sexta-feira, agosto 22, 2014

Seguro, a melhor das invenções de Passos Coelho

Sem os instrumentos de repressão do regime chileno Gaspar tem-se revelado um mestre na arte de atirar uns contra os outros e se o sucesso económico é cada vez uma miragem e a derrota eleitoral parece escrita nas estrelas, também é verdade que à sua volta tudo está dividido, estilhaçado. Passos poderá vir a ser um desastre económico mas poderá gabar-se de que fez de Cavaco um servo obediente, que fez os jornalistas rastejar à sua volta e que dividiu tudo e todos.
  
A estratégia de Passos Coelho é sempre a mesma, dividir, atirar uns contra os outros dizendo aos primeiros que a culpa é dos segundos. Nada nem ninguém escapa a esta estratégia e a última vítima tem sido o Tribunal Constitucional que aos pouco ainda vai concluir que se for temporário o esclavagismo dos funcionários públicos poderá ser constitucionalmente aceitável. Até há uma juíza promovida a heroína porque é a única a defender que tudo é constitucional.
  
Hás um BES bom e um BES mau, há investidores que são bem-vindos e outros que investem em sectores condenáveis, há universidades boas porque são privadas e outras más por serem públicas, há grupos privados da saúde que vendem saúde no meio da bancarrota e um SNS que deve vender bancarrota no meio da saúde. Tal como na Alemanha dos avós de Merkel somos cada vez mais os que exibimos uma tatuagem. Há tatuagens para todos os que estão a mais, pensionistas, funcionários, professores universitários, médicos, jovens quadros.
  
Nem os partidos conseguem escapar à estratégia do aparelho de apoio a Passos Coelho, a primeira vítima foi o próprio Paulo Portas, no momento da demissão irrevogável teve vários membros do governo pertencentes ao CDS que não o acompanharam na demissão. Nem no BE se entendem sobre a melhor forma de fazer oposição a Passos. Mas a melhor das invenções de Passos é o seu velho amigo Seguro, um líder do maior partido da oposição que só serve para dividir o PS e desorientar os que se querem ver livres deste governo.
  
Passos tem feito o que quer de Seguro, umas vezes goza com ele, outras cilindra-o nos debates parlamentares, mas quando percebe que o amigo está em apuros vai em seu socorro, o pior que lhe poderia suceder era ver o PS a escolher outro líder. Veja-se o que tem sucedido nos últimos tempos, Passos colocou toda a sua máquina ao serviço de Seguro e este até vai reunir com o ministro da Administração Interna com uma comitiva de jornalistas digna de um primeiro-ministro. Exige que o comissário seja da área do PS mas troca as pretensões apor uma encenação de reunião em São Bento de que sai dizendo que tinham discutido os dossiers que interessariam a Portugal como se Alemanha tivesse delegado o seu poder no nosso país. Até vai a uma reunião com o governador do BdP de que sai tranquilizando os portugueses a propósito do BES.
  
É graças a Seguro que Passos Coelho consegue o impensável, dividir o PS, jogar com as pequenas ambições dos deserdados de Sócrates que apoiam a actual liderança na esperança de chegarem à manjedoura com um governo de coligação com a direita e não seria de admirar que um dia venhamos a descobrir que uma boa parte dos simpatizantes do PS que preferem Seguro foram arregimentados pela máquina de Passos Coelho.

Depois de arrasar com a sociedade portuguesa, de reduzir a presidência a um toldo na Praia dos Tomates, de transformar o TC numa secção do ministério da Justiça e de fazer do governador do BdP um assessor da Luísa só falta a Seguro transformar o PS na ala segurista do PSD.
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