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terça-feira, dezembro 08, 2009

Para onde vai o PSD?

Com a derrota de Santana Lopes frente a José Sócrates alguns dirigentes recearam que o PSD tivesse batido no fundo, ao mesmo tempo que o CDS de Paulo Portas quase desaparecia. A expressão que mais se lia na blogosfera e mesmo dentro do PSD era refundação da direita, Mas Marques Mendes, um líder vindo do meio cavaquista, opôs-se ainda que tivesse consciência de que algo tinha que se fazer para fazer renascer um PSD seco depois de anos de cavaquismo. Lançou a renovação do programa do PSD e até convidou Pinto Balsemão.

Cavaco estava no poder e com Sócrates em alta usou um dócil Marques Mendes para promover a submissão do PSD ao seu conceito de governo de união nacional, Cavaco presidia, Sócrates governava e Marques Mendes assinava pactos ditados pelos assessores do Presidente. A eliminação da liderança de Marques Mendes em nome dos interesses políticos de Cavaco Silva acabou por lhe custar a liderança, abrindo as portas ao populismo de Luís Filipe Menezes.

Nunca mais se falou de refundação da direita, esqueceu-se o programa e o PSD passou a fazer do populismo de Menezes a sua linha política. Mas as crise levou Cavaco Silva a mudar de estratégia, convencido de que os movimentos sociais como os camionistas, os professores e os armadores, combinados com uma grave crise financeira ditariam a queda de José Sócrates Cavaco apostou na queda do governo e lançou os seus assessores no terreno. O objectivo era destruir Sócrates e lançar uma candidatura cavaquista à liderança do PSD.

Cavaco conseguiu o segundo objectivo e o único senão foi o escândalo BPN, mas, que grande sorte e coincidência, o caso Freeport renasceu nas cinzas pelas mãos de um jornal pertencente a um alto dirigente do PSD e a umajornalista de extrema-direita. O caso Freeport foi o mote para uma estratégia de destruição da liderança do PS, o objectivo já não era derrotar o PS em eleições mas sim destruir o seu líder decapitando o partido à beira das legislativas. Como o caso Freeport se revelou insuficiente, Sócrates não atirou a toalha ao tapete e as sondagens não apontavam para uma derrota do PS os cavaquistas apostaram tudo no caso das falsas escutas a Belém.

Entretanto Ferreira Leite liderou o PSD durante meses e aconselhada por Pacheco Pereira em vez de um programa para governar o país optou por uma estratégia de guerrilha política, parecendo ter adoptado uma abordagem laranja de um livrinho vermelho de Mao que Pacheco Pereira tinha guardado desde os tempos em que militava na OCMLP. Pacheco Pereira tentou fazer ao PS o que em tempos ele e os seus pares da extrema-esquerda fizeram ao CDS no Palácio de Cristal.

Ferreira Leite começou por desaparecer durante meses, depois justificava a ausência de propostas com o argumento de que não queria que fossem copiadas pelo PS, acabou por se apresentar às legislativas com um programa que mais pareciam as instruções de utilização de um rolo de papel higiénico.

Pela primeira vez o PSD apresentou-se a eleições sem qualquer programa digno desse nome, sem projecto político e, tal como já tinha sucedido com Santana Lopes, sem um líder credível. Compreende-se que Ferreira Leite não tivesse programa, a sua candidatura tinha como objectivo proporcionar todo o poder a Cavaco Silva, o seu programa era, afinal, as intenções do próprio Cavaco Silva.

Agora o PSD chegou a um beco sem saída, não refundou a direita permitindo a Portas que ocupasse o seu espaço à direita, não renovou o programa, decapitou a liderança, destruiu a credibilidade enquanto partido de governo, perdeu espaço à esquerda e no centro esquerda. A sua classe dirigente balcanizou-se, tornou-se adoradora das idiotices domingueiras de um professor Marcelo que durante toda a carreira política foi um falhado.

O cavaquismo parece que não quer morrer sem arrastar o PSD no seu enterro, Cavaco caminha para uma derrota nas próximas presidenciais ao mesmo tempo que Ferreira Leite tenta sobreviver ou dar o seu lugar a um líder vindo do vazio cavaquista. Enquanto Cavaco não se reformar pondo-se fim ao cavaquismo dificilmente o PSD sairá do circulo vicioso em que entrou ao transformar-se num instrumento de poder de Cavaco e dos seus assessores.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

É deprimente

Acho que a vida política deste país nunca passou por uma fase tão pobre como aquela a que estamos a assistir, não se vê uma proposta, um comentador, um projecto político, um dirigente da oposição de que se possa dizer “benze-te Deus”. Ainda ontem , a propósito da entrada em vigor do Tratado de Lisboa o país assistiu a um chorrilho de banalidades, a oposição à direita limitou-se a um aceno de concordância com receio de alguém se lembrar que o Tratado foi obra da presidência portuguesa da EU, a falta de dimensão dos políticos da direita levou-os a ver mais longe do que as consequência para a politiquice nacional.

À esquerda os comentários roçaram o ridículo, com o BE a não saber o que dizer sobre se devemos estar ou não na EU e o PCP armado em certificador da democracia e da soberania nacional, depois de ter andado quarenta anos a defender um Comecon ridículo, a apoiar a utilização dos tanques russos para esmagar a vontade dos povo da Hungria e da Checoslováquia e a defender que meia Europa andasse sob a batuta do PCUS. Até há quem diga que por cá se encolheram no 25 de Novembro porque a URSS decidiu não meter-se num país da NATO. Depois vem o PCP com a treta da democracia e da soberania…

Com o desemprego a ultrapassar os 10%, uma crise financeira internacional que ainda não foi esquecida e, porventura, nem sequer foi ultrapassada vemos uma oposição sem projecto e sem liderança, tendo como único objectivo político usar uma maioria parlamentar adúltera para ter o prazer de derrotar o PS, pouco importando os interesses nacionais ou mesmo os princípios. A extrema-esquerda anda tão animada nesta sensação de partilha de poder que lhes é proporcionada pelo apoio às propostas da direita que até votam medidas exigidas por patrões que apenas recorrem a trabalho precária, até se diz que o Alberto João vai receber mais dinheiro dos contribuintes do país.

Sem projecto para o país os partidos da direita vivem quase em exclusivo das violações do segredo de justiça promovidas por anónimos, dir-se-ia que o actual programa político do PSD é feito com recortes de papel encontrado no caixote do lixo da Procuradoria-Geral da República. Depois aparece um tal Bacelar a apresentar uma candidatura à liderança da distrital, fazendo-se acompanhar pelo António Preto e pela Helena Costa ao mesmo tempo que acusa o adversário de usar “militantes fantasmas” e “sindicatos do voto”.

É um sinal de que não é só na relação com o país que o PSD está mal, também as lutas internas são protagonizadas por gente fraca, sem projectos e sem argumentos. Aliás, o mesmo sucede ao nível nacional, onde uma líder nem lidera nem abandona a liderança, isto depois de ter saneado todo o sinal de alternativa das listas de candidatos a deputados. No parlamento só estão os deputados disponíveis para repetirem as baboseiras do Pacheco Pereira.

Compreende-se que se limitem a atacar Sócrates a torto e a direito e recorrendo a todos os meios, já desistiram de apresentar uma alternativa credível e esperam que o PSD seja chamado a governar por desistência do adversário, aliás, o que já sucedeu da última vez que chegaram ao poder. Resta esperar que num próximo governo o PSD agradeça ao PCP e ao BE pelo trabalho sujo feito durante este processo, deveriam ter, pelo menos, uma pasta de secretário de Estado para cada um dos pequenos partidos da esquerda conservadora.