quarta-feira, julho 29, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do dia
    
Agostinho Branquinho, uma lixívia que faz do Estado uma limpeza

Escolher alguém com um mínimo de competência para um cargo público é um velho hábito dos nossos políticos que nos coloca na cauda da América Latina. Escolher alguém sem as competências requeridas é bem pior, é não ter vergonha na cara e considerar que o Estado português pouco mais é do
que uma associação recreativa. Este secretário de Estado é uma verdadeira besta quadrada, nem sequer sabe nomear boys.

«O secretário de Estado Agostinho Branquinho terá promovido no início deste ano a nomeação de um militante do PSD sem qualquer experiência na área como responsável pela fiscalização da Segurança Social nos distritos da Guarda e Castelo Branco, garantiram ao PÚBLICO várias fontes conhecedoras do caso. A designação de José Paulo Sarmento, irmão do anterior líder distrital do PSD na Guarda e ex-presidente da Câmara de Trancoso, Júlio Sarmento, contrariou a escolha das estruturas regionais da Segurança Social e foi imposta à direcção do Instituto da Segurança Social (ISS).

O lugar de chefe do Sector da Guarda e Castelo Branco do Departamento de Fiscalização da Segurança Social ficou vago em Outubro, por aposentação do anterior responsável, um inspector de carreira do ISS. Pouco depois, os serviços de que o sector depende propuseram que o cargo fosse atribuído a um experimentado jurista do centro distrital da Segurança Social de Castelo Branco, mas a proposta não fez vencimento.

Colhendo de surpresa a própria direcção do ISS, presidida por uma militante do CDS-PP, a designação de José Sarmento dever-se-á ao secretário de Estado da Segurança Social, o social-democrata Agostinho Branquinho, e foi formalizada pelo Conselho Directivo do ISS a 10 de Março. Três meses depois, a três de Junho, a nomeação em regime de substituição foi publicada no Diário da República.

De acordo com a deliberação, o novo responsável fica em funções “até à conclusão do procedimento concursal para recrutamento e provimento do cargo”. Até agora, porém, este concurso, ao qual o actual titular se poderá candidatar, ainda não foi aberto. O procedimento, por se tratar de um lugar de direcção intermédia, não passa pelo crivo  Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (Cresap).» [Público]

 O juiz que diz esfola

Começa a ter-se a impressão de que na justiça portuguesa cabe ao MP dizer mata e ao juiz de instrução dizer esfola. Alguns casos judicias mais mediáticos têm mostrado um juiz de instrução a chamar a si a liderança das investigações e a exigir medidas restritivas dos direitos dos arguidos ainda mais duras do que as propostas pelo MP, que, como é sabido, tem uma tradição de exagero nesta matéria.

Mais grave ainda e a crer na comunicação social há um conhecido juiz que considera que nos casos mais mediáticos as medidas devem ser mais duras. Isto é, se existir o perigo de fuga de um criminoso desconhecido este pode ficar em liberdade, mas se o mesmo crime for mediatizado o mesmo perigo de fuga deve dar lugar a detenção. Parece que o mesmo juiz que considera que para alguém que se presume inocente a prisão preventiva ainda é pouco, não esclarecendo se defende as chibatadas ou a pena de morte aplicada preventivamente, o facto de se ruma figura mediática deve levar medidas de coação exemplares para alegria da populaça.

Estamos perante uma perversão da nossa justiça, o juiz de instrução a quem cabe velar pelos direitos fundamentais dos arguidos chama a si um papel que leva as nossa justiça para certas regiões do Iraque e da Síria.

 Varoufakis

Parece que a vedeta muita admirada pelo nosso Bloco de Esquerda se preparava para transformar a Grécia numa espécie de economia norte-coreana na Europa e para o conseguir valeu tudo, incluindo a utilização abusiva dos dados fiscais de todos os gregos. Curiosamente ninguém do BE veio a público comentar esta consequência prática das posições que têm vindo a assumir em matéria de Euro.

 Gente fina é outra coisa

Os ricos são deficientes e os pobres manetas, agora o Conselho Superior da Magistratura vem-nos esclarecer que Ricardo Salgado não está em prisão domiciliária como sucederia a um cidadão comum, está confinado à sua residência e respectivos lugadouros.

      
 A política do açúcar
   
«Após a crise de 1929 muitos americanos passaram a viver entre a miséria absoluta e a insegurança total. Um produto surgiu como uma salvação precária.
Nessa época, o açúcar era barato nos Estados Unidos e isso fez com que os americanos se tornassem dependentes dos doces para aquecer os seus dias. A cozinha do medo, como lhe chamaram, encheu-se de guloseimas e sobremesas. Dava energia. A atracção dos doces em Portugal é longínqua, e tanto teve a ver com a riqueza do nosso mel, como com a chegada da cana-de-açúcar à Madeira.

Com a crise dos últimos anos, os portugueses tiveram de se voltar para o açúcar e, claro, para as meias doses nos restaurantes e para a comida barata dos hipermercados. Para iludir o estômago vazio de presente e de futuro. A questão é que o Governo não entende que não se pode pedir uma dieta destas durante anos e depois não se prometer no programa eleitoral uma sobremesa qualquer. Passos Coelho não tem aptidão para ser um Ratatui ou um "chef" com estrelas Michelin. Quando conjuga ingredientes, a sopa fica estragada ou com falta de sabores. Nisso tem de aprender com Paulo Portas.

A sua ida à Madeira serviu para dar largas à imaginação gastronómica, criando uma espécie de gaspacho político. Disse ele: "Os portugueses não comem TGV, os portugueses não comem auto-estradas nem comem dívidas." Esqueceu-se de dizer que não comem também com o saque da "contribuição extraordinária" que se tornou uma norma. Mas a sua frase mostra que Passos Coelho come queijo em excesso. Já nem se fala de, com a frase, ter disparado sobre o PS (por causa da dívida) mas, sobretudo sobre Cavaco Silva (o grande impulsionador do "país das auto-estradas e do betão").

Sendo económico com a sua própria memória, Passos Coelho esquece que em 2009 na conferência do The Economist dizia que "o TGV é um projecto estratégico que envolve compromissos assumidos por vários governos". Nada de grave: Passos Coelho não come TGV. Degusta a própria memória.» [Jornal de Negócios]
   
Autor:

Fernando Sobral.
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