domingo, fevereiro 02, 2014

Semanada

António José Seguro decidiu cuspir no prato da sopa que comeu e como acha que ainda não convenceu ninguém de que é melhor do que Sócrates decidiu meter o seu camarada e antecessor no mesmo saco que Pedro Santana Lopes, Passos Coelho e Durão Barroso. Ficámos a saber que durante o governo de Sócrates Seguro foi alvo de violação política ao ser obrigado a votar todos os orçamentos apresentados por Sócrates e onde constavam aumentos de impostos. Finalmente os portugueses ficaram a saber a que se referia o PSD quando falava de asfixia democrática, é que Seguro estava sendo obrigado a votar no parlamento contra todas as promessas do partido pelo qual foi eleito e ainda por cima era impedido de se expressar contra.  Enfim, as avozinhas deste país têm aqui o rapaz certinho e honesto para casarem com as netinhas virginais.
  
Parece que o pós-troika se está a transformar muito rapidamente num pós-eleições europeias ajudando a perceber a velha ambição cavaquista de encontrar um consenso que transformasse o Tozé no moço de recados do Passos Coelho. O mesmo cavaco que queria prolongar a actual política para além de meados de 2014 parece manter-se em silêncio enquanto o governo já começa a gerir o calendário da austeridade em função dos seus objectivos eleitorais. Tudo isto só mostra que Passos Coelho foi um bom aluno, enquanto foi líder da JSD o actual presidente governou o país em função das sondagens eleitorais, o que lhe permitiu alcançar duas maiorias absolutas, conduzindo o país ao esgotamento das ajudas comunitárias sem os resultados pretendidos.
  
A capacidade de controlo da comunicação social por parte dos grandes grupos económicos ficou mais uma vez evidente com a notícia de que o grupo do merceeiro holandês tinha sido o primeiro privado em benefícios fiscais, quase alcançando a Santa casa. A notícia saiu e no dia seguinte já tinha sido varrida da comunicação social, sinal óbvio de que o orçamento publicitário da Jerónimo Martins cala qualquer jornalista português. Teria sido muito interessante perguntar a António Barreto como se sente na qualidade de líder do Tea Party português, uma espécie de ideólogo do cavaquismo decadente, generosamente pago com o dinheiro dos contribuintes, desviado do seu destino para beneficiar as benesses fiscais de um empresário que há pouco tempo emigrou para a Holanda.
  
Outra notícia que convinha ser rapidamente varrida da comunicação social foi a de que o Ministério Público tinha pedido a absolvição da J.P. Sá Couto, uma acusação que em tempos foi muito aproveitada e noticiada porque esta empresa produzia o Magalhães. Nenhum jornalista se lembrou de perguntar que provas foram apresentadas durante o julgamento para eu o MP tivesse mudado de ideias. Seria muito interessante saber se houve provas suficientes para mudar de posição ou se as provas que tinha não sustentava qualquer acusação.
  
A semana foi uma grande semana para o glorioso líder do PSD que apresentou ao país aquilo que o actual PSD pensa, que tudo pode retroceder, que até os todos os direitos são referendáveis. Não há nada de novo nesta afirmação ideológica, até porque o seu governo tem eliminado direitos atrás de direitos sem qualquer referendo. Agora aguarda-se que o pirralho proponha mais referendos, talvez se lembre de perguntar aos portugueses se querem reintroduzir a pena de morte por enforcamento. O pirralho até pode discordar, mas como se viu com a co-adopção ele gosta de promover referendos mesmo quando diz que pode votar contra a pretensão subjacente à consulta popular. 

O companheiro Rajoy promoveu Paulo Portas vice-presidente da República de Portugal enquanto representante do PSD no congresso do PP espanhol era ignorado.
  
  

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