segunda-feira, julho 07, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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janela da Graça, Lisboa

 Jumento do dia
    
Pedro Passos Coelho

Compreende-se que ao contrário do sucedeu no passado desta vz Passos Coelho discuta a renegociação da dívida, é a sua forma de ajudar o amigo Seguro dando-lhe protagonismo.

«Em declarações aos jornalistas no final de um dia dedicado aos concelhos de Cinfães e de Arouca, Pedro Passos Coelho respondeu que "a renegociação da dívida é nesta altura uma coisa que não tem razão de ser".

"Como felizmente não há questões tabu e felizmente nós nos podemos exprimir com muita liberdade no nosso país, não levará a mal que eu discorde daqueles que dizem que essa renegociação deve ser feita. Ela corresponderia nesta altura a um problema que o país não precisa de enfrentar", justificou.

O primeiro-ministro garante que a previsão do Governo não é que a economia vá estagnar e portanto tratou de "afastar totalmente esse pessimismo com que muitas vezes essas questões são colocadas na opinião pública".» [DN]
 
 Um bom exemplo de compromisso

O BES é um bom exemplo do compromisso que tem dominado a vida política portuguesa, o compromisso entre instituições, poderes ocultos, partidos e oportunismo. É uma pena que a vida portuguesa não imite os países mais desenvolvidos e não generalize este tipo de compromisso a toda a vida política, talvez tivéssemos um BPN em cada esquina.
 
 Uma suestão aos estudantes de gestão

Deixem-se de ISEG, Nova ou Católica, esqueçam Harvard e o MIT, se querem singrar numa boa carreira como gestores inscrevam-se antes na universidade de Verão do PSD, sigam o exemplo de Catroga, Dias Loureiro, Vítor Bento, Mota Pinto e muitos outros gestores bem sucedidos.
 
      
 Seguro: os últimos três meses
   
«Recebi muitos comentários à minha crónica sobre António Costa, publicada nesta revista em 15/6. Se a maioria manifestava apoio ao que escrevi, alguns textos sublinhavam a insensibilidade à “traição” de que Seguro teria sido alvo; e referiam o “oportunismo” de Costa, ao avançar apenas quando a vitória nas legislativas parece provável.

Reconheço nestas críticas o tom com que Seguro tem conduzido a sua campanha. Sem grandes argumentos para se opor ao entusiasmo que a candidatura de Costa provocou no país, agita o fantasma da “lealdade” e realça o trabalho durante os seus anos de liderança, em circunstâncias muito difíceis. Ao mesmo tempo, pretende deixar a imagem de que o seu adversário apenas esteve a aguardar o momento propício para assaltar o poder, sem manifestar qualquer respeito pelo que foi realizado por Seguro.

Estes argumentos mostram a visão limitada de Seguro sobre o essencial da luta política. Em primeiro lugar, o actual líder do PS nega um princípio fundamental em democracia: num partido democrático, as lideranças estão sempre em questão, podem ser postas em causa em todos os momentos (desde que se respeitem as regras) e são, como é óbvio, muito condicionadas pela interpretação que é feita, em cada momento, das sondagens de opinião e dos resultados eleitorais.

O actual líder do PS nega um princípio fundamental em democracia: num partido democrático, as lideranças estão sempre em questão

Costa e os seus apoiantes entenderam que este é o momento de disputar a liderança. Têm toda a legitimidade para o fazer, como tiveram direito a recuar há cerca de um ano. Pôr em causa essa lógica é deturpar o cerne da democracia, que define os mandatos como permanentemente renováveis. Por outro lado, a política necessita de intuição no aproveitamento das oportunidades. Não há nenhum problema nisso: o sentido táctico define os grandes líderes. Se Costa entendeu ser este o seu momento, o PS que disputa, com civismo, se o quer como líder e futuro primeiro-ministro.

Seguro sabe que vive os últimos três meses como líder do PS. Se as “primárias” forem realizadas com rigor e permanente vigilância sobre quem vota — o que é preciso garantir em todos os momentos —, Costa obterá uma vitória clara. Por essa razão, Seguro oscila entre uma posição de vítima e um discurso pretensamente mobilizador, em que fala de si próprio como futuro primeiro-ministro de um governo PS. Em Celorico da Beira, disse que as “primárias” irão ser “o primeiro momento de afirmação da alternativa…”. O problema está na palavra “primeiro”. Com esta afirmação, Seguro demonstra como até agora não conseguiu ser uma verdadeira alternativa; e como se torna necessária uma relegitimação da liderança para termos a perspectiva de uma vitória do PS. O contratempo, para Seguro, é que a 28 de Setembro o líder será outro.

Infelizmente, os últimos três meses de Seguro não auguram nada de bom para o PS. Continuarão acusações pessoais, juízos de intenção e reuniões de apoio em que as emoções tomarão conta de todos. O PS corre riscos de perder três meses para fazer ouvir a sua voz: quem acredita hoje nas propostas do actual secretário-geral, sabendo que é um líder a prazo?

A estratégia de Seguro passa pelo desgaste do seu adversário, através da mobilização em torno da sua esforçada (mas baça) liderança. Costa precisa de resistir às críticas à sua “deslealdade”, conhecer melhor o país e, a seu tempo, concretizar mais as suas ideias.

Que 28 de Setembro chegue depressa!  » [Público]
   
Autor:
 
Daniel Sampaio.
      
 A direita deixou de ser patriótica (1)
   
«À partida, faço uma prevenção e uma precisão iniciais. A prevenção é que a designação de “direita” e a dualidade “direita/esquerda” não são nos dias de hoje termos muito precisos e úteis do ponto de vista analítico, mas uso aqui o termo “direita” por facilidade e comodidade, num mero sentido descritivo. Designa essencialmente o PSD e o CDS, mas, e aqui já se revela por que razão o termo é ambíguo, podia-se incluir também o PS nesta matéria.

A precisão é que uso o termo “patriotismo” num sentido vago de um sentimento comum de partilha a uma mesma comunidade com identidade histórica e nacional, linguística, cultural, territorial, que define fronteiras e interesses comuns e que pressupõe que esses interesses têm que ser defendidos num quadro de competição ou conflitualidade com outros interesses. É o sentimento de risco permanente, logo de defesa activa, dos interesses de uma comunidade nacional, que é o elemento dinâmico daquilo que se possa chamar patriotismo. Penso que isto chega para não entrar em grandes discussões identitárias.

A chave deste processo de abandono da noção de Pátria encontra-se no PSD, porque é aí que há uma significativa mudança. O CDS segue por arrasto, embora no caso do PSD a crise patriótica seja a da sua componente partidária e no CDS seja mais institucional e do Estado. Mas a mudança política centra-se no PSD (e no PS), acompanhando a evolução do “internacionalismo” clássico da tradição comunista para um “europeísmo”, muito evidente no Livre e em parte do Bloco. Por uma daquelas ironias em que a história é fértil, o PCP, perdida a referência internacionalista da URSS e do comunismo mundial, acaba por ser nos dias de hoje o mais patriótico dos partidos e aquele que mais resiste à deslocação dos centros de poder nacionais para o quadro europeu. Fê-lo e fá-lo por razões políticas instrumentais, mas não só. Na história do PCP, o quadro nacional sempre esteve presente na ideologia e na política e o que é muito importante, no imaginário da “indústria nacional”, do “pão português”, muitas vezes o reverso do “trigo” das Campanhas do Trigo do Estado Novo. A questão é que nessa tradição também estava o PSD e deixou de estar.

As mudanças do PSD com a ascensão ao poder de um aparelho profissionalizado e de carreira, com origem nas “jotas”, e que no poder, e com o poder, atrai alguns jovens intelectuais ultraconservadores, são muito relevantes. O PSD foi na sua origem um partido que foi buscar ao socialismo moderado, à social-democracia, à doutrina social da Igreja, a sua âncora para evitar colocar-se à direita do espectro político, onde não queria que o colocassem, e onde não queria estar. Esta intenção é tão evidente nos seus fundadores, que nem vale a pena perder muito tempo a nomeá-la. Não foi instrumental para acompanhar a viragem à esquerda do sistema político pós-ditadura, como hoje se diz, podendo ser deitada pela borda fora logo que a situação mudasse. Foi substancial e de fundo e impregnou o PSD de uma tradição, de uma linguagem e uma simbólica, que ainda hoje atrapalham os seus próceres “neoliberais”.

Mas o nascente PPD não se teria tornado popular se se ficasse apenas por esta estratégia de afirmação ideológica, com origem em profissionais liberais e intelectuais, e não fosse mergulhar no tecido social português profundo, onde encontrou uma identidade que fez a sua história. É por isso que o programa identitário do PSD é o da sua génese no PPD inicial e feito por Sá Carneiro e é o “programa não escrito”, a sua história. E aí outras realidades emergiram. Duas são do “contra” e uma é do “pró”.

As do “contra” são fáceis de identificar: uma é o anticomunismo, outra é a hostilidade à Maçonaria. Ambas têm ambiguidades, principalmente a segunda, dado que houve sempre mações no PSD, a começar por uma parte do republicanismo e oposicionismo histórico mais conservador que aderiu ao partido, a nível nacional e local. Mas se havia mações, da Maçonaria tradicional do Grande Oriente Lusitano, essa era uma opção individual, mantida com uma enorme discrição e que em nada marcava o rank and file partidário, que detestava a Maçonaria.

Esta é uma grande diferença com a actualidade, em que uma parte importante da direcção política e do aparelho do partido pertence à Maçonaria, e de forma muito significativa às novas obediências maçónicas surgidas nas últimas décadas. A Loja Mozart é apenas um caso, unindo o líder parlamentar do PSD, outros membros do PSD, com o dono da Ongoing, e antigos e actuais elementos dos serviços de informação, envolvidos num conjunto de escândalos públicos. Mas distritais inteiras do PSD são constituídas por membros das novas maçonarias, que funcionam como estrutura horizontal para criar redes de poder e de negócios. Quanto à componente antimaçónica do PSD estamos conversados. Está defunta.» [Público]
   
Autor:

Pacheco Pereira.
      
 Uma história exemplar
   
«A triste novela de um grupo económico que vive, claramente, muito acima das suas possibilidades tem revelado muitos aspetos semiescondidos da nossa comunidade e algumas das razões do nosso atávico atraso.

O episódio que envolve o Grupo Espírito Santo e a PT é absolutamente exemplar. Nele, a empresa de telecomunicações empresta dinheiro a uma companhia propriedade de um seu acionista ou, com resultados idênticos, investe, a curtíssimo prazo, num conglomerado de empresas com interesses na agropecuária, turismo e afins.

A simples enunciação do negócio - um empréstimo direto ou indireto a um acionista - já é, para usar simpatiquíssimas palavras, de um comportamento ético-empresarial muito duvidoso. Juntemos agora o facto de a PT ter aplicado um montante, 897 milhões de euros, que está muito próximo de metade da sua capitalização bolsista e que representa aproximadamente os seus lucros de três anos, numa única empresa... Espantosamente, uma decisão desta importância é tomada sem ir a discussão no conselho de administração e, mais tarde, é dito que seria uma medida de gestão corrente. Agora, recordemos ser do conhecimento geral que a empresa onde a PT colocou o dinheiro, a Rio- forte, está, para todos os efeitos, praticamente falida - aliás, pelas últimas notícias, a PT já se está a preparar para o calote.

Consequências diretas: as ações da PT caíram vertiginosamente - uma aplicação destas, mesmo numa empresa com uma saúde de ferro, seria sempre considerado pelo mercado como um ato de gestão incompreensível - e a fusão em curso com a Oi brasileira posta em causa ou, no mínimo, ficará um negócio muito pior para os acionistas da PT.

Temos então um presidente do conselho de administração e um administrador que praticam um ato de gestão, a todos os títulos, incompetente e altamente lesivo para os acionistas. O que os levaria a cometer semelhante monstruosidade? Não vale a pena tentar encontrar qualquer racionalidade de gestão: estamos na presença de um comportamento eticamente deplorável, perante uma daquelas trocas de favores que não constituem ilícito penal, mas que fazem abanar pilares da comunidade e a confiança dos cidadãos em regras que se dão como adquiridas mais do que muitos crimes.

Henrique Granadeiro e Pacheco de Melo são gestores experientes e vistos como competentes, em caso algum poderiam praticar um ato de gestão como aquele convencidos de que estavam a tomar a atitude certa para a empresa que gerem.

Digamos que esses gestores estariam a ajudar um amigo, que é também acionista da empresa que gerem. Um acionista que, muito provavelmente, os indicou para os cargos que agora ocupam. Talvez, num momento de necessidade, estes gestores possam ser ajudados pelo acionista; talvez, até, já tenham sido ajudados; talvez todos tenham sido ajudados por outros senhores que os ajudarão no momento apropriado.

O facto é que olhamos para muitos dos grupos económicos portugueses, sobretudo os que mais relações têm com o Estado, e vemos um conjunto de pessoas que vão circulando de empresa em empresa e do Estado para as empresas. Não se pede competência, ou melhor, a competência é secundária, o que conta é saber que se pode contar com os amigos quando necessário. Se a coisa correr mal, um amigo encarregar-se-á da colocação noutra empresa ou, se for caso disso, numa secretaria de Estado ou numa empresa pública. E os favores pagam-se sempre.

A perceção de que a competência não é, nas empresas e no Estado, o principal requisito para atingir os melhores salários, os mais elevados cargos, é especialmente danosa para a comunidade. A ideia de que é mais importante ter uns amigos com quem se trocam favores do que trabalhar arduamente é potencialmente destruidora dos mais sagrados valores da vida em sociedade, da mais básica e mínima noção de igualdade de oportunidades. A noção de que uns senhores que aparecem como muito sabedores, muito capazes de dizer o que é melhor para nós, que são apresentados como a nossa elite, fogem ao pagamento de impostos, aldrabam contas de empresas, não hesitam em cometer atos de gestão vergonhosos para ajudar amigos, é potencialmente desagregadora da comunidade porque destrói os laços de confiança entre cidadãos.

O estertor do Grupo Espírito Santo está a exibir, para quem ignorava, muitos dos males da nossa comunidade. A questão é se se vai conseguir realmente mudar alguma coisa ou se se vai mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.
     

   
   
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