quarta-feira, outubro 26, 2016

As Cortes de Albergaria-a-Velha

O debate do OE é o principal debate político que se realiza anualmente no parlamento, nalgumas circunstâncias, como as atuais, pode mesmo ser mais importante do que o debate de um programa de governo ou de uma moção de censura. O país está no fio da navalha, basta um descuido orçamental para que enfrente dificuldades externas e internas.

Ainda que um OE cujo défice tende para zero não disponibilize recursos para grandes despesas, não deixará de ter um grande impacto na economia, quer pelas opções ao nível das receitas, quer pelas decisões no domínio da fiscalidade. Durante 2017 uma boa parte da economia será afetada pelas decisões agora adotadas e pela forma como serão cumpridas.

Na discussão do OE para 2016 Passos Coelho adotou a posição ridícula e politicamente criminosa de se abstrair do debate do OE, limitando-se a aproveitá-lo para beneficiar do tempo de antena que lhe proporcionou. Passos Coelho usa o OE em proveito próprio e num contexto difícil como é o do país, revelou-se mais preocupado com o seu umbigo do que com o país, prosseguindo a sua pantomina do primeiro-ministro legítimo que por lhe terem arrebatado o poder está no exílio.

Desta vez, para “passar a mão pelo” de Marcelo, o líder do PSD disse que ia fazer propostas orçamentais, mas foi ainda mais longe do que o ano passado na sua pantominice do primeiro-ministro no exílio. No mesmo dia em que o OE começava a ser debatido, Passos Coelho organizou, em Albergaria-a-Velha uma fantochada que designou Jornadas da Consolidação, Crescimento e Coesão.

Enquanto o governo da República discutia na Assembleia da República o OE, com a presença das principais figuras do parlamento, exceto as do PSD, que deram o lugar à “equipa B”, com o se fosse o Sporting dos tempos em que Bruno de Carvalho obrigava o treinador a jogar algumas competições, com jogadores que não eram titulares habituais, Passos foi para Albergaria-a-Velha participar na sua encenação.

No fundo, Passos criou uma alternativa à AR, promoveu a reunião das Cortes de Albergaria-a-Velha, Em Lisboa discutia-se o OE do governo que arrebatou o poder ao vitorioso Passos Coelho, em Albergaria discutia-se aquilo que seria o OE do governo se Passos não tivesse sido forçado ao exílio.

É óbvio que só os militantes mais radicais do “exilado” se deram ao trabalho de ouvir as suas propostas, aplaudindo-o com a mesma convicção e paciência com que lidamos com alguém que sabemos estar intelectualmente debilitado. Passos Coelho parece estar louco e, acompanhado da sua extrema-direita chique, leva a sua loucura ao ponto de destruir a credibilidade política de todo o PSD.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Passos Coelho, exilado

Parece que a pantomina do primeiro-ministro continua e enquanto o país discute um documento fundamental para o seu futuro o líder da oposição prefere deixar em Lisboa figuras secundárias, enquanto reúne as cortes de Albergaria para discutir o seu próprio OE de primeiro-ministro no exílio. Curiosamente comete um pequeno erro, se o OE apresentado nas cortes de Albergaria-a-Velha é o do seu governo, os deputados do PSD também deveriam estar presente nesta reunião do governo no exílio.

Longe vão os tempos em que Passos Coelho se comportava com alguma inteligência, a verdade é que desde que Relvas partiu e alguns dos seus vices ou emigraram ou andam escondido com o outro Pedro, o líder do PSD é um político vulgar, com ideias de gaiatos e que estará condenado a ver a sua queda nas sondagens.

«"O PSD apresentaria um Orçamento do Estado melhor para os portugueses." A convicção é transmitida por Pedro Passos Coelho, que em declarações ao DN faz questão de reafirmar o descontentamento com o documento do governo: "Este é um Orçamento que aumenta impostos e retira poder de compra aos portugueses. Esse ciclo já tinha terminado."

E é esta mesma mensagem que o presidente do PSD vai deixar nesta noite em Aveiro (Albergaria-a-Velha), no arranque das Jornadas de Consolidação, Crescimento e Coesão. Uma iniciativa que terá a duração de um mês e durante a qual Passos Coelho, além de discutir o Orçamento de António Costa e Mário Centeno, vai contrariar a ideia de que o PSD não faz uma oposição construtiva. O presidente dos sociais-democratas, sabe o DN, irá revelar quais as alternativas que tem à proposta do executivo socialista.» [DN]

 Fernando Lima: O Jumento e as escutas a Belém



Na trama explicada por Fernando Lima na sua versão sobre as famosas escutas a Belém, uma insinuação presente em todo o livro, a figura central é um assessor de Sócrates de nome Rui Paulo Figueiredo, a quem o pessoal de Belém se habituou a tratar Opel alcunha do Toneladas.

Segundo conta Fernando Lima na origem da notícia do Público sobre a suspeita de escutas a Belém estava uma conversa com um jornalista do Público a propósito da presença daquele assessor na comitiva presidencial numa visita à Madeira. O assessor é tratado no livro por “intruso”, mas não se explica como é que uma comitiva presidencial integra um intruso.

«Quando, num certo dia, dei conta, a um jornalista do Público, da estranheza, na Presidência, sobre a presença de um adjunto do primeiro-ministro na comitiva de Cavaco Silva que se deslocou à Madeira, foi porque recebi uma indicação superior para o fazer. Não fiz nada à revelia da minha hierarquia, como nunca o fizera ao longo da minha vida na relação que, por dever das funções, mantinha com a comunicação social. O assunto era demasiado delicado para que eu avançasse sem mais nem menos.»

Este é, talvez, o parágrafo mais importante do livro, explica que conversa deu origem à notícia do Público sobre a suspeita de que Belém estava sob escuta e afirma a responsabilidade direta de Cavaco Silva na comunicação dessa informação a jornalistas do Público. Assume-se claramente a responsabilidade de Cavaco Silva na produção dessa notícia.

Mas Lima que segundo o próprio atuava sob ordens da sua hierarquia, não se limitou a dar a informação das suspeitas de Belém, dava dados adicionais:

«Consciente de que estava a contar ao jornalista do Público uma situação muito estranha, que, caso viesse a ser notícia, teria certamente enorme repercussão política, disse-lhe também, em linguagem codificada para bom entendedor, que não estava ali sozinho. Como calculava que o jornalista não conhecesse o adjunto em causa, entreguei-lhe alguns dados pessoais, coligidos por um colega de Belém, a partir das nomeações em Diário da República e do que consta em fontes abertas do Google. Em Belém não se trabalha com serviços de informações nem se elabora pastas sobre quem nos atacava.»

Percebe-se que Belém sabia o impacto da notícia e isso significa que era isso o pretendido. Também se entende a necessidade de Lima dizer que em Belém era tudo gente de bons princípios, algo que a crer em Lima é mentira. Segundo o próprio, os métodos de Lima eram tudo menos limpinhos, ele próprio conta como descobriu quem era o autor do Jumento:

«Mão amiga fez-me chegar, entretanto, um relatório particular de uma investigação feita, a meu pedido, ao referido blogue, em março de 2009. Da sua leitura pude constatar que um dos autores anónimos que aparecia identificado era o controverso adjunto de José Sócrates, que integrara a comitiva do Presidente da República na visita à Madeira, em abril de 2008.»

Quem encomenda investigações privadas a mãos amigas para conhecer que o critica não pode depois dizer que «Em Belém não se trabalha com serviços de informações nem se elabora pastas sobre quem nos atacava.»

Mas a relação entre O Jumento e as escutas aparece soba forma de uma reação violenta:
«Foi na sequência da reação às acusações sobre a participação de assessores na campanha eleitoral do PSD que o Público recuperou o caso da intrusão ocorrido na Madeira e inseriu, no dia seguinte à notícia de 18 de agosto, uma informação em que referia que as desconfianças de Belém sobre vigilância já eram antigas. A segunda notícia tornava, naturalmente, o assunto mais denso, porque relatava uma situação que gerara uma suspeição objetiva, a partir da observação de vários membros da Casa Civil presentes na visita. No comando da guerra da informação, os socialistas reagiram violentamente e o blogue O Jumento, tendo como autor o adjunto de Sócrates que se deslocara à Madeira, dedicou um post aos «canídeos dos jardins de Belém». Mais uma vez se insistia que os assessores de Cavaco Silva marcavam a agenda política, apoiando Manuela Ferreira Leite.

Isto é, Tudo se centra num adjunto que em toda a fábula de Fernando Lima só ganha importância porque segundo o autor era o autor do blogue O Jumento. Blogue que tinha por função vigiar Belém e a sua “fonte anónima”, bem como atacar Cavaco Silva. Mas Fernando Lima estava longe de imaginar esta relação quando fez sair, no jornal Público, a notícia das suspeitas de que Belém estava sob escuta.

O parágrafo seguinte merece uma leitura atenta:

«Na entrevista que concedeu ao Expresso em 24 de outubro, José Manuel Fernandes referiu ainda: «Há muita coisa por clarificar e sabe-se muito mais do que se sabia na altura, nomeadamente sobre o papel do assessor Rui Paulo Figueiredo». Não podia imaginar ao que aludia. Na verdade, quando manifestei ao jornalista do Público, pouco tempo após a visita do Presidente à Madeira, em abril de 2008, estranheza sobra a incompreensível presença de um membro do gabinete do primeiro-ministro na comitiva presidencial, estava longe de pensar, em março de 2009, que o colaborador de José Sócrates pertencia ao blogue O Jumento. Tão-pouco o cheguei a transmitir ao Público, para que a minha iniciativa não fosse encarada como uma tentativa de influenciar o jornal. Mas havia um facto indesmentível: a presença do adjunto Rui Paulo Figueiredo na Madeira coincidiu com o ataque mais contundente que os socialistas desencadearam contra Cavaco Silva, desde que fora empossado em 9 de Março de 2006.»

Afinal, não foi só a “mão amiga” que tinha descoberto que O Jumento era o tal adjunto de Sócrates, o próprio Manuel Fernandes, então diretor do Público, já tinha feito a insinuação. Mas Fernando Lima não avisou o jornalista a quem denunciou as escutas que o tal assessor era O Jumento, não sabia desse fato e não queria influenciar o jornalista. Este parágrafo está cheio de contradições, a maior das quais é quando refere que em março de 2009 não sabia quem era O Jumento. Um pouco mais atrás o mesmo Lima tinha sido muito preciso na data em que a “mão amiga” lhe tinha dado o relatório da investigação ao Jumento, precisamente março de 2009.

É muito estranho que Fernando Lima tenha, pró ordem da sua hierarquia, denunciado as suspeitas, a um jornalista do Público, em abril de 2008 e apenas em Agosto de 2009 a notícia tenha sido publicado. Ninguém acredita que “todo este atraso” tenha servido para a notícia amadurecer ou perder atualidade. Se quando a denuncia foi feita Fernando Lima ainda não sabia que era o autor de O Jumento, em março de 2009 foi informado que o seu inimigo fidagal e perigo número um da Presidência era o adjunto de José Sócrates.

Na data em que a notícia saiu, muitos meses depois da denúncia ordenada pela hierarquia, Fernando Lima pensava saber que o adjunto de Sócrates era o autor de O Jumento. Ora se a notícia tinha como ponto de partida um dossier com informação sobre o adjunto, alguém acredita que, entretanto, Não tivesse havido mais nenhum contacto entre Lima e o jornalista do Público, a fim de fazer o upgrade do dossier entregue inicialmente? É óbvio que não.

Ficamos assim a perceber que O Jumento está no centro das suspeitas das escutas e de tudo o que se passou, tendo o pobre adjunto de Sócrates uma vítima colateral dos erros das investigações privadas e ilegais encomendadas pela Presidência da República de Cavaco Silva. Porque como escreve Fernando Lima nada fez á revelia da hierarquia, isto é a encomenda de uma investigação privada a adversários políticos considerados perigosos por Belém só poderia ter sido feita com a devida autorização.

Tudo isto mostra o ridículo que foi a Presidência da República durante Cavaco Silva e o nível intelectual e cívico de alguns dos seus homens de mão.

      
 Que "o pó [não] retorne à terra, de onde veio"
   
«As cinzas dos defuntos devem ser mantidas em local sagrado, como uma igreja ou o cemitério, determina a Igreja Católica, num documento publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé, e aprovado pelo papa Francisco, que proíbe a dispersão das cinzas na natureza ou outros locais. Esta prática é considerada “em desacordo com a fé da Igreja” e pode levar as autoridades eclesiásticas a negar a realização de um funeral, adverte o documento redigido pela Congregação para a Doutrina da Fé.

O documento (Ad resurgendum cum Christo) afirma que a Igreja aceita a cremação, mas proíbe que as cinzas sejam espalhadas em qualquer lugar, ou divididas entre familiares, lembrando que devem ser mantidas em local sagrado, “ou seja, no cemitério, ou numa igreja, ou numa área especialmente dedicada para este fim pela autoridade eclesiástica competente”.

Para evitar qualquer equívoco panteísta, naturalista ou niilista, não é permitida a dispersão das cinzas no ar, terra, ou água, ou de qualquer outra forma, ou a transformação das cinzas em recordações comemorativas, em peças de joalharia ou em outros artigos”, sublinha a instrução.» [Observador]
   
Parecer:

O Vaticano preocupa-se com coisa, pode-se voltar à terra através do aparelho digestivo das lagartas, mas não sob a forma de pós, os cremados não podem cumprir o seu destino bíblico...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-.se.»
  
 Não é uma alheira
   
«A Ordem dos Advogados (OA) começa esta terça-feira a ser julgada no Tribunal do Trabalho de Lisboa para justificar porque despediu uma funcionária sua, na sequência de um processo disciplinar. Ana Vieira da Silva foi despedida com justa causa por negligência e por tratar a bastonária Elina Fraga por “alheira” — por ela ser natural de Mirandela — e o presidente do Conselho Superior, Menezes Leitão, por “porcão”. O julgamento acontece a menos de um mês de eleições na OA.

A advogada Ana Vieira da Silva trabalhava há cerca de uma década na OA, quando foi promovida a chefe de serviço pelo então bastonário Marinho Pinto. Corria o ano de 2012 e coube-lhe ir liderar o departamento dos processos disciplinares. Segundo fonte próxima do processo explicou ao Observador, a funcionária foi substituir um colega que se aposentou, mas quando chegou ao departamento para pôr mãos às obras, reinava o “caos”.» [Observador]
   
Parecer:

Uma ofensa para qualquer alheira comestível.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Forneçam os quadros "porra"!
   
«Vai ser uma audição “coxa”, com “os deputados no escuro” e que obrigará a uma segunda presença do ministro das Finanças Mário Centeno, nos próximos dias, na Comissão de Orçamento e Finanças, para ser questionado novamente pelos deputados quando estes finalmente receberem a documentação em falta no relatório do Orçamento do Estado para 2017 (OE2017).

Foi desta forma que os grupos parlamentares do PSD e do CDS rotularam o arranque dos trabalhos parlamentares para a discussão do OE2017 que ocorrerá esta tarde no Parlamento, com uma audição a Mário Centeno, num momento em que os dois partidos ainda não viram correspondido o seu desejo de acederem aos dados da execução orçamental estimada para o final de 2016, em contabilidade pública e desagregada, e que lhes permitiria perceber “o ponto de partida” para a preparação do Orçamento de 2017.

A questão motivou esta quinta-feira a realização de uma conferência de líderes extraordinária, onde o Governo acedeu a entregar os documentos antes do arranque da discussão do OE2017 na generalidade, mas sem se comprometer com uma data concreta.» [Expresso]
   
Parecer:

Ao negar os dados sem qualquer explicação o ministro das Finanças apenas suscitou dúvidas e deu oportunidade à oposição para sugerir a confirmação de suspeitas. É óbvio que com todos os dados orçamentais relativo aos valores acumulados dos primeiros nove meses do ano a oposição tem condições par fazer todas as previsões que terão de ser feitas.

Nas últimas semanas a direita entrou em dificuldades, não tendo confirmado o desastre orçamental de setembro e com a DBRS  não fazer-lhe a vontade, os únicos momentos de alegria foram proporcionados por erros do ministério das Finanças. primeiro foi o secretário de Estado com a parvoíce da lista de incompatibilidades e agora uma guerra desnecessária provocada pelo ministro. A direita agradece os erros de comunicação do Terreiro do Paço.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Deixem-se de parvoíces.»

terça-feira, outubro 25, 2016

Os 63 sobreiros do SC Braga

Reza a notícia que o Sporting de Braga está construindo a sua academia num terreno onde estavam 63 sobreiros, que terão sido abatidos sem a conclusão do processo que implica uma autorização do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). O clube começou o processo em fevereiro, pedindo a autorização para abater as árvores, no mês seguinte aquele Instituto pediu um plano de minimização do impacto ambiental. A autorização chegou em final de agosto, meses depois de o clube ter abatido as árvores.

Independentemente das considerações legais e ambientais, já que ao contrário do que dizia o taxista rasca as leis são para respeitar, podemos concluir que desde que o clube pediu a autorização e a emissão da mesma passaram seis meses, meio ano. Seria interessante saber o que levou a que uma decisão destas tenha demorado meio anos. Deveria ser feita uma auditoria para contar todos os tempos necessários para fazer chegar um processo destes ao seu termo.

Nos dias de hoje meio ano é uma eternidade e num tempo em que tanto se fala da necessidade de investir e de atrair investidores estrangeiros seria interessante saber se é um pequeno imposto sobre o património ou estes “anos e espera” de numerosas autorizações que afugentam muitos candidatos a investir em Portugal.

Investir em Portugal implica recorrer a um escritório de advogados influentes, pagar numerosas taxas e emolumentos associados a um número infindável de autorizações licenciamentos e vistorias dos mais diversos organismos. Tudo isto custa muito dinheiro e muito tempo e sem grandes direitos por parte de um candidato a investidor. Se discordar de uma decisão por parte de um organismo público e decidir recorrer a um tribunal par provar que tem razão entra noutra Via Sacra e é certo que vai gastar mais uma fortuna e esperar vários anos por uma decisão definitiva.

Poder-se-ia pensar que o presidente do ICNF é incompetente, mas se nos recordarmos que uma das razões apontadas nos jornais, que terão levado o MP a constituir arguido no Caso Freeport o então presidente daquele instituto foi a forma célere como o processo foi despachado, teremos de concluir que alguém com bom senso deve atrasar os processos para que não seja suspeito de corrupção. Gestores mal pagos, lerdos e idiotas dificilmente serão acusados de corrupção.

É urgente eliminar tudo o que seja burocracia, lentidão e custos da burocracia, um país sem recursos naturais não se pode dar ao luxo de ser ineficaz.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Manuel Caldeira Cabral

Só os que desejam um segundo resgate falam do tema, lamenta-se que o ministro da Economia, com tanta coisa para falar, vá logo falar de segundos resgates.

«O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, disse esta segunda-feira, em Caminha, distrito de Viana do Castelo, serem "totalmente descabidas" especulações que apontam para um segundo resgate a Portugal.

"São totalmente descabidas e não faz sentido nenhum falar sobre elas", afirmou Caldeira Cabral aos jornalistas quando questionado por jornalistas da Galiza sobre essa possibilidade noticiada esta segunda-feira pelo jornal La Voz de Galicia.

Na sexta-feira passada a agência de notação financeira DBRS manteve o 'rating' atribuído a Portugal em 'BBB' (baixo), o primeiro nível de investimento e já fora do 'lixo', e confirmou a perspetiva estável.» [DN]

 Quanto deve ganhar um incompetente?

A regra na gestão da CGD tem sido a incompetência o o oportunismo, pelo que não entende a discussão em torno dos salários dos seus gestores. Pelo que vimos no passado deveriam ser convidados todos os que escolheram os gestores do banco público para discutirem quanto deve ganhar um gestor incompetente.

      
 A Cova da Moura tem donos
   
«A família Canas é proprietária há várias gerações do terreno onde foi ilegalmente construído o bairro da Cova da Moura, na Amadora. A área urbanizável dos 16 hectares às portas de Lisboa está hoje avaliada em perto de 100 milhões de euros mas, além de esperar há anos por uma compensação por parte do Estado, a família tem de pagar todos os anos três mil euros de IMI pelo terreno que foi ocupado.

Na década de 70 a família viu os terrenos, que eram uma exploração agrícola, serem ocupados por milhares de pessoas desesperadas, provenientes das ex-colónias. Depois assistiu à construção ilegal de barracas e depois de casas, observou a Câmara Municipal a desenvolver algumas obras de saneamento e a cobrar IMI e água aos residentes, à EDP e as operadoras de comunicações a fazerem contratos, sem lhe terem pedido nenhuma autorização. Nos últimos anos tem ouvido responsáveis políticos a prometerem-lhe uma solução que o possa compensar da perda irreversível do seu património. » [DN]
   
Parecer:

Com estes proprietários a direita nunca se preocupou. Imagine-se a Cristas a ameaçar "ou alteram a lei ou devolvemos a Cova da Moura aos seus verdadeiros donos!».
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

segunda-feira, outubro 24, 2016

As críticas ao OE

Com um OE com um défice na ordem dos 1,7% e no quadro económico adverso, com taxas de crescimento baixas em consequência de uma quebra na procura externa e depois de meia década de investimento zero, pode-se esperar que a política orçamental visasse o crescimento?

A resposta é não e só os que argumento sem grande honestidade intelectual é que andam por aí pedindo estímulos ao crescimento. É evidente que se pudesse ser declarada a escravatura da Função Pública e os seus salários fossem distribuídos pelos associados do Senhor Saraiva, até o Pinochet ressuscitaria e sairia da cova para elogiar a Geringonça.

Que se saiba o OE não penaliza os rendimentos das empresas, não cria taxas ou impostos que possam encarecer o investimento empresarial, não contempla medidas que se traduzam num aumento dos custos salariais. Sendo assim, este é um OE que deveria receber o aplauso de uma direita que nos últimos anos, afirmou como grande património ideológico, que o crescimento económico deve ser obra das empresas e não do Estado. Quem defendia o Pacto de Estabilidade, não pode imaginar políticas keynesianas ao mesmo tempo que se paga a dívida e se reduzem os défices.

Então, porquê tanta preocupação por parte dos nossos “defensores políticos” das empresas?

A verdade é que um setor significativo do nosso mundo empresarial sofre de toxicodependência económica, sem chutos orçamentais dados no Casal Ventoso do ministério das Finanças apresentam sintomas de abstinência. Beneficiaram da proteção dos planos quinquenais do salazarismo a que se deu o nome de Planos de Fomento, beneficiaram das vantagens do protecionismo e do mercado exclusivo das colónias e quando tudo isto acabou e após uma década de crises beneficiaram de milhões e milhões de ajudas comunitárias.

Passadas tantas décadas, desde os Planos de Fomento, o país ainda não tem uma classe empresarial que não dependa do Estado. Precisam das compras do Estado, carecem dos subsídios estatais, contam com a força do Estado para manterem os salários baixos, precisam de sucessivos balões de oxigénio financeiro do Estado. Quando lhes falta o Estado surge sempre uma nova crise.

Muitas das crítica ao OE menos keynesiano desde os anos 50 nada tem que ver com opções de política económica, este é o OE que mais se enquadra nos objetivos de política económica defendida pela direita bem pensante. Estas críticas são manifestações da síndroma de abstinência de empresários e políticos viciados em dinheiro do Estado.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Passos Coelho, acusado de ser mentiroso

De alguém que foi primeiro-ministro e que já mandou "executar" um grande banco enquanto passeava de xanatas na Praia da Manta Rota, e ainda por cima ex-director financeiro das empresas de Ângelo Correia e ex-aluno dessa sumidade financeiora que trabalha na Arrow, era de esperar rigor e conhecimento de assuntos bancários, ainda por cima quando está em causa um grande banco do Estado e um gestor bancário com uma reputação a defender.

Mas a verdade ou a honestidade não deverá ser a praia de um político desesperado, que tenta sobreviver, depois de andar meses fazendo de morto, convencido de que um segundo resgate o ajudaria a chegar ao poder.

Agora ficamos a aguardar que o político tenha um pingo de coragem e prove que falava verdade ou que peça desculpa ao presidente da CGD.  Aposta-se que não vai fazer nem uma coisa, nem a outra.

«O presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues, reagiu ontem, em carta enviada ao PÚBLICO, à primeira parte da entrevista de Pedro Passos Coelho, publicada na sexta-feira. António Domingues contradiz o líder do PSD, clarificando que nunca teve acesso a informação privilegiada antes de ter tomado posse.

“Não é verdade que tenha tido acesso a qualquer informação privilegiada da CGD para elaborar o plano estratégico que suportou as negociações do Governo português com a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu”, escreve António Domingues. “Quem conhece o sector e tem experiência adequada sabe que a informação pública disponível era suficiente para a elaboração de tal plano.”

O presidente da Caixa responde assim às declarações de Passos Coelho que criticava o Governo por se ter gerido o dossiê da Caixa de forma desastrosa, nomeadamente ao ter proposto “fazer um processo de reestruturação preparado por quem nem era ainda administrador do banco”, referindo-se a António Domingues, que ainda tinha um pé no BPI, onde integrava a administração.

“Repare”, dizia o líder do PSD, “a mesma pessoa que não era administrador da Caixa e tinha condicionado até a decisão de aceitar ser presidente à solução que se encontrasse em Bruxelas para a recapitalização, acedeu a toda a informação privilegiada da CGD quando não tinha ainda qualquer responsabilidade formal nessa administração.”

Na mesma entrevista ao PÚBLICO, Pedro Passos Coelho ia mais longe, admitindo que “essa mesma pessoa, hoje, ao abrigo do sigilo, recusa-se a dar a conhecer ao Parlamento aquilo que ele próprio conheceu” quando ainda não tinha sido empossado. “A afirmação é, em si mesma, uma contradição em termos”, reage Domingues. “Começa por não ser verdade, como já referi, que tenha tido acesso a informação privilegiada — quem se der ao trabalho de ler e entender os Relatórios e Contas da CGD fica a saber tudo aquilo que há a saber. Dito isto, naturalmente que as respostas a perguntas da Comissão Parlamentar de Inquérito relativas ao período já sob a minha responsabilidade foram também circunscritas, como inquestionavelmente é meu dever, pelo escrupuloso cumprimento das obrigações legais da instituição, que desejavelmente deveriam ser conhecidas e respeitadas por todos.”» [Público]

 Fernando Lima, o Sol e o mensalinho

A notícia de Felícia Cabrtita, segundo a qual o blogue Câmara Corporativa era pago com dinheiro de Sócrates, nada tem de novo. Quem leu o livro das lamentações de Fernando Lima percebe que essa notícia corresponde a uma sugestão que foi feita por José António Saraiva, diretor do Sol, em 27 de Maio de 2011.

Curiosamente, o "fonte anónima de Belém" usa esse artigo do Saraiva, seu colega de publicação de livros de segredos, para fazer sugestões a propósito do Jumento. Quem lê Fernando Lima percebe a sugestão de que o poder pagava a bloggers, pelo que esta notícia do Sol, correspond ou não a uma conclusão ou ideia dos investigadores do Caso Marquês não tem nada de novo. Vejamos como o "fonte anónima de Belém" aborda o assunto:

«Estendi a minha atenção, a par dos blogues, ao online dos meios de comunicação social, designadamente às caixas de comentários. Era um exercício de paciência, mas necessário para identificar informação útil que não encontrava nas notícias ou nas análises. Em 27 de maio de 2011, José António Saraiva, diretor do Sol, publicava, na revista Tabu, um texto em que desvendava que essa máquina se desdobrava por várias frentes. «Tem uma espécie de redação central, que funciona como a redação de um jornal, cuja missão é fazer constantemente contrapropaganda», frisou, acresentando «Além disso, critica artigos de opinião publicados nos jornais, rebatendo os argumentos e, por vezes, ridicularizando ou desacreditando os seus autores». Como escreveu, com ironia, J.R. Guzzo, prestigiado colunista da revista brasileira Veja, ao referir-se ao que, nesse domínio, se fazia no PT, o partido do ex-presidente Lula da Silva, «foram criadas brigadas de 'blogueiros' que recebem uma espécie de 'mensalinho' para falar a favor do Governo e contra quem diz mal dele». EM partidos com a mesma matriz, os métodos não diferem!»

A sugestão do "fonte anónima de Belém" é óbvia e não era dirigida ao Câmara Corporativa. A este propósito recordo-me de uma velha anedota que faz sentido contar.

A dona Joaquina, amante do pároco da aldeia, tinha uma amiga vistosa, amante de um industrial da cidade, a sua amiga não se cansava de gabar as prendas do amante, ora era um casaco de peles, ora eram jóias, tduo coisas luxuosas. Canasada de fazer comparações a dona Joaquina queixava-se "pois, a mim o padre Zé só me dá santinhos!".

Eu sinto-me como a Dona Joaquina, tenho um blogue desde os primeiros dias do governo de Durão Barroso e até agora nem santinhos recebi. Acho que vou perguntar ao Fernando Lima se não terá sido ele a ficar com o meu 'mensalinho'.

 Fernando Lima e as diatribes do Dr. Paulo Macedo

Ainda Bagão Félix era ministro das Finanças e um jornalista do Diário de Notícias publicou uma notícia dando conta que o Dr. Paulo Macedo, então Diretor-geral dos Impostos, terá cometido uma argolada com uma qualquer declaração em matéria de SISA. Curiosamente quando Paulo Macedo era ministro da Saúde era ministro, o tal jornalista era assessor em São Bento. O Jumento não sabe se Paulo Macedo aproveitou a oportunidade de saber quem o tentou tramar, sempre poderia ter desfeito uma suspeita que o levou a fazer muitas asneiras e sacanices enquanto foi diretor-geral dos Impostos.

A verdade é que Paulo Macedo tinha sucedido a Bagão Félix na gestão da MEDIS, onde os resultados do ex-ministro foram tudo menos bons. Consta que a simpatia do ministro em relação ao diretor-geral não era grande coisa e na ocasião O Jumento veio em defesa do diretor-geral. Mas Paulo Macedo não deve ter reparado nisso e desde então odiou e suspeitou do O Jumento.

Daí a um ódio militante e à perseguição foi um pequeno passo, Paulo Macedo passou a ter a obsessão da descoberta do autor do blogue e isso levou-o a uma busca sem limites, no que foi ajudado por gente que esperava ser recompensada pela colaboração. É daí que resultam as situações referidas or Fernando Lima no seu livro, ainda que em momentos e com abordagens diferentes, mais em função das conveniências do assessor de Cavaco, do que na busca da verdade. Esse é o problema de Fernando Lima, em vez de explicar a realidade usa-a para se explicar a si próprio, promovendo-se a uma espécie de heróis da democracia, preocupação que talvez lhe venha da condição de jornalista.

Preocupado em demonstrar que se vivia num país onde todos se escutavam uns aos outros, Fernando Lima dá o exemplo do ministro da Justiça:

«Questionado sobre se falava com naturalidade ao telemóvel, Alberto Martins respondeu: "Falo com reserva. passei a falar com reserva ao telemóvel.".

É neste quadro que Fernando Lima enquadra uma notícia sobre o fisco:

«Surpreendente foi, de igual modo, a notícia publicada na edição do correio da Manhã de 11 de fevereiro de 2011, segundo a qual «Fisco viga e-mails dos jornalistas». Acrescentava o jornal que «vários jornalistas de diversos órgãos de informação têm o seu nome na listagem de e-mails recolhidos pelos serviços informáticos do Fisco» A notícia provocou a reacção de estruturas da classe que exigiram à Comissão Nacional de Protecção de Dados a reposição da legalidade. O Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos mostrou-se, ainda, interessado em pedir à Procuradoria-geral da República que investigasse o processo de vigilância aos e-mails dos jornalistas.»

Disto desta forma lança-se o pânico, esconde-se que o fisco não tem acesso aos servidores do Gmail, do Sapo, do Hot-mail ou dos servidores dos jornais e, portanto, não tem como vigiar os e-mails dos jornalistas, a não ser os trocados com funcionários do fisco. Mas esquece também que essa suposta vigilância não foi ordenada por nenhum governante, nem a tarefa foi executada pelo fisco. O trabalho foi feito pela IGF a pedido do Dr. Paulo Macedo, isto é a "asfixia" no fisco foi ordenada por iniciativa do Dr. Paulo Macedo, diretor-geral escolhido e da confiança política da ministra Manuela Ferreira Leite, do PSD, que veio a integrar, numa posição de grande destaque, o governo de Pedro Passos Coelho.

Recorde-se que este perigoso director-geral, que andou a vigiar os e-mails dos jornalistas

“Se a ingratidão no serviço público é muita vez suscitada, a República deve ter gestos de gratidão. É por isso que estamos aqui, as pessoas que vão ser agraciadas vão sê-lo sem que isso signifique qualquer juízo de valor em relação às políticas que executaram”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, na cerimónia de condecoração dos ex-ministros Vítor Gaspar, Bagão Félix, Álvaro Santos Pereira, Luís Campos e Cunha, Paulo Macedo, Maria de Lurdes Rodrigues, Nuno Crato e Rui Pereira.» [Observador]

O destino é maroto e Paulo Macedo foi condecorado ao lado de Bagão Félix, o seu antigo colega no Opus BCP e seu ex-ministro das Finanças, precisamente na ocasião em que os seus dados fiscais foram divulgados por um jornalista do mesmo DN de Fernando Lima, jornalista que era assessor de Passos Coelho no  mesmo governo em que Macedo participou.


(notícia reproduzida aqui)


Mas Fernando Lima prefere ignorar a notícia do DN da responsabilidade de Rudolfo Rebelo, apesar de o Expresso lhe ter auxiliado a memória em:

« A história é de 2005. Rudolfo Rebelo, atual assessor económico do PM, era jornalista do "Diário de Notícias" e Paulo Macedo, atual ministro da Saúde, era diretor-geral dos Impostos. Em primeira mão, o "DN" denunciou uma execução fiscal movida pelas Finanças de Benavente a Paulo Macedo por falta de pagamento de contribuição autárquica. O então diretor dos Impostos confirmou a dívida, mas insurgiu-se contra a "violação do segredo fiscal" que motivou a notícia.» [Expresso]

Convinha deixar passar a imagem de um fico transformado em espião ao serviço da asfixia democrática. A verdade é que o Dr. Paulo Macedo tinha uma obsessão que era apanhar quem tinha dado informação aos jornalistas e não é difícil saber quem era o contribuinte vítima da divulgação dessa mesma informação. Adivinhem de quem é que o Dr. Paulo Macedo desconfiava.

É aqui que Fernando Lima tropeça com a verdade, acabando por dar um trambolhão, quando lhe interessa o fisco é uma Stasi ao serviço de um poder que asfixia o país, mas, mais à frente, já sabe quem era suspeito de andar a dar a informar o jornalista, isto é, de quem tentou tramar o Dr. Macedo. Aliás, se Fernando Lima quisesse saber toda a verdade poderia fazer aquilo que esperamos que Paulo Macedo tenha feito, para não viver atormentado. Perguntava a Rudolfo Rebelo quem lhe deu os dados fiscais do Dr. Macedo ou, pelo menos, se foi O Jumento que lhos deu. Da parte que me toca nem serei capaz de dizer se Rudolfo rebelo é gordo ou magro, se é branco ou amarelo, se é baixo ou alto. Até hoje só conheci dois Rudolfos, um foi chefe de Gabinete de Sousa Franco, o outro é a famosa rena do Pai Natal. Nunca vi nenhum dos dois a assinar notícias do DN nem ao lado de Passos Coelho, pelo que deve ser outro. Só que a verdade nem é a praia de Lima nem é coisa que lhe assiste, a verdade está ao seu serviço e serve para fazer uma omelete com a sua imaginação.

Mais à frente, Fernando Lima socorre-se de uma notícia do "i" para voltar ao tema fisco, mas desta vez dá uma nova versão da realidade:

«Por isso, não me surpreendeu a notícia que se me deparou na edição do i de 2 de Março de 010, segundo a qual o blogue O Jumento fora investigado pela Polícia Judiciária e, depois, pela Interpol, na sequência de uma queixa apresentada, em 2003, pelo antigo diretor-geral os Impostos, Paulo Macedo, nomeado por Manuela Ferreira Leite, enquanto ministra das Finanças, pela publicação de alegadas fugas de informação confidencial provenientes do interior da máquina fiscal. De acordo com o jornal, o autor das fugas era um quadro superior do Ministério das Finanças. Fez parte da lista de participantes no encontro que José Sócrates teve, a 25 de setembro de 2009, com o grupo que colaborou com o blogue Simplex, de apoio à campanha para as legislativas».

«Perante estes factos e depois de ter visionado o blogue durante algum tempo, o Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa concluiu que nada foi encontrado que consubstanciasse violação do dever do segredo dos funcionários e, como tal, arquivou a queixa.» [Público]

Teria também sabido que o motivo das queixas era outro:

«A intervenção da Judiciária no processo decorre de uma queixa do anterior director-geral dos Impostos, Paulo Moita Macedo. O inquérito procurava detectar os autores de alegadas fugas de informação da DGCI e dele consta uma exposição enviada a Paulo Macedo em Outubro de 2005 pelo director distrital de Finanças de Lisboa. Nessa informação, o director distrital de Finanças queixava-se que os textos publicados no Jumento eram difamatórios e passíveis de denegrir a imagem dos funcionários da administração fiscal.»

O delito era outro, ainda que as supostas fugas de informação tivessem sido motivo de queixas do Dr. Paulo Macedo. Foram essas preocupações que levaram a pedir à IGF que investigasse os e-mails dos funcionários do fisco, identificando os que tivessem jornalistas como destinatário ou remetente. Perante o escândalo a IGF esclareceu que apenas estava a analisar os "assuntos" e os destinatários e remetentes.

Bastaria ir ao Google e procurar por "IGF e-mails-dgci" para se inteirar melhor sobre as fugas de informação e as investigações que foram conduzidas pela IGF. Perceberia que o jornalista do "i" tinha faltado á verdade. Vejamos o que noticiava o Público:

«A Inspecção-Geral de Finanças (IGF) analisou milhares de mensagens de email de centenas de funcionários dos impostos e, após obter uma autorização judicial, leu o conteúdo de muitas dessas mensagens, designadamente as enviadas para órgãos de comunicação social com o objectivo de identificar fugas de informação.

A consulta, feita sem conhecimento dos funcionários, foi realizada no âmbito de uma auditoria da IGF prevista no seu plano de actividades para 2006, que mereceu a concordância do ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, em Novembro de 2005.

Estes dados fazem parte de um processo aberto no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa que o PÚBLICO consultou e que teve origem numa queixa feita à Polícia Judiciária (PJ) pelo anterior director-geral dos Impostos, Paulo Macedo, em Outubro de 2005. O então responsável da máquina fiscal denunciou um conjunto de situações que, segundo ele, indiciavam fugas de informação por parte dos funcionários que, dessa forma, violavam o dever de sigilo a que estão sujeitos.» [Público]

Que coincidência, em 2005 Rudolfo Rebelo divulga dados da situação fiscal de Paulo Macedo, no mesmo ano Paulo Macedo faz uma queixa no MP e o suspeito das fugas era O Jumento. E o jornalista especialistas em espiões, em escutas e em devassa, não estabeleceu a relação entre a notícia de 2007 e a notícia do "i" sobre as tais fugas. Perceberia que estava a falar da mesma coisa e que o que foi devassado não foram as caixas de correio dos jornalistas, mas sim as dos funcionários do fisco e a pedido do perigoso espião ao serviço do tenebroso Sócrates, o Dr. Paulo Macedo!

«A auditoria da IGF terminou entretanto e as suas conclusões levaram Paulo Macedo a requerer a reabertura do processo no DIAP, o que aconteceu no início de 2007. O DIAP solicitou, então, a colaboração da IGF e essa colaboração foi concedida pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, na altura, João Amaral Tomaz.

No âmbito dessa colaboração, realizou-se uma reunião entre o DIAP e a IGF onde foram apresentadas as conclusões do relatório realizado pelo órgão de inspecção do Ministério das Finanças. Entre 12 de Novembro de 2005 e 8 de Junho de 2006 foram identificados 36 funcionários da DGAIEC que enviaram mais de 600 mensagens para órgãos de comunicação social; 313 funcionários da DGCI que enviaram mais de seis mil mensagens; e 27 funcionários da DGITA que enviaram mais de 1100 mensagens.»

Resta acrescentar que nem uma única das mensagens trocadas entre funcionários do fisco e jornais tinha sido remetida ou recebida pelo visado pelo grande repórter do jornal "i" Paulo Pinto Mascarenhas, um conhecido e ativo blogger e ex-assessor de Paulo portas. Enfim, deve ter sido um grande desgosto para quem tanto porfiou na tentativa de se vingar da notícia do DN com que o Jumento nada teve que ver.

Se alguém do governo de Sócrates esteve envolvido neste momento triste da Administração Pública portuguesa foi o então ministro das Finanças Teixeira dos Santos, que autorizou a IGF a avançar para a devassa. Mas Teixeira dos Santos nunca é visado pelo Fernando Lima, tanto quanto se sabe foi perdoado por ter trabalhado com Sócrates e é apreciado pela direita portuguesa.

PS: Um funcionário que foi saneado de um cargo que exercia na DGCI, diz-se que por ser suspeito de escrever no Jumento, optou por se aposentar e foi despedir-se do Dr. Paulo Macedo. informou o então diretor-geral que o autor do Jumento tinha todo o gosto em almoçar com ele para saber quem escrevia o blogue. Infelizmente o Dr. Paulo Macedo não aceitar o convite, contou que se gabava aos mais próximos que o Jumento o tinha convidado para almoçar mas não tinha aceitado o convite.

No desempenho de funções profissionais O Jumento nunca teve nem tem acesso a informação relativa a contribuintes e à data a que se reportam os factos nem pertencia à administração tributária, pelo que qualquer violação de sigilo relativo a esses dados estava fora de questão.

Apesar de uma boa parte dos que rodeavam dp Dr. Paulo Macedo e de todas as pressões exercidas sobre muitas destas pessoas o Jumento ninguém disse ao Dr. Macedo quem era o autor do blogue. Um dos subdiretores-gerais próximos do Dr- Macedo chegou mesmo a usar o seu estatuto para forçar um funcionário a denunciar O Jumento, esse quadro respondeu ao subdiretor-geral que sabia quem era mas não lhe dizia.

Na opinião do Dr. Macedo, opinião partilhada por muita gente, incluindo a que hoje tem o tal grande repórter do "I" eram vários os autores do Jumento.

O Jumento mantém a disponibilidade para esclarecer as dúvidas do Dr. Macedo. Já quanto ás do Dr. Fernando Lima e de outros jornalistas é trabalho deles apurarem a verdade e por isso não t~em direito a almoço.

A notícia publicada pelo Rudolfo Rebelo foi um trabalho sujo, nada tinha de relevância jornalística como se veio a demonstrar, e quem deu os dados ao jornalista queria mesmo prejudicar e derrubar o Dr. Paulo Macedo. Não foi o Jumento que fez esse trabalho sujo e é pena que o jornalista Rudolfo Rebelo se tenha mantido calado, mesmo sabendo que a sua notícia serviu para que alguém que ele sabia ser inocente ser perseguido por várias entidades e, em especial, pelo então diretor-geral dos impostos.

      
 O barato sai caro
   
«(...)

Tenho pouquíssimas dúvidas de que Assunção Cristas vai ser a candidata apoiada pelo PSD à Câmara Municipal de Lisboa e com menos dúvidas fiquei depois de ler a entrevista de Passos Coelho ao Público.

Em primeiro lugar, o PSD não tem um candidato a Lisboa que lhe permita ter um resultado, sequer, razoável. Com exceção de Santana Lopes, qualquer candidato militante do PSD arrisca-se a ficar atrás de Assunção Cristas. Resultado que seria um embaraço demasiado grande para o partido de Passos Coelho.

Não desconheço a vontade, em alguns setores do PSD, de promover a candidatura de Maria Luís Albuquerque, mas esse projeto tem tudo que ver com a vontade de a afastar de uma eventual corrida à liderança do partido e nada com a convicção de ela ser uma boa candidata - aliás, a possibilidade de ficar atrás da líder do CDS é bem real.

Em segundo lugar, se Assunção Cristas tiver um bom resultado, dada a pouquíssima tradição autárquica do CDS, o PSD não sairia humilhado, já que a eventual boa votação também lhe seria assacada.

Daqui a uns meses, estava capaz de apostar, teremos José Eduardo Martins a fingir que discute as ideias que foi recolhendo para Lisboa com o CDS e os democratas-cristãos, a contragosto, a aceitarem o apoio do PSD.

Claro que é quase humilhante para o maior partido português ter de apoiar um candidato de um pequeno partido, mas quando se seca tudo em volta acontecem estas coisas.» [DN]
   
Autor:

Pedro marques Lopes.

domingo, outubro 23, 2016

Semanada

Esta era a semana que Passos Coelho esperava há vários meses, setembro seria o ano da desgraça orçamental o que levaria a DBRS a baixar a notação da dívida soberana para lixo e daí a um segundo resgate era um passo. Voltaríamos a ver um filme que já passou no nosso país, os juros baixariam, a direita europeia faria as acusações do costume a Portugal e Passos exigiria eleições antecipadas, as tais eleições com que ele sempre sonhou. Só que Passos anda com azar e tudo sucedeu ao contrário.

Com o PSD sempre em queda nas sondagens, com a Assunção Cristas a subir, com um vice-presidente a emigrar e o Marco António mais escondido do que o Pedro de Arouca, esta a Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque fazerem pela vida. A deputada em part time lembrou-se de ser vice-presidente do PSD e fez umas declarações, Passos desatou a dar entrevistas e até vai deixar de fazer de morto na discussão do OE, promete fazer propostas, pelo que se espera que sejam as reformas de que tanto fala, cortes de vencimentos, de prestações sociais e de reformas.

Enquanto um Pedro tenta ressuscitar, o Pedro de Arouca anda desaparecido e até já circulam piadas na Net em que ele promete que só aparece quando o SCP for campeão nacional. Entre diretos de 24 horas por dia na TVI24 e na CMTV e declarações correr de uma senhora que é coordenadora não percebi bem do quê, só reparei que se chamava Fazenda, anda por aí muita confusão sobre se há ou não coordenação. Uma coisa é estranha, um MP que tanto gosta de mediatizar a investigação criminal faz agora de conta que nada tem que ver com o assunto.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas, cliente assídua dos CTT

A esta hora Junckers, presidente da Comissão Europeia, deverá estar a pensar na possibilidade de instalar um secretariado só para ler e responder às cartas dos pequenos partidos europeus. Se os líderes das muitas dezenas de pequenos partidos com menos de 10% dos votos decidirem começar a mandar cartas sempre que se quiserem pôr em bicos de pés os serviços do presidente da Comissão Europeia não terão mãos a medir com tanta correspondência.

Assunção Cristas achou que devia dar nas vistas porque o INE estimou o défice abaixo dos 3%, ignorando as contas que o actual governo teve de fazer e os malabarismos que teve de fazer por causa da malandrices fiscais de Paulo Núncio, seu colega de partido. Era melhor que  se lembrasse da famosa promessa da sobretaxa do IRS, que levou a um aumento artificial das receitas fiscais, à custa da retenção do IVA e do IRS. Se o fizesse talvez poupasse em selos de correio.

«Assunção Cristas aproveitou este sábado de chuva para escrever novamente a Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia. Desta vez, a líder do CDS fez-lhe saber que o Instituto Nacional de Estatística português “procedeu a uma segunda notificação em que apresentou uma revisão em alta do valor do PIB nominal de 2015” para um valor que faz “reduzir o valor do défice” para 2,4%, excluindo o efeito Banif.

Com estes novos números, assume Cristas, torna-se “incontornável travar, sem mais, as sanções decorrentes do procedimento dos défices excessivos em cursos, nomeadamente quando à suspensão dos fundos comunitários para Portugal”. E assume: “Aplicar sanções a Portugal seria injusto e inqualificável”.» [Público]

 Noite de Halloween antecipada?

Está visto que os dirigentes e ex-dirigentes do PSD, talvez com excepção de Cavaco Silva que prefere a Nossa Senhora de Fátima, andam armados em bruxas e a festejar antecipadamente o Halloween. Primeiro foi Passos Coelho a adivinhar uma calamidade em Setembro, agora é Marques Mendes que adivinhou que o ministro da Economia era o primeiro membro do governo a partir. Enfim, com tanta bruxa que anda por aí o melhor é andarmos com amuletos contra bruxaas e bruxarias.

 Fernando Lima e os espiões

As asfixia do país fazia a RDA parecer uma das melhores democracias e Belém não escapava à espionagem, há muito que Fernando Lima suspeitava disso:

«A suspeição que havia em Belém quanto a uma eventual vigilância não se manifestou apenas com o artigo do Público do dia 18 de agosto de 2009. Muito antes, em janeiro de 2008, vim a saber que o afastamento do diretor de um jornal se ficava a dever a informações que eu lhe prestara sobre a Estradas de Portugal, um assunto que estava a gerar grande controvérsia política». 

Deixemos para depois o saber que tipo de informações tinha e andava a distribuir Fernando Lima sobre uma empresa pública e sobre a legitimidade dessa atuação. O facto é que Fernando Lima já andava a imaginar espiões vigiando Belém desde 2008. 

Mas os espiões não se limitariam a vigiar e escutar o palácio ou a manter uma vigilância apertada à presença da fonte anónima na comunicação social, Fernando Lima era espiado a todo o momento. Ele próprio conta uma história que, no mínimo, é hilariante:

«Enquanto procurava arrumar, no silêncio do meu escritório, a minha cabeça do abalo sofrido, recebi, ao fim da tarde, uma chamada de um amigo, oficial-general. Pediu para nos vermos daí a meia-hora, pois queria dar-me uma braço de solidariedade. Acertámos o nosso encontro para o jardim do Campo Pequeno, lugar que convinha aos dois, e à hora marcada lá estávamos. A nossa conversa, de mais de uma hora, foi feita de pé, com tal discrição que, para quem por nós passava, éramos dois desconhecidos. Quando nos preparávamos para nos irmos embora, reparámos que um mendigo se encaminhava na nossa direção. Cada qual procurava umas moedas para atender a um pedido pela certa. Mas o mendigo não veio ao nosso encontro para pedir. Queria, apenas, prevenir-nos de que tínhamos sido fotografados, longamente, por alguém escondido atrás de uma sebe. Transmitido o aviso, e sem mais, o mendigo seguiu o caminho».

Enfim, ainda há boas almas que querem ajudar o próximo e mendigos desinteressados e generosos, por pouco era o mendigo a dar uma gorjeta ao Lima e ao general! Mas não, só queria avisá-los da presença do espião e fica a dúvida: como é que o espião sabia que iam estar ali? É óbvio, recorrendo a escutas a Belém. Fernando Lima ser escutado, perseguido, fotografado e espiado 24 sobre 24 horas, o verdadeiro herói da guerra fria tuga.! Num próximo mandato de Cavaco arrisca-se a ser condecorado com a Ordem da Liberdade....

Mas cuidado, Lima sabe de espiões:

«No meu relacionamento com Edward Koralev, coronel do KGB e primeiro correspondente em Portugal da agência noticiosa TASS após o 25 de Abril de 1974, aprendi que devemos estar sempre com quem nos procura para obter informação»

As situações em que Fernando Lima se sente espiado repetem-se da mesma forma que se repetem as referências à asfixia, chegando-se a comparar Portugal com a RDA da Stasi. 

O livro de Fernando Lima é também um livro sobre a espionagem conduzida por Sócrates, que criou uma espécie de Stasi privativa só para vigiar Fernando Lima, o grande defensor da democracia.

      
 As fatwas de Marques Mendes
   
«Dizem por aí que o ministro da Economia vai ser corrido, deflacionado, vai ser deslocalizado, afastado por António Costa. Deve ser um problema da Economia, poucos lhe sobrevivem muito tempo, tenham ou não currículo para mostrar e algum trabalho feito no entretanto. Álvaro tinha apelido (Santos Pereira), não tinha era partido, não era militante do PSD, e então foi rapidamente chutado para França com a autoconfiança abalada. Felizmente, Paris opera maravilhas em qualquer alma, podia ter-lhe calhado destino pior.

Coube a Manuel Carreira Cabral ocupar o mesmo lugar no governo seguinte. A acreditar no que diz Marques Mendes - no Marques Mendes que tem chapéu de comentador e outro de conferencista -, já não falta muito para acontecer a exoneração ministerial. Mendes não é o único a lançar a previsão, mas dita pela boca do antigo líder do PSD ganha outro peso. Acresce que entre os vários chapéus que ele acumula no armário, para usar consoante a ocasião e o interlocutor, há um que pertence ao Conselho de Estado, o Olimpo dos conselheiros do Presidente da República.

Deveria esta circunstância política, que também é uma enorme responsabilidade democrática, temperar-lhe um pouco as fatwas que lança? Um observador desinteressado diria que sim, mas Marques Mendes não parece preocupar-se muito. Pelo contrário, tira partido disso. Há ali, no que ele diz, uma sopa de letras com o perigo de acabar num refogado de interesses: algumas fatias de informação, um par de rodelas de opinião bem fininhas e meia colher de manipulação para apimentar.

O assunto pode ser a Galp, amanhã os bancos, o Europeu, o resultado de um jogo de futebol mais polémico - todos os temas populares são um bom acepipe. Ou então, com a maior candura do mundo, Mendes põe a prémio a cabeça de um ministro sem ter de citar qualquer fonte, sem situar a origem da informação, sem essas maçadas todas que teoricamente fazem da informação o que é suposto ela ser: factos pesquisados, verificados e documentados, não apenas ouvidos a meio de um repasto. Mendes tem uma espécie de licença para matar - matar reputações, moer outras, promover algumas pelo caminho.

Faça-se no entanto justiça. Há outros como Marques Mendes, alguns até com menos talento para comunicar e uns poucos ainda a coberto da Carteira Profissional de Jornalista. O nosso conselheiro de Estado é só a fruta da época e quem sabe onde ele chegará..., como ele próprio diria num comentário bem calibrado sobre alguém, deixando nas entrelinhas o veneno da dúvida.

Pois eu não sei nem quero saber quais são os objetivos políticos que Marques Mendes tem, se é que os tem, mas não deixo de notar o equívoco do que ele faz na área onde eu trabalho. Ele não esclarece os assuntos, posiciona os assuntos, fecha-lhes o ângulo de uma maneira muito especial e parcial. Dá a "notícia" e remata com a baliza aberta. Manuel Caldeira Cabral foi exonerado por Marques Mendes numa conferência que aconteceu nesta semana, não foi, portanto, na televisão, mas o estilo e o método são estes, só muda o cenário. A eficácia da mensagem é de elevado nível: muita gente acredita. Talvez isto seja apenas um espelho do país que somos. O jornalismo não fiscaliza o poder e os poderosos, serve de barriga de aluguer e também por causa disso enfraquece-se todos os dias.

Mas o mais interessante disto é que Mendes, acertando algumas vezes - e acertou em cheio na resolução do BES, o que diz muito sobre a irresponsabilidade de alguns dos nossos decisores políticos, línguas de trapo mesmo em assuntos tão delicados -, Mendes, escrevia eu, também falha. Tenho bem consciente que já o vi atirar muitas vezes ao lado, horrivelmente ao lado, revelando-se incapaz de compreender o que aí vinha, mas ainda assim especulando com a assertividade dos eleitos que tudo podem saber com um par de telefonemas certeiros, até sobre geopolítica internacional.

Vivemos os anos dourados da opinião, não da informação. Esta coluna que escrevo é apenas um exemplo - espero que tenham alguma misericórdia ao lê-la -, embora venha embrulhada num jornal que o que tem mais são notícias, entrevistas e reportagens, doseando sensatamente tudo o resto para não perder a identidade e a vocação. A famosa Fox News e a MSNBC, canais de informação americanos, já estão para lá de Bagdade neste assunto. Oferecem metade do seu tempo aos comentários - o que não é o mesmo do que análise, exercício jornalístico qualitativamente diferente para melhor -, deixando para segundo plano a procura intensiva da informação. E o mais ridículo disto tudo é que já está provado que estes pundits, como lhe chamam os americanos, no fundo estes comentadores como Marques Mendes, confundem muitas vezes desejos com factos, fabricam uma narrativa que os impele a ignorar a realidade, não prestam atenção suficiente aos detalhes, não são flexíveis o suficiente para captar as zonas cinzentas, são pouco tolerantes com a complexidade. Têm uma agenda.

Resumindo: eu não acredito que António Costa substitua Manuel Caldeira Cabral.» [DN]
   
Autor:

André Macedo.

sábado, outubro 22, 2016

Andam todos à procura do Mário Nogueira

Primeiro pediram ajuda ao Partido Popular Europeu, este fez o que pôde por eles mas não resultou, por cá o Passos anda a amargar no seu exílio de caca e em Espanha ainda não sabem o que fazer. Depois pediram ajuda aos comissários europeus, queriam que fosse exigido a Portugal um Plano B, isto é um pacote de austeridade que legitimasse a política económica de extrema-direita que impuseram ao país. Acabaram por desistir do Plano B e viraram-se para as sanções, mas as sanções deram o que tinha a dar,  foi quando nasceu a esperança de uma execução orçamental desastrosa em setembro. Um desastre orçamental seria o argumento para que a DBRS mandasse o país para um segundo resgate. Mas, mais uma vez, falharam, a execução orçamental não foi a que Passos esperava e perdeu-se a esperança de uma notação de lixo por parte da DBRS.

Terminado o ciclo político iniciado com a formação do governo da geringonça, durante o qual Passos Coelho andou a promover a sua imagem de primeiro-ministro do exílio enquanto esperava o desembarque dos mercenários dos credores para lhe devolverem o poder a troco de um segundo resgate, o PSD de Passos Coelho e Marco António regressa à normalidade e aos velhos truques da guerrilha. 

Como estava representando o papel de primeiro-ministro no exílio o líder do PSD não embarcou nas manifestações amarelinhas dos colégios privados, até porque cheiravam muito à Assunção Cristas. Mas agora que mudou de papel artístico, já vai fazer propostas orçamentais e pode regressar a líder guerrilheiro da oposição. Assumida a mudança de estilo, não tardaram a aparecer sinais do PSD guerrilheiro. Aqui e acolá vão nascendo manifestações espontâneas contra encerramento de serviços, contra a falta de uma funcionária da limpeza numa escola ou por qualquer outro motivo que leve os militantes do PSD a disfarçarem-se de populares espontaneamente zangados e a protestar contra os governos.

Encontramos outro sinal desta guerrilha na comunicação social e por estes dias tem a forma de apelo ao regresso de Mário Nogueira. A ideia foi lançada por Baldaia, depois o velho redator da Voz do Povo, o jornalista José Manuel Fernandes, juntou-se aos apelavam ao regresso do sindicalista, depressa veio João Miguel Tavares e, como era de esperar, Ana Sá Lopes junta-se à manifestação. Tudo jornalistas de primeira água que não receiam ser acusados de plágio, escrevendo artigos como se a ideia fosse sua.

Compreende-se o apelo a Mário Nogueira, foram as manifestações dos professores que serviram de trampolim a Passos Coelho para chegar ao poder. Nesse tempo não estavam preocupados com a NATO e muito menos com os compromissos europeus, a aliança entre a direita e a extrema-direita chique com muita gente do PCP e do BE foi evidente. O governo de Passos acabou mesmo por integrar muitos bloggers, um deles foi ministro da economia e o ativo Crato que prometia implodir o ministério da Educação recebeu autorização para o fazer.

A verdade é que a direita precisa de um qualquer Mário que os ajude e o apelo ao papel que Mário Nogueira teve no passado é o reconhecimento da inutilidade de Passos Coelho enquanto líder da oposição.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Passos Coelho

Passos Coelho boicotou o OE de 2016 como se fosse o OE de uma associação recreativa de Massamá, portou-se mais como um político arruaceiro do que como um líder da oposição que, aliás, nunca foi. EM relação ao OE de 2017 chegou a anunciar a mesma estratégia, mas acaba de recuar. Mudou de ideias a pensar no país ou com medo de continuar a descer nas sondagens, o que poderia levar a um levantamento de rancho no seu partido? É óbvio que Passos serve-se dos problemas do país para se salvar a si próprio na liderança do PSD.

Sempre é melhor ser líder e ganhar comno o primeiro-ministro e ter carro e motorista, do que sentar-se na fila de trás, ao lado da maioria Luís e ganhar como qualquer deputado.

 Coisas que me incomodam

Ver uma historiadora confundir premeditadamente social-democracia com estado social, lembrando o cientista que depois de tirar as asas a uma mosca e de ter gritado para a assustar, concluiu que sem asas a mosca era surda:

« Desde o final da II Grande Guerra até hoje, o crescimento do Estado Social, ou seja, a expansão  da Social-Democracia, tem sido o que todos sabemos. Temos  um sem-número de direitos onerosos suportados pelo Estado, da Saúde à Educação e à Segurança Social. Hoje em dia, é verdade, a Social-Democracia está esgotada – pelo singelo motivo de que já venceu: o núcleo do seu programa está cumprido, converteu-se em aquisição civilizacional, como acontece nos países economicamente mais robustos, ou figura na agenda prioritária  dos menos desenvolvidos  como conjunto de objectivos  irresignáveis. Objectivos de valor universalmente reconhecido.» [Fátima Bonifácio]

Eu compreendo que a senhora odeia tudo o que cheire a social-democracia e que tente dar o seu contributo para uma vitória da sua ideologia. Mas seria muito feio dizer que a democracia cristã ou o liberalismo estão esgotados por causa Pinochet. A corrente social-democrata com origem no marxismo nada tem que ver com o estado social, nem este é obra exclusiva desta corrente ideológica.

Limitar o social a uma questão de custos económicos também é uma abordagem demasiado pobre para uma historiadora, como disse uma vez Sousa Franco ao referir-se a Jorge Coelho, diria que é argumentação de cavador ou de taberneiro.

A história não pode servir para ser reduzida produzir granadas a utilizar na luta partidária ou par justificar políticas financeiras.

 Faço hoje cinco anos



 Fernando Lima e o ódio a Sócrates

No livro de Fernando Lima Sócrates 196 vezes, socrático 22 vezes e socialista, termos muitas vezes associado a Sócrates, surge 299 vezes! Todo o livro espuma de ódio a Sócrates que ali é retratado como a reencarnação do mal, Sócrates é um híbrido que resulta do cruzamento de Kim Jong-un, com o Koringa das histórias aos quadradinhos do Batman, o Joker do filme "Quem tramou o Roger Rabit" e Nikolai Yezhov, o mais tenebroso chefe da polícia secreta de Estaline.

No Portugal do Fernando Lima havia um verdadeiro mundo de Berlim, dum lado a bondade, o amor ao país, a democracia e todas as virtudes, do outro está Sócrates, o símbolo do mal que tem Lisboa cheia de espiões só para vigiar Fernando Lima e perseguir Cavaco.

É uma visão que nos ajuda a perceber muito do que aconteceu e, muito provavelmente, do que está a acontecer em Portugal. Cavaco já está algures na Quinta da Coelha, Fernando Lima sofre se stress pós traumático depois de ter sido ferido por fogo amigo com a guerra já no seu fim, mas a luta entre herdeiros do Cavaquismo e Sócrates ainda tem os seus episódios.

Se entre PS e PSD, dois partidos que se dizem da mesma corrente ideológica, há divergências políticas, entre Cavaco e os socialistas parece haver algo mais profundo, algo que se assemelha a ódio. O livro apresenta esta luta como uma longa batalha entre o bem e o mal, entre a competência e a incompetência, entre a democracia e os totalitários. É um ódio que vem de longe, das disputas entre Soares e Cavaco ou entre a família Soares e a família Silva.

Um ódio que parece ter começado com inveja, com um Soares a desprezar os Silvas e estes a tudo fazerem para se afirmarem na sociedade, o que um conseguia com classe o outro conseguia com maiorias eleitorais, o que nuns era espontaneidade, nos outros eram invenções do próprio Fernando Lima. Este ódio que começa nos anos 80 atinge o seu auge com Sócrates. Se Soares tratava Cavaco com desprezo, Sócrates fazia pior, desprezava e nunca o escondia nas suas palavras.

É esse ódio dos que queriam ficar na história por boas razões e não ficam, dos que queriam acabar uma carreira aclamados e saíram ela porta das traseiras, dos que queriam deixar os seus no poder e puseram-nos na oposição, é esse ódio que escorre em cada uma das páginas de Fernando Lima.

      
 Vou ali  Portugal fumar um cigarrinho
   
«Um pedido para ir fumar foi o suficiente para conseguir passar pelo controlo da fronteira sem dificuldades, escapando ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. O argelino que a 27 de Setembro entrou ilegalmente em Portugal estava desde então detido no SEF. Foi autorizado por um funcionário a sair da zona de trânsito para ir fumar, conta o Diário de Notícias.

Mohamed A.I caminhou pelo percurso normal de passageiros, passou pela zona de bagagens, pela Autoridade Tributária (AT) e saiu pela porta principal do aeroporto, detalha a informação oficial do comandante da Direcção de Segurança Aeroportuária da PSP, Dário Prates.» [Público]
   
Parecer:

Tanta ingenuidade amadora dá vontade de rir. A partir do momento em que entra na sala de bagagens e nem leva bagagem deixa de estar sujeito a qualquer controlo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «D>ê-se a merecida gargalhada.»
  
 Água impropria para consumo
   
«A rede de água do edifício onde estão instalados o Centro de Saúde e o Serviço de Urgência Básica (SUB) de Vila Real de Santo António está contaminada com Legionella, denunciou a Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

A presença da bactéria foi identificada no seguimento de uma investigação deste organismo sobre a alegada falta de condições para depositar e preservar cadáveres no Centro de Saúde de Vila Real de Santo António.

No local, "a equipa da ERS deparou-se com a existência de dois lavatórios (triagem e sala de tratamentos) com uma etiqueta em papel que dizia «Água imprópria para consumo»", lê-se na deliberação do regulador.» [DN]
   
Parecer:

E assim se combate a Legionella no Algarve.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Começou a guerrilha do PSD
   
«Sob o mote "20 carruagens paradas, 20 dias de luta", a Comissão de Utentes justifica o nome da campanha por a administração do Metro ter confirmado que estavam cerca de 20 carruagens paradas devido a avarias e falta de peças.

"Todos os dias, os utentes do Metro de Lisboa são confrontados com situações de verdadeiro caos, resultantes de políticas de desinvestimento continuado nas empresas públicas e que levaram à degradação da qualidade do sistema de transportes públicos", afirma a Comissão.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Onde esteve esta comissão nos últimos anos?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vão à bardamerda.»