sexta-feira, agosto 28, 2015

Que paravalhões que nós somos




Quando a direita tenta criar uma realidade virtual para vigorar apenas até ao dia da eleições somos levados ao passado por uma notícia publicada no Público que nos dá conta de que num concurso de admissão de assistentes operacionais para as escolas, profissionais a quem cabe vigiar recreios ou limpar os WC, ao qual estão concorrendo licenciados e doutorados.
  
Mas estamos perante uma notícia que já não é notícia, se tivesse sido publicada há cinco anos as televisões passariam a toda a hora a canção dos Deolinda “Parva que eu sou” e José Manuel Fernandes exultaria porque a canção popular nos tinha dado um «hino das gerações excluídas pelo Portugal dos “direitos adquiridos”, dos “empregos para a vida”, dos pequenos e grandes “tachos”, dos que se limitam a estar sentados sobre os seus empregos. Essa geração, que não é parva, tem tudo a ganhar com a mudança das regras deste jogo que protege os instalados e deixa à porta os que gostavam, pelo menos, de lutar para ter uma oportunidade.»
  
Agora já não há gerações excluídas pelo Portugal dos direitos adquiridos e nem se fazem comparações com países comunistas, os tais países onde Portas assegura que cortariam o pescoço ao Jerónimo de Sousa. Agora os jovens têm oportunidades e até podem escolher entre Portugal e os muitos destinos sugeridos pelo Relvas, ainda que não contem com a preciosa ajuda da agência de promoção da emigração de jovens proposta pelo Rangel.
  
A verdade é que há dois países virtuais onde se vive em plena felicidade, onde superamos todos os países, incluindo o Butão, no crescimento da Felicidade Interna Bruta. Aliás, Portugal é um case study da economia, quanto menos cresce o PIB mais cresce a FIB, o indicador criado pelo rei Jigme Singye Wangchuck, do reino do Butão.
  
Portugal vie em felicidade plena e se não fosse a ciumeira da GNR em relação à PSP, dos oficias da PSP em relação aos agentes ou essa gente mal-educada que especulou no BES, este país viveria extasiado com tanta felicidade. Já não ouvimos os Deolinda, os professores já não querem derrubar governos e muito menos manifestar-se, os jornalistas respiram democracia nas redacções, os magistrados do MP já não precisam de ira a Belém queixar de pressões e até o PR já manda emails sem receio de que sejam lidos por alguém muito perigoso.

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