quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Flor da Quinta das Conchas
  
 Jumento do dia
    
Paulo Portas, oitavo marido de Zsa Zsa Gabor

Depois da bocarra do porta-aviões o glorioso Paulo Portas vem agora dizer que se sente o oitavo marido de Zsa Zsa Gabor. Espeemos que um dia destes os eleitores não lhe cortem o pescoço e nessa altura terá razões para se sentir a Catarina de Aração, a primeira mulher de Henrique VIII.

«O oitavo governante a tomar a palavra na conferência da revista The Economist, Paulo Portas disse que estava no papel do "oitavo marido de Zsa Zsa Gabor" (atriz que se radicou nos EUA e teve nove maridos): "Não sei como fazer isto de uma forma inédita e interessante", afirmou, citando uma frase do sexto marido da atriz e arrancando gargalhadas à plateia da Lisbon Summit.

E de facto não foi inédito o discurso que o vice-primeiro-ministro apresentou a gestores, empresários e banqueiros portugueses e internacionais, sobre estes quase três anos de governo - e de como o País chegou à crise de 2011, quando se "viveu uma séria crise de dívida e défice excessivos".» [DN]
 
      
 Portas sabota memórias de Gaspar
   
«Numa dezena de dias, deixei Portugal em crise e regresso com ele "herói-surpresa da zona euro", como diz o Financial Times. Mesmo dando de barato a ofensa sub-reptícia, sabe bem. Sim, aquela palavrinha "surpresa" faz-me lembrar, era eu jovem repórter e tendo sido cumprimentado no jornal por uma qualquer reportagem, que na redação se fez ouvir a voz de um menos jovem repórter: "O texto é bom, surpreendeu-me." Mas o facto é que o patinho feio europeu exportou mais. É verdade que a comparação era connosco, mas hoje fazemos melhor do que ontem, essa é que é essa. Caucionados por lá fora, os eufóricos locais aproveitaram a maré: "Milagre económico", disse Pires de Lima. Depois, ele iria corrigir: "Foi excesso de linguagem..." Não era bem um milagre prodigioso com cura surpreendente, temos de continuar a tomar os remédios... A mensagem de Pires de Lima passou (como são, os do CDS, tão melhores que os sócios a passar mensagens!) E funcionou: um acamado prefere um otimismo moderado a ufanismo. Registada a mezinha, insistiu-se nela: "Não há motivo para um discurso de euforia", disse ontem o mesmo ministro. Há meses, a frase levar-nos-ia a comentar: "Até eles não acreditam..." Hoje, a negativa ("não há motivo") serve para implantar a dúvida inversa: "Queres ver que isto está a começar a correr bem..." Sim, uma crise acabou. Estou a falar de crise política - a do Governo acabou. E, também ontem, Portas sabotou a memória de Vítor Gaspar.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
      
 O grau zero da ignomínia
   
«Nas celebrações dos 500 anos das Misericórdias, as televisões filmaram o ministro Pedro Mota Soares, compungido e piedoso, a assistir à liturgia na igreja de Castelo Branco. Um momento de estremecida devoção. Nas orações que acompanhou, afeiçoado de dó e ungido de evidente santidade, o ministro Mota persignou-se, genuflectiu, beijou a mão, tomou a hóstia, certamente pedindo perdão ao Criador pelas malfeitorias infligidas ao mundo dos que trabalham ou que trabalharam. Nós.

O ministro Mota denuncia um rosto de santo de altar, atormentado e macerado, como convém à clemência exposta. O ministro Mota não é uma criatura de Deus: é um adjectivo. Diz-se militante do CDS, mas não propende para "democrata-cristão", tendo em conta a violência dos decretos que assina. Será, quando muito, um servente do ideário neoliberal, que tem desgraçado o País e destruído o que de melhor a pátria possui: a história e a juventude. Depois, pelo que se ouve e diz, vai às missas de domingo, acaso pedir as bênçãos do céu e a absolvição a Jesus.

Que têm a ver as práticas governativas do CDS com a compaixão subjacente ao catolicismo, de que aquele partido se diz estrénuo paladino? Este farisaísmo repartido entre os infames cometimentos de segunda a sexta-feira, e as práticas religiosas como salvação apaziguadora devolvem-nos a imagem de quem está no poder, e se diz católico. Haja Deus e haja Freud!

Talvez Freud seja a explicação mais recomendável para se entender esta corja de hipócritas que invadiu os territórios da decência e transformou o embuste em culto. Talvez. Deus, como precaução de celestes bonanças, serve de ocorrência momentânea, não como devoção e crença.

A repugnante cena de Mota na igreja fez-me recordar um poema de Guerra Junqueiro, recolhido em A Velhice do Padre Eterno, que cito de cor, pelo que me desculpo de qualquer incorrecção: "No meio de uma feira / uns poucos de palhaços / andavam a mostrar/ em cima de um jumento / um aborto infeliz/ sem mãos, sem pés, sem braços/ aborto que lhes dava um grande rendimento. / E o monstro arregalava / uns grandes olhos baços / e sem entendimento. / Ao ver esse quadro, apóstolos romanos/ funâmbulos da cruz/ eu lembrei-me de vós / hipócratas, devassos / que andais pelo universo/ há mil e tantos anos/ exibindo e explorando o corpo de Jesus."

Em Os Irmãos Karamazov, o mais velho deles afirma: "Se Deus não existe, tudo é permitido." Deus existe mesmo para esta súcia que tripudia na política e no espírito, no amor pelos outros, na consciência e na fé, com desenvolto desprezo?

Atingimos o grau zero da ignomínia. Socorro.» [DN]
   
Autor:

Baptista-Bastos.
   
   
 O milagre visto pelo FMI
   
«O desemprego continuará em níveis "inaceitáveis", acima de 15%, durante mais três anos, estima o Fundo Monetário Internacional (FMI). Embora tenha revisto em baixa a previsão para este ano, de 17,7% da população ativa para 16,8%, o Fundo mantém o desemprego na casa dos 16% até 2016 e nos 15,4% em 2017.

De acordo com o relatório do FMI sobre a décima avaliação ao programa de ajustamento, a recessão do ano passado foi um pouco mais leve, como já se previa: em vez da economia ter contraído 1,8%, caiu 1,6%. Para esta ano, as perspetivas mantém-se inalteradas: a retoma será de 0,8%.» [DN]
   
Parecer:

O FMI parece ser menos milagreiro do que a nossa Santinha da Horta Seca.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao coordenador da área económica do governo.»
  
 Os recados do FMI que o governo se recusa a ouvir
   
«Para o economista do FMI as prioridades são "identificar os últimos obstáculos à flexibilidade de preços e medidas para aumentar a produtividade" e "garantir que as novas leis e regulamentos se traduzam numa mudança efectiva e em preços mais baixos para os exportadores".

"É preciso que reformas ambiciosas do mercado de produtos, destinadas a aumentar a concorrência e a reduzir as rendas no sector não transaccionável, sejam uma peça central da agenda do crescimento daqui em diante", acrescentou ainda, ressalvando que "já se progrediu nesta área".» [DE]
   
Parecer:

De tudo o que a troika diz Passos só ouve o que coincide com o seu programa ideológico.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelas próximas eleições.»
   
 Um tiro no porta-aviões
   
«"O ajustamento externo tem sido conseguido, em larga parte, devido à compressão das importações de bens que não sejam combustíveis e, ultimamente, ao crescimento das exportações de combustíveis", pode ler-se no relatório da décima avaliação ao programa de ajustamento, publicado esta quarta-feira, 19 de Fevereiro, do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Por que é que isso pode ser um problema? Os técnicos do Fundo explicam que as importações deverão em breve voltar a crescer devido à retoma do mercado interno, que as unidades de refinação da Galp começarão a operar na sua máxima capacidade e que o turismo pode estar a beneficiar de uma procura acrescida irrepetível. "Esta dependência da compressão de importações de não-combustíveis e da exportação de combustíveis arrisca enfraquecer os ganhos conseguidos até à data, assim que as importações recuperarem de níveis anormalmente baixos e as unidades de refinação [de combustível] eventualmente esgotem a sua capacidade "extra", ao mesmo tempo que a melhoria na exportação de serviços é vulnerável a choques à procura de turismo."» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

Digamos que não é nada que a Santinha da Horta Seca não possa resolver.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
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