quarta-feira, julho 26, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Ricardo Costa, diretor de informação do Expresso

Com o falso argumento de promover um memorial às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, o argumento da empresária que ganhou fama à custa das vítimas e que já terá contabilizado quase cem, o Expresso tem promovido uma campanha de informação suja, que passa de forma subliminar que o governo anda a esconder mortos como se fosse o responsável pela sua morte.

O Expresso começou com uma mentira, insinuando que uma vítima teria sido esquecida e agora, aproveitando a onde de oportunismo do PSD, lança uma campanha de divulgação de nomes. Tanto quento se sabe não perguntou aos familiares das vítimas se autorizavam a divulgação dos nomes, o Expresso fá-lo porque acha que ninguém tem direito à privacidade. Aliás, foi isso o que se viu durante o incêndio, com jornalistas a ultrapassarem todos os limites da indecência.

O Expresso não quer ficar atrás de ninguém e Ricardo Costa, o seu diretor de informação, parece querer liderar uma campanha suja, que só muitos dias depois de ser iniciada se esclarece que não é competência do governo fazer listas de falecidos e muito menos publicá-las para prazer de jornalistas, diretores de informação sem escrúpulos e políticos desesperados.

«As vítimas mortais dos incêndios têm nome e uma história. Nas últimas semanas, o Expresso falou com familiares, amigos, autoridades locais e nacionais até conseguir conhecer todos os casos de uma lista que o Estado mantém guardada por segredo de justiça. Esse secretismo tem originado a publicação de listas parcelares, outras com erros, bem como inúmeras especulações sobre o verdadeiro número de mortos. O Expresso confirmou ser esta a lista oficial e decidiu publicá-la em homenagem às vítimas e às suas famílias. Mas também para contribuir para a clarificação de uma tragédia cujas causas continuam por esclarecer e responsabilidades por apurar» [Expresso]

 A privatização social dos melhores liceus.

A busca da melhor escola para que os jovens consigam uma boa posição na pole position para a entrada nas universidades levou a que nas grandes cidades se tenha instalado um imenso esquema em torno da entrada nas melhores escolas secundária do ensino público. A paranóia é tanta que já se registam situações de violência entre os país, um pouco à semelhança do que sucede nos jogos de futebol entre equipas das camadas jovens.

Esquemas entre escolas privadas e escolas públicas, falas moradas e outros golpes servem para que alguns pais consigam colocar os seus filhos em escolas públicas onde nunca seria possível. Aos professores dessas escolas também interessa que sejam frequentadas por jovens de "boas famílias" e com ambições, são mais dedicados ao estudo, contribuem para o sucesso das escolas nos rankings e dão menos problemas.

Uma das consequências deste imenso esquema está no fato de muitos jovens que residem na zona da escola serem corridos para escolas com pior posição nos rankings, para que os seus lugares sejam ocupados por quem beneficia do esquema. É uma forma oportunista de "privatização social" dos bons liceus de Lisboa. Todos sabem disto, nenhum ministro desconhece a realidade, mas a bem da nação todos ignoram o problema.

 Culpados



Imagine que é advogado da companhia de seguros da apólice relativa a um seguro de vida das pessoas que morreram na viatura da imagem. A quem iria atribuir as culpas das mortes?

Como nesse processo não seriam os jornalistas do Expresso ou da TVI24 a julgar os advogados da companhia de seguros não pensariam duas vezes, as mortes só ocorreram porque a estrada foi transformada num forno alimentado pro eucaliptos que foram plantados até ao limite do alcatrão e cujas copas de tocavam. Os culpados foram em primeiro lugar os donos dos terrenos que com o objetivo de ganharem dinheiro fácil desrespeitaram as leis e todas as normas de segurança.

Em segunda linha podem ser atribuídas culpas às entidades fiscalizadoras que fecham os olhos a estes abusos. Não foram os proprietários das terras ou as entidades fiscalizadoras que atearam os incêndios ou que podem ser responsabilizar-se pelas consequências de uma situação climatérica rara. Mas são responsáveis por estarem ali os eucaliptos que ao arderem fizeram vítimas.

Agora que tanto se fala em regras para a florestação porque ninguém questiona a razão pela qual as anteriores regras nunca foram respeitadas e agora estão a ser ignoradas. Se existem leis é para considerar determinados comportamentos como ilegais e responsabilizar quem os tens. Na estrada nacional 236 é mais do que óbvio que os donos dos terrenos quiseram aumentar os lucros, mesmo sabendo que isso punha em causa a vida de terceiros. Estamos perante casos evidentes de homicídios por negligência.

 O silêncio da Procuradora-Geral

Até parece que a Procuradora-Geral está divertida a ver o governo a ser atacado pela direita como se fosse sua a competência para investigar as mortes de Pedrógão Grande e a famosa lista fosse elaborada no gabinete do primeiro-ministro. Numas situações o MP é rápido a defender a sua honra e a fazer a defesa dos seus poderes, agora parece que faz render a situação não vindo a público prestar esclarecimentos e assumir a responsabilidade por todas as consequências das suas competências. Dir-se-ia que a Procuradora está a gostar de ver o governo a ser atacado pelo exercício de competências que não lhe pertencem. Até parece cinismo.

 Paulo Macedo volta a atacar

Paulo Macedo introduziu no fisco uma lógica de total ausência de sensibilidade social, um tostão era um tostão e por um tostão podia penhorar-se e vender.-se uma casa de habitação. Este opus gestor revela uma frieza assustadora e parece que está  a aplicar a sua filosofia na CGD. Mas desta vez a direita já não o elogia, ignora-o e acusa o governo da insensibilidade do presidente da CGD.

      
 Queda ou aterragem forçada
   
«A 16 de julho, houve um incidente na barragem de Vila Chã com um dos helicópteros que combatia o incêndio de grande dimensões que deflagrara durante a madrugada em Alijó. De acordo com explicações do Ministério da Administração Interna, que na altura corrigiu as informações veiculadas sobre uma alegada queda, tinha sido apenas uma “aterragem de emergência”. Mais tarde, a Proteção Civil falou num “toque no chão de forma controlada”. Agora, o primeiro relatório sobre o caso do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAAF) desmente o Governo e, de acordo com a TSF, fala claramente num aparelho destruído, comprovando a tese com imagens.

Recapitulemos então o filme dos acontecimentos. Nesse dia, vários órgãos avançaram com a notícia que um helicóptero tinha caído na barragem de Vila Chã durante um reabastecimento, ao mesmo tempo que explicavam que o piloto encontrava-se bem. Na altura, combatiam o fogo de grandes dimensões no concelho de Alijó 150 operacionais, apoiados por 41 veículos, dois helicópteros e dois aviões ligeiros. O comandante distrital de operações de socorro de Vila Real confirmou a queda do helicóptero quando este estava a efetuar os testes de balde.» [Observador]
   
Parecer:

Para os jornalistas do Observador um helicóptero cai se ficar destruído, para que seja uma aterragem deve ficar sem danos. Ainda vão descobrir que era a ministra da Administração Interna que estava ao comando do aparelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Novo Banco faz chantagem
   
«O Novo Banco vai lançar uma oferta de aquisição sobre 36 emissões de dívida sénior com o objetivo de reforçar os capitais em 500 milhões de euros. Esta operação será feita a preços de mercado e em dinheiro, em vez da troca de dívida que estava prevista nos termos do acordo para a venda da instituição à Lone Star. A oferta em cima da mesa representa perdas em juros e capital, mas a instituição avisa que se a operação não tiver sucesso, o resultado para os investidores pode ser pior.

Em comunicado, a instituição diz que a “oferta prevê a compra de todas as obrigações referentes a 36 emissões do NOVO BANCO. É uma oferta com contrapartida em cash, proporcionará aos seus detentores um preço alinhado com o mercado e é acompanhada por uma operação de solicitação de consentimento de reembolso antecipado (consent solicitation)”.» [Observador]
   
Parecer:

Vale tudo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»

 Uma máquina de smiles
   
«A direção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) pediu à ANA, empresa que gere os aeroportos nacionais, que retire a máquina de "smiles" que tinha sido colocada junto aos postos de controlo de passaportes, para os passageiros avaliarem o trabalho dos inspetores deste serviço de segurança. "O SEF entende, como serviço de segurança interna, que a utilização de um sistema de Smiles para classificar o controlo dos passaportes constitui uma forma de escrutínio simplista, sem resultados objetivos em relação ao resultado pretendido", sublinha.

Conforme o DN já tinha noticiado, este equipamento, colocado há cerca de dois meses na zona das chegadas, mereceu também repúdio por parte do Sindicato da Carreira de Inspeção e Fiscalização, que representa os inspetores. O presidente considerou "ridícula" a iniciativa da ANA-Aeroportos de Portugal e anunciou uma queixa em tribunal.» [DN]
   
Parecer:

Ao ponto a que isto chega, uma empresa privada a pedir aos passageiros para avaliarem uma autoridade nacional.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se aos patetas se depois iam dar prémios ou penalizar os agentes do SEF em função dos smiles.»
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