segunda-feira, abril 06, 2020

A EVIDÊNCIA CIENTÍFICA, A EVIDÊNCIA ARITMÉTICA E A EVIDÊNCIA POLÍTICA


Desde o primeiro caso de covid em Portugal que ministra da Saúde e DG da Saúde se desdobram informando que quem não está contaminado não precisa de usar máscara, bastando manter a distância, acrescentam mesmo que pode ser perigoso e contraproducente usar máscara. Fundamentam esta posição naquilo que referem como sendo as evidências científicas, uma coisa que já vimos ser como as verdades no futebol, o que é evidente cientificamente deixa de o ser uma semana depois.

Mas há também uma evidência aritmética, se apenas os infetados devem usar máscara para não contagiar terceiros e como é sabido que uma elevada percentagem de infetados que não chegam a ter qualquer sintoma e por isso nunca saberemos se estamos mesmo infetados. Mesmo que tenhamos feito o teste uma semana depois já poderemos estar a contagiar terceiros. Aqui entra uma segunda evidência científica, há um par de semanas era cientificamente evidente que sem sintomas não haveria contágio, hoje é cientificamente evidente que há contágio mesmo sem sintomas. Portanto, é uma evidência aritmético científico que se todos usarmos máscaras, aqueles que de entre nós estão contagiados não irão contagiar os outros. Até os netos de Marcelo Rebelo de Sousa souberam explicar isso ao avô, que quando vai às compras leva máscara.

É evidente que a ministra já começou a transição da evidência científica para o seu contrário, diz que tudo isto é dinâmico, ou seja, é mesmo como no futebol, o que é evidente hoje deixará de o ser amanhã.

Talvez não seja propriamente uma evidência científica, mas é óbvio que em Portugal não haviam máscaras suficientes para que além de confinados em casa os portugueses tivessem máscaras para os que trabalham fora de casa ou para quando se é obrigado a ir para a rua. Portanto, se alguém tivesse dito aos cidadãos que tinham de andar de máscara o país entrava em pânico e uma máscara seria bem mais cara do que um acessório da Cartier. Portanto a evidência científica dinâmica dá jeito.

Daqui resulta a evidência política que, perdoe-se a redundância, é evidente que nem o país, nem o SNS tinha stocks mínimos de equipamento de proteção. Poderão dizer que ninguém está preparado para este tipo de “guerra”. Pois, mas para as outras guerras parece que não faltam equipamentos e treinos militares, sinal de que os generais não se mudam, mas sempre há uns que são mais previdentes do que outros.

E por mais que uma tal Jamila Madeira, uma rapariga produto da JS que deve saber tanto de saúde como eu de lagares de azeite, mas que finalmente foi promovida a governante e arvorada no posto de secretárias de Estado e Adjunta da Saúde, se desdobra em idas ao aeroporto, onde com uma linguagem de transitário anuncia a chegada de mais um par de caixotes vindos da China. É pena que  só tenha descoberto estes dotes para a profissão de transitária já depois de estarmos naquela zona da curva onde o crescimento de casos é exponencial.

sábado, abril 04, 2020

O VERDADEIRO INIMIGO


A G3 ou a Ak47 matam facilmente, mas numa guerra os inimigos não são as armas, são os soldados inimigos que as disparam. É por isso que neste caso da luta conta a pandemia o nosso verdadeiro inimigo não é o malfadado coronavírus, mas sim os idiotas que o andam a disparar por aí. É o meu vizinho descuidado que espirra para o corrimão, o desconhecido que por causa da fila desata a berra no hipermercado, enfim, uma infinidade de soldados inimigos que nem usam farda, nem exibem as suas armas.

Mas nesta guerra também há o chamado fogo amigo, muitas vezes provocado pela incompetência de alguns generais. Quando se questionou os riscos de contaminação numa sala de aula ouvi um alto responsável assegurar que não havia grande risco, já que os seus perdigotos dificilmente atingiriam os alunos da primeira fila. Ainda bem que as aulas foram suspensas, porque se acreditássemos nesse responsável a esta hora as escolas seriam hospitais.

Este inimigo mata usando uma nova estratégia de guerrilha, engana os nossos generais inoculando-lhes ignorância e levando-os a tomar decisões erradas, transforma os nossos familiares e amigos em soldados inimigos, coloca minas nos locais mais inesperados, dos óculos ao smartphone, do corrimão aos botões da braguilha.

E enquanto alguns responsáveis anda pulando de evidência em evidência científica ou inaugurando hospitais de campanha ou espalhando um otimismo que apenas serve para termos uma imensa vontade de passear, os inimigos vão-se multiplicando e instalando-se em todos os pontos de onde é mais fácil acertar-nos.

O inimigo pode ser o amigo, o político irresponsável, a senhora da limpeza descuidada. Esta guerra só será ganha com uma arma de destruição maciça, que é a vacina ou a cura. Mas a batalha que agora travamos e que determinará uma grande parte das vítimas que vamos sofrer nesta guerra será perdida se cada um de nós não for um bom soldado e se os nossos “generais” forem irresponsáveis, oportunistas ou incompetentes. O verdadeiro inimigo são os nossos maus soldados e os generais incompetentes.

quinta-feira, abril 02, 2020

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS E CALDOS DE GALINHA

Desde há alguns dias que a DG Saúde recorre à expressão “evidências centíficas” para fundamentar todas as posições que assume. Compreende-se, passados mais de três meses de pandemia que de evidência em evidência tudo o que se diz num dia é desmentido uns dias depois.

A primeira evidência científica era a de que este coronavírus dificilmente era transmissível de pessoa para pessoa, podíamos estar tranquilos porque a moléstia dificilmente poderia chegar cá. Não se entendia como é que na China os infetados se multiplicavam de um dia para o outro sem transmissão pessoa a pessoa. Provavelmente na China era uma versão asiática do filme “Os Pássaros” de Alfred Hitchcock, com as aves a serem substituídas por morcegos.

Era mais do que óbvio, apesar das evidências científicas, que tinha de haver contágio pessoa a pessoa da mesma forma que haviam sérios motivos para recear que a epidemia poderia dar lugar a uma pandemia. Mesmo assim preferiram a evidência científica.

Quando perceberam que havia contágio pessoa a pessoa explicaram que eram só as gotículas, vulgo perdigotos, bastando espirrar para o cotovelo e ficar a uma metro. Depois o metro passou para dois metros, agora já admitem que nem todos os perdigotos são projetados para o chão pela força da gravidade, agora descobriram que há aerossóis.  

Quantas pessoas ficaram infetadas porque acreditaram, nas sucessivas evidências científicas?

Começa a ser óbvio que em vez de coinfiarmos nas tais evidências o melhor é seguir o provérbio popular segundo o quel "cuidados e caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém".

terça-feira, março 31, 2020

UMA COMUNICAÇÃO DESASTROSA




Uma nova tendência Primavera/Verão?
A DG da Saúde esta semana no canal S+ vestida com um casaco decorado com o coronavírus?


A diretora-geral da Saúde está a tornar-se uma caricatura e parece que ainda não percebeu que a comunicação não serve para trabalhar a sua imagem mas sim para influenciar quem a ouve para que tenha comportamentos que evitem o crescimento exponencial da pandemia. Parece que não aprendeu com o erro do famoso cenário do milhão e voltou a exibir-se com conjeturas sobre o cordão sanitário do Porto, revelando uma total ausência de sentido de Estado.

Nem sempre uma boa técnica dá um bom dirigente e esse parece ser o caso desta diretora-geral que de dia para dia é confrontada com cada vez mais erros e contradições. É por isso que circulam vídeos a ridicularizá-la, o último dos quais é um onde ela aparece a entrar com um magote de gente dentro de um pequeno elevador e sugerindo que se voltem para a parece.

É cada vez mais óbvio que ocorreram erros de previsão, que a DGS confiou demais em conclusões pouco credíveis como a de que dificilmente o vírus era transmissível entre humanos, semanas depois do início da crise não há dia em que os dados divulgados pela DGS revelam erros crassos de aritmética, tornando-os pouco confiáveis.

O problema é que a senhora parece pensar que a comunicação serve para gerir a sua imagem e nem os membros do governo respeita. A palavra que mais usa nas conferências de imprensa é “complementar”, porque sempre que a ministra ou o secretário de Estado acabam de falar a senhor acha por bem pedir sempre a palavra para “complementar” o que foi dito. Ficamos com a impressão de que os governantes disseram o que lhes terão dito para dizer, mas esqueceram-se sempre de alguma coisa.

Ontem a conferência acabou com um incidente ridículo, a pobre senhora enganou-se num dado que deu a conhecer, relativo ao pessoal de saúde infetada. No final da conferência o secretário de Estado corrigiu com base numa informação que lhe chegou por SMS. A pobre senhor não se conseguiu conter e explicou que não tinha corrigido porque evita trazer o telefone para a conferência para evitar a contaminação. Enfim, se o secretário de Estado lhe passou à frente é porque usa telemóvel…

É evidente que o governo fez uma grande aposta na comunicação, o que se entende pois o sucesso de qualquer guerra depende muito da comunicação. Lamentavelmente ninguém explicou que numa guerra o objetivo não é gerir a imagem de quem fala.

sexta-feira, março 27, 2020

SILÊNCIO


Há críticas a fazer? Há.

Mas a hora, como diria o nosso estimado Cavaco Silva que parece que perdeu o pior, é de deixar trabalhar. Por maiores que sejam as dúvidas é a hora de deixar trabalhar quem o faz todos os dias e muito para além do que pode ser considerado normal. Por isso não há aqui qualquer crítica às pessoas que dando a cara ou trabalhando nos bastidores.

Estou em casa e não me passa pela cabeça criticar seja quem for que está a correr riscos e a dar o seu melhor para que eu e muitos outros estejamos com alguma tranquilidade a esperar que isto passe. Mais competentes ou menos competentes, devo-lhes pelo menos isto. E não tenciono ir para a janela prestar homenagens a médicos e enfermeiros, preferia não assistir a cenas como alguém protestar porque uma enfermeira usou o seu estatuto de cliente prioritária na fila do supermercado.

É assim, qualquer idiota diz que paga impostos para os outros ganharem enquanto enfermeiros, como se os ordenados dos enfermeiros, médicos ou qualquer outro funcionário fossem gorjetas e não a remuneração de trabalho prestado. Assim o nosso bom povo, tem uma elevada percentagem de idiotas e vemos isso nos dias que passam.

Mas se os idiotas fazem questão de não ficarem calados a verdade é que nos dias de hoje a regra é mesmo o silêncio, deixei de ouvir aviões e a cidade deixou de ser ruidosa, consigo ouvir os pássaros e desde os tempos em que ia para a aldeia da minha avó que não sentia tanto silêncio. Agora só falta ver a Via Láctea parta pensar que estou na Junqueira.

quinta-feira, março 12, 2020

|ESTÁ TUDO GROSSO?|


Quando o país mais precisava de um Presidente da República eis que Marcelo decide dar um exemplo, achou que se tinha cruzado com uma primo de uma sobrinha de um conhecido de um contaminado de Felgueira e impôs a si próprio uma quarentena, durante a qul lhe levam tudo a casa e quando sente saudades de dar ao badalo para o país o ouvir vai à varanda das traseiras onde, coincidência das coincidências, está uma jornalista à espreita.

O bom exemplo que Marcelo poderia ter dado desde há muito tempo era de higiene, pondo fim a essa treta populista do presidente dos afetos, que o leva a beijar tudo e todos, transformando a sua cara no maior jardim zoológico de bacilos vírus, fungos, bactérias e tudo o mais que se mede em microns.

Mas é para vir dizer que está vendo o que o governo faz, assegurar que vai pedir contas, visitar doentes ou fazer boletins clínicos como se tivesse tirado um curso de medicina e a especialidade em saúde pública enquanto esteve de quarentena, o melhor é voltar a dar o exemplo e voltar para quarentena, mas desta vez uma quarentena de quarenta dias, talvez o país regresse a alguma normalidade informativa.

E enquanto o presidente está de quarentena vamos assistindo ao espetáculo proporcionado pelas conferências de imprensa da ministra e da diretora-geral. Só é pena que lá não apareça sempre aquele senhor com cara de pau que finalmente percebi que era secretário de Estado da Saúde, bem como a colega Jamila, a senhora da JS que tanto poderia ter ido para adjunta e da Saúde como para a agricultura, porque quem não sabe de nada serve para tudo.

Ver a senhora diretora-geral dedicar a sua maior intervenção à defesa corporativa dos médicos do hospital de Santa Maria, cuja competência ou honorabilidade ninguém questionou foi deprimente. A verdade é que não há como explicar como é que duas pneumoniass com COVID-19 se “escaparam” quando basta espirrar e ter um primo italiano para ir logo fazer companhia ao Marcelo.

Por favor, metam ordem na casa, deixem-se de gestão da imagem e enfrentem o problema com seriedade e segurança, transmitindo confiança aos portugueses. Deixem-se de palhaçadas e façam um bom programa televisivo explicando a todos as medidas preventivas que devemos adotar.

quarta-feira, março 11, 2020

SOMOS VÍTIMAS DO VÍRUS DA PEQUENEZ


Um cidadão regressa do Japão onde esteve internado e tem à sua espera no aeroporto um secretário de Estado da Saúde e uma secretária de Estado das Comunidade. Encontra-se com a esposa, segue levando a bagagem e atrás deles vem a pequena comitiva governamental, até que chegam ao local combinado, onde cuidadosamente estavam as bandeirinhas para tirarem a fotografia.

Mas que raio de espetáculo foi este, o que foram fazer dois membros do governo ao aeroporto? Se fizeram alguma coisa não fizeram mais do que o seu dever, é para isso que têm chefe de gabinete, um enxame de assessores, motoristas, telefonistas, auxiliares, direções-gerais, institutos e muito dinheiro para que nos seus gabinetes haja muito mais conforto do que numa escola. Não se percebe que tenham decido cobrar o que fizeram perante todo o país!

Sejamos honestos, é ridículo ver membros do governo a aproveitarem-se destas situação para aparecerem em fotografia, com ar de quem salvou o homem e a quem todos devemos ficar agradecidos. Mas será que em plena crise o trabalho daquele secretário de Estado da saúde é ficar com cara de pau nas conferências de imprensa e fazer-se às fotografias?

Do outro lado da cidade, em Cascais o espetáculo foi outro. Um Presidente que decidiu bater o recorde mundial de beijinhos e selfies, que se aproveita da treta dos afetos para promover a sua imagem até ao ridículo decide ficar em quarentena e gastar testes só porque houve uma probabilidade muito remota de poder ter estado na mesma sala com algum jovem portador do vírus na fase assintomática.

Sejamos honestos, se todos os portugueses que verificassem esta situação estariam de quarentena a começar na ministra da Saúde que esteve numa reunião coma sua colega inglesa, bem como um colega meu que estava uma fila atrás no avião em que a ministra regressou de Bruxelas , eu próprio porque tomei café com esse colega, todos os que tiveram comigo e por aí adiante, começando por membros do governos, motoristas, familiares e ministros da ministra, etc. etc. Ainda bem que o Reino Unido saiu da UE, senão ficávamos sem governo....

Mas mesmo em quarentena o Presidente não resistiu ao vício da fama e de ser o centro das atenções, foi à varanda nas traseiras da casa e já lá estava uma jornalista para o entrevistar... Não teria sido melhor o Presidente da República usar o seu poder de comunicação e dar alguns conselhos aos portugueses, acabando com essa treta dos afetos e da quarentena? Não seria melhor se alguns governantes se preocupassem mais com o raio do vírus do que com a sua imagem?

segunda-feira, março 09, 2020

O BOM EXEMPLO DE MARCELO


Tanto quanto se sabe o Presidente da República não esteve em contacto com algum doente portador do coronavirus, da sua agenda fez parte um encontro com uma turma do ensino secundário, numa sala pequena, apinhada de gente. A própria Presidência da República esclareceu que o estudante de Felgueiras infetado com o coronavirus não era portador do vírus.

Marcelo decidiu dar o exemplo e ficou na sua casa de quarentena. Será que o exemplo de Marcelo é para seguir?

Vejamos a primeira parte do bom exemplo de Marcelo, num contexto em que se deve evitar o contacto a Presidência da República organiza eventos com salas apinhadas de gente. Apesar dos seus 70 anos Marcelo não prescinde da sua mania da beijoquice e só não foi para mais uma imensa sessão de beijocas, porque com a sua quarentena acabou por não ir à Procissão dos Passos.

Este comportamento é um bom exemplo do que um septuagenário não deve fazer. Vejamos, então, a segunda parte.

Marcelo não esteve em contacto com nenhum doente, esteve numa sala onde estava jovens de uma escola com milhares de alunos, um dos quais se veio a revelar portador do vírus e só por isto o Presidente da República decidiu ficar de quarentena e fazer análises.

Se todo o país seguisse este exemplo estaria de férias até passar a epidemia e teríamos de contratar uma boa parte dos laboratórios europeus para fazer tanta análise.

Enfim, seria bom que Marcelo desse bons exemplo de como evitar o contágio em vez de andar a fazer boletins clínicos e a dar exemplos destes.

sábado, março 07, 2020

DOENTES VIP


Tenho de confessar que já sento vontade de pedir autorização à ministra da Saúde para visitar um dos doentes com corona vírus que estão mesmo aqui ao meu lado, no Hospital Curry Cabral. A razão é óbvia, como há uma grande probabilidade de vir a ser contaminado pelos perdigotos mandado por um quáquer idiota aos berros só porque parei no sinal vermelho, é bem melhor que seja agora e resolvo logo o problema.

Se for contaminado agora sou tratado como doente VIP, tenho direito a quartinho individual, televisão e internet. Se precisar do apoio do enfermeiro é só tocar no botão e é mais do que certo que terei ração reforçada. Não me faltarão visitas, se calhar até tenho direito a secretariado para geria a agenda. Só não tiro uma selfie com o Presidente da República, pois com mais de 70 anos e um par de stents é um sério candidato a passar um mau bocado se ficar doente.

Com alguma sorte serei entrevistado logo que saia do hospital e até pode ser que tenha direito a lugar no programa da Cristina Ferreira ou, na pior das hipóteses, vou para comentador da CMTV. 

Se for contaminado daqui a um mês tenho de ir para a fila dos contaminados que aguardam guia de marcha e o mais certo é ir para uma tenda insuflada emprestada pela Cruz Vermelha, isso se não me mandarem para casa e depois vão lá meter os medicamentos e as refeições à porta, isso se os meus vizinhos não se juntarem e não me atirarem do sexto andar, ou mesmo queimado à porta porque assim ficam com a certeza de que não vou contaminar o cemitério do Alto de São João.

Só não vou num pulinho ali a Milão porque mesmo com tratamento VIP os stents já não ajudam muito pois se tenho menos idade do que o Marcelo a verdade é que tenho mais remendos nas canalizações do que o presidente e depois de já ter jogado à roleta russa com uma probabilidade de sobrevivência bem menor do que os doentes com coronavirús, o melhor é mesmo rezar para que pelo menos desta vez o vaso caia em cima da vizinha.

quinta-feira, março 05, 2020

A BATALHA PERDIDA


A reação ao risco de uma pandemia deve ser feita a pensar na doença e não na imagem dois responsáveis e a verdade é que até há poucas horas parece que há muita gente a ignorar o que pode vir aí e que está mais preocupada em obter ganhos na sua imagem. O caso mais ridículo foi protagonizado por uma ministra da Agricultura que mostrou não saber nada do setor e ter valores éticos muito originais.

Um exemplo desta estratégia de comunicação correu no Algarve. Depois de mais uma vez um governo ignorara a urgência de um novo hospital no Algarve, os responsáveis do ministério desdobraram-se em visitas e referências ao hospital universitário de Faro, uma unidade de saúde a rebentar pelas costuras. A secretária Adjunta e da Saúde Jamila Madeira, uma ex-líder do PS e estudou economia, foi de propósito ao Algarve fazer uma encenação, assegurando que tudo estava pronto para o coronavirus. No dia seguinte dois doentes de VRSA com suspeitas de serem portadores do vírus foram para a Lisboa.

Qualquer pessoa de bom senso sabe que esta é uma batalha perdida para qualquer governo, basta surgir uma centena de casos suspeitos para que se entre em pânico, um pânico que durante semanas parece ter sido promovido de forma mais ou menos irresponsável, isso depois de o problema ter sido ignorado, com a senhora da agricultura ver nele uma boa oportunidade para vender carne de suíno para a China.

Qualquer governo teria de preparar a resposta do sistema de saúde e pensar também na comunicação, mais pela gestão da opinião pública face a uma crise do que para dar ares de grande competência deste ou daquele representante do Estado. Perante uma situação desta seria mais inteligente o governo preparar-se para o pior do que para o melhor, pensando que a pandemia passaria ao lado e que tal se deveria às conferências de imprensa diárias, dadas em função das conveniências uma diretora-geral mandada para a frente ou pela ministra.

Foi um erro e o próprio Marcelo já percebeu o que pode vir aí e até agradece que seja o primeiro-ministro a chamar a si os afetos, beijinhos e selfies.

sábado, fevereiro 29, 2020

NASCEU UMA NOVA ESTRELA


Quem é que não conhece a libelinha que a Dra. Graças Freitas, diretora-geral da Saúde, costuma ostentar nas suas camisolas? Graças ao pânico generalizado em relação ao coronavírus esta senhora tornou-se na maior vedeta da televisão portuguesa.

Tudo começou com a ministra a transformar o regresso de cidadãos da China numa grande oportunidade para ganhar uns pontitos para a sua imagem cada vez mais desgastada. Juntou um conjunto de secretários de Estado em reapresentação de cada ministério envolvido na viagem, para que ninguém ficasse prejudicado, e organizou uma conferência de imprensa com intervenções todas certinhas e combinadas, encenação em que a ministra foi a amestra.

Uns dias depois, as suas conferências começaram a parecer cada vez mais ridículas, deixando na sua diretora-geral o papel de divulgar diariamente os boletins de saúde. A senhora gostou tanto da notoriedade conseguida que nunca mais largou as televisões. Se a ministra da Saúde quase ignorou os problemas nos primeiros dias, enquanto a ministra da Agricultura aproveitava para exibir a sua ignorância e falta de valores éticos, a diretora-geral da Saúde viu uma oportunidade de disputar o protagonismo de Marcelo Rebelo de Sousa, que também já fez a sua perninha em matéria de diagnósticos e boletins clínicos.

Só que a senhora diretora-geral da Saúde já foi longe demais, percebendo que quanto mais pânico houvesse mais ela seria famosa, desatou a deitar números para a comunicação social, o Expresso avançava com uma previsão de um milhão de contagiados. Poucas horas depois a senhora viu o disparate e ainda muita gente não tinha virado a primeira página do semanário e já a senhora aparecia a corrir, fazendo correções, que o número era outro, que aquilo não era uma previsão mas sim um cenário.

Entretanto, parece que o SNS descobriu que os WC podem ser convertidos em sala de “isolamento” e já há gente a fechar escolas porque uma criança foi a Milão. E tudo isto mereceu a compreensão da senhora diretora-geral que nunca ouviu o Rei Juan Carlos dizer a sua famosa frase, “¿Por qué no te callas?” Parece que esta senhora ainda não percebeu muito bem qual é o seu papel.

quarta-feira, fevereiro 26, 2020

A MINISTRA DA SAÚDE ESTÁ DE QUARENTENA?


Quando o problema surgiu a ministra da Saúde quase não lhe deu importância. Quando se começou a perceber que na China a situação se agravava e foi necessário repatriar os portugueses que estavam na cidade mais atingida a ministra aproveitou para gerir imagem, com conferências de imprensa diárias. Depois terá percebido o ridículo da situação e saiu de cena.

Estava tudo tão tranquilo que a ministra da Agricultura nos fez lembrar as anedotas do ministro Carlos Borrego. A pobre senhora conseguiu ver na desgraça alheia uma grande oportunidade para exportar suínos para a China. Ao fim de uns quantos dias lá terá conseguido perceber a barbaridade que tinha dito e tentou convencer-nos que estávamos todos parvos, que tinha dito outra coisa.

Como a senhora ministra da Agricultura não foi demitida pode ser que venha dizer-nos que novas oportunidades de negócio vão surgir, agora que  vírus parece ter-se instalado na Itália. Provavelmente vamos exportar muitas massas, pizzas e carne picada...

O problema é que começa a ser óbvio que um dia destes não bastará mandar fazer análises a uma ou outra pessoa que se lembre de espirrar depois de chegar de Milão. E ninguém acredita que a haver uma pandemia, como começa a ser muito provável, não bastará uma cama de hospital no Curry Cabral e outra no São. João.

Talvez não fosse má ideia se a ministra deixasse a sua quarentena e aparecesse a dizer alguma coisa.

sexta-feira, fevereiro 21, 2020

GENTE BONDOSA


Ainda não percebi muito bem qual a relação entre os cuidados paliativos e a eutanásia ou o suicídio assistido, já acompanhei um irmão a mudar-se pelo seu pé e aparentemente em forma de uma enfermaria de oncologia para a porta ao lado, que tinha uma placa de identificação que indicava “Cuidados Paliativos” e foi precisamente nessa hora que ele pediu para ser levado para casa, porque se queria suicidar.

Compreendo a bondade de muitas gente que de um momento para o outro se lembrou da necessidade de investimento em cuidados paliativos, mas a verdade é que a quem está em grande sofrimento fisíco e/ou psicológico, acabando que apenas está a aguardar pela morte e sem alternativas terapêuticas pouco importa a bondade destas boas almas. Mesmo assim deve registar-se como positivo o empenho de tantos padres e de gente de direita no investimento no SNS, julgo mesmo que desde que este foi criado que não se via tanta unanimidade.

O problema é que muitos dos que agora são generosos apelando ao investimento em cuidados paliativos, são quase os mesmos que há um par de anos defendiam apoios a todas as mães que não quisessem abortar, que se organizaram em ONG para ajudar essas mães, mas que hoje já se esqueceram dessas causas nobres. Onde estão os deputados que no debate do aborto tanto defenderam o apoio à maternidade, quantos propostas de apoio à maternidade apresentaram entretanto.

Mas também concordo com todas essas boas almas num ponto muito importante, que a questão da eutanásia é uma questão pessoal e que não pode ser decidida por deputados. É verdade, não pode ser decidia por deputados, por magistrados e muito menos por fanáticos que vão ouvir homilias para saberem o que devem impedir os outros de decidir.

terça-feira, fevereiro 18, 2020

O BOM POVO PORTUGUÊS


Das muitas entrevistas a cidadãos de Guimarães que se cruzaram com os jornalistas que os questionaram sobre os acontecimentos ocorridos no estádio da sua cidade a maioria não considerou como sendo racistas os adeptos do seu clube que sugeriram que um ser humano que já tinha sido um deles fosse colocado ao nível de gorilas. Pior ainda, consideraram que a reação podia ser considerada como legitimada só porque o atleta se lembrou de festejar o golo que marcou junto dos adeptos sofredores, a quem deveriam ser dado mimos porque a sua equipa viu uma bola entrar na sua baliza.

Entre todos os cidadãos comuns de Guimarães que não hesitaram em dizer o que sentiam perante as televisões poucos se manifestaram contra o racismo e apenas uma senhora associou o sucedido com a infiltração da extrema-direita nas claques de futebol. Toda a gente sabe que a extrema-direita encontrou nas claques um pasto ideal para crescer, mas a generalidade dos presidentes dos clubes fazem de conta que não percebem. Como durante muito tempo não perceberam os comandos da PSP ou mesmo os dirigentes sindicais, que parecem confortáveis vendo cada vez mais sindicatos a trilharem pelo mesmo caminho.

E como é que personalidades como Sousa Tavares tratam políticos oportunistas que para subirem na vida são o que for necessário e surfando na onda da extrema-direita optaram por ser racistas? Dando-lhes credibilidade cedendo-lhes palco em programa de prime time como se tivessem na sua frente uma grande personalidade mundial. Do alto da sua vaidade sentiram-se grandes democratas do Porto “desfazendo” um benfiquista racista, desta forma minimizaram a questão do racismo a mais um incidente Benfica-Porto ou norte-sul.

É óbvio que o Chega do oportunista vai crescer nas eleições mas isso não sucede porque de um dia para o outro passámos a ser racistas, a deixar de gostar de ciganos ou mesmo a ser imbecis. No bom povo português há de tudo e à medida que a imbecilidade, a xenofobia, o racismo e outras coisas vão perdendo a vergonha o Chega vai crescendo. Afinal, temos tanta extrema-direita como o resto da Europa.

Vivemos num país onde dizemos que não somos racismo mas empaturramos a caixa do WhatsApp dos amigos com piadas racistas, defendemos a doutrina social da igreja e somos democratas exemplares mas há noite cultivamos a imagem do Salazar e dizemos que o Tarrafal não passou de um pequeno beliscão. Somos todos amigos dos africanos mas provavelmente ainda guardamos as fotos de cabeças de africanos espetadas em paus ou mesmo alguma orelha guardada numa caixinha, recordações das primeira campanha em Angola.

segunda-feira, fevereiro 17, 2020

|RACISTAS, COBARDES E IDIOTAS|

Quando Eusébio marcava golos ninguém era racista, ninguém lhe disse para que fosse para Moçambique, nem sequer que o enterrassem na terra dele, nem um se lembrou de contar anedotas, imitar gorilas ou dizer as barbaridades se vão ouvindo. Mais recentemente todos os racistas deste país sentiram o ego nacionalista em alta quando o Éder ou o Ederzinho despachou a França e apagou a luz da Torre Eiffel, não lhes passou pela cabeça sugerir que fosse para a Guiné.

Mas no anonimato do magote de uma claque ou de uma multidão eis que o pior deles veio ao de cima, agora a frustração era descarregada na pele de um jogador. Mas como a claque parecem ser os modelos de virtudes dos presidentes dos clubes o presidente do Vitória logo descobriu que a culpa não seria do racismo, seria uma resposta quase legítima às provocações do jogador. E para o André Ventura a culpa era da Joicine.

Não, em Portugal não há racismo, o que há são muitos cobardes que gostam de se sentir superiores porque com luz natural a sua pele fica branca, como se um qualquer idiota deixasse de o ser só porque a sua pele fica mais branca que a dos outros quando é iluminada. Não lhes basta ser racistas, são também cobardes e idiotas.

quinta-feira, fevereiro 06, 2020

JUMENTO DO DIA


   
António Costa, primeiro-ministro

António Costa pode festejar, mesmo sem geringonça ou apenas com meia geringonça conseguiu impor a aprovação de OE, pelo meio tirou o tapete a Carlos Alexandre ao tornar públicas as respostas a um questionário que de forma ridícula tinha 100 perguntas.

Mas se Costa derrotou Rui Rio, mesmo sem ter sabido tirar partido da pequenez do líder do PSD, a verdade é que não passou uma imagem que conquiste simpatias para além do seu partido,  um partido de deputados disciplinados que apesar dos muitos temas onde deveriam ter defendido os seus distritos, só tiveram um pequeno gesto na questão das touradas. Onde estiveram, por exemplo, os deputados do PS eleitos pelo Algarve na questão do novo hospital do Algarve?

Costa ganhou a votação mas pouco ganhou fora dos seus eleitores. Não basta um OE equilibrado para se considerar que é um bom OE. E se Rui Rio se dedicou às miudezas a verdade é que o primeiro-ministro ficou muito aquém da grandeza de outros tempos. Mais duas ou três grandes vitórias destas e Costa perderá

O CHICÃO DOS PEQUENINOS


Já houve um tempo em que os debates do OE tinham nível, recordo-me de quando a Dra. Manuel Silva, a professora de Política Económica do ISEG recentemente falecida, declarou a propósito de um OE apresentado por Mota Pinto, que na época era primeiro-ministro, que se um aluno lhe apresentasse aquele OE levaria um chumbo.

O debate do OE deixou de ser o grande debate da política económica do governo para ser uma peixeirada digna do Mercado da Ribeira, como se fosse uma banca onde os carapaus e as pescadas fossem substituídos por medidas avulso. É triste ver os partidos mais interessados em apresentarem-se junto dos eleitores como tendo feito aprovar uma determinada medida, como se isso devesse colocar os cidadão em dívida.

É um nojo ver os líderes da direita a dialogar com os da esquerda conservadora, com o presidente de um PSD a declarar de forma quase subserviente que alterou uma medida para que a sua proposta ficasse mais próxima do pensamento do BE. Em vez de debater o OE com grandeza vemos um presidente do PSD a recorrer a truques só para dar beliscões ao PS com a ajuda do BE ou do PCP, enquanto ao seu lado a extrema direita comporta-se com alguma seriedade.

O que pretende Rui Rio? Ir ao Congresso do PSD em Viana do Castelo cantar vitória porque tramou uma linha do Metropolitano ou que conseguiu rasteirar o PS numa qualquer ninharia, graças à ajuda do BE ou do PCP. Parece que com isto Rui Rio não entende que se apresentam junto dos seus pares sem grandeza e parecendo mais um presidente de uma associação de estudantes do ensino básico, uma espécie de Chicão dos pequeninos, do que como um candidato a primeiro-ministro.

quarta-feira, fevereiro 05, 2020

POBRE SENHORA


Ou eu não percebo nada de economia ou esta senhora não sabe nada de agricultura, como pode alguém dizer que com uma potencial crise económica na Ásia a agricultura portuguesa pode beneficiar em exportações?

"Acho que até pode ter consequências bastante positivas. Ainda assim, não tenho dados que me permitam fazer uma avaliação. Atendendo a que é um mercado emergente, em crescimento explosivo, temos de preparar-nos para corresponder à nossa ambição que é reforçar as nossas vendas e equilibrarmos a nossa balança comercial" [declaração da ministra da Agricultura]

Já nem vale a pena comentar o cinismo da declaração, impróprio para um governante de um país civilizado. Enquanto um país se debate e luta com todos os meios contra o risco de uma epidemia de consequências incalculáveis para esse país e para o mundo esta senhora tem uns olhos a lembrar o tio Patinhas e à medida que morrem chineses parece que os seus olhos dão voltas nas órbitas como cifrões a rodar numa slot machine.

Mas ignoremos o lado da pobreza ética, questionemos o que vamos exportar em maior quantidade para a China graças ao coronavirus? Talvez a pobre senhora nos possa explicar, enfim, pode ser que lá mais para o fim do mandato nos saiba dizer alguma coisa sobre exportações agrícolas.

JUMENTO DO DIA


   
Rui Rio, líder do PSD


O mínimo que se pode dizer da forma como Rui Rio encontrou forma de compensar a perda de receita do IVA na eletricidade ´+e que não abona nada a favor da seriedade e inteligência do líder da oposição. É puro populismo decidir fazer um corte nas despesas dos gabinetes ministeriais, independentemente da justificação é evidente que a pequena margem conseguida não tem outro objetivo do que promover o populismo. É ridículo disfarçar o aumento do défice recorrendo a uma nova definição técnica, designando-o por “corte no ajustamento no saldo orçamental”.

O ministro Matos Fernandes est3v3 quase a ser o escolhido já que é ridículo ser o PCOP e o PAN a fazer uma proposta e em vez de fazer qualquer crítica a estes partidos, prefere chamar irresponsável ao PSD por aprovar uma proposta que aqueles fizeram, O ministro considerar tão normal a irresponsabilidade daqueles partidos ou não quer ser frontal e chamar irresponsável a partidos de cujo apoio depende?

segunda-feira, fevereiro 03, 2020

JUMENTO DO DIA


   
Marta Temido, ministra da Saúde


Ontem o país parou para ver uma conferência de imprensa um pouco pacóvia, com uma ministra a abrir e mais um grupo de secretários de Estado que só estavam alia para afirmar a importância dos seus ministérios. Hoje temos mais uma conferência de imprensa dada pela ministra para nos dizer que os vinte portugueses que regressaram da China estão descansando e imagino que de bom apetite.

E para nos dar conta de como estão vinte portugueses que aparentam estar bem de saúde a ministra faz-se acompanhar do diretor do Instituto Ricardo Jorge e da incansável diretora-geral de Saúde. Enfim, parece que há pouco mais do que fazer no SNS e a ministra parece estar muito preocupada em gerir a sua imagem, nem que para isso promova conferências de imprensa ridículas.

Será que esta ministra não tem mais doentes com que se preocupar? Isto começa a ser ridículo de mais para ser verdade, só nos falta dizer que os cidadãos estão com a tensão normal e com boa cor.

A JOICINE SAIU MELHOR DO QUE A ENCOMENDA


Quando a Joicine foi eleita e perante os primeiros debates fiquei logo com a ideia de que uns rapazinhos muito espertos tinham escolhido alguém a pensar nas suas características, a raça e a gaguez, para conseguirem mais votos. Muito ao de leve dei essa opinião, ao de leve porque nesses dias quem ousasse criticar o que quer que fosse na Joicine era logo acusado de racismo e mais meia dúzia de coisas, o LIVRE sentia-se na mó de cima.

Agora é a própria Joicine que acusa o LIVRE de a ter usado e no congresso desta agremiação partidária acusou mesmo este partido de a ter usado para obter proveitos financeiros. Até agora ainda não ouvi ninguém do LIVRE provar o contrário ou contestar a declaração da deputada de que o libelo acusatório que lhe foi apontado estava cheio de mentiras.

O último discurso da deputada foi ainda mais forte ao sugerir que além de não se poder dissociar o racismo do fascismo também não se pode dizer que na esquerda o problema não existe. Porque a ser verdade que houve um aproveitamento da raça e da gaguez, como se nas eleições se tivesse voltado ao tempo dos animais de circo, estamos perante algo de muito grave e o silêncio do LIVRE é preocupante.

Afinal há mesmo racismo em Portugal e do puro e duro. E se a forma como o LIVRE se portou e fez eleger uma deputada nada tem de elegante, as declarações recentes da Joicine tiveram a vantagem de se pôr fim a uma mentira, a de que em Portugal não há racismo, algo que vem na linha de outra mentira, a do colonialismo benevolente que tratava os africanos como iguais, ao ponto de em finais do século XX ainda tentarem passar a imagem de um país com províncias em África.

Compreende-se o ódio que por aí vai em relação à Joicine, quer à direita como à esquerda. EM pouco tempo ficámos a conhecer melhor os nossos fascistas e alguns dos nossos progressistas.

sexta-feira, janeiro 31, 2020

ORÇAMENTALICES


Confesso que desde que o OE me começa a ser indiferente pois dali nada vem a não serem aumentos de impostos. Desta vez parece que nem os cães e gatos se vão escapar de maus uma tachinha, fazendo lembrar um tal António Costa que em tempos criou a expressão “taxas e tachinhas”.

Curiosamente é o mesmo António Costa que em tempos disse que se “se o PS pensar como a direita, acabará por governar como esta”. É também o líder do mesmo PS que criticou o aumento do IVA sobre o gás e a eletricidade.

Mas quando ouço António Costa dizer que não lhe podem pedir para governar com o programa dos outros recordo-me que o argumento nada tem de novo, foi usado por Passos Coelho a seguir às eleições legislativas de 2015.

Um OE é um OE e mais défice menos défice não diferem muito uns dos outros, da mesma forma que demagogia à parte em matéria orçamental os ministros das Finanças ou os primeiros-ministros são todos muito parecidos nas medidas e nos argumentos.

Há apenas uma coisa que eu gostaria de ver alterada neste OE, que fosse eliminado o aumento de 03% dos vencimentos dos funcionários públicos. Porque tal percentagem não é um aumento mas sim uma humilhação e posso perdoar tudo a António Costa, mas não lhe admito que goze com as pessoas.

quinta-feira, janeiro 30, 2020

JUMENTO DO DIA


   
Rui Rio, uma espécie de líder partidário

Sobre a eutanásia não quer saber do que os outros pensam porque dá liberdade de voto e, portanto, não interessa o que ele próprio pensa, sobre a sugestão de deportação da deputada do LIVRE feita pelo deputado da direita não tem nada a ver porque é um problema de dois deputados e sobre as propostas ao seu congresso não sabe porque não leu a moção. Então para que é líder do PSD?

terça-feira, janeiro 28, 2020

O BOM HACKER


Suponhamos que muito antes do Caso Marquês os responsáveis da SONAE pretendiam vingar-se do BES e do Ricardo Salgado, por os ter impedido de comprara a PT, decidissem vasculhar os ficheiros do grupo BES em busca de indícios de corrupção. Pagavam umas dezenas ou mesmo centenas de milhares de euros a um bom hacker e nada fosse encontrado tudo bem, ao menos ficavam a saber de todos os segredos do Ricardo Salgado. Se encontrassem algo que pudesse indiciar Sócrates por corrupção, antecipavam o caso Marquês em vários anos e o hoje o hacker concorria com o Carlos Alexandre no protagonismo.

Por este andar os grandes grupos passariam a contratar hackers para saber os segredos da concorrência, os clubes de futebol tentariam ganhar com a ajuda de um hacker o que não conseguiam com os muitos milhões gastos em contratações falhadas. Daqui a que os próprios governos decidissem iludir as regras em matéria de direito penal, arranjando formas mais expeditas de investigação é um passo. Se já ouvi uma ministra de um governo de esquerda manifestar apoio à delação premiada não me admiraria se a ouvisse defender a investigação paga.

Os fins justificam os meios e parece que toda a evolução civilizacional em matéria de direito penal está sendo ignorada em nome de mais justiça. Primeira a delação premiada, a seguir os hackers contratados, um dia destes alguém encontra bons argumentos contra a tortura. Pergunte-se a um pai cujo filho desapareceu se concorda ou não com o recurso à tortura de um suspeito para recuperar esse filho com vida. Faça-se um referendo e vejam-se os resultados.

Num tempo em que são os jornalistas a promover o crime ou a aproveitarem-se dele para conseguirem primeiras páginas vale de tudo. Lá se foram os bons princípios de Balsemão, agora que a sua empresa é a beneficiária local dos negócios de um hacker os bons valores da democracia devem ser ignorados.

De certeza que o hacker que copiou os servidores do Benfica não foi pago por um ou vários rivais com o fim de destruir este clube? De certeza que o Estado angolano não pagou o serviço ao hacker para desta forma conseguir o que o seu general procurador-geral não conseguiria? De certeza que o hacker é um rapaz generoso que vive do ar enquanto se dedica a copiar servidores de bancos, de procuradores, de clubes e de advogados?

domingo, janeiro 26, 2020

CDS: CHEGA PARA AQUI


Parece que o CDS vai ter um problema muito complexo no Parlamento, onde o deputado mais próximo das ideias do Chicão, em vez de serem os deputados do CDS a estarem próximo dos seus valores, é o deputado do Chega que mais se identifica com ele. Resta saber se a partir de agora vamos saber o que o Chicão pensa através da líder parlamentar ou o melhor é ver no deputado da extrema-direita o verdadeiro representante do líder do CDS.

No mundo da bola a moda é imitar quem ganha, se o SLB aposta em jovens o Pinto da Costa faz o mesmo, se o treinador do SLB é inexperiente o SCP contrata um estagiário. Se o discurso extremista do Chega deu resultado os militantes do CDS escolheram o candidato que mais se identifica com esse discurso.

Não deixa de ser irónico ver o CDS suicidar-se quando o grande erro de Crista foi precisamente a adoção de um discurso extremista que a levou á derrota. É provável que Assunção Cristas fosse a melhor dos líderes partidários que se apresentaram nas últimas eleições, mas lamentavelmente a líder do CDS prescindiu da inteligência e adotou um discurso ao estilo dos “velhos” retornados do Rossio. O resultado foi um desastre e agora os seus pares parecem querer apostar numa linha ainda mais dura.

PS: Este país aceita tanmquilamente que o mesmo PGR de Angola (um general) nada faça para julgar o vice-presidente de Angoila e que agora venha sugerir que no caso da perseguição á famíliqa dos Santos quer julgar portugueses em Luanda. Ninguém manda este senhor general que usa óculos de ouro à bradamerda?

sexta-feira, janeiro 24, 2020

MAU TEMPO NA JUSTIÇA


Nunca imaginei ver um ministro da Justiça em democracia vir prestar uma homenagem pública ao ministro da justiça de um regime ditatorial, que durante o seu mandato deu cobertura aos julgamentos dos democratas nos tribunais plenários. Houve um tempo em que alguns governantes da direita portuguesa tentavam recuperar algumas figuras do passado, mas nunca tiveram a coragem de ir tão longe como foi a ministra de um governo de homens como Mário Soares e Jorge Sampaio.,

Há tempos sentia indignação quando via gente da justiça brasileira, uma justiça que tem muito de duvidoso, vir a Lisboa sugerir a adoção de regimes simplificados de produção de prova e de condenação, para dessa forma poupar no trabalho de produzir prova em tribunal. Na ocasião alguma direita ficava excitada, pelo que nunca me passou pela cabeça que fosse uma ministra de um governo que ajudei a eleger com o meu voto que viesse agora sugerir tais expedientes.

Há uns tempos a justiça angolana e o seu PG fizeram gato sapato da justiça portuguesa, no caso de corrupção envolvendo o vice-presidente de Angola. Costa chamou-lhe um irritante e superado o irritante o caso está esquecido. Agora é o PG de Angola que vem encomendar serviços à justiça portuguesa e o que mais se ouve no governo é a inteira disponibilidade para colaborar com uma justiça angolana que, em matéria de combate à corrupção, tem dois pesos e duas medidas.

Sempre pensei que a justiça serve para condenar os culpados e ilibar os inocentes, um princípio tão basilar que se prefere libertar um culpado a condenar um inocente. Nunca imaginei que a caminho de meados do século XXI uma PGR, que tem por dever defender a legalidade, desse instruções aos procuradores para que nos julgamentos insistissem em pedidos de condenação mesmo quando eles próprios consideram que não há matéria para condenar.

Na América o retrocesso da democracia chegou pela mão do Trump, no Brasil pela mão do Bolsonaro e começo a achar que em Portugal chega pela mão dos que menos seria de esperar, pelos da justiça.

quinta-feira, janeiro 23, 2020

DO HIRRITANTE AO HILARIANTE


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Ao acusar o vice-presidente angolano Manuel Vicente dos crimes de corrupção ativa, branqueamento de capitais e falsificação de documento a justiça portuguesa criou aquilo a que num momento dispensável de humor o primeiro-ministro português designou por irritante, logo ele que costuma dizer “à política o que é da política e à justiça o que é da justiça”.

O problema resolveu-se quando o Tribunal da Relação decidiu que o caso devia ser enviado para a justiça angolana. Sendo Angola, ao que agora dizem, um Estado de direito e uma democracia seria de esperar que o PGR daquele país dê continuidade ao processo, até porque se Angola está tão empenhado em combater a corrupção teria aqui um bom exemplo. Enquanto não apanham a Isabel Eduardo dos Santos podia pegar no Vicente que está ali mesmo à mão e treinar os seus dotes de justiça democrática.

O próprio presidente João Lourenço disse que se o problema era a imunidade de Vicente a solução seria fácil, bastaria que fosse pedido à Assembleia Nacional o levantamento da imunidade parlamentar. Acontece que o mesmo procurador-geral de Angola que para combater a corrupção até diz que está a caminho de Lisboa, enquanto por este lado todos manifestam a disponibilidade para colaborar com a justiça angolana, nada faz no tal caso que era um irritante.

Parece que há irritantes e irritantes ou que há corrupção e corrupção e no caso do Vicente bastou uma pomadinha para que a irritação passasse. Agora parece que o poder doi dinheiro está do lado do Vicente e dos amigos e já nada irrita.

Tudo isto começa a parecer hilariante.

terça-feira, janeiro 21, 2020

UM PROBLEMA DE SARNA


Os nossos capitalistas democratas, especialistas em vender quotas das suas empresas a endinheirados em busca de lavatório, rebaixaram-se perante a filha do ditador angolano a um ponto que metia nojo a qualquer ser humano. Basta ver as imagens televisivas de passagens da rapariga por  Lisboa para vermos empresários, advogados, jornalistas e governantes a sorrirem de uma forma tão bajuladora que quase nos ofendiam enquanto portugueses.

Agora que a senhora pode ter caído em desgraça, vítima de uma golpada que ofende os mais elementares princípios constitucionais de qualquer democracia, eis que vemos todos estes cobardes a dizerem que nunca conheceram a pessoa ou que não lhes passaria pela ideia a hipótese de a sua fortuna ser questionável. Fogem dela como o diabo da cruz e só não sugerem o seu internamento compulsivo num leprosário porque já não existem.

Quem sempre criticou a ditadura do MPLA, o roubo dos recursos angolanos pelas elites do partido no poder, é agora ultrapassado por uma matilha de gatunos, de velhacos que não hesitaram em lamber o rabo à ricaça, na esperança desta lhes dar uma gorjeta, talvez uma assessoria bem remunerada, uns casos de contencioso ou, muito simplesmente, uma boa gorjeta. Aqueles que ganhara músculo financeiro à custa do dinheiro fácil de Angola, dizem agora estar a reavaliar a relação.

Estão esquecidos de quando qualquer labrego do MPLA era recebido honrosamente nos palácios desta burguesia oportunista, ou de quando os nossos jornalistas nos davam a boa nova de uma Avenida da Liberdade cheia de lojas de luxo para vender a angolanos?

A história repete-se, os que bajularam Ricardo Salgado, Isabel dos Santos e muitos outros, são os mesmos que agora dão pontapés nos rabos que no passado lamberam de forma tão servil.

domingo, janeiro 19, 2020

O RIO GANHOU AO MONTENEGRO


Terminada a contenda interna no PSD os analistas avaliam agora quais as vantagens ou desvantagens das escolhas dos militantes do PSD que tinham as quotas em dia. Mas ninguém questiona se as propostas de um ou de outro eram as melhores para o país, o que se avalia já nem sequer é se a escolha animou ou não as hostes do PSD. A grande questão agora está em saber se esta foi a melhor ou a pior escolha para António Costa.

O que é melhor para Costa, a abertura ao diálogo de Rui Rio ou a alergia dos d Passos Coelho a qualquer contacto com o PS? Parece que a questão está em saber se O PSD é um cometa que aparece de vez em quando e o que está em causa é saber daqui a quantos anos poderá voltar a ver-se o seu rabo luminoso, ou se é uma espécie de satélite do PS que anda às voltas deste partido afetando as suas marés.

António Costa era à partida o único ganhador, Se Montenegro ganhasse isso ressuscitaria a Geringonça, a ameaça de regresso dos de Passos Coelho seria o melhor cimento para manter esta aliança bem consolidada. Mas com Rui Rio o PCP e o BE terão de decidir se pretendem continuar a ser necessários aproximando posições ao ponto de serem negociáveis ou se optam por ser quase oposição, empurrando o PS para acordos com o PSD de Rui Rio.

António Costa é a desejada e os seus verdadeiros inimigos nem sequer estão na oposição mas sim no seu governo. Tem um governo com quase cem pessoas de quem quase nem sabemos meia dúzia de nomes e quanto mais são e mais próximos estão do aparelho partidário, mais incompetentes serão e a probabilidade de aparecer por aí um ajudante de pasteleiro promovido a assessor é muito grande.

É muito provável que nem PSD nem PS ganharam com a escolha de Rui Rio, da mesma forma que não ganhariam com Montenegro. António Costa não tem concorrentes para ser o maior partido, da mesma forma que o PSD não tem concorrente para o estatuto de líder da oposição. São dois partidos cada vez mais velhos e sem qualquer dinamismo interno.

sábado, janeiro 18, 2020

A SUBVENÇÃO

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Se há um par de meses alguém sugerisse que o LIVRE usou a cor da pele da Joicine ou a sua gaguez para ganhar votos, usando estas características de forma oportunista, fazendo lembrar ouros tempos em as características das pessoas eram usadas para espetáculos cairia o Carmo e a Trindade. Ninguém podia criticar a Joicine ou sugerir que a gaguez era um obstáculo, seria logo apelidado de racista ou pior.

Agora é a própria Joicine que acusa os responsáveis do LIVRE sugerindo que a escolheram para ganhar a subvenção que o Estado paga aos partidos. A deputada do LIVRE foi muito clara “Elegeram uma mulher negra que gagueja e deu jeito para a subvenção”. É uma acusação muito grave, então o partido dos mais puros da vida política portuguesa usou a gaguez e a cor da Joicine para ganharem mais votos?

Era bom que os dirigentes do LIVRE esclarecessem esta questão que não é nada que muita gente não desconfiasse, ainda que era quase proibido dizer. Aquilo que a deputada do LIVRE disse é aquilo que muitos pensam, independentemente das qualidades humanas e políticas da deputada, que pela sua intervenção no congresso do seu partido parece valer muito mais do que muitos dos dirigentes do LIVRE.

Parece que esta extrema-esquerda ainda mais fina chegou ao seu fim, depois desta acusação da Joicine o melhor será fecharem o LIVRE.

sexta-feira, janeiro 17, 2020

Jumento do Dia


   
Alexandra Leitão, ministra da Modernização Administrativa e da Administração Pública

Uau, devemos estar gratos à ministra da ministra da Modernização Administrativa e da Administração Pública, graças À sua generosidade parece que os funcionários públicos vão ter a felicidade de beneficiar de um aumento superior a 0,3%. Deus lhe pague senmhora ministra.

«A Função Pública vai poder contar este ano com aumentos salariais para além dos 0,3% já anunciados pelo Governo. A revelação foi feita pela ministra da Modernização Administrativa e da Administração Pública, Alexandra Leitão, na Assembleia da República, onde está a ser ouvida esta sexta-feira sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2020 (OE/2020).

"Estamos neste momento a convocar os sindicatos para nova ronda negocial. E o primeiro ponto é precisamente os aumentos salariais", afirmou a ministra, revelando que "vamos apresentar aos sindicatos, em primeira-mão, o que será acrescentado aos 0,3%". E indicou ainda que o aumento adicional não irá apenas abranger o salário mínimo no Estado.» [Expresso]

quinta-feira, janeiro 16, 2020

JUMENTO DO DIA


   
Fernando Medina, autarca de Lisboa

Desde os tempos da famosas forças de obstrução do pouco saudoso Cavaco SIlva, que não se ouvia um ataque tão descabelado por parte de um político no exercício de funções a uma instituição, neste caso o Tribunal de Contas. E se o ataque é inaceitável por parte de um presidenete de uma autarquia falando nessa qualidade, quando ainda por cima assenta num pressuposto errado.

É verdade que a Segurança Social visa apoiar socialmente os cidadãos, mas isso não significa que os seus recursos sejam uma espécie de banco alimentar contra a fome de dinheiro por parte das instituições. Ao contrário do que sugeriu Medina o seu património é mesmo para valorizar no mercado e é por isso mesmo, que ainda recentemente o país se sindignou quando o governo de Passos Coelho teve a brilhante ideia de usar os recursos financeiros da Segurança Social na dívida do Estado.

O património financeior ou imobiliário da Segurança Social não serve para apoios sociais mas sim para sustentar o sistema de pensões. Para apoiar as autarquias existem outros mecanismos financeiros e temos muitas dúvidas que neste capítulo da habitação o orçamento seja o do Ministério do Trabalho.