de passeio de elefante numa loja de cristais. Foi uma patetice e a melhor forma de corrigir uma patetice é com humildade, a mesma humildade com que falou depois.

Não faz o mais pequeno sentido demitir um dos governantes mais competentes de um governo só porque disse uma patetice, ainda por cima quando o dossier mais complexo é precisamente o do emprego, quem o deseja só quer agravar a situação do país, que é bem pior do que a pintam. Mas o problema é que este processo de Reguengos de Monsaraz parece ter mais água no bico e as manobras de alguns governantes começaram mais cedo. Se sou capaz de meter as mãos no lume pela ministra e defender que mesmo tendo dito uma patetice, a minha independência política não me obriga a ter de defender toda a hierarquia do ministério da Saúde, de Lisboa a Reguengos de Monsaraz e muito menos os bois e outros espécimes locais do PS ou de qualquer outro partido.

Se sou independente para ser livre e nunca obtive proveitos pessoais, não me sinto na obrigação de dar cobertura a seja quem for. Feita esta declaração de princípios devo dizer que acompanhei este processo com independência e distanciamento. Mas depois de ter visto a excursão da Graça Freitas a Reguengos de Monsaraz comecei a desconfiar, quando o caldo ficou entornado achei que devia ir ver quem era quem nas autarquias e arredores, acabei por perceber muita coisa.

Percebo agora porque anda tanta gente assanhada, tentando transformar um descuido da ministra no que de mais grave sucedeu. E quando ouvimos os responsáveis locais a alijar responsabilidades, com a responsável do lar a atirar responsabilidades para a ARS e o responsável da ARD a apressar-se a dar entrevistas dizendo com ar cândido que só ameaçou para os doentes serem tratados, talvez o melhor seja apurar a verdade.

Não tenho nada a ver com o Robalo nem com a forma como ascendeu no Estado, estou-me borrifando para o autarca de Monsaraz, que tem mais cargos em simultâneo do que a ,maioria dos altos quadros do Estado consegue ter em toda a vida, acima deles estão as quase duas dezenas de pessoas que morreram e que certamente vão “falar” no âmbito do inquérito que está de correr.

Depois veremos se o lar era bem gerido, se o Robalo fez o que devia fazer, se a diretora-geral de saúde falava a verdade quando foi a Reguengos dizer que estava tudo bem. E quanto a algumas declarações inflamadas que ouvimos a propósito dos lares continuo a defender o que sempre defendi, desconfio muito do que se passa nessa bondosa economia social e acho um nojo que os grandes partidos tenham lançado uma OPA às suas instituições, para depois vermos candidaturas presidenciais e legislativas em que em vez de os candidatos andarem de comício em comício andam de lar em lar ganhando votos de gente vulnerável e condicionada por políticos sem escrúpulos.

Por isso defendo a ministra, mas não dou nem para o peditório de Monsaraz, nem para o de algumas misericórdias. Antes de saber a verdade não faço perseguições e muito menos ao estilo dos Lukashenkos ou dos Venturas e não vou transformar aqueles que era os heróis nos vilões de Monsaraz.

terça-feira, agosto 18, 2020

O SUICÍDIO DE RUI RIO

Rui Rio não conseguiu superar o contágio de uma velha doença de algumas bases do PSD, a incapacidade de ficar longe da manjedoura estatal durante muito tempo, levando-os a tentar chegar o poder a qualquer custo. E desta vez Rui Rio não resistiu à tentação e admite uma aliança com o chega, sendo óbvio para qualquer analista que quando são publicadas novas mensagens alguns líderes somam, de uma forma quase instintiva, os votos do Chega aos do PSD.

Não vamos dizer que é um erro, o partido é liderado por ele e a só a ele diz respeito a gestão da sua própria carreira. Pelo que se viu para o líder do PSD não importa a natureza dos responsáveis do chega, o mais importante é que façam de conta que não aquilo que são, para que o líder do PSD possa enfiar o barrete aos seus próprios eleitores, deixando personalidades como Sá Carneiro, Magalhães Mota e muitos outros fundadores do seu partido ficarem sem dar voltas no túmulo.

É evidente que cabe ao Rui Rio cuidar de si e do seu partido e do ponto de vista da esquerda apenas apetece dizer-lhe de uma forma cristã “vai filho, vais no bom caminho”. É óbvio que este PSD que sempre foi uma plataforma de assalto ao poder que escolheu a designação de “social-democrata” para enganar o freguês, acha que consegue chegar ao poder combinando com o André Ventura que este faz de conta que o Chega é do centro-direita enquanto que ele continua a fazer que é social-democrata, pouco importando que esteja a emporcalhar a imagem da social-democracia europeia enquanto o outro vai emporcalhando a pouca direita português que resta.

O líder do PSD que me perdoe, mas apetece-me dizer que este Rui Rio é mesmo parvo, o que não agrava significativamente a ideia que já tinha dele. Como é que se explica que se esteja a desenhar um frente a frente entre Marcelo Rebelo de Sousa, que por acaso é militante do seu partido quase desde a primeira hora, tendo sido seu presidente, enquanto o líder do PSD parece uma virgem a sugerir que abre uma exceção com o Ventura se ele passar por bom rapaz.

Esperemos que o Rui Rio vá mesmo em frente com este namoro porque a política portuguesa só tem a ganhar com a clarificação e talvez seja tempo de alguma ANP que a seguir ao 25 de Abril se escondeu no PSD dê finalmente a cara. É tempo de percebermos por onde anda a extrema-direita assintomática que ao longo de quatro décadas fez o sacrifício de fazer de conta que era democrática.


segunda-feira, agosto 17, 2020

A ROÇAR O RIDÍCULO

 Já vimos p Presidente aparecer no local onde o avião caiu poucos minutos depois do acidente, já vimos o Marcelo em todos os desastres, já vimos o Marcelo em todas as procissões, já vimos o Marcelo em todos os funerais, já vimos o Marcelo ir a todas as praias com o seu polo azul cueca a salvar o turismo na ausência dos bifes, o que nunca pensámos era ver o Presidente chegar primeiro que os nadadores salvadores a todos os náufragos.

Marcelo Rebelo de Sousa parece querer ultrapassar os votos de Mário Soares, mas ao ritmo destes improvisos vamos acabar por ver os livros da Anita serem suplantados pelos livros do Marcelito. Compreende que Marcelo rebelo de Sousa queira ficar na história de Portugal à força de disparos de máquinas fotográficas, mas a este ritmo há um sério risco de começar a cair no ridículo.

Marcelo ainda não percebeu que a maralha não quer uma selfie com o grande Presidente, mas sim ter uma selfie com uma espécie de artista que conseguiu levar uma boa parte dos portugueses a achar tanta graça a uma selfie com o Marcelo como a assinatura do Cavani na camisola que trazem vestida. Aos poucos o país volta a ter o comentador que gosta deste brinquedo que vai do Algarve ao Minho e tem cada vez menos um Presidente para ter o mesmo Marcelo de sempre.

Isso pode ser muito bom para o seu ego e até para os resultados das próximas presidenciais, mas é mau que o país tenha cada vez mais um Presidente da República para ter um Marcelito. Secar o espaço político à esquerda, ao centro e na direita pode ser muito bom para o seu ego, mas serve apenas para fazer crescer a extrema-direita, que vê neste candidato presidencial uma excelente oportunidade para crescer.

O grandioso salvamento das duas jovens que estavam num barco e que depois de um naufrágio já tinham bebido um par de pirolitos foi uma anedota ridícula. Quando vi os coletes olhei bem para ter a certeza de que não os tinham metido pelas pernas, em vez de os meterem pelos braços, pois só de cabeça para baixo é que teriam bebido tanta água.

Sejamos sérios, estamos numa praia segura, com nadadores salvadores bem equipados que só chegaram de imediato e se o Marcelo estava sozinho em tão perigosa tarefa é porque alguém disse aos seus guarda-costas que se deixassem ficar para trás. Marcelo não salvou ninguém e com banhadas destas é ele que se vai afundando, que não há político que consiga o afogamento quando se nada no ridículo.

sexta-feira, agosto 14, 2020

VÍRUS FASCISTAS NÃO MATAM COMUNISTAS

O PCP é um “velho teimoso” da nossa vida política pelo que nem vale a pena tentar discutir a questão da Festa do Avante e depois das várias encenações de manifestações ao estilo norte-coreano todos sabemos que  A Festa vai realizar-se e isso já está decidido. A questão não é do domínio da saúde mas sim do da política e a festa vai ser mais uma grandiosa jornada de luta contra os pecados do mundo.

Quem viu imagens em diretas da tourada realizada no Campo Pequeno apercebeu-se de uma nova modalidade de distanciamento social, o pessoal juntava manchas de espetadores ao lado de mansas de lugares vazios e assim cumpriam-se os 50% de lotação. É fácil de perceber que nas touradas realizadas à tarde as pessoas ficarão todas à sombra enquanto o espaço para distanciamento social ficará ao sol, cumprindo-se a norma da Graça do distanciamento social medido pela bilheteira.

Já no caso das manifestações os critérios são os mais diversos e como se trata de direitos políticos cada partido ou organização adota o seu modelo de distanciamento social. Uns separam-se na Alameda e juntam-se nos autocarros, outros juntam-se nas filas na AV da Liberdade e o distanciamento é assegurado pela distância entre as filas.

Voltando à Festa do Avante já começa a ser evidente que estaremos perante mais uma gloriosa luta entre comunistas e fascistas, nem uns, nem outros perdem uma destas lutas. A festa vai realizar-se com ou sem pandemia, porque o partido é uma máquina organizativa exemplar, enquanto a extrema-direita vai inundar as redes sociais de posts denunciando a democracia. Ambos vão ter mais uma gloriosa vitória.

Entretanto, a festa vai ser visitada por fotojornalistas como nunca foi, para não referir muitos visitantes que não deixarão de colocar fotos mostrando exemplos de distanciamento social. O debate vai prolongar-se e por mais que os militantes do PCP divulguem coreografias da “Carvalhesa”, ao estilo das paradas onde o chão está cheio de marcas, todos sabemos que quando os Chutos e Pontapés cantarem vai ser tudo ao molho e fé em Deus, já que a maioria dos presentes não participaram nos ensaios coreográficos da JCP nem são tão disciplinados como o pessoal dos Kins.

Veremos qual ser o preço que o PCP e toda a esquerda terá de pagar pela teimosia do Jerónimo de Sousa, já para não falar da pandemia.

terça-feira, agosto 11, 2020

USAR OU NÃO USAR MÁSCARAS EM PÚBLICO?

"Penso que relativamente às máscaras a questão já foi apresentada, é elaborar em relação à melhor evidência disponível e a melhor evidência disponível muitas vezes é contraditória de uns autores para outros autores. E nessa perspetiva é obrigatório fazer uma avaliação ponderada, uma avaliação tecnicamente sólida, que é feita, naturalmente, nos gabinetes, melhor do que provavelmente em relação àquilo que possa ser uma discussão pública.”

Foi esta a resposta dada recentemente pelo D4r. Rui Portugal, o recém-nomeado subdiretor-geral da Saúde. Com os seus bigodes farfalhudo o senhor subdiretor-geral explicou assim que a questão de se usar ou não máscara na via pública é coisa para decidir dentro dos gabinetes da DGS.

Dantes eram as evidências científicas, depois as evidências científicas robustas, por fim e para se usar máscara em locais fechados e depois de as senhores diretora-geral e ministra terem levado a teimosia ao limite, lá encontraram um estudo escrito algures na Europa que aconselhava o uso de máscara.

Parece que agora temos um novo folhetim, o da utilização de máscaras em locais públicos, algo que muita gente, como o Presidente da República já faz, apesar da autoridade sanitária continuar a estudar o assunto.

Mas agora já não se fala de evidências científicas, robustas ou não, agora são evidências disponíveis, entendidas estas como opiniões de autores. Pelos vistos a melhor evidência disponível não é única, são várias, ainda que o bigodaças não nos explique como são escolhidas. Apenas diz que tem de ser feita uma avaliação ponderada, sólida, acrescenta ele. Mas se um autor gera uma evidência disponível que sugere a utilização de máscara e outro sugere o contrário, com base em que avaliações tecnicamente sólidas dentro de gabinetes cujos estudos ficam em segredo?

Está bem Dr. Rui Portugal, a única dúvida que subsiste está em saber qual o argumento que vai usar daqui a um par de semanas para defender a utilização de máscaras em locais públicos. Nem que seja o princípio da precaução.

quinta-feira, maio 14, 2020

SOBRE O DE SENTIDO DE ESTADO OU A MUITA FALTA DELE


Marcelo Rebelo de Sousa teve  um momento de comentador da TVI24 e decidiu chumbar Mário Centeno, em público e em direto se sem qualquer direito de ir à oral. Logo ali decidiu que o Costa foi um excelente aluno com nota para quadro de honra, o cábula era outro.

Começa a ser tempo de o Presidente da República perceber que Portugal tem um estado de direito e que nesse estado há competências, pelo que começa a ser cansativo considerar que os bitaites do Presidente da República entra em vigor ainda antes de o último perdigoto cair no chão, para não falar daqueles que ficam em suspensão, ainda que a Dra. Graça Freitas aguarde por mais uma evidência científica robusta.


António Costa parece desconhecer as normas do OE e não deve ter ideia do contrato assinado pelo Estado aquando da venda do Novo Banco, ou se tem deve achar mais importante passar a mão pela pele da Catarina do que dizer que o Estado está vinculado aos contratos que assina. Isto de andar de visita em visita, transformando cada covid num voto prometido nas sondagens não o dispensa de telefonar aos ministros de vez em quando.

O lidere da oposição teve mais olhos do que barriga, logo ele cuja primeira missão foi arranjar um Mário Centeno do PSD, pediu a cabeça do ministro, quando podia muito bem telefonar ao Passos Coelho ou à Maria Luís para se inteirar do que assinaram por baixo, garantindo que o Estado português não meteria um tostão, lembram-se?

Isto é, se há uma crise política por causa dos 800 milhões quem se deveria demitir não é o Mário Centeno, porque é o único que nesta parada de malucos tem o passo certo. Mas como seria um exagero demitir Marcelo, Costa e Rio, o melhor é que se calem e deixem de mandar perdigotos para o ar, não vá o país ter um covid 20 com coronavírus da imbecilidade nacional e depois ficamos todos parvos e confinados.

quarta-feira, maio 06, 2020

O PCP AINDA NÃO PERCEBEU


É evidente que o PCP e a CGTP apostaram tudo no 1.º de Maio para fazer uma grandiosa encenação ao melhor estilo norte-coreano. Tudo isto para um discurso da líder da CGTP em que nada se disse de relevante, para além da afirmação de que a queriam impedir de estar ali. Uma afirmação de organização e de resistência a que não podia faltar a presença de Jerónimo de Sousa, firme e hirto, porque vírus fascista não mata comunista.

Valeu a pena, foi dito alguma coisa de novo, mudou alguma coisa em favor dos trabalhadores’ É óbvio que não, fica para a história de que nada impede os grandiosos primeiros de maio da CGTP/PCP, que tudo parou desde os abraços do Marcelo à peregrinação a Fátima, mas contra tudo e contra todos, o 1. De Maio não falhou.

Valeu a pena, o PCP ganhou alguma coisa com esta manifestação, mais uma sempre com os mesmos e transportados com os autocarros das autarquias dos “territórios libertados? É óbvio que não, percebe-se que a manifestação provocou alguns meios mais conservadores da Igreja Católica e que despertou reações de ódio por parte da extrema-direita. Quem ganhou foram os populista e quem mais perdeu foi o PCP.

A radicalização artificial do PCP frente aos populistas da extrema-direita é uma luta que apenas serve aos segundos e se o PCP julga que radicalizando esta luta com os populistas do outro lado bipolariza o debate, promovendo-se como o grande lutador antifascista é porque ainda não reparou onde votam agora os velhos militantes do PC francês.

O PCP recusa-se a muda e quando mais muda o muito mais se afirma com valores cada vez mais ortodoxos. Com Jerónimo de Sousa recuperou-se o estalinismo e o leninismo na sua forma mais pura e dura. Foi uma encenação dessa ortodoxia que o PCVP montou no 1.º de Maio, veremos o que ganhou com o espetáculo.

terça-feira, abril 28, 2020

A EVIDÊNCIA EMPÍRICA


O que mudou na ciência médica e nas evidências científicas para que de um dia para o outro vejamos ministros a usar máscaras e governante a sugerir a utilização de máscaras comunitárias? Nada, rigorosamente nada.

Antes da pandemia chegar a Portugal já tinha percorrida muitos países, antes de Portugal passou pela Ásia, pelo Irão, pela Itália, França e Espanha e mesmo por países nórdicos como a Noruega. Poderíamos ter aprendido muito, mas não aprendemos nada e se não fossem as imagens dramáticas que nos chegavam da Itália e da Espanha e muito provavelmente teríamos de passar pelo mesmo.

Temos uma das maiores industria têxteis da Europa que já poderia ter inundado o mercado de máscaras comunitárias. Mas não, alguém insistiu teimosamente em ser coerente com as primeiras opiniões erradas que deu e enquanto em todo o mundo se usa máscara por cá andámos de conferência de imprensa em conferência de imprensa desvalorizando o uso de máscaras, lançando um estigma a quem as usava e até mesmo comentando o seu uso com sorrisos cínicos.

Agora parece que é mesmo aconselhável e até já se diz que a sua utilização deverá ser obrigatória em espaços fechados. Pois, já devia ter sido obrigatória desde o primeiro dia, foi um absurdo termos visto pessoa nos hipermercado, pedreiros, motoristas e muitos outros profissionais não protegerem os outros da eventualidade de estarem contaminados, usando uma simples máscara.
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Quantos profissionais dos lares de terceira idade teriam escapado à contaminação, quantas pessoas que trabalham na construção civil, na distribuição alimentar e em muitos outros setores teriam evitado a contaminação. Quanto custou ao país em vidas e em recursos esta teimosia? Não teria sido mais inteligente ter tornado o seu uso obrigatório dando logo indicações à indústria têxtil?

terça-feira, abril 21, 2020

QUANDO UM RIO VIRA RIBEIRO


Quando milhares de funcionários públicos arriscam tudo para que outros se possam salvar ou sentir-se seguros eis que Rui Rio descobre que um aumento de 0,3% merece intervenção política para que o mesmo nãos seja concedido. Melhor do que o Rio só mesmo o CM que não se cansa de homenagear os heróis e depois lança uma campanha contra os privilégios dos supostos funcionários públicos.

Desejo que o líder do PSD nunca tenha de passar um mês numa unidade de cuidados intensivos pois ficaria a conhecer o quanto trabalham aqueles a quem ele acha que deve ser negado um aumento quase ofensivo de 0,3%. Talvez ele percebesse o quanto trabalham os médicos, os enfermeiros e o auxiliares dentro de um hospital, talvez ele tivesse a oportunidade de lhes perguntar sobre quanto ganham, sobre o quanto perderam nos últimos anos, sobre o quanto trabalham todos os dias.

Infelizmente, Rui Rio acha que não deve esquecer o oportunismo eleitoral e enquanto evita criticar a ação do governo, opta por fazer propostas puramente oportunistas, que apenas visam conseguir o voto populista. Defender que enfermeiros, médicos, auxiliares, polícias, sapadores bombeiros e muitos outros profissionais não devem ter uma aumento de 0,3% é mesmo um problema de pequenez política. O Rio é cada vez mais um pequeno ribeiro.

segunda-feira, abril 20, 2020

O REGRESSO DO AMBIENTE DAS RGA


Gosto de ouvir Manuel Alegre assegurar que a democracia não está suspensa, a propósito da sessão comemorativa do dia 25 de abril organizada segundo o velho estilo do “vírus fascista não mata democratas”. Manuel Alegre tem toda a razão, a democracia não está suspensa.

O cristianismo também não está suspenso, mas milhões de cristãos prescindiram da comemoração das datas mais importantes da sua religião. A família não está suspensa, mas milhares de emigrantes prescindiram de visitar as suas famílias durante a Páscoa e muitas crianças celebram os aniversários sem que os avós não possam ver o primeiro aniversário dos seus neto. A escola não está suspensa, mas alunos e professores aceitaram reduzi-la a um tablet.

Depois de tudo isto há quem venha sugerir que uma cerimónia rotineira, que na maior parte dos anos é um ritual de velhos que depois de terminado apenas serve para discutir recados dos presidentes é o que distingue haver ou não democracia. Não Manuel Alegre, a democracia é muita mais do que um discurso presidencial, discutir recados ou ver quem é que traz ou não traz um cravo ao peito.

Não sei o que pensam os mais jovens, mas confesso que este ambiente das velhas Reuniões Gerais de Alunos, verdadeiras guerras civis onde a democracia era salva o caminho para paraísos diversos reabertos começa a ser ridículo, lembra os dois velhos dos Marretas. É ridículo ver alguma direita idiota aproveitar a pandemia para conseguir uma vitória contra a história impedindo a realização de uma cerimónia comemorativa do 25 de abril, da mesma forma que é ridículo ver o outro lado a transformar esta cerimónia numa barricada.

Os muitos que não são deputados e que no seu cantinho vão comemorar o 25 de abril porque não é preciso ser deputado ou presidente da AR para se ser democrata não entendem como é que o país faz um sacrifício brutal e no próximo dia 25 há umas dezenas de idosos que correm sérios riscos de ir parar a um ventilador, quando há mais de um mês que os idosos e pessoas vulneráveis como eles está proibida por lei de sair de casa em defesa da sua própria vida.

Viva o 25 de Abril é também viva a inteligência.

PS: Esperemos que na sequência da cerimónia nada suceda a alguma das pessoas que lá vão estar, porque se isso suceder sim que será um grande atentado contra o 256 de abril e a democracia.

NÃO SE PERDEU GRANDE COISA


Neste turbilhão de comunicação em que vivemos, onde se misturam as comunicações, comícios e homilias diárias do meio-dia com as notícias com que somos quase agredidos minuto a minuto, com os jornalistas em buscas de mortos por todos os lados, uma das coisas que mais impressiona é ver como a sociedade olha confortavelmente para a morte dos mais idosos.

Quase todos os dias vemos altos responsáveis passar rapidamente pró cima de mortes sempre com o mesmo argumento, tinha mais de 70 anos e apresentava várias comorbilidades, disto isto o assunto fica arrumado, a culpa não foi do sistema de saúde e quase que nem foi do vírus, foi da idade e das comorbilidades, como se estivessem dizendo que se não morria hoje iria morrer um dia destes.

Uma boa parte dos nossos professores, cientistas, médicos e de muitos outros profissionais de excelência têm mais de 60 anos e é natural que muitos deles tenham comorbilidades porque há um preço a pagar pelo aumento da esperança de vida, esta aumenta porque a ciência consegue não só curar mas manter vivos muitos que no passado morreria, As angioplastias evitam enfartes, os medicamentos controlam a pressão arterial, a insulina mantém vivos os diabéticos e muitas doenças mortais como a SIDA e muitas formas de cancro são agora doenças crónicas.

É natural que muitas pessoas tenham comorbilidades, o coronavirus é bem mais mortal na Europa, na Ásia e na América do Norte precisamente porque nestes países a esperança de vida é muito alta. É natural que em países onde a esperança de vida se situa abaixo dos 60 anos a letalidade do coronavirus seja mais baixa.

Ainda bem que se vive mais e é lamentável ver quase diariamente altos responsáveis políticos às mortes de idosos de uma forma que a desvaloriza de uma forma subliminar, todos os dias vemos desvalorizar a morte daqueles que nos construirão o que somos e temos com um “era velho e tinha várias comorbilidades”,

terça-feira, abril 14, 2020

MAIS OLHOS DO QUIE BARRIGA





Há uma velha tradição dos aparelhos partidários do PSD e do PS que tem passado incólume e sem grandes críticas, que é a confusão entre Estado e partidos quando estes estão no poder. Confunde-se o trabalho dos serviços do Estado e dos seus quadros como obra dos partidos. Tudo o que é feito no Estado resultou da ação dos Governos, tudo o que o Estado faz serve de propaganda dos partidos.

O caso mais recente sucedeu com um cartaz do PS onde mostrava as quantidades de máscaras e de ventiladores distribuídos pelas diversas regiões do país, como se isso fosse mais um milagre que só foi possível graças ao governo. Aliás, as sucessivas idas da Jamila Madeira onde mais parecia uma transitária ou um despachante oficial, dando entrevistas em frente de aviões de onde eram descarregados caixotes, dando ares que se não fosse ela nada tinha chegado.

É pena que os partidos insistam nestas estratégias pacóvias, não entendendo que os eleitores já não são assim tão parvos. Neste caso as coisas correram muito mal pois ao mostrarem a “grandiosa obra” para captar simpatias a norte do país, acabaram por provocar revolta e indignação em todo o Algarve, precisamente uma região que deu uma preciosa ajuda eleitoral a António Costa.

O Algarve tem sido preterido por sucessivos governos e é atualmente uma das regiões, senão mesmo a região do país mais desprezada pelos ministros da Saúde e onde o SNS tem uma das piores imagens. Ainda recentemente o governo ignorou a necessidade de um novo hospital da região, não admirando que mal se avizinhava a pandemia a incansável Jamila Madeira, correu para o Algarve para tranquilizar os algarvios, assegurando que o hospital distrital do Algarve estava pronto para uma boa resposta.

Pois, o problema é que o Algarve tem pouco mais de duas dezenas de ventiladores, uma pena UCI em Faro onde já fui residente durante um mês), uma ainda mais pequena em Portimão e mais uma dúzia ou pouco mais de ventiladores em unidades de saúde privada. Assim, quando à data da manobra propagandística oportunista o Algarve tinha direito a uma bolinha pequena onde não cabia nenhum ventilador deu-se o escândalo.

Talvez seja tempo de os militantes dos partidos deixarem de pensar que o Estado é uma extensão obediente dos aparelhos onde quem manda são os seus caciques locais, distritais ou nacionais.

sexta-feira, abril 10, 2020

AS EVIDÊNCIAS EVIDENTES DO BOM SENSO


Para a história local desta pandemia vai ficar o famoso parecer do Conselho Nacional de Saúde a propósito de um eventual enceramento das escolas, concluirão os sábios que "Só se justifica o encerramento total ou parcial de estabelecimento de ensino público ou privado com autorização expressa das autoridades de saúde", isto é, não defendiam tel decisão e que isso era matéria dos médicos de saúde pública da equipa de Graças Freitas e não do poder político.

Ainda bem que o governo decidiu contra os “cientistas” e para ofensa de alguns destes sábios, de que deu conta a comunicação social, optou pelo encerramento das escolas e logo de seguida por decretar o estado de emergência. Para a história ficará uma explicação tranquilizante dada pelo responsável da ARS de Lisboa, a propósito da contaminação de um professor. Do alto da ciência aquele responsável garantia que mesmo com um professor contaminado dificilmente os alunos seriam contagiados.

Ainda bem que o primeiro-ministro não deu ouvidos a esta sapiência, senão a esta hora Portugal estaria a viver o mesmo drama que vive a Espanha, a Itália ou os EUA. Só que se a Espanha e a Itália foram apanhados de surpresa pela chagada da pandemia à Europa e os EUA são vítimas da estupidez trumpiana que leva a que uma grande potência seja governada por arrotos, em Portugal desgraça teria a chancela de sábios e das suas evidências científicas.

Começa a ser óbvio que algumas das evidências políticas não passaram de asneiras, como a conclusão de que o vírus não se transmitiria entre humanos, quando na China a doença se propagava a um ritmo nunca vista. A evidência científica era tranquilizadora e apenas serviu para que nada fosse feito, enquanto os responsáveis da saúde se tornaram vedetas televisivas.

Quando surgiu a famosa gripe das aves o governo tomou medidas, enquanto os jornalistas andavam a ver os resultados das análises a cada cegonha encontrada, todos os serviços públicos eram equipados com numerosos dispensadores de gel desinfetante. Quando a doença chegou o país estava preparado. Desdá vez os responsáveis da saúde tranquilizaram-nos, garantira que aquilo não chegava aqui. Ironia do destino, nalguns serviços públicos o desinfetante que foi utilizado foi o que estava guardado desde a gripe das aves e com os casos a multiplicarem-se no país, nem sequer os funcionários da DG de Registos e Notariado, que estavam nos balcões de atendimento para a emissão de carões do cidadão dispunham de material desinfetante.

Ainda bem que António Costa mandou as evidência à fava e fechou as escolas e que o Presidente da República, que parece que em matéria de evidências dá mais atenção às evidências de bom sendo dos neto do que às evidências dos responsáveis da saúde, pressionou para que fosse decretado o estado de emergência, o que muito provavelmente salvou a vida a muitos portugueses.

quarta-feira, abril 08, 2020

MORRER DO VÍRUS OU MORRER DE FOME


A economia mundial não suporta seis meses de quase paralisação, pior do que isso, suporta mas com um elevado custo de vidas por causa da fome e da multiplicação de outras doenças mais graves do que a covid-19 em consequência da falência dos sistemas de saúde por falta de recursos financeiros.

Mesmo que esta pandemia seja controlada à escala mundial, deixando de haver receio de uma segunda vaga, só a paralisação de uma parte significativa da atividade económica à escala mundial vai deixar um rasto de fome e de miséria que não se ficará pelos países do costume. A quebra da procura externa dos países desenvolvidos, a baixa acentuada dos preços das principais matérias-primas e a redução da atividade turísticas vai deixar muitas comunidades sem quaisquer recursos.

Se considerarmos a morte provocada pela fome e subnutrição e pela falta de recursos médicos nos países mais pobres e menos desenvolvidos, não é difícil de se perceber, que sem contabilizações mórbidas, o número de mortos em consequência do impacto económico da pandemia pode ser muitas vezes superior aos provocados diretamente pelo vírus.

Mesmo em Portugal, que está longe de ser um dos países mais pobres do mundo, o fenómeno da fome não é raro. É por isso que em todos os concelhos há escolas com as cantinas a funcionar, para fornecer as refeições aos alunos mais carenciados. E se recuarmos no tempo, lembrar-nos-emos do que sucedeu no Vale do Ave ou na península de Setúbal, quando essas regiões foram atingidas pelo desemprego, com níveis muito inferiores à vaga gigantesca a que estamos a assistir.

Desta vez nem nos países mais ricos há escapatória, a capacidade de ajudar é reduzida e quem não tem recursos nem sequer vale a pena ir em busca de trabalho porque não há. Não há biscates, não há empregos e não há emigração, não há nada, nem sequer ajuda das ONG, não há nada ou quase nada, resta a fome. Não tardará muito para que esta passe a ser a principal preocupação do e dos governos.

Os governos vão estar confrontados com uma escolha, a de escolher entre deixar alguns morrer de fome ou optar por deixar outros morrer à fome.

segunda-feira, abril 06, 2020

A EVIDÊNCIA CIENTÍFICA, A EVIDÊNCIA ARITMÉTICA E A EVIDÊNCIA POLÍTICA


Desde o primeiro caso de covid em Portugal que ministra da Saúde e DG da Saúde se desdobram informando que quem não está contaminado não precisa de usar máscara, bastando manter a distância, acrescentam mesmo que pode ser perigoso e contraproducente usar máscara. Fundamentam esta posição naquilo que referem como sendo as evidências científicas, uma coisa que já vimos ser como as verdades no futebol, o que é evidente cientificamente deixa de o ser uma semana depois.

Mas há também uma evidência aritmética, se apenas os infetados devem usar máscara para não contagiar terceiros e como é sabido que uma elevada percentagem de infetados que não chegam a ter qualquer sintoma e por isso nunca saberemos se estamos mesmo infetados. Mesmo que tenhamos feito o teste uma semana depois já poderemos estar a contagiar terceiros. Aqui entra uma segunda evidência científica, há um par de semanas era cientificamente evidente que sem sintomas não haveria contágio, hoje é cientificamente evidente que há contágio mesmo sem sintomas. Portanto, é uma evidência aritmético científico que se todos usarmos máscaras, aqueles que de entre nós estão contagiados não irão contagiar os outros. Até os netos de Marcelo Rebelo de Sousa souberam explicar isso ao avô, que quando vai às compras leva máscara.

É evidente que a ministra já começou a transição da evidência científica para o seu contrário, diz que tudo isto é dinâmico, ou seja, é mesmo como no futebol, o que é evidente hoje deixará de o ser amanhã.

Talvez não seja propriamente uma evidência científica, mas é óbvio que em Portugal não haviam máscaras suficientes para que além de confinados em casa os portugueses tivessem máscaras para os que trabalham fora de casa ou para quando se é obrigado a ir para a rua. Portanto, se alguém tivesse dito aos cidadãos que tinham de andar de máscara o país entrava em pânico e uma máscara seria bem mais cara do que um acessório da Cartier. Portanto a evidência científica dinâmica dá jeito.

Daqui resulta a evidência política que, perdoe-se a redundância, é evidente que nem o país, nem o SNS tinha stocks mínimos de equipamento de proteção. Poderão dizer que ninguém está preparado para este tipo de “guerra”. Pois, mas para as outras guerras parece que não faltam equipamentos e treinos militares, sinal de que os generais não se mudam, mas sempre há uns que são mais previdentes do que outros.

E por mais que uma tal Jamila Madeira, uma rapariga produto da JS que deve saber tanto de saúde como eu de lagares de azeite, mas que finalmente foi promovida a governante e arvorada no posto de secretárias de Estado e Adjunta da Saúde, se desdobra em idas ao aeroporto, onde com uma linguagem de transitário anuncia a chegada de mais um par de caixotes vindos da China. É pena que  só tenha descoberto estes dotes para a profissão de transitária já depois de estarmos naquela zona da curva onde o crescimento de casos é exponencial.

sábado, abril 04, 2020

O VERDADEIRO INIMIGO


A G3 ou a Ak47 matam facilmente, mas numa guerra os inimigos não são as armas, são os soldados inimigos que as disparam. É por isso que neste caso da luta conta a pandemia o nosso verdadeiro inimigo não é o malfadado coronavírus, mas sim os idiotas que o andam a disparar por aí. É o meu vizinho descuidado que espirra para o corrimão, o desconhecido que por causa da fila desata a berra no hipermercado, enfim, uma infinidade de soldados inimigos que nem usam farda, nem exibem as suas armas.

Mas nesta guerra também há o chamado fogo amigo, muitas vezes provocado pela incompetência de alguns generais. Quando se questionou os riscos de contaminação numa sala de aula ouvi um alto responsável assegurar que não havia grande risco, já que os seus perdigotos dificilmente atingiriam os alunos da primeira fila. Ainda bem que as aulas foram suspensas, porque se acreditássemos nesse responsável a esta hora as escolas seriam hospitais.

Este inimigo mata usando uma nova estratégia de guerrilha, engana os nossos generais inoculando-lhes ignorância e levando-os a tomar decisões erradas, transforma os nossos familiares e amigos em soldados inimigos, coloca minas nos locais mais inesperados, dos óculos ao smartphone, do corrimão aos botões da braguilha.

E enquanto alguns responsáveis anda pulando de evidência em evidência científica ou inaugurando hospitais de campanha ou espalhando um otimismo que apenas serve para termos uma imensa vontade de passear, os inimigos vão-se multiplicando e instalando-se em todos os pontos de onde é mais fácil acertar-nos.

O inimigo pode ser o amigo, o político irresponsável, a senhora da limpeza descuidada. Esta guerra só será ganha com uma arma de destruição maciça, que é a vacina ou a cura. Mas a batalha que agora travamos e que determinará uma grande parte das vítimas que vamos sofrer nesta guerra será perdida se cada um de nós não for um bom soldado e se os nossos “generais” forem irresponsáveis, oportunistas ou incompetentes. O verdadeiro inimigo são os nossos maus soldados e os generais incompetentes.

quinta-feira, abril 02, 2020

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS E CALDOS DE GALINHA

Desde há alguns dias que a DG Saúde recorre à expressão “evidências centíficas” para fundamentar todas as posições que assume. Compreende-se, passados mais de três meses de pandemia que de evidência em evidência tudo o que se diz num dia é desmentido uns dias depois.

A primeira evidência científica era a de que este coronavírus dificilmente era transmissível de pessoa para pessoa, podíamos estar tranquilos porque a moléstia dificilmente poderia chegar cá. Não se entendia como é que na China os infetados se multiplicavam de um dia para o outro sem transmissão pessoa a pessoa. Provavelmente na China era uma versão asiática do filme “Os Pássaros” de Alfred Hitchcock, com as aves a serem substituídas por morcegos.

Era mais do que óbvio, apesar das evidências científicas, que tinha de haver contágio pessoa a pessoa da mesma forma que haviam sérios motivos para recear que a epidemia poderia dar lugar a uma pandemia. Mesmo assim preferiram a evidência científica.

Quando perceberam que havia contágio pessoa a pessoa explicaram que eram só as gotículas, vulgo perdigotos, bastando espirrar para o cotovelo e ficar a uma metro. Depois o metro passou para dois metros, agora já admitem que nem todos os perdigotos são projetados para o chão pela força da gravidade, agora descobriram que há aerossóis.  

Quantas pessoas ficaram infetadas porque acreditaram, nas sucessivas evidências científicas?

Começa a ser óbvio que em vez de coinfiarmos nas tais evidências o melhor é seguir o provérbio popular segundo o quel "cuidados e caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém".

terça-feira, março 31, 2020

UMA COMUNICAÇÃO DESASTROSA




Uma nova tendência Primavera/Verão?
A DG da Saúde esta semana no canal S+ vestida com um casaco decorado com o coronavírus?


A diretora-geral da Saúde está a tornar-se uma caricatura e parece que ainda não percebeu que a comunicação não serve para trabalhar a sua imagem mas sim para influenciar quem a ouve para que tenha comportamentos que evitem o crescimento exponencial da pandemia. Parece que não aprendeu com o erro do famoso cenário do milhão e voltou a exibir-se com conjeturas sobre o cordão sanitário do Porto, revelando uma total ausência de sentido de Estado.

Nem sempre uma boa técnica dá um bom dirigente e esse parece ser o caso desta diretora-geral que de dia para dia é confrontada com cada vez mais erros e contradições. É por isso que circulam vídeos a ridicularizá-la, o último dos quais é um onde ela aparece a entrar com um magote de gente dentro de um pequeno elevador e sugerindo que se voltem para a parece.

É cada vez mais óbvio que ocorreram erros de previsão, que a DGS confiou demais em conclusões pouco credíveis como a de que dificilmente o vírus era transmissível entre humanos, semanas depois do início da crise não há dia em que os dados divulgados pela DGS revelam erros crassos de aritmética, tornando-os pouco confiáveis.

O problema é que a senhora parece pensar que a comunicação serve para gerir a sua imagem e nem os membros do governo respeita. A palavra que mais usa nas conferências de imprensa é “complementar”, porque sempre que a ministra ou o secretário de Estado acabam de falar a senhor acha por bem pedir sempre a palavra para “complementar” o que foi dito. Ficamos com a impressão de que os governantes disseram o que lhes terão dito para dizer, mas esqueceram-se sempre de alguma coisa.

Ontem a conferência acabou com um incidente ridículo, a pobre senhora enganou-se num dado que deu a conhecer, relativo ao pessoal de saúde infetada. No final da conferência o secretário de Estado corrigiu com base numa informação que lhe chegou por SMS. A pobre senhor não se conseguiu conter e explicou que não tinha corrigido porque evita trazer o telefone para a conferência para evitar a contaminação. Enfim, se o secretário de Estado lhe passou à frente é porque usa telemóvel…

É evidente que o governo fez uma grande aposta na comunicação, o que se entende pois o sucesso de qualquer guerra depende muito da comunicação. Lamentavelmente ninguém explicou que numa guerra o objetivo não é gerir a imagem de quem fala.

sexta-feira, março 27, 2020

SILÊNCIO


Há críticas a fazer? Há.

Mas a hora, como diria o nosso estimado Cavaco Silva que parece que perdeu o pior, é de deixar trabalhar. Por maiores que sejam as dúvidas é a hora de deixar trabalhar quem o faz todos os dias e muito para além do que pode ser considerado normal. Por isso não há aqui qualquer crítica às pessoas que dando a cara ou trabalhando nos bastidores.

Estou em casa e não me passa pela cabeça criticar seja quem for que está a correr riscos e a dar o seu melhor para que eu e muitos outros estejamos com alguma tranquilidade a esperar que isto passe. Mais competentes ou menos competentes, devo-lhes pelo menos isto. E não tenciono ir para a janela prestar homenagens a médicos e enfermeiros, preferia não assistir a cenas como alguém protestar porque uma enfermeira usou o seu estatuto de cliente prioritária na fila do supermercado.

É assim, qualquer idiota diz que paga impostos para os outros ganharem enquanto enfermeiros, como se os ordenados dos enfermeiros, médicos ou qualquer outro funcionário fossem gorjetas e não a remuneração de trabalho prestado. Assim o nosso bom povo, tem uma elevada percentagem de idiotas e vemos isso nos dias que passam.

Mas se os idiotas fazem questão de não ficarem calados a verdade é que nos dias de hoje a regra é mesmo o silêncio, deixei de ouvir aviões e a cidade deixou de ser ruidosa, consigo ouvir os pássaros e desde os tempos em que ia para a aldeia da minha avó que não sentia tanto silêncio. Agora só falta ver a Via Láctea parta pensar que estou na Junqueira.

quinta-feira, março 12, 2020

|ESTÁ TUDO GROSSO?|


Quando o país mais precisava de um Presidente da República eis que Marcelo decide dar um exemplo, achou que se tinha cruzado com uma primo de uma sobrinha de um conhecido de um contaminado de Felgueira e impôs a si próprio uma quarentena, durante a qul lhe levam tudo a casa e quando sente saudades de dar ao badalo para o país o ouvir vai à varanda das traseiras onde, coincidência das coincidências, está uma jornalista à espreita.

O bom exemplo que Marcelo poderia ter dado desde há muito tempo era de higiene, pondo fim a essa treta populista do presidente dos afetos, que o leva a beijar tudo e todos, transformando a sua cara no maior jardim zoológico de bacilos vírus, fungos, bactérias e tudo o mais que se mede em microns.

Mas é para vir dizer que está vendo o que o governo faz, assegurar que vai pedir contas, visitar doentes ou fazer boletins clínicos como se tivesse tirado um curso de medicina e a especialidade em saúde pública enquanto esteve de quarentena, o melhor é voltar a dar o exemplo e voltar para quarentena, mas desta vez uma quarentena de quarenta dias, talvez o país regresse a alguma normalidade informativa.

E enquanto o presidente está de quarentena vamos assistindo ao espetáculo proporcionado pelas conferências de imprensa da ministra e da diretora-geral. Só é pena que lá não apareça sempre aquele senhor com cara de pau que finalmente percebi que era secretário de Estado da Saúde, bem como a colega Jamila, a senhora da JS que tanto poderia ter ido para adjunta e da Saúde como para a agricultura, porque quem não sabe de nada serve para tudo.

Ver a senhora diretora-geral dedicar a sua maior intervenção à defesa corporativa dos médicos do hospital de Santa Maria, cuja competência ou honorabilidade ninguém questionou foi deprimente. A verdade é que não há como explicar como é que duas pneumoniass com COVID-19 se “escaparam” quando basta espirrar e ter um primo italiano para ir logo fazer companhia ao Marcelo.

Por favor, metam ordem na casa, deixem-se de gestão da imagem e enfrentem o problema com seriedade e segurança, transmitindo confiança aos portugueses. Deixem-se de palhaçadas e façam um bom programa televisivo explicando a todos as medidas preventivas que devemos adotar.

quarta-feira, março 11, 2020

SOMOS VÍTIMAS DO VÍRUS DA PEQUENEZ


Um cidadão regressa do Japão onde esteve internado e tem à sua espera no aeroporto um secretário de Estado da Saúde e uma secretária de Estado das Comunidade. Encontra-se com a esposa, segue levando a bagagem e atrás deles vem a pequena comitiva governamental, até que chegam ao local combinado, onde cuidadosamente estavam as bandeirinhas para tirarem a fotografia.

Mas que raio de espetáculo foi este, o que foram fazer dois membros do governo ao aeroporto? Se fizeram alguma coisa não fizeram mais do que o seu dever, é para isso que têm chefe de gabinete, um enxame de assessores, motoristas, telefonistas, auxiliares, direções-gerais, institutos e muito dinheiro para que nos seus gabinetes haja muito mais conforto do que numa escola. Não se percebe que tenham decido cobrar o que fizeram perante todo o país!

Sejamos honestos, é ridículo ver membros do governo a aproveitarem-se destas situação para aparecerem em fotografia, com ar de quem salvou o homem e a quem todos devemos ficar agradecidos. Mas será que em plena crise o trabalho daquele secretário de Estado da saúde é ficar com cara de pau nas conferências de imprensa e fazer-se às fotografias?

Do outro lado da cidade, em Cascais o espetáculo foi outro. Um Presidente que decidiu bater o recorde mundial de beijinhos e selfies, que se aproveita da treta dos afetos para promover a sua imagem até ao ridículo decide ficar em quarentena e gastar testes só porque houve uma probabilidade muito remota de poder ter estado na mesma sala com algum jovem portador do vírus na fase assintomática.

Sejamos honestos, se todos os portugueses que verificassem esta situação estariam de quarentena a começar na ministra da Saúde que esteve numa reunião coma sua colega inglesa, bem como um colega meu que estava uma fila atrás no avião em que a ministra regressou de Bruxelas , eu próprio porque tomei café com esse colega, todos os que tiveram comigo e por aí adiante, começando por membros do governos, motoristas, familiares e ministros da ministra, etc. etc. Ainda bem que o Reino Unido saiu da UE, senão ficávamos sem governo....

Mas mesmo em quarentena o Presidente não resistiu ao vício da fama e de ser o centro das atenções, foi à varanda nas traseiras da casa e já lá estava uma jornalista para o entrevistar... Não teria sido melhor o Presidente da República usar o seu poder de comunicação e dar alguns conselhos aos portugueses, acabando com essa treta dos afetos e da quarentena? Não seria melhor se alguns governantes se preocupassem mais com o raio do vírus do que com a sua imagem?

segunda-feira, março 09, 2020

O BOM EXEMPLO DE MARCELO


Tanto quanto se sabe o Presidente da República não esteve em contacto com algum doente portador do coronavirus, da sua agenda fez parte um encontro com uma turma do ensino secundário, numa sala pequena, apinhada de gente. A própria Presidência da República esclareceu que o estudante de Felgueiras infetado com o coronavirus não era portador do vírus.

Marcelo decidiu dar o exemplo e ficou na sua casa de quarentena. Será que o exemplo de Marcelo é para seguir?

Vejamos a primeira parte do bom exemplo de Marcelo, num contexto em que se deve evitar o contacto a Presidência da República organiza eventos com salas apinhadas de gente. Apesar dos seus 70 anos Marcelo não prescinde da sua mania da beijoquice e só não foi para mais uma imensa sessão de beijocas, porque com a sua quarentena acabou por não ir à Procissão dos Passos.

Este comportamento é um bom exemplo do que um septuagenário não deve fazer. Vejamos, então, a segunda parte.

Marcelo não esteve em contacto com nenhum doente, esteve numa sala onde estava jovens de uma escola com milhares de alunos, um dos quais se veio a revelar portador do vírus e só por isto o Presidente da República decidiu ficar de quarentena e fazer análises.

Se todo o país seguisse este exemplo estaria de férias até passar a epidemia e teríamos de contratar uma boa parte dos laboratórios europeus para fazer tanta análise.

Enfim, seria bom que Marcelo desse bons exemplo de como evitar o contágio em vez de andar a fazer boletins clínicos e a dar exemplos destes.

sábado, março 07, 2020

DOENTES VIP


Tenho de confessar que já sento vontade de pedir autorização à ministra da Saúde para visitar um dos doentes com corona vírus que estão mesmo aqui ao meu lado, no Hospital Curry Cabral. A razão é óbvia, como há uma grande probabilidade de vir a ser contaminado pelos perdigotos mandado por um quáquer idiota aos berros só porque parei no sinal vermelho, é bem melhor que seja agora e resolvo logo o problema.

Se for contaminado agora sou tratado como doente VIP, tenho direito a quartinho individual, televisão e internet. Se precisar do apoio do enfermeiro é só tocar no botão e é mais do que certo que terei ração reforçada. Não me faltarão visitas, se calhar até tenho direito a secretariado para geria a agenda. Só não tiro uma selfie com o Presidente da República, pois com mais de 70 anos e um par de stents é um sério candidato a passar um mau bocado se ficar doente.

Com alguma sorte serei entrevistado logo que saia do hospital e até pode ser que tenha direito a lugar no programa da Cristina Ferreira ou, na pior das hipóteses, vou para comentador da CMTV. 

Se for contaminado daqui a um mês tenho de ir para a fila dos contaminados que aguardam guia de marcha e o mais certo é ir para uma tenda insuflada emprestada pela Cruz Vermelha, isso se não me mandarem para casa e depois vão lá meter os medicamentos e as refeições à porta, isso se os meus vizinhos não se juntarem e não me atirarem do sexto andar, ou mesmo queimado à porta porque assim ficam com a certeza de que não vou contaminar o cemitério do Alto de São João.

Só não vou num pulinho ali a Milão porque mesmo com tratamento VIP os stents já não ajudam muito pois se tenho menos idade do que o Marcelo a verdade é que tenho mais remendos nas canalizações do que o presidente e depois de já ter jogado à roleta russa com uma probabilidade de sobrevivência bem menor do que os doentes com coronavirús, o melhor é mesmo rezar para que pelo menos desta vez o vaso caia em cima da vizinha.

quinta-feira, março 05, 2020

A BATALHA PERDIDA


A reação ao risco de uma pandemia deve ser feita a pensar na doença e não na imagem dois responsáveis e a verdade é que até há poucas horas parece que há muita gente a ignorar o que pode vir aí e que está mais preocupada em obter ganhos na sua imagem. O caso mais ridículo foi protagonizado por uma ministra da Agricultura que mostrou não saber nada do setor e ter valores éticos muito originais.

Um exemplo desta estratégia de comunicação correu no Algarve. Depois de mais uma vez um governo ignorara a urgência de um novo hospital no Algarve, os responsáveis do ministério desdobraram-se em visitas e referências ao hospital universitário de Faro, uma unidade de saúde a rebentar pelas costuras. A secretária Adjunta e da Saúde Jamila Madeira, uma ex-líder do PS e estudou economia, foi de propósito ao Algarve fazer uma encenação, assegurando que tudo estava pronto para o coronavirus. No dia seguinte dois doentes de VRSA com suspeitas de serem portadores do vírus foram para a Lisboa.

Qualquer pessoa de bom senso sabe que esta é uma batalha perdida para qualquer governo, basta surgir uma centena de casos suspeitos para que se entre em pânico, um pânico que durante semanas parece ter sido promovido de forma mais ou menos irresponsável, isso depois de o problema ter sido ignorado, com a senhora da agricultura ver nele uma boa oportunidade para vender carne de suíno para a China.

Qualquer governo teria de preparar a resposta do sistema de saúde e pensar também na comunicação, mais pela gestão da opinião pública face a uma crise do que para dar ares de grande competência deste ou daquele representante do Estado. Perante uma situação desta seria mais inteligente o governo preparar-se para o pior do que para o melhor, pensando que a pandemia passaria ao lado e que tal se deveria às conferências de imprensa diárias, dadas em função das conveniências uma diretora-geral mandada para a frente ou pela ministra.

Foi um erro e o próprio Marcelo já percebeu o que pode vir aí e até agradece que seja o primeiro-ministro a chamar a si os afetos, beijinhos e selfies.