domingo, novembro 28, 2010

Semanada

Nesta semana o país ficou a saber aquilo que sempre foi evidente, Pedro Passos Coelho deseja a vinda do FMI e gostaria de governar amparado por um acordo com o FMI que seria o seu próprio programa de governo. Por outro lado, Sócrates quer governar à FMI mas sem qualquer acordo e fazendo de conta de que o programa do governo foi o aprovado na sequência das eleições legislativas. A disputa política já não se trava em torno da natureza das medidas mas sim dos seus custos eleitorais, Sócrates não quer assumir a responsabilidade da vinda do FMI e Passos Coelho quer governar com um cheque em branco para medidas de austeridade, usando o FMI para impor ao país o seu projecto de revisão constitucional.

Teixeira do Santos, o ministro do Estado e das Finanças acumula agora com a pasta de ministro do Estado a que chegámos substituindo-se a meio governo, no trabalho propõe a reforma da legislação labora, na edução propõe mais uma reforma, na economia propõe uma redução generalizada de salários. Depois de ter sido eleito pela comunicação social como o ministro mais remodelável. Depois de anos de cinzentismo o professor do Porto revela-se um liberal assumido em nome do interesse do país.

Sócrates vem em apoio do ministro e alerta para a necessidade de executar este orçamento, isto é, o país ficou a saber que há dois tipos de orçamentos, os que são um faz de conta, como sucedeu com o de 2010 e os que são mesmo para aplicar. A partir de agora sempre que um OE for aprovado no parlamento o país espera que na sua intervenção final o primeiro-ministro informe o país se o documento aprovado é mesmo para ser aplicado ou apenas é para inglês ver.

Entretanto, parece que Manuel Alegre ainda é candidato presidencial.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Cogumelos na Quinta das Conchas

IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO

Fim de tarde [A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

Pedro Passos Coelho

Desde que chegou a líder do PSD Pedro Passos Coelho muda semanalmente de estratégia em função dos resultados nas sondagens, se estas lhe são favoráveis provoca instabilidade política, quando sucede o inverso afirma-se como um defensor da estabilidade.

Desta vez foi longe demais e mostrou o jogo, há muito que Passos Coelho aposta tudo na vinda do FMI, um acordo com o fundo poderia ir de encontro às suas exigências em matéria de revisão constitucional e permitiria atribuir a responsabilidade de medidas duras ao PS, assegurando-se que daqui a um ou dois anos poderia voltar a governar com a ilusão das vacas gordas.

Pedro Passos Coelho é um político irresponsável e oportunista que não hesita em entregar o país nas mãos dos especuladores para obter proveitos políticos.

«Numa entrevista exclusiva ao semanário «Expresso», o líder do PSD confessa «estar preparado para tudo» inclusive estar «pronto» para governar com o FMI, se «isso ajudar Portugal».

O líder laranja diz ainda, na entrevista, que se Portugal vier a precisar da intervenção do FMI ou do fundo europeu «essa ajuda vai prologar-se por quatro a seis anos, nunca menos». Concluindo que «espero ser primeiro-ministro fora de um quadro desse tipo». » [Portugal Diário]

OS BLINDADOS E OUTROS ROMBOS NO CASCO DA NAÇÃO

«Sei que muito já se disse sobre o tema. Sei que muita questão já se levantou sobre o assunto. Mas acho determinante voltar ao problema. Ao verdadeiro problema: o da falta de explicações do Governo sobre o rol interminável de anormalidades que foi o processo de compra de material para a cimeira da NATO.

O Governo decidiu investir quase um milhão e meio de euros para comprar seis blindados e outra parafernália de meios antimotim. Fê-lo, em tempo de crise e sucessivos apertos, recusando o uso dos recursos existentes e disponibilizados por outras forças policiais. Fê-lo usando o argumento de urgência pela proximidade de um evento cuja data era conhecida há um ano, sem concurso público e por ajuste directo. Fê-lo com a desculpa absurda (e este é o adjectivo mais simpático que encontro) de que os blindados serviriam depois para entrar nos bairros problemáticos (?!), quando os atrasos já eram públicos e a polémica alastrava. E agora, mesmo tendo recebido apenas 10% de toda a encomenda e um único dos seis blindados, sendo que este só chegou um dia depois da cimeira para o qual foi comprado ter terminado, o Governo continua a achar que não deve quaisquer explicações aos portugueses.
Não só deve como está obrigado a dá-las. »
[DN]

Autor:

Por Filomena Martins.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ESPANHOLA DIZ QUE É DONA DO SOL

«"Sou proprietária do Sol, estrela de tipo espectral G2, que se encontra no centro do Sistema Solar, situada a uma distância média da Terra de aproximadamente 149 600 000 quilómetros", lê-se na acta, citada pelo jornal ‘La Voz de Galicia’.

Angeles Durán explicou que não existe nenhuma proibição que a impeça de ser dona do Sol, citando o caso de um norte-americano que se apropriou de todos os planetas e da Lua.» [CM]

MARINHO PINTO REELEITO

«António Marinho Pinto foi sexta-feira reeleito como bastonário da Ordem dos Advogados conseguindo 9532 votos num universo de 20521 votantes, revelou fonte ligada ao processo.

Segundo a mesma fonte, citada pela agência Lusa, nas eleições para o triénio 2011-2013, Fernando Fragoso Marques terminou na segunda posição, com 5991 votos, seguido de Luís Filipe Carvalho, com 3666. Os resultados divulgados são ainda provisórios porque faltam apurar os votos referentes ao Conselho Distrital da Madeira, uma vez que a assembleia distrital foi suspensa. No entanto, nas eleições para o Conselho Superior, a lista ligada a Fernando Fragoso Marques, liderada por Óscar Ferreira Gomes, garantiu a vitória com um total de 7268 votos num universo de 19584 votantes. Ainda de acordo com a mesma fonte, a lista afecta a Marinho Pinto, encabeçada por Isabel Duarte, foi a segunda mais votada, com 6353 votos, à frente da lista de João Pereira Rosa, com 3958 votos.» [DN]

Parecer:

Uma voz que não se cala e ainda não foi desta vez que a calaram.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

UMA BAIXA NO GOVERNO

«O ministro da Justiça, Alberto Martins, vai assumir as competências do secretário de Estado João Correia que havia apresentado a demissão na segunda-feira, anunciou hoje o Ministério.

"A demissão do secretário de Estado da Justiça está aceite" e o ministro "assumirá as competências que lhe estavam delegadas", revela fonte do Gabinete de Imprensa do Ministério.

Em declarações ao jornal i, o secretário de Estado revelou que apresentou o pedido de demissão no dia 22 de Novembro (já depois da aprovação do Orçamento de Estado para 2011), alegando que o trabalho que o levou ao Governo já está concluído: as reformas do mapa judiciário, do processo civil, do processo penal e da lei da arbitragem. » [DN]

Parecer:

E Sócrates não remodela?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver até onde vai a teimosia de Sócrates.»

A VEZ DA ESPANHA

«Espanha deverá ser o próximo país da lista a ver-se forçado a recorrer ao fundo de emergência UE/FMI, defendem cada vez mais analistas. As baterias antes apontadas a Portugal desviaram nos últimos dias a sua trajectória para o país vizinho, com um peso seis vezes maior na economia europeia e a passar por uma reestruturação do seu sistema bancário, que, embora a uma escala bem menor do que na Irlanda, não tem conseguido evitar as comparações.

Zapatero descarta "em absoluto" a necessidade de um resgate e diz basear-se em "dados concretos". Mas a Irlanda também insistia na mesma tecla e não deixou de capitular, o que só prova que os mercados quando querem têm uma grande capacidade para transformar rumores em certezas.» [DN]

Parecer:

A Espanha já é um peso pesado o que pode obrigar a Europa a uma abordagem diferente do problema.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

NOVO COPY/PASTE

«Aprovado o Orçamento de austeridade, o Governo vai pôr em prática a segunda fase do plano anticrise. O caminho é estreito e passa por ajustamentos ao mercado de trabalho e uma aposta forte do investimento em reabilitação urbana, apurou o DN.

De São Bento saem duas ordens claras para os ministérios: cumprir à risca as metas do défice e, ao mesmo tempo, fazer tudo por tudo para evitar a recessão e pôr a economia a crescer. A receita do Executivo parece inspirada na que foi posta em prática pelo Governo socialista espanhol. Sócrates parece acreditar que seguindo os passos de Zapatero verá a luz ao fundo da crise.» [DN]

Parecer:

Parece que a única ideia de Sócrates é o TGV e mesmo essa não é original.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»

IA HAVENDO CHAPADA NA BANCADA PARLAMENTAR DO PS

«Houve um momento, na reunião de quinta--feira à noite na bancada do PS, em que alguns pensaram que a conversa poderia evoluir para um cenário sul-coreano de chapada e pontapé. Foi quando Renato Sampaio, líder do PS-Porto, gritou para Manuel Mota (eleito por Braga): "Isso é um insulto!" e "isso eu não te admito!".

Manuel Mota tinha acabado de acusar Renato Sampaio de adoptar um "princípio trotskista" por exigir a "responsabilização" dos que, na bancada do PS, expressassem no plenário da AR as suas reservas ao OE 2011 sob a forma de declarações de voto. "Há camaradas que só se preocupam em interiorizar a mensagem da oposição. Há camaradas que se tentam promover com tristes manifestações de populismo. Espero que amanhã [ontem, dia da votação final do OE] não tenhamos declarações de voto em catadupa", dissera o líder do PS-Porto - figura tida como muito próxima do primeiro- -ministro, José Sócrates.» [DN]

Parecer:

Veremos o que sucede quando tiverem que aprovar uma revisão da legislação laboral mais liberal do que a defendida por Passos Coelho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»

"MENINO GUERREIRO" VAI SER AVÔ

«Gonçalo Santana Lopes, de 30 anos, já sabe que o bebé é do sexo masculino e a sua mulher, Mafalda Castro, de 36, deverá dar à luz em Abril do próximo ano.

Santana Lopes, 54 anos, já referiu que a notícia o encheu de "satisfação e alegria".

O filho mais velho do antigo primeiro-ministro e a sua antiga assessora casaram-se em Julho, numa discreta cerimónia civil, em Sintra. A primeira aparição pública do casal depois da boda foi na ModaLisboa, em Outubro. » [DN]

Parecer:

Digamos que já tem idade para ter juízo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Terá?»

PORTUGUÊS DESCOBRE TORDO RARO NO PRÍNCIPE

«Ave era conhecida, mas o biólogo Martim Melo conseguiu perceber que se trata de uma nova espécie. A má notícia é que está ameaçada.

A suspeita existia há muito. Um tordo raro da ilha do Príncipe, avistado apenas em seis ocasiões nos últimos 111 anos, parecia ser outra espécie distinta, não só do tordo- -de-são-tomé mas também dos seus congéneres africanos. O biólogo Martim Melo, que há anos estuda a evolução das espécies de aves em África, e que é investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO), da Universidade do Porto, cruzou-se com esse tordo-do- -príncipe pela primeira vez em 1998. Em 2004 conseguiu capturar um exemplar e em 2007 outros três. Os seus estudos confirmaram agora as suspeitas. Trata-se de uma nova espécie de tordo, que só existe na pequena ilha do Príncipe. Mas a má notícia é que o Turdus xanthorhynchus, como o baptizou, está "em perigo crítico de extinção", o nível mais elevado de ameaça.» [DN]

A MINISTRA "BOAZONA" DE BERLUSCONI AMEAÇA DEMITIR-SE

«A novata não tinha qualquer experiência política, mas talvez Berlusconi tenha subestimado a sua capacidade. Na semana passada, Carfagna insurgiu-se publicamente contra a escandalosa gestão da crise do lixo na sua região natal e prometeu demitir-se a 15 de Dezembro, no dia seguinte a uma votação crucial para o primeiro-ministro. A 14, o Senado italiano votará uma moção de confiança ao Governo e a Câmara dos Deputados vota a moção de censura apresentada pela oposição. A dupla votação ditará a sobrevivência do Executivo.» [DN]

NÃO HÁ DINHEIRO PARA AQUECIMENTO

«Nos principais revendedores de lenha e gasóleo de aquecimento a chegada do frio ainda não fez aumentar as vendas. Luís Carvalho, que abastece de gasóleo de aquecimento a região de Viseu, confirma-o. "Estamos a vender menos que em anos anteriores em que o frio até foi menor." O comerciante não tem dúvidas de que "as pessoas antes ligavam a caldeira em finais de Outubro, agora esperam que comece o Inverno".

Nas lenhas a situação não é melhor. Em Cabanões, o estaleiro de Manuel Antunes continua com "muita lenha para vender". A crise "obrigou as pessoas a economizar e agora vende-se menos. E mesmo os mais afortunados investiram em recuperadores de calor e com uma tonelada passam o frio", desabafa. Outros "deixaram de comprar e vão andando pelos pinhais à cata de galhos e árvores caídas que cortam e levam para casa".» [DN]

Parecer:

A crise vai levar muitos portugueses a bater o dente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao frugal ministro de Estado (a que chegámos) e das Finanças»

EMPRESAS PÚBLICAS AINDA NÃO SABEM COMO VÃO CORTAR SALÁRIOS

«As empresas públicas têm que apresentar até final do ano os seus planos de execução orçamental, com os respectivos cortes salariais. Mas a pouco mais de um mês para o fim do prazo, o Sector Empresarial do Estado (SEE) ainda não sabe como vai fazer esses cortes, pelo que ainda não apresentaram qualquer plano ao Governo.

Os cortes salariais previstos pelo Governo arriscam chegar ao terreno depois de 1 de Janeiro. Por isso, na quinta-feira, o secretário de Estado do Orçamento, Emanuel dos Santos, frisou que a medida será retroactiva. Ou seja, mesmo que os sistemas informáticos só sejam actualizados mais tarde ou que as empresas públicas se atrasem a adaptar a medida, será feito o acerto quando a solução for encontrada.» [DE]

Parecer:

Se conseguirem encontrar uma solução para violar a lei laboral abrem o caminho para um corte generalizado dos salários em todo o sector privado, que aplica a mesma legislação.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao ministro de Estado (a que chegámos) e das Finanças se tem a certeza de que a decisão é legal.»

JUSTIFICAÇÃO INGÉNUA

Gostei de ver o esforço do Câmara Corporativa para explicar as excepções ao corte dos salários pagos pelo Estado. Só é pena que se tenham esquecido de que na Função Públicas também há quem ganhe remunerações variáveis associadas ao desempenho.

Calculo que a divulgação da excepção nada tivesse que ver com a greve no dia seguinte, mas sim porque era o dia limite para poder processar os prémios.

J NAN

sábado, novembro 27, 2010

Uma política económica errática

Quem só veste o que lhe dão
Vive Sempre num inferno;
Traz sobretudo no v'rão
E anda em camisa no inverno.

António Aleixo

Os especuladores poderão ter conduzido ao aumento dos juros pagos ou a pagar pela dívida pública mas não foram eles que conduziram a uma dívida absurda, não foram eles que aumentaram o défice público, que introduziram as SCUTS, que enterraram quatro mil milhões de euros no BPN. Mais tarde ou mais cedo seria inevitável tomar medidas.A situação não aterou substancialmente e há muito que era previsível.

A perda de competitivida da economia portuguesa não é consequência da crise financeira internacional, é uma evidência desde que Portugal entrou no euro e prescindiu dos instrumentos de política económica que sustentava um modelo económico assente em exportações tradicionais.
Os constrangimentos impostos pela legislação laboral ao investimento é uma evidência desde há muito, não há organização internacional, economista independente ou associação empresarial que não o diga.

São três entre vários problemas de uma magnitude tal que deveriam ter constituído um eixo da política económica desde há vários anos, independentemente de conjunturas políticas eleitorais. Mas em vez disso temos tido uma política económica errática que não corrigiu os problemas, que tornou a economia portuguesa mais vulnerável e descedibilizou o país.

Quem é o investidor estrangeiro que confia num ministro que num ano promete a fartura e no outro corta salários, que num ano não dedica uma única palavra à legislação laboral e no outro pede alterações na lei e sugere ao sector privado que imite o Estado nos cortes salariais, que num ano deita as reformas no ensino para o caixote e gasta 400 milhões de euros para calar os professores e no outro vem dizer que é necessária uma profunda reforma do ensino, que num ano deixa o PRACE á porta da DGCI e no outro extingue as Alfândegas. Quem garante aos investidores que o ministro não muda de opinião e manda a execução orçamental às urtigas se no próximo ano se realizarem eleições legislativas?

Para promover as mudanças necessárias é mais necessário um contrato social do que uma coligação que assegure um governo maioritário. Para que os portugueses se envolvam num projecto é necessário que confiam nele, que saibam o que têm a ganhar e que os benefícios dos sacrifícios colectivos são distribuídos equitativamente. Uma coligação pode assegurar votações parlamentares que promovam mais sacrifícios, mas daí não resultará o empenho colectivo.

Não é aceitável que num ano os portugueses sejam levados com falinhas mansas e falsas estimativas do défice públcio e que depois seja adoptado um plano de austeridade que distribui de forma desigual o esforço de austeridade, pior ainda, com medidas que visam virar uns portugueses contra os outros. Nestas condições a maioria dos portugueses não acredita na política económica por mais adequada que ela seja, têm bons motivos para desconfiar da manipulação na distribuição dos custos e dos benefícios.

Para que uma política económica seja credível e mereça a confiança dos portugueses deve ser transparente, bem explicada e conduzida por alguém que tenha dado provas de competência, honestidade política e isenção. Esta política económica 'à la carte' em que não se tem uma visão de médio e longo prazo e as medidas são adoptadas em função dos accontecimentos ou das conveniêencias eleitorais é ineficaz e implica sacrifícios desproporcionais, acaba-se por se fazer com grandes custos sociais o que não se fez por falta de coragem ou por oportunismo no momento adequado.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Barbearia de Lisboa

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Lagos [A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

José Sócrates

É uma ironia do destino, depois de o PS ter feito acusado o PSD de querer aprovar o orçamento a troco da sua revisão constitucional, o debate orçamental acaba com um desorientado ministro das Finanças a defender aquilo que só será viável se for aprovado o que Pedro Passos Coelho propõe em matéria de legislação laboral.

Sócrates é mais soft e fala em melhorias da legislação labora, melhorias que só podem servir para que haja uma redução de salários no sector privado, algo sugerido há poucos dias por Teixeira dos Santos que exibiu os cortes nos vencimentos de alguns funcionários como um exemplo para o sector privado.

Resta agora esperar que Sócrates prossiga com a sua política de copy/paste de tudo o que de mau se vai adoptando noutros países e defenda o despedimento de funcionários públicos. É uma questão de tempo, em nome dos interesses do país Sócrates fará o que for necessário para salvar o seu governo, mantendo uma equipa onde sobram ministros incompetentes.

«O primeiro-ministro afirmou esta sexta-feira que pretende discutir com os parceiros sociais "melhorias" nas condições do mercado de trabalho e advertiu que em 2011 não há "a mínima alternativa" ao "esforço colectivo" para Portugal enfrentar a crise.» [CM]

UM MAU ORÇAMENTO

O orçamento para 2011 é mau por muitos motivos, desde logo porque assenta em perspectivas económicas duvidosas, mas também porque as medidas de austeridade foram desenhadas mais com objectivos eleitorais do que a pensar no país, porque os cortes na despesa ficam aquém do desejável.

O governo poderia ter cortado os vencimentos de funcionários públicos e imposto um corte no financiamento das empresas públicas na percentagem aplicada aos vencimentos da Função Pública, poderia ter reduzido o número de funcionários acabando com contratos a prazo, incluindo os de muitos assessores do governo, poderia ter fixado uma taxa única no corte dos vencimentos de todos os funcionários, poderia ter aumentado todos os impostos, poderia ter tributado as operações bolsitas e as transacções financeiras com as off-shores. Desta forma teria promovido uma distribuição mais equitativa dos sacrifícios e conseguido um corte maior na despesa e um aumento das receitas fiscais.

Mas o governo pensou mais na sua agenda eleitoral e optou por concentrar os sacrifícios naqueles que muito provavelmente não votariam PS ao mesmo tempo que mantém a ilusão do crescimento económico. Apostou em eleições no próximo ano e tentou minimizar os prejuízos eleitorais resultantes da adopção de uma política de austeridade.

Mas é muito provável que Sócrates e o PS venham a pagar caro esta política orçamental manhosa, a especulação nos mercados continua, a situação económica da Europa pode ser penalizada pela incerteza nos mercados e o impacto sobre a economia nacional poderá ser maior do que o esperado pois o país não atrairá investimento estrangeiro enquanto a dívida soberana for alvo dos especuladores.

O PS arrisca-se agora a uma derrota eleitoral histórica e, pior do que isso, a perder uma boa parte da sua base social de apoio, os quadros da Administração Pública.

BOAS INTENÇÕES

«Esta foi a semana em que os irlandeses explicaram que não eram gregos, que os portugueses explicaram que não eram irlandeses, que os espanhóis proclamaram que não eram portugueses e que os italianos tentaram que ninguém lhes perguntasse se não eram espanhóis!
A semana acabou com a Irlanda a recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira e com a chanceler alemã a declarar o euro em sério risco face à hipótese de novos pedidos do mesmo tipo!
Choca que ninguém tenha lembrado que somos todos europeus e que só por essa via é possível evitar o terrível "efeito dominó" que coloca agora as duas economias ibéricas na primeira linha da mira dos famigerados mercados financeiros!»
[DN]

Parecer:

Por António Vitorino.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A GRANDE MENTIRA

«Em tempos, greves gerais e manifestações derrubaram governos. Hoje, são breves momentos de televisão que se dissipam na notícia seguinte. O efeito político é diminuto. O efeito social nulo.

Isto sucede por duas razões. O aumento, a velocidade e a dispersão da informação tendem a relativizar e a fragmentar os eventos. A perceção do que acontece só muito vagamente atende a factos específicos, tornados demasiado segmentados e individualizados. Numa era em que as notícias eram escassas, uma greve geral abalava a sociedade e os poderes. Mas hoje não é assim. Eventualmente, quem participa numa manifestação fica com a sensação de que esteve lá "toda a gente" e de que o ato foi muito importante. Mas, para o resto da sociedade, trata-se simplesmente de mais um evento a juntar a muitos outros que brotam a cada hora. A relativização é inevitável.

Mas a principal razão da desvalorização de greves e manifestações prende-se com os objetivos dos próprios promotores destas iniciativas. Sindicalismo e partidos entendem estas ações como um dos argumentos, entre outros, de uma negociação em curso ou pretendida. Ou seja, já não há nada de revolucionário numa greve geral. Ninguém quer deitar abaixo o governo ou sequer abalar minimamente o poder. Tudo o que se pretende é conquistar um fugaz tempo de antena.

Daí que a potência subversiva dos atos tenha sido substituída pelo jogo de palavras e, sobretudo, por uma evidente manipulação dos factos. A greve geral não foi geral, mas, como já é hábito, somente de parte da função pública. Essa parte, transportes, escolas e hospitais, pela perturbação que provocam criam a ilusão da grande adesão. A função pública é hoje a carne para canhão dos sindicatos. O destino é a morte certa.

Os sindicatos e os partidos que os apoiam tornaram-se mestres neste tipo de imposturas. Com uma força social e política diminuta servem-se destas irrisórias manobras mediáticas para iludirem o seu desgaste e arcaísmo.

O empolamento sistemático dos números, de adesão às greves ou de manifestantes, é uma componente essencial dessas manobras. É sabido como a contabilidade varia muito conforme a origem da fonte. Sindicatos inflacionam os números, enquanto governos os minimizam. A habitual guerra dos números, de um lado e doutro, não tem qualquer fundamento estatístico, servindo simplesmente para valorizar ou desvalorizar. E, há que referir, também nunca ninguém se importou com isso.

Até que apareceu por cá um professor de jornalismo americano, de seu nome Steve Doig, disposto a clarificar o assunto. Munido dalguma tecnologia e sobretudo de uma atitude em vias de extinção, a do jornalismo como relato (o mais próximo possível) da verdade, foi para a rua contar manifestantes de forma científica. Contagem mecânica ao nível do solo e contagem digital com a ajuda de um computador e imagens aéreas. Nada de muito complicado mas bastante rigoroso.

O resultado surpreendeu muita gente e irritou os sindicatos e os partidos do costume. A manifestação da função pública no início de Novembro não contou com mais de 10.000 pessoas, enquanto a manifestação contra a NATO teve menos de 8.000. Promotores e maioria da comunicação social falaram então de 100.000 e 30.000 respetivamente.

Uma tamanha discrepância não deriva de um pequeno erro de cálculo. Estamos perante uma fraude premeditada e inqualificável. A qual visa os promotores mas também um jornalismo preguiçoso que se satisfaz com a reprodução em vez de questionar e buscar confirmação independente.

Uma coisa é certa. Após a passagem por Portugal de Steve Doig, a contagem do número de manifestantes ou de adesão às greves não poderá mais ser feita da forma displicente habitual. Mas acima de tudo, esta questão vem, mais uma vez, demonstrar a decadência do sindicalismo e das formas de protesto clássicas, num tempo de acelerada mutação das relações sociais e da emergência de redes e interações que não se reconhecem já nas velhas divisões de classe.

Basta pensar como na recordação televisiva da última greve geral de 1988 apareceu o mesmíssimo Carvalho da Silva, embora mais novo e mais mal vestido, a dizer exatamente o mesmo que disse esta semana. Em 22 anos nada mudou para esta gente? » [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

GOVERNANTE DEFENDE PAGAMENTO DOS TRANSPORTES POR QUEM OS USA

«O secretário de Estado dos Transportes afirmou hoje ser “urgente encontrar outras formas de financiamento” para o transporte público, além do Orçamento do Estado, defendendo o co-financiamento por parte de quem dele beneficia.

“Não devíamos pôr a financiar o sistema de transportes quem dos transportes beneficia?”, questionou Carlos Correia da Fonseca na abertura do III Fórum da Associação Nacional de Transportes Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP), no Porto.» [CM]

Parecer:

Só nos transportes?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Sócrates até quando acha que o Estado vai ter dinheiro para pagar tudo.»

A NOVIDDADE DO DIA

«O patrão da Sonae, Belmiro de Azevedo, escreveu um artigo de apoio ao actual chefe de Estado, Cavaco Silva, nas próximas eleições presidenciais.» [CM]

Parecer:

Estava convencido de que o Belmiro ia apoiar o Alegre do Loução.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

TEIXEIRA DOS SANTOS QUER LIBERALIZAÇÃO DAS NORMAS LABORAIS

«O ministro de Estado e das Finanças advertiu hoje que Portugal, a par do processo de consolidação orçamental, terá de "aprofundar" reformas no mercado de trabalho que promovam um ajustamento às actuais condições económicas.

A posição de Teixeira dos Santos foi assumida na sessão de encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2001, num discurso em que defendeu a ideia de que Portugal só pode ter condições de competitividade se aprofundar reformas em sectores como a educação, mercados e trabalho.

Ainda esta madrugada, no final da reunião do Grupo Parlamentar do PS, o líder da bancada socialista, Francisco Assis, rejeitou em absoluto a hipótese de haver esta legislatura alterações ao Código de Trabalho, tal como recomendam instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Perante os jornalistas, Francisco Assis disse mesmo que o FMI "não manda em Portugal".» [DN]

Parecer:

O ministro quer salvar-se com crescimento a qualquer custo, pouco se importando com o que defendeu até cair em desgraça.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o espectáculo triste.»

MAIS UM MONO

«O aeroporto de Beja, cuja construção foi adjudicada por cerca de 24,235 milhões de euros, acabou por custar 10% mais, devido a revisões de preços, erros e omissões de projecto e trabalhos a mais, num total de 26,582 milhões de euros. Além disso acumulou, entre 2001 e 2009, quatro milhões de euros de "custos de estrutura/funcionamento" devido ao sistemático adiamento da inauguração da infra-estrutura.

A conclusão é de uma auditoria do Tribunal de Contas que acrescenta que, "para a operacionalização da infra-estrutura e para dar cobertura a défices de exploração" da Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja (EDAB), é ainda necessário gastar "cerca de 39 milhões de euros". Todos estes valores não incluem IVA.» [DN]

Parecer:

Para que servirá um aeroporto em Beja?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao ministro da Economia.»

AS ATENÇÕES VOLTAM-SE PARA A ESPANHA

«O economista Michael McDonough, que escreve para a “Bloomberg Brief: Economics”, é peremptório: tudo indica que Espanha seja, actualmente, mais arriscada do que Portugal.

Segundo os seus cálculos, os problemas de Espanha poderão ser uma praga no futuro próximo e pesar fortemente nos mercados internacionais, “dado que o seu PIB representa 12% da economia da Zona Euro, mais do que o PIB acumulado da Irlanda, Grécia e Portugal”.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Já faltou mais para chegar a vez da Itália, talvez nessa altura a Europa decida acordar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»

O 'CONTRA-INFORMAÇÃO' ACABOU

«O “Contra-Informação”, programa de sátira política exibido há quase 15 anos na televisão pública, acabou. A RTP não renovou para o próximo ano o contrato com a Mandala, produtora do programa, e os bonecos de “Acabado da Silva” e “José Trocas-te” vão deixar de aparecer na estação pública.» [Público]

Parecer:

Não resistiu à concorrência da informação.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

TAMTAM TAMTAM