quarta-feira, novembro 28, 2012

Eugenia empresarial


Já se percebeu que este governo sabe de quem gosta e de quem não gosta e que tem feito da sua política uma arma para favorecer os que considera úteis e para fazer desaparecer os que entende estarem a mais. Percebe-se que adora banqueiros, que tem um fraquinho pela CIP que sente uma paixão assolapada pelo Soares dos Santos mas anda irritado com o Belmiro.
 
Percebe-se igualmente que jovens qualificados estão a mais, que os funcionários públicos são detestáveis, que os professores não fazem falta, que os pedreiros estão abaixo de cão, que os trabalhadores valem menos do que couves no MARL. Percebe-se que o país é a Farmville com que o Gaspar brinca, há os que são porcos e ele detesta por causa do colesterol, as ervas daninhas, ele tira daqui e põe ali, manda os animais para abate, transforma o que não gosta em estrume para que cresça aquilo de que ele gosta.
 
Como era de esperar esta postura levou tempo mas chegou ao parlamento, é que os mais inteligentes foram para presidentes de bancos e de institutos, os medianos ficaram para o governo e os menos dotados foram ocupar as cadeiras do parlamento. Mas a teoria da eugenia lá chegou ao pessoal parlamentar e já é usado pelos digníssimos parlamentares que sabem que se não aprovarem tudo o que o Gaspar manda acabam por descobrir que os seus preciosos pescocinhos não servem apenas para pendurar gravatas e embrulhar em sedosos colarinhos feitos por encomenda.
 
O IVA vai matar cinquenta mil restaurantes? Não faz mal, é mais ou menos esse número de restaurantes que estão a mais e portanto podem ser eliminados pela nova teoria da eugenia económica, se o Gaspar ontem à noite decidiu que na sua Farmville não há restaurantes pois a esposa leva-lhe a marmita para junto do computador, então o país não precisa de restaurantes, essa gente que fez das necessidades alimentares dos outros profissão estão a mais neste país higienizado por esta maioria.
 
Pouco importa que mais de cem mil acabem no desemprego que qualquer qualificação profissional, isso é problema deles, os problemas do governo são indicados pelo Gaspar e as dificuldades do povo soa uma cena que não assiste ao Gaspar. Para o Gaspar o que conta é o bem-estar do ministro das Finanças alemão. Saber se os portugueses passam fome é coisa de somenos importância, entre empurrar a cadeirinha do ministro alemão e ajudar os portugueses famintos ninguém tem dúvidas sobre qual a opção do governo.

  
Há restaurantes a mais? Há sim senhor, mas também há quem diga que temos deputados a mais e ninguém se lembra de aumentar um imposto para os matar, não é que as suas decisões não ajudem a matar muitos portugueses, mas por agora os nossos deputados ainda podem goza com o povo e ganhar para isso.