quinta-feira, janeiro 05, 2017

Uma economia apodrecida

Em Portugal fala-se muito em manter competitivas empresas que os deixaram de o ser porque são incapazes de manter níveis salariais compatíveis com o padrão de dignidade da nossa sociedade nos dias de hoje e no quadro de uma economia europeia. Fala-se muito pouco na necessidade de estimular a competitividade das empresas ou de promover o nascimento de empresas competitivas.

A economia portuguesa é uma maçã em grande medida apodrecida, uma boa parte do seu tecido empresarial é incapaz de gerar desenvolvimento e sobrevive porque a economia sofre da arteriosclerose resultante da falta de competitividade. Neste ambiente é perigoso nascer, estimula-se o aumento dos “patos-bravos”, as empresas exploram os consumidores que são tratados como rebanhos dentro de um redil.

A nossa tradicional falta de competitividade não resulta apenas dos custos salariais, em Portugal os salários sempre foram baixos e nunca vimos a CIP satisfeita, por vontade dos Saraivas a solução estaria na escravatura e mesmo nesse caso ainda se lembrariam de pedir ao Estado que pagasse subsídios de alimentação para tornar os escravos ainda mais baratos. O grande problema da economia portuguesa está na incapacidade de promover as empresas competitivas, é uma economia cheia de esquemas proteccionistas, que visam ajudar os piores a vencer.

Na origem deste caldo de podridão que asfixia a nossa economia estão causas como as seguintes:

Os ditos organismos reguladores:

Os organismos reguladores que deveriam servir para proteger os clientes de abusos e promover a concorrência nalguns dos mais importantes sectores, parece serem protectores dos abusadores, como se tem visto no sector financeiro.

A inexistência de um sistema de justiça:

Em Portugal a justiça serve para que os consumidores e as empresas desistam dos seus direitos, situação que favorece os oportunistas. Ir a tribunal é dispendioso e pode levar anos a que se consiga uma decisão.

A corrupção

A corrupção serve para que alguém menos capaz ganhe um negócio partilhando lucros fáceis com o decisor. Fala-se muito da corrupção no desempenho de cargos públicos, mas a verdade é que é um mal transversal à economia e, muito provavelmente, há mais corrupção envolvendo negócios privados do que públicos.

As empresas falidas

Em Portugal há milhares de empresas que estão falidas por má gestão mas existem nos mercados, destruindo empresas saudáveis, graças a esquemas jurídicos com os famosos "PER", na maioria das vezes apoiados por bancos que querem adiar a aceitação do prejuízo pelas decisões levianas na concessão de crédito a negócios duvidosos. Estas empresas sobrevivem no mercado com expedientes e destruindo empresas saudáveis com a sua concorrência desleal.

Evasão fiscal

Tal como sucede com os gestores de empresas falidas os gestores de empresas que não cumprem com as obrigações fiscais e contributivas usam essa competitividade para destruir as empresas que cumprem, fazendo-lhes a vida no inferno.

É ridículo que com uma economia em avançado estado de decomposição, o grande problema da competitividade esteja em meia dúzia de euros de salário mínimo.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas, especialista em combustíveis

Assunção Cristas decidiu falar do preço de combustíveis um pouco como dondoca que por via familiar depende do negócio, como dona de casa e como líder partidária que vai a uma estação de serviço sem self-service para não sujar as mãos, mas acima de tudo como dona de casa que sabe comparar dois preços, pouco se importando com as causas. Se Sousa Franco fosse vivo diria dele o que certa vez disse de Jorge Coelho, que a líder do CDS fala como um cavador.

Percebe-se que a líder do CDS, habituada representar os mais cristãos interesses salariais na economia, dê ouvidos aos gasolineiros como o pai ou ao senhor UBER do marido. Tirando isso não disse mais nada intelectualmente audível, disse as suas baboseiras do costume.

«O CDS vai voltar a propor no Parlamento que seja eliminado o adicional do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), já que “o preço do petróleo está a subir e não há necessidade de fazer essa correção”. O alerta sobre o aumento dos combustíveis este ano foi feito pela líder do partido Assunção Cristas, que convocou os jornalistas para o momento em que abasteceu o carro (com 20 euros) numa bomba de Alvalade, sendo confrontada com um negócio que também é o do seu pai.

“O meu pai tem uma bomba de gasolina, por acaso não é aqui mas tem há muitos anos e foi durante muitos anos representante do setor através da ANAREC“, a Associação Nacional de Revendedores de combustíveis”. Cristas respondia desta forma à pergunta de uma jornalista, depois de na primeira abordagem ter contornado a questão. Quando questionada sobre se era sensível ao tema por ter um familiar com uma bomba de gasolina, a líder do CDS respondeu apenas que “não” e que era sensível “porque qualquer português tem de pôr gasóleo todos os dias ou com muita frequência para poder andar. É um exercício que todos fazem e os que não fazem pagam-no por via dos aumentos dos transportes públicos“. O pai de Cristas tem uma bomba em Belém, segundo confirmou o Observador junto do CDS, e foi presidente da mesa da Assembleia Geral da ANAREC.

Assunção Cristas diz que ao manter-se o adicional do ISP, “não está a ser cumprido o princípio da neutralidade fiscal”. “Quando o Governo aumentou o adicional disse que era para compensar a baixa do petróleo”, argumentou a líder centrista dizendo que entretanto os portugueses ficaram a saber “que a vantagem da baixa do petróleo não ia para o bolso dos consumidores mas para o cofre das finanças. Essa foi a primeira deceção, a segunda foi saber-se que a neutralidade fiscal prometida pelo governo rigorosamente não aconteceu”.» [Observador]

      
 Le Pen oportunista
   
«A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, defende a saída de França da zona euro, mas que a moeda se mantenha no resto da Europa. A líder da extrema direita francesa e candidata à eleições presidenciais de maio mostra, pela primeira vez, preocupação com os efeitos de instabilidade nos mercados cambiais provocada pela saída do país da moeda única.

“Eu quero uma moeda nacional com o euro como moeda comum”, disse Le Pen à BFMTV, mostrando que quer manter uma moeda francesa em paralelo com a existência do euro e acrescentou mesmo: “E o ECU o que era?” A Unidade de Conta Europeia era um mecanismo de estabilização cambial, criado em 1979, que servia para suavizar ou corrigir as oscilações entre as moedas dos vários estados-membros.» [Observador]
   
Parecer:

Le Pen quer ganhar na UE jogando com políticas cambiais, tirando partido de uma moeda nacional num mercado comum.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quarta-feira, janeiro 04, 2017

Proteccionismo oportunista

Trump, os responsáveis pelo Brexit e a nova extrema-direita ocidental, uma extrema direita que pouco tem que ver com os velhos tiques neo-nazis, faz uma nova abordagem do proteccionismo, não se limitam a defender as vantagens do proteccionismo, como temos visto no EUA e Trump ainda não tomou posse, estes proteccionista tentam impor as suas regras.

Nos EUA Trump faz chantagem sobre empresas americanas que se instalam no estrangeiro, não é difícil de adivinhar que um dia fará ameaças às empresas estrangeiras que vendam no EUA e não instalem lá as suas fábricas, depois irá ameaçar os americanos que adquiram bens estrangeiros que são ou podem ser produzidos nos EUA. Não se trata de deixar o mercado funcionar em função de regras proteccionistas, é impor decisões económicas aos agentes económicos sob ameaça e chantagem.

No reino Unido, os imbecis que ainda sonham com o velho império, ao que parece a rainha velha e decrépita partilha destas ideias, estão convencidos de que saindo da EU podem concorrer na Europa exportando sem se sujeitarem às regras de concorrência mais apertadas da EU, sem terem de respeitar quaisquer normas de funcionamento dos mercados e sem assumirem os custos políticos e financeiros que decorrem de um grande mercado comum. Os proteccionistas ingleses estão convencidos de que podem ter todas as vantagens da E, sem terem de assumir os seus custos.

Estas formas de proteccionismo não constam nos manuais de relações económicas internacionais e não podem ser avaliadas à luz da teoria económica. Desde David Reicardo que a teoria das relações económicas internacionais explica as vantagens do livre comércio. Mas esta extrema-direita introduziu uma variável que não constam nos modelos teóricos da economia, a chantagem do poder. A protecção não se faz apenas sonb a forma de barreiras pautais, é forçada pelo recurso à chantagem. Trump fez com a Ford o que Hitler fez com muitas empresas, o medo passou a ser uma variável económica.

A partir de agora o que julgam poder recorrer à lei do mais forte tenderão a optar por este caminho. Os operários que no passado eram firmes apoiantes dos partidos comunistas, vievm hoje frutados nas grandes cidades e vêm nesta nova extrema-direita uma esperança para o regresso ao passado, desta vez sem adorar o Pai dos Povos.

Não estamos apenas perante um problema a resolver no plano da Organização Mundial do Comércio, os confrontos serão políticos, como se tem visto nas relações de Trump com a China. Brevemente não envolverão apenas os governos, os cidadãos que se opõem a esta nova vaga internacional de fascismo terão que decidir na hora de comprar um carro, de escolher um banco ou de escolher um electrodoméstico se devem comprar a alguém que beneficia deste proteccionismo oportunista ou se deve opor-se ao fascismo boicotando as suas marcas.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Catarina Martins, santa inquisitora ideológica do PS

Já estive internado num hospital público gerido através de uma PPP e o meu testemunho é o de que a gestão era mais competente e os serviços de melhor qualidade do que os proporcionados por um outro grande hospital público onde estive internado na mesma ocasião. Mantive-me em contacto com profissionais desse hospital e garantiram-me que tinha ocorrido uma queda abrupta da qualidade com o regresso à gestão pública conduzida pela respectiva ARS.

Seria interessante comparar o desempenho e os custos dos dois modelos de gestão nesta unidade hospitalar, não se confundindo a construção e exploração de uma auto-estrada com a gestão de um hospital. Desde que tive doente e fi tratado num hospital público gerido por uma entidade privada que não tenho os preconceitos que a Catarina Martins evidencia.

Não tenho a certeza de que hospitais geridos por gente escolhida pelas concelhias dos partidos tenham melhor resultados e apresentem custos mais baixos do que os hospitais geridos com base na malditas PPP. O meu critério é o da qualidade e não tenho a certeza que o critério da ideologia conduza a melhores resultados.

Já agora, convém dizer que é muito feio a líder do BE falar em nome dos militantes e eleitores do PS, chamando a si a função de intérprete dos seus desejos. Já foi feito o senhor dos leitões ter dito que representava metade dos eleitores do PS, é ridículo que a líder do BE venha agora armada em Santa Inquisição do PS.

«A coordenadora do Bloco de Esquerda afirmou hoje que o seu partido está "frontalmente" contra novas Parcerias Público-Privadas (PPP), nomeadamente na saúde, antevendo que "muitos socialistas ficarão altamente desiludidos" se o Governo mantiver tais intenções.

Catarina Martins, após uma visita ao Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), comentava assim o facto de o ministro da Saúde admitir a hipótese de um concurso internacional para os operadores privados fazerem uma proposta de valor melhor do que a atual para o Hospital de Cascais.

"O BE opõe-se frontalmente a novas PPP na saúde. O Governo pode ainda e deve recuar. Este não é um problema que conte só com a oposição do BE. Acho que ninguém no país percebe que se façam novas PPP. Atrevo-me mesmo a dizer que muitos socialistas ficarão altamente desiludidos se este Governo, ao invés de ter gestão pública do que é público, prosseguir no caminho das PPP, que todo o país sabe que tem sido desastroso", disse.» [Notícias ao Minuto]

 Um ministro cheio de Pica

O ministro do Ambiente está cheio de pica para a democracia e a propósito da entrega do STPC aos autarcas da região mais parecia um António Aleixo, construindo versos como "A pica que o PICA me dá". Enfim, um ministro inspirado pela pica.

Já tinha visto António Costa oferecer geringonças, agora é o ministro do Ambiente que distriibui pica para quem a quer sem pastilhas do Paulo Futre, só me resta ver o ministro da Agricultura oferecer-nos um espectáculo de porcos a andar de bicicleta.

 O défice certo



      
 Proibir a venda de produtos de risco na banca
   
«O Bloco de Esquerda quer proibir a venda de produtos de risco nos balcões dos bancos, que têm criado lesados como ocorreu com o BES e o Banif, e António Costa já se mostrou disponível para “pôr em ordem” o sistema financeiro. Ou seja, há interesses convergentes à esquerda.

O BE pretende recuperar um pacote de iniciativas da anterior legislatura – em que o PS se absteve e PSD e CDS chumbaram – para evitar “mais lesados” da banca, conta o “Diário de Notícias” esta terça-feira. Esta informação foi avançada por Pedro Filipe Soares, dirigente do Bloco, em declarações ao matutino.

“Não havendo nenhuma alteração à lei, dependendo apenas e só de uma ideia de que todos cumprirão as regras existentes, essas regras são permissivas ao ponto de podermos estar a criar novamente lesados para o futuro”, apontou o deputado.» [Expresso]
   
Parecer:

Resta esperar que as tabacarias deixem de vender tabaco, os talhos acabem com o toucinho, as lojas da Santa Casa ponham fim ao vício do jogo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogie-se o BE por tanta bondade sanitária.»
  
  Boicotar a Ford é boicotar Trump
   


«A Ford Motor Company anunciou esta terça-feira que vai cancelar os seus planos de construção de uma estrutura de 1300 milhões de dólares (1235 milhões de euros) no México para investir 700 milhões de dólares (665 milhões de euros) na construção de uma fábrica no Michigan nos EUA. A decisão foi tomada com base nas políticas “pró-crescimento” defendidas pelo Presidente eleito, Donald Trump.

À CNN, o presidente-executivo (CEO) do fabricante automóvel americano, Mark Fields, explicou que a decisão é um “voto de confiança” em relação ao ambiente favorável ao investimento que está a ser criado por Trump. Desta feita, ficam salvaguardados pelo menos 700 postos de trabalho que iriam passar para o México.» [Público]
   
Parecer:

A partir de agora a marca Ford está associada a Trump, podendo sujeitar-se a um boicote global. Curiosamente esta ligação da Ford ao que de pior existe na política vem dos tempos de Hitler.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 O outro lado da UBER
   
«Entrámos no carro de Cândida* numa noite chuvosa de dezembro. O trânsito de hora de ponta prolongou a viagem entre a estação de Santa Apolónia e o Bairro Alto, em Lisboa, dando tempo à condutora para resumir os primeiros dois meses de trabalho para a Uber. “Como entrei a meio de outubro não o trabalhei completo, por isso ganhei muito pouco”, começa por explicar, para logo percebermos que, pelo seu primeiro mês de trabalho completo, novembro, Cândida conseguiu apenas 440 euros. Foram seis dias de trabalho por semana, 12 horas por dia. “Treze horas em vésperas de feriado”, acrescenta.

Fazendo a conta aos 26 dias que trabalhou, por cada uma das 312 horas recebeu 1,41 euros à hora. Brutos, porque grande parte dos motoristas são contratados em regime de recibos verdes e, daquele valor, ainda é preciso subtrair os impostos a pagar. Não há subsídio de férias, de Natal nem de almoço. Não há dias de férias pagos, nem proteção em caso de doença. Por cada viagem feita em Portugal, a Uber ganha 25%. Cândida ganha 35% do total das viagens, mais 5% se for assídua, ficando a empresa que a contratou com o restante. Apesar de fazer o horário de quem tem um emprego e meio, ganha menos que os 530 euros de salário mínimo fixados pelo Governo — que subiu para 557 euros a 1 de janeiro de 2017.

Mesmo assim, Cândida mantém o sorriso, com o entusiasmo de quem só agora começou um novo desafio. “Se calhar eu ainda não conheço os melhores sítios, onde há mais clientes”, arrisca. Mas também não pode circular muito à procura deles, porque o contrato que a empresa tem com o rent-a-car sobe consoante o número de quilómetros feitos. E a condutora é avaliada por tudo o que faz: quilómetros percorridos, acelerações, travagens. Tudo medido pela tecnologia. “O meu filho já tinha estado na Uber, mas não se deu bem com isto”, conta.» [Observador]
   
Parecer:

Talvez Assunção Cristas tenha algo a dizer sobre o assunto.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-ser a esposa do Mr. UBER.»

terça-feira, janeiro 03, 2017

De morto a hiperactivo

Convencido de que o diabo lhe devolveria o poder com a desgraça orçamental que seria anunciada com a execução orçamental de Setembro, o sempre J que lidera o PSD optou por fazer de morto, em Lisboa era morto e ninguém dava por ele, fora de Lisboa promovia a bandeirinha do primeiro-ministro no exílio, passeando a bandeirinha em encenações organizadas para fazer crer que ele era o primeiro-ministro desejado pelo povo.

Mais uma vez as coisas correram mal, as sondagens a que ele não liga insistem em convidá-lo a sair, pelo que decidiu fazer mais um upgrade na sua estratégia. Não esperou pela Páscoa e como não há nada de novo para que nascesse no Natal, decidiu comemorar a quadra antecipando a Páscoa, tentando ressuscitar com uma coisa modernaça, uma Newsletter!

Ao que parece inspirou-se no mundo da bola, como a estratégia Sportinguista do Facebook não resultava, porque o dele parou no tempo em que em pleno Natal elogiava o sacrifício de uma senhora que deixou de tomar banho por falta de dinheiro para água quente. Usar Guerras também não seria uma boa ideia pois já ninguém no PSD quer dar a cara por ele, a não ser a Maria Luís e o truculento Amorim. Optou pela Newsletter do FCP, sendo de esperar que comece a contar as grandes penalidades cometidas pelo governo na preparação das autárquicas.

É óbvio que esta palhaçada digna dos tempos das eleições das associações no Ensino preparatório vai durar pouco, se ninguém se dá a trabalho de ler o Povo Livre, muitos menos serão os que se darão ao trabalho começando o dia por ler as babsoseiras da Newsletter. Até porque pelo primeiro número a imaginação não é grande. Ainda por cima sabemos que estas coisas são escritas por mãos amigas, sendo óbvio que desta vez alguém muito fiel à ex-ministra Maria Luís, que tutelou a gestão da dívida, deu uma ajudinha opinião sobre matéria da competência da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP, E.P.E..

O mais curioso é que a Newsletter não existe, não tem qualquer formato, não tem qualquer link no site do PSD. Não passa de um texto não assinado, que é apresentado na secção de Notícias e que de diário não parece ter nada, neste dia 3 ainda não saiu o número dois. Enfim, mais uma falhanço na estratégia pessoal de Passos Coelho, que insiste em abordar a política nacional com os truques dos seus tempos de JSD. De asneira em asneira vai afundando o PSD.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Deputado Amorim

Só mesmo o truculento Amorim teria imaginação suficiente para ver uma manobra do PS visando derrubar Passos Coelho. Criativo e imbecil, só ele é que não percebe que a última coisa que o PS quer é qeu Passos Coelho se vá embora.

«O vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Carlos Abreu Amorim saiu em defesa de Passos Coelho, insurgindo-se contra os críticos do líder social-democrata. Abreu Amorim garantiu, numa longa publicação na rede social Facebook, que “aqueles que exigem uma mudança de líder estão a cumprir, alguns sem o saberem, os ditames estratégicos de Costa que só espera por essa oportunidade para se solidificar no poder”.

O deputado começou por salientar que nos últimos meses se tem agravado “uma feroz campanha mediática” contra o líder dos sociais democratas que pretende “convencer, à pressão, que Pedro Passos Coelho não tem futuro político e que a sua presença na liderança do PSD empobrece as hipóteses de regresso ao poder da atual Oposição”.

Abreu Amorim salientou que “nada disto é novo” e que a tentativa que reza o fim próximo de Passos Coelho é antiga, mas “falhou sempre”. Lembrou ainda que em 2010, quando Passos chegou à liderança “muitos dos inteligentes de serviço (ancorados em sondagens igualzinhas às de agora) juravam que não conseguiria vencer o PS de Sócrates e que nunca seria primeiro-ministro”.» [Observador]

 O PS faz bem em apoiar Rui Moreira no Porto?

Cada vez que Rui Moreira recorre ao discurso miserabilista da capital do norte com a do país interrogo-me se o PS faz bem em deixar de ter agenda própria numa cidade que durante muitos anos governou, para apoiar um populista que pouco ou nada fez, pouco ou nada fa e que se limita a pavonear-se e a repetir o discurso miserável de algumas personalidades populistas, como sucedeu recentemente com a comparação do porto de Lisboa com o de Leixões.

Este imbecil acha bem que a frente ribeirinha da capital seja uma estrada por devem circular centenas de camiões de e para o porto de Lisboa, transportando mercadorias perigosas pelo centro de uma capital ou dezenas de milhares de produtos a granel.

Se o PS apresentasse uma candidatura própria e perdesse, não perderia mais do que uma autarquia, que cômputo geral vale tanto como Castro Marim. Mas ao apoiar este populista o PS perde toda a sua identidade e, muito provavelmente, vai estar associado a um incompetente e dessa forma perder o Porto por muitos e bons anos.

 O Regresso do Garganta Funda do regime

Durante muito tempo Marques Mendes fez de informador do regime, era o "garganta Funda" oficioso do governo de Passos Coelho, que se servia dele para ir testando a opinião pública com fugas de informação convenientes. Com a queda de Passos o tempo de antena de Marques Mendes  na SIC perdeu qualidade e interesse.

Mas eis que ainda há uma ilha do PSD com informação confidencia, à falta de Passos Coelho parece que Marques Mendes passou a ser o Garganta Funda do Sr. Costa, do BdP. O problema é que as inconfidência do banco em relação ao Novo Banco podem custar muitos milhões ao país. Só mesmo neste país cheio de bandalhos é que um qualquer Marques Mendes vem para a televisão divulgar o que o governador do bano central vai fazer.

Uma vergonha para o país, para o BdP e para o seu governador.

 Cavaco, Marcelo e a mensagem de Ano Novo

Os discursos foram muito parecido, mas Marcelo não parecia ter engolido uma esferográfica, não precisou de teleponto e não parecia ter a boca cheia de favas. em tudo o resto Marcelo fez um discurso igual aos de Cavaco.

Antes da mensagem de Ano Novo foi possível ver outra diferença, enquanto Cavaco dava banhos de multidão encenados por autarcas amigos, Marcelo deu um banho na Praia da Rainha, em Cascais. Com isso fez esquecer uma mensagem de Ano Novo que depois de intervenções ao ritmo de duas ou três por dia já ninguém prestou a mais pequena atenção.

      
 Se vivesse no Porto votava 
   
«Miguel Seabra, líder da concelhia do PSD Porto, garante que até agora ainda não foi feito o convite formal a Álvaro Santos Almeida para ser o candidato do partido à segunda Câmara do país, situação que deverá ocorrer em meados de janeiro, após o nome do docente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto ser confirmado, esta semana, ao nível concelhio e na próxima semana na distrital.

Álvaro Santos Almeida é o nome mais insistentemente apontado desde novembro nos meandros do partido para tentar travar a recandidatura do independente Rui Moreira, já apoiada pelo CDS e a que se deverá aliar o PS, parceiro de coligação pós-eleitoral na Câmara do Porto que não deverá ir a votos.» [Expresso]
   
Parecer:
Entre um populista inútil, incompetente e irritante e Álvaro Santos Almeida não teria a mais pequena dúvida em votar no candidato do PSD:
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «lamente a escolha preguiçosa do PS no Porto, sinal da perda de qualidade dos seus líderes locais.»
  
 Outra vez a maldita declaração de rendimentos
   
«António Domingues estava disponível para continuar na Caixa até ao final de janeiro, dando tempo ao BCE para aprovar a administração de Paulo Macedo, mas quando foi convidado por Mário Centeno, apenas dois dias antes da saída, avisou que o governo teria de garantir que o prolongamento seria juridicamente enquadrado ao abrigo da mesma legislação que regeu o contrato original — ou seja, antes de a 1 de janeiro de 2017 os gestores da Caixa terem passado, de forma clara, a ter de entregar os rendimentos ao Tribunal Constitucional. Mais do que a entrega de uma nova declaração, o que estava em causa para Domingues era não perder a razão que acredita ter no polémico caso das declarações que se arrastou ao longo do ano passado e culminou com a sua saída do banco público.

Domingues entregou junto do Tribunal Constitucional a declaração de rendimentos, no ano passado, mas fê-lo ao mesmo tempo que fazia uma defesa de que, na sua opinião, não teria de o fazer. O caso está a ser apreciado pelos juízes do Palácio Ratton. Neste contexto, quando Mário Centeno telefonou a António Domingues, na quinta-feira (29), enquanto Domingues estava fora, em férias, o agora ex-presidente da Caixa avisou: aceitava ficar mas não seria, em termos simples, “apanhado na curva” e não iria aceitar um contrato em novos termos — caberia ao governo encontrar forma legal de o fazer.» [Observador]
   
Parecer:

Até parece que António Domingues não quer "sair" da CGD, agora que a sua saída é certa. parece que aceitava ficar mais um mês mas sem de entregar a maldita declaração de rendimentos, isto é, pretendia que o governo o autorizasse a ser uma excepção à lei. Quando será que os nossos gestores aprendem que não estão nem acima da lei, nem das regras da democracia?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o espectáculo.»

segunda-feira, janeiro 02, 2017

A luta de classes nos escalões do IRS

Ao mesmo tempo que 2016 foi um ano de paz social, também assistimos a uma intensa luta de classes dentro dos escalões do IRS. Se Passos Coelho conduziu uma política brutal de austeridade que visava superar a crise espoliando pensionistas e proletarizando a Função Pública, os partidos que suportam a Geringonça manifestaram grandes preocupações sociais com os dois primeiros escalões do IRS.

A esquerda conservadora portuguesa insiste em ter esta abordagem quase religiosa da luta de classes, chamando ao seu regaço os que considera mais pobres, mesmo que algumas realidades eleitorais no estrangeiro sugiram que são estes grupos sociais os mais firmes apoiantes da extrema-direita. O próprio PS não resistiu a esta tentação e tem no secretário de Estado dos Assuntos Fiscais o seu guru ideológico, foi quem definiu quem era rico e ficava fora da sua generosidade, esses malandrecos que ganham 2000 euros. Não só foram condenados a suportar a austeridade, agora em dose dupla, continuaram com cortes e IRS em sobre-dose, ao mesmo tempo que suportam o aumento dos IECs.

A luta de classes já não é o que era, já não se assaltam palácios de Inverno, agora tudo é feito de forma ordeira por via do IRS,  imposto sobre os que trabalham. A nossa versão da palavra de ordem “os ricos que paguem a crise” tem uma abordagem que foi explicada pelo tal guru do PS, que isso faz-se por redistribuição fiscal dos rendimentos. Isto é, as famílias dos primeiros escalões são aligeiradas de impostos ou os seus rendimentos são financiados pelo Estado através da TSU, e tudo isto é suportado pelos burgueses dos outros escalões.

O problema é que se a política pode funcionar às mil maravilhas com base numa geringonça, o mesmo já não sucede com uma economia. Se a situação económica já não é brilhante por causa da falta de investimento, pode mesmo gripar se os tais ricaços dos 2000 euros continuarem a emigrar. A verdade é que esses ricaços não são só os que ganham mais, são também os que produzem mais, os que viabilizam a realização dos investimentos que apostam em novas tecnologias e os que suportam a despesa pública com os seus impostos directos e com os impostos sobre o seu consumo. São também os que investem mais na educação dos filhos e que desta forma alimentam essa coisa tão apreciada que são as startups. Se continuarem a asfixiar esses ricaços dos dois mil euros, um dia destes Portugal é um país de pensionistas pagos pelos impostos que incidem sobre ordenados mínimos, o que não deverá ser muito viável.

Talvez não seja má ideia pensar que há duas gerigonças, a geringonça da política e a geringonça da economia e que não é muito inteligente conseguir que uma funcione gripando a outra.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
SIC Notícias

A SIC Notícias acaba 2016 de forma muito pouco digna, decretando a morte antecipada de Mário Soares.


(imagem de A. Bernardo)

      
 Temos Mao
   
«Depois do mergulho de ontem, hoje Marcelo Rebelo de Sousa voltou à praia dos Pescadores, em Cascais, para um banho revigorante. Ontem foi o último de 2016; hoje foi o primeiro de 2017. Uma tradição com quase 40 anos que o agora presidente da República pretende manter.

Se conseguir manter esta minha prática - não sei se consigo - ajuda-me. A pessoa está ali só com céu e mar e esquece tudo", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa enquanto se enxugava depois do banho.

O presidente tinha a temperatura da água bem controlada, apesar de duvidar dos dados oficiais. "Teoricamente devia estar boa: 16,1 graus. Mas acho mais fria do que isso. Está mais quente do que ontem, que estava a 14,7, mas não acho que esteja a 16,1, acho que está menos", disse.» [DN]
   
Parecer:

O Tejo não é o Yangtze onde Mao Tsé-Tung nadou, é o que se arranja...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Um presidente da Comissão pouco exemplar
   
«O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, passou anos, enquanto ocupava o cargo de primeiro-ministro do Luxemburgo, a bloquear os esforços da União Europeia para combater a evasão fiscal por parte de grandes multinacionais. A revelação é feita pelo jornal britânico The Guardian com base em telegramas diplomáticos alemães a que teve acesso, juntamente com o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação e a rádio alemã NDR.

No centro da história está um comité criado pelos Estados membros para discutir o código de conduta fiscal para as grandes empresas, que era uma forma de evitar que os diferentes países entrassem em conflito na defesa das suas próprias políticas fiscais, umas mais permissivas do que outras, e fossem vulneráveis às pressões das multinacionais.

Criado há perto de 19 anos, este foi sempre, diz o Guardian, um dos comités com maior nível de secretismo de Bruxelas. O que os documentos agora revelados mostram é a forma como um pequeno grupo de países “muitas vezes liderado pelo Luxemburgo”, com o apoio da Holanda, conseguiu “atrasar, diluir ou travar” medidas que obrigariam as multinacionais a cumprir as suas obrigações fiscais.» [Público]
   
Parecer:

Começou o jogo sujo do Brexit?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Hoje é dia nacional de fazer o bebé!
   
«Aparentemente, o dia 2 de janeiro está a ser apelidado de o ‘Dia nacional de fazer o bebé’ graças ao facto de tantos casais optarem por tentar a sua sorte nesta altura do ano. Mas qual a razão para isso acontecer?

De acordo com as respostas a um inquérito da Channel Mum, os casais explicaram que o segundo dia do ano é o ideal para desfrutarem da companhia um do outro, depois de todos os excessos cometidos no Natal e antes de voltarem ao trabalho.

E, segundo dizem, a hora ideal para os casais tirarem a roupa é exatamente às 10h36, pois 71% dos inquiridos responderam que é por volta desta hora que partem para o ato sexual. De acordo com as respostas, futuras mamãs e papás optam por procriar no início do ano, pois 73% afirma que têm mais tempo para estarem juntos, 48% diz que se sente mais feliz por ser Natal e 28% explicou que o espírito nacional os faz sentir mais perto do seu parceiro.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O problema está na hora, principalmente para os que trabalham....
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

domingo, janeiro 01, 2017

2017: Recuperar a esperança


Desde 2008 que alguns portugueses vivem em regime de austeridade, ainda com Sócrates foram vítimas de um corte arbitrário do vencimento. Passos agravou a situação, aumentou e consolidou os cortes, reduziu os rendimentos recorrendo aos mais diversos truques e a sua orgia de ódio aos funcionários públicos ficou completa com a condenação pública, acusando-os de serem uma mera despesa.

A perseguição de Passos aos que considerara estarem a mais no país alargou-se aos pensionistas, aos jovens qualificados e, por fim, a todos os que vivem de rendimentos do trabalho. Os funcionários públicos foram condenados a ganhar cada vez menos, a vivem permanentemente com medo e sob ameaça de personagens ridículas como Passos, Vítor Gaspar, Maria Luís Albuquerque, Paulo portas e mais alguns sacanas.

Hoje já me considero um veterano da austeridade, mas o pior do que nos sucedeu talvez não tenha sido a perda de rendimentos, foi o ambiente de medo, a condenação social, a redução da condição de trabalhador a uma despesa pública ou a um custo para os empresários, a perda do direito a negociar cortes de vencimentos ou de horários de trabalho, face a um governo com mais poderes do que os de Pinochet.

Há quase dez anos que muita gente perdeu o direito a ver o seu vencimento actualizado como se isso fosse um crime, a ver os patrões a recusarem quaisquer aumentos como se as empresas tivessem como único objectivo o o lucro a distribuir pelos patrões. A Gerigonça pôs fim ao medo, á incerteza, livraram os portugueses de experiências económicas conduzidas por idiotas. Mas a verdade é que não nos devolveu a esperança.

Portugal já era um dos países mais pobres da Europa, graça a Passos passou a ser um país miserável onde quem trabalha não tem esperança. Estuda-se arquitectura para se ganhar menos que uma mulher a dias, estuda-se direito para se ser escravo de grandes advogados a troco de pouco mais do que o ordenado mínimo, a única esperança dos jovens está na emigração, a grande ambição dos trabalhadores do sector privado é não serem despedidos, os funcionários públicos foram condenados a viver sem expectativas.

2017 será o meu nono ano de austeridade e espero que cobrem impostos em vez de andarem na bola, não vá a sobretaxa ser disfarçada em 2018 de uma alteração de escalões do IRS. Mas já que parece que decretaram que Portugal vai ser um rico país cheio de pobres e já que muitos de nós continuaremos a ser mulas de austeridade, ao menos que devolvam a esperança.


2017