terça-feira, fevereiro 11, 2014

Quem é o verdadeiro primeiro-ministro?

Com a ausência do Tozé Seguro a luta política trava-se desde há muito entre Paulo Portas e Passos Coelho, o último a percebê-lo foi o Vítor Gaspar que vem agora rectificar o que tinha dito, elogiando a capacidade de liderança do primeiro-ministro e fazendo passar a mensagem de que o mau da fita foi Paulo Portas. Vítor Gaspar decidiu entrar na luta política atacando Portas.
  
Mas não é apena o Tozé que parece ter desaparecido, o próprio Passos Coelho quase não sai de cima da sua torre de marfim, evita todo e qualquer contacto com um popular que não esteja sob controlo. Passos Coelho é um foragido que só aparece em entrevistas combinadas, em debates parlamentares onde tem vantagem e pouco mais. Quanto a intervir no debate político só o faz pontualmente e com recurso a banalidades, afundou a ciência porque quer que a investigação sirva a ciência, não quer os Miró porque não tem dinheiro e quanto aos temporais destruidores nem uma palavra.
  
Paulo Portas tem sabido gerir esta ausência de Passos Coelho e deve estar muito pouco preocupado com as criticas de Vítor Gaspar, até porque o ex-ministro das Finanças não passa de um falhado, ainda por cima um duplo falhado, falhou na sua política e falhou nas previsões pois ao contrário do que previu a situação não se agravou tanto, enfim, desde a primeira à última versão o agora ressuscitado Gaspar não acertou uma.
  
Perante a falta de comparência sistemática de Passos Coelho o verdadeiro primeiro-ministro do país é Paulo Portas, não admira a confusão gerada no congresso do PP espanhol, quando o apresentador se referiu a ele como o Passos Coelho, vice-presidente da República Portuguesa. Quando Portas foi designado por Santana Lopes como o ministro do Mar ainda fez uma careta de surpresa, agora limitou-se a sorrir com aquele ar irritante que costuma adoptar, não terá gostado muito do apelido, mas certamente adorou o estatuto com que foi tratado.
   
Ao ficar com a coordenação económica e a negociação com a troika num governo que pouco mais faz do que a troika manda Paulo portas chamou a si o protagonismo. Portas apostou que a Europa mudaria de atitude e que a economia tenderia a melhorar e ganhou, o grandioso Gaspar falhou e por mais que tente agora ajudar a derrubar o líder do CDS, a verdade é que foi o ex-ministro que deu a oportunidade a Portas para este desencadear o seu golpe. Apostou e ganhou, conquistou todas as grandes pastas económicas e a coordenação económica.
  
Os pouco projectos dinamizados por este governo são liderados pelo mini-governo de Paulo Portas, um governo de táxi onde só cabem quatro ministros. Mas são os suficientes para o CDS chamar a si todo o protagonismo governamental, tem a Economia onde há um grande peso nas relações com as empresas e na gestão dos fundos estruturais, na segurança social tem um ministro a fazer caridade em tempos de cris, na agricultura uma cristas que se tem revelado uma bruxinha da propaganda. Como se isto não bastasse, tem ainda um secretário de Estado no fisco para lhe proporcionar promessas de reduções de impostos e rifas de automóveis de luxo.
  
A estratégia de Portas é evidente, o que se fez de bom foi obra sua, tudo o resto é desgraça e da responsabilidade de Passos Coelho e dos seus ministros do PSD.
  
 
 
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