quinta-feira, janeiro 23, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Capela de São Sebastião, Lumiar, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Pedro "Lambretas" Soares, o último na hierarquia do governo

O Lambretas não teve coragem de ir ao parlamento defender as medidas pelas quais é responsável. É cobardia a mais para parecer ser verdade.

«A Assembleia da República assistiu esta tarde a um momento caricato, quando nenhuma bancada - nem do Governo, nem da maioria nem da oposição - se inscreveu para o debate sobre a reapreciação do diploma da convergência das pensões da Caixa Geral de Aposentações com as pensões do regime geral.

Trata-se da lei de que foi chumbada pelo Tribunal Constitucional, o artigo que cortava 10% em todas as pensões da CGA acima de 600 euros. O diploma voltou esta tarde ao Parlamento, expurgado do artigo 7.º, que o TC declarou inconstitucional.

Esse era o primeiro ponto para debate na agenda de trabalhos para esta tarde e, perante a ausência de inscrições, Guilherme Silva, que está a presidir ao plenário, preparava-se para passar ao ponto seguinte, quando foi interpelado pela bancada do PS.

Os socialistas questionaram a ausência do Governo no debate, uma vez que a lei, sendo um decreto da Assembleia da República, parte de uma iniciativa do Executivo. "Presumimos que o proponente estivesse presente", disse o socialista António Braga. Resposta de Guilherme Silva: "A nossa presunção é que não havendo inscrições não há condições para fazer o debate".» [Expresso]

 Encostada à parede estava a sua tia!

Para além de estar a defender a tese cobarde de uma Comissão Europeia de competência duvidosa, o direitista finlandês Olli Rehn refere-se a Portugal como tendo estado "encostado" à parede,uma linguagem menos própria para se referir a um país. Daí a ter baixado as calças a tudo o que a troika decidiu experimentar em Portugal foi um passo, não foi Olli?
 
 O melhor golo da minha vida?

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O melhor golo na história de Portugal foi aquele que Salgueiro Maia marcou à ditadura, a sua vitória contra as armas da ditadura foi o melhor jogo que assisti em toda a minha vida. Nenhum golo marcador um português influenciou tanto o mundo como o golo de Salgueiro maia, perguntem aos brasileiros que enfrentavam a ditadura dos generais pelo alento que sentiram, perguntem aos africanos que se tornaram independentes (ainda que um dos danos colaterais disso seja estarmos a aturar o Passos Coelho), perguntem aos espanhóis que viviam no tempo de Franco pela alegria que tiveram, perguntem a todo o mundo se não ouviram falar de Portugal. Perguntem à ONU se sem esse golo teríamos participado no Conselho de Segurança, perguntem à UE se teríamos entrado para a CEE, perguntem às democracias quanto deve o mundo ao golo que Salgueiro Maia marcou aos ditadores nesse campeonato disputado entre as democracias e as ditaduras.

Eu sei que esse golo não constou na lista da UEFA, não foi relatado pelo Artur Agostinho, não fez parte da escolha da FIFA e não terá dado muita alegria a Cavaco que nunca foi adepto deste jogador ainda que tardiamente tenha tentado limpar a imagem, mas esse sim foi o melhor golo da minha vida.

Podem impedir que Salgueiro Maia esteja no Panteão mas não conseguirão impedir que muitos portugueses tenham Salgueiro Maia no panteão de cada democrata deste país. Se devemos tanto aos tiros da bola o que não deveremos ao tiro que Salgueiro Maia deu na ditadura abrindo a Portugal e a uma boa parte do mundo a baliza da democracia.
 
PS: Agora que muitos se lembraram de Salgueiro Maia recorda-se que aqui se propôs a devida homenagem nacional ao capitão de Abril num post de 2010. Salgueiro Maia tem demasiada importância para que o seu nome seja lançado a título comparativo.
 
 Rapazolas cobardes

Houve um tempo em que os rapazolas da troika se desdobravam em seminários e entrevistas, não perdiam a oportunidade para colherem os frutos de um ajustamento exemplar, agora que Portugal vive um milagre económico e é apontado como um caso invejável de sucesso os rapazolas da troika desapareceram e anda por aí um paspalho da Comissão justificando a situação com o facto de Portugal só ter pedido ajuda quando estava "encostado à parede". Se o caso português é um sucesso porque razão os rapazolas desaparecera? Só pode ser para deixar o governo português brilhar com o sucesso do ajustamento.
 
      
 Entre a decência e a evasiva
   
«Parece-me difícil alguém poder justificar, com honra e decência, o golpe do PSD em mandar para os fojos, através de um referendo, a questão da coadopção de crianças, por casais do mesmo sexo. A indignidade não é atitude nova por aquelas bandas políticas. Porém, esta mascarada atinge aspectos de ruinoso indecoro. A incomodidade na bancada do Governo dissimulou-se, muito mal, por receio e cobardia, com declarações de voto. O descrédito da política aumentou mais um patamar.

O número de equívocos morais praticado por este Executivo não tem equivalência com a percentagem de votos fornecida pelas sondagens. Apenas 12 pontos separam o PSD do PS: a escassa percentagem, além de tranquilizar Passos Coelho, fornece a dimensão ética e a consciência política da população. É verdade que o País está sob uma tensão impressionante, numa calculada estratégia de medo, que nos afugenta das mais elementares imposições da cidadania. Porém, a oposição do PS é degradante pela ineficácia. No interior daquele partido, o António José Seguro é já conhecido pelo Tó Zero, o que talvez dê a medida do mal-estar entre socialistas, defraudados nas esperanças de uma mudança que as indicações tornam desesperantes.

Fora do domínio estritamente partidário, que faz o PS de Seguro para cativar as franjas de eleitores, causticadas pela mais violenta chaga social, de que há memória em quarenta anos de democracia? Nada. Os juízos socialistas, de que temos vagos conhecimentos apenas nos comícios, e mesmo assim esfarrapados em estribilhos, constituem uma perda do objecto e do sentido. A par do abandono da forma ideológica, a mediocridade do que é dito e afirmado queda-se numa auto-satisfação tão absurda como burra. Isto dá tanto para o PS como para o PSD, embora este esteja sustentado por uma doutrina, a neoliberal, e o PS anda numa deriva insana, com dois padrões definidores, qual deles o pior, entre Francisco Assis e Augusto Santos Silva.

As hesitações ideológicas do PS e a sua letargia à acção, estão a esvaziar a identidade de um partido que, sendo de charneira, não deveria perder a responsabilidade para que foi criado. Sou do tempo em que, nas manifestações de rua, os militantes gritavam: "Partido Socialista, Partido Marxista", até ficar comprometido entre o protesto parlamentar e uma notória opção liberal.

Neste melindroso caso da coadopção era preciso ultrapassar as balizas da heteronímia, para afirmar uma autonomia individual, e passar das evasivas para os actos sólidos e para as palavras firmes e contundentes. A verdade, como nestes e noutros assuntos, é que não sabemos o que, rigorosa e realmente, pensa o Partido Socialista. Assim sendo, indefinido e tragicamente ambíguo, ignora ou despreza os pontos essenciais dos encontros para uma contestação, afinal contida na sua própria génese.» [DN]
   
Autor:
 
Baptista.-Bastos.
      
 E ainda queríamos dar-lhes armas
   
«stava a Europa a estudar se devia ir até à Síria resolver a coisa (não faltaram propostas: intervenção direta, dar armas aos rebeldes...), quando acordou para a espantosa notícia. Podia poupar-se na viagem: a guerra virá ter connosco. Na segunda-feira, o jornal inglês Daily Telegraph deu voz a um desertor dos rebeldes que revelou uma das prioridades da Al-Qaeda na Síria: formar os jovens europeus que chegam para combater o governo sírio e devolvê-los à Europa para praticar terrorismo. Esta mão-de-obra emigrante europeia partiu inculta - só básicas teorias tolas - e regressará altamente qualificada. Em explosivos. Os serviços de inteligência, britânicos e franceses, confirmaram: a Síria é um campo de treinos para exportação. O regresso à Grã-Bretanha desses recrutas da guerra santa é a principal preocupação do MI-5. Na semana passada, dois garotos franceses de 15 anos partiram de Toulouse para a Síria, tenros para (ainda mais) lavagem ao cérebro. Então, até já. Talvez sejam poupados às ações mais perigosas, pois são mais úteis noutro sítio. Calcula-se que há na Síria 500 combatentes britânicos, 700 franceses e 300 belgas, quase sempre jovens. Alguns pais estão naturalmente preocupados e gostariam de os ver regressar. Em maio passado, escrevi aqui que essa notícia talvez não fosse boa para todos. Partiram de cabeça quente e vão voltar a ferver. Titulei essa crónica assim: "É mau terem partido. E péssimo voltarem". Repito.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.
   
   
 De qual deles seráa EDP?
   
«Familiares próximos dos mais altos dirigentes chineses, incluindo do Presidente Xi Jinping e do ex-primeiro-ministro Wen Jiabao, esconderam a sua fortuna em paraísos fiscais, segundo uma investigação jornalística que lança dúvidas sobre os esforços anticorrupção de Pequim.

De acordo com documentos financeiros obtidos pelo Consórcio Internacional dos Jornalistas de Investigação (CIJI), com sede em Washington, mais de 22 mil clientes da China ou Hong Kong estão envolvidos em companhias offshore.» [DN]
   
Parecer:

É aquilo a que o nosso Passos Coelho designa por democratização da economia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Muito passeia o homem
   
«O ministro da Economia, Pires de Lima, e Leonardo Mathias, secretário de Estado adjunto da Economia, vão reunir-se em Davos, na Suiça, com o fundo soberano russo RDIF - Russian Direct Investment Fund.

Ainda na Suíça, o ministro da Economia têm agendadas diversas reuniões com várias empresas multinacionais, com o objetivo de atrair investimentos para Portugal nesta nova fase de "viragem e recuperação económica" que o país está a viver.

Pires de Lima parte hoje para a Suíça, depois de ter estado dois dias em Madrid, no âmbito de um "roadshow" que já passou por vários países, numa estratégia de capatação de investimento para Portugal.

Entretanto, a industrialização foi o tema forte da reunião que decorreu esta manhã em Madrid entre António Pires de Lima, ministro da Economia, e José Soria, ministro espanhol da Indústria Energia e Turismo, no âmbito do "roadshow" que o Governo iniciou ontem em Espanha, destinado a atrair investidores a Portugal.» [Expresso]
   
Parecer:

Parece que em vez de MBA em gestão é piloto de aviação civil. Desta vez compreende-se o passeio, qualquer vaidoso do mundo empresarial gostaria de ir a Davos e se fosse com viagem paga e direito a entrar melhor ainda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao homem o que já fez pelo país desde que é ministro.»
   
 Não se entendem
   
«O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, andou a sondar a opinião dos sindicatos e associações de polícias (PSP e GNR) em relação à alteração do carácter obrigatório dos seus subsistemas de saúde (SAD). Esta abertura à negociação contrasta com o tom assertivo já assumido pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque.
  
Depois de Miguel Macedo ter reunido com os representantes da PSP e da GNR no início desta semana, a ministra que carrega a pasta das Finanças voltou a frisar, esta quarta-feira no Parlamento, a intenção do Governo de tornar opcional a inscrição nos subsistemas públicos de saúde dos polícias (SAD) e militares (ADM).

Esta mesma notícia já tinha sido avançada há duas semanas na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros onde foi aprovado o diploma que determina o aumento dos descontos dos beneficiários dos subsistemas de saúde (ADSE, SAD e ADM) de 2,5% para 3,5%.
Nessa altura, também o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Marques Guedes, disse que os beneficiários poderiam sair do subsistema se quisessem, tal como já é possível na ADSE, embora com pouca adesão.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

Parece que o ministro não lê as notícias.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao ministro que esteja mais atento ao que a ministra diz pois ela é a terceira na hierarquia do governo e ele é o sexto, isto é, manda quem pode e obedece quem deve.»
     

   
   
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