quarta-feira, agosto 24, 2016

Roupas ridículas

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(foto de Sulinformação)

Anda por aí um grande debate em torno dessa peça de vestuário designada por burkini, que mais parece um saco de batatas mal albardado do que com qualquer peça de vestuário cujo nome possa terminar em "kini". Desde o 11 de Setembro que os meios muçulmanos se tornaram mais conservadores de muitas mulheres que passado vestiam normalmente regressaram aos velhos trajes medievais, não estamos apenas perante uma questão de extremismo islâmico, é todo o mundo muçulmano que está muito mais conservador.

Como estamos quase no dia se São João da Degola, dia em que os “montanheiros” da serra algarvia costumavam ir banhar-se na praia quase vestidos, não é difícil de imaginar que se nos desse para sermos conservadores católicos, as nossas jovens, que agora usam uns bikinis que a meio das nádegas se transformam abruptamente em fios dentais, passariam a ir tomar com camisas e saias cheios de folhos, enquanto a rapaziada tentaria levá-las às bóias convenientemente trajados de ceroulas de gola alta.

Não é difícil imaginar que os padres missionários de Vila Nova de Cacela que tentam transformar esta manifestação pagã numa ordeira celebração católica, uma mania destes missionários de destruírem todas as culturas em nome da sua evangelização, estariam agora gratos ao Senhor porque as ovelhas do seu rebanho tinham deixado de andar tresmalhadas. Isto de ser temente a Deus implica regras rigorosas e é sabido que o Dito desta ver rabos e tatuagens nas nádegas e demais zonas limítrofes.

As igrejas são conservadoras e as que praticam o proselitismo têm a mania de considerar e tratar os não crentes como “infiéis”, sempre que me cruzo com o padre que reza missa numa capela perto da minha casa que me sinto um condenado, olha para mim como se me visse à beira do cadafalso, lembro-me da minha condição de infiel, um pecador sem direito a entrar no reino dos céus e muito menos a extrema unção.

Na minha infância as traineiras do Algarve iam pescar na costa Marroquina durante a época do defeso, período em que não era permitida a pesca de cerco na nossa costa. Cidades como Tanger, Agadir ou Tetuão fazem parte da minha memória de infância. Como também fazem os postais de Marrocos com odaliscas, postais que no anos 60 quase pareciam fotografias pornográficas num país onde as mulheres andavam tapadas da cabeça aos pés com várias camadas de roupa. Como pareciam cebolas é caso para dizer que nesse tempo usava-se por estas bandas o cebolakini.

Dou com alguém a opinar no Observador que o “burquini é um símbolo da opressão das mulheres e é socialmente identificado com o extremismo islâmico com quem estamos em guerra. Não tem comparação com as roupas das freiras ou das judias ortodoxas.” [Observador]. Não vou questionar tão douta opinião, apenas expresso aqui a minha modéstia opinião, em pleno século XXI tanto o burkini, como as vestes das pobres freiras, como a indumentária usada por padres e bispos nas celebrações religiosas ou as roupas dos judeus ou cristãos ortodoxos são ridículas.

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