segunda-feira, setembro 22, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Óbidos
  
 Jumento do dia
    
Nuno Crato

É normal que alguém cometa um erro e peça desculpa, foi para isso que fomos educados. Mas o que Crftao está fazendo não é mais do que uma mudança oportunista e em vez de recvelar alguém que é capaz de pedir desculpa, está revelando um político com um nível bem mais baixo do que aquilo que se pensava.

O Crato do passo irritava, este enoja.

«Nuno Crato tem a questão dos professores no centro das suas atenções, mas não esquece as dificuldades que algumas escolas passaram (e passam) devido aos cortes. Ao Diário de Notícias (DN) o ministro da Educação confessa que lamenta “não ter mais dinheiro para recuperar escolas, não com luxos mas com funcionalidades”.

“Se há algo que lamento é não ter mais dinheiro para recuperar as escolas, não com luxos mas com funcionalidades”. As palavras são de Nuno Crato, em entrevista ao Diário de Notícias (DN).» [Notícias ao Minuto]

 Directas

Se alguém espera que o espectáculo Seguro termina com as directas do próximo domingo pode estar muito enganado, se o Tozero perder as directas termos espectáculo para mais tempo. Quem demonstrou estar agarrado ao poder ao ponto de mais parecer um militante da extrema-direita dificilmente aceitará uma derrota. Seguro nunca fez nem soube fazer nada na vida, há décadas que vive da política, é um penamacorense a viver à custa das mordomias do poder e vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para se vingar do seu próprio partido.

 E vão 80



PEQUENA VALSA VIENENSE

Em Viena há dez mocinhas,
um ombro em que soluça a morte
e um bosque de pombas dissecadas.
Há um fragmento da manhã
no museu da geada.
Há um salão com mil janelas.
Ai, ai, ai, ai!
Toma esta valsa com a boca fechada.

Esta valsa, esta valsa, esta valsa,
de sim, de morte e de conhaque
Que molha sua cauda no mar.

Quero-te, quero-te, quero-te,
com a poltrona e o livro morto,
pelo melancólico corredor,
no escuro desvão do lírio,
em nossa cama da lua
e na dança com que sonha a tartaruga.
Ai, ai, ai, ai!
Toma esta valsa de quebrada cintura.

Em Viena há quatro espelhos
onde brincam tua boca e os ecos.
Há uma morte para piano
que pinta de azul os rapazes.
Há mendigos pelos telhados.
Há frescas grinaldas de pranto.
Ai, ai, ai, ai!
Toma esta valsa que está morrendo em meus braços.

Porque te quero, te quero, meu amor,
no desvão onde brincam os meninos,
sonhando velhas luzes da Hungria
pelos rumores da tarde tíbia,
vendo ovelhas e lírios de neve
pelo silêncio escuro de tua fronte.
Ai, ai, ai, ai!
Toma esta valsa do "Quero-te sempre".

Em Viena dançarei contigo
com um disfarce que tenha
cabeça de rio.
Olha que margens tenho de jacintos!
Deixarei minha boca entre tuas pernas,
minha alma em fotografias e açucenas,
e nas ondas escuras do teu andar
quero, meu amor, meu amor, deixar,
violino e sepulcro, as cintas da valsa.

Federico García Lorca, 

      
 Ministro mostra o caminho certo
   
«Miguel Macedo, o ministro dos bombeiros, fez o balanço: neste ano houve menos de metade dos fogos de 2013 e é o terceiro melhor da última década em área ardida. Concluiu de forma bem humorada: "Devo ser o único português que gostou do verão que tivemos até agora." Os números são de facto extraordinários, não conheço nenhuma área governamental capaz de apresentar resultados tão positivos. Acaso a dívida externa caiu para metade? O tempo de espera para cirurgia é dos mais curtos em dez anos? O abandono escolar diminuiu? Não, para todas as perguntas... Nos incêndios, sim. Mais do que puxar para si os méritos, o humor de Miguel Macedo apontou a causa do tanto que se fez: a meteorologia. E, ao dizê-lo, o ministro aconselha os seus colegas de Governo sobre a filosofia política a adotar. O que fazer? Nada. Deixar outros governar. No caso do Ministério da Administração Interna, foi a muita chuva e o pouco sol. Para as outras áreas que cada uma encontre quem trabalhe por ela. É importante, pois, que cada ministro se convença de que não só é prescindível, como o seu não fazer é que é eficaz. Lembram-se do lema daquele antigo político brasileiro, "roubo mas faço"? Não dou conselhos sobre a honestidade mas agora o que está a dar é: "Não faço!" Seria um magnífico slogan de campanha. E para programa uma só resposta: "Como não pretendo fazer nada, não tenho." Vão ver que seria ter sol na eira e chuva no nabal no dia das eleições.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

 Será de propósito?
   
«É provável que a vacuidade de Vítor Bento na análise política e económica seja parecida com a sua qualidade como gestor, mas nada indica que esteja louco ou que seja desprovido do mais básico bom senso. Assim sendo, não é de crer que ele e a sua equipa se tenham demitido por birra ou capricho, colocando em risco o Novo Banco e a já fragilíssima estabilidade do sistema financeiro.

A Bento foi-lhe solicitada uma missão, proposta uma estratégia e depois alguém no Governo ou no Banco de Portugal teve outra ideia e mudou tudo. Qualquer semelhança com a atuação típica do Executivo não é mera coincidência.
É por demais evidente que neste processo do BES/Novo Banco está escarrapachada a incompetência/inconsciência/irresponsabilidade que tem sido a assinatura deste Governo.
Em primeiro lugar, a espécie de delegação, no Banco de Portugal e em Carlos Costa, de poderes para conduzir a questão BES, pós-intervenção. A questão é de interesse público e quem está mandatado pelo povo para tratar assuntos desta gravidade é o Governo, diretamente, sem delegados. Um governo que aparece de toalha, para ir secando as mãos, e finge que é espectador num processo em que está em jogo 20% da riqueza nacional e que pode fazer implodir o sistema financeiro português, é um Governo suicida e irresponsável.

E onde estão as atribuições do Banco de Portugal para administrar bancos comerciais ou desenhar ou, mesmo, executar estratégias de gestão? E, claro está, temos a tarefa que deve estar a espantar o mundo dos bancos centrais: o Banco de Portugal como mediador de negócios de compra e venda.
Enquanto a antiga administração estava em funções, tínhamos ministros a definir a estratégia do banco na praça pública. De manhã era preciso consolidar, à tarde era preciso vender o mais depressa possível. Num dia, a ministra das Finanças punha em causa a supervisão, no outro enaltecia a tarefa do Banco de Portugal.

Tivemos uma estratégia e em meia dúzia de semanas arranjou--se outra: há que vender rapidamente o banco. Qualquer vendedor de carros usados sabe que anunciar pressa na venda faz diminuir o valor de um bem. Como no Governo faltam estadistas mas sobram vendedores de banha da cobra, o mais certo é alguém pensar que mesmo perdendo dinheiro dos contribuintes, mesmo pondo em causa o futuro da instituição, o importante é atirar o problema para um lado qualquer antes das eleições para parecer que o assunto está resolvido.

Mas eis que surge outra confusão. O novo presidente do banco, Stock da Cunha, na carta que dirigiu aos colaboradores do banco, disse que "temos de voltar a crescer em volume de negócios e créditos... e acabar com a discussão permanente sobre o modelo ou a data de venda". Das duas, uma: ou o Governo está a mentir, e afinal não tem pressa em vender, ou Stock da Cunha ainda estará menos tempo no banco do que Vítor Bento.

Estamos perante uma gigantesca trapalhada, em que o Governo se porta como uma barata tonta e se tenta esconder por detrás do Banco de Portugal. No entretanto, brinca com milhares de depositantes e põe em seriíssimo risco os outros bancos.

Os disparates são tantos e tão graves que há alturas em que é legítimo pensar que o Governo quer fazer implodir o Novo Banco e o sistema financeiro português. Talvez na sequência do que está a fazer à Justiça.

Não bastava termos um governo que não estava preparado para enfrentar a crise, temos também governantes que tratam o maior problema do nosso sistema financeiro das últimas décadas duma forma absolutamente errante e irresponsável. É azar a mais.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.

      
 Alemanha isolada no G20
   
«"A Europa tem de fazer mais", acentuou o secretário do Tesouro norte-americano Jack Lew resumindo uma das críticas que tiveram o acordo da maioria dos ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20, cuja reunião terminou este domingo ao final da manhã (hora local) em Cairns, na Austrália.

Lew referiu que permanecem diferenças "filosóficas" com alguns parceiros europeus em torno das medidas de estímulo de curto prazo para impulsionar a retoma económica. O secretário do Tesouro de Obama ressaltou o risco de na Europa "os esforços para impulsionar a procura serem diferidos demasiado de modo que o vento contrário tornar-se-á mais forte".

A crítica tinha como alvo a Alemanha representada pelo ministro das Finanças Wolfgang Schaüble que reafirmou a posição de prioridade às reformas estruturais e a um controlo orçamental estrito. A Reuters referiu que um membro da delegação alemã frisou que "não concordamos com estímulos de curto prazo" e que "a dívida está ainda demasiado elevada para permitir aumentar a despesa pública". » [Expresso]
   
Parecer:

Na próxima reunião o ministro das Finanças vai levar Passos Coelho com o estatuto de secretário pessoal para não ficar isolado no seu troikismo doentio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão.»
  
 E esta?
   
«António Costa, candidato às primárias do PS, acusou este sábado à noite o seu adversário eleitoral, António José Seguro, de partilhar os consultores de Luís Filipe Menezes, o ex-autarca de Vila Nova de Gaia que está agora a ser investigado pela Polícia Judiciária do Porto por suspeitas de corrupção.

As acusações ao atual secretário-geral do PS surgem no seguimento das declarações de Seguro, esta sexta-feira à noite em entrevista à CMTV, em que este disse que "há um partido invisível, que tem o verdadeiro poder".» [CM]
   
Parecer:

Pobre Seguro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

   
   
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