Esta semana o país ficou a saber porque razão Ferreira Leite recusou qualquer compromisso governamental com o PS e a esquerda conservadora fez o mesmo, como alternativa a direita e a esquerda conservadora do BE e PCP preferiam aliar-se e tentar governar ou desgovernar com uma aliança espontânea de incidência parlamentar. É óbvio que não houve qualquer acordo secreto, nem era preciso, os objectivos da direita e da esquerda conservadora são os mesmos destruir o PS e distribuir os seus eleitores, os do centro para o PSD e os da esquerda para o BE e PCP. Esta estratégia não é nova, o BE sempre a assumiu, o próprio Manuel Alegre a patrocinou e agora está a funcionar às mil maravilhas no parlamento.
Se o PCP e o BE estão disponíveis para apoiar os piores empresários suspendendo o Código Contributivo e até colaboram com Ferreira Leite para dar mais uns milhões dos portugueses aos proxenetas tropicais não há nada que os possa dividir. Há condições para avançar para o "compromisso" proposto por Alberto João e se na próximo ano virmos o Francisco Louçã a beber umas ponchas na festa do Chão da Lagoa em amena conversa com o Alberto João e o Jerónimo de Sousa ninguém ficará admirado.
Mas nesta semana também consegui estar de acordo com Jerónimo de Sousa, coisa rara nos últimos tempos, partilho com ele a exigência que o caso Face Oculta seja investigado até às últimas consequências. Não é a primeira vez que Jerónimo de Sousa faz esta exigência, mas da primeira vez os portugueses pouco sabiam do lado oculto deste processo e fiquei com a impressão de que o líder do PCP sabia mais sobre o caso do que o Procurador-Geral da República. Mas agora estou de acordo, e por todas as consequências entendo todas as faces ocultas do processo, designadamente, saber se entre os magistrados ou oficiais de justiça envolvidos ou que tiveram acesso às peças do processo existem militantes partidários cuja ideologia determina que o serviço ao partido se sobrepões às exigências do estatuto de funcionários ou dos magistrados. Começo a recear que as alianças entre o PCP e a direita não ficam pelo parlamento, gostaria de saber se não serão os militantes do PCP a fazer o trabalho sujo para ajudar a direita a chegar ao poder e Cavaco renovar tranquilamente o seu mandato presidencial.
E enquanto a nossa classe política se entretém a dar golpes na esperança de a legislatura não durar muito o país vai afundando-se na perda de credibilidade, para o que muito contribuiu um ministro que andou tão distraído que em pouco mais de dois meses foi surpreendido pela subida do défice em quatro pontos. A desculpa é ridícula, nada justifica este falso erro de previsão e muito menos a queda da receita fiscal, para que a cobrança de impostos tivesse caído tão abruptamente teria sido necessário que o fisco tivesse fechado as portas. Se Sócrates conseguir sobreviver a mais uma vaga de golpes deve equacionar a possibilidade de nomear um ministro que restabeleça a confiança num ministério em que já ninguém pode confiar.
Os primeiros sinais de primavera no Jardim Gulbenkian
IMAGENS DOS VISITANTES
Contemplação (imagem de A. Cabral)
IMAGEM DO DIA
[AFP/Getty Images]
«A 2-year-old boy, whose father said he cannot afford child care, was reported chained to a lamp post outside a shopping mall in Beijing. Chuanliu Chen has stopped using restraints on his son.» [the Washington Post]
JUMENTO DO DIA
Cavaco Silva, candidato à Presidência da República
Um jornal colabora na violação do segredo de justiça divulgando escutas que supostamente deveriam ter sido destruídas, faz da opinião de um juiz que não foi aceite pelo Procurador-Geral e pelo Supremo Tribunal de Justiça a verdade absoluta, o jornal que até pertence a um alto dirigente do PSD usa e abusa das suas ligações a gente sem princípios no meio judicial. E com que se preocupa o Presidente? Não foi com a violação grotesca da separação de poderes, não se preocupou com a violação sistemática do segredo de justiça, não se incomodou nem um pouco com a tentativa de fragilização do poder executivo protagonizada por gente sem princípios do meio judicial, preocupou-se com a liberdade de imprensa, a mesma liberdade de imprensa que o seu assessor usou numa conspiração contra o mesmo primeiro-ministro.
Bem, talvez Cavaco esteja a perder a coordenação do seu raciocínio e pensou que o jornalista lhe estava a pedir um comentário aos murros dados por Queiroz ao Jornalista Jorge Baptista...
Agora que Cavaco tem a vitória nas presidenciais graças à candidatura da extrema-esquerda protagonizada por Manuel Alegre está a deixar crescer as unhas. Veremos até onde vai Cavaco Silva.
«O Presidente da República, Cavaco Silva, sublinhou hoje que Portugal é um “Estado de Direito” e que todos devem respeitar o princípio constitucional da “liberdade de expressão e o pluralismo da comunicação social”.
"Nos últimos dois dias tenho estado totalmente absorvido neste roteiro das comunidades locais inovadoras na Beira Baixa e tem-me restado muito pouco tempo, até para descansar", afirmou o chefe de Estado, questionado se concorda com a pretensão do PSD de ouvir na Comissão de Ética do Parlamento várias entidades sobre o exercício da liberdade de expressão em Portugal.» [Diário de Notícias]
POR UMA LIGAÇÃO POSITIVA
«A tensão política da última semana teve o final previsível e habitual em Portugal: o das meias-tintas. A velha e portuguesíssima síndroma do "agarra-me, agarra-me, senão bato-lhe" voltou a reinar.
O Governo, que indiciou a hipótese de avançar com a bomba atómica da resignação, recuou, encontrando meia dúzia de dribles jurídico constitucionais para seguir em frente. A oposição canta vitória após mais uma coligação negativa, em que o aparente paradoxo de unir o Bloco de Esquerda ao CDS é proporcional à falta de sentido de responsabilidade de todos.
O Presidente da República suspirou de alívio e continua-rá a peregrinar pelo consenso parlamentar.» [Diário de Notícias]
Parecer:
Por Luís Filipe Menezes.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»
UMA QUESTÃO DE CIDADANIA QUE NÃO SE ENCONTRA RESOLVIDA
«O Vasco era um advogado cordato, já com 20 anos de experiência, casado e com dois filhos menores que, de um dia para o outro, se viu envolvido num filme judicial em que desempenhava o papel de arguido.
Tudo por causa de umas alegações de recurso que apresentou num processo-crime, por entender que tinham sido impostas ao cliente que representava, medidas de garantia patrimonial indevidas e celeremente fixadas.
Afirmou o Vasco, a dado passo das suas alegações: "(...) É certo que este processo tem revelado uma celeridade e proficuidade de medidas, nomeadamente apreensões, buscas e demais actos processuais, que não são habituais. Mas, da mesma forma, nem em todos os processos o ofendido é o filho do magistrado do Ministério Público que coordena e dirige o círculo judicial por onde corre o processo".
A partir daí, iniciou-se uma saga judicial que só terminou recentemente: Vasco viu-se acusado, julgado e condenado pelo crime de difamação agravada, na pena de 115 dias de multa à razão de ? 35 por dia e a indemnizar o magistrado do Ministério Público que coordenava e dirigia o círculo judicial por onde corria o processo onde Vasco apresentara as suas alegações, no montante de ? 2000.
Vasco bem explicou que não afirmara que o ilustre magistrado em causa, tivesse, ele próprio, feito alguma coisa no processo ou ordenado que andasse mais depressa por o filho ser interessado. Vasco limitara-se a constatar dois factos que relatava em paralelo: não ser habitual um processo andar tão depressa e dar-se o caso de, neste, o ofendido ser filho do responsável pelas investigações criminais no círculo onde corria o processo.
Em tribunal, explicou: "... portanto, juntar um processo em que anda mais depressa do que é a prática dos outros e com esta situação, quer dizer, não sou eu que a crio, não é ? Agora, das duas uma: eu, como advogado, ou estou quieto, calado e cego, ou posso dizer alguma coisa. Portanto, se me dizem que eu tenho de estar quieto, calado e cego e não posso fazer qualquer comentário, a bem de uma qualquer correcção, ora então, enfim, quer dizer, muito dificilmente poderei ser advogado. (...) Porque eu, quando estou na profissão de advogado, estou a defender alguém. E esse alguém tem de ter uma voz activa no processo. E se esse alguém entende que está a ver que o processo dele andou mais depressa por determinada razão, então esse alguém deve ter o direito de o dizer".
Mas o tribunal de 1.ª instância, numa objectiva defesa corporativa, não hesitou em condenar o Vasco, que nem sequer testemunhas apresentou, certo como estava que o tribunal faria justiça e o absolveria. Para o tribunal, as afirmações do Vasco, nas suas alegações, punham "em causa a dignidade das funções do ofendido ou até, pode mesmo dizer-se, da autoridade e do normal funcionamento da vida do Estado". Estava ele convencido que estava a advogar e, afinal, estava ali a praticar um crime de lesa-pátria...
O processo subiu em recurso ao Tribunal da Relação do Porto. Vasco defendia a sua absolvição, mas o magistrado ofendido também recorreu: não lhe chegavam os ? 2000, queria ? 20.000. Tempos novos...
Mas não lhos deram e o Tribunal da Relação do Porto revogou a decisão da 1.ª instância, absolvendo o Vasco. Entendeu este tribunal de recurso que a sentença dava como provados factos que não resultavam da prova que havia sido gravada e que constava do processo. Na verdade, a sentença, entre outras coisas, dava como provado que Vasco sabia que as expressões que utilizara não correspondiam à verdade e que o processo tramitara "na forma e no período de tempo habituais" e, também que, com aquelas expressões, o Vasco criara a suspeição que, por "influência directa" do magistrado em causa, dado o filho ser o ofendido, o processo andara mais depressa.
Mas, para a Relação do Porto, da audição dos depoimentos do arguido, do ofendido e das testemunhas não resultava isso. Sobretudo não resultava que o Vasco soubesse que o processo em causa tinha tido o mesmo ritmo dos outros, não se podendo, assim, dizer que ele sabia que as expressões por si usadas não correspondiam à verdade.
E, por outro lado, para o Tribunal da Relação do Porto, da leitura do texto em causa não resultava, "para um qualquer leitor", que o Vasco tinha querido dizer que o inquérito andou depressa por o magistrado em causa assim o ter feito andar. A 1.ª instância tinha decidido com base nos seus preconceitos e não na realidade...
Face aos factos que resultaram não provados ou viram alterada a sua formulação, o Tribunal da Relação entendeu, assim, ser a "matéria assente manifestamente insuficiente para fundamentar qualquer condenação criminal", absolvendo o dr. Vasco, não apreciando sequer a questão da dimensão da liberdade de expressão de um advogado numa sociedade democrática e num processo-crime, que, evidentemente, tem de ser especialmente protegida, não podendo estar à mercê dos humores ou dos preconceitos dos magistrados envolvidos.
O Acórdão da Relação do Porto tem a data de 16 de Dezembro de 2009, foi relatora do mesmo a juíza desembargadora Olga Maurício e (ainda) não se encontra publicado na base de dados www.dgsi.pt, apesar de já terem sido publicados acórdãos muito posteriores e, talvez, com menor interesse jurisprudencial.
Esta questão do livre acesso dos cidadãos à totalidade ou a parte substancial do que os nossos tribunais superiores decidem é uma questão de cidadania, incontornável e que não se encontra resolvida.» [Público]
Parecer:
Por Teixeira da Mota.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»
A MELGA DA GRÉCIA
«Como se não nos bastasse a mosca do Mediterrâneo, que nos tem dado cabo da fruta, temos agora a melga da Grécia a querer colar-se a nós. Para continuar a mamar da União Europeia ou, pelo menos, ter companhia quando a mama acabar. A primeira frase do artigo de Sérgio Aníbal e Inês Sequeira no PÚBLICO de anteontem dizia tudo: "Portugal não quer ser confundido com a Grécia, mas a Grécia faz questão de lembrar que os seus problemas são os mesmos de Portugal". Parece que foi ainda ontem que Portugal era a melga que queria colar-se ao tigre da Irlanda. Grécia e Portugal sempre disputaram a taça do país mais pobre da Europa e havia uma nobreza clássica na indiferença perante ganhar ou perder. Hoje, em termos orçamentais, acompanham-nos a Espanha e a Itália.
Pergunto se poderíamos estar em melhor companhia. Não poderíamos. Era eu adolescente em Londres e já os portugueses, gregos, italianos e espanhóis formavam uma mesma pandilha. É uma cumplicidade natural, feita de azeitonas e atitudes. Somos todos irresponsáveis com o dinheiro; mais amigos dos nossos amigos do que inimigos da corrupção. Somos irmãos.
Se os chatos dos europeus nos chatearem muito, podemos sempre ameaçá-los com a proibição de virem cá passar férias. Em vez de nos separarmos, deveríamos constituir um bloco. Dos países a quem sai caro o sol que os países ricos vêm cá comprar barato. Eles precisam de nós e nós deles. Não nos zanguemos por causa disso. Dito, em bom grego, if you know what I mean.» [Público]
Parecer:
Por Miguel Esteves Cardoso.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»Afixe-se.
O SOPAPO ESTÁ NA MODA NO FUTEBOL PORTUGUÊS
«O selecionador nacional Carlos Queiroz envolveu-se em agressões com o comentador de televisão Jorge Baptista, este sábado, no aeroporto internacional de Lisboa.
Tudo terá começado com uma troca de palavras menos simpática entre os dois elementos, que evoluiu para os insultos e para as agressões físicas de parte a parte.
Ao que o CM apurou, terá sido Carlos Queiroz a agredir com dois socos Jorge Baptista, tendo este, posteriormente, reagido com um valente empurrão. » [Correio da Manhã]
Parecer:
Comneça bem o Mundial...
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se Queiroz para seleccionador de boxe.»
JORNALISMO DE BURACO DA FECHADURA
«Questionado sobre as notícias dos últimos dias que o acusam de ingerência no caso TVI e de, alegadamente, querer condicionar o Presidente da República, Sócrates recusou contribuir para “essa infâmia”.
“Eu não contribuo para essa infâmia, nem para a degradação da nossa vida pública, baseando-se essas acusações e essas notícias em escutas telefónicas”, disse, à margem da cerimónia de adjudicação de contratos das redes de nova geração, em Vila Viçosa.» [Diário de Notícias]
Parecer:
Eu diria que é jornalismo de caixote do lixo (da Procuradoria-Geral da República).
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se Cavaco que foi a esse jornalismo se referiu como liberdade de imprensa.»
JARDIM FALA EM COMPROMISSO ENTRE A DIREITA E A EXTREMA-ESQUERDA
«O líder do PSD/Madeira, Alberto João Jardim, defendeu na sexta feira que o processo político de aprovação da lei das finanças regionais demonstrou "ser possível fazer um compromisso histórico em Portugal que liberte o país do PS".
Jardim falava após a reunião da comissão política regional do PSD/Madeira, pronunciando-se publicamente, pela primeira vez, sobre a aprovação da revisão da lei das finanças regionais na Assembleia da República. » [Diário de Notícias]
Parecer:
Afinal o meu post sobre a existência de uma maioria para governar faz todo o sentido, nunca na história de Portugal a oposição esteve tão unida, não para fazer oposição mas para governar através do parlamento.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se ar sugestão a Cavaco Silva, Ferreira Leite a primeiro-ministra, Louçã a ministro das Finanças e Jerónimo de Sousa em chefe de gabinete de Paulo Portas.»
PSD ANTES DAS DIRECTAS
«O PSD vai mesmo ter um congresso extraordinário antes das eleições directas para a escolha da nova liderança do partido. É este o parecer vinculativo que o Conselho de Jurisdição Nacional do PSD vai entregar a Rui Machete, presidente do Conselho Nacional (CN). Mas, segundo fonte daquele órgão, é deixada nas mãos do CN a escolha das datas destes dois momentos altos da vida do partido. O DN apurou que na reunião presidida por Nuno Morais Sarmento, na quinta-feira, foram faladas como possíveis as datas de 13 e 14 de Março para o congresso e o dia 26 do mesmo mês para as directas.
Aliás, uma das decisões mais importantes tomadas pelo Conselho de Jurisdição foi precisamente a de expurgar do pedido de convocação do congresso extraordinário, desencadeado por Pedro Santana Lopes, a alínea "eventual marcação de directas". O que, a não ser feito, impediria o Conselho Nacional de dia 12 de marcar já a data das eleições.» [Diário de Notícias]
Parecer:
Pedro Santana Lopes está cada vez mais perto da liderança do PSD, resta a Manuela Ferreira Leite marcar as directas antes do congresso numa tentativa deste não servir para a escolha do líder, como parece pretender o seu promotor.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo congresso promovido para Santana Lopes Brilhar e alterar as regras do jogo antes das directas.»
CAPITALISMO À PORTUGUESA
«Os trabalhadores da cadeia de lojas Alisuper foram induzidos a contrair empréstimos pessoais para injectar 1,5 milhões de euros na empresa. Agora, o grupo ameaça falir e há quem tema perder o emprego e ser obrigado a pagar a mensalidade ao banco.
Os funcionários decidiram manifestar-se na próxima terça-feira frente à Caixa Geral de Depósitos (CGD), em Lisboa, a quem acusam de estar a travar o plano de viabilização da empresa. A medida foi tomada ontem, durante uma reunião extraordinária que juntou trabalhadores, sindicatos e partidos políticos.
Os empréstimos que permitiram à Alicoop injectar cerca de 1,5 milhões de euros foram contraídos há cerca de dois anos, com um prazo de liquidação de uma década. Ao que o JN apurou, os cerca de 500 trabalhadores foram confrontados com a difícil situação financeira que o grupo enfrentava na altura. » [Jornal de Notícias]
Parecer:
É demais.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se investigar em que condições o patrão levou os trabalhadores a endividarem-se.»
Cavaco Silva tem todas as condições para demitir o governo de José Sócrates muito antes do que alguma vez poderá ter desejado pois já não precisa de contar com uma cada ma vez menos provável maioria do PSD. Conta no parlamento com uma nova maioria capaz de se entender em temas que algum tempo ninguém imaginava um acordo entre a direita e as esquerdas conservadoras.
Diria mesmo que Cavaco Silva conta no parlamento com uma maioria presidencial, ao PSD e CDS que serem o apoiaram, junta-se o PCP que em muitas ocasiões já veio a público defendê-lo e o próprio Bloco de Esquerda a quem deve a derrota antecipada de Manuel Alegre. Que mais poderia desejar um político que sempre ambicionou deter em simultâneo a Presidência da República e o governo e, de preferência, governando sem empecilhos como o Ministério Públicos, dantes designados forças de obstrução?
Se a esquerda conservadora está disponível para se juntar á direita em questões como a suspensão do Código Contributivo ou a ajuda ao Alberto João á custa dos portugueses, não há nada que os impeça de formarem uma maioria governamental tutelada por Cavaco Silva, um novo corporativismo do século XXI. O que os une, o ódio a um governo PS, é bem mais forte do que o que separa direita da esquerda conservadora, só alguns complexos poderão dificultar o processo, mas isso é coisa que se resolve. Até porque o grande objectivo do PCP e do BE é a destruição do PS e a absorção do seu eleitorado à esquerda, depois é só uma questão de esperar por uma crise financeira ou que o país se afunde na crise em que está metido.
Será assim tão difícil? Talvez, mas hoje ninguém tem dúvidas de que se Cavaco avançasse com um governo da sua iniciativa formado por personalidades da sua confiança política teria muito menos oposição, senão mesmo o apoio velado da esquerda conservador. Nunca esta esquerda se empenhou tanto em qualquer negociação com um governo do PS como temos visto reentemente, nem mesmo a figura pornográfica da Madeira lhes provocou alguma repulsa.
Alguém viu o Bloco de Esquerda antecipar-se às iniciativas da direita como fez com o casamento gay ou mesmo apresentar um projecto alternativo como fizeram, os verdes a mando do PCP? Não, a esquerda conservadora só apresenta propostas alternativas quando concorda com as iniciativas do PS, quando a direita avança com as suas propostas a esquerda conservadora limita-se a apoiar e se lhe derem oportunidade até o Louçã chama a si o protagonismo político, como sucedeu quando da aprovação do Código Contributivo.
«Mud cakes are among the few sources of nutrition in the slums of Haiti as aid workers have encountered difficulty distributing resources.» [The Washington Post]
JUMENTO DO DIA
Eduardo Moniz
É preciso ser mesmo muito mau jornalista para confundir um mero despacho de um juiz de instrução com uma verdade absoluta, ainda por cima quando se sabe que o Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador-Geral da República não alinharam com a imaginação criativa do magistrado de Aveiro. Mas a verdade pouco importa a Eduardo Moniz, há muito que não é jornalista e tanto quando dizem por aí a esposa nunca o terá sido.
A postura da família Moniz só prova que para o casal nunca esteve em causa a informação, move-os um ódio a Sócrates que seria interessante se o explicassem.
«O ex-director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, considera "assustador" o teor da notícia publicada hoje no semanário Sol, sobre o alegado plano do Governo para controlar os media, por "confirmar os indícios" de ingerência governamental na TVI e defende que o primeiro-ministro "não tem condições" para continuar a governar.
"É assustador termos a confirmação daquilo que eram indícios sérios de intervenção governamental no que diz respeito à TVI e às relações com a sua administração, nomeadamente com a administração da Media Capital", disse hoje à Lusa José Eduardo Moniz.» [Diário de Notícias]
O IMPÉRIO CONTRA-ATACA
Estava a estranhar o silêncio dos magistrados e dos seus amigos (ou "amiga") do SOL, mas eis que apareceu o contra-ataque, apenas estavam a aguardar pelos primeiros sinais de crise política. É assim que actuam os Idi Amins Dada da nossa justiça.
A PRECIOSA AJUDA DE LOUÇÃ A CAVACO SILVA
Fazer tudo o que pode para derrotar o governo do PS no parlamento, chegando a unir-se à direita para ajudar financeiramente o Alberto João, Francisco Louçã está a revelar-se um grande apoiante de Cavaco Silva. Cavaco só a ganhar com o protagonismo político que lhe está a ser dado por esta aliança entre a esquerda e a direita conservadoras.
Enquanto isso Alegre permanece cobardemente calado, não fala sobre nada, se toma uma posição pró-PS fica mal perante o partido que o promove, se critica o seu partido, como fez nos últimos quatro anos, perde ainda mais votos no seu partido. Enfim, há sempre uma voz que se cala.
A LIBERDADE E OS SEUS FALSOS AMIGOS
«Não sei quando é que se cunhou a ideia de que se "se vivem tempos maus pa- ra a liberdade de expressão". Não me lembro por exemplo de ter ouvido tal coisa quando o jornalista João Carreira Bom foi dispensado do Expresso por ter escrito uma crónica a chamar rei do tele-lixo a Balsemão - crónica que o então director do Expresso (agora no Sol) disse só ter sido publicada por não a ter lido antes. Ou quando Joaquim Vieira saiu do mesmo jornal por, segundo ele, divergências com o director em relação à redacção de uma notícia sobre Joe Berardo, anunciado accionista da SIC. Ou quando em 2008 Dóris Graça Dias denunciou a não publicação de um seu texto sobre um romance de Miguel Sousa Tavares, cronista do jornal.
Os três casos, mais aquele que ocorreu no DN quando em Agosto de 2004 a direcção de Fernando Lima decidiu não publicar uma crónica minha por ser "política", podem ser qualificados como clássicos atentados à liberdade de expressão. Foram até denunciados como "censura". No entanto, não só não foram pretexto para caracterização de "um clima" como parecem, inexplicavelmente, ter-se varrido da memória dos que, caso do director actual do Expresso, declaram nunca ter visto ou feito algo de parecido.» [Diário de Notícias]
Parecer:
Por Fernanda Câncio.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»
PLANO A PASSA A PLANO B (OU C)
«A coisa podia ter sido tratada de forma abrupta. Em vez de Teixeira dos Santos a explicar-se, aparecia Santos Silva. O ministro da Defesa mandava a Sagres, que anda à volta ao mundo, regressar e aportar no Funchal. Eu sei que a Sagres é mais velas, mas cada país tem a política de canhoneira que pode. A coisa, porém, aconteceu mais branda, viu-se ontem. Apareceu Teixeira dos Santos, que começou por dizer um par de vezes "não posso aceitar...", indício de demissão. Mas, afinal, isso ainda era da fase anterior. Fase anterior: já que o liberal CDS e o PSD da contenção de despesas queriam dar mais dinheiro ao Estado madeirense, e a eles se juntavam o PCP e o Bloco, novos amigos de Jardim, o Governo dava a entender que se demitia. Um bluff ousado, é certo, mas justificado pelo risco: o mau sinal que dava lá para fora o aumento de verbas para a Madeira. Para dentro, Teixeira dos Santos atirou este argumento : será o Continente a pagar o que vai dos 14% do IVA madeirense para os 20% por cá cobrados... Dito isto, Teixeira dos Santos, já podendo ser generoso, abandonou o plano A (demissão). E deixou a decisão para Cavaco (plano B). E adiantou, não vá Cavaco tecê-las, o plano C: em todo o caso, não paga mais à Madeira. Afinal, sempre foi política de canhoneira.» [Diário de Notícias]
Parecer:
Por Ferreira Fernandes.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»
A ANEDOTA DO DIA
«O procurador-geral da República (PGR) anunciou hoje a abertura de um inquérito (investigação) à divulgação pelo semanário "Sol" de notícias sobre as escutas telefónicas efectuadas no processo "Face Oculta", que envolvem figuras do PS como Armando Vara e Paulo Penedos.
Uma nota da Procuradoria-Geral da República adianta que, na sequência daquelas notícias sobre matéria em segredo de justiça, foi ordenada a abertura de um outro inquérito pelo procurador-geral distrital de Coimbra.» [Diário de Notícias]
Parecer:
Toda a gente sabia que mais tarde ou mais cedo as escutas seriam divulgadas pelo SOL, um autêntico órgão oficial do Ministério Público.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao Procurador-Geral que poupe o dinheiro dos contribuintes pois toda a gente sabe que os responsáveis po aquilo a que temos assistido nunca irão a tribunal.»
PACHECO CRITICA FERREIRA LEITE
«Pacheco Pereira lançou ontem, na reunião semanal da bancada parlamentar, fortes críticas à direcção nacional do PSD pela estratégia seguida nas negociações do Orçamento do Estado, segundo disseram ao DN fontes parlamentares do PSD. O deputado social-democrata considerou que na opinião pública ficou a sensação negativa de que a abstenção do seu partido no OE para 2010 está directamente ligada à Lei de Finanças Regionais.
O que, na opinião de Pacheco Pereira, dá margem ao Executivo de José Sócrates para continuar a fustigar a bancada do PSD, tendo já garantida a aprovação do Orçamento.» [Diário de Notícias]
Parecer:
É evidente que Pacheco Pereira tem razão, só que parece não querer perceber que Manuela ferreira Leite é refém da estratégia da candidatura presidencial de Cavaco Silva.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Pacheco Pereira se quer estragar a candidatura de Cavaco Silva.»
O QUE FARÁ CAVACO COM A LEI DAS FINANÇAS REGIONAIS
«A posição final do Presidente da República sobre a proposta de Lei das Finanças Regionais aprovada ontem pelo Parlamento na especialidade, com o sim da oposição e o não do PS, é decisiva sobre o futuro da lei. E é, apesar do esvaziar da crise política, politicamente delicada. A sua decisão será sempre lida assim: ou fica ao lado da oposição ou ao lado do Governo.
Neste caso, o poder do Presidente é reforçado. Por se tratar de uma lei orgânica - que está dentro das competências exclusivas do Parlamento -, a sua confirmação pelos deputados, após um eventual veto presidencial, obriga a que dois terços dos deputados tenham de confirmar a lei. E, com a óbvia oposição do PS, essa confirmação torna-se impossível. Resultado: um veto do Presidente põe um ponto final às pretensões da oposição.» [Diário de Notícias]
Parecer:
Cavaco tem aqui a oportunidade de tirar o tapete a Manuel Alegre.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
SARAMAGO DIRIA NÃO A UM CONVITE DO PAPA
«A um eventual convite para participar no encontro que Bento XVI terá com personalidades da cultura portuguesa, na sua visita ao País, José Saramago diria não. O Nobel da Literatura explicou ao DN porquê. "Não temos nada para dizer um ao outro", garantiu o escritor que recentemente se envolveu numa polémica com a Igreja Católica, com a obra Caim.» [Diário de Notícias]
Parecer:
Pois, já que não me convidas...
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se uma gargalhada.»
GOOGLE PEDE AJUDA À SEGURANÇA DOS EUA
«A Google está prestes a assinar um acordo com a Agência Nacional de Segurança dos EUA para prevenir o acesso de “hackers” aos seus serviços.
A decisão foi tomada depois de, em Janeiro, a Google ter descoberto uma falha de segurança que permitiu um ataque com origem provável na China.
A Agência Nacional de Segurança (NSA), considerada a mais poderosa organização de vigilância electrónica do Mundo, de acordo com jornal "The Guardian", é a responsável pela protecção dos computadores da administração dos Estados Unidos da América e irá ajudar a Google a perceber como melhorar a segurança dos serviços que presta na Internet.» [Jornal de Notícias]
Marcas de gente de direita cujos donos ou gestores têm intervindo na política em defesa de medidas de austeridade ou de limitação dos direitos dos trabalhadores com o objectivo manifesto de favorecerem as suas empresas.
São marcas cujo consumo favorece a posição de gente de direita que usa o poder das empresas na comunicação social para influenciar o poder em seu favor e por isso merecem ser boicotadas.
Clique na imagem relativa à marca para aceder à justificação.