domingo, fevereiro 16, 2014

Semanada

Na mesma semana em que o FMI mandou mais uma tranche a juros baixos o governo armou-se em esquilo, foi aos mercados e depois enterrou o dinheirinho para o gastar a juros elevados no ano em que Portas promete baixar o IRS. Para que Luísa Albuquerque apareça ao lado de Salazar na montra das glórias financeiras do país pouco importa a que juros se paga uma saída a que designam por limpa. Entende-se por saída limpa deixar para trás um país com um povo desempregado, os jovens qualificados a emigrar, o défice orçamental quase na mesma e a dívida nos 130%, um patamar já longe dos 90% que na opinião de Passos Coelho justificava a vinda da troika. Segundo Passos Coelho o país está teso, mas para montar a sua encenação já pode pedir adiantados 20 mil milhões a juros altos, o que nos custa quase uma colecção Miro por mês, num ano o país vai gastar qualquer coisa como 600 milhões de euros, quase dez colecções Miro, 
  
AO expulsar António Capucho Passos Coelho fez uma depuração do seu partido, é menos uma voz incómoda e ainda por cima alguém que tem a mania de lançar candidaturas desalinhadas. Vai o Capucho mas ficam os magos da finança, o que se quer no PSD é banqueiros, ainda que do BPN, especialistas em privatizações da Goldman Sachs e outras figuras que têm o bom hábito de não se meterem em lutas internas e apoiam sempre e incondicionalmente o estimado e glorioso líder. Ainda assim Capucho teve sorte, se estivesse na Coreia do Norte teria desaparecido, ele e a família, por isso deve estar grato ao seu ex-partido.
  
Aos primeiros sinais de vida da economia e quando sabe que a Troika quer uma saída limpa que permita branquear a sua actuação sujo, Vítor Gaspar apareceu com um livro onde mostra mais uma vez como ele é um rapaz competente. Aproveitou para desmontar Portas, bajular Passos Coelho e, de caminho, ia depilando o professor catedrático a tempo parcial 0% que em tempos ficou conhecido por se recusar a contar pentelhos.
 
Na mesma semana em que ressuscitou o netinho da dona Prazeres (estranho nome o da avó deste desmancha prazeres), talvez na esperança de o PSD se lembrar dele para uma segunda salvação do país, Passos Coelho retomou a tese económico do iluminado da Católica para concluir que agora sim que os portugueses vivem de acordo comas suas possibilidades, foi retomada a normalidade, os pobres voltaram às sopinhas e deixara-se de bifes do lombo em vez do frango assado. O país deve estar-lhe grato pelos cortes no vencimento e o aumento brutal do IRS.
 
Aumento brutal do IRS que para ser decidido bastou uma irritação do netinho da Ti Prazeres de Manteigas, o país disse não ao golope baixo da TSU e em 24 horas o brilhante economista concluiu "ai não querem a TSU, então levam com um aumento do IRS". Agora vem Paulo portas dizer que lá para 2015, atempo das eleições legislativas, talvez se comece a baixar o IRS, aquilo que se decidiu de um dia para o outro leva agora um ano a desmontar e ainda precisa da ajuda de um professor de direito fiscal.

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