quinta-feira, março 29, 2012

As previsões de Passos Coelho


Ao ouvirmos Passos Coelho dizer na mesma entrevista que não pode prometer que não será adoptada mais austeridade e que o no terceiro trimestre haverá retoma económica quase apetece sugerir que seja criado o prémio Teixeira dos Santos da previsão económica para o podermos atribuir ao primeiro-ministro.
  
O problema de Passos Coelho não reside na ignorância em questões económicas e na desconexão do seu raciocínio, o seu principal problema é não perceber que a sua palavra nada conta na decisão dos agentes económicos. Em primeiro lugar porque a palavra dos políticos só funciona para travar a economia e não para a fazer crescer, em segundo lugar porque todos sabem que o primeiro-ministro nada sabe da poda e, por fim, é mais do que evidente que quem manda no governo é Vítor Gaspar.
  
No mesmo dia em que Passos Coelho divaga inutilmente sobre política económica o ministro das Finanças envia um documento para os deputados em que fica claro que admite mais austeridade. O primeiro ministro diz que não jura, o ministro das Finanças assume como provável e é óbvio para todos os portugueses que será melhor tomarem decisões económicas com base nos receios de Vítor Gaspar do que com o optimismo contido do primeiro-ministro.
  
Esta divergência não evidencia apenas a inutilidade das previsões económicas de Passos Coelho, mostra claramente que o primeiro-ministro é o fiel depositário dos votos que o PSD recebeu nas eleições, enquanto a condução política da governação só não é totalmente condicionada por Gaspar porque, como se viu no negócio Teixeira dos Santos o CDS não aceita a liderança de Vítor Gaspar.
  
Isto é, o número dois de Passos Coelho já não é Miguel Relvas mas sim Vítor Gaspar. Bem pode o ministro dos Assuntos Parlamentares ir ao congresso do PSD dizer que apesar de perder no partido em favor de Moreira da Silva ainda lhe cabe a condução políica do governo. Só se por condução política se entender nomear boys, formar grupos de trabalho e tratar do expediente para o parlamento,
  
Gaspar manda calar e retira  poder ao ministro das Finanças, retira o poder do QREN a um homem da confiança de Miguel Relvas, manda calar ministros, diz o contrário de Relvas. Como se tudo isto ainda fosse pouco o ministro das Finanças ainda vem defender a redução do número de câmaras municipais quando se sabe que Relvas tentou iludir a troika cortando apenas nas juntas de freguesia.
  
Vítor Gaspar parece não perder uma oportunidade de melhorar a sua imagem, o problema para Passos Coelho é que já não o faz apenas recorrendo ao seu desempenho técnico, está a sair melhor do que a encomenda e já promove a sua imagem aproveitando-se dos erros e fragilidades dos seus colegas do governo, depois de ter desvalorizado um superministro reduzindo-o ao estatuto de secretário de Estado enfrenta agora Miguel Relvas.
  
É evidente que ou Passos Coelho se opõe e luta pela sua própria sobrevivência ou o Gaspar transforma o Relvas num segundo Álvaro e quando isso suceder  o próximo a cair será o próprio Passos Coelho. É por isso que quando Passos Coelho promete crescimento económico dentro de meses parece estar mais preocupado com a sua sobrevivência política do que com a economia e com os portugueses

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Igreja do Carmo, Lisboa
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Forte de São Bruno, Caxias [J. Ferreira]
   
Jumento do dia


Pedro Passos Coelho

Um primeiro-ministro perde credibilidade quando confunde desejos pessoais com previsão económica e cai no ridículo quando pensa que fazendo previsões em que ninguém acredita consegue inverter o rumo dos acontecimentos. Ao prever crescimento económico no terceiro trimestre Passos Coelho apenas consegue sorrisos, ninguém vai alterar o comportamento económico com base nas suas previsões e não faz sentido que um político que tudo fez para derrubar o mercado interno venha agora armado em optimista quando é confrontado com o desastre nas receitas fiscais.

Mas o discurso de Passos Coelho chega a ser hilariante, ao mesmo tempo que diz que haverá retoma no terceiro trimestre, responde que não pode jurar que não haverá mais austeridade. Um primeiro-ministro que reconhece não saber a quantas anda o orçamento deve estar doido para prometer o crescimento económico para daqui a um par de meses.A

O problema de Passos Coelho é que já não passa de uma marioneta de Vítor Gaspar, mas como ainda não o percebeu insiste em ter opiniões. O resultado é que no mesmo dia em que Passos Coelho fala em crescimento sabe-se que o seu ministro fala em mais austeridade e, em consequência, muito mais recessão.

«"2012 é um ano critico porque o ajustamento orçamental ocorre este ano. É natural que a economia contraia ainda um pouco mais. A nossa previsão de recessão é de 3,3% e foi confirmada há pouco tempo. Não temos razão para pensar que a recessão será maior que isso", afirmou Passos Coelho. Este valor faz parte do Orçamento Retificativo que será aprovado amanhã em Conselho de Ministros. "A partir do último trimestre a economia vai crescer", disse, acrescentado que "no próximo ano haverá uma ligeira retoma da economia".» [DN]

«O Governo está disponível “para tomar medidas adicionais que se revelem necessárias para garantir a execução orçamental adequada” em 2012. A afirmação foi feita pelo próprio Ministério das Finanças no documento a que o i teve acesso sobre a 3.ª avaliação trimestral do Programa de Ajustamento Económico.» [i]

Deus te pague Paulo

 
Não são os sete milhões de uma admiradora (Catarina Duarte do DE) do governo previu num momento orgásmico de grande exaltação partidária, número que a RTP sabia ser o verdadeiro, mas sempre é mais qualquer coisinha e ainda por cima o opus ministro ainda admite que são mais porque a pobreza estão em alta. Apesar de o Gaspar ainda não me ter empobrecido ao ponto de ser promovido a borlista não posso deixar de dizer "Deus te pague Paulo porque não tenho trocos"! Se não fosse tu os isentos seriam os mesmos mas não ficaríamos a saber e não teríamos este imenso sentimento de gratidão pelo teu trabalho e pela generosidade do teu bendito governo.

Os nossos jornalistas podem andar descansados


Os nossos sindicalistas podem ficar descansados quando se cruzarem com um agente da PSP, não precisam de fugir nem de vestir um colete verde como se tivessem sofrido algum acidente, nem sequer precisam de correr a colocar o capacete na cabeça. O ministro acabou de contratar um pós graduado em direitos humanos que vai ajudar o ministério a saber quando se pode bater nos jornalistas, nos cidadãos que se manifestem ou mesmo noutros polícias que defendam os seus direitos.

Se algum jornalista levar alguma tareia de um polícia pode ficar tranquilo, a porrada foi devidamente certificada.
 
 

Um congresso

«Uma sombra tenebrosa perpassou pelo Congresso do PSD: a sombra de José Sócrates. No discurso, no depoimento, na declaração, na entrevista, o nome do ex-primeiro-ministro foi presença constante. Para ser desancado, bem entendido. Até Passos Coelho não se conteve. Ele, que prometera, solene e sólido, nunca se referir, nem em breve alusão, a Sócrates e seu Governo, indica-os, a um e a outro, como causas de todos os nossos males. Luís Montenegro, chefe da bancada parlamentar daquele partido, tentou gracejar com as seguintes afirmações: "O PS tem um Governo clandestino, em Paris" ou "O PS tem uma direcção bicéfala: Seguro, cá; e Sócrates, lá." A graça era tão desajeitada que ninguém sequer sorriu.
  
Parece ser uma nova estratégia dos sociais-democratas, destinada a fazer esquecer os nossos sufocantes problemas, e que se transformou numa obsessão perturbadora. Apenas reavivaram a lembrança de um homem, como tema, e a transferiram para a categoria de problema. Ao que consta, Sócrates pende, neste momento, para o estudo dos estóicos. Foi visto no Café de Flore, a folhear Cartas a Lucílio, de Séneca.
  
De resto, o congresso foi uma irrelevância. E nem a promoção de Moreira da Silva, que me dizem ser rapaz jeitoso, em detrimento de Miguel Relvas, colocado no papel de falador sem perigo, animou a massa parda do conclave. Alberto João Jardim fez o que dele se esperava: elogiou, excessivo e congestionado, o presidente Passos, porque pressente ter de lhe pedir auxílio. Também não se coibiu de aplicar a José Sócrates umas sarrafadas. Os congressistas, de pé e muito comovidos, aplaudiram-no sem reservas
  
Simpático e gracioso, tão ao gosto do que gosta, Marcelo passeou a popularidade pela sala, proferiu umas frases inócuas, e escapuliu-se. Santana, que posa de leão jamais domesticado, nem humilde nem errante, foi à gostosa reunião para ser visto. Disse que não dizia e acabou por dizer o que lhe interessava. Fotografaram-no e filmaram-no em jubilosa conversa com Miguel Relvas. Nada de mal. Nada de importante. Santana é a pop-star do PSD, e anda sempre por aí.
  
Tudo a contento de Pedro Passos Coelho, a rodear-se de amigos que não se exaltam nem contestam, e a preparar-se para uns pequenos outros ajustes de contas. O pobre Pacheco (servindo-me de uma expressão cara a Eduardo Prado Coelho) que se cuide. As diatribes um pouco oblíquas, e notoriamente ressabiadas, com as quais pretende atingir Passos e a sua governação, vão ter, certamente, resposta adequada. Já foi corrido do Parlamento. Que mais lhe pode acontecer? Muita coisa, creio. Nem o discurso final do líder, pressionado para falar dos desempregados, possuiu a consistência das convicções. Referiu-se-lhes com uma espécie de mensagem caritativa.
Haja Deus e haja Freud!» [DN]

Autor:

Baptista-Bastos.
  
Explicar a crise

«O PSD mostrou, no congresso do passado fim-de-semana, que tem uma tese sofisticada sobre as causas da crise: umas pessoas más, todas pertencentes ao Governo anterior, nenhuma dos Governos do PSD e do CDS, andaram para aí a desperdiçar dinheiros públicos, a fazer maus investimentos, a falar demasiado ao telemóvel, etc.
   
São elas as responsáveis pela crise e agora o que interessa é arranjar comissões de inquérito, processos judiciais e, sobretudo, notícias recorrentes nos jornais, para conseguir "passar" esta ideia para a mente popular.
   
Embora uma tal etiologia da crise seja caricatural, ela coincide com a visão do pensamento conservador actualmente dominante na Europa, ou melhor, trata-se de uma espécie de interiorização daquilo que é dito, explícita ou implicitamente, aos governantes portugueses cada vez que vão ouvir o oráculo de Berlim. Para os Governos conservadores da Alemanha e de outros países do norte, a culpa da crise foi a má governação dos "países latinos". A teoria remete todas as culpas para as más decisões políticas tomadas no sul e, como tal, exige uma expiação destes países pelos pecados passados.
   
A teoria oposta a esta, igualmente absurda, é a da desresponsabilização dos agentes políticos em virtude das "estruturas" subjacentes à vida económica e social antes da crise. Esta visão estrutural, como muitos reconhecerão, tem a sua origem no marxismo e noutras teses de reducionismo sociológico. Neste quadro, não há lugar para a análise de comportamentos individuais, pouco ou nada importantes, mas tão só para a descoberta das condições nacionais e, sobretudo, internacionais, que conduziram à crise. De acordo com esta visão, a crise é uma consequência dos incentivos gerados pela desregulação dos mercados financeiros e, depois, pela arquitectura deficiente do euro.
   
A versão caricatural desta última teoria também tem seguidores em Portugal, desta feita entre alguma esquerda. Como se considera que Portugal e outros países em nada são responsáveis pela crise, também se pensa que cabe à Europa emprestar dinheiro ou ajudar indefinidamente, sem limites nem condições, os países em dificuldades. O resultado da teoria é pois uma prescrição contrária àquela que está hoje vigente pela mão da Alemanha.
  
Sobre estas duas teorias há pelo menos uma coisa que se pode dizer: ambas são falsas. As estruturas e os sistemas de incentivos coexistem com as decisões individuais, não se excluem mutuamente. Aliás, as estruturas de incentivos criadas pela desregulação e pelo euro são obra de decisões políticas e estas, por sua vez, são condicionadas pelas estruturas pré-existentes (não se operam no vazio).» [DE]

Autor:

João Cardoso Rosas.
    

O Gaspar ainda não encontrou o desvio colossal?

«Em entrevista à TVI, o primeiro-ministro fez esta declaração, a propósito do cenário de execução orçamental não correr bem. “Não posso jurar que não serão precisas mais medidas”, argumentou, contextualizando que não se justificam, ou que não tenha nenhum elemento de que tal possa vir a ser necessário.
  
Em vésperas de aprovar um orçamento rectificativo em conselho de ministros, Passos apontou o último trimestre de 2012 como o momento em que a economia deve começar a crescer. Mais, pelas contas do Executivo no próximo ano, em 2013, o País deve sair da recessão.» [CM]

Parecer:

Agora que o governo não se pode desculpar com Sócrates parece que o desvio colossal está difícil de encontrar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se mais um mês que o desvio aparece.»
  
Gaspar em rota de colisão com Relvas


«A reforma do sector local terá de passar pela redução do número de câmaras e não só de freguesias, afirma o ministro das Finanças no resumo da terceira avaliação do programa da troika.


No documento enviado para a Assembleia da República, a que o Dinheiro Vivo teve acesso, Vítor Gaspar diz que "está em curso e segue a estratégia apresentada no documento verde"  assente "na (re)organização do território - onde se revê o número de freguesias e de municípios".» [Dinheiro Vivo]

Parecer:

O choque já foi testado com o QREN e o Gaspar venceu, se agora o ministro conseguir forçar a redução das câmaras municipais não só ganha pontos fora do PSD como põe fim à carreira política de Relvas. Resta a Relvas amarar-se em cachorro e abanar o rabo à volta das pernas do Gaspar ou ir à luta.

A verdade é que Relvas parece estar em queda, perdeu pontos na direcção do PSD em favor de Moreira da Silva o que o levou a declarar de forma ridícula que ainda lhe cabe a direcção política do governo. A verdade é que quem manda no governo não é nem ele,nem Passos Coelho, há muito que a condução política do governo cabe ao ministro das Finanças.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reservar lugar na primeira fila do espectáculo.»
  
Este homem é uma anedota

«O antigo director da área internacional do BCP, Carlos Costa, considerou hoje que as responsabilidades num banco são idênticas às de uma linha de montagem de uma fábrica, tendo que existir confiança no trabalho feito pelos vários intervenientes numa operação.


"Um banco não é diferente de uma fábrica de automóveis. Ninguém pára a linha de produção para ver se os parafusos estão bem apertados. Supõe-se que, para trás, as regras foram seguidas, e que para a frente também", afirmou o actual governador do Banco de Portugal, que foi hoje ouvido em tribunal como testemunha no processo que opõe a CMVM a antigos gestores do BCP, devido ao cargo de director da área internacional que ocupou no banco.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

O homem fala como se fosse um guru da gestão bancária, até apetece dizer que um governador do BdP pode muito bem ser um calhau.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»


   




quarta-feira, março 28, 2012

A promoção dos vira-casacas


Um dos aspectos mais deploráveis da classe política portuguesa é a forma como protege os chamados vira-casaca, muda-se da extrema-esquerda para o PS, do PCP para o PSD e até do PS para o PSD numa total impunidade e, como se viu na semana passada, se a traição for significativa ainda se pode ganhar um lugar numa empresa pública.
  
Não está em causa a possibilidade de alguém mudar de opinião, o que parece ser questionável é que num dia se defenda um regime comunista e pouco tempo depois se apareça como deputado do PSD ou mesmo como líder parlamentar daquele partido. Os partidos que deveriam rejeitar os traidores optam por procurar adquirir e exibi-los como se fossem os cromos mais preciosos de uma colecção.
   
Como se sentirão os muitos militantes de um partido que ao longo de muitos anos de militância dão o melhor de si sem pedir nada em troca e quando o seu partido está no poder vêm alguém mudar de barricada a troco de um tacho bem remunerado?
   
O recente caso de Teixeira dos Santos roçou o ridículo mas infelizmente não é o único, todos os partidos estendem passadeiras vermelhas para receberem os novos militantes ilustres. Como aceitar que alguém que teve as mais altas responsabilidades num governo, que meses antes de abandonar o cargo esteve em campanha, aparece de um dia para o outro com o estatuto de arrependido e por isso merece um tacho bem remunerado?
  
Esta forma de actuação da classe política e, em particular, do governo revela uma total ausência de princípios e de valores e, mais grave do que isso, uma falta de respeito pelos portugueses.
  
Como se sentirão os muitos portugueses que não têm nada de que se arrepender, que não têm um partido para trair e que todos os dias vivem com o pouco que têm quando sabem que uma qualquer personagem da classe política recebe uma generosa gorjeta só porque fez o frete de elogiar o ministro que o substituiu?
O problema do país não é apenas financeiro e a crise financeira dificilmente será superada numa perspectiva de longo prazo enquanto a classe política não perceber que pior do que a crise financeira é a crise de valores, uma crise de princípios que permitiu a uma elite de oportunista e de grupos corporativos o enriquecimento fácil à custa dos recursos do país.
  
Com exemplos como o referido que valores podemos ensinar aos nossos filhos? Vamos dizer-lhes para criarem um sindicato oportunista e que derrubem os governos que não lhes garantam as mordomias? Vamos ensiná-los a singrar nos partidos e a encontrarem um político empresário que lhes garanta emprego e sucesso político? Vamos convencê-los de que é mais fácil singrar na vida e chegar à administração de uma empresa lambendo as botas alheias?
  
Com gente educada nestes valores não há país que sobreviva, talvez o Relvas e o Passos Coelho tenham razão, com um país de gentes desta o melhor é emigrar, de preferência para longe e sem bilhete de regresso.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Barrancos
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Manteigas [A. Cabral]
    
Jumento do dia


Vítor Gaspar

Vítor Gaspar tem promovido o culto da sua personalidade passando a imagem do ministro que tanto aperta com os pobres como com os ricos, mas a verdade é que é o ministro que tanto impõe a fome e o empobrecimento aos que são pobres como ajuda os que já são ricos.

Quando se soube das dívidas do Alberto Jardim passou-se a ideia de que o madeirense estava tramado, agora vemos um Alberto João que só terá de pagar as suas dívidas depois de terminada esta legislatura e a tempo de voltar a ganhar eleições. Depois foi a vez dos bancos, dizia-se que o Estado ia cuidar do dinheiro dos contribuintes e que o Gaspar iria mandar na banca que pedisse a ajuda estatal. Agora sabe-se que a banca beneficiará de um tratamento especial.

É cada vez mais evidente que a política de Vítor Gaspar é uma política que favorece claramente a classe dos mais ricos, como o próprio afirmou não é ideologicamente neutral, é claramente contra os mais pobres e defende os mais poderosos.
 
«O ministro das Finanças "atualizou" as regras dos auxílios estatais aos bancos, tornando as ajudas mais baratas e alargando o período em que os contribuintes são chamados a apoiar os bancos através destas medidas.
   
De acordo com uma portaria hoje publicada assinada por Vítor Gaspar, as comissões cobradas pela garantia - aval do Estado a empréstimos que os bancos peçam para se refinanciarem - vão ser de apenas 50 pontos base (0,5 pontos percentuais) no caso das garantias entre três meses e um ano, quando até agora o custo era de 50 pontos mais uma parcela variável. A fórmula de cálculo para as garantias superiores a um ano também mudou.» [DN]

Já repararam?

Que quanto mais incompetente é o ministro mais grupos, comissões e coisas do género cria?
 
 

 Como governar com um martelo

«Tal como o Capitão Ahab no romance "Moby Dick", também Vítor Gaspar poderia exclamar: "Todos os meus métodos se pautam pela racionalidade, apenas os propósitos são desvairados."
 
Entende o leitor que a irracionalidade é o contrário da racionalidade? Considere o que se segue e diga-me no final se mantém essa opinião.
 
Controlar a execução do Orçamento do Estado é tarefa bem mais complexa do que à partida possa parecer, designadamente porque muitos organismos dispõem de considerável autonomia de gestão. Como assegurar que os municípios, institutos e empresas públicas não incorrerão em gastos excessivos que mais tarde se traduzirão em dívidas acumuladas?
 
O ovo de Colombo concebido pelo Governo para contornar a dificuldade foi proibir toda e qualquer despesa que não possa ser paga com receitas já disponíveis à data da sua autorização. Esta ideia foi em 21 de Fevereiro deste ano perpetrada, com efeitos imediatos, sob a forma da lei 8/2012, também conhecida como Lei dos Compromissos. Poderá alguém discordar disto?
 
As universidades afirmaram que não poderiam pagar salários no primeiro trimestre, dado que nesta época do ano quase não têm receitas. Em alternativa, consideram a hipótese de suspenderem os serviços de limpeza e cantina ou o funcionamento dos laboratórios. Os hospitais alertaram para a eventualidade de problemas de tesouraria se traduzirem na quebra dos cuidados prestados por falta de medicamentos ou materiais, para além de a lei os impedir de assumirem novos compromissos enquanto não liquidarem encargos transitados de anos anteriores. As transportadoras não sabem como garantir a circulação se a todo o momento correrem o risco de rupturas dos stocks de combustíveis e peças de substituição. A direcção-geral da cultura não entende como poderá assumir programas plurianuais. Finalmente, o bastonário da Ordem dos Engenheiros afirmou que, se fosse gestor público, pediria a demissão na sequência da promulgação da Lei dos Compromissos.
 
O pecado da lei 8/2012 é, em suma, ignorar as prosaicas minudências da vida, lá onde ocorrem os míseros factos que dão origem a movimentos contabilísticos e compromissos financeiros. Alguma vez se perguntou o leitor por que é que a gestão quotidiana de uma organização não pode ser assegurada automaticamente por um algoritmo processado por um computador? Eis a resposta: porque no mundo real há imprevistos.
 
As receitas e os custos são instáveis por causa dos caprichos das pessoas que decidem ficar doentes nos momentos mais inconvenientes ou porque os equipamentos nem sempre avisam antecipadamente que tencionam avariar. Digamos que as razões dos utilizadores e do material acreditam ter prioridade em relação às razões do Ministério das Finanças, essa incompreendida ilha de racionalidade num mundo governado pela loucura.
 
Que se saiba, só há duas formas de jamais enfrentar problemas de tesouraria: a) aceitar como coisa natural as falhas na prestação do serviço; b) ter excesso de dinheiro imobilizado. Logo, restam às instituições abrangidas pela Lei dos Compromissos duas soluções: a) ineficácia, reduzindo por sistema a quantidade e a qualidade do serviço prestado; b) ineficiência, operando em permanência com excesso de capital circulante.
 
Nada disso é grave, se admitirmos que o propósito dos serviços públicos é facilitar a vida ao Ministério das Finanças, não zelar pelo bem-estar do cidadão ou fazer uma gestão eficiente dos recursos à sua guarda.
 
Resta uma solução para obviar às dificuldades mencionadas, aliás prevista na lei: abrir constantemente excepções para assegurar o funcionamento de um sistema que as regras visam impedir de funcionar. Assim, fomos já informados pelos jornais que serão aligeiradas as exigências para as universidades, os hospitais, os municípios, as transportadoras, talvez até para a própria direcção geral da cultura – e, note-se, a lei ainda só tem um mês.
 
Deus ao criar o mundo quis dotá-lo de múltiplas variantes de absurdo, mas nem ele terá imaginado que sujeitos doutorados pelas melhores universidades poderiam conceber a lei 8/2012. Reduzir a despesa é, afinal, muito fácil: basta dilatar os prazos de espera pelas cirurgias, deixar a população à míngua, paralisar as universidades e os centros de investigação, aniquilar o sistema de transportes públicos, arrasar as empresas públicas, minar a confiança dos cidadãos nas instituições e uns nos outros, e o sucesso estará assegurado.
 
Tal como o Capitão Ahab no romance "Moby Dick", também Vítor Gaspar poderia exclamar: "Todos os meus métodos se pautam pela racionalidade, apenas os propósitos são desvairados."» [Jornal de Negócios]

Autor:

João Pinto e Castro.
  
Ignorância do ministro das Finanças

O investimento em Portugal diminui há 11 trimestres consecutivos! Austeridade de despesa pública com privada é uma espiral recessiva. Será o Ministro das Finanças tão ignorante que não antecipe a queda do PIB e o crescimento do desemprego com estas políticas de consolidação orçamental?
A sociedade está impaciente. Ainda não assimilámos plenamente a relação entre sacrifícios, resistências da própria sociedade e os seus efeitos nas contas do Estado: ou ainda nos faltam impostos (sofrimento fiscal) ou temos ainda despesa em excesso (Estado a mais). Pretendemos infalibilidade nos números oficiais. No passado, a dívida era a salvação dos desvios orçamentais. Hoje é uma impossibilidade.

Separam-nos 553 dias para a data fixada para voltarmos aos mercados. Já se clama pela sua mudança. Esquecemos que poderá ser um símbolo de libertação. Ou preferimos manter os governos e parlamentos como simples comissões de ratificação, nos próximos anos, de empréstimos externos da "troika"?

A obsessão do Ministro das Finanças (MF) com a data, a tentativa férrea de consolidação e um notório menosprezo pelos estímulos "keynesianos" é exemplo de uma das maiores rupturas nas políticas do Terreiro do Paço. As consequências são a destruição da economia que deu origem à crise. Mas, onde está a ignição da economia do crescimento com as condições de partida de Portugal? 

Esta não se pode fazer com magias fiscais intervencionistas de curto prazo. Retomar a prosperidade sem seguir, num período longo, alguns princípios básicos de economia é ilusionismo. O investimento em Portugal diminui há 11 trimestres consecutivos! Austeridade de despesa pública com privada é uma espiral recessiva. Será o ministro das Finanças tão ignorante que não antecipe a queda do PIB e o crescimento do desemprego com estas políticas de consolidação orçamental? Não tem que o afirmar, mas sabe-o.

Enquanto não acreditarmos na consistência de políticas públicas, num quadro de coligação alargado por mais de uma legislatura, dificilmente sairemos desta "grande estagnação". Para os próximos anos, temos condições para permanecer no euro, as contas públicas estão controladas, garantimos que os impostos não sobem, que as taxas de juro vão diminuir, e que a concorrência, os lucros e a riqueza são bem-vindos?
Oscilamos entre as ideias de Governo como a raiz de todos os problemas, ou os mercados como a fonte de desgraça colectiva. Não queremos admitir que entrámos num período de descontinuidade. A geração dos políticos da construção europeia, do dinheiro fácil e barato que financiou um conjunto de políticas públicas justas e necessárias, ainda não aceitou a insustentabilidade do "status quo".  Vamos ter que reprogramar o País. E repensar as nossas verdades à esquerda e direita. As de ontem serão pelo menos as dúvidas de hoje. O que eram direitos adquiridos, serão direitos renovados ou efectivamente perdidos. O Estado protegia quase tudo; hoje tenta devolver a responsabilidade ao cidadão e à empresa. O cidadão consumia tudo o que ganhava; hoje assusta-se com o risco e tem de poupar. A par do estímulo à criação de riqueza, não podemos descurar uma distribuição encorajante.
Nada deve eximir o Governo e Parlamento de avançar nas micro-reformas de renovação do País. Mas, nesta fase, é um acto de humildade reconhecer a imperiosa necessidade de convencer o mundo financeiro da sustentabilidade das dívidas em Setembro de 2013, a despeito da claudicação em Maio de 2011. Será que percebemos o virtuoso efeito de uma queda sustentada do prémio do risco para um país com um endividamento em Dezembro de 2011 do sector não financeiro de 418,4% do PIB? 
O exame regular dos burocratas europeus está ultrapassado. Irmos preparando o exame dos voláteis mercados financeiros não deve ser condenável. Obriga-nos a estudar afincadamente. Não gostaria de antecipar o brumoso cenário que se avizinha, se não o superarmos. O MF não ignora a sua relevância para aliviar o aperto e para criar condições para o crescimento do País.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Jorge Marrão.
     

 Os nossos malandros são muito criativos

«Os alvos da PJ são farmacêuticos, suspeitos de terem contraído dívidas de largos milhões de euros à banca na compra de farmácias, que não pagam. E, ao mesmo tempo, na gestão das mesmas, cuja direcção técnica entregam a jovens recém-licenciadas, somam também centenas de milhares de euros em dívidas aos fornecedores, na aquisição de medicamentos que não pagam.
 
Enquanto isso, os remédios são vendidos e os farmacêuticos recebem a devida comparticipação do Estado. Os investigadores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção avançaram às primeiras horas da manhã para as buscas que visam a apreender documentação que complemente a prova já recolhida ao longo de meses.» [CM]

Parecer:

É uma pena que para criarem empresas que produzam riqueza se acabe a criatividade dos nossos empresários.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Trabalhadores qe fumam produzem menos 10%

«Os trabalhadores fumadores produzem, em média, menos 10 por cento do que aqueles que não fumam, segundo um estudo do Conselho Nacional para a Prevenção do Tabagismo hoje divulgado.
 
O Conselho Nacional para a Prevenção do Tabagismo (CNPT), que estabeleceu uma relação entre o tabagismo e a produtividade profissional, indica também que um fumador faz, em média, 80 minutos de pausas diárias para fumar num dia de trabalho.» [DN]

Parecer:

Estes senhores do tabagismo começam a parecer talibans.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se aos senhores se já andam a investigar aspectos mais íntimos dos fumadores ou se não estão interessados.»
  
 Grande Cristas

«"A situação de seca está a ter efeitos muito nefastos na agricultura, com especial incidência no sector agropecuário", pode ler-se na resolução hoje publicada em Diário da República. É que 47% do território do Continente encontra -se em seca severa e 53 % em seca extrema. A agravar a situação, as previsões disponíveis, tanto as de curto como as de médio prazo, apontam para uma manutenção de ausência de precipitação significativa.
  
Neste contexto, o Governo determina que sejam preparadas e criadas medidas urgentes tendo em conta a situação actual. Entre estas "ajudas", destaque para as medidas de âmbito fiscal e parafiscal: Aceleração do reembolso do IVA pelo Estado; Preparação da concentração dos pagamentos por conta relativos a 2012 num único pagamento a efetuar em dezembro de 2012; Preparação da isenção ou diferimento do pagamento de contribuição social por parte dos agricultores ou de empresas agrícolas.» [DE]

Parecer:

É pena que tão precioso reembolsos mal cheguem para comprar um fardo de palha.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à ministra se continua com as rezas ou se vai promover umas procissões.»
  
 Fitch: recessão em 3,7% e mais austeridade

«Agência de "rating" vê os desequilíbrios orçamentais de Portugal, o elevado endividamento em todos os sectores da economia e o panorama macroeconómico adverso como factores para uma revisão em baixa das previsões de crescimento do país. Este ano aponta para uma contracção de 3,7% do PIB.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Continuam a chover os elogios ao Gaspar e aos seus excessos de austeridade...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns ao Gaspar.»
  
 Espanha em recessão

«O Banco de Espanha confirmou hoje que a economia continuou a contrair-se no primeiro trimestre de 2012, pelo que regressou à recessão. E a destruição de empregos intensificou-se.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Mais uma boa notícia para o Gaspar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao grande promotor do empobrecimento dos portugueses.»
  
 Pais franceses contra os TPC

«As crianças aproveitariam melhor o tempo que passam em casa a ler, por exemplo, em vez de estarem a resolver exercícios "cansativos" e "inúteis", afirma um grupo de pais e professores franceses da Fédération des Conseils de Parents d'Elèves(FCPE).
 
"Se a criança não conseguiu fazer o exercício na escola, não sei como vai fazê-lo em casa", disse Jean-Jacques Hazan, presidente da FCPE. Para a associação, com os trabalhos de casa, as escolas estão a "pedir aos pais que façam o trabalho que deveria ser feito nas aulas".» [JN]

Parecer:

Talvez tenham razão.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Estude-se o assunto em Portugal.»
  
A história repete-se

  
«O presidente norte-americano, Barack Obama, convidou hoje o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, a visitá-lo na Casa Branca, em Washington, informaram fontes do Governo de Madrid citadas pela agência Efe.» [DN]

Parecer:

Há uns anos Durão Barroso ficou cheio de inveja porque o seu amigo Aznar passou um fim de semana no rancho texano de George Bush. Agora o Rajoy vai à Casa Branca e o Passos se quiser imitar o líder da direita espanhola terá de apanhar o comboio e desembarcar na Estação Ferroviária de Casa Branca, ali para os lados de Beja, a de Washington está reservada para gente com quem vale a pena falar.

Aliás, os problemas ortopédicos relacionados com a vulgar dor de corno não são nvos em gente do PSD, veja-se o que a embaixada dos EUA dizia de Cavaco Silva:

«José Sócrates é descrito nos textos como um político "carismático" mas a quem "desagrada partilhar o poder" e Cavaco Silva destacado pelo "seu esforços em ser um mandatário bipartidário" mas a quem a embaixada atribui "sérias vinganças políticas pelo simples facto de não ter sido convidado à Sala Oval na Casa Branca".» [DE]

Graças à inconfidência da Wikileaks o Obama lá fez a vontade ao Cavaco e o nosso presidente não voltará para Boliqueime sem ter entrado na sala oval. Esperemos que a embaixada dos EUA leia o Jumento, talvez o Obama se lembre de levar o Passos à Casa Branca americana.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   

Tm J