segunda-feira, fevereiro 01, 2021

UM SILÊNCIO DE REVOLTA

A pouca vergonha a que estamos a assistir com os sucessivos casos de oportunismo na utilização indevida de vacinas. É mais um exemplo degradante da promiscuidade que por aí vai. Tudo começou com o autarca de Reguengos, o tal que quando se viu acusado por aquilo que se passou no lar da sua terra, desculpou-se porque era presidente da fundação proprietária do lar por inferência. Mas agora já lhe deu jeito e parece que as responsabilidades no lar eram tais que teve de se vacinar e a pouca vergonha é tanta que até se gabou disso no Facebook. Mas como era um camarada do partido o secretário de Estado deu cambalhotas verbais, justificando de forma miserável aquilo que é inaceitável e inexplicável. 

Tenho visto tanta patetice e incompetência que me remeto ao silêncio, um silêncio de vergonha, mas também de revolta. Aqueles que há poucos dias andara a teorizar sobre o crescimento do CHEGA e que adoram as novas barricadas virtuais, onde são anti-fascistas com excesso de coragem, deviam meditar sobre quantos votos já terá ganho a extrema-direita por conta do oportunismos dos bois e dos senhores da “economia social”. 

O que sentirão os que estando no primeiro grupo de prioridades nas vacinas não sabem quando vão ser vacinados? O que dirão os que pagam a saúde do seu bolso e por não terem médico de família é muito provável que fiquem de fora? Será que estão cheios de vontade de votar no PS nas próximas eleições? 

Parece que o governo e o PS ainda não perceberam as consequências políticas do espetáculo a que estamos a assistir. Assisto a tudo isto com frustração e tristeza porque quase meio século de democracia ainda não chega para que não nos comportemos como gente de uma república das bananas. 

É por isso que quase não me apetece intervier, porque depois de anos a fazê-lo fico com a sensação de que apenas ajudei boys oportunistas a subir na vida. Ás vezes sinto que enquanto lutamos por uma democracia plena, muito boa gente dos aparelhos partidários do PSD e do PS só por ali andam porque são os partidos que mais lhes rende e que em nada se diferenciam dos militantes do CHEGA.