terça-feira, junho 16, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura



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Borboleta no Jardim Gulbenkian, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Eugénio Rosa, economista do PCP

Eugénio Rosa descobriu que os funcionários públicos a quem foi imposto um corte de vencimentos desde 2010 e que se pode prolongar até 2019 são uns sortudos, ao contrário do que sucede com aqueles que não tiveram cortes. A explicação é simples, os que não tiveram cortes só poderão ter aumentos em 2020 e estão em desvantagem em relação aos que sofreram os cortes pois estes vão ter aumentos correspondentes à reposição gradual dos cortes.
 
Eu compreendo que o senhor tenha uma grande preocupação ideológica com os que menos ganham por serem os menos habilitados, mas isso não obriga a que se seja desonesto ao ponto de considerar que uma reposição parcial de um corte é um aumento, considerando que aqueles que não tiveram cortes são os que estão em desvantagem. Sejamos honestos, em compreendo que vale tudo para conseguir votos para o PCP, mas isto é ir longe demais.

«O governo começou já a repor os salários da função pública que tinham sofrido cortes, avançando, neste ano, com a devolução de 20%. Em média, cada trabalhador passou a ganhar mais 17 euros por mês na sua remuneração-base, de acordo com os cálculos do economista Eugénio Rosa. Mas há 249 mil funcionários públicos que ganham menos de 1500 euros, e que por isso tinham escapado aos cortes, que não vão ter qualquer aumento até pelo menos 2018. Ou seja, ao longo dos próximos dois anos, mais de um terço (37,9%) dos trabalhadores do Estado e das autarquias irão manter o salário que tinham em 2010.» [DN]
  
      
 Argumentário PAF
   
«O argumentário da coligação “Prá frente Portugal” (PAF) é simples: a) o governo anterior levou o País à beira da bancarrota, tendo que pedir a intervenção externa; b) o governo actual adoptou um patriótico e impopular programa que exigiu sacrifícios e recuperou a economia; c) a Troika terminou a sua intervenção e os eleitores não querem repetir o ciclo que os conduza a outra bancarrota.

Este argumentário tem um pequeno problema: é quase inteiramente falso. Em contexto de grave crise económica e financeira internacional e sem escamotear erros cometidos, não foi o governo anterior que provocou a entrada da Troika, foram as oposições coligadas que derrubaram o segundo governo Sócrates que era minoritário. Como bem afirmou Teixeira dos Santos, no momento da decisão não havia alternativa. Mas ela existiu sempre até à queda do governo, bastaria que fosse aprovada a orientação aceite por Berlim, Bruxelas e Frankfurt, conhecida como PEC 4. A intervenção externa que agora o Governo vê como má, por meras razões eleitorais, na altura era vista como redentora pelos partidos da direita. O programa da Troika, ainda negociado pelo governo anterior com a concordância do PSD, continha a austeridade em limites toleráveis e identificava reformas necessárias. A coligação, mal tomou conta do poder, foi para além da Troika, praticou a extorsão financeira às classes médias e fugiu a reformas de fundo. Preferiu a teoria da culpa e expiação a modernizar o Estado. O País foi dividido entre novos e velhos, pensionistas e activos, empregados e desempregados, funcionários e outros trabalhadores. Dividir para reinar. Os sacrifícios esvaíram a economia, afugentaram imigrantes, destruíram centenas de milhares de postos de trabalho, multiplicaram o desemprego, esmifraram funcionários e pensionistas, secaram o sistema científico, emagreceram apoios sociais, agravaram pobreza, criaram miséria envergonhada e desiludiram jovens, forçando-os a emigrar. A administração foi maltratada e empobrecida, o sistema de ensino e justiça invadidos por disfunções virais de que ainda se não libertaram, a saúde apertou cinto e garrote, levando a mais desigualdade, mais doença por tratar, menor eficiência e crises sazonais à menor tensão dos elementos. O investimento cessou, o consumo interno secou e um suposto milagre reduziu importações ao osso. O crescimento passou a negativo até 2014, o PIB regrediu. O défice aumentou e só recentemente irá atingir os objectivos fixados para há dois anos. Apesar da venda ao desbarato de quase toda a economia pública, a dívida disparou de 109 para 130% do PIB. Longe de ter recuperado, a economia perdeu força e só pela recusa constitucional de mais austeridade ela pode agora, lentamente, levantar a cabeça. O terceiro argumento é o único verídico: a Troika saiu, acusada de todos os males pelo governo, como bode expiatório e os Portugueses não querem repetir este circuito de erros e violências. Razões mais que suficientes para que os eleitores vejam a PAF como os flamengos viam o Duque de Alba: um papão agora sorridente, mas que vai obrigar o Povo a mais austeridade.

Uma compilação de anteriores afirmações de Passos Coelho, barítono categórico e pomposo, circula nas redes sociais: recusa de aumentar impostos, especialmente o IVA, seria criminoso cortar as pensões baixas, urgente reduzir os bónus dos gestores públicos, necessário cortar a despesa do Estado, pugnar por reformas estruturais. Privatizar activos para realizar dinheiro seria política criminosa; jamais reduziria ordenados abaixo dos mil euros; acabar com o 13º mês seria tremendo disparate. Choroso, lamentava os 300 mil desempregados sem subsídio. Algumas das suas frases ficaram célebres pela antítese da prática posterior: “aumentar impostos é sempre o caminho mais fácil”, “ não iremos diminuir mais a despesa, mas sim aumentar a base de incidência de impostos”, “não matemos o doente com a cura”, “não digamos hoje uma coisa, amanhã outra”, devemos “valorizar cada vez mais a palavra, para podermos acreditar nela.

Com a aproximação das eleições tudo muda. Os Portugueses já não são piegas mas empreendedores, os cientistas já não tratam de inutilidades, acrescentam conhecimento, a Segurança Social pública já não é para reformar, mas para consensualizar, a classe média já não vive acima das possibilidades, passou a ser o cimento da coesão social. Vale a pena um exercício de imaginação sobre quais vão ser as novas promessas, como devolver cortes a pensões e ordenados em quatro anos, devolver sobretaxa de IRS ainda este ano e extinguir suavemente a contribuição de solidariedade, mesmo nas pensões mais altas. Ameaças encobertas, como o corte permanente de 600 milhões em pensões, não verão mais a luz do dia, até Outubro.

Mais interessante será a girândola de benesses: médico de família a todos os Portugueses, aumentar os recursos para Universidades e Ciência, reduzir ou mesmo extinguir a pobreza, baixar as tarifas da energia, aumentar a natalidade, distribuir mais depressa os fundos comunitários, acabar com a burocracia, aproximar a justiça dos cidadãos em tempo e em custo, colocar professores a tempo e horas, ampliar o crédito às empresas, reformar o Estado, apaziguar as forças de segurança, contentar os militares, aumentar juízes e magistrados.

Cada promessa tem seu caveat: médico para todos depende de investimento nas unidades familiares e nos cuidados continuados, os quais foram congelados; mais dinheiro para Universidades vem associado a reformas dos anos trinta, à Carneiro Pacheco; reduzir a pobreza depende mais do emprego que tudo o resto e quem o considere um dano colateral da economia nunca perceberá o seu papel no crescimento. Baixar as tarifas da energia, agora que é o Governo da China quem a produz, obriga a um incidente diplomático. Aumentar a natalidade implicaria fazer regressar a Portugal os 350 mil que emigraram em quatro anos, oferecer-lhes emprego e tranquilidade para poderem ser pais e mães. Distribuir mais depressa os fundos europeus, como? Se nem em ano de eleições os responsáveis se tornaram diligentes. Para acelerar a burocracia seria necessário compreender a administração e conquistá-la, quando o Governo se entreteve a depreciá-la, substituindo-a por afilhados e consultores. Acelerar a justiça e baixar-lhe os custos implicaria criar respeito, em vez de gerar cobiças de dourados vistos e negócios correlativos. Colocar os professores a tempo e horas, sim, aí creio ser possível: são menos os colocandos e mais os informáticos, Crato vai cumprir seu ideal, seria desastroso falhar. Crédito fácil para empresas parece difícil, continuando o famoso banco de fomento envolto em bruma nortenha. Reformar o Estado? Impossível, esgotou-se o tempo da anestesia, com a saída da Troika. Pagar melhor a forças de segurança, militares, juízes e magistrados, claro que sim, inventar-se-á o dinheiro. O pior virá depois, quando a sinfonia dos excluídos exigir o mesmo.

O recente episódio da denúncia das colonoscopias contratualizadas com privados a preços baixos, em vez de realizadas no público com recursos próprios e meios decentes, gerou noitadas para se alcançar uma das 150 senhas trimestrais. Espelho desta governação: deteriora o público em nome do mercado, esgana o privado com tabelas baixas, castiga o contribuinte por estar doente. Só falta chamar piegas aos que protestam.» [Público]
   
Autor:

António Correia de Campos.

      
 Varoufakis também quer uma reestruturação da dívida
   
«Yanis Varoufakis, o ministro das Finanças grego, volta a defender a necessidade de uma reestruturação da dívida grega, num possível acordo com os credores oficiais, em entrevista ao jornal alemão "Bild", publicada esta segunda-feira.

"Essa é a única forma possível de conseguirmos garantir que pagamos tanta dívida", declara o ministro ao tabloide alemão, acrescentando que dirá imediatamente 'sim' a qualquer acordo que inclua esta medida. "Não queremos mais dinheiro".

Para Varoufakis, o envolvimento da chanceler alemã Angela Merkel é igualmente decisivo para que haja um entendimento: "Um acordo pode ser conseguido numa noite. Mas a chanceler tem de estar envolvida".

Admitindo que, com ou sem reestruturação, a Grécia necessita de uma extensão do empréstimo para fazer face aos problemas de liquidez imediatos, o ministro grego diz não crer que uma saída da Grécia da zona euro seja o mais provável, mas não excluiu de todo o cenário: "Não creio que uma 'Grexit' seja uma solução razoável", declara. "Mas não podemos pôr de parte todas as hipóteses. Nem sequer posso pôr de parte a hipótese de um cometa atingir a Terra". » [Expresso]
   
Parecer:

A estratégia negocial da Grécia pode conduzir ao seu colapso, depois de acenar com o nazismo é cinismo apelar ao apoio da Merkel a esta estratégia em que está sempre presente as consequência para a Europa de uma bancarrota na Grécia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 As contas do Eugénio Rosa
   
«O governo começou já a repor os salários da função pública que tinham sofrido cortes, avançando, neste ano, com a devolução de 20%. Em média, cada trabalhador passou a ganhar mais 17 euros por mês na sua remuneração-base, de acordo com os cálculos do economista Eugénio Rosa. Mas há 249 mil funcionários públicos que ganham menos de 1500 euros, e que por isso tinham escapado aos cortes, que não vão ter qualquer aumento até pelo menos 2018. Ou seja, ao longo dos próximos dois anos, mais de um terço (37,9%) dos trabalhadores do Estado e das autarquias irão manter o salário que tinham em 2010.» [DN]
   
Parecer:

Eugénio Rosa dscobriu que os funcionários públicos a quem foi imposto um corte de vencimentos desde 2010 e que se pode prolongar até 2019 são uns sortudos, ao contrário do que sucede com aqueles que não tiveram cortes. A explicação é simples, os que não tiveram cortes só poderão ter aumentos em 202o e estão em desvantagem em relação aos que sofreram os cortes pois estes vão ter aumentos correspondentes à reposição gradual dos cortes.  Enfim, se alguém mandasse este senhor economista à bardamerda não faria nada de grave!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 O aliviado

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«Presidente da República está "aliviado" com a privatização da TAP e considera mesmo que "a maioria do capital é português" e que por isso "temos todos de aplaudir".

"A informação que recebo é a do Governo, a que junto a proveniente da União Europeia, da Direcção Geral de Concorrência", afirmou Cavaco Silva, numa conversa informal com os jornalistas no avião, no domingo, a caminho da capital búlgara. 

"A conjugação das duas apontam para que a TAP tenha possibilidade de permanecer como companhia europeia autónoma, com o hub em Portugal, satisfazendo o serviço público, e com as suas especificidades próprias de ligação a África e ao Brasil", destacou.» [Expresso]

«O Presidente respondeu também às críticas da oposição sobre o seu discurso do 10 de junho, que o acusaram de ter sido muito "colado ao Governo".

"Não participo em jogadas político-partidárias, não cedo a pressões, venham da direita, da esquerda, do centro ou das costas", disse. "Só faço aquilo que corresponde ao superior interesse nacional e, depois de ter ganho quatro eleições por mais de 50%, o meu ego está no máximo, está mais do que satisfeito, não preciso de mais nada".» [Expresso]

Parecer:

Agora ficamos à espera de saber qual a informação que lhe chega do governo e que não chegou aos portugueses e qual a informação que lhe chega de Bruxelas e quais os canais através dos quais lhe chega uma informação ofical e tão rápida, já a Comissão terá de se pronunciar com base num processo que só agora lhe terá sido enviado.  Este Cavaco é mais rápido do que a própria sombra, ainda o contrato não foi assinado e não só já o conhece como já teve conhecimento do parecer de Bruxelas!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
 A que regras se refere Cavaco?
   
«"A situação na Grécia é uma preocupação para todos os países na União Europeia, atendendo à interdependência e interligação entre os sistemas financeiros e entre as economias", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, na conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo búlgaro, realizada esta manhã em Sófia, na Bulgária, no primeiro dia de uma visita de Estado àquele país.

Admitindo que Portugal "gostaria fortemente que a Grécia continuasse a pertencer à zona do euro" e tem ainda esperança que as negociações permitam que os gregos continuem a utilizar o euro como a sua moeda, Cavaco Silva ressalvou que "há regras que não podem deixar de ser respeitadas".

"Num espaço tão integrado como é este da zona do euro, com uma moeda única, com um banco central único, com uma única política cambial há regras que não podem deixar de ser respeitadas, há procedimentos que todos têm de seguir e não podem ser abertas exceções para nenhum país", defendeu.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Cavaco perdeu mais uma oportunidade de ficar calado e de não se meter onde não é chamado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao senhor que evite comentários em matérias que não são da esfera das suas competências.»

 Outra vez a Barraqueiro
   
«Entretanto, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, confirmou que cinco candidatos apresentaram propostas para as subconcessões do Metropolitano de Lisboa e da Carris, dos quais três são conjuntos às duas empresas.

O Expresso avança o nome dos candidatos interessados em ficar com as subconcessões dos transportes públicos de Lisboa. RATP (França), National Express (Inglaterra), Avanza (Espanha), Barraqueiro-TCC (Portugal e Espanha) e Transdev (França), sendo que as primeiras três pretendem ficar com Carris e Metro, em conjunto.

Barraqueiro-TTC é o consórcio em que Humberto Pedrosa, um dos novos donos da TAP, está envolvido, e o único que pretendente adquirir a Carris. Já a Transdev é candidata a concorrer à gestão da subconcessão do Metro de Lisboa.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Se eu fosse maldoso diria que a Barraqueiro é a empresa do regime.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demonstre-se espanto.»

 Pinto Monteiro (também) não gosta da ministra da Justiça
   
«Fernando Pinto Monteiro não tem dúvidas. Para o antigo procurador-geral da República, a ministra da Justiça tem aplaudido o próprio trabalho cedo demais, arriscando-se a sofrer desgostos políticos mais tarde.

“Classificar uma reforma de excecional, como vi a senhora ministra fazer antes de estar em vigor, é um disparate”, afirma o jurista, em entrevista ao Diário Económico e Antena1.

“A extinção dos tribunais é um erro (…) outro erro foi a informática. Eu próprio disse ao Ministério da Justiça que o Citius não tinha capacidade de resposta”, acusa Pinto Monteiro, antes de concluir: “Ainda hoje há processos que não aparecem”.

Sobre as mudanças que as eleições podem trazer à Justiça, Pinto Monteiro afirma que se o PS assumir o poder, o futuro é previsível: “A única coisa que tenho a certeza que muda é a ministra”. Uma mudança que não seria desagradável para o antigo procurador.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Alguém gosta?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereçam-se alvíssaras a quem encontrar alguém que goste.»

   
   
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