quinta-feira, novembro 23, 2017

SE PENSARMOS COMO A DIREITA...



"Todos estes objectivos devem ser cumpridos para aumentar a capacidade de o país investir onde é necessário. Se queremos investir mais na qualidade da educação, na qualidade do sistema de saúde e nos serviços públicos não podemos consumir todos os recursos disponíveis com quem trabalha no Estado"

Estas palavras poderiam ter sido ditas por Passos Coelho para justificar a austeridade, aliás, de uma ou outra forma quase todas as personalidades as têm dito. A mensagem é clara, o que se gasta com os funcionários é tirado da educação, da saúde e nos serviços públicos, isto é, a despesa com os funcionários prejudicam o país. E prejudica duplamente, porque estas palavras são seguidas de outras: 

"Temos de manter essa linha. É preciso responsabilidade para que haja irreversibilidade nos passos dados por este Governo"

Isto é atender aos funcionários é fazer perigar a linha de progresso para o país. Esta foi a linha de pensamento do governo de Passos Coelho, foram estes os argumentos usados pelo mesmo Passos Coelho contra todas as medidas que considerou reversões. Mas não foi Passos Coelho que proferiu estas palavras, numa linha seguida pela direita desde Cavaco Silva, de desvalorização e de estigmatização dos funcionários públicos. Quem proferiu estas palavras foi o primeiro-ministro António Costa.

Ao ouvir António Costa dizer estas alarvdades vieram-me à memória outras palavras, estas bem mais profundas e sábias, proferidas pelo mesmo António Costa:

“Se pensarmos como a direita pensa, acabamos a governar como a direita governou”

Estávamos em julho de 2014, António Costa falava na apresentação da sua candidatura às primárias do PS na cidade do Porto. O alvo desta frase er António José Seguro.

Antes de mais, convinha lembrar que é António Costa e o PS que estão em dívida para com os funcionários públicos e não estes que devem estar gratos pela generosidade governamental. Tudo o que o governo de António Costa deu aos funcionários estava obrigado a dá-lo, tudo o que foi tirado aos funcionários e que o governo tem vindo a devolver às mijinhas foi declarado ilegal pelo Tribunal Constitucional.

Portanto, António Costa devia estar a dizer que o país está em dívida com aqueles que á margem da legalidade ficaram sem subsídios de férias e de Natal, sem uma parte substancial dos seus vencimentos mensais, que tiveram de trabalhar mais horas e dias de férias sem qualquer recompensa e têm estado pacientemente calados em nome do país. Cavaco chegou a cortar nos vencimentos mas pagou-os sob a forma de títulos do Tesouro, o governo de direita de Espanha devolveu os cortes que fez, por cá e apesar de tem sido declarado ilegais os cortes persistiram .

Se António Costa fizer bem as contas ao seu sucesso no reequilíbrio das contas públicas vai perceber que está em dívida com aqueles que agora parece considerar gulosos, a maior parte do reequilíbrio orçamental conseguido tanto pelo governo de Passos como de Costa foi conseguido com a persistência dos cortes.

Não vale a pena dizer que o crescimento económico em 2015 resultou da decisão do TC que obrigou o governo de então a devolver pensões e agora sugerir que estamos perante um milagre resultante de uma mezinha especial. Os funcionários devem a este governo o fim de uma estratégia de desvalorização do seu trabalho, quanto a tudo o resto que Costa julga ter oferecido aos funcionários foi decisão do Tribunal Constitucional.

Já agora convinha explicar a António Costa que "investir mais na qualidade da educação, na qualidade do sistema de saúde e nos serviços públicos" não é apenas comprar tijolos e os serviços públicos não são robots, como sugere a direita quando se queixa que a maior parte da despesa do Estado é feita com os funcionários, como se estes fossem uns parasitas. Enfim, como alguém disse em 2014 “Se pensarmos como a direita pensa, acabamos a governar como a direita governou”.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Fernando Araújo, ajudante do Adalberto

O secretário de Estado da Saúde devia explicar como se estivesse a falar com uma criança de quatro anos, porque somos todos muito apalermados, o que é que a deslocalização do INFARMED tem de estruturante, o que é que fica mais estruturado no país com esta mudança. Por outra lado este ajudante de ministro devia ter um pouco mais desrespeito pela inteligência de quem o ouve e respeitar os cidadãos deste país.

Não só toda a gente percebeu a motivação da decisão, como é mais do que evidente que nada teve de equilibrada ou refletida e que os interesses dos trabalhadores decorre do que está na lei e como este senhor sabe ou tem a obrigação de saber, daqui a uns dias vai dizer que os trabalhadores têm direito a um corno e á ponta do outro.

Sejamos honestos, o governo serviu a vida de 400 famílias numa bandeja ao populista do Porto para que este se cale e não prejudique a imagem do governo. Muitas famílias vão ser destruídas só para que Rui Moreira não fale mal do Governo.

«Falando aos jornalistas à margem de uma entrega de 22 viaturas de emergência e reanimação no Hospital Fernando Fonseca, na Amadora, o secretário de Estado Adjunto da Saúde, Fernando Araújo afirmou, nesta quarta-feira, que se trata "de uma decisão estrutural, que não foi tomada por impulso nem de forma simples".

O responsável acrescentou que a decisão de mudar o Infarmed para o Porto "será equilibrada, reflectida e ponderada" e garantiu que serão salvaguardados os interesses dos profissionais daquele organismo.

"Visa seguramente os interesses do país", garantiu, quando questionado sobre o que vai acontecer às 400 famílias afectadas por esta mudança.» [Público]

 O INFARMED

Ou estou muito enganado ou depois desta idiotice de mudar o INFARMED o maior desafio que se vai colocar à nossa indústria farmacêutica será encontrar um medicamente que devolva a saúde ao Governo.

Ou António Costa tem muitos bons e sérios motivos para justificar uma decisão com tão grandes custos e que vai destruir a vida familiar de muita gente ou está metido numa trapalhada. Quer ele queira, quer não queira, vai ter de fundamentar esta decisão de mera deslocalização de um organismo público. Vai também ter de explicar porquê a escolha do Porto e o que o impede de distribuir toda a Administração Central do Estado pelas cidades, vila e aldeias do país.

O governo de Passos cortou os vencimentos e os direitos aos trabalhadores do INFARMED, Costa manda-os para o Porto sabendo que as compensações e ajudas que o Estado dá aos trabalhadores colocados fora da sua área de residência (veja-se o caso dos professores)  é pouco mais do que nada.

Mas não faz mal o governo vai dizer que os funcionários estão sujeitos ao interesse nacional e que quem não quiser ir pode mudar de emprego, até vai usar os professores como modelo de funcionário que muda de local de trabalho sem quaisquer compensações.

 O Adalberto e o Tó resolvem

A família fica definitivamente em risco porque um dos conjugues não se pode mudar para o Porto? Os filhos vão perder os seus amigos e sabem de um dia para o outro que vão mudar para outra cidade, longe daquela onde nascera? O funcionário ou funcionária vai ter de deixar de acompanhar os pais idosos que estão num lar ou que precisam da sua ajuda? O filho deficiente que tem tido acompanhamento em Lisboa vai mudar de um dia para o outro para o Porto? A família está endividada porque suponha que tinha um emprego em Lisboa e assumiu compromissos a contar com isso vai ficar falida com as despesas adicionais que terá de suportar? Os fins de semana na casa de férias vão acabar porque são mais trezentos quilómetros?

Nada disto importa, que se lixe a vida familiar de centenas de famílias, que se lixem mais as suas dificuldades financeiras agravadas pela austeridade que persiste, tudo isso não é nada quando queremos ver o Rui Moreira dócil e satisfeito. Se calhar ainda via mudar de ideias e dar a vice-presidência da autarquia do Porto ao Pizarro.

Se uma medida de deslocalização resultasse de um motivo forte, se a relação entre essa decisão e o interesse nacional fosse óbvia, se os trabalhadores tivessem sido minimamente respeitados em vez de serem humilhados sabendo do seu futuro por baboseiras ditas à pressa pelo Adalberto no meio de um corredor, se tivessem sido divulgados os estudos que justifica essa mudança para outra cidade e para o Porto, tudo isto seria aceitável.

Se nada disto aconteceu o Adalberto e António Costa terão muitas dificuldades daqui para a frente. Lamenta-se que até ao momento António Costa não tenha vindo dar a cara por esta decisão.

 Dúvidas que me atormentam

Será que o Rui Moreira vai fazer um acordo com o PS do Porto e, finalmente, o Pizarro chega a vice-presidente da Câmara Municipal do Porto?

Se a mudança do INFARMED é corresponde a uma descentralização ser´que a partir de agora o presidente do INFARMED passa a ir a despacho com o vereador da saúde da CM do Poro?

      
 Cortava os ditos...
   
«Segundo o documento, ao qual a agência Lusa teve acesso, os vereadores Teresa Leal Coelho e João Pedro Costa querem que o executivo "repudie veementemente a decisão do Governo" e "manifeste, de imediato, a sua solidariedade com os trabalhadores do Infarmed e com a Comissão de Trabalhadores do Infarmed".

Os sociais-democratas querem também que sejam equacionados "todos os recursos políticos e legais que estão constitucionalmente disponíveis para impedir a execução desta decisão", uma vez que "o Governo não pode tomar esta decisão sem antes consultar a Câmara Municipal de Lisboa".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O quê? ver o Medina ir contra uma decisão do padrinho? Era mais fácil ver a rainha de Inglaterra pôr os palitos ao marido com o o motorista!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

quarta-feira, novembro 22, 2017

Uma grande ideia do Adalberto?

Os cidadãos da cidade do Porto estão no desemprego, são prejudicados nos seus direitos, têm piores cuidados de saúde ou de segurança porque a sede do INFARMED não é no Porto? A resposta é não.

Ocorreu alguma alteração legislativa que coloca o INFARMED na tutela da autarquia do Porto?  A resposta é não

Foi feito um estudo que concluiu que a transferência do INFARMED melhoraria o seu desempenho por beneficiar de uma envolvente que o favorece?  A resposta é não

Foi feito algum estudo para avaliar se o INAFARMED ou o país teriam alguma coisa a ganhar mudando a sede do INFARMED?  A resposta é não

No pressuposto de que a mudança da sede do INFARMED teria um impacto global positivo para o país esse estudo contemplou a várias cidades do país onde o INFARMED poderia ser reinstalado? A resposta é não

A mudança de localização do INFARMED visou promover a criação de emprego na região do país com mais desemprego ou a criação de riqueza numa das zonas mais pobres do país?  A resposta é não

Os custos financeiros e humanos desta mudança foram avaliados?  A resposta é não

O governo divulgou algum estudo de avaliação do impacto da mudança nos diversos planos, vantagens empresarias, consequências sociais e familiares, despesa pública, criação de emprego e de riqueza?  A resposta é não

É uma decisão tomada sem apoio de qualquer avaliação, tendo em conta unicamente objetivos políticos e que foi negociada em privado e nas costas dos cidadãos. Chamar desconcentração ou descentralização a uma mera deslocalização idiota e oportunista é gozar com a inteligência dos portugueses. Tornar isto público através de um ministro que diz duas ou três patacoadas imperceptíveis porque estava meio engasgado é gozar com a seriedade do Estado.

Modernizar ou descentralizar, processos que não significam necessariamente progresso, não são mera desconcentrações. O Estado não é uma caixa de bombons a distribuir pelos autarcas mais populistas com melhor imprensa e  muito menos para fazer negócios autárquicos ou de qualquer outro tipo.

Poder-se-á argumentar que as empresas também mudam as suas sedes e isso é verdade. Mas também se sabe que quando as empresas mudam a sede não é para o patrão ficar mais perto da amante ou para comprar simpatias. As empresas deslocalizam-se por razões racionais, medindo custos e benefícios e quem decide assume pessoalmente as responsabilidades e os custos. Neste caso quem decide não divulgou os critérios racionais, não assume os custos e nem sequer se deu ao trabalho de dar uma explicação. Aliás, nem sequer respeitaram a dignidade do Estado na forma como comunicaram a decisão.

Comparar o INFARME com a ESA é comparar o cu com as calças, todos os funcionários da ESA estavam fora do seu país e pagos principescamente para isso, beneficiam de ajudas de custa que representam vários ordenados de um quadro do INFARMED, a transferência da habitação é financiada, a colocação dos filhos em escolas internacionais é subsidiada, a aquisição de carros beneficia de isenções. Aos funcionários do INFARMED nem vão dar um bilhete da CP.

Compreende-se que a decisão tenha sido comunicada por um ministro engasgado, no meio de um corredor e sem adiantar a mais pequena justificação, justificando apenas com o eu quero, posso e mando, eu sou o Adalberto! António Costa estava longe, provavelmente só fala do país quando está longe para chamar gulosos aos funcionários públicos.

Isto não é modernizar, descentralizar ou desconcentrar. Nem sequer resulta de um estudo sério, isto é puro populismo. Foi iniciado o regabofe do Estado, Faro vai querer que o Instituto Hidrográfico mude a sede para o Algarve, o chefe da secção do BE de Évora vai exigir que o IFAP se mude para aquela cidade, o quarto secretário da seção do PS de Vila Formoso vai querer que a sede do SEF mude para aquela localidade porque ali passa muita gente, Almeida vai querer que em compensação pelo encerramento da CGD se mude para lá a sede do Banco de Portugal. Enfim, nem quero imaginar o que vão ser os meses anteriores às próximas eleições autárquicas.

Em matéria de gestão do Estado esta é a decisão mais imbecil a que assistir desde que sou adulto.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
António Costa, primeiro-ministro

Li e reli, achei que era engano, estas declarações eram de Passos Coelho, tinha de ser, é assim que Passos Coelho pensa, é isso que o ainda líder do PSD anda a dizer desde o primeiro dia. Mas não, contra a minha vontade estava enganado, quem falava assim era mesmo António Costa.

Afinal o que é que António Costa deu aos funcionários públicos? Que eu saiba não deu mais do que tinha sido decidido pelo Tribunal Constitucional e mesmo isso deu às prestações, tanto quanto sei não deu mais nada pois tudo o resto tanto deu aos funcionários públicos como aos restantes trabalhadores, a sobretaxa aplica-se a todos e as reduções via escalões do IRS também beneficiam todos.

Então onde é que os funcionários públicos estão a "roubar" ao progresso do país? António Costa falou como um político da direita de Passos Coelho, é lamentável, mesmo muito lamentável.

«"A ilusão de que é possível tudo para todos, já não existe isso. Temos de negociar com bom senso, com responsabilidade, procurando responder às ansiedades das pessoas, mas com um princípio fundamental: Portugal não pode sacrificar tudo o que conseguiu do ponto de vista da estabilidade financeira, porque isso, no futuro, colocaria em causa o que foi até agora conquistado", alegou.

"Todos estes objectivos devem ser cumpridos para aumentar a capacidade de o país investir onde é necessário. Se queremos investir mais na qualidade da educação, na qualidade do sistema de saúde e nos serviços públicos não podemos consumir todos os recursos disponíveis com quem trabalha no Estado", defendeu o líder do executivo.

"O défice para 2018 está fechado. Tendo sido tomada a decisão política de incorporar no Orçamento as medidas que em 2018 são possíveis - e que decorrem do relatório da Comissão Técnica Independente sobre incêndios -, isso tem naturalmente consequências sobre a previsão do défice. Agora, no que respeita a outras matérias, não haverá qualquer alteração" em relação à meta do défice em 2018, frisou António Costa.» [Jornal de Negócios]

 Sistema Fiscal



 Três pequenas dúvidas

Quanto vai custar ao país a mudança do INFARMED para o Porto? Quais as compensações para os seus quadros que terão de se mudar para o Porto e que nalguns casos vão ter as suas famílias divididas por quase 300 km?

Se estivesse em causa um novo organismo  faria sentido estudar outra localização, podendo comparar-se as vantagens oferecidas pelas várias hipóteses. Chamar a isto combate ao centralismo, como diz o ministro da Saúde, é um atentado à inteligência das pessoas.

Estamos perante uma decisão populista que certamente vai de encontro a negócios privados com o populista que lidera a autarquia do Porto. Parece que o ministro da Saúde já não sabe o que fazer ao dinheiro. Esta decisão não descentraliza nada, não poupa nada, não torna nada mais eficientes, é apenas uma decisão populista e eleitoralistas que visa calar e namorar a seita do Rui Moreira á custa do desrespeito pela vida dos funcionários do INFARMED.

O que vão fazer os que compraram casa em Lisboa, assumindo pesados compromissos financeiros, vão vender as casas à pressa e sujeitarem-se a ir para uma cidade onde terão de mudar tudo? O que farão os casais cujo conjugue não trabalha no INFARMED, o que não trabalha no INAFRMED opta pelo desemprego e sefgue com a família ou divorciam-se?

Se a EMA tivesse vindo para o Porto tudo ficaria como está, como a EMA vai para a Holanda, em menos de 24 horas António Costa decidiu sem olhar a custos financeiros e humanos decidir mudar um organismo. Isto é pura leviandade.

Já agora convinha que o ministro e o Moreira aprendessem a distinguir descentralização com deslocalização.

      
 Mas que grande palerma!
   
«Ficou tudo fechado esta segunda-feira, mas Rui Moreira acha que se abriu tudo para a cidade a que preside. “Agora estamos ainda mais na mira dos investidores internacionais”, diz o presidente da Câmara do Porto, que faz um balanço “muito positivo da candidatura nacional”.» [Expresso]
   
Parecer:

Enfim, uma candidatura publicitária.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Ofensa ou nacionalismo exacerbado
   
«Uma nova polémica surgiu nos últimos dias nas redes sociais, com consequências. Um hotel do Porto, que tinha na receção um enorme tapete com a imagem da bandeira de Portugal, viu-se esta segunda-feira obrigado a mudar a decoração após a chuva de críticas de internautas que consideraram tratar-se de desrespeito ao símbolo nacional.

Em comunicado publicado no Facebook, o Torel Avantgarde fez questão de sublinhar que é "o primeiro Hotel 5* decorado exclusivamente por artistas/designers e produtos portugueses é por isso uma homenagem à portugalidade", e que "o tapete no lobby com a ilustração da bandeira de Portugal foi mais uma forma de honrarmos e celebrarmos este facto e o nosso país".» [DN]
   
Parecer:

Anda por aí muita gente com uma grave crise de nacionalismo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Mau gosto ou dor de corno
   
«Já se está a tornar um hábito. Os comentários de Herman José nas publicações da “rainha da pop” começam a tornar-se um clássico. Desta vez, Madonna partilhou um vídeo a cantar o tema “Can’t Help Falling In Love”, de Elvis Presley, e o “verdadeiro artista” propôs-lhe uma canção nacional para a próxima atuação.

“Excelente. Vamos agora passar ao próximo nível. Proponho o ‘Eu Faço de Coentrada’ da nossa Rosinha”, comentou o anfitrião do programa “Cá Por Casa”, da RTP1, sugerindo um tema da cantora popular portuguesa, famosa pelas composições repletas de trocadilhos e de duplos sentidos.» [DN]
   
Parecer:
parece que o Herman quer recuperar a perda de brilho à custa da Madona.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

terça-feira, novembro 21, 2017

Adeus EMA

A EMA vai para Amesterdão e daqui a uns quantos dias todos se esqueceram da decisão de colocar naquela cidade a Agência Europeia dos Medicamentos. Mas a crer em Rui Moreia, o político populista que dirige a autarquia do Porto, mesmo depois de já ninguém se lembrar do assunto meia Europa lembrar-se-á de que o Porto tinha condições para receber a agência e muito mais.

Isto é, percebe-se agora que ao autarca do Porto o que o movia e o levou a forçar a que a sua cidade substituísse Lisboa na candidatura era uma questão de possibilidade, pelo seu comunicado parece que Rui Moreira queria lançar o nome da cidade como tendo potencial para receber investimentos estrangeiros.

A isto chama-se hipocrisia, é ridículo ver um autarca concorrer e forçar a diplomacia a propor uma cidade para instalação de uma agência europeia, quando se tem por objetivo fazer publicidade à cidade. É ridículo ver alguém que até liderou a  Associação Comercial do Porto, ainda que este tipo de empregos costumem servir para dar de comer a filhos de família mal sucedidos, achar que só por se ter candidatado à localização da agência o Porto vai atrair aviões cheios de investidores que ficaram maravilhados com a cidade.

Mas se o que estava em causa era atrair investidores, pouco importando o sucesso da candidatura, porque motivo se escolheu uma cidade altamente industrializada, em comparação com muitas outras? 

Vale a pena refletir sobre a forma como todo este processo se desenvolveu para percebermos como a mentalidade de alguns dos nossos políticos têm um peso grande no nosso subdesenvolvimento. Pela forma como se comportou o autarca do Porto os governantes da EU fizeram muito bem em escolher Milão ou Amesterdão, o presidente da autarquia da cidade portuguesa que se candidatou é tão competente que até emitiu um comunicado a felicitar Milão, quando a escolha recaiu na cidade holandesa.

Enfim, resta esperar que os tais investidores a que refere o nosso pobre autarca não prefiram investir na Holanda, porque quem provou ser mais competitiva e ter melhores condições para atrair os investidores foi Amesterdão. 

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Rui Moreira, autarca populista do Porto

Rui Moreira está de parabéns, conseguiu que o Porto fosse candidato para sede da Agência do Medicamento, não importa que tenha perdido e nem sequer tenha passado á segunda ronda, o que importa é que o populismo venceu.Agora, Rui Moreira pode ir para Bruxelas berrar porque os países da Europa ignoram o Porto , blá, blá, blá.

Rui Moreira esqueceu-se de que a escolha não era uma decisão nacional e a sua argumentação na Europa vale bola, como diria o Jorge Jesus. Agora vai meter o rabinho entre as pernas e ficar calado, ele sabe muito bem que quando forçou a candidatura do Porto pode ter ditado a derrota do país.

 Gostei de ver Santana

A visita de Santana ao eucaliptal queimado, com a comitiva aficar fora das imagens enquanto o candidato á liderança se exibia para as televisões, comentando o silêncio de uma floresta queimada. Ou o seu discurso onde diz que emita Marcelo ao contrário de Costa que só aparece na televisão e quando aparece, percebe-se que torto nasce tarde ou nunca se endireita, este é o mesmo Santana de outros tempos, até no blazer com botões dourados que vestia parecia ter sido tirado do congelador dos tempos.

 Piada moçambicana

Bruxaria e quando rezamos em Moçambique e o milagre acontece no Zimbabwe.

segunda-feira, novembro 20, 2017

Ó Dom Manuel!

O Dom Manuel Clemente anda mesmo desastrado, há uns dias atrás disse-nos que "a realidade, também a natural e meteorológica, tem vários níveis de compreensão" acrescentando que "à ciência compete a primeira explicação, a partir da observação e interpretação correta dos fenómenos", mas "a natureza admite ainda interrogações mais profundas, que sondem o sentido último das coisas, para além do seu mero acontecer".

Toda esta reflexão para pedir” aos irmãos sacerdotes do Patriarcado de Lisboa que, quando a Liturgia diária o permita, celebrem a Missa para Diversas Necessidades, com a prevista Oração Coleta”, isto é, sugere que em resposta ao pedido “Oremos”, os paroquianos rezem a oração da chuva que sugere «Deus do universo, em quem vivemos, nos movemos e existimos, concedei-nos a chuva necessária, para que, ajudados pelos bens da terra, aspiremos com mais confiança aos bens do Céu.”

O que não entendo é qual a relação entre o sucesso desta oração e a orientação sexual de quem a manda rezar. Digo isto porque o mesmo Dom Manuel Clemente, talvez porque a seca persiste apesar das suas orações veio agora opinar que os homossexuais devem ser impedidos de entrar nos seminários, o que sugere algumas interrogações.

Como é que Dom Clemente consegue distinguir um celibatário homossexual de um celibatário heterossexual? O que será mais grave para Dom Manuel, um seminarista homossexual que respeita o celibato ou o padre heterossexual que anda metido nos lençóis da vizinha.

Mas o problema do Dom Clemente não parece ser o pecado, diz o prelado que a presença de um homossexual num seminário cria uma situação melindrosa. Não explica muito bem qual a situação melindrosa a que se refere mas acrescenta quês” se a pessoa tiver uma orientação forte nesse sentido é melhor não criar a ocasião". Isto é, a situação melindrosa resulta de uma velha máxima segundo a qual a ocasião faz o ladrão. Isto é os abusos sexuais ou as situações de homossexualidade entre seminaristas ou entre padres resulta da entrada de maçãs podres nos seminários.

Parece que o Dom Manuel percebe tanto de chuva como de sexualidade.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
António Saraiva, presidente da CIP

O presidente da CIP usou uma entrevista à Antena 1 para fazer ameaças sobre o governo para conseguir aquilo a que designou por "fazer valer os direitos dos patrões", queixa-se de que o OE só tem medidas em favor dos trabalhadores. Provavelmente quer que a cada reposição de direitos dos trabalhadores os patrões recebam uma benesse.

Quando o governo de Passos lhe deu os duas de trabalho em feriados eliminados sem qualquer compensação salarial o Saraiva não se queixou. Quando foram tirados direitos laborais aos trabalhadores em defesa da criação de emprego que a CIP não criou, o Saraiva não fez ameaças. Agora faz ameaças porque elle acha que os patrões devem ter benesses orçamentais especiais.

É pena que o senhor António Saraiva não perceba que o OE é do Estado e não das empresas e tanto quanto se sabe os patrões que ele representa foram os únicos a beneficiar de reduções de impostos e parte delas financiadas pro aumentos dos impostos sobre o trabalho.
 

domingo, novembro 19, 2017

SEMANADA

Quem não chora não mama e o campeão nacional do choro é Mário Nogueira. Contando com o apoio do BE e do PCP e com a simpatia do CDS e do PSD, o sindicalista da FENPROF conseguiu mais uma exceção para os professores. Não tendo sido capaz de fazer uma abordagem global da austeridade que foi imposta aos funcionários públicos, o governo tem vindo a gerir a reposição da justiça em função das metas do OE, cedendo apenas aos que t~em mais poder reivindicativo.

A direita ficou muito excitada porque o PSD e o CDS subiram nas sondagens, desde os incêndios de Julho e depois de todas as desgraças que sucederam, o PSD teve uma grande “subida” entre Julho e  novembro, passou de 28,6% para 28,4%. Mas que grande subida, com aumentos destes ainda vão formar governo daqui a três ou quatro legislaturas.

A luta pela liderança do PSD começa a ser deprimente, os dois candidatos além de serem de uma pobreza deprimente e matéria de ideias, em vez de estarem a afirmar no que são diferentes, parecem ter optado por concorrerem um com o outro afirmando-se cada um deles como o mais semelhante a Passos Coelho. Rui Rio tenta exibir o intelectual que não é e Santana faz um grande esforço para se mostrar sério.

Já tinha acontecido com o negócio dos submarinos, quando a justiça alemã concluiu que tinha havido corrupção e em Portugal foi tudo arquivado e alguns intervenientes no negócio voltaram a ser governantes. Agora foi a OLAF que concluiu ter existido fraude nos negócios da Tecnoforma de Passos e Relvas, enquanto por cá o MP arquivou o processa na calada de uma noite do passado mês de setembro. Apesar de tudo o que se escreve, desta vez a PGR não se apressou a emitir comunicados a explicar o que fez, nem mandou nenhuma procuradora adjunta a um programa de televisão.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Pires de Lima, senhor das taxas e taxinhas

Sem incêndios, assaltos ou novos surtos de legionela e com as eleições no PSD a perderem interesse, consequência da má qualidade dos candidatos, resta oas jornais irem em busca de tralha para fazerem notícias. O Expresso lembrou-se do Pires de Lima, já que o Portas desapareceu, a Cristas pouco diz, o jornal decidiu ocupar as linhas com o ex-ministro das Economia, de quem já ninguém se recordava nem sentia a falta.

O senhor das taxas e taxinhas, de quem já quase ninguém se lembrava desde que o Portas desapareceu, decidiu ressuscitar para defender um acordo entre três partido para estabilizar a fiscalidade das empresas. É uma pena que no passado não tenha andado tão preocupado com acordos, principalmente quando estava em causa a estabilidade dos rendimentos de quem trabalha.

Mas o pobre homem deve ter estado sem ler as notícias, em Portugal o chamado arco da governação, tão defendido pelo CDS porque lhe garantia o acxesso ao poder, morreu, agora todos os que representam os portugueses no parlamento t~em o direito de participar nas decisões.

«a primeira grande entrevista que dá desde que saiu do Governo, António Pires de Lima defende as vantagens de um acordo alargado para dar "previsibilidade" à carga fiscal que pesa sobre as empresas. Criticando as permanentes alterações que têm sido introduzidas nos impostos sobre as empresas - no IRC, mas não só -, Pires de Lima lamenta esta instabilidade, que afasta potenciais investidores, e considera que o sucessivo agravamento de impostos e taxas é o contrário do que Portugal precisa para conquistar investimento direto estrangeiro.

"Em vez de se estar a fazer uma trajetória de redução da carga fiscal das empresas está-se a aumentar essa carga fiscal", nota o antigo ministro da Economia, elencando as alterações desgarradas que já foram introduzidas pelo atual Executivo - desde a suspensão da redução prevista para o IRC, em 2015, até o aumento da derrama do IRC para empresas com lucros mais altos. A consequência, diz, é tornar o país menos confiável para os investidores.

Contra esta "volatilidade", o ex-dirigente do CDS propõe "uma conjugação de esforços entre os partidos que apoiam esta solução governativa, nomeadamente o PS, e os partidos da oposição, para que Portugal [tenha] uma trajetória de destino previsível, se não até mais atrativo do ponto de vista fiscal, para o investimento." Um entendimento que considera tão necessário como os consensos que António Costa pediu em relação ao próximo quadro de fundos europeus e ao investimento em infraestruturas.» [Expresso]

 Mentiroso

Há gente neste país que pensa que a boca foi feita para mentir, é o caso do antigo redator da Voz do Povo, hoje o responsável pela comunicação da extrema-direita chique. Vejamos o que escreve o Fernandes:

«Os professores pedem progressões automáticas como as de outros funcionários públicos, mas nem sabem como tal é injusto quando pensamos no mundo real e não protegido dos trabalhadores do sector privado» [Observador]

Fernandes tenta passar a imagem dos funcionários públicos favorecidos porque, ao contrário dos trabalhadores do privado, progridem na carreira. O Fernandes mente, confunde progressão com antiguidade, algo que em todo o mundo favorece quem trabalha.

Fernandes mente porque na maioria das carreiras do Estado a progressão não é automática, est´+a sujeita a vagas e a tempos mínimos e a concursos. ora, no setor privado nada disto existe e há também diferentes categorias. Aliás, há uma outra coisa que não existe no Estado, os prémios e outras benesses. É tempo de responder a estes ideólogos trambiqueiros da extrema-direita chiquye, que passam o tempo a propagar mentiras.

 A Belinha criou muitos empregos

Para se justificar a Belinha, filha do Eduardo dos Santos, disse que criou 40.000 empregos. Se eu tivesse as centenas de milhões que ela tem e que juntou a partir do nada, também teria feito o favor a Angola de criar 40.000 empregos. Nada mau, ter ficado rica e ainda contar com tanta gente a trabalhar para aumentar os meus lucros. Obrigadinho ó Belinha.

      
 A coisa está a ficar preta
   
«O diretor nacional do Tesouro angolano, Edson Vaz, foi detido pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Angola, no âmbito de uma investigação policial a alegados desvios de verbas do Estado através de contratos celebrados com empresas fictícias.

De acordo com a notícia publicada hoje pelo jornal angolano “O País”, Edson Vaz foi detido pelo elementos do SIC na sexta-feira ao final da tarde, numa investigação que o implica em “pagamentos a empresas que não terão prestado serviços ao Estado, sobretudo no domínio das Obras Públicas”.» [Obsevador]
   
Parecer:

Depois das demissões, as prisões.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Desenhador original
   

«"Foi um ato irresponsável e imaturo", disse a Marinha norte-americana, que suspendeu o piloto

Um piloto da Marinha norte-americana usou o rasto de condensação de um avião de guerra para fazer um desenho no céu. Só que não foi um desenho qualquer, foi o desenho de um pénis gigante, o que deixou a população surpreendida e obrigou a um pedido de desculpas.

A brincadeira foi feita nos céus de Okanogan, no estado de Washington, na quinta-feira, a bordo de um Boeing E/A-18 Growler, e foi imediatamente reproduzida nas redes sociais.» [DN]
   
Parecer:

Se a moda pega andamos todos a olhar para o céu.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»