terça-feira, outubro 20, 2015

Quem se vai salvar?

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Passos não desiste da sua agenda radical e socorre-se de todos os truques para condicionar António Costa e o próprio Cavaco Silva e no mesmo dia em que foi a Belém dizer que não fez qualquer tentativa de encontrar uma solução governamental estável ocupou duas televisões com a sua propaganda, Maria Luís tratou da SIC, Paulo Portas encarregou-se da TVI. Em paralelo, o governo desdobra-se em contactos, depois de não ter convencido a CIP a vir em seu socorro e com a UGT a não concordar com as declarações do seu líder, Paulo Portas lá convenceu a associação do turismo a fazer-lhe o frete de aparecer a pedir um governo do arco da velha.

A estratégia é denegrir António Costa, insinuar que luta pela sua sobrevivência e tentar convencer os portugueses de que numa democracia parlamentar governa o maior partido mesmo que em minoria, enquanto a maioria apoia incondicionalmente a suposta vontade da maioria dos portugueses de ver uma minoria a governar. Entretanto usa-se a artilharia pesada da comunicação social, com quase todas as televisões e jornais a tentarem impor Passos Coelho ao país, nem sequer se dispensando os sondageiros que parecem querer substituir-se aos eleitores.

O argumento da sobrevivência política de António Costa até parece ser um bom argumento, até porque se é de afogados que falamos é evidente que o líder do PS o único que ainda não foi obrigado a beber uns pirolitos. 
  
O que farão os militantes do CDS a Paulo portas se este não ficar no governo e tiver de explicar ao seu partido uma descida dos 13% para os 3% nas regiões autónomas, os únicos círculos eleitorais onde concorreu sem a protecção das listas da coligação? Como vai Passos Coelho dizer aos seus militantes que não ficou no governo porque a sua grande vitória foi, afinal, o segundo pior resultado da direita na história da democracia e, ainda por cima, teve de eleger uma boa parte dos deputados do CDS com votos que seriam do PSD? Como vai explicar aos portugueses que sendo um grande defensor do consenso e até prescinde do seu peso de 3% e dispõe-se a dar o lugar a quem só representa mais de 30% dos eleitores? Se dantes o CDS era o partido do táxi agora é o partido do mini-autocarro emprestado pelo PSD.
  
No dia em que Passos Coelho perder o estatuto de primeiro-ministro muitos dos que agora dizem que venceu vão apontar-lhe o segundo pior resultado da direita, agravado pelo facto de quase todos os deputados do CDS terem sido eleitos com os votos de eleitores do PSD. Como vai Passos Coelho enfrentar os desempregados que deviam ter sido deputados ou os muitos boys condenados a procurarem conforto fora dos gabinetes governamentais, talvez mesmo emigrando como se fosse portugueses vulgares e sem licenciaturas em Castelo de Vide? No dia seguinte a perder o poder Passos será pendurado numa figueira, acusado de ter traído o seu eleitorado com excessos radicais e de ter tramado a função pública, desde sempre a base da militância do PSD.

O que une Paulo Portas e Passos Coelho vai dividi-los, se não ficarem no poder Paulo Portas vai querer sobreviver no CDS dizendo que sabendo que ia sofrer uma pesada derrota se concorresse isoladamente e por isso fez chantagem sobre Portas. Passos vai tentar justificar-seque as coisas correram mal e que a única hipótese de tentar manter-se no poder era dar o traseiro e uma mão cheia de figos ao Portas. Dentro de quinze dias saberemos quem se afogou nestas eleições em que todos perderam ganhando.
  


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