quarta-feira, outubro 29, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Priocissão da N. Sª. dos Navegantes (2008), Cascais
  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Há poucos dias a ministra das Finanças desvalorizava o impacto económico do caso BES declarando que "Não há nenhuma razão para incluir nas contas do Orçamento do Estado para 2015 qualquer impacto directo do BES. O que existe é um empréstimo do Tesouro ao Fundo de Resolução Bancária que poderá ser devolvido em 2015 ou não". Ora, se não há motivo para considerar qualquer impacto nas receitas fiscais isso significa que se considera que da crise do BES não resultará qualquer impacto das receitas fiscais, quer em consequência dos custos para a banca, quer no crescimento da economia.

A declaração não tinha qualquer fundamento económico e agora é Passos Coelho que vem declarar que a insolvência do GES tem impacto na economia, mas não o sabe quantificar. A ministra falava de BES e negava, agora Passos fala de GES e reconhece mas diz-se incompetente para determinar o impacto. Entretanto ao optimismo do OE2015 temos de acrescentar uma omissão grave.

Estamos perante uma forma muito pouco séria de fazer política e incompetente de gerir as contas públicas:

«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje que o Governo não sabe quantificar o impacto da insolvência do Grupo Espírito Santo (GES) na economia portuguesa, mas acrescentou que "bom não é".

O primeiro-ministro fez esta afirmação a propósito da primeira missão da 'troika' - Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional - em Portugal após a conclusão do programa de resgate, que referiu não ser para nenhuma "avaliação", mas sim para "uma monitorização" da situação económica e financeira do país por parte dos seus credores.» [Notícias ao Minuto]

 Patéticos e preguiçosos

O que mais impressiona no facto de Passos Coelho ter chamado patéticos e preguiçosos aos jornalistas e comentadores não foi a acusação mas sim a cobardia concordane com que a maioria reagiu. As vozes de indignação foram tão poucas que dá para perceber a natureza gelatinosa de muitos dos nossos jornalistas e comentadores.

 A frontalidade não lhe assiste

Para Passos Coelho a frontalidade é uma qualidade que não olhe assiste, já por várias vezes atacou adversários políticos escondendo-se atrás da insinuação pois nunca refere explicitamente os seus alvos, aconteceu com o político que designou por catavento e voltou a fazê-lo agora com os patetas e preguiçosos que o criticam na comunicação social. Com este truque cobarde Passos ataca indiscriminadamente e esconde-se atrás da cobardia.

 A diplomacia idiota

Na Turquia apoia os turcos contra os curdos, na Síria apoia os curdos contra os sunitas e os sunitas contra os alauitas, no Irão odeia os chiitas, no Iraque apoia os Chiitas e os curdos contra os sunitas.

      
 Patético e preguiçoso me confesso
   
«Este fim-de-semana, o primeiro-ministro chamou-me “preguiçoso” e “patético”. Parece que eu, e outros como eu, comentadores e jornalistas que se dizem “independentes”, andámos por aí a proferir “inverdades como punhos”, só para nos armarmos em “Maria vai com as outras” e assentarmos abundante traulitada nas fustigadas cruzes do Governo. A terrível “inverdade” de que somos acusados é esta: dizer que a despesa pública não caiu desde 2011 e que todos os sacrifícios foram inúteis.

Ironizou o primeiro-ministro: “É oficial, se ouvirmos as televisões, lermos os jornais, os cortes não existiram, os sacrifícios e a austeridade não existiram, os portugueses estão equivocados, estamos como estávamos em 2011.” Eu diria que Pedro Passos Coelho, para além de se estar a preparar para engrossar o vasto pelotão das vítimas da comunicação social, está a fazer uma extrapolação entre o preguiçoso e o patético daquilo que tem sido escrito. “Todos os comentadores e jornalistas podem olhar para os números e saber o que eles dizem”, afirmou o primeiro-ministro. Pois podem – e é esse exercício que proponho que façamos aqui hoje, para não sermos acusados de calacice e bandarreio.

A despesa pública diminuiu entre 2011 e 2014? Diminuiu. Contudo, convém ver de que tipo de despesa estamos a falar. Segundo os números da Ameco, já com extrapolação (possivelmente generosa) para o ano em curso, essa redução é de cerca de 4,8 mil milhões de euros (de 84,4 mil milhões, em 2011, para 79,6 mil milhões, em 2014), o que, em percentagem do PIB, dá 2,2 pontos percentuais. Mas a que se deve a parte de leão desse corte? Reorganização de serviços? Redução de funcionários? Dieta de custos intermédios? Não: corresponde a uma diminuição gigantesca no investimento público, que passou de 6,8 mil milhões em 2011 (4% do PIB) para 3,5 mil milhões em 2014 (2,1% do PIB). Ou seja, se aos 2,2 pontos percentuais de cortes na despesa retirarmos estes 1,9 de investimento, sobra-nos uns magríssimos 0,3 pontos percentuais de corte efectivo de despesa na estrutura do Estado.  

Ora, se o ajustamento pelo lado da despesa foi feito praticamente à custa da diminuição do investimento, o que isso significa é que nada de realmente estruturante mudou quanto ao peso do Estado na economia nacional. Quando aparecer por aí um novo socialista a querer animar a economia à custa de comboios, estradas e aeroportos, voltamos à cepa torta num piscar de olhos, porque o Governo PSD/CDS-PP se limitou a fechar a torneira, e alguma poupança que efectivamente conseguiu, em sectores fundamentais como a Saúde ou a Educação, acabou por ser engolida pelas exigências crescentes da Segurança Social.

O problema da “inverdade” de Passos Coelho é que não há contradição nenhuma entre a despesa cair e o sacrifício de essa queda poder ser, em boa parte, inútil – tal como uma dieta pode, em vez de abater barriga, cortar na massa muscular. Perde-se peso? Sim. Mas no sítio errado. É por isso que Pedro Passos Coelho está neste momento a apanhar pancada de todos os lados. Um keynesiano lamenta os cortes no investimento. Um liberal lamenta que só tenha havido cortes no investimento. Tanto um como o outro acabam, inevitavelmente, por fazer um péssimo balanço destes três anos de austeridade. O primeiro-ministro não será patético, e muito menos preguiçoso, mas é líder de um governo que foi incapaz de fazer aquilo de que o país mais necessitava. E esta verdade vai acertar-lhe como um punho nas eleições de 2015.» [Público]
   
Autor:

João Miguel Tavares.

      
 À meia centena é mais barato
   
«A Guarda Civil espanhola deteve esta segunda-feira 51 pessoas suspeitas de corrupção, no âmbito de uma megaoperação levada a cabo nos municípios de Madrid, Múrcia, Leão e Valência. Em causa estão adjudicações públicas num valor aproximado de 250 milhões de euros, nos últimos dois anos, que terão envolvido o pagamento de comissões ilegais.

Francisco Granados, ex-secretário-geral do PP em Madrid e antigo número dois da ex-presidente do governo regional, Esperanza Aguirre, é o rosto mais conhecido entre os detidos. Aguirre, em conferência de imprensa, já disse que sente “profunda vergonha” por ter sido a responsável, em tempos, pela nomeação de Granados.» [Observador]
   
Parecer:

Por cá é ao contrário, um dia destes são os corruptos e os donos disto tudo que mandam prender os magistrados. Mas a ministra anda mais preocupada com a impunidade e mandou organizar uma batida às bruxas no ministério da Justiça.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O SNS do Opus Macedo
   
«No Hospital de Aveiro, os doentes que se dirijam às Urgências são tratados lado a lado com cadáveres. A denúncia foi feita a semana passada pela secção regional do centro da Ordem dos Médicos (OM), que apresentou uma queixa ao Ministério Público contra aquilo que diz ser “um desrespeito” tanto pelas pessoas mortas como pelos médicos e pacientes da unidade hospitalar. Esta terça-feira foi a vez de um deputado do Partido Socialista pedir esclarecimentos ao Ministério da Saúde sobre o tema.

Segundo uma norma interna do Centro Hospitalar do Baixo Vouga (que, além do hospital de Aveiro congrega ainda os de Águeda e de Estarreja), os cadáveres devem entrar na unidade pelas Urgências e só depois, após terem ordem, é que são transportados para o Instituto de Medicina Legal. “Esta situação é profundamente ilegal. Estamos a falar de uma situação compatível com um país do terceiro mundo e que não acontece em mais nenhum hospital do país”, disse à agência Lusa Carlos Cortes, presidente da seção regional do centro da OM.» [Observador]
   
Parecer:

O Opus ministro bem se esforça por passar a imagem de que é mais competente do que os seus colegas...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 Afinal os preguiçosos são os ministros
   
«Três dias depois de Pedro Passos Coelho ter acusado jornalistas e comentadores políticos de serem “preguiçosos” e não verem que o país de 2014 é melhor do que o de 2011, os líderes parlamentares do PSD e CDS consideram que os ministros e dirigentes partidários têm que se esforçar mais e ser “mobilizadores”.

“Os ministros devem intervir mais. A mensagem deve ser mais simples para ser compreendida, mais mobilizadora e correspondente com o que foi feito. (…) Creio que os ministros têm ainda campo de afirmação política a percorrer e que ainda está por preencher. Não tivemos ainda eficácia suficiente”, declarou o social-democrata Luís Montenegro, no Fórum da TSF esta terça-feira.» [Observador]
   
Parecer:

Pois, é porque a ministra da Justiça nunca apareceu que os portugueses acreditaram que o Citius tinha ido abaixo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 gente do Passos Coelho
   
«"Absoluta e vergonhosamente ludibriados pela entidade organizadora", é como se sentem os biólogos Fernando Correia, da Universidade de Aveiro, e Leonel Pereira, da Universidade de Coimbra. Os dois investigadores e autores da obra de divulgação científica "Macroalgas Marinhas da Costa Portuguesa, Ecologia, Biodiversidade e Ilustrações" - galardoada pela Câmara de Cascais com o Prémio do Mar Rei D. Carlos - decidiram declinar o prémio.

A cerimónia de atribuição aconteceu a 2 de novembro de 2013 (25 meses após a submissão da obra a concurso), mas sem a entrega dos 2500 euros anunciados nem a prometida publicação, sob a chancela da autarquia, de dois mil exemplares do livro, como constava do regulamento. "Na mesma situação estão outras quatro obras premiadas pela Câmara de Cascais", afirma Fernando Correia. O diretor do Laboratório de Ilustração Científica da Universidade de Aveiro lamenta, por isso, "as promessas esvaziadas".

O dinheiro do prémio serviria para distribuir pelos colaboradores do livro. Os autores estavam sobretudo "satisfeitos por poderem ter a obra publicada". Agora, a única forma de isso acontecer é declinando o prémio e recorrendo a uma editora que aposte no livro. O que deverá acontecer até final do ano. "Não aceitamos que a obra fique na gaveta", assume Fernando Correia.» [Expresso]
   
Parecer:

A prioridade do autarca de Cascais vai para festarolas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «lamente-se..»

 O ti Costa do BdP mentiu
   
«Três semanas depois da polémica, está esclarecido o mistério em torno da abertura do processo de ajuda de Estado ao BES, pela Comissão Europeia, quatro dias antes da resolução do banco. Ao que o Diário Económico apurou junto de fontes oficiais, o Banco de Portugal (BdP) avisou a Direcção Geral da Concorrência da União Europeia (DG-COMP), na tarde de 30 de Julho, sobre os prejuízos recorde que o BES iria divulgar nessa noite e que precipitariam a intervenção do Estado.

Tal como o Diário Económico avançou em primeira mão, Bruxelas abriu o processo relativo à ajuda de Estado ao BES na noite de 30 de Julho, após o anúncio do prejuízo de 3,6 mil milhões de euros. No portal da DG-COMP, o processo contém o "N" de notificação de ajudas de Estado, com a data a 30 de Julho, ou seja, dois dias antes de a CMVM suspender as acções do banco. A ministra das Finanças assegurou que não teve contactos com a DG-COMP antes de 2 de Agosto, o governador do BdP garantiu que não houve qualquer decisão antes de 1 de Agosto e a Comissão Europeia assegurou que o processo aberto a 30 de Julho era apenas de "monitorização". Sabe-se agora que Bruxelas abriu o processo nessa noite porque foi alertada, horas antes, pelo supervisor português. Esta informação foi confirmada ao Diário Económico por fonte oficial do BdP.

"Naturalmente, o Banco de Portugal manteve e mantém interacções técnicas regulares com o FMI, BCE e a Comissão Europeia no quadro do Programa de Assistência Económica e Financeira e no âmbito dos mecanismos de acompanhamento pós-programa. Neste âmbito, o Banco de Portugal mantém interacções com a DG-COMP sobre os bancos portugueses que tenham beneficiado de auxílios de Estado ou que, num cenário de contingência, possam vir a necessitar de recorrer a esses auxílios", explicou um porta-voz.

"No caso específico do BES, foi estabelecido um contacto informal a nível técnico com a DG-COMP, no dia 30 de Julho à tarde, por causa da dimensão dos resultados negativos que iriam ser anunciados pelo BES nesse dia. Nesse contacto, foram discutidos cenários de contingência envolvendo recurso a auxílios de Estado. A pedido da DG-COMP, foi partilhado, no dia 31 de Julho ao final do dia, informação sobre a situação de liquidez do BES.", adiantou. A mesma fonte oficial acrescentou que o Banco de Portugal não podia deixar de desenvolver planos de contingência para o caso de o BES não conseguir reforçar por si o capital e que os contactos com a DG-COMP "não constituíram qualquer notificação de auxílios de Estado, nem prenúncio dessa notificação". » [DE]
   
Parecer:
Conclusão: o ti Costa é mentiroso e agora são maiores os receios de ter tido responsabilidades na orgia bolsista com acções do BES minutos antes de a negociação ter sido suspensa pela CMV.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao ti Costa quanto tempo vai precisar para perceber que deve demitir-se.»
  
   
   
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