terça-feira, junho 16, 2015

O aliviado

Apesar das deficientes condições de um avião, das consequências da idade nos músculos abdominais e das perturbações orgânicas resultantes da grande altitude parece que Cavaco Silva levou um saco de figos torrados da sua aldeia natal e em pleno voo para a Roménia conseguiu um grande alívio. A imagem publicada na notícia do Expresso em que se dava conta do alívio sentido por Sua Excelência mostra um idoso com ar feliz enquanto uma plateia de penduras convidados pelo orçamento presidencial riam agradados das suas manifestações de alívio.
  
Ainda bem que Cavaco se sente aliviado, sinal de que graças ao Tribunal Constitucional que ele ignorou ostensivamente já recebe as suas pensões, não tendo que recorrer às sua poupanças conseguidas com tanto sacrifício e com a preciosa ajuda do especialista em acções Oliveira e Costa, que, como é sabido, está reformado.
  
Também tem razões para estar aliviado pois com o grande crescimento económico da nossa economia os portugueses vivem felizes porque os seus filhos poderão regressar dos países para onde emigrarem. Que o diga o senhor aliviado pois pode gozar os seus dias com toda a sua família em seu redor, que se saiba todos estão bem empregados e de boa saúde.
  
Mas o motivo de alívio de Sua Excelência não foi o regresso dos jovens que partiram, nem a criação de emprego par os que estão condenados ao desemprego até à idade de reforma e muito menos o pagamento antecipado da dívida ao FMI, o que levou Cavaco ao suspiro foi a venda da TAP.
  
Cavaco ficou aliviado porque a TAP foi vendida a custo zero, como se fosse um jogador de futebol em final de contrato. Foi um alívio ver a TAP deixar de ser gerida em torno dos interesses nacionais para ser gerida segundo os interesses estratégicos do Brasil. Aliás, foi mais ou menos o mesmo alívio quando viu a EDP deixar de ser gerida pelo Estado para passar a ser gerida pelo PC da China. Nessa ocasião foi também um alívio ver o seu amigo Catroga arranjar um bom emprego.
  
Imagino o alívio que deverá dar a um presidente ver uma empresa que era impossível de ser financiada passar a financiar-se vendendo os seus aviões para passar a voar com aviões alugados. É mais ou menos o mesmo alívio que deve ter sentido por ter constatado que os tais cinquenta e tal aviões que os autores desta barracada diziam que iam ser vendidos.
  
É um alívio ver a TAP abandonar as linhas para o mercado estratégico da Ásia para se transformar num desdobramento das rotas brasileiras para aproveitar os preços altos das viagens para o Brasil numa altura em que a emigração portuguesa aumentou a procura.
  
Agora resta-nos esperar por Março do próximo ano, nessa atura o país terá uma verdadeira caganeira e todos nos sentiremos aliviados, como se sente agora Sua Excelência.

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