sábado, outubro 18, 2014

E quem põe o país a funcionar?

Ninguém liga ao Cavaco, nada se espera da justiça, não se acredita na austeridade, ninguém espera um milagre do Passos Coelho, o povo conta os dias até às próximas legislativa, vai sabendo o que se passou em episódios de telenovela publicados no jornal i. O OE é mais um, as baboseiras angelicais da ministra das Finanças sã as do costume, o Núncio tira a uns para dar aos seus, resta-nos esperar que o país sobreviva até que Cavaco perceba que o tempo não vai salvar o seu governo e se decida ou até que seja obrigado a convocar eleições.
  
Pelo meio vamos sabendo como os poderosos se relacionavam com este governantes da treta, o Manuel Espírito Santos dizia em reunião de família “vamos por o Moedas a funcionar”, que é como quem diz que é para isso que ele servia. Ao que parece o Moedas funcionou com a mesma precisão com que funcionam os velhos brinquedos com corda, era dar à corda e eles funcionavam.
  
Mas se compararmos o Moedas com os seus colegas de governo temos de concluir que foi dos poucos que funcionou bem. Quando a Maria Luís se preparava para um tacho de sonho que lhe permitiria pagar num instante o crédito da casa, o Moedas foi mas esperto, apanhou o avião para a entrevista com o esquentador luxemburguês e deixou-a cá agarrada ao BES e à treta do dossier importante que nunca esteve na mesa, em Bruxelas não precisavam de um técnico de contas para assegurar uma gestão de mercearia da dívida soberana.
  
Outro que funcionou melhor do que o esperado foi o Gaspar, percebeu que se tinha enganado e como o seu pupilo não se convencia escreveu uma carta a reconhecer o seu erro, fez questão de a fazer chegar à comunicação social e foi-se em bora. Garantiu um tacho no Banco de Portugal e ainda foi a tempo de ir para o FMI tratar de uma matéria de que nunca foi especialista e em que a única experiência que teve foi a do governo, onde em matéria orçamental foi um desastre, como o próprio o reconheceu.
  
O problema agora é que  este governo já se parece com um caixote de brinquedos de corda partidos, avariados e desarticulados. A corda da ministra da Justiça já está partida, o Crato está desconjuntado, a corda do passos ficou presa, o Opus Macedo já trabalha sem lhe darem corda e o melhor que o Aguiar-Branco fazia era meter uma corda ao pescoço e declarar-se politicamente morto, não vá ter a infeliz ideia de nos pregar um susto e candidatar-se a primeiro-ministro pelo PSD, como já o tentou no passado.

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