sábado, novembro 01, 2014

Outra vez calças à boca de cine?

O governo apresentou um OE com previsões de crescimento económico e de arrecadação de receitas fiscais muito acima das metas que poderiam ser consideradas optimista, as previsões não assentam em premissas credíveis e não passam de uma confusão entre as conveniências e a realidade.

O governo embrulhou-se separando e ao mesmo tempo misturando as propostas com os estudos de uma reforma do IRS, cometeu erros de palmatória que obrigou a adoptar mecanismo fiscais para totós de um dia para o outro.
  
Passos Coelho espetou-se ao meter os pés pelas mãos na questão dos vencimentos dos funcionários públicos, ficando clara a ideia de que quando se sentou a ministra das Finanças levou duas horas a obriga-lo a dar o dito pelo não dito.
  
Enquanto o país discutia o OE e as suas medidas Paulo Portas e o ministro inútil da Economia andaram no México a colarem-se aos negócios de empresas privadas para os quais em nada contribuíram. É ridículo ver um governo que quando receia ficar emporcalhado com a sujeira do BES diz não misturar negócios com política, mas não perde uma oportunidade para encher aviões de empresários para passarem a ideia de que os negócios dos privados foram obra sua.
  
Era impossível o debate orçamental correr pior ao governo, o OE continha erros, as promessas de mecanismos de reembolsos eram ridículas, o desconforto nas relações entre PSD e CDS eram evidentes, a SEAF nem se deu ao trabalho de simular os benefícios fiscais que adoptou em sede de IRS, Passos Coelho fez uma figura de imbecil com a promessa do fim dos cortes nos vencimentos nos funcionários públicos.
  
O governo não poderia ter feito pior nem ser mais incompetente e o debate correu-lhe muito mal. Mas o contributo da oposição do PS foi quase nulo. A começar por António Costa embrulhou-se no QREN e numa picardia com o caga-tacos do Maduro (será primo do presidente venezuelano?) sobre um assunto que não diz quase nada aos portugueses e tentando fazer passar a ideia de que os fundos comunitários ficaram por gastar, quando se sabe que a direita adora gastar estes fundos. 

A reacção do PS começou logomal com a primeira posição de Vieira da Silva mal o OE foi entregue no Parlamento, disse que o PS votava contra e acrescentou umas balelas. O nível das intervenções de Ferro Rodrigues e Vieria da Silva durante o debate foram muito pobres, revelaram pouco cuidado a preparação técnica e chegou a ser ridículo ver Ferro Rodrigues a socorrer-se de Ferreira Leite para atacar o PSD, a mesma Ferreira Leite que pertenceu ao governo do Durão Barroso e deixou as contas públicas como é sabido.
  
Esta forma de fazer debates na base dos piropos, rasteiras e bitaites está fora de moda e é uma pena que os nossos políticos não saibam sair de cena no momento adequado das suas vida. O debate orçamental exigia mais, requeria melhor preparação técnica e o governo deu todas as oportunidades ao PS e a António Costa para se afirmarem. Infelizmente isso não sucedeu e muito se deve aos responsáveis parlamentares. Tenho a maior consideração e sentimento de gratidão pelo que Ferro Rodrigues e Vieira da Silva deram à democracia, mas isso não me leva a voltar a usar calças à boca de cine.

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