terça-feira, fevereiro 18, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
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"Até de uvas de faz vinho", Abel Pereira da Fonseca, Beato, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
António José Seguro

Passos Coelho até já parece gozar com o líder do PS.

«O primeiro-ministro Passos Coelho recuperou, esta segunda-feira, o apelo ao “consenso” entre os partidos do arco da governação mas descansou o PS, afirmando que “não precisa de ter pressa em responder”. O importante, sublinhou Passos, é que PSD/CDS e PS possam em conjunto e junto dos “portugueses e dos investidores, oferecer garantias sobre a trajetória futura das finanças públicas” portuguesas.

O PS, afirmou hoje o primeiro-ministro Passos Coelho, “não precisa de ter pressa em responder” ao convite endereçado pelo chefe do Governo para “um consenso” entre os partidos do arco da governação que possa depois, junto dos “portugueses e dos investidores, oferecer garantias sobre a trajetória futura das finanças públicas”.» [Notícias ao Minuto]

 
 PETA: Dia dos Namorados

 
 Pergunta

Já alguém ouviu ao titular da pasta do Ambiente uma única palavra sobre os temporais que têm destruido uma boa parte da nossa orla marítima?
 
      
 A caminho do novo Estado
   
«Os resultados económicos do último semestre de 2013, que levam o governo a embandeirar em arco, levianamente, por razões eleitorais, resultam, sobretudo, do crescimento do consumo privado. Por isso, mal se entende este foguetório do governo, quando são as decisões do Tribunal Constitucional que, em larga medida, estão na origem do minguado crescimento que o primeiro-ministro apresenta como "prova" do sucesso das suas políticas de austeridade. Foi, precisamente, contrariando medidas severas de empobrecimento, propostas pelo governo, declaradas inconstitucionais, que foi permitido um maior desafogo às famílias e o consequente aumento do consumo. Mas, mais significativo do que estes "sinais positivos", é que a austeridade dos últimos três anos tem aumentado continuamente a dívida pública. Esta, que ronda os duzentos e vinte mil milhões de euros e ultrapassa os 130% do PIB, não pode ser reduzida sem mais carga fiscal e sem mais austeridade. É o ciclo vicioso a que nos conduz, se não for interrompida, a política de austeridade custe o que custar.

Mas o estado a que chegámos não resulta só desta saga perversa da austeridade. O Estado foi ocupado por quem o quer desacreditar e dele se quer desfazer, reduzindo-lhe a capacidade de intervenção e a dignidade. Todos os dias somos surpreendidos por novos factos e ainda não começou o degradante espectáculo, provavelmente televisivo, da "factura da sorte", sorteio semanal de um carro "topo de gama", promovido pelo governo, a que concorrem todos os contribuintes que se disponibilizem a colaborar com a fiscalização do ministério das Finanças. E o governo já anunciou que haverá, para além dos habituais, mais dois sorteios extraordinários, com três prémios de uma só vez. Deve ser para estimular, ainda mais, esta "cidadania de casino" promovida pelo governo.

Na semana passada, talvez contagiada pela "factura da sorte", a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, propôs aos deputados que se procurassem patrocínios que pagassem as iniciativas das comemorações dos 40 anos da "revolução dos cravos" a promover por aquele órgão de soberania. Circulou por aí, na comunicação social, que uma das ideias da segunda figura do Estado, para lembrar "o dia inicial inteiro e limpo", era cobrir toda a fachada do Parlamento com uma intervenção de Joana de Vasconcelos. Como quem paga quer retorno, é de supor, sem caricaturar, que não estava fora de questão ver, no topo do Palácio de São Bento, uma faixa, a todo o comprimento, a anunciar cinquenta por cento de desconto no peixe numa qualquer cadeia de supermercados. Por este caminho e com este "pensamento de Estado", qualquer dia, ainda vamos ver a Presidência da República a solicitar o patrocínio de um banco ou de uma multinacional para realizar as comemorações do dia de Portugal.

Mas não ficamos por aqui. Os exemplos sucedem-se, uns atrás dos outros: o governo português tem uma posição de "apoio empenhado e construtivo" à entrada, como membro de pleno direito, na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, da Guiné Equatorial, governada há décadas por Teodoro Obiang, um dos ditadores mais sanguinários de África. A posição do governo português, neste caso, pode ter a ver, também, com outro "patrocínio": o ditador da Guiné Equatorial estaria disposto a investir mais de 130 milhões de euros no BANIF.

Estes factos não são isolados: correspondem ao "pensamento" de quem nos governa sobre os cidadãos, a sociedade e o papel do Estado. Por isso, entraram na rotina, como parte substancial da "reforma" do Estado. De um "Novo Estado".» [i]
   
Autor:
 
Tomás Vasques.
      
 Ai aguentam, aguentam
   
«Fernando Ulrich, presidente do BPI, voltou ao ataque. Depois do célebre “ai aguentam, aguentam” – relativamente ao qual mais tarde se retratou – no sábado decidiu anunciar aos portugueses, numa entrevista à SIC--Notícias, que este governo está a ter uma política “tão ou mais redistributiva” do que “os comunistas” em 1975. Entre outras alegrias, o banqueiro sentenciou que “nunca provavelmente a esquerda fez em Portugal uma política tão redistributiva como a que tem feito o governo do dr. Passos Coelho”. Afinal, segundo Ulrich, “as pessoas que mais ganham, tiveram cortes – seja pela via dos cortes, seja pela via da carga fiscal – muito maiores do que as pessoas que ganham menos. Com esta dimensão, talvez só em 75.”

Ulrich, infelizmente, não aprendeu nada desde o “ai aguentam, aguentam”. Estas declarações são outra versão da mentalidade de Maria Antonieta (“não há pão, comam brioches”) que preside aos decisores do actual estado de coisas – governo, banqueiros e os amigos nas instituições europeias.

Vamos lá dar a palavra outra vez a Ulrich: “Evidentemente que isto foi duro, não se pode é dizer que as pessoas que mais ganham não estão a passar por cortes enormes e muito maiores do que aqueles que ganham menos”, disse, citado pelo “Jornal de Negócios”. Para que se perceba melhor que Fernando Ulrich até tem uma ponta de piedade para com os falidos: “Não estou com isto a dizer que aqueles que ganham menos, ganham o suficiente, que estão bem, ou que os sacrifícios dos mais pequenos, que lhes foram impostos também não são duros. Não se pode é dizer que a política não tem tido uma preocupação redistributiva enorme”. Temos um governo comunista e não sabíamos.

Não interessa que, recentemente, um estudo do banco UBS tenha concluído que desde que começou o protectorado os mais ricos estão cada vez mais ricos. Também a OCDE, que ano após ano aponta Portugal como um exemplo de um país com fortíssimas desigualdades, alertou recentemente que a crise económica veio agravar de forma brutal a desigualdade de rendimentos. Os dados da OCDE revelaram que a desigualdade cresceu mais entre 2008 e 2010 nos 34 Estados-membros da organização (que inclui Portugal) do que nos 12 anos anteriores.

A OCDE diz que “depois de impostos e transferências, o rendimento dos 10% mais ricos da população dos Estados da OCDE é 9,5 vezes superior ao dos 10% mais pobres”. Ai aguentam, aguentam. Até um dia, senhor banqueiro.» [i]
   
Autor:

Ana Sá Lopes.
   
   
 O outro lado das ONG
   
«O presidente da Organização não-governamental (ONG) International Mine Iniciative (IMI) foi indiciado na sexta-feira e colocado em detenção provisória. O inquérito judicial é dirigido a mais sete suspeitos, incluindo "três diplomatas em funções", indica um comunicado da polícia grega, que não fornece mais detalhes.

Segundo o comunicado, trata-se "de um dos casos mais importantes de desvio de dinheiro público em detrimento do Estado grego", e terá ocorrido durante a década de 2000, com a acusação a referir-se a branqueamento de dinheiro, falsas declarações ou desvio de fundos.

Parte das subvenções disponibilizadas pelos poderes públicos terá sido utilizada para financiar despesas pessoais dos responsáveis da ONG, que oficialmente promoveu programas de desminagem na Bósnia, Líbano e Iraque entre 2000 e 2004.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Em Portugal as ONG são dirigidas por cidadãos (ou famílias, como é o caso da AMI) exemplares, onde não há sequer a hipótese de haver o desvio de um tostão.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Registe-se.»
     

   
   
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