segunda-feira, setembro 01, 2014

Mas que grandes reformadores

Aproveitando a presença da troika o PSD/CDS tentaram impor ao país uma reformatação que foi muito além da troika e mesmo dos limites admissíveis. A estratégia passou pela invenção de um desvio colossal na execução orçamental (com que José António Seguro ainda hoje concorda)  para justificar cortes brutais nos rendimentos dos trabalhadores, através de cortes de vencimentos e da famosa TSU. Ao mesmo tempo inventou-se uma vaga reformista que não só deu muito jeito a alguns beneficiários das privatizações, como foram de encontro ao desejo de alguns sectores empresariais.
  
Todas as reformas foram apresentadas como promotoras de desenvolvimento pois quebravam as amarras que supostamente impediam a acção dos investidores.
  
Uma das reformas mais exigidas foi a da legislação laboral, foi apresentada como condição para o desenvolvimento. A revisão da legislação laboral era apresentada como criadora de emprego e beneficiou do apoio de António José Seguro cujos apoiantes na UGT a assinaram a troco de algumas promessas que não foram cumpridas. O governo já foi mais além do acordado no famosos acordo de concertação social com que a UGT brindou a direita, mas os resultados em matéria de criação de emprego foram nulos.
  
A democratização da economia tem sido muito querida a Passos Coelho que deve ter lido algures que a presença do Estado na gestão das empresas era o Diabo. A sua primeira decisão foi acabar com a golden share na PT com as consequências que hoje se conhecem, a que se seguiu a venda da EDP ao Partido Comunista da China (Porque será que o PCP nunca fala desta empresa?) e a privatização da ANA cujo resultado foi um aumento brutal das taxas praticadas nos aeroportos. 
  
Com as privatizações o governo não se cansou de apregoar o grande interesse do investimento estrangeiro em Portugal, mas a verdade é que em três anos todos os investimentos estrangeiros que o governo atraiu, incluindo as compras de casa por chineses duvidosos que têm agora um passaporte dourado, não chegaram para compensar o abandono do projecto da Nissan de produzir baterias em Portugal. Em três anos foram mais e de maior qualidade os investidores que partiam do que os que vieram.
  
Depois de dar o irrevogável por revogável Paulo Portas achou que ia salvar a pele chamando a si a mais grandiosa das reformas, a reforma do Estado para a qual até produziu um guião que fez aprovar em reunião de Conselho de Ministros. Até agora não reformou nada.
  
Por fim, a Cristas também promoveu as suas reformas, uma reforma agrária que levaria os jovens para a agricultura e uma alteração revolucionária da lei do arrendamento que dinamizaria o mercado. Tanto quanto se sabe da reforma agrária pouco mais resultou que algumas couves-galegas pois o azeite de que a ministra tanto se gaba resultou de azeitonas de oliveiras plantadas antes dela imaginar que ia a ministra e o mercado do arrendamento é aquilo que se sabe, se não fossem os chineses dos passaportes dourados o mercado há muito que teria morrido e o Estado teria que fazer com a habitação o que fez com o BES depois de ter declarado que agora sim, que o sistema financeiro estava robusto e saudável.

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