quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Preparando o espectáculo na Rua Augusta, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Siphiwe Sibeko/Reuters]

«Mine workers worked underground Tuesday in Modderfontein, South Africa, near Johannesburg. Mining company Aflease Gold plans to produce 500,000 ounces of the precious metal per year in five years based on the company’s current assets. » [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Manuela Ferreira Leite

Enquanto Manuela Ferreira Leite faz de conta que o caso Freeport lhe é indiferente e se remete ao silêncio na esperança de capitalizar os ganhos, deixa a Pacheco Pereira o papel de lançar insinuações. Mas não basta isso à líder do PSD, é necessário lançar uma campanha pública e para isso não há como a JSD, no pressuposto de que à juventude tudo se perdoa. A JSD de Setúbal vai fazer o trabalho sujo lançando outdoors onde Sócrates é tratado por Pinócrates. É aquilo a que se chama uma campanha oportunista.

SONDAGEM MANHOSA

Quem pergunta se o primeiro-ministro esclareceu o caso está a fazer uma pergunta manhosa pois José Sócrates nada tem a esclarecer e muito menos na sequência de uma manobra que envolve fugas oportunistas ao segredo de justiça. São os fascistas da justiça e os jornalistas oportunistas que deverão provar que as suspeitas que lançaram fazem sentido e cabe ao Ministério Público investigar. Que democracia é esta onde muita gente passou a pensar que são os cidadãos que devem provar a sua inocência.

A CABALA EXPLICADA ÀS CRIANCINHAS

«Ah, como eu teria ficado mais feliz se José Sócrates, em vez de clamar contra os "poderes ocultos", tivesse dito que desocultava as suas contas bancárias. Era tão fácil. Estou a imaginá-lo a aproximar-se do microfone, na sua última conferência de imprensa, e em vez de falar em "insídias" e "ignomínias", dizer simplesmente: "Portugueses, nada tenho a esconder. Abdico voluntariamente do meu sigilo bancário. As minhas contas estão à disposição da Polícia Judiciária e do Ministério Público." Era tão fácil, não era?» [Diário de Notícias]

Parecer:

João Miguel Tavares deve querer que Sócrates vá a sua casa mostrar as contas bancárias ou então esqueceu-se que estão no Tribunal Constitucional.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Arquive-se por ignorância.»

O CASO FREEPORT COMO "QUESTÃO DE ESTADO"

«Para não responder a perguntas dos jornalistas sobre o caso Freeport, o Presidente da República afirmou que aquela não era ocasião apropriada para se pronunciar sobre "assuntos de Estado". Sou dos que pensam que, com os contornos que ele assumiu, o caso se transformou numa efectiva questão de Estado, que por isso mesmo não se compadece com o silêncio presidencial.

A questão está na gigantesca instrumentalização de uma investigação penal inconclusa e reservada, planeadamente "filtrada" para o exterior, para efeitos de um verdadeiro julgamento político-mediático do primeiro-ministro, tendente a torná-lo suspeito (na melhor das hipóteses) ou sumariamente condenado (na pior) aos olhos da opinião pública, por alegada corrupção, apesar de o Ministério Público, que é a autoridade responsável pela investigação, ter vindo asseverar publicamente (embora somente ao fim de duas semanas de intensa campanha de suspeições e especulações) que Sócrates nem sequer está a ser investigado, por não haver no processo nenhum elemento que o justifique.

O que transforma este caso numa incontornável questão de Estado são as violações qualificadas dos mais elementares princípios do Estado de Direito e da lisura, transparência e responsabilidade do combate político.

Em primeiro lugar, é inaceitável que uma investigação destas, iniciada há cinco anos com uma denúncia anónima, tenha demorado este tempo todo sem adequado esclarecimento, tanto mais que já em 2005 tinha havido uma conspiração para tentar inculpar o então candidato a primeiro-ministro, envolvendo agentes ligados ao processo, militantes dos partidos de Direita e jornalistas (conspiração que entretanto foi devidamente exposta e judicialmente punida). O bom nome dos investigados, sobretudo quando políticos, não é compatível com tal demora.

Em segundo lugar, não é admissível que, subitamente, no início de um ano eleitoral, todos os elementos do processo, incluindo denúncias em bruto sem qualquer confirmação ou prova, que deveriam permanecer reservados, tenham começado a aparecer nos media, obviamente a partir de dentro do processo, numa óbvia manobra planeada para denegrir e comprometer pessoal e politicamente o primeiro-ministro. Desde o caso Casa Pia que se não assistia a uma tão maciça "fuga" de dados em segredo de justiça para efeitos de perseguição política.

Ora, no meio desta ostensiva campanha de "assassínio político" do primeiro-ministro, diariamente amarrado ao pelourinho, Cavaco Silva optou por não se pronunciar. Sendo evidente que o Presidente da República não pode nunca pronunciar-se sobre uma investigação penal nem tem de socorrer politicamente o primeiro-ministro, o silêncio não é porém uma opção quando estão em causa os princípios do Estado de Direito e a transparência e responsabilidade das instituições.

O Presidente da República perdeu uma excelente ocasião, no seu discurso na sessão inaugural do ano judicial, de denunciar e censurar em geral a inaceitável demora das investigações penais (em prejuízo do bom nome dos suspeitos inocentes), a recorrente e impune violação do segredo de justiça (que vincula toda a gente) e a frequente instrumentalização de informações ou pseudo-informações não confirmadas, para fins de ataque político qualificado. Justificava-se também o apelo para o rápido apuramento das responsabilidades (se as há), para impedir que o caso Freeport continue a envenenar a vida política e a manchar irremediavelmente a credibilidade do chefe do Governo.

A jurisdição constitucional do PR, como supervisor do sistema político, não consiste somente em impedir os eventuais abusos de poder do governo e da maioria parlamentar, mas também em defender as instituições contra o abuso de funções por parte de poderes não responsáveis democraticamente, ainda por cima ocultos. O silêncio de Belém é tanto mais controverso, quanto é certo que, se não for esclarecida a tempo, esta operação de "julgamento popular" do primeiro-ministro, por via mediática, pode vir a ter efeitos colaterais decisivos no actual ano eleitoral.

Sendo óbvio que o enlameamento de Sócrates e a difusão da suspeição política sobre ele poderá acarretar consideráveis perdas eleitorais ao PS - sendo esse obviamente o objectivo deliberado dos que desencadearam e alimentam esta operação, que repete de forma mais "profissional" o ensaio de 2005 -, é por demais evidente que o resultado da eleições pode vir a ser decisivamente influenciada por ela. A oposição pode vir a beneficiar ilegitimamente de uma oportunidade que nem o julgamento da acção do Governo nem a sua própria alternativa política manifestamente lhe poderiam proporcionar.

É evidente que numa democracia a sério nenhum primeiro-ministro poderá sobreviver a uma acusação fundada de corrupção. Mas também é inegável que dificilmente deixará de ser eleitoralmente penalizado em caso de simples suspeita de corrupção, mesmo que totalmente infundada, se não puder contrariá-la eficazmente a tempo de limitar os estragos. O que não se pode tolerar é que, por acção conjugada de uma deliberada instrumentalização de uma investigação penal (em que nem sequer está a ser investigado) com a prestimosa colaboração de uma opinião politicamente motivada, um primeiro-ministro seja eleitoralmente punido por outros motivos que não sejam os eventuais deméritos do seu governo e dele próprio. Isso daria à oposição uma imerecida vantagem eleitoral. Para dizer tudo, equivaleria a uma espécie de "fraude eleitoral perfeita".

Como se verificou com o infame assassínio político de Ferro Rodrigues, abjectamente dado como envolvido no caso Casa Pia, não se pode consentir novamente que forças não identificadas (provavelmente as mesmas) manipulem outra vez uma investigação penal no espaço público, para mais uma cruzada contra outro líder político (por acaso, também do PS).» [Público assinantes]

Parecer:

Por Vital Moreira.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ESTUDAR MEDICINA A CRÉDITO

«"Pedi empréstimo em Setembro por causa da crise e foi muito difícil de conseguir" Mariana, nome fictício, frequenta o último ano de Medicina em Badajoz, Espanha. Tal como ela, muitos dos 700 portugueses que, segundo o Ministério da Saúde, estão a estudar Medicina fora do País, tiveram de recorrer ao crédito bancário para acabar o curso - , especialmente no Reino Unido, República Checa e Espanha. » [Diário de Notícias]

Parecer:

É uma vergonha que num país onde faltam médicos os jovens tenham que recorrer ao crédito para estudar no estrangeiro e o mesmo Estado que os excluiu da universidade os convide a regressar a Portugal.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Adoptem-se medidas urgentes para alargar o número de vagas de medicina.»

PSD COLHE OS FRUTOS DA CAMPANHA NEGRA

«A JSD afixou esta terça-feira no Centro Sul, concelho de Almada, um outdoor em que apresenta "Pinócrates", uma imagem de José Sócrates com um nariz de pinóquio.Sob o lema "Ainda acredita ?", o cartaz recorda a promessa do primeiro-ministro de criar 150 mil novos empregos numa Legislatura.» [Correio da Manhã]

Parecer:

No mínimo, esta campanha revela desespero.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Manuela Ferreira Leite se agora faz como o Jerónimo de Sousa e deixa o trabalho sujo para os pirralhos.»

MEDIDA PEREGRINA

«O Governo quer os aposentados de novo nas escolas para auxiliarem nas tarefas não lectivas, como o apoio ao estudo, aos alunos imigrantes, ou nas visitas de estudo. Numa altura em que milhares de docentes se reformam, até com penalizações, e outros tantos estão desempregados, sindicatos dizem que proposta é ofensiva e imoral.» [Diário de Notícias]

Parecer:

O que terá passado pela cabeça da ministra da Educação para pensar que os professores que se reformaram depois de anos de um trabalho de desgaste teriam agora vontade de voltar a trabalhar à borla.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à ministra que se inscreva como voluntária depois de deixar o cargo»

BANCOS MAUS

«Quase um ano e meio depois do início da crise e apesar de já muito milhões terem sido injectados no sector financeiro, os bancos continuam com problemas, limitando o crédito concedido às empresas e famílias. Perante este cenário, a solução que voltou a estar em cima da mesa é a da criação de bancos públicos que comprem os activos tóxicos que estão a afectar o balanço dos bancos privados. Seriam aquilo a que se chama "bancos maus" - "bad banks" -, entidades públicas que assumiriam os riscos que os privados não querem ter e tentariam, nos próximos anos, recuperar o dinheiro investido, vendendo os activos. Outra alternativa é a atribuição pelo Estado de seguros aos bancos que os compensem por perdas que registem ao venderem os activos de alto risco.» [Público assinantes]

Parecer:

Coitados dos banqueiros...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Crie-se um novo lema: "os contribuintes que paguem a crise."»

BORIS BUKHMAN

"DRIVE DRUNK"

DEIXA A MINHA PEQUENA EM PAZ [imagens]

OBAMANIA J[A CHEGOU AO PORNO

LOS PISINGOS

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Em Portugal não há cabalas, não senhor

Um dos aspectos curiosos do caso Freeport é a preocupação de alguns sectores da direita em afirmar que em Portugal não há cabalas, isto é, em Portugal pode haver de tudo, até polícias condenados em tribunal por manobras de difamação como sucedeu neste mesmo caso, mas cabalas é coisa que não há. Pode até haver coincidências como o envolvimento sistemático dos líderes de um partido em casos de que podem resultar decapitação das lideranças, mas cabalas não há.

Podem haver investigadores mais interessados em que as peças processuais cheguem às redacções de jornais amigos do que a um juiz, podem ser sempre os mesmo jornais a receberem essa preciosa informação, podem ser sempre as mesmas vítimas, mas isso é fruto de coincidências.

Temos, pois, que em Portugal há coincidências mas somos todos demasiado honestos e defensores da democracia para que haja cabalas, as teorias da conspiração resultam apenas de meras coincidências.

É uma mera coincidência que o SOL, o semanário que iniciou o processo ainda recentemente foi parcialmente vendido a um conhecido empresário do PSD, que, também por coincidência, é patrão de Marques Mendes. É também uma mera coincidência que o segundo jornal a ter acesso privilegiado ao processo tenha sido o Público, um jornal que se tornou no blogue não oficial dos interesses de Belmiro de Azevedo, o seu dono, desde que Sócrates não transformou o novo aeroporto em aerogare privativa do empreendimento de Tróia. É também uma era coincidência que o terceiro jornal a receber cópias do processo pertença a Pinto Balsemão, número um e apoiante assumido da actual liderança do PSD.

Coincidência das coincidências é este assunto ter voltado à berlinda em ano eleitoral e depois de a Carlyle ter comprado a Freeport. Aliás, esta Carlyle é um verdadeiro gerador de coincidências pois também por mero acaso esteve à beira de comprara a GALP ao preço da uva mijona e ainda por cima com dinheiro barato da CGD. Também por coincidência o parceiro local dessa vigarice era a Fomentinveste liderada por gente do PSD. E como em matéria de coincidências ninguém estranha na época do negócio Manuela Ferreira Leite, a líder do PSD que acredita chegar a primeiro-ministro sem até agora ter conseguido convencer um único português além do Pacheco Pereira, era ministra das Finanças de Durão Barroso. Para acabar com esta lista de coincidências mais uma coincidência, o representante em Portugal da Carlyle é Martins da Cruz, compadre de Durão Barroso e que antes de assumir esta função e ter tentado o negócio da GALP tinha sido ministro dos Negócios Estrangeiros, cargo em que defendeu a diplomacia económicas.

Pois é, em Portugal somos todos uns santinhos e não damos golpes baixos, não lixamos o vizinho nem existem, cabalas, todas as maldades que fazemos é por descuido ou para sabermos toda a verdade.

Em Portugal podem haver muitas coincidências, mas cabalas não, isso é coisa de gente com uma imaginação doentia. Por cá, à excepção do Sócrates, somos todos muito honestos. Somos, não somos?

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Calçada, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Adam Lau/Sea Shepherd Conservation Society via Associated Press]

«A whaling protester threw a bottle full of rotten butter at the Japanese whaling ship Yushin Maru No. 1 in the Antarctic Ocean Monday. The whalers allegedly used a water cannon to blast the protesters. » [Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Carvalho da Silva

Carvalho da Silva deu hoje um bom exemplo de que "ao mau cagador até as calças empatam", aproveitou uma iniciativa para criação de emprego para criticar, como não podia criticar aproveitou para dizer que era uma medida antiga, de caminho aproveitou a situação da Quimonga, dando um bom exemplo de falta de honestidade intelectual pois sabe que salvar a esta empresa é um problema que ultrapassa as possibilidades de um governo. As figuras que o PCP obriga Carvalho da Silva a fazer...

AVES DE LISBOA

Garça-real [Ardea cinerea] junto ao Terreiro do Paço

VINGANÇA SERVE-SE FRIA E CHEIRA A ROQUEFORT

«Não faz parte da elite dos queijos, mas La Vache qui rit tinha boa saída na Bagdad em vésperas de invasão. Era dos raros produtos ocidentais nas prateleiras e o sucesso entre os iraquianos simbolizava o apreço pela recusa da França de Jacques Chirac em acompanhar os instintos de George W. Bush. Foi preciso a eleição de Nicolas Sarkozy para Paris e Washington reatarem a amizade, com os americanos felizes por verem no lugar de Chirac um líder que nas férias de 2007 até trocou a Riviera pelo New Hampshire. E depois, em Novembro, a visita oficial, com Sarkozy a entender-se às mil maravilhas com Bush, apesar de este não falar francês e um dia ter sido fotografado com uma cábula sobre a pronúncia do nome do homólogo (SAR-KOO-ZEE). Mas Bush, digam o que disserem as más-línguas, tem boa memória. E a 13 de Janeiro, uma semana antes de passar o testemunho a Barack Obama, promoveu uma lei que impõe 300% de taxas alfandegárias ao Roquefort, um dos mitos da gastronomia francesa. Afinal, o Presidente americano que insistiu em derrubar Saddam Hussein em 2003, contra quase todos, sabe que a vingança se serve fria. E que às vezes até cheira a esse queijo que o Washington Post descreve como "tendo odor a ovelha molhada, veios de fungos azuis e combinando na perfeição com pão de centeio e vinho tinto".» [ Link]

Parecer:

Por Leonídio Paulo Ferreira.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

AMO-TE MISS MINHO

«Há um negro na Casa Branca e outro, ainda mais negro, Michael Steele, na presidência do Partido Republicano. A Islândia vai ter uma primeira-ministra assumidamente lésbica. Tudo isto já em 2009. O mundo está a mudar. E, aqui em Portugal já há quem o esteja a acompanhar: é o PND de Manuel Monteiro, claro. Elegeu uma mulher para presidente do partido. É Maria Augusta Montes e irá consolidar e desenvolver a obra de Monteiro.

Este, por sua vez, ficará livre para se dedicar à sua Missão Minho. Diz-se que em Braga já há quem o trate carinhosamente por Mister Minho, pelo denodo com que defende a sua dama, a Miss Minho. O "ão" que resta de "Missão" é do cão deste casalinho - um belo Castro Laboreiro, que não há raça mais minhota.

Neste quadro de amor e concórdia, as únicas pinceladas discordantes andam à volta do novo símbolo do PND. Que é, obviamente, um coraçãozinho.

O anterior era uma pomba ou uma andorinha. Não alternadamente: ou uma ou outra, conforme as interpretações. Para um dos delegados (apologista da andorinha), o novo coração "está demasiado forte para o partido". "Não digo que esteja demasiado folclórico, ou erótico, mas foi muito ao encontro do galo de Barcelos."

Isto é, terá folclore e erotismo - mas não em excesso. E o único senão será puxar talvez um pouco de mais para o galaró engatatão de Barcelos. Apesar de este também ser, faça-se-lhe justiça, uma ave. Sinceramente, não vejo onde esteja o mal. É perfeito para o novo PND.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

"HOMEJACKING" PREOCUPA POLÍCIA

«O secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, Mário Mendes, convocou uma reunião de emergência na passada quinta-feira, do Gabinete Coordenador de Segurança para definir estratégias de combate ao homejacking - assaltos violentos a residências com os moradores lá dentro. O aumento deste crimes, principalmente na zona do Grande Porto e Algarve, está a preocupar as polícias que querem avançar com medidas e prevenção.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Este tipo de delinquência deve ser combatido logo que aparece, antes de se tornar moda.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Adoptem-se medidas.»

UM "HOMEM DE BEM", DIZIA CRAVINHO

«O socialista João Cravinho não se arrepende de ter escrito o prefácio do livro "Testemunho de um Banqueiro", de João Rendeiro, mesmo depois do escândalo que envolve o Banco Privado Português (BPP). "O prefácio representa o que penso de João Rendeiro, até prova em contrário. Continuo a pensar que é um homem de bem", afirmou ao DN.» [Diário de Notícias]

Parecer:

As voltas que a vida dá...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cravinho se ainda é um admirador do banqueiro falido.»

BANCOS AUMENTAM "SPREADS" PARA AS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

«Os bancos estão a agravar os spreads dos empréstimos às empresas e, apesar da forte descida da Euribor, há já PME - as que têm maior risco -a pagar financiamentos na ordem dos 10%. A Associação Empresarial de Portugal (AEP) garante que é confrontada "diariamente com as queixas" dos seus associados que estão a pagar "spreads de 6% e que, por isso, apesar da Euribor ter caído para pouco mais de 2%, acabam a pagar um juro bem acima dos tempos em que as taxas estavam quase nos 5%". Paulo Nunes de Almeida, vice-presidente da associação, sublinha que "a descida da Euribor é mais do que compensada pela subida dos spreads", o que coloca as empresas "numa situação muito difícil" num momento em que se defrontam com "dificuldades de tesouraria por via da redução de cobranças".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Ou estou muito enganado ou 2009 vai ser um dos melhores anos para a banca.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Vítor Constâncio se está a analisar o comportamento da banca.»

A MODA DA SAPATADA CHEGOU À CHINA

«Um manifestante lançou um sapato contra o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, sem o atingir, quando este proferia um discurso na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, no último dia de visita ao Reino Unido e derradeira etapa de uma digressão europeia.

Depois do incidente no Iraque, no mês passado, em que um jornalista iraquiano lançou os dois sapatos num gesto insultuoso e em protesto contra o então ainda Presidente norte-americano George W.Bush, tornando-se imediatamente um herói no mundo islâmico, o gesto repetiu-se ontem em Inglaterra. Desta vez contra Wen Jiabao. » [Público]

ESQUECIMENTO OPORTUNO

«Durante pelo menos quatro anos, a administração fiscal não instruiu os seus serviços para aplicar ao sector financeiro regras que reduziriam os seus reembolsos do IVA em dezenas de milhões de euros. Em Março passado, uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças chamou a atenção para esse facto, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais aplaudiu as conclusões, mas nada mudou. Agora, o Ministério das Finanças promete que, "a breve prazo, serão emitidas instruções administrativas" (ver caixa). O PÚBLICO pediu o acesso ao relatório em Outubro de 2008, mas o Ministério das Finanças apenas o permitiu em Janeiro passado e omitindo o nome das instituições mencionadas.» [Público assinantes]

Parecer:

O curioso é que alguém teve um esquecimento que custou milhões e favoreceu a banca e o ministro nem se deu ao trabalho de saber quem fez o favor.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Procurador-Geral da República.»

MARC HOPPE

GREENPEACE

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Há mais economia para além da crise

Os últimos dez anos foram marcados pela crise económica e pela instabilidade política, com as crises a prolongarem-se no tempo e a sua duração a aproximare-se da do ciclos eleitorais, que são ferquentemente encurtados pela instabilidade política, dificilmente é possível combater as causas estruturais que impedem um desenvolvimento económico sustentado. Problemas como os desequilíbrios externo ou o peso do Estado não se resolvem com governantes preocupados com eleições.

Os governos ficam à mecê das corporações que se alimentam do erário público, dificilmente têm margem para adoptar políticas a pensar no médio e longo prazo. Guterres viu-se enredado numa maioria relativa que ficou a um deputado da maioria absoluta acabando por ser refém de uma maioria que apenas aguardava o momento oportuno para o derrubar, se adoptasse uma política de rigor nas contas públicas, para o fazer teria que enfrentar as corporações e gerar descontentamento. Tem sido evidente que as corporações tudo fazem para derrubar o governo, não é por acaso que o lema dos professores é "não votem no PS".

Durão Barroso e Ferreira Leite limitaram-se a esperar pelos sinais de retoma e mesmo sem nada fazer e apesar das vantagens eleitorais resultantes do Processo Casa Pia (se o governo tivesse hostilizado os funcionários públicos e, em particular, as magistraturas teria havido processo Casa Pia?) caíram a pique nas sondagens. O Governo de Santana Lopes foi o que se viu, tentou resistir à situação com medidas populistas absurdas. Ambos foram vítimas do eleitoralismo, a única via possível para um governo portugu^ªes sobreviver e num país com quase metade das famílias (sem contar os pensionistas) a depender do orçamento tratar bem as corporações é meio caminho andado para ganhar eleições

A verdade é que durante quase uma década os governos foram reféns da crise e do impacto desta nos calendários eleitorais, a política económica não é gerida em função dos ciclos económicos nem ataca os problemas de fundo, é orientada em função das eleições. O resultado está à vista, aperta-se o cinto para reequilibrar as contas do Estado para combater a crise e recorre-se ao que se poupou para combater a mesma crise quando esta se agrava.

O agravamento da crise económica teve como resultado ter-se deixado de pensar na crise para atacar os sintomas pois são ests que afectam o eleitorado, governo e oposição limitam-se a propor medidas a pensar no voto dos eleitores. Como o Governo apostou no investimento público o mesmo PSD que há dois anos criticava a falta de investimento público, apesar da grave crise financeira, agora diz que não há dinheiro e critica o mesmo investimento público que defendeu só por receio de a ilusão de crescimento daí resultante poder proporcionar ganhos eleitorais ao PS. Em contrapartida, propõe uma descida generalizada de impostos esquecendo premeditadamente que do ponto de vista orçamental o resultado é o mesmo a curto prazo, se não há dinheiro para investir também não deveria haver para deixar de cobrar impostos, a não ser que Manuela Ferreira Leite tenha na manga uma solução para reduzir a despesa e, como se sabe, a única forma de o fazer é despedindo funcionários públicos, solução defendida por muita gente do PSD há bem pouco tempo, até se adiantava o número de 150.000 funcionários, mas isso fica para a fase inicial de um futuro mandato se os eleitores em má hora a escolheem e as corporações o permitirem (a não ser que aumente as mordomias às corp+orações que estão na posse de segredos incómodos).

A redução dos impostos e do peso da despesa pública é desejável e deveria ser assumida como objectivo de médio e longo prazo, mas nunca funcionará como solução de curto prazo para os problemas criados por uma crise como aquela a que assistimos.

A verdade é que se a intenção é evitar as consequências imediatas da crise, as falências e o desemprego, nem o aumento de investimentos públicos, nem a descida dos impostos são eficazes. A descida dos impostos é mesmo uma mentira pois com as perdas nos lucros e a quebra no consumo já há uma redução das receitas fiscais, seriam as empresas lucrativas a beneficiar desta medida e não são essas as que estão a sofrer com a crise. Se a opção for reduzir o impostos sobre o rendimento então serão os mais privilegiados a beneficiar pois só nesse segmento se conseguiria um aumento significativo da procura e uma redução significativa da carga fiscal. Só que este aumento da procura pouco se reflectiria na economia, aumentar-se-ia o consumo de bens de luxo importados, agravando o desequilíbrio externo que o PSD gosta tanto de recordar.

Por outro lado, o investimento público decidido pelo governo pouco vai animar a economia a curto prazo, o tempo necessário à elaboração dos projectos, à sua aprovação, ao lançamento dos concursos e, por fim, ao início das obras levará a que estas entrem em velocidade de cruzeiro muitos meses depois de esta estratégia ter sido decidida, corre-se mesmo o risco de o país estar a pagar cimento em vez de investir em competitividade quando a crise estiver ultrapassada.

Ora, a mesma Manuela Ferreira Leite que agora tanto critica as previsões económicas andou dois anos a inventar sinais de retoma e a inversão do ciclo económico. Se estivesse enganada como esteve com uma crise que ao pé desta foi uma crisesita depois de reduzir os impostos teria que apostar no investimento público para salvar o emprego já in extremis. Mas depois da quebra da receita fiscal não teia hipóteses de o fazer. A sua estratégia assneta no pressuposto de que a crise é de curta duração e como se sabe da última vez saíu sem ver sinais de retoma.

A verdade é que a crise será superada quando aumentar a procura dos nossos parceiros e a sua superação depende mais do investimento público desses parceiros do que das obras que forem lançadas ou da descida de impostos. A estratégia inteligente seria usar os recursos públicos para reduzir o impacto social da crise económica e apostar na modernização do Estado e das empresas. O problema é, do ponto de vista eleitoral, esta estratégia é pior do que a adoptada pelo Governo ou as que foram propostas pela oposição.

Antes de pensarem na economia os nossos políticos terão que pensar nos votos para que possam governar. O drama é que quando ganham eleições o primeiro problema que enfrentam é precisamente a necessidade de começar nas próximas eleições, raros são os que têm coragem de actuar de forma diferente e se o fizerem correm um sério risco de o céu lhes cair em cima.