terça-feira, maio 13, 2014

O momento Futre de Cavaco


Cavaco e a seita formada por uma comitiva de empresários condecorados, ministros simpáticos e manicuras do jornalismo partiram em mais uma viagem digna da embaixada de D. João II a Roma, com um país pobre e sujeito a uma política de empobrecimento patrocinada pro Cavaco o país gasta rios de dinheiro com as viagens presidenciais. Talvez por esta tendência para as viagens faustosas à custa do dinheiro alheio o livros dos discursos escritos pelos assessores presidenciais sejam roteiros, espera-se que que o último roteiro seja uma colectânea de dez volumes com os discursos de presidenciais feitos nas suas viagens, devidamente documentados com fotografia do casal feliz no desempenho da sua diplomacia turística.

Cavaco tem sempre as melhores razões nacionais para justificar estas penosas viagens, na Califórnia foi ver jovens empreendedores, na Turquia foi ver a Capadócia porque a esposa há muito que o desejava e na China foi encontrar empregos para os desempregados que foram mais facilmente despedidos com as políticas que ele apoiou e em torno da qual ainda insistem em consensos que, entretanto, evoluíram para compromissos.
  
Cavaco teve o seu momento Futre. Quando o antigo jogador concorreu à liderança do Sporting na lista de Dias Ferreira prometeu comprar um ou dois jogadores chineses porque de seguida o espaço aéreo de Alvalade ficaria congestionado com os magotes de chineses em busca dos ídolos das suas colecções de cromos. Está tanta coisa em jogo para o futuro dos portugueses que se arrastam sem emprego que Cavaco fez uma comunicação ao país explicando que estava na China para criar empregos. 

Se tivesse sido Futre a explicar a sua viagem presidencial à China teria dado exemplos, imaginem só que se cada chinês se lembrasse de comer um pastel de nata, teríamos além de termos de ordenhar a felizes vacas da Graciosa ainda teríamos que ordenhar tudo quanto era vaca que pudéssemos encontrar daqui até Madrid. E se lhes desse para beber um cálice de vinho do Porto até do vinho da Adega Cooperativa de Tavira se faria o famoso vinho do Douro. Os chineses são mesmo a salvação.
  
Quem deve compreender muito bem a viagem de Cavaco Silva à China é o ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos, que em tempos também viajou para aquele país em busca de financiamento da economia portuguesa, o que na ocasião até resultou numa descida das taxas de juro. Mas nesse tempo a China não era o país democrático que é hoje e Cavaco comentava que estava preocupado com a origem dos capitais que financiavam a economia portuguesa.
  
Agora já não tem quaisquer dúvidas, até porque o amigo Eduardo Catroga já lhe deve ter mostrado uns maços de notas yens convertidos em euros pagos por um chinês que entretanto foi acusado de esbanjamento de dinheiro e que já deve ter pedido o seu passaporte dourado para poder gozar tranquilamente dos rendimentos. Agora que já não há dúvidas quanto à qualidade do dinheiro chinês até pode ser que o Portas convença alguns a irem viver para a Quinta da Coelha (que em chinês se escreve 金塔做科埃略) e até pode ser que se decida abrir ali um consulado da China a fim de promover o emprego no Algarve.
  
Não é difícil de imaginar que logo que Cavaco fez a sua comunicação foi rodeado por resmas de jornalistas chineses e que a esta hora a china esteja a ler a comunicação de Cavaco em tudo quanto é dazibao, desde as praias do Mar do Japão à fronteira como Quirguizistão.
  
Obrigado Cavaco e Dona Maria.
  
  
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