terça-feira, agosto 19, 2014

Ainda bem

Ainda bem que temos uma CMVM, graças a ele o cidadão comum pode sentir-se confiante e em vez de recorrer a depósitos a prazos pode optar por financiar as empresas investindo no mercado bolsista, está certo de que ao fazer não corre o risco de ser roubado como se tivesse ido passear para um morro do Rio de Janeiro.

Ainda bem que existe um Banco de Portugal, graças a ele a economia beneficia da segurança e estabilidade do sistema financeiro, os banco minimizam os juros que cobram em consequência da concorrência sã e leal promovida pelo regulador, os depositantes ficam tranquilos ao depositar as suas poupanças, os investidores estrangeiros confiam nos intermediários financeiros locais e apostam na no futuro da nossa economia.
 
Ainda bem que temos uma justiça eficaz, graças a ela temos a certeza de que os que roubam milhões são presos primeiros do que os que roubam um papo-seco no hipermercado, a justiça é célere e é feita nas salas de audiências, os investidores confiam que podem recorrer à justiça se forem roubados por gatunos da banca.
 
Ainda bem que temos uma comunicação social honesta e independente, os jornalistas não se deixam comprar por banqueiros empresários pouco escrupulosos, os seus donos não usam a manipulação da informação em favor dos seus negócios e magistrados e políticos sem escrúpulos não a podem usar para destruir adversários.
 
Ainda bem que temos um Tribunal Constitucional, graças a ele o cidadão pode optar por ser funcionário público sem correr o risco de um dia lhe dizerem que por ter feito tal opção será chulado até à medula em nome da crise financeira.
 
Ainda bem que temos um Presidente da República, graças a ele sabemos que não há abusos de poder, que os corruptos e banqueiros duvidosos não são declarados inocentes, que as candidaturas presidenciais não se preparam em jantares feitos em casa de banqueiros, graças ao presidente temos alguém que cumpre e faz cumprir a constituição, que está acima de interesses ou dos partidos.
  
Ainda bem que vivemos numa democracia moderna, graças a ela são escolhidos para o governo os mais honestos e capazes, os presidentes nunca fizeram negócios menos claros, o maior partido da oposição oferece uma alternativa credível e os cidadãos não são atirados uns contra os outros e não há grupos sociais ou profissionais tratados como cidadãos de segunda porque ganham salários pagos pelo Estado ou porque beneficiam de apoios do Estado. 
  

Ainda bem que vivemos num país justo, democrático, onde os cidadãos são respeitados, governado por um governo competente e honesto, presidido por um presidente que não se esqueceu do que jurou quando tomou posse.
   
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