quarta-feira, março 04, 2009

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Girafa no Jardim Zoológico de Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Ng Han Guan/Associated Press]

«Ushers checked under tables for left-behind items at the end of the opening session of the Chinese People’s Political Consultative Conference in Beijing Tuesday. Economic woes top the conference agenda. The panel also defended China’s crackdown on Tibet.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Manuela Ferreira Leite

Finalmente Manuela Ferreira Leite revelou alguma inteligência e adoptou uma estratégia que, em certas circunstâncias poderá ter resultados, todas as semanas recebe uma visita de uma orghanização social, lá aparece a reunião de trabalho onde a líder do PSD simula a postura de primeira-ministra e no final dá a respectiva confereência de imprensa.

Já o fez, por exemplo, com o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado e, ainda ontem, com a CAP. Mas esta estratéghia tem um ponto fraco, os que vão à sede do PSD falar mal do Governo dizendo mais ou menos o mesmo que Manuela Ferreira Leite não são própriamente caras novas, diria que já estão "queimados" na comunicação social. Além disso, a estratégia nem é nova, a líder do PSD decidiu copiar Jerónimo de Sousa, que há muito segue a mesma estratégia mas com maior criatividade, não só recebe persionalidades e organizações menos vistas na comunicação social, como promove encontros com grupos sociaos, como fez ontem com os reformados.

De pouco serve levar o presidente do SQTE ou da CAP repetir as intervenções que já lhes vimos fazer dezenas de vezes nas televisões, ao recorrer à "prata da casa" Manuela Ferreira Leite acaba por evidenciar a encenação, retirando efeito à estratégia.

O PSD E O CONGRESSO DO PS

Começa a ser evidente que Manuela Ferreira Leite estava pouco preocupada com o Conselhor Europeu informal de quem já ninguém se lembra, dois dias depois do congresso e da reunião em Bruxelas a líder do PSD já esqueceu o assunto e criticou o congresso por o considerar uma encenação de culto da personaldiade. Aliás, o representante do PSD que esteve presente no encerramento do congresso já tinha dado sinal de que o PSD iria revelar uma grande irritação e falta de educação ao considerar os congressistas uma "capa de maioria socráticas". Nunca o PSD revelou tanta falta de educação ao pronunciar-se sobre o congresso de outro partido, um sinal de que as sondagens fizeram estalar o verniz de Manuela Ferreira Leite e de que os portugueses vão conhecer uma versão pouco conhecida da líder do PSD, a de uma senhora mal educada.

Sobre as propostas feitas pelo PS no congresso nem uma palavra, quanto ao cabeça de lista do PSD às europeias a desculpa do costume, que já está definido o perfil. Para Manuela Ferreira Leite apenas as autárquicas de Lisboa eram urgentes ao ponto de estarem acima da crise.

UMA DÚVIDA

A que propósito Cavaco Silva foi falar para a Alemanha do calendário eleitoral português? A justificação de que foi uma pergunta de um jornalista não pega, já vimos o Presidente não responder a centenas de perguntas de jornalistas.

MAIS EUROPA

«A União Europeia vive actualmente um triplo teste, que desafia a sua capacidade de acção e de afirmação política no futuro. O mais imediato consiste na resposta à crise financeira e económica global, que afecta gravemente todos os Estados-membros. O segundo diz respeito à afirmação da Europa na cena internacional, onde o seu défice de protagonismo não pode persistir. O terceiro tem a ver com o impasse sobre o Tratado de Lisboa, do qual depende o reforço da organização e dos poderes da União. Vale a pena analisar as implicações de cada um destes desafios.

A UE está a ser especialmente testada pela profunda crise financeira e económica que abrange hoje praticamente todo o mundo, em especial os países desenvolvidos, designadamente os Estados Unidos (onde ela teve origem), o Japão e a própria Europa, com todas as sequelas em matéria de contracção brusca da actividade económica e sobretudo de aumento exponencial do desemprego (que já atinge dois dígitos em alguns países, como em Espanha), com todo o cortejo de insegurança, de perda de rendimentos e de degradação da qualidade de vida para milhões de pessoas.

Apesar dos meritórios esforços da União no apoio e na coordenação das respostas nacionais à crise - sem os quais ela poderia estar a atingir níveis catastróficos em alguns países -, bem como no combate às derivas proteccionistas de alguns Estados-membros, totalmente contrárias à lógica da integração europeia, tais esforços evidenciaram também as limitações dos actuais mecanismos comunitários. É já hoje evidente que um "mercado único", sem fronteiras nacionais, não pode prescindir de uma adequada regulação a nível da própria UE.

Além de questionar o paradigma neoliberal das últimas décadas a nível nacional, a crise tornou igualmente evidente que a integração económica europeia, substituindo mercados nacionais territorialmente segmentados por um mercado integrado, não pode deixar de exigir também um mínimo de "governo económico" e uma regulação integrada a nível de toda a União, implicando a criação de autoridades reguladoras europeias, complementando as autoridades reguladoras nacionais, desde logo no que respeita ao sector financeiro, no que respeita às empresas e às transacções transfronteiriças.

O segundo teste da UE no momento presente está na frente internacional e decorre tanto da dimensão global da crise económica como do novo contexto derivado da eleição do Presidente Barack nos Estados Unidos e do regresso de Washington à cooperação internacional, a começar pela Europa, como forma de enfrentar os grandes problemas internacionais.
Ora, o primeiro grande problema internacional é justamente a necessidade de uma resposta conjunta à crise global da economia, que não pode ser enfrentada senão a nível global. Uma das tarefas prioritárias da UE, como grande potência económica que é, consiste também em contribuir com todo o seu peso político no sentido da regulação da globalização, a começar pela regulação dos movimentos financeiros, pelo combate aos offshores e pela criação de mecanismos de estabilidade e transparência da economia mundial.

Neste sentido, impõe-se a definição de um mandato claro por parte da UE para a cimeira do G20 que em Abril próximo, em Londres, vai definir o novo quadro das instituições financeiras internacionais, porque dele vai depender a confiança quanto à saída da crise, bem como a nova ordem económica e financeira internacional para depois da retoma que há-de vir. Há um novo paradigma a estabelecer para a economia global.

A outra frente da agenda da UE no plano internacional consiste na criação de uma parceria transatlântica virtuosa, em favor de uma nova política de ataque aos principais factores que ameaçam a paz e a segurança internacionais, designadamente o desenvolvimento de uma relação de cooperação e de confiança mútua com a Rússia, uma paz justa no eterno conflito israelo-palestiniano, a contenção pacífica do programa nuclear do Irão, a estabilização militar e política no Afeganistão, o estabelecimento de uma relação de respeito mútuo com o mundo árabe e, last but not the least, a implementação da parceria económica com a África, de cuja estabilidade económica e política depende a própria estabilidade social europeia, desde logo em termos de fluxos de imigração.

O terceiro desafio da UE tem a ver com o impasse do Tratado de Lisboa, que continua pendente da ratificação da Irlanda, depois da sua rejeição em referendo, no ano passado. Há três razões que podem augurar um segundo referendo favorável. Primeiro, tornou-se evidente que alguns dos receios que mais pesaram no voto negativo de muitos irlandeses não têm nenhum fundamento (por exemplo, o fim da neutralidade militar da Irlanda ou a despenalização do aborto). Segundo, a Irlanda foi o primeiro país europeu a ser duramente atingido pela crise financeira e pela recessão económica, pondo em causa o celebrado "modelo celta", e tornando claro que fora da União Europeia a Irlanda poderia ter o mesmo destino que a Islândia. Terceiro, foram entretanto dadas algumas garantias a Dublin que vão ao encontro das principais razões da rejeição do Tratado, designadamente em matéria de neutralidade militar e de ordem jurídica da família, bem como a manutenção de um comissário por país.

É desnecessário sublinhar a importância do Tratado de Lisboa, não somente para modernizar as instituições da União e para lhe conferir instrumentos de acção mais ágeis, mas também para vencer os desafios relativos à recessão económica e à agenda internacional. Se por desventura o Tratado ficasse pelo caminho, a situação da União tornar-se-ia muito mais complicada, prolongando por tempo indefinido os actuais constrangimentos institucionais e a crise de confiança na UE.

Para tudo isso, que é muito, precisamos de mais Europa e de uma UE mais forte, e não menos.» [Público assinantes]

Parecer:

A apresentação da candidatura europeia de Vital Moreira? No Público e ainda por cima paga por Belmiro de Azevedo? Gostei desta, até merece citar o artigo na íntegra.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A ANEDOTA DO DIA

«Com os candidatos de esquerda anunciados para as eleições europeias de Junho, à direita há ainda muitas incógnitas, a começar no PSD. A prioridade é a política interna, designadamente, o combate à crise e, por isso, a presidente do partido, Manuela Ferreira Leite, ainda não encetou conversas para definir o cabeça-de-lista.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Se Manuela Ferreira Leite anda tão ocupada de tratar da crise que não pode escolher os candidatos a deputados arrisca-se a não concorrer às europeias.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a MFL o que a ocupa tanto já que nem é governante nem se tem visto o resultado de tanto trabalho.»

AFINAL AS SECRETAS NÃO INVESTIGARAM OS MAGISTRADOS DO CASO FREEPORT

«O presidente do Conselho de Fiscalização do Serviço de Informações, o deputado socialista Marques Júnior, afirmou esta terça-feira que "não se confirma nenhuma actividade ilegítima por parte dos serviços de informação" no âmbito do caso "Freeport".
"Transmitimos aos deputados aquilo que foram as diligências que desenvolvemos face a notícias que vinham na comunicação social e apurámos que não se confirma nenhuma actividade ilegítima por parte dos serviços de informações", disse Marques Júnior aos jornalistas, no final de uma audição na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais.»
[Jornal de Notícias]

Parecer:

Tudo isto não passou de uma encenação provocada pelo líder parlamentar do PSD, desde o princípio que o Procurador assumiu que estava a dizer uma piada no Conselho Superior de Magistratura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a Miguel Relvas, para quque o pobre homem fique descansado.»

OPERAÇÃO FURACÃO RENDEU 25 MILHÕES DE EUROS AO FISCO

«A administração fiscal recuperou 25 milhões de euros em 2008 no âmbito da Operação Furacão, a qual investiga suspeitas de fraude e branqueamento de capitais, anunciou esta terça-feira o ministro das Finanças em conferência de imprensa.

"Cobrámos 25 milhões de euros de receita em 2008" no âmbito da Operação Furacão, afirmou o ministro Fernando Teixeira dos Santos, na apresentação do Relatório de Combate à Fraude e Evasão Fiscais, acrescentando que desde o início dessa operação o Estado já recuperou 68 milhões de euros.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Esdta operação pode não ter passado de uma pequena brisa que acabou em águas de bacalhau, mas ao menos deu lucro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se sobre quanto custou a operação.»

CÓDIGO DO TRABALHO "COMPLETADO" COM UMA RECTIFICAÇÃO

«O ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, lamentou hoje “os lapsos” do Código de Trabalho, mas rejeitou responsabilidades no processo e criticou a oposição por não chegarem a acordo sobre a forma de resolver o vazio legal na lei.

As declarações foram feitas durante uma audição parlamentar do ministro, que foi precedida pela aprovação só com os votos do PS de uma proposta de rectificação do Código de Trabalho, um meio que toda a oposição considerou desadequado para solucionar o problema. Agora é apenas necessário que a rectificação seja publicada em Diário da República para entrar em vigor.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Digamos que é um procedimento pouco ortodoxo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao ministro que assuma a responsabilidade.»

GRAFITTI DE BANKY: O RAPAZ DO GUETO [Flickr]

CHRISTINE VON DIEPENBROEK

COMO INSTALAR O AR CONDICIONADO (RÚSSIA) [imagens]

BIC

terça-feira, março 03, 2009

José Sócrates será à prova de bala?

Nenhum político português foi alvo de tantas acusações como José Sócrates desde que assumiu a liderança do PS, mal se candidatou a primeiro-ministro foi logo alvo de insinuações sobre as suas opções sexuais, o PSD chegou mesmo a encher o país com outdoors, uns da iniciativa da JSD, outros de Pedro Santana Lopes, lançando a insinuação.

Depois disso e já como primeiro-ministro foi aquilo a que temos assistido, as suspeitas sobre o diploma, as dúvidas sobre os trabalhos de engenharia e, mais recentemente, o caso Freeport. Tentaram a insinuação de que era gay como humilhação, depois foi a tentativa de provar a “falha de carácter" como lhe chamou Pacheco Pereira e agora a acusação de corrupto.

Em todas estas acusações o PSD ou assumiu claramente a acusação ou não resistiu à tentação de aproveitar as dúvidas. Foi o que sucedeu com o caso Freeport, o PSD não assume a suspeita mas vai aproveitando todas as ocasiões para assegurar que a mesma paira sobre Sócrates, chegou ao ridículo de mandar o líder parlamentar reunir com o Procurador-Geral para discutir a matéria.

Nos outros partidos da oposição a estratégia difere de partido para partido, o CDS tem evitado sujar as mãos enquanto o BE e o PCP assumem uma postura responsável enquanto os seus militantes vão usando todas as formas de lançar a suspeita.

Mas depois de tudo isto e de mais uma grave crise económica o PS sobrevive nas sondagens e arrisca-se mesmo a renovar a maioria absoluta. Porquê?

Em condições normais bastariam as suspeitas que têm vindo a ser lançadas para derrubar o fragilizar psicologicamente o primeiro-ministro. Se isso não bastasse os conflitos com os armadores de pesca, camionistas e professores bastariam para fragilizar eleitoralmente José Sócrates. Se considerarmos o que sucedeu no mandato de Mário Soares teríamos que concluir que a postura de falsa cooperação estratégica de Cavaco Silva seria suficiente para fragilizar eleitoralmente José Sócrates. Mas mesmo assim o líder do PS resiste.

Poder-se-ia dizer que José Sócrates é tão competente que os eleitores estão dispostos a perdoar-lhe tudo, mas isso não é verdade, ainda que seja bem mais competente como primeiro-ministro do que as últimas soluções do PSD. Aliás, quando se candidatou a primeiro-ministro Sócrates não estava preparado para o cargo, o que o levou a falhar tanta promessa.

A verdade é que os eleitores são como as ratazanas, vão-se habituando ao veneno e acabam por se alimentar com ele em vez de morrerem. O José Manuel Fernandes bem pode dedicar todas as edições do Público a Sócrates que os seus leitores limitam-se a pular as páginas e não mudam as intenções de voto em função das desilusões empresariais de Belmiro de Azevedo. A Manuela Moura Guedes bem pode encher aquela enorme boca de gozo que os espectadores vão bocejando até à hora da telenovela. Cavaco Silva bem pode marcar comunicações e recorrer a vetos, não é por isso que os eleitores se vão apaixonar por Manuela Ferreira Leite ou reparar no seu Miguel Relvas.

A força de Sócrates vem da falta de alternativas, vem de uma oposição que esgota as suas energias na crítica e se esquece de propor um projecto com soluções para o país e quando simulam a apresentação de soluções estas tresandam a eleitoralismo.

Com uma oposição destas começo a ficar convencido de que nem à bala se vão livrar de José Sócrates. Aliás, ao PSD já só falta mesmo contratar um gangster para se livrar do líder do PS o que lhes serviria de pouco, estou convencido que Manuela Ferreira Leite perderia até com o porteiro do Largo do Rato.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Cemitério dos cães, Jardim Zoológico de Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Pavel Rahman/Associated Press]

«A Bangladeshi army officer cried as he carried the coffin of a colleague in a mass state funeral for 49 army officers and one family member in Dhaka Monday.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva, Presidente da República

Não faz sentido invocar o facto de a Comissão da União Europeia estar a "promover a definição de critérios fiáveis e de indicadores objectivos sobre o pluralismo dos meios de comunicação social" para vetar uma lei votada no parlamento. Por este andar os órgãos de soberania, eleitos pelos portugueses, terão de pedir autorização a Durão Barroso, que não foi eleito por nenhum europeu, para legislar sobre toda e qualquer matéria, basta que o presidente da Comissão manifeste a intenção de pensar sobre o assunto para que Cavaco Silva ache que Portugal deve ficar à espera.

A isto chama-se provincianismo.

VER NOVAMENTE?

Santana Lopes não quer esperar e já lançou a sua página na Net, uma página em Flash que não diz quase nada e termina de uma forma curiosa: perguntando se queremos ver novamente. Terá sido coincidência?

A ESCOLHA DE VITAL MOREIRA PARA CABEÇA DE LISTA DO PS ÀS EUROPEIAS

Confesso que não dou grande importância às eleições europeias, por detrás de muito discurso europeísta o que está em causa para muitos candidatos europeus é um bom emprego, por isso estava e estou a equacionar a hipótese de não me envolver nesta campanha nem sequer votar nas eleições. Veremos se Vital Moreira me consegue convencer a mudar de posição.

AVES DE LISBOA

Toutinegra-de-barrete-preto fêmea [Sylvia atricapilla]

A DESUNIÃO DA UNIÃO

«"A história diz-nos que as medidas proteccionistas prejudicam não só os outros países, mas também aqueles que as tomam", escreveu o ministro chinês do Comércio no Wall Street Journal. O ministro lembrou que em 1930 os Estados Unidos ergueram altas barreiras alfandegárias às importações, na sequência da crise desencadeada na bolsa em 1929. Seguiram-se retaliações dos parceiros comerciais dos EUA, com subidas de direitos aduaneiros, desvalorizações competitivas das moedas, etc. O comércio mundial registou em 1932 apenas um terço do volume alcançado três anos antes. E nesses três anos as exportações americanas recuaram de 5200 milhões de dólares para 1200 milhões.

O Financial Times alertava no sábado para que o comércio internacional, o grande motor da expansão económica desde a Segunda Guerra Mundial, está agora a diminuir a um ritmo muito superior ao da queda do produto. Em parte por causa das restrições ao crédito, mas também porque regressou o proteccionismo, não obstante as piedosas afirmações antiproteccionistas feitas na cimeira do G20 em Novembro.

A crise económica gera protestos sociais, levando os políticos a pseudo-soluções de índole populista, como o proteccionismo. Acontece em muitos países, desde os EUA à Índia, passando pela Europa. Na UE está em risco o mercado único, com a sua livre circulação de pessoas, serviços, mercadorias e capitais no espaço comunitário. O proteccionismo afecta o intercâmbio no interior da UE, minando o próprio projecto de integração.

Sarkozy anunciou há meses a criação de um fundo para impedir a compra por estrangeiros de grandes empresas francesas. Perante a passividade de uma Comissão Europeia crescentemente apagada, disse depois que não apoiaria a indústria automóvel da França para ela investir em filiais na República Checa. Entretanto, Gordon Brown não condenou abertamente a revolta dos operários britânicos contra italianos e portugueses empregados numa refinaria no Reino Unido - ele tinha dito, em 2007, que queria empregos britânicos para trabalhadores britânicos. Angela Merkel desinteressou-se durante meses dos problemas dos seus vizinhos, esquecendo quanto a economia alemã depende das exportações para esses países em crise.

A ausência de coordenação na UE dos planos nacionais de apoio à banca e ao relançamento das economias traduz-se, na prática, em políticas proteccionistas. A Comissão percebeu-o, finalmente, quanto ao sector automóvel. Talvez tarde de mais, pois o nacionalismo económico já lançou o maior desafio de sempre à integração europeia. Um desafio agravado pelas novas manifestações de "directório" por parte dos maiores Estados-membros da UE, que decidem sem ouvir primeiro os outros países.

A solidariedade europeia está ainda a ser posta à prova em duas outras frentes. Alguns países da moeda única - Grécia, Irlanda... - ameaçam bancarrota e os mercados financeiros mostram-se cada vez mais nervosos e exigentes. As regras do euro impedem a União de resgatar os falidos. Mas alguns países-membros poderão fazê-lo. O Governo alemão já deu sinais de encarar essa hipótese. Mas terá o apoio da opinião pública germânica? Há eleições em Setembro na Alemanha.

O outro problema está nos alarmantes défices externos de alguns novos membros da UE, que ainda não fazem parte do euro. As suas moedas desvalorizam-se dramaticamente e os seus sistemas bancários estão em crise aguda. Numerosos bancos dos países da Europa Central e de Leste são maioritariamente detidos por bancos ocidentais. Em tempo de escassez de capitais, muito dinheiro tem sido repatriado para as sedes, colocando as filiais em dificuldades.
O Banco Central Europeu, juntamente com outras entidades internacionais, já ajudou a Hungria, a Letónia e a Polónia a enfrentarem crises cambiais. E o Banco Europeu de Investimento vai apoiar a banca do Centro e de Leste. Mas, se os problemas se agravarem, como tudo indica, a solidariedade europeia exigirá medidas drásticas.

Os ideais da integração europeia estão hoje a ser contrariados por um nacionalismo populista de mau agoiro. Até o regresso do anti-semitismo parece tomar forma. Contra esta tendência não chega a retórica dos políticos, muitas vezes hipócrita e falsa: tornam-se indispensáveis acções coerentes com as palavras. As boas intenções contam pouco, como já se viu.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Francisco Sarsfield Cabral.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ESCOLAS EM AUTO-GESTÃO

«Os presidentes dos conselhos executivos das mais de 200 escolas que se opõem ao actual modelo de avaliação estão a dispensar da entrega de objectivos individuais os professores que ainda não o fizeram. Isto apesar de os fundamentos da decisão estarem ainda longe de ser consensuais.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Seria interessante divulgar os resultados destas escolas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Substituam-se os conselhos executivos destas escolas.»

TENTARAM ENTRAR NO SISTEMA INFORMÁTICO DA PROCURADORIA

«A Procuradoria-Geral da República garantiu, esta segunda-feira, que "não houve qualquer violação do sistema informático" da PGR/Departamento Central de Investigação e Acção Penal, embora tenham sido "detectadas tentativas de intromissão".

"Apenas foram detectadas tentativas de intromissão e anomalias no funcionamento da rede, que estão ultrapassadas", referiu à Agência Lusa o gabinete de imprensa do procurador-geral, Pinto Monteiro, acrescentando que a "administração do sistema informático da PGR/DCIAP é da responsabilidade da Procuradoria".» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Depois da devassa de tudo quanto é processo o mínimo que se pode dizer é que é mais fácil pedir uma cópia dos processos do quem entrar por via informática.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a competente gargalhada.»

MAIS UM CRIME AMBIENTAL LAMENTÁVEL

«O macho do único casal de águia-imperial Aquila adalberti que nidificou com sucesso em Portugal em 2008 foi encontrado morto na última quinta-feira com chumbos de caçadeira, na área do Vale do Guadiana. O Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) vai apresentar queixa-crime contra incertos.

O corpo da ave, de uma espécie classificada como Criticamente em Perigo e que só existe em Portugal e Espanha, foi encontrado junto ao seu ninho na quinta-feira, na área do Vale do Guadiana, em zona de caça associativa já fora do Parque Natural mas dentro de uma ZPE (Zona de Protecção Especial). A cria tinha abandonado o ninho, no final do Verão, e é actualmente autónoma em relação aos pais.» [Público]

Parecer:

Anda por aí muito caçador que até baleava a mãe se esta usasse asas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aumentem-se as exigências na concessão da carta de caçador e obriguem-se todos os portadores a exames periódicos.»

VENEZA VISTA DO AR [Link]

ANATOLIY NKALUGIN

REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS

segunda-feira, março 02, 2009

PSD, um partido que está a mais ?

O PS é o único partido social-democrata europeu onde há militantes a propor alianças com a extrema-esquerda como afirmação de identidade, algo historicamente absurdo já na raiz da divisão entre social-democratas e comunistas está uma luta de morte que ao longo de um século já fez muitas vítimas.

É este “complexo de esquerda” que une velhos “senhores da guerra” do antes do 25 de Abril e grupos de intelectuais que querem chegar a ministro sem tirarem as pantufas, que ainda justifica a existência do PSD, uma originalidade política europeia, um partido de direita que se apropriou sem complexos da designação “social-democrata”, acenando com uma ideologia que detesta. Até há quem diga que no PSD há social-democratas, até o Pacheco Pereira não perde a oportunidade para se afirmar de esquerda, mas a verdade é que o ódio de comunistas a social-democratas só é igualado pelo ódio das personalidades que no PSD mais se dizem identificar-se com a social-democracia com a própria social democracia. Um bom exemplo disso é Cavaco Silva que se fez social-democrata por conveniência mas foi o coveiro do governo do bloco central. nbasta ver as preferências destes "social-democratas" portuguesas em eleições de outros países para se perceber quão são social-democratas.

O PSD tanto é “social-democrata” como poderia ser outra coisa qualquer, é formado por gente que vai quase da extrema-direita ao centro-esquerda, o que os une não é qualquer ideologia ou projecto político, juntaram-se para gerir o poder e, em regra, obedecem a quem tem melhores condições para chegar a esse poder.

Só que desde 1995 o PSD governou apenas durante dois anos e é muito provável que venha a estar quatro anos fora do governo, isto é, arrisca-se a que passe quase 18 anos seguidos na oposição. Isso explica que nos 14 anos já passados quase não tenha aparecido uma cara nova, o próprio Pedro Passos Coelho já anda na liderança do PSD desde o tempo de Cavaco Silva, as novas caras que apareceram ou são pouca coisa, como Miguel Relvas, ou foram um falhanço político como é o caso de António Preto.

O PSD de hoje é um partido sem projecto, sem programa e sem ideologia, não passa de uma coligação de autarcas, uma mistura de populistas e caciques locais, com uma ou outra personalidade que não corresponde a esse figurino, como é o casa de alguns dirigentes ou potenciais dirigentes nacionais, que se refugiaram no poder local como forma de exílio político enquanto o PSD está longe do Governo.

A verdade é que sem capacidade que teve no passado de trazer para a política activa as elites urbanas o PSD tem-se vindo a esvaziar, esgotado por dirigentes sem ideias, ideologia ou projecto político, dirigentes que se candidatam e gerem o seu discurso político em função dos acontecimentos e das sondagens.

Com o governo de Pedro Santana Lopes o PSD bateu no fundo, foram muitas as vozes que falaram e refundação da direita, mas os cavaquistas preferiram fugir ao debate e lançar a renovação do programa do partido. Os resultados estão à vista, a direita está ao cuidado de Paulo Portas enquanto o PSD se vai transformando numa coligação de autarcas incapazes de assumirem um projecto nacional.