sexta-feira, maio 02, 2014

A avaliação

Só com este governo é que cabe ao avaliado o papel da avaliação, situação que não ocorre desde a vinda da troika, mas apenas quando esta achou que as coisas não estariam a correr bem e achou que o melhor seria entregar ao seu representante em Portugal, o então ministro das Finanças Vítor Gaspar, a tarefa suja de mentir sobre o que foi combinado nos bastidores. Desde então que o ritual é sempre o mesmo, a troika parte em segredo e de forma tranquila e quando os três funcionários estrangeiros já estão longe o governo convoca uma conferência de imprensa onde quase tudo o que é dito são meias mentiras e o mais importante fica por dizer.
  
Realizada a conferência de imprensa estamos uns tempos a celebrar a avaliação altamente positiva e mais alguns milagres da Santinha da Horta Seca, enquanto Cavaco assegura que foi a mulher que rezou muitos terços à Nossa Senhora de Fátima. Uns tempos de pois ou o FMI ou a Comissão de Durão Barroso publica uma nota com o que foi negociado com o governo e nessa ocasião fica-se a saber que o governo mentiu, omitiu e que teve a colaboração da troika em mais uma operação de manipulação da opinião pública.
  
A verdade é que tanto o DEO como aquilo que hoje vão dizer Portas e a Maria Luís não merece qualquer credibilidade, não passando de tratas. A verdade saberemos mais tarde e sucederá com o Orçamento de Estado de 2015 o mesmo que sucedeu com os anteriores, as medidas neles contidas nunca corresponderam às promessas eleitorais ou às anteriores avaliações, da mesma forma que aquilo que vai ser dito hoje de pouco valerá no momento da apresentação do próximo orçamento. 
  
A conferência de imprensa de mais logo será mais uma encenação do governo com a colaboração de uma troika que desrespeitou o memorando e andou três anos a gozar com a democracia portuguesa e de um presidente que parece que agora é informado de tudo e mais alguma coisa decidida em segredo pelo governo que é o seu.
  
O lado mais obscuro dos últimos anos foi o desrespeito pela democracia portuguesa e uma boa parte da intervenção dos funcionários da troika foi puro jogo sujo, principalmente por parte dos que dependem hierarquicamente de Durão Barroso. Quando os portugueses souberem a verdade sobre esta avaliação e tudo o que foi acordado em segredo aparecerá o Simon, assessor de imprensa do comissário Olli Rehn, ameaçando os portugueses e fazendo chantagem sobre o país e sobre as suas instituições.
  
A troika aceitou fazer o jogo sujo do governo, assumindo as suas propostas e soluções ideológicas como imposições dos credores. Veja-se o que se passou, por exemplo, com a famosa reforma do Estado, o primeiro projecto foi do FMI mas todos perceberam que não passavam de propostas do governo. Agora a troika parte e nada se fez, ficando-se a austeridade pelos cortes de vencimentos e de pensões.
  
O partida da troika é o fim do apoio de Durão Barroso às operações de propaganda suja e o regresso a alguma normalidade. Hoje será a última vez que o governo enganará os portugueses com a ajuda dos palhaços estrangeiros. A partir de agora Passos Coelho terá de dar a cara pelas suas decisões, terá de enfrentar os portugueses sem se esconder atrás da troika.

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