terça-feira, outubro 21, 2014

Um ano de pântano

Cavaco Silva está convencido de que é um especialista em vitórias eleitorais e Passos Coelho ainda sonha com o milagre económico que Vítor Gaspar lhe prometeu ao aplicar uma pinochetada económica a Portugal. Rodeados de graxistas profissionais nem, nem o outro têm a lucidez suficiente para o desastre para que caminham.
 
Cavaco Silva tudo fará para ajudar eleitoralmente um governo que foi ele que inventou, que foi ele que defendeu em todos os momentos e muito menos o fará para dar posse a um governo de gente com que se cruzo num passado recente e que não esquece o seu papel na forma pouco leal com que se comportou com um governo do PS. Cavaco tentou evitar este cenário ao ter acenado a Seguro com um lugar no governo e quando o ex-líder do PS foi confrontado com o desafio de Costa fez questão de o recordar.
 
Passos estava convencido que tramava os funcionários públicos mas tinha o apoio dos trabalhadores do sector privado, que beneficiava os rios mas que podia contar com os votos dos pobres a quem deu uma fala protecção com algumas medidas avulso. Teve azar, todos os seus orçamentos foram um desastre, todas as suas previsões foram um falhanço, não conseguiu cumprir nenhuma das metas orçamentais e salvou as aparências com cortes inconstitucionais de vencimentos e pensões e com aumentos brutais da carga fiscal.
 

Nem Cavaco, nem Passos estão dispostos a ir a eleições, Passos não vai querer largar o poder e Cavaco não quererá ver desmoronar-se o seu sonho de líder um governo salvador da pátria com que possa branquear o seu percurso político. O país arrisca-se a passar um ano enterrado num pântano de lodo resultante desta mistura do lixo cavaquista com o lixo deixado por Pedro Passos Coelho.
 
Durante um ano há muitos negócios por concluir, muitas promessas por cumprir, muitos boys para empregar e dando por perdidas as eleições Passos Coelho não quererá largar o cargo até ao último dia da legislatura. Pela forma como fala e se agarra à Constituição o ainda primeiro-ministro revela um total desprezo pelos poderes constitucionais de Cavaco e pela vontade do seu parceiro de coligação, dá claramente a impressão de que tanto um como o outro estão na sua mão.
 
Resta aos portugueses esperar pacientemente que o país vá sendo destruído pelas mentiras da ministra das Finanças, pela velhacaria na gestão da Saúde ou pela incompetência de ministros como o Crato, o Aguiar- Branco ou a Paula Teixeira da Cruz?
  
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