Parece que a resposta às certezas de Cavaco Silva de que estava convencido de que haveria acordo, certezas que deixaram Pedro Passos Coelho numa situação muito incómoda, veio “inesperadamente” de Ângelo Correia, o Pacheco Pereira do líder do PSD num artigo publicado no Correio da Manhã:
«Estão convencidos de que basta a consideração da sua existência para acalmar os mercados e entidades financeiras internacionais, bem como as autoridades comunitárias.
Puro engano: o que todos estes pretendem é a qualidade e objectivos explícitos no orçamento. Se não se fizerem propostas de acordo com aquilo que todas aquelas instâncias requerem, então o orçamento nada contribuiu para o enquadramento internacional de que carecemos.
Há ainda uma questão política a tentar perceber; se aquelas figuras reclamam a existência para 2011 de um consenso orçamental, ou seja praticamente a obrigação do PSD em não o vetar, então a lógica com toda a probabilidade manter-se-á para 2012 e 2013.
Por outras palavras, o PSD estará sempre condicionado a nunca vetar a proposta orçamental do PS.
As insignes figuras em vez de apenas reclamarem um orçamento aprovado, em vez de requererem um bom orçamento, apenas olham para um lado da realidade, esquecendo o outro. Na prática o que fazem – talvez não conscientemente – é condicionarem o PSD e a sua liderança.»
Ficamos a saber por Ângelo Correia que o que anima Pedro Passos Coelho é a qualidade dos objectivos definidos no orçamento e, de forma implícita, que o governo que os portugueses escolheram não é capaz disso, cabendo ao líder iluminado que substituiu a liderança derrotada do PSD a definição desses objectivos. À lógica de que o PSD seria sempre obrigado a aprovar um orçamento do PS aponta-se uma outra, a de que instrumentos políticos fundamentais devem ser decididos por um partido minoritário, pior ainda, que os orçamentos de uma legislatura devem estar condicionados aos objectivos definidos para a legislatura seguinte por um líder político de que ainda não se sabe se vai ser mesmo candidato a primeiro-ministro já que no PSD e a crer no seu passado recente tal hipótese será uma mera coincidência.
Só que esta argumentação de Ângelo Correia cai por terra quando a qualidade dos tais objectivos é garantida por duas exigências, não mexer nas deduções fiscais (principalmente nas da saúde que interessam mais aos Mellos do que à classe média), reduzir a despesa e não aumentar os impostos. As três propostas reduzem-se a uma, a redução da despesa, mas não se faz qualquer proposta nesse sentido pois deixa-se ao PS a impopularidade das medidas. Por outras palavras, Passos Coelho diz ao PS que quer que sejam despedidos funcionários e/ou cortados os seus vencimentos, mas que seja o governo a dar a cara por essas medidas. Se não é isso que Pedro Passos Coelho quer, então que diga quais as medidas que poderão assegurar a redução do défice.
Ângelo Correia está muito preocupado em « para acalmar os mercados e entidades financeiras internacionais, bem como as autoridades comunitárias » e assegura que isso se consegue-se com a qualidade dos objectivos. Só que esquece a existência do PEC e que essas mesmas entidades que acreditaram nesse instrumento esperam agora que os que o assinaram concretizem as medidas neles previstas, sob pena de não poderem confiar nas autoridades portuguesas e, pior do que isso, nos partidos políticos que num dia assinam acordos e no outro tratam das sondagens.
O artigo de Ângelo Correia é um bom exemplo da bandalheira argumentativa de que se vai fazendo o debate político em Portugal.
PS: Será que a redução da despesa pública é conseguida por aumentos de 2% dos funcionários públicos como exige o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, um sindicato que quase se confunde com os TSD já que no Estado ser militante do PSD implica que por inerência quase se seja sindicalizado no STE?
É aceitável e compreensível que um presidente que se recandidate tenha inevitavelmente de desempenhar o cargo ao mesmo tempo que o gere a pensar na recandidatura. O que não é aceitável é que um presidente que faz de conta que não é candidato tenha uma agenda que mais parece um roteiro permanente usando o cargo para promover a sua imagem ao mesmo tempo que ao se escudar nas funções presidenciais escapa ao confronto de ideias dos outros candidatos.
HÁ COISAS QUE NÃO ENTENDO
Enquanto o processo Casa Pia esteve em investigação foi um regabofe de violações ao segredo de justiça sem que isso tenha incomodado muito as nossas magistraturas. Agora que terminou o julgamento em primeira instância falam de crime de desobediência porque Carlos Cruz divulgou três vídeos. O que receava a juíza ao proibir a divulgação dos vídeos?
ESTRANHO
Quando o médico Ferreira Dinis foi condenado no processo Casa Pia a Ordem dos Médicos apressou-se a vir informar que poderia suspender o médico. Agora que está em causa o médico que cegou várias pessoas a mesma Ordem dos Médicos entre em debate com a ministra da Saúde dizendo que não tem competências para suspender o médico.
O BOLERO 'QUIZÁS, QUIZÁS, QUIZÁS"...
«Jorge Luis Borges, em Evaristo Carriego, faz Moshe e Daniel encontrarem-se no meio da estepe russa: "A onde vais, Daniel?", diz um. "A Sebastopol", responde o outro. "Mentes, Daniel. Dizes que vais a Sebastopol para que eu pense que vais a Nijni-Novogorod, quando tu vais mesmo para Sebastopol. Por que me está a mentir, Daniel?", lamenta Moshe... A ETA disse ontem que vai deixar de fazer atentados. O que interessa o que diz a ETA? Nem vale a pena sermos espertos como Moshe. O que a ETA quis dizer quando disse que deixava de fazer atentados é que pode ser que deixe ou pode ser que não deixe ou talvez enverede por uma situação intermédia que ela saberá justificar num próximo comunicado. Em 2006, ela fez a última declaração de tréguas antes da de ontem: depois disso, matou 12 pessoas, rearmou-se e continuou a fazer as extorsões aos industriais bascos que lhe enchem os cofres. A ETA tem uma vantagem de sinceridade sobre um pobre aldrabão judeu russo no meio da estepe: o que ela diz não conta nem para apanhar a mentira. Se a deixarem, ela fará o que tiver de fazer - e as suas palavras não valem nada. Se Borges, mestre da palavra, tivesse nesta tragédia de estudar alguém, mais valia que fosse o Governo espanhol. Zapatero é que se mostra céptico, sabendo que o que foi dito nada vale, mas com uma vontade doida de que, desta vez, quem sabe?, a ETA talvez... » [DN]
Parecer:
Por Ferreira Fernandes.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»
AUDÁCIA E DESENCANTO
«No dia em que se escreve, não sabemos ainda que bomba política vai Pedro Passos Coelho (PPC) lançar no domingo, em Castelo de Vide.
O que sabemos é que qualquer que seja a potência e pontaria, a limitação dos prejuízos será a sua agenda das duas semanas seguintes. Assim aconteceu com o ultimato relativo ao 9 de Setembro, tal como havia ocorrido com a proposta de revisão constitucional. O 9 de Setembro passou de data de deflagração de um terramoto político a um prazo administrativo anódino, relativa aos poderes do Presidente na dissolução do Parlamento. O estampido de pólvora seca, seguido de geral surpresa, foi desmentido pelo próprio actor principal, em termos que não deixaram dúvidas e que não careciam de maior explicitação sobre o que pensava de tão anormal proposta. No caso da anulação da tendencial gratuitidade do SNS, argumentaram as hostes do PSD tratar-se de um abuso interpretativo. Nunca a proposta de nova redacção para o artigo 64 afastaria a universalidade no SNS. Pois não. Tal como não é necessário constitucionalizar o acesso "universal" de qualquer cidadão a um serviço privado, de saúde, de restauração, ou de vestuário. A questão está em que a palavra universal só toma sentido constitucional quando o acesso é determinado pela necessidade publicamente reconhecida e não pela capacidade individual de pagar. O sistema de saúde que os amigos de PPC lhe sopraram ao ouvido e até mesmo passaram a escrito, era uma proposta para substituir a universalidade ancorada na necessidade e quase gratuitidade, pela regra geral do pagamento no acesso, ainda que parcial, com a excepcionalidade de não recusa por insuficiência de meios económicos. Apesar dos esforços que os encartados constitucionalistas, ou outros por eles, tenham feito na opinião publicada e até junto de editorialistas de jornais que lhes são próximos, não conseguiram apagar o nitrato de prata do seu grafti.» [DE]
Parecer:
Por António Correia de Campos.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»
SE ISTO NÃO É O POVO, ONDE É QUE ESTÁ O POVO
«Desta forma, segundo José Manuel Pureza, haveria uma «abertura para um Orçamento que representasse efectivamente a maioria do povo português e não creio que seja isso a que o Presidente se refere».» [TSF]
Parecer:
O líder do grupo parlamentar do PSD ainda está no tempo em que o povo era apenas os que mais berravam.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao pureza o que entende por maioria.»
NO MELHOR PANO CAI A NÓDOA
«Mike Weatherley, deputado conservador britânico, descobriu que a mulher trabalha como prostituta nos subúrbios de Londres. A brasileira Carla Weatherley cobra até 85 euros "para sexo com preservativo e sexo oral sem protecção."
A polémica estoirou depois do Sunday Mirror revelar o outro lado da mulher do deputado e envergonhou o primeiro-ministro, David Cameron, também ele conservador.
O semanário revela que Carla, de 39 anos, trabalha em três bordéis e que quando conheceu Mike, há mais de dez anos, no Rio de Janeiro, já o fazia. Porém, ao que tudo indica, o deputado nunca soube. » [CM]
AGOSTINHO OLIVEIRA, O FILÓSOFO
«O jogo com a Noruega, terça-feira em Oslo, pode "piorar ou talvez amenizar" o clima conturbado que se vive na Federação Portuguesa de Futebol, disse esta segunda-feira Agostinho Oliveira, seleccionador interino. » [CM]
Parecer:
Um momento alto do pensamento futebolístico.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
GALP LANÇA POSTOS DE GASOLINA "BARATA"
«Chama-se Galp Base e já está a funcionar num posto em Setúbal. Carlos Barbosa, presidente do ACP, diz que esta é a prova de que a gasolineira 'sempre pôde baixar o preço dos combustíveis'.
Numa tentativa de combater o preço da gasolina dos hipermercados, a Galp lançou um conceito do género, denominado Galp Base, com preços de combustíveis mais baixos.» [DN]
Parecer:
É a primeira vez que há um sinal de concorrência no mercado.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se por um comentário do presidente da Autoridade da Concorrência que em tempos disse que estava tudo bem no mercado.»
ILHÉU DA PONTINHA (FUNCHAL) PEDE A INDEPENDÊNCIA
«O proprietário do ilhéu da Pontinha, o rochedo no porto do Funchal que foi vendido pelo rei de Portugal em 1903, solicitou hoje ao Estado Português o reconhecimento daquele território como "Estado soberano e independente".
A pretensão de Renato Barros consta da carta que enviou aos Presidentes da República, da Assembleia da República, primeiro-ministro, ministros dos Negócios Estrangeiros e da Administração Interna e Representante da República na Madeira, cujo conteúdo divulgou hoje. » [DN]
Parecer:
Agora é de esperar que convide o Paulo Teixeira Pinto para redigir a constituição do ilhéu.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão»
CAVACO USA ORÇAMENTO NA SUA CAMPANHA ELEITORAL ENCAPOTADA
«"Um chumbo do Orçamento é coisa que não me passa peça cabeça." Palavras do Presidente da República, para quem a chave para a aprovação do documento "passa pela negociação, com todos os cinco partidos do Parlamento". Um aviso deixado no final de um dia de deslocação ao Douro Sul e em que desemprego, justiça e agricultura foram também motivo de "farpas" ao Governo.
"Eu próprio dei o exemplo do tempo em que fui primeiro-ministro para mostrar que um Orçamento é um documento que se negoceia, e isso deve ser feito com todos os partidos para que o País disponha de um Orçamento aprovado em tempo útil", avisou Cavaco Silva. Foi o último de uma série de avisos que começaram manhã cedo em Armamar, onde ontem Cavaco Silva começou o primeiro de dois dias de visita ao Douro Sul. Sobre a justiça, garantiu que está atento apesar de, "como Presidente da República, dever fazer as coisas de forma discreta". » [DN]
Parecer:
Cavaco já está em campanha e esqueceu-se de anunciar a sua recandidatura.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco quando anuncia a sua recandidatura.»
TEIXEIRA DOS SANTOS VENDEDOR AMBULANTE?
«Teixeira dos Santos chega a Macau nesta quinta-feira acompanhado pelo Secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Costa Pina, pelo Presidente do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, Alberto Soares, e também por Faria de Oliveira, presidente do Conselho de Administração da CGD.
De acordo com um comunicado do Ministério das Finanças, o ministro tem em agenda encontros bilaterais com os Governos de Macau e também de Hong Kong e contactos com as respectivas comunidades empresariais e financeiras. » [Jornal de Negócios]
Parecer:
Com o crescimento da dívida pública os ministros das Finanças começam a ser vendedores ambulantes de títulos da dívida.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso amarelo.»
OBAMA PROPÕE GRANDES OBRAS PÚBLICAS PARA COMBATER O DESEMPREGO
«Obama anunciará, segundo a Bloomberg, um plano de construção de infraestruturas para impulsionar a recuperação da economia americana a orçar os 50 mil milhões de dólares (cerca de 3,8 mil milhões de euros).
O plano centrar-se-á no melhoramento de infra-estruturas de transportes existentes, como a renovação de estradas e aeroportos, investimento em sistemas de controlo aéreo, e na construção de raiz de outras valências, como o investimento em auto-estradas e no comboio de alta velocidade.» [Jornal de Negócios]
Parecer:
E esta?
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho.»
QUEM QUSIER ENTRAR NOS EUA TEM DE PAGAR $14 ANTES DE EMBARCAR NO AVIÃO
«A entrada nos Estados Unidos passa a custar 14 dólares (10,8 euros ao câmbio actual) a partir de amanhã. Este preço será pago por todos os passageiros de países que, até agora, têm estado isentos de visto norte-americano, como é o caso dos portugueses.
As novas regras implicam que os passageiros que se desloquem para os EUA solicitem antecipadamente uma autorização denominada ESTA (Electronic System for Travel Authorization). Anteriormente este pedido era gratuito. Os 14 dólares podem ser pagos através de cartão crédito.
Um comunicado hoje divulgado pela Air France alerta que as autoridades norte-americanas proíbem o acesso a bordo a qualquer passageiro que não tenha cumprido esta formalidade obrigatória.» [Jornal de Negócios]
NO "ALBERGUE ESPANHOL"
Luís Menezes Leitão explicou a sua posição acerca da sua opinião em relação aos benefícios fiscais aplicáveis à despesas de saúde num post que tem o mérito de explicar o que se pensa sem recurso à demagogia. Assim o debate é mais saudável e esclarecedor e sugiro a leitura de todo o post
Antes do tema vejamos o que diz em relação à crítica aos termos demagógicos do post anterior:
«É muito fácil acusar os outros de demagogia. Só pergunto como deve ser qualificado o comportamento eleitoral de um partido, que teve na campanha eleitoral como uma das principais bandeiras a manutenção das deduções fiscais, criticando os seus adversários por as pretenderem eliminar, e apresenta essa proposta logo que regressa ao governo. Se isto não é enganar os eleitores, também não sei o que o seja.»
Este desafio deve ser endereçado ao PS, por mim não tenciono ser porta-voz de um partido de que não sou militante ou de um governo de que não sou de assessor. Não fico nada incomodado em ser metido no saco com "Câmara Corporativa" como não ficaria se a companhia fosse o "Albergue Espanhol" (desde que lá não estivesse a "borboleta"), mas se me quer inscrever como militante de um partido seria mais prático mandar-me a ficha. Só fui uma única vez confrontado com uma ficha (nos tempos em que a um funcionário promissor se sugeria a inscrição no partido e depois ia-se a uma mega exibição dos novos militantes numa sessão presidida pelo primeiro-ministro, lembra-se?) e muita pressão para a preencher mas não resultou, continuo partidariamente virgem.
Parece-me abusivo dizer que a manutenção das deduções fiscais tenha sido uma bandeira de qualquer partido, para sermos rigorosos convém lembrar que a questão ficou em evidência no debate entre Louçã e Sócrates e o que estava em causa era a proposta do BE de eliminar as deduções fiscais sempre que o serviço fosse prestado pelo Estado!
Mas vejamos a argumentação para manter as deduções fiscais tais como estão:
«Começa por se salientar que um trabalhador que ganha o ordenado mínimo nada pagará de imposto, até pela isenção do mínimo de existência consagrada no art. 70º do Código do IRS. Precisamente por isso não terá que se preocupar com as deduções a apresentar ao Estado, enquanto tiver esse rendimento. Mas se por acaso no futuro aumentar de rendimento, os juros que que tiver que pagar nos anos subsequentes são deduzidos à colecta do imposto em 30% (art. 82º nº1 c) do Código do IRS).»
Isto é enquanto não pagar mais impostos este trabalhador não pode beneficiar de uma "despesa negativa" consubstanciada numa dedução fiscal para recorrer aos mesmos cuidados de saúde de que pode beneficiar o mais felizardo. Compreendo que a redução de um benefício fiscal represente um aumento de imposto para os que as têm, ainda que estas deduções funcionem como uma devolução do imposto, mesmo assim, ao abdicar de uma parte do imposto o Estado decidiu co-financiar os cidadãos nas despesas de saúde na proporção da sua riqueza. O princípio é defensável, admito, mas é igualmente questionável. Poder-me-á dizer que as pessoas trabalharam e têm direito ao seu dinheiro, neste caso às deduções, mas nesse caso serão todos os impostos a estarem em causa.
Pessoalmente sou mais sensível a outros argumentos em favor da tese como o facto de o recurso à saúde privada se traduzir numa poupança para o Estado, argumento que, aliás, até vai mais em favor dos que defendem a promoção da medicina privada do que a linguagem do tipo "ir ao bolso" que está agora em voga.
«Limitação Global das Deduções à Colecta de IRS em Função do Rendimento Colectável
As deduções à colecta do IRS possuem actualmente um valor semelhante para todos os contribuintes, independentemente do escalão de rendimentos em que estejam enquadrados.
O valor global das deduções à colecta será diferenciado tendo em consideração o rendimento colectável dos contribuintes. Para o efeito, estabelecem-se limites (correspondentes a uma percentagem do rendimento colectável) para cada um dos escalões de rendimentos.
Excluídos desta regra transversal de limitação, ficam os dois primeiros escalões do IRS, as deduções à colecta personalizantes (relativas aos contribuintes, dependentes e ascendentes) previstas no artigo 79.º do Código, e bem assim, as relativas às pessoas com deficiência.
Limitação Global dos Benefícios Fiscais em Sede de IRS em Função do Rendimento Colectável
Os benefícios fiscais podem actualmente ser deduzidos à colecta do IRS em montantes variados,
independentemente do escalão de rendimentos em que se enquadram os contribuintes.
O valor global dos benefícios fiscais deduzidos à colecta será limitado em função do rendimento
colectável dos contribuintes, estabelecendo-se para o efeito limites (correspondentes a uma percentagem do rendimento colectável) para cada um dos escalões de rendimentos. Com esta medida, acolhe-se regra equivalente à que actualmente vigora, já, em sede de IRC.»
Fico um pouco confuso quando os mesmos que agora se esquecem do que assinaram venham exigir ao governo uma avaliação do impacto de medidas que entraram em vigor há semanas e de cujas consequências ainda nem deverá haver registo contabilístico que permita a sua avaliação, sejam os mesmos que se batem contra outras medidas com que também acordaram, façam de conta que o tema é de ontem e optem por recuar ao debate da campanha eleitoral.
Compreendo que Pedro Passos Coelho tenha um projecto para o sector da saúde (à vezes até fico com a impressão de que em vez de ser candidato a primeiro-ministro é candidato a ministro da Saúde) aceito que não tenha pensado muito bem no assunto quando negociou o PEC (o que não é de estranhar pois também não pensou muito quando encomendou um projecto de revisão constitucional), em limite até admito que este é um tema que merece a reflexão que não mereceu por parte do PSD quando assinou o PEC. Mas muito mal está um país quando os acordos são para esquecer e os compromissos internacionais para desrespeitar.
Nalgumas modalidades desportivas o treinador pode pedir um desconto de tempo, dessa forma pode interromper a actuação desastrosa da equipa ou quebrar o ritmo do adversário. Às vezes esse desconto de tempo é suficiente alterar o rumo da partida, o que torna o ritmo destas modalidades superior ao daquelas em que tal não é possível. Veja-se o que sucede no futebol, não raras vezes um treinador prepara uma estratégia, sofre um golo nos primeiros minutos e a equipa tem de se arrastar quase quarenta e cinco para reagir.
Com a equipa desorientada depois de um bom início da partida Passos Coelho bem tem precisado de pedir um desconto de tempo, marcou cedo e ficou tão convencido da vitória que a equipa desvalorizou a capacidade do adversário e até mesmo dos espectadores. A partir daí foi o que se viu, cada jogada acaba com uma bola no poste ou um golo do adversário e se tenta reagir é apanhado em fora de jogo. A equipa tem cometido erros sucessivos, deixou de ter fio de jogo e quando precisa de atacar é remetida à defensiva, os passes mal dados e os erros individuais impedem-na de sair do seu meio campo.
Depois de ter ido a Espanha para protestar contra o uso na golden share na PT teria dado jeito uma interrupção do jogo durante uns dias, daria tempo para aguardar pela concretização do negócio e teria evitado o desgaste a que se sujeitou e pouparia Pedro Passos ridículo de explicar o inexplicável.
Quando as primeiras vozes no PSD questionaram o projecto de revisão constitucional teria sido preferível interromper o jogo a levar o projecto até à aprovação obediente do conselho nacional. Agora não sabe o que fazer com o projecto pessoal de revisão constitucional do Paulo Teixeira Pinto. A fragilidade de Pedro Passos Coelho é tal que têm de ser os habituais treinadores de bancada do PSD a fazer sugestões para uma saída airosa, foi o que fez o inevitável Marcelo na universidade de verão da JSD.
A questão do orçamento é outro bom exemplo de como daria jeito mais uma interrupção da partida, num dia o Relvas admite um tecto aos benefícios fiscais na saúde, no outro o Nogueira Leite manifesta espanto por esta cedência. Responder com voz grossa não faz sentido, Pedro Passos Coelho sabe que vai deixar passar o orçamento, as sondagens não resistiriam a uma birra só para limpar a sua face.
Resta a Pedro Passos Coelho esperar com a interrupção do jogo que acaba por suceder com as eleições presidenciais, até lá vai ser um suplício com a equipa a não acertar uma bola.
Eu compreendo que um jornalista faça uma sondagem numa edição online e que fique desiludido com as escolhas dos leitores, como ficou nas últimas legislativas, mas quando um jornalista supostamente sério se lembra de perguntar aos leitores do CM qual é o político mais sexy arrisca-se a ter um problema se tiver preferências, ainda por cima quando se esqueceu de personalidades femininas.
Foi o que sucedeu ao jornalista Eduardo Dâmaso, convencido de que poderia arranjar mais um argumento para ajudar Passos Coelho fez a pergunta aos seus leitores, teve azar pois pelo que se viu o político que mais lhe estimula o libido não foi o escolhido pelos seus leitores ou leitoras. Viu-se, portanto, forçado a esquecer a escolha que, azar dos azares, foi José Sócrates e levou a sua avante, deu destaque ao segundo escolhido e quase disse "com este, sim, é que eu ia ao altar".
PEDRO PASSOS RABBIT E O SEU PROJECTO DE REVISÃO CONSTITUCIONAL
LOUÇÃ PEDE UM GOVERNO DO PSD?
«"O primeiro-ministro tem sido um factor de instabilidade e esta discussão entre o PS e o PSD para fazerem um orçamento que aumente os impostos e reduza o emprego, isso é a instabilidade do País", afirmou Francisco Louçã à margem de uma visita à Reserva Natural do Estuário do Tejo, na zona de Alhandra, Vila Franca de Xira.
O líder do BE respondia desta forma ao discurso do primeiro-ministro de sábado à noite em Matosinhos, no comício de 'rentrée' socialista, no qual José Sócrates deixou vários recados implícitos ao PSD, dizendo que a actual conjuntura "não está para brincadeiras ou ambiguidades" e que os tempos exigem "a defesa da estabilidade e não de constantes ameaças para provocar artificialmente crises políticas". » [CM]
Parecer:
É o que parece.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se um comentário ao candidato presidencial de Francisco Louçã.»
OS SOBREENDIVIDADOS TÊM EM MÉDIA 8,6 CRÉDITOS
«As famílias portuguesas, confrontadas com o agravamento do desemprego e juros mais altos, têm cada vez maiores dificuldades em fazer face aos seus empréstimos, que não param de multiplicar-se numa espiral de créditos para pagar créditos. De acordo com os dados de Agosto do gabinete de apoio ao sobreendividado (GAS) da Associação de Defesa do Consumidor (Deco), as 217 famílias que iniciaram um processo de endividamento excessivo no mês passado tinham, em média, 8,6 contratos de crédito em pagamento simultâneo, contra apenas 5,3 empréstimos no mês anterior.
Os dados a que o DN teve acesso mostram ainda que 18% das pessoas que iniciaram um processo de ajuda/aconselhamento têm entre oito e dez contratos de crédito em pagamento, enquanto 7,4% destes novos sobreendividados que surgiram na Deco possuíam mais de dez empréstimos em simultâneo.» [DN]
Parecer:
Muito crédito e muita falta de juízo.
Um dos aspectos mais curiosos desta notícia é atribuir as dificuldades à crise levando-nos a supor que tais créditos resultam da tentativa de sobrevivência. Só que nem sempre é assim e se é de esperar que hajam dois créditos relativos a habitação e um automóvel ficamos sem saber a que se devem os restantes. Num tempo em que já há quem faça férias no estrangeiro com recurso a crédito seria muito interessante que estas notícias fossem completadas com informação relativa ao destino de tantos créditos.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à DECO a que se destinaram os créditos.»
PASSOS COELHO ESTÁ PREOCUPADO COM A "ECONOMIA SOCIAL"
«O PSD vai apresentar um projecto de lei de bases da Economia Social, «para deixar clara a perspectiva» do partido sobre este domínio. O anúncio foi feito por Pedro Passos Coelho no encerramento da Universidade de Verão do partido, a propósito das críticas que têm sido feitas à proposta de revisão constitucional.
«Foi dito, sem qualquer rigor, e sem qualquer propósito que não seja o de assustar o país, que nós queríamos acabar com a escola pública, com a saúde pública e que queremos o livre despedimento», afirmou. » [Portugal Diário]
Parecer:
Há pouco tempo a prioridade era a liberalização do desemprego e a promoção da saúde privada. Isto não foi decidido para valer, é obra dos assessores de imprensa.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Passos Coelho que reserve a proposta para quando for governo já que agora a sua apresentação não passa de um simulacro de preocupação pois não pode fazer aprovar a lei.»
COITADO DO PASSOS, ESTÁ A SER VÍTIMA DE CHANTAGEM
«Pedro Passos Coelho acusou hoje o Governo de estar a usar o Orçamento do Estado de 2001 para “fazer chantagem com os partidos da oposição”. No encerramento da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, o presidente social-democrata reafirmou as condições do PSD para que o OE possa passar: cortar na despesa e não haver reduções nas deduções fiscais em sede de IRS.» [Público]
Parecer:
E quando defendia que o orçamento fosse apresentado antes do dia 9 ou quando pretendia discutir a revisão constitucional em simultâneo com o orçamento o que estava Passos Coelho a fazer? Parece que para este PSD não se pode criticar sem ter que se pedir desculpa nem afirmar as opções sem que se esteja a fazer chantagem. Esta forma betinha de estar na política começa a cair no ridículo.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se ainda não fez chantagem sobre este governo.»
«Só o Correio da Manha seria capaz de se lembrar de organizar um concurso (ou coisa que o valha) para escolher os mais sexy em Portugal. E só Eduardo Dâmaso (ou outro assim) permitiria a inclusão de nomes de políticos para os achincalhar — naquela utopia de transformar o país numa república de juízes procuradores.
Acontece que os Dâmasos, habituados a viver naquele paul, levaram o concurso muito a sério e tiveram um baque quando os leitores do CM elegeram Sócrates. Nada mais simples: dá-se destaque no jornal ao segundo classificado, Pedro Passos Coelho.
Este é o jornalismo que sobreviveu à asfixia democrática. »
«À semelhança da UDP, o Governo já arranjou, porém, o seu bode expiatório da crise em que lançou o país: os doentes. Segundo se refere aqui, o discurso de Sócrates ontem em Matosinhos foi muito claro, no sentido de cortar as deduções fiscais nas despesas de saúde. Isto por causa de uma situação espantosa: "essas deduções são tanto maiores quanto maior o rendimento que possuem", o que constitui "uma injustiça do sistema fiscal que o Governo quer corrigir". Na verdade, que coisa tão injusta os doentes que ganham mais dinheiro andarem a gastar mais no intuito de melhorar a sua saúde ou mesmo salvar a sua vida. Não deveriam eles antes poupar nesses gastos e pagar mais impostos, sacrificando a sua saúde em ordem a que o Governo possa continuar na sua política despesista?»
A tentativa de colar o governo à linguagem da UDP não passa de uma tentativa de iludir quem queira ver discutido o problema, tenta-se convencer pela demagogia. O que Luís Menezes Leitão deve explicar é porque um trabalhador com o ordenado mínimo que tenha, por exemplo, de recorrer ao crédito para fazer os mesmos tratamentos no mesmo serviço de saúde privado onde faz o mais bem sucedido recebe" muito menos do Estado por via das deduções, um não deduz quase nada, o outro deduz cerca de 40%. É esta diferença que Luís Menezes Leitão evita explicar com tanto parágrafo demagógico.
Marcas de gente de direita cujos donos ou gestores têm intervindo na política em defesa de medidas de austeridade ou de limitação dos direitos dos trabalhadores com o objectivo manifesto de favorecerem as suas empresas.
São marcas cujo consumo favorece a posição de gente de direita que usa o poder das empresas na comunicação social para influenciar o poder em seu favor e por isso merecem ser boicotadas.
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