terça-feira, agosto 30, 2016

A reunião dos bispos

O normal quando um contribuinte discorda de uma decisão do fisco é recorrer a quem percebe da matéria e eventualmente recorrer do que considera ser uma decisão que viola a lei. É assim com os contribuintes, é assim com as empresas e deveria ser assim com as igrejas. Mas há uma Igreja que enquanto agente económico tem um estatuto especial e que beneficia de uma concordata que condiciona as leis do país.

Enquanto agente económico a Igreja Católica abandona o estatuto de igreja e apela à sua condição de católica, apostólica, romana, invocando os privilégios decorrentes do estado com sede na Cidade do Vaticano. Enquanto igreja fez uma primeira tentativa de influenciar a opinião pública, invadindo as televisões numa actuação conjugada que visava assustar o governo, a ideia era tentar travar o fisco.
  
Parece que a opinião pública não reagiu da forma mais favorável, o que era de esperar, depois da austeridade brutal a que o país foi sujeito nem os mais devotos sacristães iriam defender que a Igreja Católica devia ficar isenta dos impostos que por lei devem ser aplicados ao património , não se distinguindo uma igreja de um apartamento arrendado ou que serve de residência a eclesiásticos.

Face a esta reacção pouco simpática por parte do povo o clero opta por uma nova estratégia, evita a praça pública e reúne em segredo. Os argumentos que foram usados nas televisões dão lugar a posições privadas, falhada a estratégia religiosa os nossos bispos passam a actuar como uma empresa. A esta hora estarão a estudar o código do IMI, o texto da concordata e, muito provavelmente, a ler os pareceres que lhe terão sido enviados por devotos fiscalista.

Foi uma decisão lúcida dos nossos bispos, tardou mas perceberam que em matéria fiscal não são as homilias que contam, é a lei, sendo mais lógicos que raciocinem como empresários, porque também o são, do como párocos de aldeia. De um ponto de vista económico a Igreja Católica é uma empresa multinacional que é propriedade do Vaticano, uma espécie de EDP do Vaticano que em vez de alimentar os aparelhos eléctricos obtém lucros alimentando almas mais carentes de um lugar no Céu.

Resta agora esperar que os nossos bispos se deixem de manipulações e se comportem dignamente como representantes locais dos negócios do Vaticano e percebam que a lei fiscal é analisada nos tribunais e não nas sacristias.
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