segunda-feira, fevereiro 22, 2016

O emplastro

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Se perguntarem aos portugueses quem é o líder mais incompetente dos que se encontram à frente de uma instituição nacional é bem provável que a escolha recaia em Carlos Costa, até os que o defendem evitam a palavra competência, nem mesmo quando o reconduziram usaram essa qualidade como argumento. A sua incompetência não foi uma surpresa e seria interessante se Teixeira dos Santos explicasse aos portugueses os critérios que seguiu para a sua escolha. Aliás, esta deveria ser uma prática sempre que são feitas escolhas políticas, também gostaria de ver Jorge Coelho fazer o mesmo em relação ao presidente da TAP.
  
O Banco de Portugal não tem qualquer credibilidade interna, a sua imagem é a de passividade, incompetência e desprezo pelos clientes do sistema financeiro. E agora que tanto se fala da sua independência é bom que se recorde que até agora essa independência só serviu para justificar os privilégios dos seus administradores e quadros. Não se entende, por exemplo o crédito a juros baixos para casas de férias, um sistema de pensões que escapou à integração na Segurança Social e seria interessante saber a que preço este fundo de pensões comprou o antigo património imobiliário correspondente às suas sedes distritais e algumas concelhias e que hoje são alugadas por aquele fundo a outras instituições.
 
Depois do que se passou com as off-shores do BCP Carlos Costa não tinha condições para ser nomeado governador do banco, acontece que a questão da idoneidade não se coloca neste cargo e a nomeação passou. Depois do que se passou com o BES devia ter sido demitido, mas como Carlos Costa foi um firme apoiante da política económica de Passos Coelho, nunca questionando a validade da experiência da desvalorização fiscal, não só sobreviveu como foi reconduzido.
  
Depois de tantas falências de bancos cujos custos foram suportados pelos contribuintes nem um dirigente do Banco de Portugal se demitiu ou foi demitido. O banco é notícia por dar emprego ao filho do Durão barroso, pelas pensões generosas pagas aos seus administradores, pela sua ineficácia e incompetência. Em poucos anos uma instituição que durante mais de um século foi questionada, nem mesmo quando Alves dos Reis emitiu as famosas notas de 500 escudos, viu a sua credibilidade destruída. Hoje op Banco de Portugal é a instituição mais incapaz e incompetente do país,. É essa a imagem que o banco deve a Carlos Costa.

Mas como o banco é e deve ser independente o seu governador pode ser defendido com unhas e dentes por um líder partidário mas não pode ser questionado por um primeiro-ministro, como se essa independência fosse equivalemnte à separação de poderes. As pressões que estão sendo feitas sobre Carlos Costa não visam alterar a política monetária ou influenciar as decisões do banco no quadro do sistema monetário. As pressões vão no sentido de exigir competência e todos os portugueses sabem que há uma grande incompatibilidade entre Carlos Costa e a competência.
  
Quantos bancos terão de falir para que se perceba que Carlos Costa é um desastre para io nosso sistema financeiro?


Umaas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Catarina Martins

O país deixou de estar em suspenso por não se conhecer ainda a orientação de voto do BE no OE, mas podemos estar descansados, o orçamento está longe de ser um bom documento pois não é decidido por um partido com 10% dos eleitores, tal como já tinha defendido Jerónimo Martins, mas pelo menos na generalidade a Catarina Martins deixa o país descansado. Depois veremos se no debate na especialidade o BE consegue que o OE seja mais seu.

«Declarando que o OE2016 que vai ser debatido e votado na generalidade na segunda e terça-feira no parlamento "não é o orçamento do Bloco de Esquerda" mas do Governo do Partido Socialista, Catarina Martins assegurou que, tendo resultado de um "percurso" de que o partido fez parte, este "não falha" aos seus compromissos.

"Na sua generalidade, o Orçamento do Estado vai de encontro ao que foram as negociações feitas com o Bloco de Esquerda e permite a recuperação de rendimentos pela primeira vez em cinco anos a quem trabalha ou trabalhou toda a vida em Portugal e, portanto, o BE vai fazer este debate não contra ao orçamento, mas para viabilizar o orçamento", declarou.


Numa sessão pública sobre 'O que traz o orçamento, o que quer o Bloco?', realizada na Biblioteca Municipal de Torres Novas, a dirigente do BE afirmou que o partido será "extraordinariamente exigente para que na especialidade se dê mais resposta aonde ela está a faltar" e se prossiga um caminho de recuperação de rendimentos, de soberania e de emprego.» [Notícias ao Minuto]
  

domingo, fevereiro 21, 2016



A semana ficou marcada por mais uma deslocação ao estrangeiro do primeiro-ministro no exílio de Massamá, onde fez um alerta dramático, que se estavam a passar coisas muito graves em Portugal. Não estando a personagem do teatro de pantomina nem em Portugal, nem no governo e não tendo ocorrido nenhum maremoto o país ficou na dúvida. Afinal, o que de grave se passava é quererem demitir um governador incompetente do banco de Portugal, um senhor que se esqueceu de fazer o que lhe competia.
  
Também em Bruxelas António Costa anunciou que ia começar a Batalha de Inglaterra, o que me levou a questionar se o rechonchudo primeiro-ministro caberia na carlinga de um Spitfire pois pela forma como discursou à Churchill dava a impressão que ia a correr ara o caça, só lhe faltava o anorak sem mangas que usou para ir votar nas presidenciais para ficar com ares de Major Alvega, o último português a combater na Batalha de Inglaterra, pelo menos nos livrinhos de banda desenhada.
  
Ao que parece os libertadores da Inglaterra vão travar uma difícil batalha para convencer os ingleses a ficarem a EU, apesar de poderem ficar de fora em quase tudo, desde o Euro à Segurança Social. Foi lindo ver um primeiro-ministro que tem de fazer o que a EU manda dizer que se ia bater para que os ingleses possam fazer o que lhes dá na gana.
  
E se o nosso Major Alvega tem o seu anorak sem mangas para pilotar um Spitfire o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, outro rechonchudo da nossa política , também deve estar a equipar-se para alguma batalha. Depois de nos habituar ao seu look tipo podemos, sem gravata e com os botões da barriga abertos para dar ar ao umbigo, o senhor parece ter ido ao Rosa & Teixeira comparar uma colecção de fatos. Agora já parece um desses ricaços que ganham 2000 euros e são os nossos mais perigosos capitalistas.
 
 

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Jerónimo de Sousa

Jerónimo de Sousa reparou que este OE não é o orçamento do PCP e tece algumas considerações sobre as imperfeições do projecto de OE. Será que reparou que com 10% dos votos dos protugueses seria um pouco estranho que fosse o PCP a elaborar o OE?

«O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje que as soluções da proposta orçamental para 2016 "ainda são limitadas", apontando algumas "limitações e insuficiências" ao documento e sublinhando que "este não é o orçamento do PCP".


Jerónimo de Sousa fez o discurso de encerramento do debate 'Mais Direitos, Mais Futuro - Não à precariedade', organizado pelo PCP esta tarde em Lisboa, falando ao longo cerca de meia hora sobre as "políticas de austeridade" dos últimos quatro anos, mas também da "nova fase da vida nacional", iniciada nas eleições legislativas de outubro do ano passado, referindo-se à proposta de Orçamento do Estado para 2016 (OE2016), que está a ser discutida na Assembleia da República.» [DN]

sábado, fevereiro 20, 2016

O Naufrágio do Costa Discordia



Passos Coelho escolheu o tema governador do Banco de Portugal para mais um dos seus brilhantes momentos de primeiro-ministro no exílio. Depois do golpe de  Estado que obrigou Passos Coelho a exilar-se em Massamá, instalando aí a sua residência oficial de onde prepara guerrilheiros como a Maria Luís ou o Montenegro para reconquistar o poder, que Bruxelas é um importante palco para o nosso artista.
  
Agora, sempre que se realiza uma cimeira europeia lá vai o nosso exilado mais o Zeca Mendonça dar ares de primeiro-ministro sem pasta, o espectáculo +e tão divertido que o homem até devia convidar o D. Duarte e o rei do Carnaval da Mealhada para o acompanhar, assim teríamos uma importante delegação constituída por um primeiro-ministro sem governo, um rei tem trono e outro sem Carnaval.

Foi graças ao seu grito dado em Bruxelas que fiquei a saber que algo se passava de muito grave em Portugal, e enquanto o primeiro-ministro no exílio não regressou andei preocupado, sem saber do que se tratava, só sabia que algo de muito grave teria sucedido. Percebi depois que o que de tão grave eu tinha sucedido tinha sido o suposto ataque de Costa a Costa, dando lugar ao naufrágio do Costa Discórdia.
  
Da mesma forma que Passos desempenha na perfeição o papel de primeiro-ministro no exílio imagino-o a fazer de Francesco Schettino tendo ao seu lado Maria Luís, fazendo o papel da namorada croata com que o comandante italiano andava enfarinhado enquanto o navio batia nas rochas. Mas aqui o Costa Concórdia não bateu nas pedras, foi o Costa que desatou à pedrada ao outro Costa.
  
Acontece que os Costas são independentes um do outro mas enquanto o Carlos pode criticar a política orçamental do António, este não pode criticar a vista grossa do Carlos e muito menos o facto de enterrar os investidores no BES para passar a mentira de Passos e Maria Luís de que a falência forçada do BES não teve custos para o contribuintes e ainda deu para empregar o filho do Durão Barroso e o ex-secretário de Estado dos Transportes. 


Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
César das Neves

O economista da Católica é um dos maiores especialistas portugueses em disparatologia, basta ler os seus artigos do DN para se perceber até onde pode ir a mente humana em matéria de disparates. Agora foi às jornadas parlamentares do PSD aquilo que por ali mais se deseja ouvir pois é a base da estratégia de Passos Coelho que quer voltr ao governo sem limites constitucionais para dar mais uma pinochetada no país, que o país está a beira de um resgate.

Mas o ambiente na direita já é tão descontraído que a recuperação das teses de Salazar não só tão na moda como  são ouvidas avidamente num partido liderado por um Passos Coelho cujo lema é "social-democracia sempre". Não seria melhor mudar para nacional-social-democracia? Até podiam aproveitar as opiniões de César das Neves, essa mistura em ponto de rebuçado entre o cristianismo mais fundamentalista e o salazarismo, para orientação ideológica.

«O antigo ministro das Finanças João Salgueiro considerou esta sexta-feira que um novo resgate financeiro a Portugal "pode ser inevitável" e o professor universitário João César das Neves defendeu mesmo que se está "à beira de um novo resgate".

Os dois economistas assumiram esta posição nas jornadas parlamentares do PSD, em Santarém. No início da sua intervenção, João Salgueiro defendeu que se aproxima uma mudança profunda em Portugal e disse que já se começa a pensar que um quarto resgate "pode ser inevitável".

Durante o período de debate com os deputados, César das Neves colocou esse cenário como uma certeza: "Está-se à beira de um novo resgate em Portugal, e certamente uma crise muito mais vasta do que isso. A Europa está fragilizadíssima e, portanto, estamos por meses de ver aí uma coisa mesmo séria".

Segundo César das Neves, o Governo do PS está consciente disso, e por isso desvaloriza "os disparates" do processo de aprovação do Orçamento do Estado para 2016. "O que eles estão a pensar é: vem aí uma trovoada de um tamanho tal que qualquer disparate que a gente faça antes desaparece. Eu acho que é isso".

Convidado para intervir num painel sobre "Caminhos seguros para o crescimento económico duradouro", o professor universitário descreveu Portugal como "um país rico de pobres", que está "em vias de extinção" devido à falta de nascimentos e à emigração, com uma economia prejudicada pela "evasão fiscal" e "rigidez no mercado de trabalho" e em que "está tudo falido".


César das Neves terminou a sua intervenção com uma citação de Salazar sobre "riqueza ilusória" que termina com a seguinte afirmação: "Todos estes males têm somente uma cura - a estabilização da moeda, e esta é impossível, independentemente da solução do problema financeiro".» [Publico]

      
 Desta vez Moreira foi longe demais
   
«O autarca de Vigo, Abel Caballero, anunciou na quinta-feira o corte de relações com o presidente da Câmara do Porto e exigiu a Rui Moreira um "pedido de perdão" à cidade galega pelo "insulto claríssimo e intolerável" de foi alvo.

A posição do presidente da Câmara Vigo, anunciada em conferência de imprensa naquela cidade galega, surge na sequência da entrevista que Rui Moreira deu à revista Visão, a propósito da intenção de a TAP de criar uma ligação entre Vigo e Lisboa. "Vigo sente-se como a salsicha fresca dentro de uma francesinha, com um aeroporto miserável e que percebeu que há um senhor americano em Lisboa que tem uns aviões a hélice parados", afirmou o autarca português quando questionado sobre o facto de o Porto ter conseguido dividir as cidades galegas e os seus três aeroportos em benefício do Sá Carneiro.

"Exijo que retifique as declarações e peça perdão a esta cidade por um insulto gravíssimo como nunca ouvi de nenhum responsável político em toda a minha vida política", disse Caballero no encontro com os jornalistas, e a cujo registo áudio a Lusa teve acesso.

Caballero disse que "respeita os alcaldes que defendem as suas cidades mas que detesta os que insultam". "Esta é a minha cidade e não o vou tolerar esse comportamento", sublinhou.

Abel Caballero classificou as afirmações de Rui Moreira como "impróprias e indignas de um autarca de uma cidade que considera amiga".

Na entrevista à Visão, Rui Moreira, afirmou ainda que "os cidadãos de Vigo serão levados pela TAP para Lisboa acompanhados ou não, durante uma noite", referindo-se à intenção da TAP de criar um pacote promocional naquela ligação a Vigo, que incluirá uma noite num hotel lisboeta, com pequeno-almoço e transporte.» [Público]
   
Parecer:
As insinuações do autarca do Porto metem nojo e revelam uma personalidade bem diferente daquela que nos tem sido "vendida". As declarações de Moreira não ofendem apenas a cidade de Vigo, ofende cada um dos seus habitantes e envergonha os portugueses.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Pimenta no cu dos outros sabe a refresco



Agora que tanto se fala de aumento ou redução da carga fiscal é bom recordar uma brilhante máxima da sabedoria popular, pimenta no dito dos outros ate sabe a refresco, isto é, saber se a carga fiscal aumentou 0,2 ou diminuiu 0,3% sem questionar a equidade fiscal, sem se saber se foram ao impostos que subiram ou o PIB que desceu, sem questionar que impostos viram as taxas aumentar, sem se perceber se são as taxas de aumentam ou se é a evasão fiscal que diminui, sem saber quem paga mais ou quem paga menos não passa de conversa da treta.
  
Pode-se diminuir acentuadamente a carga fiscal com um aumento brutal do IRS e uma redução de todos os impostos sobre os rendimentos do capital ou sobre o património, era esse o objetivo da desvalorização fiscal e neste caso a redução da carga fiscal avaliada pela sua percentagem no PIB é gozar com a inteligência dos portugueses. Essa redução da carga fiscal tão prometida por Passos Coelho, sustentada por aumentos no IRS e cortes de vencimentos e de pensões não passa de uma canalhice.
  
Diminuir a carga fiscal promovendo uma redistribuição do IRS em favor dos rendimentos mais baixos pode ser um ato digno de levar os governantes para o céu em sinal da gratidão divina pela sua preocupação com os mais desprotegidos mas também tem o inconveniente de levar os mais qualificados para o estrangeiro. Ora, a em do país era preferível que os mais qualificados ficassem no país e que que alguns dos nossos governantes fossem para o inferno.

É possível diminuir a carga fiscal em consequência da ineficácia da máquina fiscal, o problema é que as reduções de impostos conseguidas à custa da ineficácia da máquina fiscal promovida por tutelas incompetentes têm o pequeno inconveniente de favorecer os desonestos em favor dos que cumprem e segundo Charles Darwin isso leva ao sucesso dessa espécie de filhos da mãe que tão bem se tem dado no nosso país.

Nos OE a única componente certa é a das despesas e mesmo nesse capitulo está por aparecer um governo que falhe nas contas gastando menos do que o previsto. Gastar é fácil e tentador para os governante, cobrar dá um pouco de trabalho, pressupõe competência dos governos e da máquina fiscal, depende da forma como correm as coisas da economia e do comportamento dos agentes económicos. Como muito bem disse o primeiro-ministro, se os cidadãos não andarem de carro não pagam ISP, seguindo o mesmo raciocínio se forem trabalhar para a Alemanha podem ganhar mais de 2000 euros sem serem depenados por serem ricos, se não pedirem faturas podem poupar no IVA, enfim, para pagar impostos há duas formas três formas, em dinheiro, com cheque ou por transferência, mas para fugir há muitas mais, a criatividade é o limite.

Neste momento assistimos a um debate da treta pois o que o OE decide é quem que rabinhos o governo decidiu meter a pimenta e quais os que amacia com pó de talco, tudo o resto só o saberemos depois dos impostos efetivamente cobrados. Até ao fim do ano, ocasião em que saberemos quem levou pimenta e quem teve a sensação agradável do pó de talco, aplica-se a máxima de Jean-Baptiste Colbert que consta no banner deste logue e tudo o resto é conversa da treta.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Luís Montenegro, peão de brega do primeiro-ministro no exílio

Enquanto passos Coelho foi para Bruxelas desempenhar o seu papel de primeiro-ministro exilado em Massamá, por cá o seu líder parlamentar pratica o desporto preferido da direita, agendar eleições antecipadas. Os palpites são tanto que não admiraria que Montenegro sugerisse a Santana Lopes um novo jogo da Santa casa, o Placard Eleitoral.

«Na abertura das jornadas parlamentares do PSD, em Santarém, Luís Montenegro sustentou que o executivo chefiado por António Costa "entrou em campanha eleitoral" desde que tomou posse, porque, "embora esteja a iniciar funções, já está a vislumbrar a cessação dessas funções e a preparar-se para o embate eleitoral".
  Mais à frente, a propósito do Orçamento para 2016, acrescentou: "Eu nunca tinha assistido a um Orçamento em primeiro ano de legislatura que fosse tão eleitoralista. Quase me apetece dizer que quem fez este Orçamento não está a contar fazer um segundo Orçamento - ou pelo menos para um segundo ano, se calhar vai ter de fazer um segundo, mas é dentro do mesmo ano. Todos os indícios apontam nesse sentido".» [Notícias ao Minuto]

 A hipocrisia não paga imposto

Como aprendemos nos últimos anos é mais fácil usar o OE para promover a in justiça social do que para a devolver, quando cortaram os vencimentos era uma medida para um ano destinada a compensar um desvio global, passados quatro anos há quem agora se esqueça do que foi dito e feito falando agora de um aumento dos funcionários.

É por isso que o debate sobre se este governo aumentou ou não os impostos é pura hipocrisia. Aplicar uma sobretaxa ao IRS para retirar 3% dos rendimentos dos trabalhadores por conta de outrem que pagam IRS é um imposto. Mas tirar 30% do rendimento aos trabalhadores por conta de outrem que trabalham para o Estado já não é um imposto, é reduzir a despesa.

 Sugestão

É uma injustiça que Passos Coelho ande por aí a desempenhar o papel de primeiro-ministro sem governo, deixando D. Duarte em casa. Seria mais engraçado que o primeiro-ministro sem governo se fizesse acompanhar do rei sem trono. Até poderiam convidar o rei do Carnaval de Torres a acompanhá-los enquanto não fosse entrudo, seria uma espécie de Trio Maravilha.

      
 E dura, dura, dura...
   
«O Banco de Portugal (BdP) anunciou nesta quinta-feira que se realizará ainda esta semana uma reunião sobre os lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo, comercializado pelo BES.

A reunião será realizada entre o BdP, a CMVM e o representante designado pelo Governo para esta matéria, refere uma nota de esclarecimento do BdP.

“A propósito de recentes notícias sobre a posição do Banco de Portugal em relação à situação dos investidores em títulos das sociedades Espírito Santo International e Rioforte, o Banco de Portugal informa que, ainda antes das referidas notícias, e na sequência de contactos estabelecidos com o representante designado pelo Governo, foi aceite e marcada, a pedido deste último, uma reunião entre o Banco de Portugal, a CMVM e o representante do Governo, a realizar esta semana”, refere o regulador no comunicado.

Este esclarecimento surge após as críticas do primeiro-ministro António Costa à actuação do BdP em relação aos lesados do papel comercial comercializado pelo BES. O primeiro-ministro acusou na quarta-feira o BdP de estar "a arrastar uma decisão" sobre os lesados do BES.» [Público]
   
Parecer:

Carlos Costa ainda não reparou que fazia parte de um filme onde os artistas principais eram o Passos e a Maria Luís, cabendo-lhe um papel secundário onde fechava bancos, empregava o filho do Durão e contratava o amigo da outra para vender o Novo Banco.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Carlos Costa se usa pilhas Duracell.»
  
 Isto vai acabar mal
   
«O anúncio do voo de ligação da TAP entre Lisboa e Vigo está a causar tensão entre a Câmara do Porto e a da cidade galega, após uma entrevista de Rui Moreira em que o presidente da Câmara chamou "miserável" ao aeroporto de Vigo.

O presidente da Câmara de Vigo, Abel Caballero, não poupou palavras quando reagiu às declarações do seu homólogo na Invicta, afirmando que as suas declarações, tanto em entrevista à revista Visão na sua edição desta quinta-feira como mais tarde na sua reunião com o primeiro-ministro António Costa, eram "um insulto para Vigo".

Caballero afirmou detestar os presidentes da Câmara que insultam a sua cidade, considerando as palavras de Rui Moreira "intoleráveis, impróprias de um presidente da Câmara de uma cidade que consideramos amiga". Caballero exigiu ainda, citado pelo jornal galego La Voz de Galicia, que Rui Moreira pedisse desculpas.» [DN]
   
Parecer:

Este Rui Moreira era um grande defensor da iniciativa privada, não era?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Oposição guerrilheira



A estratégia de Passos Coelho é clara, não vai abdicar de desempenhar o papel de primeiro-ministro no exílio a quem foi retirado o poder de forma constitucional mas ilegítima e fará oposição total ao governo sem quaisquer propostas ou diálogo parlamentar, o que é a transposição para o parlamento de uma espécie de guerrilha.

A ideia de que as oposições desejem sempre o melhor para os países justifica-se apenas quando estão em causa tendências eleitorais. Mas Passos já mostrou que não gosta de governar de acordo com as regras e respeitando a Constituição. Ele quer voltar ao poder para cumprir a metade do seu programa, mas o seu regresso só faz sentido se puder beneficiar de uma situação de excepção. Ideias como a semi escravatura dos funcionários públicos, a perda de direitos dos pensionistas, o despedimento em massa de funcionários públicos e a desvalorização do factor trabalho para transformar Portugal no país mais competitivo do mundo são viáveis em ditadura ou num contexto em que um governo possa governar como se fosse em ditadura, o que sucedeu nos últimos quatro ano.
  
Não admira a aposta de Passos em usar o OE para lançar a desconfiança em relação a Portugal, a estratégia foi a da terra queimada e o PSD tudo fez, em Portugal, em Estrasburgo ou em Bruxelas, para que um conflito com a Comissão Europeia se traduzisse numa situação que conduza novamente à asfixia financeira do país. Passos já chegou uma vez ao poder graças a uma situação dessas, mas dessa vez negociava em privado e mentia em público. Agora o PS não confia na sua palavra e Passos aposta tudo na guerrilha.

Passos não tem alternativa, não tem propostas e não quer ter programa, tenta enganar os portugueses disfarçando o seu extremismo atrás de uma social-democracia mentirosa que há muito tempo disfarça um partido da direita, hoje quase da extrema-direita. A verdade e que Passos não quer ter um programa e por isso mesmo nunca enviou qualquer esboço do OE de 2016 ara Bruxelas, Passos quer voltar a governar sem programa e isso passa por conduzir o país à bancarrota. Não admira a excitação dos últimos dias com o primeiro-ministro no exílio a reaparecer depois de semanas de quase total silêncio.

Passos não quer regressar para repor direitos ou cumprir acórdãos do TC de que discorda e que nunca respeitou, Passos quer regressar ao poder para voltar a tentar no que falhou, na famosa tabela única no Estado, na "requalificação" dos recursos humanos libertados com as 40 horas, na desvalorização fiscal dos salários do sector privado transformando aumentos do IRS em reduções do IRC. 


Umas no cravo e outras na ferradura




 António Aleixo

(Vila Real de Santo António, 18 de fevereiro de 1899 — Loulé, 16 de novembro de 1949)



 Jumento do dia
    
Carlos Costa

Depois do que António Costa disse sobre a forma como o BdP tem tratado os lesados do BES é de estranhar que o seu governador ainda não tenha apresentado o pedido de demissão, parece que está agarrado ao lugar como uma lapa.

      
 Garoto de 12 anos foi traído e é assunto nosso
   
«O essencial deste texto já foi escrito. A jornalista Isabel Stilwell publicou-o no Jornal de Negócios, anteontem, e só o li ontem. Repito o essencial dele, aqui e hoje, porque não sei de nada mais importante que possa ser dito. Talvez haja uma só pessoa que ainda não o tenha lido. Seja, essa tem também de ser avisada. Eis o que Isabel Stilwell escreveu, em texto que eu encurto. Há um processo de regulação de responsabilidades parentais de Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho. O filho de ambos, de 12 anos, foi ouvido. Uma criança vai a tribunal falar sobre os seus pais. Adivinha-se a angústia. A juíza garante, o que é óbvio, que aquilo que a criança disser será guardado com cuidado. Na sala de audiência só estão três pessoas, nem os advogados das partes. Só o juiz, um representante do Ministério Público e um representante do Instituto de Medicina Legal. A criança falou. Depois, revistas fizeram capa, com discursos em direto, atribuídos ao garoto. "A minha mãe..." E: "(...) o meu pai." Houve uma revista que titulou: "Saiba tudo o que a criança disse em tribunal." Na TV falou-se do que o garoto "disse." Eis parte do que Isabel Stilwell escreveu e a que considero necessário dar eco. Porque um garoto de 12 anos foi traído. Publicamente traído pelas revistas que não sabem o que fazem ou não se importam. E por alguém mais que teve acesso às palavras do garoto e as espalhou. Um garoto de 12 anos foi traído e é um assunto nosso.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Cozer em lume brando
   
«O primeiro-ministro atirou esta manhã com todas as culpas sobre a situação dos lesados do BES para o Banco de Portugal. António Costa lamentou “a forma como o Banco de Portugal tem vindo a arrastar uma decisão”, acusa a administração de Carlos Costa de estar a atrasar a implementação da solução encontrada pelo Governo e termina dizendo que tem “esperança que tão rapidamente quanto possível , o Banco de Portugal assuma definitivamente a posição responsável que tem faltado nesta matéria”, disse.

A guerra entre António Costa e o governador do Banco de Portugal já é antiga, mas hoje, o primeiro-ministro fez questão de atacar a administração do regulador. Para António Costa, todas as entidades públicas e privadas aceitam a solução do Governo, menos o Banco de Portugal que com isso está a impedir o Novo Banco de apresentar a solução aos lesados do BES.

Tenho de lamentar a forma como o Banco de Portugal tem vindo a arrastar uma decisão sobre esta matéria, a impedir que rapidamente esta solução proposta pelo Governo e aceite pela maioria dos lesados do BES pudesse estar implementada. E tenho esperança que tão rapidamente quanto possível, o BdP assuma a postura responsável que todas as entidades públicas, como o Estado e a CMVM, ou privadas como o BES ou Novo Banco estão disponíveis para assumir”, disse.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O lógico seria o primeiro-ministro sugerir a demissão do governador do BdP em vez de entrar por um caminho de bocas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Auarde-se pela demissão do governador do BdP.»
  
 Que amigos que nós somos
   
«As jornadas parlamentares do PSD e as jornadas parlamentares do PS realizam-se este ano quase em simultâneo: as primeiras são esta quinta e sexta-feira, em Santarém; as segundas são esta sexta-feira e sábado, em Vila Real. António Guterres, o ex-primeiro-ministro socialista que se está a candidatar a secretário-geral da ONU com o apoio de todos os partidos, está de volta à cena política e vai ser o convidado-estrela de um dos eventos: do PSD.

É na quinta-feira à noite, num jantar/conferência na Casa do Campino, em Santarém, que o ex-alto comissário das Nações Unidas para os refugiados vai discursar para uma plateia de militantes e dirigentes sociais-democratas. O tema é os “Fluxos migratórios: das palavras à realidade” e encerra o painel do dia, depois de o economista João Moreira Rato e do gestor António Nogueira Leite falarem sobre “finanças saudáveis”.




No final de janeiro, o Governo de António Costa avançou com as diligências necessários ao patrocínio da candidatura de Guterres ao cargo de secretário-geral da ONU, tendo esta candidatura recebido depois o apoio de todos os grupos parlamentares, da esquerda à direita. No início de fevereiro, a Comissão Permanente do PSD declarou o seu “inequívoco apoio” à candidatura, deixando claro que tinha sido o próprio Passos Coelho a informar António Costa dessa decisão.» [Observador]
   
Parecer:

Grande António Guterres, quando quis ser primeiro-ministro usou o PS, quando quis ir tratar dos refugiados inventou um pântano e agora que quer ir para ONU até vai às jornadas parlamentares do PSD. Isso de diferenças ideológicas é para as bases, para o pessoal que serve café nas concelhias ou que colam cartazes, para a alta burguesia partidária as diferenças são facilmente superadas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»