segunda-feira, outubro 09, 2023

FOTOS DO DIA





OS RUSSOS INVADIRAM LISBOA!

Houve um tempo, antes do Putin aparece, durante o qual os russos mudaram a sua dieta alimentar, deixando de comer criancinhas, nesse tempo os russos eram bem-vindos a Lisboa. Estávamos em Setembro de 2004 e uma fragata russa esteve estacionada no cais de Snata Apolónia, onde a sua tripulação chegou a dar um concerto. Imagens imposssíveis nos dias de hoje e, muito provavelmente, durante os próximos anos.

sábado, outubro 07, 2023

 


PERSONALIDADE 'O JUMENTO' DO DIA
RUI TAVARES, DEPUTADO E LÍDER DO LIVRE


Não sei muito bem qual o princípio ideológico, marxista ou seja lá qual forma que leva a algumas personalidades de esquerda partirem do pressuposto de que os défices são um sinal de política progressista. O ponto alto desta tese foi-nos dada pelo saudoso Presidente Jorge Sampaio quando certo dia declarou haver vida para além do défice.

A verdade é que se estudassem as consequências dos ajustamentos feitos na sequência das sucessivas crises financeiras que o país enfrentou desde o princípio do século XX, perceberiam os défices e as crises de dívida que o país enfrentou, foram sempre feitas à custa do empobrecimento dos trabalhadores.

O mesmo sucede com as crises de inflação que resultaram sempre num ajustamento negativo dos salários. Bastaria comparar as consequências do último ajustamento imposto pela Troika, com o impacto da inflação destes dois anos no rendimento dos trabalhadores, para concluirmos que à sobra da inflação o governo promoveu um ajustamento dos rendimentos salariais sem ter de enfrentar críticas. A troika promoveu um ajustamento por decreto, com cortes salariais e aumento dos impostos, António Costa conseguiu os mesmos resultados sem decretar nada e sem ter de assumir qualquer responsabilidade política.

Num país com uma dívida superior a 100% do PIB é um país vulnerável, que inspira desconfiança dos investidores e cujo capital vai parar às offshores e aos grandes bancos ocidentais. Se , ainda por cima, num contexto de excesso de dívida e num quadro inflacionista se promovem défices para gerir os escassos recursos nacionais em função de objetivos eleitoralistas/populistas, então o resultado será mais inflação, mais dívida e certamente mais uma crise financeira.

O falso discurso progressista dos discursos que associam défice a investimento e a melhoria da situação dos trabalhadores soa bem ao ouvido, principalmente quando vindo de bem falantes, mas a médio e longo prazo traduz-se em mais empobrecimento, num país que não sai da cepa torta, que não progride e que vê os seus melhores quadros terem como maior objetivo partirem para o estrangeiro.

“Um país que só paga dívida pública, a certa altura já nem dívida pública paga, porque não há dinheiro para o investimento, para a emergência social ou para uma reforma fiscal que diminua o peso dos impostos.” (Rui Tavares, DN impresso)

FOTO DO DIA

 



Ondas na Praia do Cabeço, Castro Marim.

E DEPOIS DA ROMÉNIA, QUEM NOS ULTRAPASSA?


 

O desenvolvimento não é uma corrida entre países, ainda a questão não se deva colocar em termos de corrida, sabendo-se que da competividade externa resultarão maiores ou menores ganhos do ponto de vista do enriquecimento do país, não deixa de ser preocupante que no contexto da União Europeia por mais que se diga que nos estamos aproximando da “média” europeia, é evidente que estamos sendo ultrapassados nos indicadores económicos e sociais.

Quem se lembra do que era a Roménia deixada por Nicolae Ceaușescu, recorda-se certamente de problemas graves como a imensidão de órfãos abandonados a viver nos esgotos e a miséria generalizada que grassava naquele país, entre muitas outras situações que evidenciavam um enorme atraso económico e social.

O que sucedeu, então, para que depois de tantas ajudas europeus, de primeiros-ministros que não se cansam de gabar a sua competência, de Presidentes da República notáveis, como Cavaco Silva, que ainda hoje reaparece de tempos a tempos para dar raspanetes aos políticos e governantes no ativo, o país dar a imagem de parado no tempo.

Se ouvirmos António Costa a governação está cheia de grandes sucessos, o mesmo que ouvimos de todos os primeiros-ministros que o antecedera, bem como dos Presidentes das República, dos presidentes dos governos regionais, dos presidentes das câmaras municipais e dos modestos presidentes das juntas de freguesia. Todos eles anunciam grandes sucessos.

Talvez merecesse a pena para e refletir, em vez de discutirmos qual o indicador com que nos devemos comparar com a Roménia ou com a Grécia, não seria má ideia avaliarmos como foram gastos os muitos milhões que vieram de Bruxelas e transformara Portugal numa espécie de beneficiário do rendimento mínimo à escala das nações, um país cujos governos se transformaram em subsídio-dependentes e que governam em função do dinheiro que chega de Bruxelas.


sexta-feira, outubro 06, 2023

 


PERSONALIDADE 'O JUMENTO' DO DIA
JOÃO COSTA, MINISTRO DA EDUCAÇÃO


É muito difícil de compreender como em poucos anos Portugal deixou de ter professores em excesso para voltarmos ao espetáculo das turmas sem professores. É difícil de entender e de aceitar, já que hoje há mais alunos a concluir curos universitários do que há 20 anos, quando esta situação se repetia.

Mas no passado o problema nem muitas escolas não resultava da falta de licenciados interessados na carreira de professor, o problema repetia-se muito devido ao modelo de concursos da época, que levava a que depois de concursos em fases sucessivas, os professores acabavam por ser colocados já depois das aulas terem começado, depois de vários concursos que terminavam em miniconcursos ao nível das escolas.

Os sucessivos governos na sua luta eterna pela redução dos défices, que tem sido conseguido à custa da desvalorização dos funcionários públicos e, a par disso, da proletarização da generalidade dos funcionários públicos, a começar nos professores e a acabar nos médicos. 

Se analisarmos o que tem sido a preocupação dos ministros da Educação dos sucessivos governos, constatamos que a falta de professores a prazo nunca foi assumida como preocupação, se é que alguma vez o foi. E sabia-se que, à semelhança do que sucede com os médicos, estes anos seria um período em que se registaria um elevado número de aposentações.

Os anos do pós-25 de Abril foram anos de massificação do ensino e, em consequência de um grande aumento do número de professores na Escola Pública. Basta fazer contas, os professores que iniciaram a atividade, por exemplo, em 1980, contam agora com  mais de 66 anos e com 43 anos de serviço, isto é, todos os que se iniciaram na profissão entre 1977 e 1980 já solicitaram ou estão em condições de solicitar a aposentação, sem qualquer penalização nas pensões.

Esta situação era previsível e seria obrigação dos governos e, em particular, dos ministros da Educação, estudar a solução. Mas neste, como noutros domínios da sociedade e da economia, os governos e os ministros estão mais preocupados com as sondagens do mês seguinte ou os índices de imagem dos próprios, do que com os problemas do país em cenários com um horizonte temporal de médio ou longo prazo.

“Eu quero é ganhar as próximas eleições e o futuro que se lixe”, é este o pensamento estratégico de muita gente e a verdade é que uma boa parte dos portugueses parece preocupar-se mais com o presente, ignorando que muitas falsas benesses recebidas durante uma legislatura poderão ter como preço comprometer o desenvolvimento económico e social do futuro.

Agora, o governo parece resolver o problema com falsos remendos e em vez de estarmos a refletir como é que o sistema de ensino permitirá ao país e superar-se aos seus concorrentes, adotamos falsas soluções. Cujo preço será muito elevado a médio e longo prazo. Faltam médicos? Damos mais funções aos enfermeiros? Faltam professores? Exigimos menos habilitações aos candidatos. Faltam polícias? Fechamos esquadros e montamos roulottes. Faltam médicos nas urgências? Fechamos uma parte de forma rotativa.

Já alguém ouviu um ministro da Educação e, em particular, do atual, considerar a problemática do mercado de professores, como uma prioridade? Claro que não, talvez contassem que a diminuição da natalidade compensasse o envelhecimento dos professores ou que estes, que sofrem um grande desgaste, estivessem disponíveis para trabalhar e serem maltratados até aos 70, idade limite na Função Pública.



CHOQUE SALARIAL AO NÍVEL DO SALÁRIO MÍNIMO


Há quem defenda que o país precisa de um choque salarial, daí resultaria a morte imediata de muitas empresas pouco competitivas que sobrevivem à custa de salário, quando não o fazem recorrendo à evasão fiscal e a outros expedientes, daí resultando concorrência desleal com as que remuneram melhor e a destruição de empresas que poderiam crescer e promover o desenvolvimento.

Mas reduzir as preocupações em matéria de políticas salariais ao salário mínimo, enquanto o próprio Estado, enquanto maior empregador de quadros, tem como política reduzir os custos em pessoal através da redução dos salários no Estado, através da sua desvalorização com aumentos salarias sempre inferiores ou mesmo muito inferiores do que a inflação, significa que muito provavelmente em vez de uma política salarial a pensar no desenvolvimento estamos perante políticas meramente eleitoralistas.

Todos achamos bem que o salário mínimo ultrapasse os 800€, mas num país onde os jovens quadros e muitos doutorados que fazem investigação com bolas públicas ganham 1000€ ou pouco mais, estando sujeitos ao IRS o que não sucede com os que auferem o salário mínimo, estamos comprometendo o futuro.

As famílias que mais pagam impostos e mais investem na educação têm como resultado que os filhos, que estudaram durante cerca de 17 anos, ganhem pouco mais do que quem aufere um salário mínimo e, pior do que isso, sabe que a classe política está muito preocupada em aumentar os salários mínimos, enquanto em matéria de combate à inflação, em política fiscal ou na gestão da Administração Pública o objetivo é aumentar a carga fiscal e reduzir o rendimento dos supostos “ricos”.

Por outro lado, ignora-se o imenso mundo do trabalho informal do país, onde muitos empregadores declaram o salário mínimo, enquanto pagam uma parte substancial “por fora”, para não referir uma imensidão de profissionais e de “biscateiros” que trabalham sem pagar qualquer imposto. Todos sabemos do que se passa e não serão poucos os que poupam quando contratam “mulheres a dias” ou encomendam reparações.

O mais grave de tudo isto é que esta política salarial revela um desprezo quase total em relação ao desenvolvimento económico, ignora que uma aposta nesse desenvolvimento implicaria que empresas mais competitivas investissem em melhores salários e na qualificação dos trabalhadores, num mercado salarial onde escasseia cada vez mais a mão de obra qualificada.

Conseguir-se-ia ao mesmo resultado, mas esta estratégia salarial dos governos, que combina aumentos salariais de forma administrativa e favorece os menos remunerados através da política fiscal, tem mais resultados eleitorais a curto prazo, ainda que a médio prazo se traduza em menos desenvolvimento e na aposta de um modelo de crescimento económico cujos resultado é a perda de competitividade da economia portuguesa e a fuga em massa dos profissionais mais qualificados.

Pagamos impostos para termos mais e melhores universidades, mas fecham-se as urgências por falta de médicos, as escolas abrem sem professores, os concursos para muitas funções do Estado ficam sem candidatos, enquanto na City de Londres temos muitos jovens quadros na área das finanças, os hospitais de toda a europa contam com médicos ou enfermeiros portugueses. 

FOTO DO DIA




 


Bustos africanos  da Exposição do Mundo Português (1940) no Jardim Botânico Tropical, Lisboa


quinta-feira, outubro 05, 2023


PERSONALIDADE 'O JUMENTO' DO DIA
ANTÓNIO COSTA, PRIMEIRO-MINISTRO, O ANTECIPACIONISTA


O primeiro-ministro parece ter um grande jogo de cintura ao comentar a declação do Presidente da República de que "é preciso antecipar as questões para tomar boas decisões". PArece que António Costa responde a alhos com bugalhos.

Não é para evitar que daqui a mais dois mandatos de António Costa se ganhar e, entretanto, não conseguir o cargo europeu pelo qual anseia, que voltemos a ter urgências encerradas, escolas sem professores e muitos portugueses sem casa. 

Para António Costa aquela que parece ser a sua preocupação e para mostrar que tem um grande poder antecipação refere as reuniões do Conselho que se vai realizar e os problemas que o preocupam e certamente vai resolver é "o futuro da Europa de um ponto de vista estratégico. Isto é, podemos estar com fome, doentes, com os filhos sem aulas e a viver debaixo da ponte, mas as nossas preocupações são as do primeiro-ministro, o "futuro da Europa de um ponto de vista estratégico"!

"O discurso do senhor Presidente da República foi uma reflexão particularmente interessante para aquele alerta que todos temos que estar, que é preciso antecipar as questões para tomar as boas decisões", considerou o primeiro-ministro, António Costa, no final da cerimónia comemorativa do 113.º aniversário da Implantação da República, que decorreu na Praça do Município, em Lisboa.

Costa considerou este alerta "particularmente oportuno" uma vez que vai partir hoje para Granada, Espanha, para a III reunião da Comunidade Política Europeia e para uma reunião informal do Conselho Europeu na sexta-feira.

"Onde vamos debater aquilo que vai ser o futuro da Europa de um ponto de vista estratégico e onde há decisões fundamentais a tomar relativamente ao alargamento, é uma condição essencial para assegurar uma paz justa e duradoura na Ucrânia mas que implica, como também o senhor Presidente da República aqui disse, no caso concreto, que haja reformas na União Europeia para que este alargamento seja um caso de sucesso como têm sido todos os outros", salientou." [20 Minutos]

FOTO DO DIA

 



Pavão-real

quarta-feira, outubro 04, 2023

 


PERSONALIDADE 'O JUMENTO' DO DIA
Rui Rocha, LÍDER do INICIATIVA LIBERAL


A ideia do líder do Iniciativa Liberal tem a aparência de fazer todo o sentido, aplicando o método de Hondt para a distribuição dos lugares de deputados em função dos votos recebidos por cada partido, em cada círculo "sobram" sempre alguns votos que aparentemente ficam sem representação no parlamento.

Mas colocar as questões nestes termos é ignorar que mesmo que houvesse um único círculo eleitoral, como sucede nas eleições para a Assembleia Legislativa da Madeira, sobrariam sempre votos e poder-se-ia dizer que há eleitores que são ignorados e ficam sem representação eleitoral.

Por outro lado, esta proposta do IL pressupõe que os deputados representam não os votos globalmente recebidos pelos seus partidos, mas sim determinados eleitores que neles votaram, o que não é verdade. Mas se assim fosse, teríamos que colocar outras duas questões.

Os deputados que são eleitos com base no Método de Hondt acabam por ser eleitos num mesmo círculo eleitoral com um número de votos diferentes. Seguindo o raciocínio do líder do IL teríamos que concluir que em todos os círculos há eleitores de primeira e eleitores de segunda, pois teríamos de concluir que os eleitores cujos votos serviram para eleger um deputado valem menos ou são menos representados do que os que elegeram um deputado para cuja eleição foram necessários menos votos. 

Veja-se o caso das últimas eleições, em que se falou de uma deputada eleita com 2,25% de votos e que acabou por viabilizar um governo regional, poderíamos dizer que os eleitores dessa deputada têm uma influência no governo muito maior do que os outros, no pressuposto de que o volume de decisões traduzirá o valor de cada voto.

No caso da Madeira, por exemplo, o deputado da IL representa 3.555 votos enquanto o deputado eleito pelo PCP-PEV representará 3.677 eleitores, isto é, os eleitores do IL serão eleitores de segunda se comparados com os do PCP-PEV. E por mais voltas e círculos de sobras que sejam inventados haverá sempre sobra. e esta interpretação do método de Hondt levará sempre `conclusão do líder do IL.

Como é sabido, para dar equilíbrio ao parlamento as regiões com menos eleitores elegem um número mais do que proporcional à sua população, isto é, teremos de concluir que os eleitores da capital são eleitores de segunda ou mesmo de terceira se comparados com os eleitores de muitos dos outros círculos eleitorais.

O Método de Hondt foi criado ainda no século XIX e tal como outros métodos tem defeitos, não tendo faltado tentativas de o melhorar ou de encontrar alternativas, Por pior que seja parece ser o melhor que se arranja e alterá-lo porque um pequeno partido depois de fazer as contas concluir que poderia ter eleito mais um deputado com sobras, não será um bom princípio, argumentar que assim haveriam mais correntes de pensamento também parece muito democrático como parece, pois no passado vimos como pequenos partidos com apenas um deputado, graças à igualdade de tratamento que devem merecer na comunicação social, acabam por ter um peso bem maior do que os votos que receberam. É p caso da IL e, ainda mais, do BE nos seus primeiros tempos, quando tinha muitos mais comentadores na TV do que outros ou mesmo todos os outros partidos.



"Em conferência de imprensa no parlamento, o presidente da IL e o líder parlamentar liberal, Rui Rocha e Rodrigo Saraiva, respetivamente, apresentaram o projeto de lei para a criação de um círculo de compensação nacional nas eleições legislativas, que será uma das prioridades de agendamento do partido após o processo orçamental que se inicia este mês.

"Portugal tem hoje cidadãos de segunda em matéria de representação política. Há um Portugal de segunda, que vive esquecido, abandonado, silenciado em matéria de representação politica", afirmou Rui Rocha.

Dando como o exemplo o cálculo de 730 mil votos nas eleições legislativas de 2022 que não elegeram qualquer deputado, ou seja, "votos desperdiçados", Rodrigo Saraiva explicou que a IL justificou a introdução do círculo de compensação alegando que "todos os votos contam"." [Notícias ao Minuto]