Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Alegre. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Alegre. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, janeiro 25, 2010

O BE quer que Alegre seja presidente?


Se Francisco Louçã quisesse ver Manuel Alegre ser eleito Presidente da República não teria apoiado de forma precoce e oportunista a sua candidatura. A verdade é que Louçã não pretende servir Alegre, o que o líder do Bloco de Esquerda pretende mesmo é servir-se de Manuel Alegre, o que tem feito com maestria ainda que com a anuência do até há poucos meses dissidente do PS.
Louçã que durante a campanha para as legislativas pôs algumas condições para apoiar a candidatura de Alegre, nem esperou que fosse apresentada formalmente a candidatura para e antecipar a tudo e a todos para apoiar formalmente uma candidatura que não existe. Curiosamente, aproveitou-se da candidatura de Alegre para chamar a si o protagonismo numa semana em que ocorriam negociações em torno de um orçamento de que se marcou a troco de meio minuto de televisão.

Manuel Alegre não mudou muito nas últimas décadas e muito menos nos últimos anos, pelo que Francisco Louçã deveria e explicar aos portugueses o que viu agora em Alegre que não viu há quatro anos quando se candidatou a Presidente da República contra a candidatura de Manuel Alegre.É evidente que Louçã percebeu que apoiando Alegre evitava despesas e coseguia mais tempo de antena, além disso poupa-se a uma derrota humilhante.

Louçã sabe muito bem que o seu apoio vale muitos votos, os eleitores do Bloco de Esquerda são muito menos “obedientes” do que os do PCP, ao contrário do PCP onde os simpatizantes correspondem quase aos eleitores, com o BE não há qualquer relação entre uns e outros. Se apoio de Louçã poderá significar dois ou três por cento dos votos favoráveis pode, muito provavelmente, significar a derrota antecipada da candidatura de Manuel Alegre. Não sei se Manuel Alegre telefonou a Louçã para lhe agradecer o apoio, mas quem o deveria ter feito era Cavaco Silva, o candidato da direita vai receber mais votos com esse apoio, tem tudo a ganhar com um Alegre que durante meses se vai apresentar como o candidato apoiado pela extrema-esquerda.

É evidente que Louçã saber fazer estas contas, só que lhe é indiferente se o próximo Presidente da República é Cavaco ou Alegre. Francisco Louçã apenas quer que o PS se divida e o seu apoio apenas tem esse objectivo, se tivesse ocorrido nos últimos dias da campanha eleitoral isso não sucederia, mas assim a extrema-esquerda não se poderia servir para se credibilizar junto do eleitorado do PS. Além disso, Louçã sabe que se Alegre vencesse faria as pazes com o PS e seria marginalizado, por isso aposta tudo numa derrota de Manuel Alegre, sabendo que uma boa parte dos militantes e eleitores do PS não votarão Alegre espera que o candidato fique zangado com o seu partido e prossiga a vingança contra o seu próprio partido porque este não o escolheu para líder, um partido que não ajudou a fundar e à boleia do qual fez carreira.

Da mesma forma que Louçã sabe muito bem o que está fazendo seria de esperar que há muito que Manuel Alegre deveria ter percebido que as aproximações de Francisco Louçã apenas visou dar-lhe a sensação de que estaria a unir a esquerda, estimulando-a a prosseguir o trabalho de divisão do PS. O problema é que Alegre não parece ser tão dotado quanto Louçã e não percebeu aquilo que quase toda a gente percebeu.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Franciso Louçã, o vencedor antecipado das presidenciais?

Muito antes da realização das eleições presidenciais, sem que se saiba sequer quais vão ser os candidatos, é possível dizer que Louçã é o seu vencedor antecipado, sem sequer se ter de candidatar a presidente como o fez nas últimas eleições.

Para o conseguir não bastou a Louçã adoptar a estratégia manhosa que caracteriza a sua postura na política, contou com a ajuda de Manuel Alegre, percebeu a frustração do eterno pré-candidato às presidenciais e fez o jogo da unidade de esquerda por este promovida. Percebeu que a estratégia de vingança de Manuel Alegre resultaria na divisão do eleitorado do PS, o seu grande objectivo político.

Para melhor percebermos o objectivo deste compagnon de route de Manuel Alegre vale a pena reler o que afirmou numa entrevista que deu ao Público no passado dia 1 de Dezembro de 2009:

«Como é que se forma essa maioria sem o PS?

Com uma recomposição que atravesse todo o espaço da política portuguesa.Isso implica uma cisão do PS ou uma transformação do PS.

Implica uma reconfiguração, certamente com uma clarificação contra as políticas passadistas e conservadoras que têm vindo a acentuar a crise. Já existiram diálogos, como aconteceu com Manuel Alegre. É a partir desse trabalho de diálogo que se encontrarão pessoas que fazem parte de todas as cores da política e das alternativas políticas à esquerda.

Essa reconfiguração passa também pela mudança do líder do PS?

O PS fará o que quiser. A esquerda precisa sobretudo de ter uma força para ter maioria. Essa força não é o PS.»

É evidente que o grande objectivo político de Francisco Louçã, o que se compreende perfeitamente num líder da extrema esquerda, é dividir o PS ao ponto de formar uma maioria em que apenas tenham lugar militantes desavindos deste partido. Por outras palavras, dividir e destruir o PS para viabilizar o seu projecto político que mais não é do que um chavismo intelectualmente aceitável.

A sua vontade de ver uma candidatura de Manuel Alegre a dividir o PS levou a esquecer o que disse nessa mesma entrevista:

« O que eu disse foi que se houver uma candidatura como a de Manuel Alegre, que contribua para uma clarificação política e para a rejeição destas estratégias que têm conduzido à crise económica e à desorientação social, então certamente que ela terá uma força extraordinária.»

Francisco Louçã nem esperou pela apresentação formal da candidatura e muito menos pelo seu programa, aproveitou-se da manifestação de disponibilidade do candidato para tomar o lugar de primeiro apoiante, o que vem de encontro, agora sim, ao que disse na referida entrevista:

«Pelo contrário, dou-lhes a maior importância porque vamos ter um Governo de maioria relativa, qualquer que ele seja, e vamos ter dificuldades sociais e económicas que vão prolongar-se nos próximos anos, com uma grande transformação política em curso. A campanha presidencial vai ser das mais clarificadoras na política portuguesa.»

Isto é, Louçã apoia uma candidatura de Manuel Alegre porque vê nele um apoiante das suas políticas por oposição a um governo com que se recusa a negociar.

Mesmo sem ter Louçã como seu mentor a candidatura de Manuel Alegre iria dividir o eleitorado do PS, os que deixaram de votar neste partido até poderão simpatizar com o poeta e a sua procissão de apoiantes, mas os que insistiram em votar no PS não se esquecem de tudo quanto Manuel Alegre fez para derrotar o PS e favorecer eleitoralmente o Bloco de Esquerda. Com Alegre a servir de bandeira do projecto político da extrema esquerda a divisão do eleitorado do PS e a vitória de Cavaco Silva é quase inevitável.

Louçã já venceu as presidenciais, Alegre ainda nem é candidato e já conseguiu o que há muito é o maior desejo do BE, dividir o PS e contribuir para uma vitória da direita a médio prazo. É o PS que está entre ele e as suas ambições políticas. Ele sabe que com o apoio da extrema esquerda o poeta não passará da versão 2010 de Otelo Saraiva de Carvalho, será derrotado nas presidenciais, proporcionando a Cavaco Silva uma vitória que se avizinhava difícil, senão mesmo impossível.
Louçã ficará feliz pois abre espaço ao crescimento do BE e Manuel Alegre sentir-se-á vingado das derrotas que sofre nas directas do PS e nas presidenciais.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Manuel Alegre Presidente?

Aos poucos a recandidatura presidencial de Manuel Alegre vai renascendo, desta vez a partir do interior do PS e sem a procissão dos zangados com as escolhas de José Sócrates. Francisco Louçã percebeu a possibilidade de Alegre vir a contar com o apoio do PS e antecipou-se no patrocínio da candidatura, muito provavelmente sem ter ouvido a opinião do seu próprio partido.

Depois do famoso episódio das escutas a Belém os portugueses perceberam que Cavaco Silva não cumpriria o mandato com isenção, o envolvimento dos seus assessores em diversas diatribes tornou evidente que o Palácio de Belém não era uma fonte de estabilidade política. Mais do que uma Presidência da República tivemos em Belém uma sede de uma recandidatura presidencial e, como se isso não bastasse, ao Palácio de Belém tem sido a sede da oposição, substituindo-se a um PSD que só consegue fazer oposição a si próprio.

Sendo evidente que a estabilidade política passa pela derrota de uma candidatura presidencial de Cavaco Silva, resta ao centro e à esquerda encontrar um candidato capaz de devolver o cavaquismo ao lugar de onde não deveria ter saído, o passado. Para isso o PS deve apostar num candidato capaz de vencer um Cavaco Silva que depois de namorar a direita se vai entreter a reconquistar o centro. É neste contexto que se coloca a questão de saber se Manuel Alegre consegue vencer uma candidatura de Cavaco Silva.

Questionados sobre esta questão 61% de um total de 334 visitantes d’O Jumento consideraram que Manuel Alegre não conseguirá vencer Cavaco Silva. É evidente que muitos terão confundido o seu voto com o resultado que resultaria de umas eleições, mas é essa a minha convicção, Manuel Alegre dificilmente conseguirá vencer Cavaco Silva.

Não basta ter ido a um comício da campanha eleitoral para Manuel Alegre ter branqueado vários anos em que liderou a oposição ao seu partido, colocando-o durante meses sob chantagem, tudo fazendo para desgastar eleitoralmente José Sócrates. Ao manter no ar a hipótese de cisão, com muitos dos seus correligionários a promover a criação de um novo partido Manuel Alegre centrou em si os olhos da comunicação social.

Foi, por exemplo, graças aos “alegristas” que um dos melhores ministros deste governo, o ministro da Saúde, foi substituído. Não me esqueço dos protestos de muitos alegristas, incluindo o próprio Manuel Alegre contra o encerramento da Maternidade de Elvas. Dizia Alegre na segunda reunião do seu movimento, o MIC, que «A desertificação é que é o grande problema. É a história da maternidade de Elvas. Ouvi hoje o líder do PSD e tenho de estar de acordo com ele. Tenho de concordar que os portugueses, as crianças de Elvas tenham o direito de nascer em Portugal e não tenham de ir nascer a Badajoz». Aliás, Alegre não perdeu uma oportunidade para se colocar ao lado de movimentos populistas.

Ao usar o argumento da convergência de esquerda Manuel Alegre mais não fez do que dividir a esquerda e favorecer o Bloco de Esquerda, a verdade é que Manuel Alegre fez o jogo de Louçã até ao momento em que o líder do BE se manifestou contra a criação de um novo partido. O grande beneficiário das iniciativas de Alegre foi o BE, como se viu nas últimas eleições.

Não acredito que Manuel Alegre consiga o voto do eleitorado do PS, nem mesmo dos militantes do PS que enquanto apoiaram o governo do seu partido tiveram que suportar milhares de páginas de jornais alimentadas pelas intervenções de Manuel Alegre. Também não acredito que o voto do centro confie num candidato que durante dois ou três anos apareceu de braço dado com a extrema esquerda. Ainda menos acredito que um PCP marginalizado pelas supostas iniciativas de convergência da esquerda vá apoiar agora um Alegre que ajudou o BE a ultrapassá-lo nas urnas, isso para não lembrar que o PCP não costuma ser muito simpático com os seus ex-militantes.

Tenho muitas dúvidas de que Alegre venha a ganhar as eleições presidenciais.

domingo, dezembro 06, 2009

Semanada

A semana foi marcada pela palavra suicídio usada por Pinto Balsemão para caracterizar a situação do PSD, Manuela Ferreira Leite continua a conduzir o partido com raiva por ter perdido as eleições e, agora, com raiva acrescida pelo facto do caso Face Oculta se ter revelado um fiasco de consequências imprevisíveis. Os mesmos que se animaram com a hipótese de fazerem a Sócrates o que os eleitores não fizeram nas eleições legislativas acabaram por se desorientar com os efeitos perversos da sua estratégia, é cada vez mais evidente a mãozinha partidária nos contornos deste processo, o Ministério Público perdeu a escassa credibilidade que eventualmente ainda tinha, a justiça portuguesa acabou por dar um espectáculo tão triste e pobre que mais tarde ou mais cedo conduzirá à mudança do modelo de um Ministério Público que deixou de ser uma instituição credível e confiável para a democracia.

Quem também parece ter dado início ao seu próprio funeral foi Manuel Alegre que, ao mesmo tempo que diz que não é refém de ninguém, tenta tornar o PS e os militantes socialistas reféns da sua ambição pessoal. Depois de ter andado anos a liderar a oposição e a fazer tudo para transferir o maior número de votos possíveis do PS para o Bloco de Esquerda, Manuel Alegre reaparece começando por passar a mão pelo pêlo a Sócrates criticando a justiça no caso Face Oculta, ele que no caso Freeport manteve-se em silêncio. Feita a cerimónia da lavagem das mãos na água benta deu-se início à peregrinação dos jantares onde os PRDs alegristas se manifestam empenados na cidadania e exigem a Alegre que se candidate, uma farsa mal montada para lançar Alegre ante de o PS escolher candidato.

Só que muitos dos que votaram em Alegre se sentiram traídos por um ex-candidato que fez dos seus votos reféns da sua ambição pessoal, no PS perdeu credibilidade ao ter seguido uma estratégia de chantagem permanente sobre o governo, no PCP perdeu irremediavelmente qualquer hipótese de vir a ser apoiado por este partido depois de ter feito o jogo de Francisco Louçã. Manuel Alegre é um cadáver político que insiste em fugir da cova que ele próprio cavou. Poderá vir a ser candidato presidencial, até poderá servir de alento à reeleição de Cavaco Silva mas nunca será Presidente da República. Falta a Alegre a lucidez que teve Otelo Saraiva de Carvalho que não voltou a candidatar-se depois de derrotado.

A oposição prossegue a sua estratégia suicida, alheios aos problemas do país e dos portugueses os líderes da oposição e os seus deputados decidiram iniciar um PREC na versão parlamentar, transformando o parlamento num imenso bacanal onde é possível encontrar Ferreira Leite, Louçã, Jerónimo de Sousa e Portas embrulhados na mesma cama. O prior é quando ninguém souber de quem é o filho nascido no fim desta orgia.

Manuel Alegre será a personalidade da semana n'O Jumento, por ter dado início ao lançamento da sua campanha presidencial numa tentativa clara de tentar impor ao seu partido uma candidatura derrotada, que só se justifica pela sua própria ambição pessoal de Alegre e apoiada por muitos dos que tudo fizeram para o PS eprder as eleições legislativas. Alegre acha que a demiocracia lhe deve um favor e decidiu proceder à sua cobrança.